{"id":351,"date":"2012-08-21T20:02:59","date_gmt":"2012-08-21T20:02:59","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/351"},"modified":"2013-01-19T17:50:03","modified_gmt":"2013-01-19T19:50:03","slug":"general-motors-sao-jose-dos-campos-o-acordo-com-a-patronal-avanca-para-demissoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/08\/general-motors-sao-jose-dos-campos-o-acordo-com-a-patronal-avanca-para-demissoes\/","title":{"rendered":"General Motors &#8211; S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: o Acordo com a Patronal avan\u00e7a para Demiss\u00f5es!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/GMSJC.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u00a0\u00a0J\u00e1 chamamos a aten\u00e7\u00e3o em outras mat\u00e9rias para o fato de que o Brasil volta a sentir os efeitos da crise mundial do capitalismo. Essa crise, que se manifestou em 2008, n\u00e3o \u00e9 apenas mais uma crise c\u00edclica, mas tem ra\u00edzes em uma profunda crise estrutural cuja manifesta\u00e7\u00e3o mais cruel para os trabalhadores tende a ser o desemprego crescente (vis\u00edvel nos pa\u00edses centrais), a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e dos servi\u00e7os p\u00fablicos, dentre outros.<\/p>\n<p>Cada empresa tenta fugir da crise aumentando sua produtividade, com maior enxugamento da m\u00e3o de obra e cortes de direitos. Como todas aplicam as mesmas medidas, a crise tende a se agravar, pois mais pessoas s\u00e3o expulsas do consumo at\u00e9 dos bens mais b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>A crise pode at\u00e9 ser contornada, mas n\u00e3o solucionada nos marcos do capitalismo, pois a busca incessante pelo maior lucro poss\u00edvel est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>A crise tamb\u00e9m leva a burguesia a um endurecimento cada vez maior frente aos trabalhadores, pois do ponto de vista de cada empresa, n\u00e3o h\u00e1 outro meio de contornar a crise a n\u00e3o ser demitindo e cortando sal\u00e1rios (custos).<\/p>\n<p>A \u00fanica forma de resolver essa crise a favor dos trabalhadores \u00e9 rompendo com a l\u00f3gica do lucro, reorganizando a produ\u00e7\u00e3o e a sociedade sob decis\u00f5es coletivas e democr\u00e1ticas dos trabalhadores. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel, hoje, termos uma melhoria real do padr\u00e3o de vida em harmonia com a natureza. Caso contr\u00e1rio, o capitalismo s\u00f3 nos levar\u00e1 ao desemprego, mis\u00e9ria, guerras e barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Da parte dos trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es, dois caminhos se colocam: o da luta e resist\u00eancia contra a l\u00f3gica do capital (lucro e produ\u00e7\u00e3o alienada dos trabalhadores), ou ent\u00e3o a aceita\u00e7\u00e3o dessa l\u00f3gica e consequentemente a perda dos referenciais anticapitalistas, o que s\u00f3 pode levar \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das derrotas.<\/p>\n<p>Temos visto como o PT e a CUT desde 1991, com as C\u00e2maras Setoriais (c\u00e2mara de composi\u00e7\u00e3o mista), deixaram de mobilizar os trabalhadores contra as medidas do capital e passavam a discutir \u201csa\u00eddas\u201d a partir dos interesses dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Agora por\u00e9m, come\u00e7amos a ver dire\u00e7\u00f5es de esquerda, que antes se contrapunham a essas \u201csa\u00eddas conjuntas\u201d com a patronal, irem para as mesas negociar sob o princ\u00edpio do respeito \u00e0 lucratividade do empresariado, o que s\u00f3 pode levar a derrotas para os trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acordo com a GM n\u00e3o suspendeu as demiss\u00f5es! Postergou por dois meses e mudou a forma!<\/strong><\/p>\n<p>Segundo entrevista do presidente do Sindicato, Barros \u2013 Macap\u00e1, militante do PSTU, \u201cEsse acordo foi uma vit\u00f3ria, ainda que parcial. Vamos continuar a luta para garantir que, ap\u00f3s esse per\u00edodo, os empregos sejam preservados, que a f\u00e1brica tenha mais competitividade e que a GM fa\u00e7a novos investimentos em S\u00e3o Jos\u00e9.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o dirigente, \u201co sindicato est\u00e1 aberto a negocia\u00e7\u00f5es. Primeiro vamos cuidar dessa primeira etapa e depois analisar a segunda fase, que \u00e9 negociar com a empresa medidas para a f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9\u2019\u201d (Jornal O Vale). Mat\u00e9ria no mesmo sentido encontra-se no s\u00edtio do PSTU. (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que as demiss\u00f5es foram suspensas e que isso \u201cfoi uma vit\u00f3ria, ainda que parcial\u201d n\u00e3o corresponde de forma alguma \u00e0 realidade! Todas as cl\u00e1usulas do acordo avan\u00e7am no sentido claro de concretizar as demiss\u00f5es, provocando a divis\u00e3o, desmoraliza\u00e7\u00e3o e deixando os trabalhadores \u00e0 merc\u00ea das iniciativas da empresa, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, houve a suspens\u00e3o do contrato de trabalho (conhecida como \u2018lay-off\u2019) de 940 funcion\u00e1rios do setor MVA (Montagem de Ve\u00edculos Automotores), cuja produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo em grande parte desativada. Essa suspens\u00e3o vai at\u00e9 o final de novembro.