{"id":35,"date":"2008-12-13T16:08:00","date_gmt":"2008-12-13T16:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/35"},"modified":"2018-05-04T21:50:14","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:14","slug":"cidade-de-deus-e-a-miseria-dos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/cidade-de-deus-e-a-miseria-dos-homens\/","title":{"rendered":"Cidade de Deus e a mis\u00e9ria dos homens"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>CIDADE DE DEUS E A MIS\u00c9RIA DOS HOMENS<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cCidade de Deus\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: Cidade de Deus<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Brasil, Fran\u00e7a, Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Portugu\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Fernando Meirelles, K\u00e1tia Lund<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Paulo Lins, Br\u00e1ulio Mantovani<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Phellipe Haagensen, Douglas Silva, Jonathan Haagensen, Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Jefechander Firmino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: crime, drama<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cCidade de Deus\u201d \u00e9 um caso raro de filme brasileiro que n\u00e3o causa discuss\u00e3o por causa de seus sucesso de bilheteria (como \u201cXuxa e os duendes\u201d) ou por causa de suas pretens\u00f5es ao Oscar (como \u201cAbril despeda\u00e7ado\u201d). Ele provoca discuss\u00e3o por causa de seu conte\u00fado, o que j\u00e1 \u00e9 um sinal positivo na compara\u00e7\u00e3o com os supracitados.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trata-se de um filme de conte\u00fado forte, contundente. O filme traz a barb\u00e1rie cotidiana das favelas e periferias para dentro dos confort\u00e1veis multiplexes dos shoppings freq\u00fcentados pela burguesia. E vem embalado por uma campanha promocional que quer sim fazer dele um sucesso de bilheteria e tamb\u00e9m um candidato ao Oscar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 quem considere ileg\u00edtima essa tentativa de abordar a viol\u00eancia como mat\u00e9ria-prima do entretenimento. H\u00e1 nessa tentativa, segundo dizem, o perigo de estetizar a viol\u00eancia e de fazer apologia do crime e das drogas. Quem v\u00ea esse perigo est\u00e1 na verdade dizendo que a barb\u00e1rie pode existir l\u00e1 nas favelas, mas n\u00e3o pode ser objeto de um filme. E que quem faz um filme como esse est\u00e1 advogando a causa dos bandidos, traficantes, seq\u00fcestradores, etc..<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A inten\u00e7\u00e3o do filme n\u00e3o \u00e9 essa. Mas essa percep\u00e7\u00e3o extremamente conservadora n\u00e3o est\u00e1 preparada para perceber suas qualidades reais. Essa sensibilidade cinematogr\u00e1fica educada por Hollywood s\u00f3 consegue enxergar mocinhos e bandidos. O bem contra o mal. A plat\u00e9ia n\u00e3o quer ver seres humanos reais no cinema. \u00c9 desagrad\u00e1vel identificar-se a tais criaturas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para n\u00e3o ter o trabalho de digerir essa sensa\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais c\u00f4modo julgar a priori os moradores da favela como bandidos, reproduzindo a l\u00f3gica da exclus\u00e3o, acreditar que o filme faz a defesa do crime, desejar que se jogue uma bomba at\u00f4mica na \u201cCidade de Deus\u201d e condenar os realizadores do filme por expor nossa juventude \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e das drogas. Na mesma linha de quem quer censurar a m\u00fasica rap.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Algo que incomoda sobremaneira a sensibilidade burguesa \u00e9 a ousadia dos realizadores de tratar como objeto esteticamente v\u00e1lido a odiss\u00e9ia do tr\u00e1fico de drogas e da guerra de quadrilhas no morro. Tratar como objeto esteticamente v\u00e1lido significa trabalhar com o melhor da t\u00e9cnica cinematogr\u00e1fica esse objeto. E n\u00e3o h\u00e1 duvida de que isso foi feito em Cidade de Deus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como realiza\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, o filme \u00e9 primoroso. A t\u00e9cnica narrativa, com linhas temporais sobrepostas, a agilidade, o ritmo videocl\u00edpico, a narra\u00e7\u00e3o em off, a reconstitui\u00e7\u00e3o de \u00e9poca, a m\u00fasica, a atua\u00e7\u00e3o ultra-naturalista do elenco (com destaque para os bandidos Z\u00e9 Pequeno e Cenoura, este interpretado pelo sempre \u00f3timo Mateus Nachtergaele); s\u00e3o v\u00e1rios os atrativos que fazem de \u201cCidade de Deus\u201d um concorrente \u00e0 altura dos melhores filmes sobre o mundo do crime, como os de Martin Scorcese.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para a sensibilidade conservadora, \u00e9 perigoso tornar atraente, agrad\u00e1vel, divertida uma hist\u00f3ria sobre criminosos. Especialmente quando s\u00e3o negros favelados, \u00e0 semelhan\u00e7a dos milhares que amea\u00e7am as vidas de todos os espectadores no sem\u00e1foro mais pr\u00f3ximo. Mas ningu\u00e9m considera perigoso um filme como \u201cOs Bons Companheiros\u201d, de Scorcese, porque nesse caso, os criminosos s\u00e3o brancos, charmosos, atraentes, sedutores, mesmo que igualmente violentos. O crime que viceja na abund\u00e2ncia americana \u00e9 aceit\u00e1vel; aquele que grassa na mis\u00e9ria carioca \u00e9 repulsivo. A viol\u00eancia \u00e9 inerente \u00e0 sociedade capitalista, mas como n\u00f3s somos os perdedores do jogo, aquela que nos aflige \u00e9 motivo de vergonha, n\u00e3o de tratamento est\u00e9tico.