{"id":353,"date":"2012-10-02T13:36:58","date_gmt":"2012-10-02T16:36:58","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/353"},"modified":"2018-06-01T16:02:15","modified_gmt":"2018-06-01T19:02:15","slug":"jornal-52-agosto-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/10\/jornal-52-agosto-de-2012\/","title":{"rendered":"Jornal 52: Agosto de 2012"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h3>\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Miniatura Jornal 52_2.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"264\" \/><a name=\"indice\"><\/a><\/h3>\n<p><span style=\"background-color: #ffffff; color: #333333; font-size: 14.44444465637207px; line-height: 23.33333396911621px; text-align: start;\">Leia as mat\u00e9rias online:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#titulo1\">Organizar uma campanha nacional contra as demiss\u00f5es<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">A repress\u00e3o policial e a democracia brasileira andam juntas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Elei\u00e7\u00f5es: voto de classe para expressar a luta dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">\u00c9 preciso um projeto socialista para o Brasil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">A greve dos funcion\u00e1rios das Universidades Federais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">Conhecimento: uma mercadoria?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">Capitalismo, educa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social: limites e possibilidades<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo8\">Desemprego: Capitalismo joga milh\u00f5es de trabalhadores para a pobreza<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo1\"><\/a>Organizar uma campanha nacional contra as demiss\u00f5es<\/h2>\n<h3><\/h3>\n<div>\n<p>O Brasil passa nesse momento por um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e desnacionaliza\u00e7\u00e3o. Segundo a nota t\u00e9cnica do DIEESE de junho de 2011, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no PIB, que j\u00e1 chegou a ser de 27%, caiu para 15% em 2009, devido ao crescimento do peso do setor de servi\u00e7os e principalmente do agroneg\u00f3cio. A produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira caiu para o n\u00edvel de cinco anos atr\u00e1s (Zero Hora, 15\/07). Houve uma queda na produ\u00e7\u00e3o, mas a queda nos sal\u00e1rios (ou seja, demiss\u00f5es) foi ainda maior, de modo que houve um \u201cajuste da produtividade\u201d (Valor, 11\/05). Al\u00e9m disso, h\u00e1 um aumento da participa\u00e7\u00e3o do capital estrangeiro no controle da ind\u00fastria. Na cadeia produtiva do setor automobil\u00edstico, por exemplo, as empresas estrangeiras j\u00e1 respondem por 76% do investimento e 87% do faturamento (Gazeta mercantil, 19\/06). O capital mundializado desloca a produ\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses onde for mais favor\u00e1vel, movendo as f\u00e1bricas de um continente para o outro. \u00c9 esse o pano de fundo para as demiss\u00f5es na ind\u00fastria brasileira.<\/p>\n<p>Todos os dados apontam que as demiss\u00f5es est\u00e3o se generalizando. Em S\u00e3o Paulo s\u00f3 no m\u00eas de junho foram 7000 demiss\u00f5es na ind\u00fastria. Nas crises econ\u00f4micas, a luta contra o desemprego torna-se uma das mais importantes, pois, como sabemos ao menor sinal de instabilidade econ\u00f4mica, a burguesia vem querendo retirar direitos, reduzir sal\u00e1rios e principalmente demitir.<\/p>\n<p>Pelo desenvolvimento da crise econ\u00f4mica, \u00e9 poss\u00edvel que aumentem as demiss\u00f5es. As medidas de redu\u00e7\u00e3o de IPI, linha de cr\u00e9dito com juros abaixo do mercado, desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, etc. n\u00e3o v\u00e3o conseguir segurar por muito tempo. Por outro lado, mesmo com essas medidas do governo a seu favor, a patronal est\u00e1 demitindo, vide o que acontece nas montadoras.<\/p>\n<p>Foi anunciado o fechamento do setor de montagem de ve\u00edculos na General Motors de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no interior de S\u00e3o Paulo, resultando na demiss\u00e3o de 1500 trabalhadores. O caso da GM \u00e9 emblem\u00e1tico, pois os trabalhadores dessa f\u00e1brica est\u00e3o na base de um sindicato filiado \u00e0 Conlutas, que por se apresentar como alternativa combativa ao movimento sindical governista controlado pela CUT e seus sat\u00e9lites, deveria apresentar uma resist\u00eancia exemplar. As demiss\u00f5es em S\u00e3o Jos\u00e9 foram objeto de discuss\u00e3o na reuni\u00e3o da coordena\u00e7\u00e3o da Conlutas em julho no Rio. Ainda que tardia (porque nos \u00faltimos 15 meses s\u00f3 em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos j\u00e1 haviam sido demitidos 1400 trabalhadores \u2013 dado que consta na pr\u00f3pria resolu\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da Conlutas), consideramos importante a resolu\u00e7\u00e3o de iniciar uma campanha contra as demiss\u00f5es na GM de S\u00e3o Jos\u00e9, mas tamb\u00e9m a achamos insuficiente, porque as demiss\u00f5es ocorrem em todos os setores da ind\u00fastria e regi\u00f5es industriais, e n\u00e3o s\u00f3 na GM.<\/p>\n<p>Foi por isso que propusemos (Espa\u00e7o Socialista e Movimento Revolucion\u00e1rio) na reuni\u00e3o da coordena\u00e7\u00e3o uma outra resolu\u00e7\u00e3o, complementar \u00e0quela apresentada pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, para que, a partir da GM, se iniciasse uma campanha de massas contra as demiss\u00f5es em todo o pa\u00eds. Infelizmente, a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da Conlutas, em que prevalece a posi\u00e7\u00e3o do PSTU, votou contra a resolu\u00e7\u00e3o que propusemos e deixou a vanguarda desarmada para enfrentar essa onda de ataques da patronal.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o para terem sido contra a resolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma diverg\u00eancia sobre quais bandeiras pol\u00edticas devem ser levantadas nesse momento. A resolu\u00e7\u00e3o que defendemos exigia a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 36 horas (como forma de aumentar as vagas), estabilidade no emprego para todos, n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o dos ilus\u00f3rios PDV\u2019s (Plano de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria). A resolu\u00e7\u00e3o \u2013 aprovada \u2013 da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria n\u00e3o enfrenta o problema e sequer trata das bandeiras pol\u00edticas, se limitando a medidas administrativas.<\/p>\n<p><strong>A DIVERG\u00caNCIA POL\u00cdTICA N\u00c3O \u00c9 DE FORMA, MAS DE CONTE\u00daDO.<\/strong><\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es que a GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos est\u00e1 realizando na planta industrial n\u00e3o s\u00e3o apenas econ\u00f4micas, mas, sobretudo pol\u00edticas, pois dizem respeito ao seu plano para enfrentar a concorr\u00eancia no mercado. A possibilidade de que alcancemos alguma vit\u00f3ria na luta contra as demiss\u00f5es est\u00e1 no car\u00e1ter pol\u00edtico dessa luta. Entrar no debate com a montadora propondo solu\u00e7\u00f5es nos marcos da organiza\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o impossibilita construir uma resist\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso enfrentar as demiss\u00f5es com uma pol\u00edtica classista e um programa que se oponha ao modelo capitalista de produ\u00e7\u00e3o e que reflita as tarefas que est\u00e3o colocadas para a classe trabalhadora no sentido de enfrentar a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o entre o Minist\u00e9rio do Trabalho, o sindicato e a GM, a dire\u00e7\u00e3o da entidade sindical apresentou como proposta \u201cpara garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho na f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: produ\u00e7\u00e3o integral do Classic na planta local; nacionaliza\u00e7\u00e3o do Sonic, que \u00e9 importado da Cor\u00e9ia do Sul e volta da produ\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es\u201d. (http:\/\/www.sindmetalsjc.org.br\/imprensa\/ultimas-noticias\/885\/gm+se+compromete+a+nao+tomar+decisoes+sobre+o+mva+ate+dia+4.htm), ou seja, uma proposta que nada mais \u00e9 do que uma \u201csugest\u00e3o\u201d de como administrar o capital.<br \/>\nEssa proposta tamb\u00e9m \u00e9 complicada porque n\u00e3o responde ao problema a partir de uma vis\u00e3o da classe trabalhadora de conjunto. Se a GM optasse pela produ\u00e7\u00e3o do modelo Sonic aqui, o problema iria para os trabalhadores da Cor\u00e9ia do Sul. Ou ainda, se o Classic passasse a ser produzido em SJC, seriam os trabalhadores de S\u00e3o Caetano e de Ros\u00e1rio na Argentina (onde tamb\u00e9m s\u00e3o produzidos esses carros) que teriam os seus empregos amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma pol\u00edtica que responda ao problema para o conjunto da classe trabalhadora de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, mas tamb\u00e9m dos trabalhadores da Coreia do Sul, de s\u00e3o Caetano e de Rosario. H\u00e1 outro problema ainda mais complicado que \u00e9 o fato de que se est\u00e1 jogando trabalhador contra trabalhador. Tamb\u00e9m fica evidente o imediatismo e o economicismo do PSTU, limitando a pol\u00edtica aos aspectos econ\u00f4micos e imediatos da luta.<\/p>\n<p><strong>POR UMA CAMPANHA NACIONAL CONTRA AS DEMISS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>A GM \u00e9 uma empresa que explora, direta ou indiretamente, trabalhadores do mundo inteiro. J\u00e1 enviou bilh\u00f5es de d\u00f3lares como remessa de lucro \u00e0 sua matriz e mesmo com os benef\u00edcios de redu\u00e7\u00e3o do IPI j\u00e1 demitiu 1400 trabalhadores e ainda amea\u00e7a demitir mais. N\u00e3o se pode aceitar essa situa\u00e7\u00e3o. A resposta dos trabalhadores deve ser uma s\u00f3: exigir que a GM reduza a jornada de trabalho, garantindo o emprego de todos os trabalhadores e em caso de recusa, fazendo com que a f\u00e1brica seja estatizada.<\/p>\n<p>Para os marxistas, analisar a realidade tem como objetivo se preparar melhor para intervir nela. E no caso da realidade brasileira, a quest\u00e3o do desemprego deve ser um dos principais temas da luta de classe. A CSP Conlutas precisa se antecipar e tirar uma pol\u00edtica geral contra o desemprego e as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Infelizmente, a pol\u00edtica do PSTU est\u00e1 indo em sentido contr\u00e1rio. No jornal n\u00ba 998 (de 24 a 30 de julho) do sindicato, p\u00e1gina 2, h\u00e1 uma mat\u00e9ria com o seguinte t\u00edtulo: \u201cSe GM insistir em demiss\u00f5es, vamos aumentar a resist\u00eancia\u201d. Ora, a GM j\u00e1 demitiu 1400, j\u00e1 abriu PDV (sem que houvesse uma forte resist\u00eancia por parte da dire\u00e7\u00e3o sindical), fechou turno e tornou p\u00fablico que v\u00e3o acontecer mais demiss\u00f5es. O que mais falta para que a dire\u00e7\u00e3o entenda que a resist\u00eancia tem que ser a maior de todos os tempos?<\/p>\n<p>A campanha nacional tamb\u00e9m \u00e9 importante porque o que est\u00e1 em jogo \u00e9 enfrentar uma pol\u00edtica geral do capital e n\u00e3o s\u00f3 da GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos campos. Trata-se de um ajuste do capital para fazer frente \u00e0 concorr\u00eancia, no cen\u00e1rio da crise econ\u00f4mica mundial. Aproveitando-se das not\u00edcias de crise, a burguesia aproveita a situa\u00e7\u00e3o para tentar impor novas formas de garantir o seu lucro. Uma delas \u00e9 fazer com que menos trabalhadores produzam a mesma coisa, ou seja, aumenta do ritmo de trabalho. Os que ficam trabalham mais para compensar o trabalho dos que foram demitidos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma forma de o capital responder \u00e0 sua pr\u00f3pria crise: aumentando a explora\u00e7\u00e3o sobre a classe trabalhadora. Por mais que se invista em tecnologia, o emprego n\u00e3o acompanha o volume de produ\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o ou do aumento da mais valia relativa (investimento em novas tecnologias) ou da mais valia absoluta (aumento da intensidade do trabalho). No Brasil, a burguesia tem, a cada tempo, utilizado esses dois mecanismos.