{"id":3526,"date":"2014-10-31T05:55:51","date_gmt":"2014-10-31T07:55:51","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3526"},"modified":"2018-05-01T00:48:50","modified_gmt":"2018-05-01T03:48:50","slug":"falta-dagua-em-sp-producao-destrutiva-lucros-privados-e-prejuizos-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/10\/falta-dagua-em-sp-producao-destrutiva-lucros-privados-e-prejuizos-publicos\/","title":{"rendered":"Falta D\u2019\u00e1gua em SP: Produ\u00e7\u00e3o destrutiva, lucros privados e preju\u00edzos p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o do abastecimento de \u00e1gua na regi\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo tem sido discutida h\u00e1 v\u00e1rios meses, desde que os reservat\u00f3rios do sistema Cantareira, que abastece cerca de 6,5 milh\u00f5es de habitantes, atingiram um n\u00edvel cr\u00edtico. No momento em que esse texto era escrito (setembro 2014), o n\u00edvel das reservas era de 10,7%. O sistema Tiet\u00ea, que abastece outros 4,5 milh\u00f5es de pessoas na regi\u00e3o, est\u00e1 com apenas 15,2% de capacidade. A falta d\u2019\u00e1gua, como n\u00e3o poderia deixar de ser, tornou-se mais um dos temas de debate no per\u00edodo eleitoral. De um lado, o governador e candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o Alckmin, do PSDB, diz que a causa do quase esvaziamento dos reservat\u00f3rios \u00e9 a falta de chuvas. De outro lado, os candidatos opositores apontam as falhas na gest\u00e3o do governo, que comanda a Sabesp, empresa respons\u00e1vel pelo abastecimento. Na verdade, ambos est\u00e3o errados.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A culpa \u00e9 do capitalismo\u2026<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta d\u2019\u00e1gua em S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 apenas um problema de gest\u00e3o, que poderia ser resolvido por uma administra\u00e7\u00e3o mais competente. Afinal, a falta de chuvas \u00e9 real. O estado de S\u00e3o Paulo enfrenta a maior seca desde 1969. A estiagem em S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno isolado e de \u00e2mbito apenas local. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um processo global, que resulta em v\u00e1rios tipos de desequil\u00edbrios, como secas, inunda\u00e7\u00f5es, ondas de frio ou calor, tempestades, furac\u00f5es, nevascas, efeito estufa, etc., em v\u00e1rias regi\u00f5es do planeta.<br \/>\nEssa mudan\u00e7a clim\u00e1tica que estamos vivenciando nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 resultado do ac\u00famulo de s\u00e9culos de interven\u00e7\u00e3o humana no meio ambiente, em particular a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. A queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e outros recursos, a derrubada de florestas e matas nativas, a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies animais e vegetais, o esgotamento da fertilidade dos solos pela agricultura e pecu\u00e1ria intensivas, o despejo de poluentes na terra, nas \u00e1guas e no ar, o lixo, a impermeabiliza\u00e7\u00e3o dos terrenos pela urbaniza\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o de margens de rios e mangues, etc; tudo isso vem acontecendo h\u00e1 s\u00e9culos de uma maneira descontrolada, irracional, inconsequente. Isso inevitavelmente provocaria mudan\u00e7as no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e clim\u00e1tico do planeta, com as consequ\u00eancias que estamos vivenciando hoje, e que n\u00e3o ser\u00e3o facilmente revers\u00edveis.<br \/>\nMas o problema n\u00e3o foi o simples aumento da capacidade produtiva da humanidade, o que em termos da hist\u00f3ria da esp\u00e9cie \u00e9 uma vit\u00f3ria sobre a natureza. O problema \u00e9 que esse aumento das for\u00e7as produtivas n\u00e3o foi aproveitado de maneira racional para atender \u00e0s necessidades humanas, e sim para aumentar o lucro capitalista. A forma mercadoria \u00e9 a forma de todos os produtos da atividade humana no capitalismo, o que significa que esses produtos s\u00e3o produzidos n\u00e3o porque atendem a alguma necessidade, mas para que possam ser vendidos, e assim realizar e multiplicar o seu valor mercantil.<br \/>\nNo auge da sua irracionalidade, vemos esse sistema produzir milh\u00f5es de autom\u00f3veis, que n\u00e3o podem circular porque provocam gigantescos engarrafamentos, milh\u00f5es de eletrodom\u00e9sticos que s\u00e3o jogados no lixo com pouco tempo de uso para serem substitu\u00eddos por novas bugingangas, toneladas de alimentos sendo desperdi\u00e7ados e quase um bilh\u00e3o de pessoas passando fome porque n\u00e3o podem pagar pela comida, pr\u00e9dios e apartamentos sendo constru\u00eddos e pessoas sem ter onde morar, milh\u00f5es de trabalhadores adoecendo f\u00edsica e psicologicamente por excesso de servi\u00e7o e outros milh\u00f5es desempregados. Para o capitalismo, \u00e9 indiferente que as mercadorias atendam ou n\u00e3o a alguma necessidade, o que importa \u00e9 que sirvam como suporte para a multiplica\u00e7\u00e3o do valor. Por isso, vivemos uma overdose de mercadorias (e de mis\u00e9ria) e altera\u00e7\u00f5es no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico global. A produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o destrutiva.