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deixando de lado o preconceito est\u00e9tico-moralista, \u00e9 poss\u00edvel ver em \u201cCidade de Deus\u201d personagens criarem vida diretamente das p\u00e1ginas do romance hom\u00f4nimo de Paulo Lins. Personagens que se comportam como pessoas reais, que riem, choram, desejam, odeiam, vivem, imersos nos valores que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios. Personagens que apresentam pervers\u00f5es, taras, defeitos, maldade, mas o fazem como pessoas reais, n\u00e3o como serial-killers sobrenaturais. Na caracteriza\u00e7\u00e3o de um bandido como Z\u00e9 Pequeno, \u201cCidade de Deus\u201d est\u00e1 anos-luz \u00e0 frente de qualquer filme policial enlatado estadunidense. Ali tem-se um caso t\u00edpico de frustra\u00e7\u00e3o de uma pessoa que n\u00e3o consegue ter prazer a n\u00e3o ser pela humilha\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tenta\u00e7\u00e3o de conden\u00e1-los todos com base nos valores pr\u00f3prios da realidade burguesa civilizada des\u00e1gua em frustra\u00e7\u00e3o, pois do inferno que \u00e9 aquela vida \u00e9 inevit\u00e1vel que surjam dem\u00f4nios. Do lado oposto, surge a tenta\u00e7\u00e3o de inocent\u00e1-los todos, levando em considera\u00e7\u00e3o a realidade miser\u00e1vel em que vivem. Mas ent\u00e3o vem \u00e0 lembran\u00e7a os assaltos que cada um j\u00e1 sofreu, o medo dos seq\u00fcestros-rel\u00e2mpago, o \u00f3dio dos trombadinhas que nos amea\u00e7am a cada esquina.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sentimentos assim contradit\u00f3rios atravessam a alma do espectador conforme a saga da favela se desenvolve desde os anos 60 at\u00e9 uma \u00e9poca pr\u00f3xima de n\u00f3s, com nossos Beira-Mar e Elias Malucos da vida. A reconstitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-sociol\u00f3gica \u00e9 precisa. Os criminosos \u201crom\u00e2nticos\u201d, malandros e sedutores da d\u00e9cada de 60 s\u00e3o substitu\u00eddos por assassinos violentos nos anos 70, que se apropriam do neg\u00f3cio das drogas, formando quadrilhas, que nos anos 80 entram em guerra, com o benepl\u00e1cito da pol\u00edcia, que lhes fornece armas e recebe suborno, indiferente ao inferno cotidiano da popula\u00e7\u00e3o favelada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma realidade complexa, produto do apartheid social brasileiro, com sua perversa distribui\u00e7\u00e3o de renda, completada pela neglig\u00eancia total do Estado para com a popula\u00e7\u00e3o necessitada, entregue \u00e0 sanha das quadrilhas, fardadas ou n\u00e3o. Poucas tentativas de abordar esse c\u00e2ncer social foram t\u00e3o bem-sucedidas como o livro \u201cCidade de Deus\u201d, de Paulo Lins, no qual o filme se baseia. A literatura, diria Marx, muitas vezes substitui com muito maior \u00eaxito a v\u00e3 sociologia. E de soci\u00f3logos v\u00e3os estamos fartos&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas livro \u00e9 livro e filme \u00e9 filme. Livro \u00e9 feito para a elite, mesmo que seja uma obra sobre os miser\u00e1veis. Como livro, \u00e9 sempre bem-vindo, afinal aqueles que est\u00e3o ali retratados nunca ir\u00e3o ler a si mesmos; esse prazer continuar\u00e1 restrito aos que podem pagar. Filme \u00e9 feito para as massas, alcan\u00e7ando inclusive alguns dos miser\u00e1veis. E nesse caso, h\u00e1 o risco deles verem a si mesmos em cena, o que \u00e9 extremamente positivo para sua auto-estima, mas negativo para o status quo simb\u00f3lico-ideol\u00f3gico, outra raz\u00e3o pela qual o filme \u00e9 objeto de rep\u00fadio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por falar em status quo simb\u00f3lico, vem do meio cinematogr\u00e1fico, esse ninho de cobras repleto de vaidades mesquinhas, egos monumentais e ci\u00fames doentios, uma outra acusa\u00e7\u00e3o aos realizadores: o de estarem lucrando com a estetiza\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria. Constitui falta de \u00e9tica se beneficiar de tal tema. De um lado, o filme \u00e9 acusado por parcela do p\u00fablico e da cr\u00edtica de fazer apologia do crime; de outro, \u00e9 acusado de ser superficial e leviano no tratamento de tema t\u00e3o pesado. Esse tema comportaria talvez um sisudo document\u00e1rio, nunca um vibrante filme de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre mortos e feridos nesse tiroteio, esperamos que o filme seja visto pelo maior n\u00famero de pessoas, n\u00e3o s\u00f3 para quebrar recordes de bilheteria, coisa que sem d\u00favida merece, mas para provocar debate; e esperamos que obtenha a merecida repercuss\u00e3o internacional, n\u00e3o s\u00f3 para nos dar o t\u00e3o sonhado Oscar (?!!), coisa que tamb\u00e9m merece, mas para mostrar que no Brasil h\u00e1 gente com armas na m\u00e3o, mas tamb\u00e9m h\u00e1 gente com id\u00e9ias na cabe\u00e7a para fazer bons filmes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">28\/09\/2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>CIDADE DE DEUS E A MIS&Eacute;RIA DOS HOMENS<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Cidade de Deus&rdquo;)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6147,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35\/revisions\/6147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}