<\/p>\n<p><strong>NENHUMA CONFIAN\u00c7A EM DILMA! <\/strong><\/p>\n<p>Outra pol\u00edtica que o PSTU tem defendido \u00e9 a exig\u00eancia para que Dilma evite as demiss\u00f5es. Essa exig\u00eancia \u00e9 feita com o mote \u201cDilma, com IPI reduzido e desonera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para aceitar demiss\u00e3o\u201d. Tanto a redu\u00e7\u00e3o do IPI como a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento s\u00e3o pol\u00edticas do governo para ajudar a patronal e tamb\u00e9m de ataque a previd\u00eancia social (onde a desonera\u00e7\u00e3o repercute). Al\u00e9m disso, mesmo que n\u00e3o houvesse redu\u00e7\u00e3o do IPI e desonera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode aceitar as demiss\u00f5es!<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica tem v\u00e1rios problemas; a) joga ilus\u00e3o de que o governo Dilma pode fazer algo em defesa do emprego dos trabalhadores. \u00c9 um governo do e para o capital; b) atua em um n\u00edvel muito rebaixado da consci\u00eancia, pois n\u00e3o diz para os trabalhadores que s\u00e3o eles os \u00fanicos que, com muita luta, podem evitar as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Na luta contra as demiss\u00f5es defendemos:<br \/>\n&#8211; Solidariedade total aos trabalhadores da GM;<br \/>\n&#8211; Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 36 h sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio;<br \/>\n&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores das empresas que demitirem ou amea\u00e7arem fechar;<br \/>\n&#8211; Nenhum dinheiro do Estado para ajudar a patronal;<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong><a name=\"titulo2\"><\/a>A REPRESS\u00c3O POLICIAL E A DEMOCRACIA BRASILEIRA ANDAM JUNTAS!<br \/>\nPOR UMA CAMPANHA ANTICAPITALISTA CONTRA A REPRESS\u00c3O!<\/strong><\/h2>\n<p><em>\u201cEles querem \u2018limpar\u2019, sumir com o problema, e n\u00e3o resolver\u201d <\/em>(Mano Brown)<br \/>\nO Brasil passa, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, por um aumento crescente da viol\u00eancia em todos os n\u00edveis, seja por parte da pol\u00edcia, pelo crime organizado ou mesmo por parte da imprensa.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o de um processo como esse passa pela elucida\u00e7\u00e3o de variados fatores pol\u00edticos, econ\u00f4micos e culturais. Primeiramente, tem-se de ter em vista que a onda de viol\u00eancia pela qual passa a sociedade brasileira tem ra\u00edzes j\u00e1 bastante long\u00ednquas.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 suficiente para o objetivo deste Chamado destacar o contexto hist\u00f3rico pelo qual passa o Brasil nesse per\u00edodo de \u201credemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O problema da repress\u00e3o no Brasil tem como causa mais profunda o enfrentamento, pelo Estado capitalista, de efeitos derivados do funcionamento do pr\u00f3prio capitalismo. A t\u00edtulo de exemplo, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para alguns problemas: espa\u00e7o urbano ca\u00f3tico, falta de moradia, falta de reforma agr\u00e1ria, insufici\u00eancia da locomo\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, desemprego, aumento da explora\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, corrup\u00e7\u00e3o que favorece e cria o crime organizado etc. Esses problemas s\u00e3o estruturais e representam uma contradi\u00e7\u00e3o criada pelo pr\u00f3prio capitalismo: o capitalismo cria a promessa de todos terem acesso a condi\u00e7\u00f5es dignas de vida por meio do dinheiro; simultaneamente, o mesmo capitalismo impossibilita tal realiza\u00e7\u00e3o, vez que \u00e9 pr\u00f3prio tamb\u00e9m desse sistema social realizar uma permanente exclus\u00e3o daqueles que s\u00e3o &#8220;derrotados&#8221; no mercado.<\/p>\n<p>Com a espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e o aumento da repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, as arbitrariedades e desmandos das institui\u00e7\u00f5es brasileiras em geral (inclusive as policiais) se intensificaram, obedecendo, obviamente, a uma l\u00f3gica classista (em especial, a de vi\u00e9s racista). Esta ofensiva repressiva atinge os trabalhadores em todos seus aspectos de vida, n\u00e3o somente nos locais de trabalho, mas tamb\u00e9m no dia-a-dia, principalmente, dos bairros perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>No interior desse processo, aumentou-se a viol\u00eancia jur\u00eddico-policial sob o manto de uma pretensa \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica\u201d e intensificou-se a mesma repress\u00e3o contra aqueles que pretendem atacar as reais causas dos problemas. No final das contas, ao se construir a tal da seguran\u00e7a p\u00fablica por meios, quase que exclusivamente, policiais o que se construiu foi um fortalecimento do aparato repressor que lembra muito pouco os sonhos de um Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a democracia brasileira que se instala \u00e9 um regime que casa autoritarismo com uma fachada democr\u00e1tica. Dado o car\u00e1ter permanentemente inst\u00e1vel das institui\u00e7\u00f5es \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d a viol\u00eancia estatal encontra solo f\u00e9rtil para crescer, fechando o circuito de um controle social extremamente eficaz, necess\u00e1rio a t\u00e3o aclamada sexta maior economia do mundo!<\/p>\n<p>Quanto ao \u00e2mbito da pol\u00edtica institucional desse per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o devemos ter clareza de que, por tr\u00e1s da disputa nacional entre PT e PSDB, h\u00e1 um acordo maior pelo qual n\u00e3o hesitam, cada qual a seu modo, a tomar as mesmas medidas repressivas. A diferen\u00e7a entre eles \u00e9 de formas e de ritmos, com o PSDB agindo de forma mais direta e o PT de forma mais disfar\u00e7ada (este se utilizando tamb\u00e9m do seu peso nas organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores para segurar os movimentos). Trata-se de um endurecimento do regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas e n\u00e3o apenas da pol\u00edtica desse ou daquele governo.<\/p>\n<h4>&#8230;E A ESQUERDA EST\u00c1 PREPARADA PARA ENFRENTAR A REPRESS\u00c3O?<\/h4>\n<p>Nesse contexto, passados mais de 20 anos de democracia burguesa, houve uma adapta\u00e7\u00e3o de amplos setores da Esquerda, que renovaram a confian\u00e7a nas ilus\u00f5es institucionais. Isso tudo est\u00e1 mudando rapidamente, revelando os limites dessa atua\u00e7\u00e3o perante os novos desafios.<\/p>\n<p>Mais do que nunca o desafio colocado \u00e9 justamente o de denunciar o papel e os interesses que movem as institui\u00e7\u00f5es e o regime como um todo para que os trabalhadores fiquem em estado de alerta e s\u00f3 confiarem em sua pr\u00f3pria luta e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e das liberdades democr\u00e1ticas m\u00ednimas concedidas obrigatoriamente pelo regime deve ser feita com o m\u00e1ximo de cuidado, pois na defesa de seus interesses o sistema n\u00e3o hesita em passar por cima de qualquer norma.<\/p>\n<p>Diante dessa nova situa\u00e7\u00e3o e considerando que as organiza\u00e7\u00f5es de luta dos trabalhadores precisam se colocar para al\u00e9m das demandas imediatas e parciais (organizando-se, inclusive, para al\u00e9m dos locais de trabalho); considerando que \u00e9 necess\u00e1rio assumir o desafio de disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores para outro projeto de pa\u00eds e de sociedade&#8230;<\/p>\n<p>Dessa forma, fazemos um Chamado aos que lutam por uma sociedade alternativa ao capitalismo para que realizemos uma campanha de longa dura\u00e7\u00e3o contra a repress\u00e3o estatal, fazendo semin\u00e1rios e plen\u00e1rias em sindicatos, universidades, acampamentos, ocupa\u00e7\u00f5es, etc.; colocando a quest\u00e3o da repress\u00e3o como ponto de pauta a ser debatido em todos os f\u00f3runs de luta e a partir da particularidade de cada luta e de cada lugar; elaborando v\u00eddeos e textos; debatendo com a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e oprimida da cidade e do campo; realizando atos; mobilizando-nos e enfrentando todas as formas de injusti\u00e7as que a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e oprimida \u00e9 submetida.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo3\"><\/a>NESSAS ELEI\u00c7\u00d5ES: O QUE FAZER?<\/h2>\n<p>H\u00e1 uma decep\u00e7\u00e3o e um mal-estar com as elei\u00e7\u00f5es. Essa descren\u00e7a \u00e9 geral e envolve as mais tradicionais \u201cdemocracias\u201d, como a Fran\u00e7a e a Gr\u00e9cia, pois setores cada vez maiores dos trabalhadores e da juventude veem que os v\u00e1rios governos e parlamentos eleitos agem em prol dos empres\u00e1rios e n\u00e3o hesitam em atacar os direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores, a maioria que os elegeu.<\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais n\u00edtido que no chamado \u201cjogo democr\u00e1tico\u201d as empresas levam grande vantagem sobre os trabalhadores, pois podem bancar megacampanhas para eleger seus representantes. E como no capitalismo a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel e n\u00e3o apenas um desvio de conduta, essas empresas passam a decidir sobre todos os rumos do pa\u00eds de acordo com as suas pr\u00f3prias necessidades e n\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>Enquanto isso, quando os trabalhadores reivindicam algo como Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, moradia e transporte dignos, esses mesmos senhores logo mandam a pol\u00edcia para bater, prender ou matar.<\/p>\n<p>A democracia que temos \u00e9 a democracia burguesa, uma democracia dos ricos. Mas, para os trabalhadores continua um regime de opress\u00e3o, pois mant\u00e9m e aprofunda a explora\u00e7\u00e3o e o controle, mesmo que se empreguem alguns meios diferentes de uma ditadura militar.<\/p>\n<p>Com a crise estrutural do capital e o endurecimento dos patr\u00f5es e dos governos sobre os trabalhadores, as tend\u00eancias autorit\u00e1rias est\u00e3o se acirrando at\u00e9 mesmo em regimes considerados mais democr\u00e1ticos. Est\u00e3o sob ataque o direito de manifesta\u00e7\u00e3o, de greve e de ocupa\u00e7\u00f5es sendo enquadrados como \u201cforma\u00e7\u00e3o de quadrilha\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo que por uma exce\u00e7\u00e3o sejam eleitos pol\u00edticos \u00e9ticos e bem intencionados h\u00e1 toda uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e legais quanto \u00e0s mudan\u00e7as realmente importantes para quem trabalha.<\/p>\n<p>H\u00e1 todo um esquema de funcionamento para legitimar o poder da burguesia e do capital sobre a sociedade. O direito \u00e0 propriedade privada da burguesia, por exemplo, est\u00e1 assegurado na pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o. A Lei de Responsabilidade Fiscal limita os gastos com o funcionalismo para que sobre mais dinheiro para o pagamento dos juros das D\u00edvidas ao capital financeiro.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, se a burguesia sentir a qualquer momento que seu poder e seus privil\u00e9gios est\u00e3o amea\u00e7ados \u00e9 a primeira a recorrer aos golpes militares como se viu tantas vezes na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Portanto, a primeira tarefa de uma organiza\u00e7\u00e3o socialista nas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 combater as ilus\u00f5es de que atrav\u00e9s do voto possamos resolver qualquer um dos problemas estruturais como: \u00f4nibus lotado e caro, falta de moradia, falta de postos de sa\u00fade e de Educa\u00e7\u00e3o de qualidade, falta de espa\u00e7os culturais e de lazer, etc.<\/p>\n<p>Devemos dizer aos trabalhadores que confiem apenas em suas pr\u00f3prias for\u00e7as e m\u00e9todos de luta como greves, passeatas, ocupa\u00e7\u00f5es, etc. e que acreditem em um processo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o defendemos a volta da ditadura militar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos aceitar a ditadura da burguesia. Precisamos de uma democracia real em que as decis\u00f5es importantes estejam nas m\u00e3os dos trabalhadores e do povo pobre, para resolver de fato os problemas sociais.