<\/p>\n<p>A General Motors ser\u00e1 a terceira montadora a adotar o lay-off (suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do contrato de trabalho) nos \u00faltimos tr\u00eas meses. Na Mercedes Benz de S\u00e3o Bernardo do Campo (SP) 1,5 mil trabalhadores foram suspensos de junho a outubro. Outros 270 oper\u00e1rios da MAN de Resende (RJ) entraram no programa no per\u00edodo de julho a novembro. (O Estado de S. Paulo &#8211; 06\/08\/2012)<\/p>\n<p>Com o Lay-Off, a empresa consegue dividir os trabalhadores, afastando uma grande parte e j\u00e1 rotulando-os como desnecess\u00e1rios aos olhos dos demais trabalhadores, de si pr\u00f3prios e da sociedade. J\u00e1 temos experi\u00eancia para saber que isso tem o efeito de desmoralizar e desmobilizar os afastados, levando muitos a desistir da luta e a procurar sa\u00eddas individuais.<\/p>\n<p>Durante esse tempo, a empresa n\u00e3o arcar\u00e1 sequer com a totalidade dos sal\u00e1rios do pessoal afastado. Ap\u00f3s receberem por 15 dias de f\u00e9rias, entrar\u00e3o em suspens\u00e3o de contrato recebendo R$1.163,00 mensais do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador, sustentado pelo FGTS). A empresa apenas complementar\u00e1 at\u00e9 atingir o valor do sal\u00e1rio. Ou seja, \u00e9 o dinheiro dos trabalhadores servindo para pagar outros trabalhadores. A empresa deixa de se responsabilizar pelos sal\u00e1rios, avan\u00e7ando em seu objetivo de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas para receber seu sal\u00e1rio, os 940 trabalhadores afastados ter\u00e3o que realizar cursos de qualifica\u00e7\u00e3o. Qual o sentido desses cursos sen\u00e3o desmoralizar e desmobilizar ainda mais esses trabalhadores? A mensagem \u00e9 clara: enquanto est\u00e3o afastados, j\u00e1 v\u00e3o se preparando para procurar outro emprego&#8230;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pelo acordo a empresa mant\u00e9m o mesmo ritmo na produ\u00e7\u00e3o do Classic, com metade dos funcion\u00e1rios.<br \/>\nMas e os outros 900 funcion\u00e1rios que ficaram na empresa? Abre-se novo PDV (Programa de Demiss\u00e3o Volunt\u00e1ria).<\/p>\n<p>A empresa j\u00e1 havia aberto outros PDV\u2019s antes e n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m querendo aderir. O sentido de um novo PDV s\u00f3 pode ser o de pressionar individualmente os trabalhadores a aceitarem a demiss\u00e3o. H\u00e1 v\u00e1rios mecanismos para isso, desde pacotes at\u00e9 amea\u00e7a pura e simples das chefias.<\/p>\n<p>Portanto, no per\u00edodo dos dois meses em que durar o Lay-Off, novas demiss\u00f5es v\u00e3o ocorrer mesmo entre o pessoal que n\u00e3o foi afastado.<\/p>\n<p>Durante esse tempo de \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d, conforme indica o acordo, a empresa tamb\u00e9m vai pressionar fortemente os trabalhadores e o sindicato por uma nova grade salarial mais rebaixada e pela flexibiliza\u00e7\u00e3o da jornada (banco de horas), caso contr\u00e1rio se recusa a fazer novos \u201cinvestimentos futuros\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa maioria de demiss\u00f5es terem sido impostas, os que sobrarem estar\u00e3o muito mais enfraquecidos. A empresa poder\u00e1 ent\u00e3o demiti-los, seja de forma negociada ou direta.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria alguma neste acordo, nem mesmo parcial! Vit\u00f3ria seria uma suspens\u00e3o pura e simples das demiss\u00f5es, mas o conte\u00fado do acordo \u00e9 bem diferente. Na pr\u00e1tica ele viabiliza as demiss\u00f5es, mesmo que de forma mais mediada.<\/p>\n<p>O que vemos ent\u00e3o \u00e9 que a pol\u00edtica levada \u00e0 frente pela dire\u00e7\u00e3o do sindicato (PSTU) termina por esconder a verdade a fim de diminuir o impacto dessa profunda capitula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse acordo representa uma capitula\u00e7\u00e3o grav\u00edssima da dire\u00e7\u00e3o do sindicato (tenha ele planejado isso ou n\u00e3o) \u00e0 GM, pois na pr\u00e1tica convalida o processo que tende a levar \u00e0 desmobiliza\u00e7\u00e3o, desmoraliza\u00e7\u00e3o e demiss\u00e3o de milhares de trabalhadores. Isso tudo em um contexto muito mais dif\u00edcil de se conseguir novos empregos, pois a reestrutura\u00e7\u00e3o nas empresas \u00e9 uma tend\u00eancia geral!<\/p>\n<p><strong>Resgatar bandeiras hist\u00f3ricas da classe trabalhadora e n\u00e3o negociar nos termos dos patr\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel manter os empregos dos trabalhadores e ao mesmo tempo a lucratividade exigida pelo capital financeiro globalizado. \u00c9 preciso discutir isso abertamente com os trabalhadores e ao mesmo tempo levantar as palavras de ordem no sentido da ruptura com a l\u00f3gica do lucro, pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores das empresas que amea\u00e7arem demitir ou se mudar. S\u00f3 os trabalhadores podem impor outra l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais em base ao lucro.<\/p>\n<p>No caso da GM, nos \u00faltimos 15 meses s\u00f3 em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos j\u00e1 haviam sido demitidos 1.400 trabalhadores, o que mostrava a inten\u00e7\u00e3o clara da reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a pol\u00edtica praticada pelo PSTU, decorrente de anos de acomoda\u00e7\u00e3o de seus dirigentes a um sindicalismo limitado e imediatista; sem realizar, portanto, o trabalho pol\u00edtico e ideol\u00f3gico anticapitalista junto aos trabalhadores&#8230; agora mostra graves consequ\u00eancias. Os trabalhadores da GM, assim como antes os da EMBRAER em 2009, n\u00e3o foram preparados para essa situa\u00e7\u00e3o. Vimos levantando essa limita\u00e7\u00e3o do PSTU faz tempo.