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u2026o capitalismo privatizou a \u00e1gua<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o sistema capitalista em escala global pode ser responsabilizado pelos desequil\u00edbrios clim\u00e1ticos e a falta de chuva, esse mesmo sistema e sua l\u00f3gica do lucro a qualquer custo destr\u00f3i as possibilidades de lidar com a falta de chuvas na escala local. No Brasil, de acordo com as defini\u00e7\u00f5es da lei, a \u00e1gua em si n\u00e3o pode ser vendida como mercadoria. As empresas que fazem o abastecimento podem cobrar pelo servi\u00e7o de tratamento e distribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse custo que vem na conta d\u2019\u00e1gua que todos pagamos. Para prover esse servi\u00e7o, essas empresas precisam receber uma concess\u00e3o governamental, e para isso precisam se comprometer com uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNa regi\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo, a empresa respons\u00e1vel por esse servi\u00e7o \u00e9 a SABESP, uma empresa de economia mista, com maioria acion\u00e1ria pertencente ao governo do estado e o restante das a\u00e7\u00f5es nas m\u00e3os de investidores privados. A concess\u00e3o da SABESP para fornecer o tratamento e distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em mais de 300 cidades do estado de S\u00e3o Paulo foi renovada pela \u00faltima vez em 2004. Na renova\u00e7\u00e3o, ficou estabelecido que a SABESP tinha a obriga\u00e7\u00e3o de investir em esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto, aumento dos reservat\u00f3rios e manuten\u00e7\u00e3o dos encanamentos (um ter\u00e7o da \u00e1gua se perde em vazamentos, segundo a pr\u00f3pria SABESP). Para cumprir com essa obriga\u00e7\u00e3o, a empresa teria que fazer pesados investimentos.<br \/>\nAo inv\u00e9s disso, a SABESP pagou R$ 500 milh\u00f5es como lucro aos seus ricos donos somente este ano. Entre 2004 e 2013, foram ao todo R$ 4,8 bilh\u00f5es! Isso quer dizer que alguns poucos est\u00e3o lucrando com a desgra\u00e7a e a falta d\u2019\u00e1gua de outros!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Contra o capitalismo e pelo socialismo, para salvar a humanidade!<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 v\u00e1rias regi\u00f5es da Grande S\u00e3o Paulo em que j\u00e1 falta \u00e1gua, v\u00e1rios bairros e cidades recebem \u00e1gua dia sim dia n\u00e3o, ou por apenas algumas horas do dia. Curiosamente, essas regi\u00f5es ficam nas periferias, enquanto que nos bairros centrais e de alta renda, onde mora a burguesia, nunca falta \u00e1gua. E ainda mais curioso, a palavra racionamento est\u00e1 proibida. A imprensa \u00e9 t\u00e3o chapa branca e servil ao PSDB que n\u00e3o pode usar a palavra que descreve a atual situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode assumir que h\u00e1 racionamento da \u00e1gua, porque isso poderia prejudicar a candidatura do tucano \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnquanto os pol\u00edticos e capitalistas lucram, a popula\u00e7\u00e3o sofre. \u00c9 preciso tirar a SABESP das m\u00e3os dos empres\u00e1rios e torn\u00e1-la p\u00fablica e sob controle dos trabalhadores! S\u00f3 assim poderemos ter o aumento dos investimentos em tratamento de esgoto, reservat\u00f3rios e encanamentos! Defendemos a reestatiza\u00e7\u00e3o da SABESP, sob controle dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o. Provisoriamente, enquanto n\u00e3o se restabelecem as reservas, \u00e9 preciso aplicar o racionamento, mas que ele atinja por igual todas as regi\u00f5es, e n\u00e3o apenas os bairros pobres e perif\u00e9ricos. Racionamento tamb\u00e9m nos bairros burgueses!<br \/>\nE finalmente, \u00e9 preciso tamb\u00e9m ficar claro que a solu\u00e7\u00e3o para os problemas ambientais s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com o fim do capitalismo. Isso porque o meio ambiente \u00e9 um sistema planet\u00e1rio, os diversos ecossistemas locais est\u00e3o interligados e interagem uns sobre os outros. A polui\u00e7\u00e3o numa determinada regi\u00e3o pode provocar falta de chuvas em outra, e assim por diante. Enquanto houver capitalismo, haver\u00e1 destrui\u00e7\u00e3o ambiental. A regenera\u00e7\u00e3o do ecossistema planet\u00e1rio, de uma maneira que possa suportar a vida humana, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio de a\u00e7\u00f5es coordenadas mundialmente. E o sistema capitalista \u00e9 incapaz desse tipo de coordena\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que est\u00e1 estruturado sobre a base da domina\u00e7\u00e3o de uns sobre os outros e do conflito de todos contra todos, tanto entre pa\u00edses e coletividades como entre os indiv\u00edduos.<br \/>\nCada vez mais, o socialismo, sistema baseado nas decis\u00f5es coletivas sobre o que produzir e como produzir, \u00e9 uma necessidade para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o do abastecimento de \u00e1gua na regi\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo tem sido discutida h\u00e1 v\u00e1rios meses, desde que<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3527,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3526"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3526"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6035,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3526\/revisions\/6035"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}