<\/p>\n<p>N\u00e3o negamos que mesmo essa aparente democracia permite um espa\u00e7o maior de informa\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, mas a utilidade do per\u00edodo eleitoral para os trabalhadores \u00e9 de podermos debater, nos organizarmos e fortalecermos a luta pelas mudan\u00e7as que realmente interessem aos trabalhadores.<\/p>\n<h4><strong>EM TODAS AS CIDADES, OS MESMO PROBLEMAS&#8230;<\/strong><\/h4>\n<p>Os problemas que enfrentamos no dia a dia s\u00e3o comuns nas v\u00e1rias cidades, o que significa que sua causa \u00e9 maior. S\u00e3o problemas da sociedade em que vivemos, do capitalismo, aprofundados pelos governos, seus agentes.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os p\u00fablicos em geral est\u00e3o precarizados porque os governos Dilma, Alckmin, os prefeitos e congressistas cortam cada vez mais as verbas e investimentos p\u00fablicos para que esse dinheiro seja direcionado para garantir a lucratividade do setor empresarial.<\/p>\n<p>Podemos ver isso no tr\u00e2nsito: Ao se priorizar o transporte individual, necess\u00e1rio para incentivar cada vez mais o consumo de mercadorias e o individualismo, n\u00e3o se investe na quantidade e nem na melhoria da qualidade de \u00f4nibus e trens, pois n\u00e3o \u00e9 lucrativo. O mesmo ocorre na \u00e1rea da Sa\u00fade: Para favorecer os grandes planos de sa\u00fade cortam-se verbas do SUS. E assim os problemas v\u00e3o se agravando em todas as \u00e1reas. O capitalismo est\u00e1 levando a humanidade \u00e0 barb\u00e1rie!<\/p>\n<h4><strong>\u00c9 PRECISO DIZER QUE SOMENTE A LUTA MUDA A VIDA!<\/strong><\/h4>\n<p>Em cada cidade tamb\u00e9m h\u00e1 um grupo de fam\u00edlias que enriquecem \u00e0 custa da maioria que sofre sem estrutura nenhuma. Essas poucas fam\u00edlias associadas \u00e0s grandes empresas controlam a vida econ\u00f4mica e pol\u00edtica de cada munic\u00edpio. Dominam as empresas de \u00f4nibus, de coleta de lixo, de abastecimento de \u00e1gua, o com\u00e9rcio da regi\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Para come\u00e7armos a resolver qualquer um dos problemas principais que afetam os trabalhadores precisamos romper com o controle dessas fam\u00edlias sobre a cidade.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 preciso que a partir de cada local de trabalho, estudo, moradia e atrav\u00e9s de lutas, mobiliza\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es, etc. comecemos a assumir as decis\u00f5es mais importantes e ter poder de fato. Por exemplo, mobilizarmo-nos contra o aumento de passagens, contra os aumentos e privil\u00e9gios dos vereadores, contra a municipaliza\u00e7\u00e3o, por moradia, etc.<\/p>\n<h4><strong>UM PROGRAMA SOCIALISTA DOS TRABALHADORES PARA AS CIDADES E PARA O PA\u00cdS!<\/strong><\/h4>\n<p>&#8211; Prioridade para o transporte p\u00fablico. Estatiza\u00e7\u00e3o das empresas de \u00f4nibus, sob controle dos trabalhadores. Aumento do n\u00famero de \u00f4nibus e melhoria de sua qualidade. Tarifa social, subsidiada pelo munic\u00edpio com arrecada\u00e7\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>&#8211; Aumento do n\u00famero de postos de sa\u00fade e hospitais com melhoria de qualidade.<\/p>\n<p>&#8211; Barrar e reverter a Municipaliza\u00e7\u00e3o, mantendo o emprego dos professores que trabalham nessas escolas.<\/p>\n<p>&#8211; Apoio \u00e0s lutas por moradia! Confisco e Expropria\u00e7\u00e3o de todos os im\u00f3veis n\u00e3o utilizados e sua inclus\u00e3o em um programa p\u00fablico de moradia popular.<\/p>\n<p>&#8211; Redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios de todos os cargos de confian\u00e7a ao sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador especializado.<\/p>\n<p>&#8211; Que os trabalhadores administrem as cidades atrav\u00e9s de Conselhos Populares deliberativos e sem patr\u00f5es!<\/p>\n<p>&#8211; Expans\u00e3o dessas lutas e formas democr\u00e1ticas de gest\u00e3o, no sentido de um governo nacional dos trabalhadores, baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/p>\n<p>&#8211; Pelo socialismo como forma de organizar a sociedade em base \u00e0s decis\u00f5es coletivas e com democracia direta para o bem estar de todos em equil\u00edbrio com o ambiente!<\/p>\n<h4><strong>RECHA\u00c7AR AS CANDIDATURAS REPRESENTANTES DOS PATR\u00d5ES E DO GOVERNO!<\/strong><\/h4>\n<p>Independente da nossa vontade \u00e9 um fato que mesmo descontentes e desanimados a maior parte dos trabalhadores v\u00e3o comparecer \u00e0s urnas e votar. Nessa situa\u00e7\u00e3o em que amplos setores da classe trabalhadora v\u00e3o votar, n\u00e3o \u00e9 indiferente para quais candidaturas e partidos v\u00e3o esse voto.<\/p>\n<p>Assim, mesmo priorizando as lutas diretas dos trabalhadores \u00e9 preciso tamb\u00e9m disputar sua consci\u00eancia com a burguesia, com a direita e com os setores governistas do PT. O voto dos trabalhadores deve expressar e fortalecer o lado dos trabalhadores, das nossas lutas e da unidade entre os que lutam. Ou seja, defendemos um voto de classe e de luta tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Devemos rejeitar candidaturas dos v\u00e1rios partidos burgueses e governistas: do bloco PSDB\/DEM\/PPS ou do bloco PT\/PMDB\/PSB e seus apoiadores. Essas candidaturas somente v\u00e3o aprofundar cada vez mais os ataques aos trabalhadores. Representam os nossos inimigos.<\/p>\n<h4><strong>OS PROBLEMAS NAS ORGANIZA\u00c7\u00d5ES DE ESQUERDA E O CHAMADO A UM VOTO DE CLASSE!<\/strong><\/h4>\n<p>Por outro lado sublinhamos que mesmo entre as candidaturas que se apresentam no arco das lutas e da esquerda, h\u00e1 v\u00e1rios problemas. Primeiro, essas organiza\u00e7\u00f5es comparecem \u00e0s elei\u00e7\u00f5es sem denunciar em suas campanhas o car\u00e1ter burgu\u00eas dessa democracia e dessas elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o destacam que a prioridade \u00e9 estar nas lutas. Contribuem para manter as ilus\u00f5es dos trabalhadores na democracia burguesa e nas elei\u00e7\u00f5es. Segundo, na \u00e2nsia por eleger, em v\u00e1rios munic\u00edpios, alguns desses partidos coligam com partidos burgueses ou governistas. \u00c9 o caso do PSOL em v\u00e1rios lugares, como em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Mas o fato novo \u00e9 a presen\u00e7a do PSTU coligado com o PC do B na disputa para a prefeitura de Bel\u00e9m. Ao coligar (ou seja, n\u00e3o \u00e9 apoiar) com o PC do B, que h\u00e1 muito ultrapassou a barreira de classe, o PSTU adota uma pol\u00edtica que perde a independ\u00eancia de classe, demonstra um forte desvio eleitoreiro, aceita passivamente as regras do jogo burgu\u00eas e abre m\u00e3o de uma pol\u00edtica de esquerda a fim de eleger um vereador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com a participa\u00e7\u00e3o nessa frente o PSTU joga por terra todo o seu discurso sobre o papel dos revolucion\u00e1rios no processo eleitoral burgu\u00eas, como se o voto fosse \u201cuma simples t\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, faz muita diferen\u00e7a o trabalhador votar nas candidaturas de esquerda ou nas do governo.<\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m, o voto no candidato da frente PSOL\/PC do B\/PSTU n\u00e3o vai expressar uma oposi\u00e7\u00e3o ao governo Dilma, pois um dos cabe\u00e7as da frente, o candidato a vice-prefeito, \u00e9 do PC do B e defensor entusiasta do governo. N\u00e3o \u00e9 verdade que o PC do B ocupa um papel secund\u00e1rio na frente, como a Nota da Dire\u00e7\u00e3o Nacional quer fazer acreditar. Ver pol\u00eamica em: espacosocialista.org\/node\/345.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante \u00e9 o fato de que na maioria das grandes cidades n\u00e3o h\u00e1 frente, as legendas comparecem \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de forma totalmente fragmentada. Isso \u00e9 o resultado de uma concep\u00e7\u00e3o de unidade limitada aos acordos de c\u00fapula e aos interesses imediatistas de cada uma dessas organiza\u00e7\u00f5es que impedem que possam subordinar as quest\u00f5es de programa, de alian\u00e7as e de cabe\u00e7as de chapa aos ativistas e lutadores em cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s, Espa\u00e7o Socialista, defendemos que houvesse um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores, tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es, preparado por ampla convoca\u00e7\u00e3o, realiza\u00e7\u00e3o de semin\u00e1rios e plen\u00e1rias deliberativas abertas a todos os ativistas e lutadores em cada munic\u00edpio de modo que tanto o programa como as alian\u00e7as e as candidaturas fossem decis\u00e3o coletiva e unit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os interesses aparatistas e de c\u00fapula prevaleceram ainda desta vez e o resultado disso deve se expressar na dificuldade de se fazer campanha em meio \u00e0 extrema fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o que se expressa em v\u00e1rias candidaturas da esquerda, aos problemas citados acima e \u00e0s desigualdades pr\u00f3prias de elei\u00e7\u00f5es municipais em um pa\u00eds continental optamos por um chamado geral a um Voto de Classe sempre e quando as candidaturas expressarem as lutas dos trabalhadores, n\u00e3o estiverem coligadas com partidos governistas e n\u00e3o receberem dinheiro dos empres\u00e1rios, no arco do PSTU,PSOL,PCB e PCO, com possibilidade de voto nulo onde esses crit\u00e9rios n\u00e3o estiverem atendidos.<\/p>\n<p>Com essa posi\u00e7\u00e3o buscamos a coer\u00eancia na luta, o desenvolvimento da consci\u00eancia dos trabalhadores e chamamos voc\u00ea a se reunir, debater e fortalecer com o Espa\u00e7o Socialista esse polo pr\u00e1tico de luta em busca da transforma\u00e7\u00e3o geral da sociedade rumo a um outro tipo de sociedade, a socialista.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong><a name=\"titulo4\"><\/a>\u00c9 PRECISO UM PROJETO SOCIALISTA PARA O BRASIL<\/strong><\/h2>\n<p>O mundo vive hoje as consequ\u00eancias da crise econ\u00f4mica iniciada em 2008 e o Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o a esse cen\u00e1rio. Depois de uma aparente recupera\u00e7\u00e3o localizada em certo conjunto de pa\u00edses, as instabilidades voltaram a predominar em 2011 e 2012, a partir da crise das d\u00edvidas dos pa\u00edses europeus (Gr\u00e9cia, Espanha e outros).<\/p>\n<p>O Brasil foi tido como um dos pa\u00edses que estaria a salvo da crise mundial e at\u00e9 mesmo como um dos respons\u00e1veis pela \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d da economia (juntamente com outros pa\u00edses perif\u00e9ricos de grande peso como a China). Isso porque desde a manifesta\u00e7\u00e3o da crise os governos Lula e Dilma adotaram uma s\u00e9rie de medidas para estimular os neg\u00f3cios dos capitalistas que operam no Brasil, tais como incentivos fiscais, redu\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio dos bancos, empr\u00e9stimos \u00e0s empresas e aos consumidores, planos de obras p\u00fablicas, etc. (al\u00e9m de cortes nos gastos com os servi\u00e7os p\u00fablicos, que evidentemente nunca atingem os gastos com o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica).<\/p>\n<p>Em 2012 essas medidas come\u00e7am a deixar de fazer efeito. A economia brasileira come\u00e7a a desacelerar (juntamente com a de outros \u201csalvadores da p\u00e1tria\u201d do capitalismo, como a China) com o crescimento do PIB tendo atingido 0,2% no 1\u00ba trimestre em rela\u00e7\u00e3o ao 4\u00ba trimestre de 2011 (Estad\u00e3o, 01\/06). A produ\u00e7\u00e3o industrial caiu 3% em rela\u00e7\u00e3o ao 1\u00ba trimestre de 2011 (idem). O \u00edndice de confian\u00e7a do empresariado industrial caiu para o n\u00edvel mais baixo desde 2009 (Valor, 18\/07), sinal de que o apelo do ministro Mantega ao \u201cesp\u00edrito animal\u201d dos empres\u00e1rios n\u00e3o surtiu o efeito esperado. No campo a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi muito melhor, pois o PIB rural caiu 0,8% no 1\u00ba trimestre (Brasilagro, 12\/06). Por outro lado, a inadimpl\u00eancia subiu para o n\u00edvel recorde de 6% em 2012 (Veja, 26\/06).