<\/p>\n<p>Mas agora houve um fato muito pior: deixou-se de lado bandeiras e posturas classistas e revolucion\u00e1rias, justamente no momento em que elas se mostram mais necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Durante todo esse per\u00edodo em que se discutia a amea\u00e7a das demiss\u00f5es na GM e outras empresas, o PSTU, que tamb\u00e9m dirige a CSP- Conlutas, simplesmente deixou de lado a bandeira cl\u00e1ssica de redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e a estatiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas sob o controle dos trabalhadores, bandeiras essas que permitiriam manter o trabalho de todos.<\/p>\n<p>Em seus materiais e na reuni\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o entre o Minist\u00e9rio do Trabalho, o sindicato e a GM, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato apresentou como proposta \u201cpara garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho na f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: produ\u00e7\u00e3o integral do [autom\u00f3vel] Classic na planta local; nacionaliza\u00e7\u00e3o do Sonic, que \u00e9 importado da Cor\u00e9ia do Sul; e volta da produ\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es.\u201d (http:\/\/www.sindmetalsjc.org.br\/imprensa\/ultimas-noticias\/885\/gm+se+compromete+a+nao+tomar+decisoes+sobre+o+mva+ate+dia+4.htm) Ou seja, uma proposta que nada mais \u00e9 do que uma \u201csugest\u00e3o\u201d de como administrar o capital.<\/p>\n<p>Essa proposta tamb\u00e9m \u00e9 complicada porque n\u00e3o responde ao problema a partir de uma vis\u00e3o da classe trabalhadora de conjunto. Se a GM optasse pela produ\u00e7\u00e3o do modelo Sonic aqui, o problema iria para os trabalhadores da Cor\u00e9ia do Sul. Ou ainda, se o Classic passasse a ser produzido em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SJC), seriam os trabalhadores de S\u00e3o Caetano e de Ros\u00e1rio na Argentina (onde tamb\u00e9m s\u00e3o produzidos esses carros) que teriam os seus empregos amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma pol\u00edtica que responda ao problema para o conjunto da classe trabalhadora de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, mas tamb\u00e9m para os trabalhadores da Coreia do Sul, de S\u00e3o Caetano, de Ros\u00e1rio e todos os outros.<\/p>\n<p>Temos que dizer aos trabalhadores que a \u00fanica forma de preservar os empregos \u00e9 atrav\u00e9s de uma dura luta contra a l\u00f3gica do lucro, devendo envolver n\u00e3o apenas os funcion\u00e1rios da GM S\u00e3o Jos\u00e9, mas uma verdadeira campanha nacional contra as demiss\u00f5es, com a GM no centro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso provocar a mobiliza\u00e7\u00e3o de todos os trabalhadores da cidade, chamar \u00e0 greve total da empresa por tempo indeterminado e n\u00e3o apenas de 24 horas como foi feito, ir \u00e0s demais f\u00e1bricas da GM e da regi\u00e3o como forma de buscar o apoio, inclusive dos trabalhadores da GM em outros pa\u00edses. A necess\u00e1ria radicaliza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos, inclusive com ocupa\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica, s\u00e3o armas necess\u00e1rias, sem o que n\u00e3o se consegue barrar um processo de reestrutura\u00e7\u00e3o profundo como esse.<\/p>\n<p>A CSP-Conlutas dirige v\u00e1rios sindicatos importantes, e no entanto, o que foi feito nesse per\u00edodo? N\u00e3o houve e n\u00e3o h\u00e1 uma campanha efetiva contra as demiss\u00f5es capaz de fazer frente \u00e0 nova realidade.<\/p>\n<p>As demiss\u00f5es foram tratadas como algo da GM e, no m\u00e1ximo, de SJC, n\u00e3o como um problema nacional que simboliza o que a patronal pretende fazer no pr\u00f3ximo per\u00edodo em v\u00e1rias f\u00e1bricas. De nossa parte, alertamos isso na primeira reuni\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Central Sindical e Popular &#8211; Conlutas, ocorrida no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o que propusemos em conjunto com os companheiros do Movimento Revolucion\u00e1rio chamava a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se contrapor de forma ampla e profunda ao plano de demiss\u00f5es da GM e demais empresas, com as palavras de ordem de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e estatiza\u00e7\u00e3o das empresas que amea\u00e7assem demitir em massa, sob controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p>No entanto, a maioria da dire\u00e7\u00e3o da CSP-Conlutas recusou essa resolu\u00e7\u00e3o e aprovou outra proposta muito mais recuada, que n\u00e3o armava os trabalhadores nem da GM, nem de outras empresas e categorias para lutar contra o grande ataque que estava (e ainda est\u00e1) por vir.<\/p>\n<p>Se tudo isso tivesse sido feito, talvez mesmo assim n\u00e3o fosse poss\u00edvel barrar as demiss\u00f5es, mas pelo menos haver\u00edamos tentado realmente, em uma luta pol\u00edtica nacional que serviria de aprendizado para outras maiores que certamente vir\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez de ir \u00e0 esquerda no sentido da expans\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento, bem como das bandeiras de luta, o sindicato foi discutir \u201csa\u00eddas\u201d junto ao empresariado, a partir de sua l\u00f3gica de maior lucratividade. Maior exemplo de capitula\u00e7\u00e3o, imposs\u00edvel!<\/p>\n<p><strong>Mais uma capitula\u00e7\u00e3o do PSTU&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente essa capitula\u00e7\u00e3o foi precedida por outras, como a aceita\u00e7\u00e3o do PSTU em compor a \u201cMesa Nacional da Constru\u00e7\u00e3o Civil\u201d, um f\u00f3rum tripartite que visa estabelecer acordos envolvendo patr\u00f5es, governo e trabalhadores que s\u00f3 pode levar \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das propostas patronais.