<\/p>\n<p>A dificuldade dos consumidores para pagar as d\u00edvidas \u00e9 apenas uma ponta do iceberg no momento de arrocho que vem sofrendo a classe trabalhadora como um todo. Desde 2008 os capitalistas brasileiros v\u00eam atuando preventivamente para impedir que seus lucros sejam afetados pela crise mundial, aumentando o ritmo de explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho. A sobrecarga de servi\u00e7o, o ass\u00e9dio moral dos chefes, o adoecimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico, acidentes de trabalho, etc. aumentaram enormemente, refletindo o aumento da explora\u00e7\u00e3o que os trabalhadores brasileiros v\u00eam sofrendo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que aumentam a explora\u00e7\u00e3o, os capitalistas exigem a completa passividade dos trabalhadores. Nesse momento entra em campo a repress\u00e3o e a burocracia sindical e dos movimentos sociais. Os trabalhadores sem-terra desalojados pelo agroneg\u00f3cio, os sem-teto desalojados pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e pelas obras da Copa, os funcion\u00e1rios p\u00fablicos v\u00edtimas de arrocho salarial e deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, os estudantes v\u00edtimas da degrada\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico, todos esses setores mais afetados diretamente, s\u00e3o tratados como caso de pol\u00edcia quando resolvem fazer greves, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es, etc. em luta contra o aumento da explora\u00e7\u00e3o e favores aos capitalistas.<\/p>\n<p>Aumentam as pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es judiciais e administrativas, demiss\u00f5es, agress\u00f5es, ass\u00e9dio moral, etc. contra os trabalhadores em luta. Isso quando conseguem sequer entrar em luta, pois a maioria dos sindicatos est\u00e3o controlados pela CUT e sat\u00e9lites como For\u00e7a Sindical, CTB, etc., que usam de m\u00e9todos ditatoriais para impedir a deflagra\u00e7\u00e3o de greves e assembleias, etc., enquanto os movimentos sociais, especialmente o MST, est\u00e3o tamb\u00e9m paralisados pelo apoio de seus dirigentes ao governo.<\/p>\n<p>O governo Dilma, assim como o de Lula, os burocratas sindicais e dos movimentos sociais, do bloco do PT, e os governos estaduais e municipais, do bloco do PSDB, est\u00e3o todos empenhados no mesmo projeto de facilitar o aumento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e garantir os lucros dos capitalistas, a qualquer custo. \u00c9 esse o projeto que est\u00e1 sendo aplicado no pa\u00eds. N\u00e3o se trata da pol\u00edtica de um ou de outro governo, de um ou de outro partido, mas de uma exig\u00eancia do sistema capitalista, que todos os representantes da classe dominante precisam cumprir. Essa exig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 passageira, assim como a atual crise econ\u00f4mica do capitalismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma crise como outra qualquer. Trata-se de uma manifesta\u00e7\u00e3o da crise estrutural do capital, com consequ\u00eancias de longo prazo, que v\u00e3o modificar a situa\u00e7\u00e3o mundial por anos, ou mesmo d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Exatamente por isso, a solu\u00e7\u00e3o para os problemas deve ser tamb\u00e9m estrutural. \u00c9 preciso construir um projeto dos trabalhadores contra o capitalismo e suas crises. Esse projeto precisa ser discutido nas lutas dos trabalhadores, em especial nas campanhas salariais de importantes categorias, como banc\u00e1rios, petroleiros, correios, metal\u00fargicos que t\u00eam data-base no segundo semestre. E tamb\u00e9m, \u00e9 preciso debater esse projeto por ocasi\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, contra o projeto dos partidos da classe dominante.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong><a name=\"titulo5\"><\/a>A GREVE DOS FUNCION\u00c1RIOS DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS E A INTRANSIG\u00caNCIA DO GOVERNO DILMA<\/strong><\/h2>\n<h4>O CONTEXTO DA GREVE<\/h4>\n<p>Desde o dia 11 de junho os funcion\u00e1rios das universidades federais est\u00e3o em greve: a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es inclui reajuste salarial de 22,5%, defini\u00e7\u00e3o da data-base para 1\u00ba de maio e denuncia o descaso do governo federal com a Educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, tanto com falta em investimentos diretos nos campi quanto na valoriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra das universidades.<\/p>\n<p>No momento do fechamento desse artigo a greve completa um m\u00eas e meio sem que tenha tido qualquer negocia\u00e7\u00e3o com o governo. Isso s\u00f3 demonstra que o partido no poder, PT \u2013 que se construiu nas greves, junto aos movimentos e sempre fez oposi\u00e7\u00e3o aos governos que o antecederam \u2013 age igual, sen\u00e3o de maneira ainda mais agressiva com os trabalhadores de todas as categorias, incluindo do funcionalismo p\u00fablico federal.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI continuamos vivendo em uma sociedade dividida em classes. Citemos as duas que definem o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista: os trabalhadores e os grandes empres\u00e1rios. Estes \u00faltimos a viverem e acumularem a riqueza que os primeiros geram. Nesse contexto absurdo de acumula\u00e7\u00e3o de capital por poucos indiv\u00edduos enquanto que a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o produz a riqueza, mas usufrui pouco dela, o governo federal nitidamente escolhe seu lado. Favorece a classe dominante em detrimento da classe trabalhadora. A isen\u00e7\u00e3o de impostos para o grande empresariado j\u00e1 soma 187 bilh\u00f5es de reais. Os incentivos para a copa do mundo, 40 bilh\u00f5es. Para n\u00e3o mencionar o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica (uma d\u00edvida impag\u00e1vel), que destina aos banqueiros metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o. A tabela abaixo mostra bem as propor\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas dos gastos do governo federal. A coluna &#8220;%&#8221; foi adicionada por n\u00f3s para que houvesse uma percep\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o dos gastos. Como \u00e9 poss\u00edvel ver, em 2012, os gastos com pessoal somam 9.85% de todo or\u00e7amento da Uni\u00e3o. J\u00e1 pagamentos de juros da d\u00edvida somam 9.29% e amortiza\u00e7\u00e3o 44.81%, o que totalizam 54.09%, mais de metade de todo or\u00e7amento.<\/p>\n<p>Durante toda a greve (e mesmo antes dela) o governo federal tem argumentado que n\u00e3o tem dinheiro, que um aumento aos servidores acarretar\u00e1 num gasto que os cofres p\u00fablicos n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de assumir. Entretanto, atrav\u00e9s destes dados v\u00ea-se que o dinheiro existe sim, mas que \u00e9 prefer\u00edvel favorecer a classe dominante, os donos do poder. Enquanto isso aos trabalhadores destina-se todo tipo de ataque. Aos funcion\u00e1rios p\u00fablicos nem reposi\u00e7\u00e3o salarial e perda de direitos. Aos funcion\u00e1rios de empresas privadas demiss\u00f5es, precariza\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n<p>Resta aos trabalhadores a \u00fanica alternativa vi\u00e1vel: a luta. E a luta, neste momento, se d\u00e1 pela greve, que \u00e9 o \u00fanico instrumento que a classe trabalhadora tem para fazer frente aos interesses de seus patr\u00f5es. A greve dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais est\u00e1 forte em algumas categorias, especialmente na dos t\u00e9cnicos administrativos de universidades federais, mas isso ainda n\u00e3o \u00e9 o bastante. Para dar visibilidade a esta greve \u00e9 necess\u00e1rio fazer um trabalho intenso de conscientiza\u00e7\u00e3o forte junto aos colegas de trabalho. \u00c9 o momento de denunciar que este governo do PT em nada se diferencia de seus antecessores e que s\u00e3o nossos inimigos para que seja constru\u00edda uma alternativa pelos e para quem produz a riqueza do pa\u00eds e do mundo: os trabalhadores.<\/p>\n<h4>A GREVE COMO FORMA DE INTERA\u00c7\u00c3O SOCIAL: A EXPERI\u00caNCIA DA UFABC<\/h4>\n<p>Um dicion\u00e1rio definiria a palavra GREVE assim: &#8220;s. f. coaliz\u00e3o de oper\u00e1rios que exige uma altera\u00e7\u00e3o nos seus sal\u00e1rios ou nas horas de trabalho e que se eximem deste enquanto se lhes n\u00e3o satisfazem suas pretens\u00f5es.&#8221; Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel notar que essa defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser uma minimamente satisfat\u00f3ria. Seria necess\u00e1rio um livro inteiro para rascunhar as contradi\u00e7\u00f5es inerentes a um movimento grevista, as idas e vindas de um movimento e o avan\u00e7o de consci\u00eancia de seus participantes.<\/p>\n<p>Ao capitalismo, s\u00f3 somos interessantes enquanto vendedores de nossa m\u00e3o de obra. S\u00f3 existimos enquanto seres capazes de gerar mais-valia e riqueza a nossos exploradores. Dois amigos n\u00e3o se veem h\u00e1 tempos, talvez h\u00e1 anos. Ao se encontrarem a primeira pergunta que fazem um ao outro \u00e9 se est\u00e3o trabalhando, aonde, o que fazem. Ser trabalhador na sociedade capitalista \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o da qual n\u00e3o podemos fugir, pois em um mundo em que tudo \u00e9 mercadoria e tem seu pre\u00e7o a ser comercializado, somente temos nossa for\u00e7a de trabalho. Nesse contexto a luta pelo socialismo \u00e9 inevit\u00e1vel na medida em que os trabalhadores queiram se emancipar do trabalho alienado que exercem nessa sociedade e construir um mundo cujo trabalho n\u00e3o seja um mart\u00edrio, mas um momento de cria\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prios e de identidade.<\/p>\n<p>As greves, historicamente, t\u00eam um car\u00e1ter para al\u00e9m da pauta de reivindica\u00e7\u00f5es imediata que pedem as categorias que a realizam: a possibilidade de socializa\u00e7\u00e3o, de discuss\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o que, em outros per\u00edodos, n\u00e3o seria poss\u00edvel. Diz-se que \u00e9 um momento de liberdade por ser um dos poucos instantes em que o trabalhador pode exercer sua subjetividade para al\u00e9m de sua identidade enquanto trabalhador, e fazer-se reconhecer como pessoa, artista, poeta e escritor de sua pr\u00f3pria vida e exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O caso da UFABC \u00e9 emblem\u00e1tico. A &#8220;queridinha do Lula&#8221; passa pela primeira greve em sua hist\u00f3ria, em um movimento unificado de t\u00e9cnicos administrativos, estudantes e docentes, em um contexto em que o governo federal direciona cada vez mais recursos \u00e0 iniciativa privada (grandes multinacionais) atrav\u00e9s isen\u00e7\u00e3o de impostos e do pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, mas argumenta n\u00e3o ter dinheiro para a Educa\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Guido Mantega argumentou que 10% do PIB para a Educa\u00e7\u00e3o quebraria o Estado, mas pode direcionar boa parte da riqueza nacional para banqueiros e megaempres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nessa primeira greve \u00e9 poss\u00edvel notar algumas mudan\u00e7as referentes \u00e0s pessoas: alguns conheciam uns aos outros somente pelo seu cargo ou fun\u00e7\u00e3o dentro da universidade. X \u00e9 t\u00e9cnico em inform\u00e1tica, Y \u00e9 auxiliar administrativo, Z \u00e9 pedagogo. Mas, nesse momento em que os trabalhadores podem exercer sua responsabilidade enquanto membros de uma categoria e sua liberdade enquanto indiv\u00edduos, novas facetas tornam-se vis\u00edveis e as pessoas passam a adquirir caracteres mais interessantes: X passa a ser m\u00fasico, Y poeta, Z cin\u00e9filo. Nesta greve, quem n\u00e3o conheceu novas pessoas e as pessoas conhecidas passaram a assumir uma identidade diferente atrav\u00e9s dos dons que traziam, de sua iniciativa e de suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas?<\/p>\n<p>Quem compareceu \u00e0s assembleias e outros eventos pode perceber que as barreiras de cargos e hierarquia funcional da universidade desaparecem. Todos temos voto. Todos temos direito a apresentarmos um posicionamento e submetermos nossas propostas ao voto dos companheiros. Nesse momento, nossa condi\u00e7\u00e3o nos tornam iguais, por estarmos todos no mesmo barco. Os trabalhadores em greve tamb\u00e9m t\u00eam tido a oportunidade de levantar algumas quest\u00f5es a respeito da gest\u00e3o democr\u00e1tica da universidade, elaboram pauta local que inclui pontos como democracia na universidade e mais benef\u00edcios para os t\u00e9cnicos administrativos. S\u00e3o os trabalhadores exigindo mais espa\u00e7o na gest\u00e3o da universidade, seu local de trabalho, que conhecem melhor que muitos professores e alunos.<\/p>\n<p>Muitos colegas ainda n\u00e3o aderiram \u00e0 greve. Alguns por ass\u00e9dio e press\u00e3o e muitos por op\u00e7\u00e3o. Esses \u00faltimos est\u00e3o em seu local de trabalho furando greve ou em casa, provavelmente assistindo a rede Globo. \u00c9 importante dizer que n\u00e3o apenas perdem a oportunidade de lutar por seus direitos (que ser\u00e3o conquistados, nessa ou em outra greve, mas por iniciativa dos lutadores), mas perdem, essencialmente, esse momento de discutirem seu conv\u00edvio com seus colegas, a administra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da universidade e, acima de tudo, sua pr\u00f3pria identidade. Lutar \u00e9 preciso! Estarmos unidos \u00e9 preciso! Conquistar \u00e9 preciso!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo6\"><\/a>CONHECIMENTO: UMA MERCADORIA (?)<\/h2>\n<p class=\"rteright\" style=\"text-align: right;\">Pablo Tamborini<\/p>\n<p>Inserida na estrat\u00e9gia mundial de enfrentamento da crise de acumula\u00e7\u00e3o do capital, a reforma educacional em curso no Brasil vem instaurando um novo modelo de organiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. As Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (IFES) v\u00eam sendo ajustadas ao paradigma gerencialista, \u00e0 l\u00f3gica produtivista de privatiza\u00e7\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os acad\u00eamicos e subordina a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica \u00e0s necessidades do capital e do mercado, impostas pelos agentes financiadores.<\/p>\n<p>O Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pontas de lan\u00e7a da grande burguesia internacional, pressionam o governo brasileiro ao incluir cl\u00e1usulas sociais nos acordos econ\u00f4micos firmados. As pol\u00edticas do Banco Mundial para os pa\u00edses perif\u00e9ricos adotam estrat\u00e9gias de controle em conformidade com as fra\u00e7\u00f5es locais de sua burguesia mais internacionalizada. Esse controle se d\u00e1 tamb\u00e9m a partir das pol\u00edticas educacionais, j\u00e1 que para essas fra\u00e7\u00f5es locais da burguesia \u2013 parceiras das burguesias hegem\u00f4nicas e promotoras do acirramento das desigualdades sociais \u2013 essa domina\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para a extra\u00e7\u00e3o de mais valia em propor\u00e7\u00e3o suficiente para repartir seus dividendos com as fra\u00e7\u00f5es sociais hegem\u00f4nicas. Sob o discurso da l\u00f3gica gerencialista, os organismos internacionais pesquisam novos mercados para a venda de produtos e servi\u00e7os, pressionando os governos latino-americanos para a liberaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o comercial do ensino.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das chamadas \u201cfunda\u00e7\u00f5es de apoio de direito privado\u201d, as IFES v\u00eam realizando uma s\u00e9rie de atividades caracterizadas como presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, para capta\u00e7\u00e3o de recursos externos por meio do estabelecimento de parcerias com empresas p\u00fablicas e privadas. Aumentou consideravelmente o volume de servi\u00e7os remunerados, como assessorias e consultorias a empresas privadas, cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu, cursos de extens\u00e3o, atualiza\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento, cursos livres de l\u00ednguas estrangeiras, projetos na \u00e1rea de Ci\u00eancia &amp; Tecnologia voltados para a iniciativa privada, exames ambulatoriais, desenvolvimento de programas computacionais, etc.<\/p>\n<p>Os interesses do mercado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ocorrem principalmente, porque \u00e9 vantajoso para uma empresa firmar conv\u00eanio com a universidade, por n\u00e3o ter que arcar com despesas de pessoal e poder contar com uma infraestrutura j\u00e1 instalada, o que contribuir\u00e1 para aumentar seu lucro.<\/p>\n<p>Desse modo, a universidade sujeita-se aos interesses das empresas, submetendo os interesses da coletividade a interesses privados. Al\u00e9m do processo de privatiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, a universidade perde sua autonomia cient\u00edfica, subordinando-se \u00e0s determina\u00e7\u00f5es, \u00e0 l\u00f3gica e aos interesses empresariais. Ocorre o comprometimento da liberdade acad\u00eamica, direcionando a formata\u00e7\u00e3o de cursos, curr\u00edculos e pesquisas para atender aos interesses do mercado em detrimento das demandas sociais. Muitas pesquisas de relev\u00e2ncia p\u00fablica que deveriam ser livres de interesses mercadol\u00f3gicos ficam comprometidas pelo car\u00e1ter comercial da rela\u00e7\u00e3o entre a funda\u00e7\u00e3o e os grupos de pesquisa. Esse processo afeta e desvaloriza o trabalho docente, que perde a sua autonomia e passa a ser controlado, adequado e uniformizado segundo crit\u00e9rios de produtividade, a partir da l\u00f3gica racionalizadora do capital.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do nome e credibilidade das IFES, as funda\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m utilizam a estrutura f\u00edsica e os funcion\u00e1rios\/servidores das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u00e0s quais est\u00e3o ligadas. Em alguns casos, desrespeitam a Constitui\u00e7\u00e3o ao ignorarem a exig\u00eancia de concursos p\u00fablicos para a contrata\u00e7\u00e3o dos profissionais que atuam nos laborat\u00f3rios e unidades de pesquisa.<\/p>\n<p>V\u00e1rias funda\u00e7\u00f5es t\u00eam sido investigadas por \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores como os MPF e Estaduais e TCU. Algumas foram objeto de interven\u00e7\u00e3o da Receita Federal por n\u00e3o prestarem contas dos conv\u00eanios, contratos, parcerias e aplica\u00e7\u00e3o dos recursos financeiros que administram. As irregularidades mais comuns s\u00e3o: contratos ou conv\u00eanios com objetos n\u00e3o relacionados a pesquisa, ensino, extens\u00e3o ou desenvolvimento institucional, cobran\u00e7a de taxas de administra\u00e7\u00e3o, inobserv\u00e2ncia de cl\u00e1usulas da Lei de Licita\u00e7\u00f5es, aus\u00eancia de presta\u00e7\u00e3o de contas, aus\u00eancia de or\u00e7amentos detalhados, intermedia\u00e7\u00e3o irregular em atividades que poderiam e deveriam ser executadas pelas pr\u00f3prias universidades e subcontrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atuam hoje na USP diversas funda\u00e7\u00f5es de direito privado, algumas delas com centenas de funcion\u00e1rios e or\u00e7amentos milion\u00e1rios. Embora sejam, por defini\u00e7\u00e3o, sem fins lucrativos, as funda\u00e7\u00f5es s\u00e3o empreendimentos que usam a &#8220;marca&#8221; USP, a estrutura f\u00edsica e os professores formados pela universidade (na maioria contratados em regime de dedica\u00e7\u00e3o integral) para fins privados, atrav\u00e9s de presta\u00e7\u00e3o de consultorias a empresas e oferecimento de cursos pagos.<\/p>\n<p>Em 2002, na UNIFESP, o TCU fez uma auditoria na institui\u00e7\u00e3o que apontou a ilegalidade dos \u201ccentros de estudo\u201d existentes. Em 2004, por iniciativa do Conselho Universit\u00e1rio e de 36 dos \u201ccentros\u201d, foi criada a Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Unifesp (FAp-Unifesp), que gerencia 98 cursos pagos e 40 conv\u00eanios de pesquisa com a iniciativa privada. O n\u00famero de alunos matriculados nos cursos de especializa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 maior do que a soma dos graduandos e p\u00f3s-graduandos.<\/p>\n<p>Na UNESP, 90% das funda\u00e7\u00f5es com irregularidades. Na Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp), atuam 17 funda\u00e7\u00f5es \u201cde apoio\u201d. Dessas, seis foram criadas pelo pr\u00f3prio Conselho Universit\u00e1rio. A maior parte n\u00e3o presta contas \u00e0 universidade desde 1999. Mais de 90% apresentam irregularidades, como a n\u00e3o-presta\u00e7\u00e3o de contas e aus\u00eancia de conv\u00eanios.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Euclides da Cunha (FEC), que atua na Universidade Federal Fluminense (UFF), captou R$ 121 milh\u00f5es entre 2001 e 2004. A Extecamp, que atua na Universidade de Campinas (Unicamp), faturou R$ 13,5 milh\u00f5es em 2005. Entre 1997 e 2003, a Finatec, que atua na Universidade de Bras\u00edlia (UnB), fechou quatro contratos no valor de R$ 40 milh\u00f5es. A Fubra, outra funda\u00e7\u00e3o de \u201capoio\u201d \u00e0 UnB, faturou R$ 40 milh\u00f5es entre 2000 e 2002.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse tom que ocorre o avan\u00e7o do capital em crise nas IFES de todo o pa\u00eds, em detrimento dos interesses das massas trabalhadoras e em conson\u00e2ncia com os interesses de grupos privados. Numa sociedade de classes capitalista, a determina\u00e7\u00e3o social do conhecimento \u00e9 flagrante: o atendimento dos interesses da ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o \u2013 a cujo benef\u00edcio deveriam estar subordinados todos os esfor\u00e7os e possibilidades das ci\u00eancias, das artes e de toda bagagem cultural transmitida e produzida nas universidades \u2013 cede lugar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de um conhecimento que serve aos interesses das classes dominantes. Na contram\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o do conhecimento, as funda\u00e7\u00f5es \u201cde apoio\u201d \u2013 a exemplo do que ocorre na esfera da produ\u00e7\u00e3o material, i.e., nas f\u00e1bricas \u2013 se apropriam de um bem p\u00fablico, socialmente produzido, mercantilizando-o e restringido ainda mais o j\u00e1 reduzido acesso da classe trabalhadora ao conhecimento e \u00e0 sua possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao fazer esta den\u00fancia, nos posicionamos e ansiamos pela mobiliza\u00e7\u00e3o contra esta tend\u00eancia progressiva. Um desafio que se coloca na ordem do dia a toda juventude socialista e revolucion\u00e1ria na luta contra os ataques cada vez mais elitizantes, anti-democr\u00e1ticos, opressivos e saqueadores do capital sobre um patrim\u00f4nio comum dos povos: sua cultura, sua arte e seu conhecimento.