<\/p>\n<p>No plano pol\u00edtico, tivemos agora a participa\u00e7\u00e3o do PSTU em uma frente eleitoral com o PC do B (um partido governista) em Bel\u00e9m, sacrificando a necess\u00e1ria e educativa disputa de consci\u00eancia antigovernista junto aos trabalhadores em troca da possibilidade de eleger um vereador&#8230;<\/p>\n<p><strong>Quando a realidade exige ir mais \u00e0 esquerda, PSTU vai \u00e0 direita!<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, primeiro momento de impacto da crise, essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia sido demonstrada quando das demiss\u00f5es da EMBRAER, em que a linha do partido foi absolutamente insuficiente, aqu\u00e9m das necessidades.<\/p>\n<p>Mas algu\u00e9m poderia dizer que se tratava de uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica, que pegou a dire\u00e7\u00e3o do partido e da CONLUTAS desprevenida, o que n\u00e3o d\u00e1 para dizer para o caso atual da GM.<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o tivesse sido poss\u00edvel barrar as demiss\u00f5es e se chegasse por decis\u00e3o dos trabalhadores a esse acordo, todos os esfor\u00e7os deveriam ter sido feitos no sentido de agitar bandeiras cl\u00e1ssicas dos revolucion\u00e1rios, o que de modo algum ocorreu.<\/p>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o deve, principalmente nos momentos centrais em que entram em choque projetos diferentes de sociedade e de l\u00f3gica social, abandonar o terreno das propostas socialistas para ir discutir sob a l\u00f3gica das propostas do capital.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma confian\u00e7a em Dilma!<\/strong><\/p>\n<p>Outra pol\u00edtica que o PSTU tem defendido \u00e9 a exig\u00eancia para que Dilma evite as demiss\u00f5es. Essa exig\u00eancia \u00e9 feita com o mote \u201cDilma, com IPI reduzido e desonera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para aceitar demiss\u00e3o\u201d. Tanto a redu\u00e7\u00e3o do IPI como a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento s\u00e3o pol\u00edticas do governo para ajudar a patronal e tamb\u00e9m para atacar a previd\u00eancia social (onde a desonera\u00e7\u00e3o repercute). Al\u00e9m disso, mesmo que n\u00e3o houvesse redu\u00e7\u00e3o do IPI e desonera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode aceitar as demiss\u00f5es!<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica tem v\u00e1rios problemas: a) joga ilus\u00e3o de que o governo Dilma pode fazer algo em defesa do emprego dos trabalhadores, sendo que j\u00e1 deu v\u00e1rias provas de que \u00e9 um governo do e para o capital. Basta ver a intransig\u00eancia com a Greve do Funcionalismo Federal; b) atua em um n\u00edvel muito rebaixado da consci\u00eancia, pois n\u00e3o diz para os trabalhadores que s\u00e3o eles os \u00fanicos que, com muita luta, podem evitar as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Chamar a todos os trabalhadores a barrarem as demiss\u00f5es com a Luta!<\/strong><\/p>\n<p>1) As amea\u00e7as de demiss\u00f5es devem ser respondidas com a greve dos trabalhadores e com os demais instrumentos que se fizerem necess\u00e1rios, como paralisa\u00e7\u00f5es em outras empresas, ocupa\u00e7\u00f5es, etc, buscando estender esses m\u00e9todos de luta para as regi\u00f5es e demais categorias. A GM deve ser pega como centro neste momento, atrav\u00e9s de uma campanha geral em todo o pa\u00eds, particularmente nos polos industriais;<\/p>\n<p>2) Combinar a campanha contra as demiss\u00f5es com boletins, carros de som, internet com a den\u00fancia dos empres\u00e1rios, do governo, e do capitalismo enquanto sistema que em sua crise estrutural apresenta o desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o dos contratos e dos direitos como sua principal consequ\u00eancia;<\/p>\n<p>3) Nesse marco, chamamos os trabalhadores a rejeitarem qualquer pol\u00edtica de demiss\u00e3o pactuada, PDV&#8217;s, etc;<\/p>\n<p>4) Denunciar as centrais pelegas que apoiam abertamente ou por omiss\u00e3o os planos de reestrutura\u00e7\u00e3o das empresas e as demiss\u00f5es. Chamar a unidade na luta tamb\u00e9m com os trabalhadores de categorias cujos sindicatos s\u00e3o ligados a essas centrais, para se mobilizarem contra as demiss\u00f5es, rompendo com as amarras de suas dire\u00e7\u00f5es. Buscar a unidade com os trabalhadores das empresas em outras plantas e pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bandeiras:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 36 horas sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, de modo que haja empregos para todos!<br \/>\n&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o, sob controle dos trabalhadores, das empresas que amea\u00e7arem demitir ou se mudar!<br \/>\n&#8211; Abertura da contabilidade das empresas, sob controle dos trabalhadores, para aferir sua real condi\u00e7\u00e3o!<br \/>\n&#8211; Por uma lei federal que pro\u00edba qualquer demiss\u00e3o enquanto durar a crise!<br \/>\n&#8211; Reintegra\u00e7\u00e3o de todos os demitidos!<br \/>\n&#8211; Por um governo dos trabalhadores que pro\u00edba as demiss\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 ser resolvida atrav\u00e9s da reorganiza\u00e7\u00e3o geral da produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds pelos trabalhadores com um governo apoiado nas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/GMSJC.