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong><a name=\"titulo7\"><\/a>CAPITALISMO, EDUCA\u00c7\u00c3O E TRANSFORMA\u00c7\u00c3O SOCIAL: LIMITES E POSSIBILIDADES<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Bruno Monteforte<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 isolada da sociedade. A separa\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecida na sociedade de classes, que subordina classes produtoras\/n\u00e3o-propriet\u00e1rias \u00e0s classes dominantes\/propriet\u00e1rias e divide: para a classe dominante, preparo intelectual da gest\u00e3o social na esfera escolar; para a classe dominada, trabalho pr\u00e1tico e subordina\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o formal generalizada vem do capitalismo com produ\u00e7\u00e3o industrial e trabalho assalariado, sob o capital, em busca de lucro. A ind\u00fastria\/tecnologia aplica ci\u00eancia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e exige forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima a todos os trabalhadores para o trabalho industrial. Assim mant\u00e9m-se a divis\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o em: b\u00e1sica; t\u00e9cnica; elitizada para a domina\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o formal serve duplamente ao capital, pois fornece for\u00e7a de trabalho \u00e0s empresas e ideologia segundo os valores adequados ao sistema. No s\u00e9culo XX, fase imperialista, isso se torna mais evidente. Na produ\u00e7\u00e3o, vigora o taylorismo\/fordismo: produ\u00e7\u00e3o\/consumo de massa, trabalho manual, repetitivo, parcelar, hierarquizado. Na Educa\u00e7\u00e3o h\u00e1 tend\u00eancias pedag\u00f3gicas an\u00e1logas: tradicional (autoritarismo, disciplina, mecaniza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, subordina\u00e7\u00e3o) e tecnicista, Educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI, ap\u00f3s expans\u00e3o mundial, o capital chega \u00e0 crise estrutural e intensifica a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, sociedade e ambiente. Decorre a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, que substitui o taylorismo\/fordismo pela acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel\/toyotismo, combina inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas a novas formas de gest\u00e3o: produ\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 demanda, trabalho multifuncional, qualificado, intelectualizado, em equipe, flexibilizado, terceirizado, precarizado, informal, tempor\u00e1rio, intensificado gerando mis\u00e9ria e desemprego estrutural. Estados e suas pol\u00edticas neoliberais deslocam recursos para o capital. Na Educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 an\u00e1loga reestrutura\u00e7\u00e3o educativa, orienta\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os mundiais (FMI, Banco Mundial, UNESCO) aplicadas por governos\/pa\u00edses, subordinando a Educa\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cnovas\u201d necessidades do capital. Concep\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas (aprender a aprender, compet\u00eancias) prop\u00f5em formar indiv\u00edduos adequados \u00e0 instabilidade, imprevisibilidade, precariedade: desde exercer v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es na empresa at\u00e9 viver em desemprego e mis\u00e9ria. Estimula-se a interfer\u00eancia privada na Educa\u00e7\u00e3o e a transforma de direito social em mercadoria. Ideologicamente estas tend\u00eancias expressam adapta\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o, individualismo, competitividade.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses perif\u00e9ricos o quadro \u00e9 ainda mais grave. Subordinados\/explorados por pa\u00edses centrais n\u00e3o tiveram capitalismo pleno e geram sociedades desiguais, cujos setores atrasados\/prec\u00e1rios s\u00e3o condi\u00e7\u00e3o aos avan\u00e7ados\/modernos. Mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, direitos e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o se universalizaram. Reestrutura\u00e7\u00e3o e neoliberalismo encontram condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, retiram direitos e conquistas, ampliam o lucro das empresas e mant\u00eam a precariedade. N\u00e3o h\u00e1 Educa\u00e7\u00e3o de qualidade a todos. Para a classe dominante conv\u00e9m cont\u00ea-la.<\/p>\n<p>Sua universaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 quantitativa. A maior parte das escolas p\u00fablicas \u201cperif\u00e9ricas\u201d exerce a conten\u00e7\u00e3o de problemas sociais (mis\u00e9ria, viol\u00eancia, drogas) gerados pela crise e forma m\u00e3o de obra prec\u00e1ria. Algumas escolas e redes de ensino voltam-se \u00e0 forma\u00e7\u00e3o mais qualificada e de qualidade tornam-se monop\u00f3lio privado, acess\u00edveis \u00e0s elites e mant\u00eam reserva de postos de trabalho qualificados. Agrava-se assim a dualidade entre setores dominantes e classes trabalhadoras numa hierarquiza\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, respaldadas pelo neoliberalismo, que individualiza problemas e solu\u00e7\u00f5es educacionais\/sociais, culpa professores, escolas, alunos, dirige recursos a alguns (m\u00e9rito, b\u00f4nus, projetos) sem investir em condi\u00e7\u00f5es estruturais, ignora o car\u00e1ter social destes problemas ligados \u00e0 crise. Intensifica o trabalho e a cobran\u00e7a sob os profissionais &#8211; investimento m\u00ednimo e cobran\u00e7a m\u00e1xima &#8211; desloca recursos, declara melhoras, mas mant\u00e9m a precariedade\/desigualdade.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o que serve ao capital contrap\u00f5e-se ao bem-estar e a liberdade social\/humana. Ao servir o sistema e n\u00e3o ser o \u00fanico meio \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o, a Educa\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o pode apresentar, por si, perspectiva cr\u00edtica\/humanista\/emancipat\u00f3ria, sendo incapaz de reformas de interesse social, sobretudo no capital em crise. Tais perspectivas partem de indiv\u00edduos que, cientes da destrutividade do sistema, por v\u00e1rias influ\u00eancias, se rebelam, mas s\u00f3 podem as concretizar combinando Educa\u00e7\u00e3o com amplos processos de transforma\u00e7\u00e3o social. A Educa\u00e7\u00e3o deve ser tratada em sentido amplo, envolver todas as experi\u00eancias dos indiv\u00edduos, buscar contra-internaliza\u00e7\u00e3o em favor de uma sociedade livre\/autodeterminada, a servi\u00e7o de interesses sociais\/humanos. Seu papel \u00e9 crucial para buscar estrat\u00e9gias adequadas de transforma\u00e7\u00e3o social e tornar os indiv\u00edduos sujeitos autodeterminados, esse processo possibilitar\u00e1 reestabelecer a unidade Educa\u00e7\u00e3o e sociedade. O capital em crise necessita de sua supera\u00e7\u00e3o em favor do bem-estar e sobreviv\u00eancia humana. Essa concretiza\u00e7\u00e3o cabe a todos n\u00f3s!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>\u00a0<a name=\"titulo8\"><\/a>DESEMPREGO: CAPITALISMO JOGA MILH\u00d5ES DE TRABALHADORES PARA A POBREZA<\/strong><\/h2>\n<p class=\"rteright\" style=\"text-align: right;\">Dalmo Duarte<\/p>\n<p>\u00a0Os dados sobre o desemprego na Europa apontam, inquestionavelmente, para uma situa\u00e7\u00e3o de extrema precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores do velho continente, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo acostumado aos padr\u00f5es do Estado do bem-estar social. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9, evidentemente, decorrente da profunda crise econ\u00f4mica que assola a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma crise econ\u00f4mica dessas propor\u00e7\u00f5es produz uma s\u00e9rie de efeitos, como o aumento da pobreza, a redu\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos com programas sociais, impossibilidade de os trabalhadores terem acesso \u00e0 moradia e lazer, desemprego em massa, etc. Ainda que todos esses dados estejam interligados, vamos tratar somente do desemprego que assola a Europa.<\/p>\n<p>Pelos dados da Eurostat (ag\u00eancia de estat\u00edsticas da Uni\u00e3o Europeia), os desempregados nos pa\u00edses que comp\u00f5em a Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 s\u00e3o mais de 25 milh\u00f5es de pessoas. Nos pa\u00edses da Europa s\u00e3o mais de 17,5 milh\u00f5es de trabalhadores desempregados.<\/p>\n<p>Assim, na Zona do Euro (composta por 17 pa\u00edses com moeda \u00fanica \u2013 o Euro) a taxa \u00e9 de 11,1%, maior \u00edndice desde a forma\u00e7\u00e3o do bloco. Espanha (24,6%), Gr\u00e9cia (22,5%) tem a pior situa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na Uni\u00e3o Europeia (formada por 27 pa\u00edses e que incluem os que n\u00e3o t\u00eam a moeda \u00fanica) a taxa \u00e9 de 10,3%.<\/p>\n<p>Mesmo com esses \u00edndices alarmantes, h\u00e1 a possibilidade de que a situa\u00e7\u00e3o seja ainda pior. Por exemplo, na Alemanha apresentada como modelo de estabilidade econ\u00f4mica, a ag\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia aponta o desemprego em 5,7%, enquanto a ag\u00eancia nacional diz que \u00e9 7,2%. Nesses dados n\u00e3o est\u00e1 contida a precariza\u00e7\u00e3o que \u00e9 cada vez maior. Ainda no caso da Alemanha existem 7,5 milh\u00f5es de pessoas que recebem renda fixa de 400 euros por m\u00eas, resultado do processo de precariza\u00e7\u00e3o com as reformas laborais que a burguesia alem\u00e3 implementou na d\u00e9cada de 90 e nos anos 2000.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de todos esses n\u00fameros h\u00e1 uma profunda crise social, que produz a mendic\u00e2ncia, fome, falta de moradias e tantas outras mazelas. Na Espanha, por exemplo, h\u00e1 1,73 milh\u00e3o de fam\u00edlias com todos os membros desempregados, o que significa que toda a fam\u00edlia n\u00e3o tem renda nenhuma e, consequentemente, nem acesso a moradia, alimenta\u00e7\u00e3o e outras necessidades. A concentra\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 cada vez maior, pois os 10% com maior renda ganham 9 vezes mais do que os 10% mais pobres.<\/p>\n<p>Ainda como express\u00e3o da crise social, a mesma Eurostat indica que 22% da popula\u00e7\u00e3o europeia correm risco de elevada pobreza (quando t\u00eam renda mensal 60% menor que a m\u00e9dia nacional) ou exclus\u00e3o social e 8% da popula\u00e7\u00e3o vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Situa\u00e7\u00e3o impens\u00e1vel h\u00e1 algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n<h4>O DESEMPREGO \u00c9 ESTRUTURAL<\/h4>\n<p>Nos \u00faltimos 10 anos, mesmo sem crise econ\u00f4mica, a taxa de desemprego nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia sempre ficou acima dos 8%, o que revela um desemprego estrutural. Isso tamb\u00e9m quer dizer que o padr\u00e3o m\u00ednimo do ex\u00e9rcito de reserva j\u00e1 se elevou, ou seja, de que dentro dos marcos de regula\u00e7\u00e3o do capital n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de solu\u00e7\u00e3o para o desemprego.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma perspectiva de que as coisas melhorem. A crise econ\u00f4mica deve continuar e os instrumentos que o capital disp\u00f5e para solucion\u00e1-la, como o desenvolvimento de novas tecnologias para aumentar a produtividade e diminuir os custos de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam a capacidade de acabar com o desemprego, pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 na base do desemprego estrutural. A consequ\u00eancia \u00e9 que, no capitalismo, o crescimento da produtividade vai constantemente eliminando trabalho vivo, dada a impossibilidade de gera\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho.<\/p>\n<p>Nenhuma das pol\u00edticas implementadas pelos governos europeus tem como acabar com o desemprego, pois todas visam somente estabelecer as melhores condi\u00e7\u00f5es para a reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Os planos de austeridade(que s\u00e3o para a classe trabalhadora), pelo contr\u00e1rio, somente cont\u00eam a retirada de mais direitos trabalhistas, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio e opera\u00e7\u00f5es financeiras para salvar os banqueiros.<\/p>\n<p>Outro elemento importante para pensar o desemprego estrutural \u00e9 que a partir do papel do Estado em socorrer o capital (empr\u00e9stimos, incentivo, etc.) e o freio na a\u00e7\u00e3o do Estado em expandir os servi\u00e7os sociais t\u00eam feito com que a oferta de empregos p\u00fablicos (em Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura, empresas estatais, etc.) seja cada vez menor. Empregos estes que n\u00e3o s\u00e3o absorvidos pelas empresas privadas. Como n\u00e3o se trata de uma pol\u00edtica conjuntural, o problema vai permanecer.<\/p>\n<p>Combina-se a toda essa situa\u00e7\u00e3o o fato de que o capital, em sua crise estrutural, n\u00e3o tem muitas sa\u00eddas para solucionar esse problema, uma vez que j\u00e1 houve \u201co colapso de uma s\u00e9rie de v\u00e1lvulas de seguran\u00e7a que cumpriam um papel vital na perpetua\u00e7\u00e3o da sociedade de mercado\u201d (M\u00e9sz\u00e1ros. Crise estrutural do Capital, 2009, p.48). Essas v\u00e1lvulas foram a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, a redu\u00e7\u00e3o do tempo de dura\u00e7\u00e3o dos produtos, a interven\u00e7\u00e3o do Estado, etc.Todas j\u00e1 implementadas e com efeitos esgotados ou pr\u00f3ximo de esgotarem-se.