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<p>&nbsp;&nbsp;J&aacute; chamamos a aten&ccedil;&atilde;o em outras mat&eacute;rias para o fato de que o Brasil volta a sentir os efeitos da crise mundial do capitalismo. Essa crise, que se manifestou em 2008, n&atilde;o &eacute; apenas mais uma crise c&iacute;clica, mas tem ra&iacute;zes em uma profunda crise estrutural cuja manifesta&ccedil;&atilde;o mais cruel para os trabalhadores tende a ser o desemprego crescente (vis&iacute;vel nos pa&iacute;ses centrais), a precariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, dentre outros.<\/p>\n<p>Cada empresa tenta fugir da crise aumentando sua produtividade, com maior enxugamento da m&atilde;o de obra e cortes de direitos. Como todas aplicam as mesmas medidas, a crise tende a se agravar, pois mais pessoas s&atilde;o expulsas do consumo at&eacute; dos bens mais b&aacute;sicos.<\/p>\n<p>A crise pode at&eacute; ser contornada, mas n&atilde;o solucionada nos marcos do capitalismo, pois a busca incessante pelo maior lucro poss&iacute;vel est&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o do sistema.<\/p>\n<p>A crise tamb&eacute;m leva a burguesia a um endurecimento cada vez maior frente aos trabalhadores, pois do ponto de vista de cada empresa, n&atilde;o h&aacute; outro meio de contornar a crise a n&atilde;o ser demitindo e cortando sal&aacute;rios (custos).<\/p>\n<p>A &uacute;nica forma de resolver essa crise a favor dos trabalhadores &eacute; rompendo com a l&oacute;gica do lucro, reorganizando a produ&ccedil;&atilde;o e a sociedade sob decis&otilde;es coletivas e democr&aacute;ticas dos trabalhadores. S&oacute; assim &eacute; poss&iacute;vel, hoje, termos uma melhoria real do padr&atilde;o de vida em harmonia com a natureza. Caso contr&aacute;rio, o capitalismo s&oacute; nos levar&aacute; ao desemprego, mis&eacute;ria, guerras e barb&aacute;rie.<\/p>\n<p>Da parte dos trabalhadores e suas organiza&ccedil;&otilde;es, dois caminhos se colocam: o da luta e resist&ecirc;ncia contra a l&oacute;gica do capital (lucro e produ&ccedil;&atilde;o alienada dos trabalhadores), ou ent&atilde;o a aceita&ccedil;&atilde;o dessa l&oacute;gica e consequentemente a perda dos referenciais anticapitalistas, o que s&oacute; pode levar &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o das derrotas.<\/p>\n<p>Temos visto como o PT e a CUT desde 1991, com as C&acirc;maras Setoriais (c&acirc;mara de composi&ccedil;&atilde;o mista), deixaram de mobilizar os trabalhadores contra as medidas do capital e passavam a discutir &ldquo;sa&iacute;das&rdquo; a partir dos interesses dos patr&otilde;es.<\/p>\n<p>Agora por&eacute;m, come&ccedil;amos a ver dire&ccedil;&otilde;es de esquerda, que antes se contrapunham a essas &ldquo;sa&iacute;das conjuntas&rdquo; com a patronal, irem para as mesas negociar sob o princ&iacute;pio do respeito &agrave; lucratividade do empresariado, o que s&oacute; pode levar a derrotas para os trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acordo com a GM n&atilde;o suspendeu as demiss&otilde;es! Postergou por dois meses e mudou a forma!<\/strong><\/p>\n<p>Segundo entrevista do presidente do Sindicato, Barros &ndash; Macap&aacute;, militante do PSTU, &ldquo;Esse acordo foi uma vit&oacute;ria, ainda que parcial. Vamos continuar a luta para garantir que, ap&oacute;s esse per&iacute;odo, os empregos sejam preservados, que a f&aacute;brica tenha mais competitividade e que a GM fa&ccedil;a novos investimentos em S&atilde;o Jos&eacute;.&rdquo;<\/p>\n<p>Segundo o dirigente, &ldquo;o sindicato est&aacute; aberto a negocia&ccedil;&otilde;es. Primeiro vamos cuidar dessa primeira etapa e depois analisar a segunda fase, que &eacute; negociar com a empresa medidas para a f&aacute;brica de S&atilde;o Jos&eacute;&rsquo;&rdquo; (Jornal O Vale). Mat&eacute;ria no mesmo sentido encontra-se no s&iacute;tio do PSTU. (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>A afirma&ccedil;&atilde;o de que as demiss&otilde;es foram suspensas e que isso &ldquo;foi uma vit&oacute;ria, ainda que parcial&rdquo; n&atilde;o corresponde de forma alguma &agrave; realidade! Todas as cl&aacute;usulas do acordo avan&ccedil;am no sentido claro de concretizar as demiss&otilde;es, provocando a divis&atilde;o, desmoraliza&ccedil;&atilde;o e deixando os trabalhadores &agrave; merc&ecirc; das iniciativas da empresa, sen&atilde;o vejamos:<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, houve a suspens&atilde;o do contrato de trabalho (conhecida como &lsquo;lay-off&rsquo;) de 940 funcion&aacute;rios do setor MVA (Montagem de Ve&iacute;culos Automotores), cuja produ&ccedil;&atilde;o est&aacute; sendo em grande parte desativada. Essa suspens&atilde;o vai at&eacute; o final de novembro.<\/p>\n<p>A General Motors ser&aacute; a terceira montadora a adotar o lay-off (suspens&atilde;o tempor&aacute;ria do contrato de trabalho) nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses. Na Mercedes Benz de S&atilde;o Bernardo do Campo (SP) 1,5 mil trabalhadores foram suspensos de junho a outubro. Outros 270 oper&aacute;rios da MAN de Resende (RJ) entraram no programa no per&iacute;odo de julho a novembro. (O Estado de S. Paulo &#8211; 06\/08\/2012)<\/p>\n<p>Com o Lay-Off, a empresa consegue dividir os trabalhadores, afastando uma grande parte e j&aacute; rotulando-os como desnecess&aacute;rios aos olhos dos demais trabalhadores, de si pr&oacute;prios e da sociedade. J&aacute; temos experi&ecirc;ncia para saber que isso tem o efeito de desmoralizar e desmobilizar os afastados, levando muitos a desistir da luta e a procurar sa&iacute;das individuais.<\/p>\n<p>Durante esse tempo, a empresa n&atilde;o arcar&aacute; sequer com a totalidade dos sal&aacute;rios do pessoal afastado. Ap&oacute;s receberem por 15 dias de f&eacute;rias, entrar&atilde;o em suspens&atilde;o de contrato recebendo R$1.163,00 mensais do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador, sustentado pelo FGTS). A empresa apenas complementar&aacute; at&eacute; atingir o valor do sal&aacute;rio. Ou seja, &eacute; o dinheiro dos trabalhadores servindo para pagar outros trabalhadores. A empresa deixa de se responsabilizar pelos sal&aacute;rios, avan&ccedil;ando em seu objetivo de demiss&atilde;o. <\/p>\n<p>Mas para receber seu sal&aacute;rio, os 940 trabalhadores afastados ter&atilde;o que realizar cursos de qualifica&ccedil;&atilde;o. Qual o sentido desses cursos sen&atilde;o desmoralizar e desmobilizar ainda mais esses trabalhadores? A mensagem &eacute; clara: enquanto est&atilde;o afastados, j&aacute; v&atilde;o se preparando para procurar outro emprego&#8230;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, pelo acordo a empresa mant&eacute;m o mesmo ritmo na produ&ccedil;&atilde;o do Classic, com metade dos funcion&aacute;rios.<br \/>\nMas e os outros 900 funcion&aacute;rios que ficaram na empresa? Abre-se novo PDV (Programa de Demiss&atilde;o Volunt&aacute;ria).<\/p>\n<p>A empresa j&aacute; havia aberto outros PDV&rsquo;s antes e n&atilde;o havia mais ningu&eacute;m querendo aderir. O sentido de um novo PDV s&oacute; pode ser o de pressionar individualmente os trabalhadores a aceitarem a demiss&atilde;o. H&aacute; v&aacute;rios mecanismos para isso, desde pacotes at&eacute; amea&ccedil;a pura e simples das chefias.<\/p>\n<p>Portanto, no per&iacute;odo dos dois meses em que durar o Lay-Off, novas demiss&otilde;es v&atilde;o ocorrer mesmo entre o pessoal que n&atilde;o foi afastado.<\/p>\n<p>Durante esse tempo de &ldquo;negocia&ccedil;&otilde;es&rdquo;, conforme indica o acordo, a empresa tamb&eacute;m vai pressionar fortemente os trabalhadores e o sindicato por uma nova grade salarial mais rebaixada e pela flexibiliza&ccedil;&atilde;o da jornada (banco de horas), caso contr&aacute;rio se recusa a fazer novos &ldquo;investimentos futuros&rdquo;.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s essa maioria de demiss&otilde;es terem sido impostas, os que sobrarem estar&atilde;o muito mais enfraquecidos.   A empresa poder&aacute; ent&atilde;o demiti-los, seja de forma negociada ou direta.<\/p>\n<p>Portanto, n&atilde;o h&aacute; vit&oacute;ria alguma neste acordo, nem mesmo parcial! Vit&oacute;ria seria uma suspens&atilde;o pura e simples das demiss&otilde;es, mas o conte&uacute;do do acordo &eacute; bem diferente. Na pr&aacute;tica ele viabiliza as demiss&otilde;es, mesmo que de forma mais mediada.<\/p>\n<p>O que vemos ent&atilde;o &eacute; que a pol&iacute;tica levada &agrave; frente pela dire&ccedil;&atilde;o do sindicato (PSTU) termina por esconder a verdade a fim de diminuir o impacto dessa profunda capitula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esse acordo representa uma capitula&ccedil;&atilde;o grav&iacute;ssima da dire&ccedil;&atilde;o do sindicato (tenha ele planejado isso ou n&atilde;o) &agrave; GM, pois na pr&aacute;tica convalida o processo que tende a levar &agrave; desmobiliza&ccedil;&atilde;o, desmoraliza&ccedil;&atilde;o e demiss&atilde;o de milhares de trabalhadores. Isso tudo em um contexto muito mais dif&iacute;cil de se conseguir novos empregos, pois a reestrutura&ccedil;&atilde;o nas empresas &eacute; uma tend&ecirc;ncia geral!<\/p>\n<p><strong>Resgatar bandeiras hist&oacute;ricas da classe trabalhadora e n&atilde;o negociar nos termos dos patr&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel manter os empregos dos trabalhadores e ao mesmo tempo a lucratividade exigida pelo capital financeiro globalizado. &Eacute; preciso discutir isso abertamente com os trabalhadores e ao mesmo tempo levantar as palavras de ordem no sentido da ruptura com a l&oacute;gica do lucro, pela redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios, estatiza&ccedil;&atilde;o sob controle dos trabalhadores das empresas que amea&ccedil;arem demitir ou se mudar. S&oacute; os trabalhadores podem impor outra l&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o mais em base ao lucro.<\/p>\n<p>No caso da GM, nos &uacute;ltimos 15 meses s&oacute; em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos j&aacute; haviam sido demitidos 1.400 trabalhadores, o que mostrava a inten&ccedil;&atilde;o clara da reestrutura&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas a pol&iacute;tica praticada pelo PSTU, decorrente de anos de acomoda&ccedil;&atilde;o de seus dirigentes a um sindicalismo limitado e imediatista; sem realizar, portanto, o trabalho pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico anticapitalista junto aos trabalhadores&#8230; agora mostra graves consequ&ecirc;ncias. Os trabalhadores da GM, assim como antes os da EMBRAER em 2009, n&atilde;o foram preparados para essa situa&ccedil;&atilde;o. Vimos levantando essa limita&ccedil;&atilde;o do PSTU faz tempo.<\/p>\n<p>Mas agora houve um fato muito pior: deixou-se de lado bandeiras e posturas classistas e revolucion&aacute;rias, justamente no momento em que elas se mostram mais necess&aacute;rias.<\/p>\n<p>Durante todo esse per&iacute;odo em que se discutia a amea&ccedil;a das demiss&otilde;es na GM e outras empresas, o PSTU, que tamb&eacute;m dirige a CSP- Conlutas, simplesmente deixou de lado a bandeira cl&aacute;ssica de redu&ccedil;&atilde;o de jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e a estatiza&ccedil;&atilde;o das f&aacute;bricas sob o controle dos trabalhadores, bandeiras essas que permitiriam manter o trabalho de todos.