<\/p>\n<h4>A JUVENTUDE SEM FUTURO<\/h4>\n<p>A juventude \u00e9 o setor social mais atingido pelo desemprego na Europa, em especial aquela que mora nas periferias das grandes cidades. S\u00e3o mais de 5,5 milh\u00f5es de jovens com menos de 25 anos que est\u00e3odesempregados na Uni\u00e3o Europeia (destes 3,35 milh\u00f5es na Zona do Euro).<\/p>\n<p>Na Zona do Euro o desemprego entre os jovens \u00e9 de 22,2% e 22,4% quando se trata dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. Alguns dados: Espanha e Gr\u00e9cia com mais de 50% de seus jovens desempregados, Eslov\u00e1quia com 35,6%, Portugal 36,6%, 35% na It\u00e1lia, 19% no Reino Unido, 17% na Irlanda. Em todos os pa\u00edses da Europa o desemprego de jovens \u00e9 muito maior do que a m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Esses dados s\u00e3o t\u00e3o alarmantes que at\u00e9 mesmo os analistas burgueses referem-se \u00e0 \u201cgera\u00e7\u00e3o perdida\u201d, dada \u00e0s dificuldades de que o desemprego juvenil seja revertido nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>As revoltas incendi\u00e1rias de Paris e de Londres s\u00e3o a express\u00e3o da contesta\u00e7\u00e3o da juventude contra a falta de perspectivas que os jovens enfrentam, pois para muitos sequer o curso superior garante um emprego decente.<\/p>\n<h4>PARA OS BANQUEIROS BILH\u00d5ES, PARA OS TRABALHADORES&#8230;<\/h4>\n<p>O discurso do governo, da m\u00eddia e dos empres\u00e1rios que tratam da &#8220;austeridade&#8221; n\u00e3o passa de um tremendo cinismo. Quando falam em austeridade, querem dizer que o governo deve ser severo em seus gastos, mas isso se refere especificamente aos gastos sociais. O governo deve, de acordo com esse discurso, cortar os gastos com o funcionalismo (o que significa demiss\u00e3o, arrocho salarial, precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos), com as aposentadorias (elevando a idade m\u00ednima para a aposentadoria), pens\u00f5es, com o seguro-desemprego, com a assist\u00eancia social, etc.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o vemos nenhuma austeridade quando se trata de ajudar o grande capital. Pelo contr\u00e1rio, desde o in\u00edcio da crise econ\u00f4mica em 2008, os governos do mundo inteiro injetaram trilh\u00f5es de d\u00f3lares nos bancos, financeiras e grandes empresas. Quantias fabulosas, que seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo ou da polui\u00e7\u00e3o, surgem instantaneamente para ajudar os capitalistas.<\/p>\n<p>Isso sem falar nas fortunas dos grandes milion\u00e1rios, escondidas em para\u00edsos fiscais, que j\u00e1 somam a quantia de US$ 21 trilh\u00f5es, equivalente ao PIB de EUA e Jap\u00e3o, de acordo com relat\u00f3rio do grupo brit\u00e2nico Tax Justice Network (Opera Mundi, 27\/07).<\/p>\n<p>No momento, h\u00e1 uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o das autoridades da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia para destinar bilh\u00f5es de euros para os bancos espanh\u00f3is, por meio do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES). Em maio, o governo espanhol j\u00e1 havia resgatado o conglomerado Bankia com 19 bilh\u00f5es de euros, mas isso n\u00e3o foi suficiente para reativar a confian\u00e7a dos &#8220;mercados&#8221; nos bancos do pa\u00eds. Os debates prosseguiram at\u00e9 que a comiss\u00e3o europeia aprovou um pacote de 100 bilh\u00f5es de euros para os bancos do pa\u00eds (Correio Brasiliense, 25\/07). Em troca de ajuda para os bancos espanh\u00f3is, o governo deve assinar acordo em que se compromete com mais cortes nos gastos sociais. Maior cinismo imposs\u00edvel!<\/p>\n<p>Um dos setores afetados pelos cortes do governo espanhol foi a minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o no norte do pa\u00eds. O corte dos subs\u00eddios levaria \u00e0 perda de dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos, lan\u00e7ando cidades inteiras na mis\u00e9ria. Foi por isso que os trabalhadores do setor reagiram com uma greve e est\u00e3o na vanguarda das mobiliza\u00e7\u00f5es que t\u00eam sacudido o pa\u00eds na luta contra as medidas de &#8220;austeridade&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda para os trabalhadores a n\u00e3o ser a luta coletiva!<\/p>\n<h4>AS PROPOSTAS DOS SOCIALISTAS<\/h4>\n<p>As consequ\u00eancias do desemprego estrutural s\u00e3o muitas, entre elas, a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00e9dio em fun\u00e7\u00e3o do aumento da for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel, a retirada de direitos trabalhistas (muitos deles com a falsa promessa de gerar novos empregos) e o aumento da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dissemos acima sob o sistema do capital n\u00e3o tem como solucionar essa quest\u00e3o, pois a combina\u00e7\u00e3o de elementos pr\u00f3prios do funcionamento do capital \u2013 como a concorr\u00eancia entre capitalistas e a busca pela redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio \u2013 com as consequ\u00eancias \u2013 como a redu\u00e7\u00e3o do poder de compra \u2013 coloca como tend\u00eancia hist\u00f3rica o aprofundamento do desemprego estrutural.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o do desemprego pode levar a explos\u00f5es sociais, como foi na Gr\u00e9cia e est\u00e1 sendo na Espanha. Diante do agravamento da crise econ\u00f4mica e das amea\u00e7as contra a classe trabalhadora, faz-se necess\u00e1rio um programa oper\u00e1rio e socialista para enfrentar o desemprego. Entendemos que todo o trabalho dispon\u00edvel deva ser repartido entre todos os oper\u00e1rios existentes (Trotsky), por meio da redu\u00e7\u00e3o da jornada sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Sabemos que os capitalistas n\u00e3o v\u00e3o acatar essa medida e que o capitalismo n\u00e3o vai resolver o problema do desemprego. Por isso cabe aos revolucion\u00e1rios explicar aos trabalhadores as diferen\u00e7as entre as medidas adotadas pelos capitalistas e as propostas pelos socialistas, a fim de estabelecermos uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as favor\u00e1vel, que permita aos trabalhadores impor medidas que favore\u00e7am quem realmente produz a riqueza.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3>&nbsp;<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Miniatura Jornal 52_2.jpg\" width=\"200\" height=\"264\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<p><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); font-size: 14.44444465637207px; line-height: 23.33333396911621px; text-align: start; \">Assuntos principais:<\/span><\/p>\n<ul style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); \">\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo1\" style=\"font-size: 14.44444465637207px; \">Organizar uma campanha nacional contra as demiss&otilde;es<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo2\" style=\"font-size: 14px; \">A repress&atilde;o policial e a democracia brasileira andam juntas<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo3\" style=\"font-size: 14.44444465637207px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(237, 26, 9); text-decoration: underline; \">Elei&ccedil;&otilde;es: voto de classe para expressar a luta dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo4\" style=\"font-size: 14px; \">&Eacute; preciso um projeto socialista para o Brasil<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo5\" style=\"font-size: 14px; \">A greve dos funcion&aacute;rios das Universidades Federais<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo6\" style=\"font-size: 14px; \">Conhecimento: uma mercadoria?<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo7\" style=\"font-size: 14px; \">Capitalismo, educa&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o social: limites e possibilidades<\/a><\/li>\n<li style=\"font-size: 14.44444465637207px; \"><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/353#titulo8\" style=\"font-size: 14px; \">Desemprego: Capitalismo joga milh&otilde;es de trabalhadores para a pobreza<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo1\"><\/a>Organizar uma campanha nacional contra as demiss&otilde;es<\/h3>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<p>O Brasil passa nesse momento por um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o e desnacionaliza&ccedil;&atilde;o. Segundo a nota t&eacute;cnica do DIEESE de junho de 2011, a participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o no PIB, que j&aacute; chegou a ser de 27%, caiu para 15% em 2009, devido ao crescimento do peso do setor de servi&ccedil;os e principalmente do agroneg&oacute;cio. A produ&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria brasileira caiu para o n&iacute;vel de cinco anos atr&aacute;s (Zero Hora, 15\/07). Houve uma queda na produ&ccedil;&atilde;o, mas a queda nos sal&aacute;rios (ou seja, demiss&otilde;es) foi ainda maior, de modo que houve um &ldquo;ajuste da produtividade&rdquo; (Valor, 11\/05). Al&eacute;m disso, h&aacute; um aumento da participa&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro no controle da ind&uacute;stria. Na cadeia produtiva do setor automobil&iacute;stico, por exemplo, as empresas estrangeiras j&aacute; respondem por 76% do investimento e 87% do faturamento (Gazeta mercantil, 19\/06). O capital mundializado desloca a produ&ccedil;&atilde;o para os pa&iacute;ses onde for mais favor&aacute;vel, movendo as f&aacute;bricas de um continente para o outro. &Eacute; esse o pano de fundo para as demiss&otilde;es na ind&uacute;stria brasileira.<\/p>\n<p>Todos os dados apontam que as demiss&otilde;es est&atilde;o se generalizando. Em S&atilde;o Paulo s&oacute; no m&ecirc;s de junho foram 7000 demiss&otilde;es na ind&uacute;stria. Nas crises econ&ocirc;micas, a luta contra o desemprego torna-se uma das mais importantes, pois, como sabemos ao menor sinal de instabilidade econ&ocirc;mica, a burguesia vem querendo retirar direitos, reduzir sal&aacute;rios e principalmente demitir.<\/p>\n<p>Pelo desenvolvimento da crise econ&ocirc;mica, &eacute; poss&iacute;vel que aumentem as demiss&otilde;es. As medidas de redu&ccedil;&atilde;o de IPI, linha de cr&eacute;dito com juros abaixo do mercado, desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento, etc. n&atilde;o v&atilde;o conseguir segurar por muito tempo. Por outro lado, mesmo com essas medidas do governo a seu favor, a patronal est&aacute; demitindo, vide o que acontece nas montadoras.<\/p>\n<p>Foi anunciado o fechamento do setor de montagem de ve&iacute;culos na General Motors de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, no interior de S&atilde;o Paulo, resultando na demiss&atilde;o de 1500 trabalhadores. O caso da GM &eacute; emblem&aacute;tico, pois os trabalhadores dessa f&aacute;brica est&atilde;o na base de um sindicato filiado &agrave; Conlutas, que por se apresentar como alternativa combativa ao movimento sindical governista controlado pela CUT e seus sat&eacute;lites, deveria apresentar uma resist&ecirc;ncia exemplar. As demiss&otilde;es em S&atilde;o Jos&eacute; foram objeto de discuss&atilde;o na reuni&atilde;o da coordena&ccedil;&atilde;o da Conlutas em julho no Rio. Ainda que tardia (porque nos &uacute;ltimos 15 meses s&oacute; em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos j&aacute; haviam sido demitidos 1400 trabalhadores &ndash; dado que consta na pr&oacute;pria resolu&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da Conlutas), consideramos importante a resolu&ccedil;&atilde;o de iniciar uma campanha contra as demiss&otilde;es na GM de S&atilde;o Jos&eacute;, mas tamb&eacute;m a achamos insuficiente, porque as demiss&otilde;es ocorrem em todos os setores da ind&uacute;stria e regi&otilde;es industriais, e n&atilde;o s&oacute; na GM. <\/p>\n<p>Foi por isso que propusemos (Espa&ccedil;o Socialista e Movimento Revolucion&aacute;rio) na reuni&atilde;o da coordena&ccedil;&atilde;o uma outra resolu&ccedil;&atilde;o, complementar &agrave;quela apresentada pela dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria, para que, a partir da GM, se iniciasse uma campanha de massas contra as demiss&otilde;es em todo o pa&iacute;s. Infelizmente, a dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da Conlutas, em que prevalece a posi&ccedil;&atilde;o do PSTU, votou contra a resolu&ccedil;&atilde;o que propusemos e deixou a vanguarda desarmada para enfrentar essa onda de ataques da patronal.