<\/p>\n<p>Em seus materiais e na reuni&atilde;o de negocia&ccedil;&atilde;o entre o Minist&eacute;rio do Trabalho, o sindicato e a GM, a dire&ccedil;&atilde;o do sindicato apresentou como proposta &ldquo;para garantir a manuten&ccedil;&atilde;o dos postos de trabalho na f&aacute;brica de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos: produ&ccedil;&atilde;o integral do [autom&oacute;vel] Classic na planta local; nacionaliza&ccedil;&atilde;o do Sonic, que &eacute; importado da Cor&eacute;ia do Sul; e volta da produ&ccedil;&atilde;o de caminh&otilde;es.&rdquo; (http:\/\/www.sindmetalsjc.org.br\/imprensa\/ultimas-noticias\/885\/gm+se+compromete+a+nao+tomar+decisoes+sobre+o+mva+ate+dia+4.htm) Ou seja, uma proposta que nada mais &eacute; do que uma &ldquo;sugest&atilde;o&rdquo; de como administrar o capital.<\/p>\n<p>Essa proposta tamb&eacute;m &eacute; complicada porque n&atilde;o responde ao problema a partir de uma vis&atilde;o da classe trabalhadora de conjunto. Se a GM optasse pela produ&ccedil;&atilde;o do modelo Sonic aqui, o problema iria para os trabalhadores da Cor&eacute;ia do Sul. Ou ainda, se o Classic passasse a ser produzido em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos (SJC), seriam os trabalhadores de S&atilde;o Caetano e de Ros&aacute;rio na Argentina (onde tamb&eacute;m s&atilde;o produzidos esses carros) que teriam os seus empregos amea&ccedil;ados.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso uma pol&iacute;tica que responda ao problema para o conjunto da classe trabalhadora de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, mas tamb&eacute;m para os trabalhadores da Coreia do Sul, de S&atilde;o Caetano, de Ros&aacute;rio e todos os outros.<\/p>\n<p>Temos que dizer aos trabalhadores que a &uacute;nica forma de preservar os empregos &eacute; atrav&eacute;s de uma dura luta contra a l&oacute;gica do lucro, devendo envolver n&atilde;o apenas os funcion&aacute;rios da GM S&atilde;o Jos&eacute;, mas uma verdadeira campanha nacional contra as demiss&otilde;es, com a GM no centro.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, &eacute; preciso provocar a mobiliza&ccedil;&atilde;o de todos os trabalhadores da cidade, chamar &agrave; greve total da empresa por tempo indeterminado e n&atilde;o apenas de 24 horas como foi feito, ir &agrave;s demais f&aacute;bricas da GM e da regi&atilde;o como forma de buscar o apoio, inclusive dos trabalhadores da GM em outros pa&iacute;ses. A necess&aacute;ria radicaliza&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos, inclusive com ocupa&ccedil;&atilde;o da f&aacute;brica, s&atilde;o armas necess&aacute;rias, sem o que n&atilde;o se consegue barrar um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o profundo como esse.<\/p>\n<p>A CSP-Conlutas dirige v&aacute;rios sindicatos importantes, e no entanto, o que foi feito nesse per&iacute;odo? N&atilde;o houve e n&atilde;o h&aacute; uma campanha efetiva contra as demiss&otilde;es capaz de fazer frente &agrave; nova realidade.<\/p>\n<p>As demiss&otilde;es foram tratadas como algo da GM e, no m&aacute;ximo, de SJC, n&atilde;o como um problema nacional que simboliza o que a patronal pretende fazer no pr&oacute;ximo per&iacute;odo em v&aacute;rias f&aacute;bricas. De nossa parte, alertamos isso na primeira reuni&atilde;o da Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional da Central Sindical e Popular &#8211; Conlutas, ocorrida no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A Resolu&ccedil;&atilde;o que propusemos em conjunto com os companheiros do Movimento Revolucion&aacute;rio chamava a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de se contrapor de forma ampla e profunda ao plano de demiss&otilde;es da GM e demais empresas, com as palavras de ordem de redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios e estatiza&ccedil;&atilde;o das empresas que amea&ccedil;assem demitir em massa, sob controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p>No entanto, a maioria da dire&ccedil;&atilde;o da CSP-Conlutas recusou essa resolu&ccedil;&atilde;o e aprovou outra proposta muito mais recuada, que n&atilde;o armava os trabalhadores nem da GM, nem de outras empresas e categorias para lutar contra o grande ataque que estava (e ainda est&aacute;) por vir.<\/p>\n<p>Se tudo isso tivesse sido feito, talvez mesmo assim n&atilde;o fosse poss&iacute;vel barrar as demiss&otilde;es, mas pelo menos haver&iacute;amos tentado realmente, em uma luta pol&iacute;tica nacional que serviria de aprendizado para outras maiores que certamente vir&atilde;o.<\/p>\n<p>Em vez de ir &agrave; esquerda no sentido da expans&atilde;o e radicaliza&ccedil;&atilde;o do movimento, bem como das bandeiras de luta, o sindicato foi discutir &ldquo;sa&iacute;das&rdquo; junto ao empresariado, a partir de sua l&oacute;gica de maior lucratividade. Maior exemplo de capitula&ccedil;&atilde;o, imposs&iacute;vel!<\/p>\n<p><strong>Mais uma capitula&ccedil;&atilde;o do PSTU&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente essa capitula&ccedil;&atilde;o foi precedida por outras, como a aceita&ccedil;&atilde;o do PSTU em compor a &ldquo;Mesa Nacional da  Constru&ccedil;&atilde;o Civil&rdquo;, um f&oacute;rum tripartite que visa estabelecer acordos envolvendo patr&otilde;es, governo e   trabalhadores que s&oacute; pode levar &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o das propostas patronais.<\/p>\n<p>No plano pol&iacute;tico, tivemos agora a participa&ccedil;&atilde;o do PSTU em uma frente eleitoral com o PC do B (um partido governista) em Bel&eacute;m, sacrificando a necess&aacute;ria e educativa disputa de consci&ecirc;ncia antigovernista junto aos trabalhadores em troca da possibilidade de eleger um vereador&#8230;<\/p>\n<p><strong>Quando a realidade exige ir mais &agrave; esquerda, PSTU vai &agrave; direita!<\/strong><\/p>\n<p>\nEm 2009, primeiro momento de impacto da crise, essa situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; havia sido demonstrada quando das demiss&otilde;es da EMBRAER, em que a linha do partido foi absolutamente insuficiente, aqu&eacute;m das necessidades.<\/p>\n<p>Mas algu&eacute;m poderia dizer que se tratava de uma situa&ccedil;&atilde;o at&iacute;pica, que pegou a dire&ccedil;&atilde;o do partido e da CONLUTAS desprevenida, o que n&atilde;o d&aacute; para dizer para o caso atual da GM.<\/p>\n<p>Mesmo que n&atilde;o tivesse sido poss&iacute;vel barrar as demiss&otilde;es e se chegasse por decis&atilde;o dos trabalhadores a esse acordo, todos os esfor&ccedil;os deveriam ter sido feitos no sentido de agitar bandeiras cl&aacute;ssicas dos revolucion&aacute;rios, o que de modo algum ocorreu. <\/p>\n<p>Uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria n&atilde;o deve, principalmente nos momentos centrais em que entram em choque projetos diferentes de sociedade e de l&oacute;gica social, abandonar o terreno das propostas socialistas para ir discutir sob a l&oacute;gica das propostas do capital.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma confian&ccedil;a em Dilma!<\/strong><\/p>\n<p>Outra pol&iacute;tica que o PSTU tem defendido &eacute; a exig&ecirc;ncia para que Dilma evite as demiss&otilde;es. Essa exig&ecirc;ncia &eacute; feita com o mote &ldquo;Dilma, com IPI reduzido e desonera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o d&aacute; para aceitar demiss&atilde;o&rdquo;. Tanto a redu&ccedil;&atilde;o do IPI como a desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento s&atilde;o pol&iacute;ticas do governo para ajudar a patronal e tamb&eacute;m para atacar a previd&ecirc;ncia social (onde a desonera&ccedil;&atilde;o repercute). Al&eacute;m disso, mesmo que n&atilde;o houvesse redu&ccedil;&atilde;o do IPI e desonera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se pode aceitar as demiss&otilde;es!<\/p>\n<p>Essa pol&iacute;tica tem v&aacute;rios problemas: a) joga ilus&atilde;o de que o governo Dilma pode fazer algo em defesa do emprego dos trabalhadores, sendo que j&aacute; deu v&aacute;rias provas de que &eacute; um governo do e para o capital. Basta ver a intransig&ecirc;ncia com a Greve do Funcionalismo Federal; b) atua em um n&iacute;vel muito rebaixado da consci&ecirc;ncia, pois n&atilde;o diz para os trabalhadores que s&atilde;o eles os &uacute;nicos que, com muita luta, podem evitar as demiss&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Chamar a todos os trabalhadores a barrarem as demiss&otilde;es com a Luta!<\/strong><\/p>\n<p>1) As amea&ccedil;as de demiss&otilde;es devem ser respondidas com a greve dos trabalhadores e com os demais instrumentos que se fizerem necess&aacute;rios, como paralisa&ccedil;&otilde;es em outras empresas, ocupa&ccedil;&otilde;es, etc, buscando estender esses m&eacute;todos de luta para as regi&otilde;es e demais categorias.  A GM deve ser pega como centro neste momento, atrav&eacute;s de uma campanha geral em todo o pa&iacute;s, particularmente nos polos industriais;<\/p>\n<p>2)  Combinar a campanha contra as demiss&otilde;es com boletins, carros de som, internet com a den&uacute;ncia dos empres&aacute;rios, do governo, e do capitalismo enquanto sistema que em sua crise estrutural apresenta o desemprego e a precariza&ccedil;&atilde;o dos contratos e dos direitos como sua principal consequ&ecirc;ncia;<\/p>\n<p>3)  Nesse marco, chamamos os trabalhadores a rejeitarem qualquer pol&iacute;tica de demiss&atilde;o pactuada, PDV&#8217;s, etc;<\/p>\n<p>4) Denunciar as centrais pelegas que apoiam abertamente ou por omiss&atilde;o os planos de reestrutura&ccedil;&atilde;o das empresas e as demiss&otilde;es. Chamar a unidade na luta tamb&eacute;m com os trabalhadores de categorias cujos sindicatos s&atilde;o ligados a essas centrais, para se mobilizarem contra as demiss&otilde;es, rompendo com as amarras de suas dire&ccedil;&otilde;es. Buscar a unidade com os trabalhadores das empresas em outras plantas e pa&iacute;ses.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Bandeiras:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; Redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 36 horas sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios, de modo que haja empregos para todos!<br \/>\n&#8211; Estatiza&ccedil;&atilde;o, sob controle dos trabalhadores, das empresas que amea&ccedil;arem demitir ou se mudar!<br \/>\n&#8211; Abertura da contabilidade das empresas, sob controle dos trabalhadores, para aferir sua real condi&ccedil;&atilde;o!<br \/>\n&#8211; Por uma lei federal que pro&iacute;ba qualquer demiss&atilde;o enquanto durar a crise!<br \/>\n&#8211; Reintegra&ccedil;&atilde;o de todos os demitidos!<br \/>\n&#8211; Por um governo dos trabalhadores que pro&iacute;ba as demiss&otilde;es. A situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; poder&aacute; ser resolvida atrav&eacute;s da reorganiza&ccedil;&atilde;o geral da produ&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s pelos trabalhadores com um governo apoiado nas organiza&ccedil;&otilde;es de luta!<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=351"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":644,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351\/revisions\/644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}