<\/p>\n<p>Mas h&aacute; uma explica&ccedil;&atilde;o para terem sido contra a resolu&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma diverg&ecirc;ncia sobre quais bandeiras pol&iacute;ticas devem ser levantadas nesse momento. A resolu&ccedil;&atilde;o que defendemos exigia a redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 36 horas (como forma de aumentar as vagas), estabilidade no emprego para todos, n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o dos ilus&oacute;rios PDV&rsquo;s (Plano de demiss&atilde;o volunt&aacute;ria). A resolu&ccedil;&atilde;o &ndash; aprovada &ndash; da dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria n&atilde;o enfrenta o problema e sequer trata das bandeiras pol&iacute;ticas, se limitando a medidas administrativas.<\/p>\n<p>\n<strong>A DIVERG&Ecirc;NCIA POL&Iacute;TICA N&Atilde;O &Eacute; DE FORMA, MAS DE CONTE&Uacute;DO.<\/strong><br \/>\nAs altera&ccedil;&otilde;es que a GM de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos est&aacute; realizando na planta industrial n&atilde;o s&atilde;o apenas econ&ocirc;micas, mas, sobretudo pol&iacute;ticas, pois dizem respeito ao seu plano para enfrentar a concorr&ecirc;ncia no mercado. A possibilidade de que alcancemos alguma vit&oacute;ria na luta contra as demiss&otilde;es est&aacute; no car&aacute;ter pol&iacute;tico dessa luta. Entrar no debate com a montadora propondo solu&ccedil;&otilde;es nos marcos da organiza&ccedil;&atilde;o de sua produ&ccedil;&atilde;o impossibilita construir uma resist&ecirc;ncia pol&iacute;tica.           <\/p>\n<p>&Eacute; preciso enfrentar as demiss&otilde;es com uma pol&iacute;tica classista e um programa que se oponha ao modelo capitalista de produ&ccedil;&atilde;o e que reflita as tarefas que est&atilde;o colocadas para a classe trabalhadora no sentido de enfrentar a crise econ&ocirc;mica.   <\/p>\n<p>Na reuni&atilde;o de negocia&ccedil;&atilde;o entre o Minist&eacute;rio do Trabalho, o sindicato e a GM, a dire&ccedil;&atilde;o da entidade sindical apresentou como proposta &ldquo;para garantir a manuten&ccedil;&atilde;o dos postos de trabalho na f&aacute;brica de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos: produ&ccedil;&atilde;o integral do Classic na planta local; nacionaliza&ccedil;&atilde;o do Sonic, que &eacute; importado da Cor&eacute;ia do Sul e volta da produ&ccedil;&atilde;o de caminh&otilde;es&rdquo;. (http:\/\/www.sindmetalsjc.org.br\/imprensa\/ultimas-noticias\/885\/gm+se+compromete+a+nao+tomar+decisoes+sobre+o+mva+ate+dia+4.htm), ou seja, uma proposta que nada mais &eacute; do que uma &ldquo;sugest&atilde;o&rdquo; de como administrar o capital.<br \/>\nEssa proposta tamb&eacute;m &eacute; complicada porque n&atilde;o responde ao problema a partir de uma vis&atilde;o da classe trabalhadora de conjunto. Se a GM optasse pela produ&ccedil;&atilde;o do modelo Sonic aqui, o problema iria para os trabalhadores da Cor&eacute;ia do Sul. Ou ainda, se o Classic passasse a ser produzido em SJC, seriam os trabalhadores de S&atilde;o Caetano e de Ros&aacute;rio na Argentina (onde tamb&eacute;m s&atilde;o produzidos esses carros) que teriam os seus empregos amea&ccedil;ados.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso uma pol&iacute;tica que responda ao problema para o conjunto da classe trabalhadora de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, mas tamb&eacute;m dos trabalhadores da Coreia do Sul, de s&atilde;o Caetano e de Rosario. H&aacute; outro problema ainda mais complicado que &eacute; o fato de que se est&aacute; jogando trabalhador contra trabalhador. Tamb&eacute;m fica evidente o imediatismo e o economicismo do PSTU, limitando a pol&iacute;tica aos aspectos econ&ocirc;micos e imediatos da luta.<\/p>\n<p>\n<strong>POR UMA CAMPANHA NACIONAL CONTRA AS DEMISS&Otilde;ES<\/strong><br \/>\nA GM &eacute; uma empresa que explora, direta ou indiretamente, trabalhadores do mundo inteiro. J&aacute; enviou bilh&otilde;es de d&oacute;lares como remessa de lucro &agrave; sua matriz e mesmo com os benef&iacute;cios de redu&ccedil;&atilde;o do IPI j&aacute; demitiu 1400 trabalhadores e ainda amea&ccedil;a demitir mais. N&atilde;o se pode aceitar essa situa&ccedil;&atilde;o. A resposta dos trabalhadores deve ser uma s&oacute;: exigir que a GM reduza a jornada de trabalho, garantindo o emprego de todos os trabalhadores e em caso de recusa, fazendo com que a f&aacute;brica seja estatizada.<\/p>\n<p>Para os marxistas, analisar a realidade tem como objetivo se preparar melhor para intervir nela. E no caso da realidade brasileira, a quest&atilde;o do desemprego deve ser um dos principais temas da luta de classe. A CSP Conlutas precisa se antecipar e tirar uma pol&iacute;tica geral contra o desemprego e as demiss&otilde;es.<\/p>\n<p>Infelizmente, a pol&iacute;tica do PSTU est&aacute; indo em sentido contr&aacute;rio. No jornal n&ordm; 998 (de 24 a 30 de julho) do sindicato, p&aacute;gina 2, h&aacute; uma mat&eacute;ria com o seguinte t&iacute;tulo: &ldquo;Se GM insistir em demiss&otilde;es, vamos aumentar a resist&ecirc;ncia&rdquo;. Ora, a GM j&aacute; demitiu 1400, j&aacute; abriu PDV (sem que houvesse uma forte resist&ecirc;ncia por parte da dire&ccedil;&atilde;o sindical), fechou turno e tornou p&uacute;blico que v&atilde;o acontecer mais demiss&otilde;es. O que mais falta para que a dire&ccedil;&atilde;o entenda que a resist&ecirc;ncia tem que ser a maior de todos os tempos?<\/p>\n<p>A campanha nacional tamb&eacute;m &eacute; importante porque o que est&aacute; em jogo &eacute; enfrentar uma pol&iacute;tica geral do capital e n&atilde;o s&oacute; da GM de S&atilde;o Jos&eacute; dos campos. Trata-se de um ajuste do capital para fazer frente &agrave; concorr&ecirc;ncia, no cen&aacute;rio da crise econ&ocirc;mica mundial. Aproveitando-se das not&iacute;cias de crise, a burguesia aproveita a situa&ccedil;&atilde;o para tentar impor novas formas de garantir o seu lucro. Uma delas &eacute; fazer com que menos trabalhadores produzam a mesma coisa, ou seja, aumenta do ritmo de trabalho. Os que ficam trabalham mais para compensar o trabalho dos que foram demitidos.            <\/p>\n<p>&Eacute; uma forma de o capital responder &agrave; sua pr&oacute;pria crise: aumentando a explora&ccedil;&atilde;o sobre a classe trabalhadora. Por mais que se invista em tecnologia, o emprego n&atilde;o acompanha o volume de produ&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o ou do aumento da mais valia relativa (investimento em novas tecnologias) ou da mais valia absoluta (aumento da intensidade do trabalho). No Brasil, a burguesia tem, a cada tempo, utilizado esses dois mecanismos.<\/p>\n<p><strong>NENHUMA CONFIAN&Ccedil;A EM DILMA! <\/strong>           <br \/>\nOutra pol&iacute;tica que o PSTU tem defendido &eacute; a exig&ecirc;ncia para que Dilma evite as demiss&otilde;es. Essa exig&ecirc;ncia &eacute; feita com o mote &ldquo;Dilma, com IPI reduzido e desonera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o d&aacute; para aceitar demiss&atilde;o&rdquo;. Tanto a redu&ccedil;&atilde;o do IPI como a desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento s&atilde;o pol&iacute;ticas do governo para ajudar a patronal e tamb&eacute;m de ataque a previd&ecirc;ncia social (onde a desonera&ccedil;&atilde;o repercute). Al&eacute;m disso, mesmo que n&atilde;o houvesse redu&ccedil;&atilde;o do IPI e desonera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se pode aceitar as demiss&otilde;es!            <\/p>\n<p>Essa pol&iacute;tica tem v&aacute;rios problemas; a) joga ilus&atilde;o de que o governo Dilma pode fazer algo em defesa do emprego dos trabalhadores. &Eacute; um governo do e para o capital; b) atua em um n&iacute;vel muito rebaixado da consci&ecirc;ncia, pois n&atilde;o diz para os trabalhadores que s&atilde;o eles os &uacute;nicos que, com muita luta, podem evitar as demiss&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Na luta contra as demiss&otilde;es defendemos:            <br \/>\n&#8211; Solidariedade total aos trabalhadores da GM;            <br \/>\n&#8211; Redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 36 h sem redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rio;            <br \/>\n&#8211; Estatiza&ccedil;&atilde;o sob controle dos trabalhadores das empresas que demitirem ou amea&ccedil;arem fechar;           <br \/>\n&#8211; Nenhum dinheiro do Estado para ajudar a patronal;<\/strong><\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3><strong><a name=\"titulo2\"><\/a>A REPRESS&Atilde;O POLICIAL E A DEMOCRACIA BRASILEIRA ANDAM JUNTAS!<br \/>\nPOR UMA CAMPANHA ANTICAPITALISTA CONTRA A REPRESS&Atilde;O!<\/strong><\/h3>\n<p>\n&ldquo;Eles querem &lsquo;limpar&rsquo;, sumir com o problema, e n&atilde;o resolver&rdquo; (Mano Brown)<br \/>\nO Brasil passa, j&aacute; h&aacute; algum tempo, por um aumento crescente da viol&ecirc;ncia em todos os n&iacute;veis, seja por parte da pol&iacute;cia, pelo crime organizado ou mesmo por parte da imprensa.<\/p>\n<p>A explica&ccedil;&atilde;o de um processo como esse passa pela elucida&ccedil;&atilde;o de variados fatores pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e culturais. Primeiramente, tem-se de ter em vista que a onda de viol&ecirc;ncia pela qual passa a sociedade brasileira tem ra&iacute;zes j&aacute; bastante long&iacute;nquas.<\/p>\n<p>Entretanto, &eacute; suficiente para o objetivo deste Chamado destacar o contexto hist&oacute;rico pelo qual passa o Brasil nesse per&iacute;odo de &ldquo;redemocratiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O problema da repress&atilde;o no Brasil tem como causa mais profunda o enfrentamento, pelo Estado capitalista, de efeitos derivados do funcionamento do pr&oacute;prio capitalismo. A t&iacute;tulo de exemplo, chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para alguns problemas: espa&ccedil;o urbano ca&oacute;tico, falta de moradia, falta de reforma agr&aacute;ria, insufici&ecirc;ncia da locomo&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o, desemprego, aumento da explora&ccedil;&atilde;o e precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, corrup&ccedil;&atilde;o que favorece e cria o crime organizado etc. Esses problemas s&atilde;o estruturais e representam uma contradi&ccedil;&atilde;o criada pelo pr&oacute;prio capitalismo: o capitalismo cria a promessa de todos terem acesso a condi&ccedil;&otilde;es dignas de vida por meio do dinheiro; simultaneamente, o mesmo capitalismo impossibilita tal realiza&ccedil;&atilde;o, vez que &eacute; pr&oacute;prio tamb&eacute;m desse sistema social realizar uma permanente exclus&atilde;o daqueles que s&atilde;o &quot;derrotados&quot; no mercado. <\/p>\n<p>Com a espetaculariza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e o aumento da repress&atilde;o jur&iacute;dico-policial, as arbitrariedades e desmandos das institui&ccedil;&otilde;es brasileiras em geral (inclusive as policiais) se intensificaram, obedecendo, obviamente, a uma l&oacute;gica classista (em especial, a de vi&eacute;s racista). Esta ofensiva repressiva atinge os trabalhadores em todos seus aspectos de vida, n&atilde;o somente nos locais de trabalho, mas tamb&eacute;m no dia-a-dia, principalmente, dos bairros perif&eacute;ricos.<\/p>\n<p>No interior desse processo, aumentou-se a viol&ecirc;ncia jur&iacute;dico-policial sob o manto de uma pretensa &ldquo;Seguran&ccedil;a P&uacute;blica&rdquo; e intensificou-se a mesma repress&atilde;o contra aqueles que pretendem atacar as reais causas dos problemas. No final das contas, ao se construir a tal da seguran&ccedil;a p&uacute;blica por meios, quase que exclusivamente, policiais o que se construiu foi um fortalecimento do aparato repressor que lembra muito pouco os sonhos de um Estado Democr&aacute;tico de Direito.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a democracia brasileira que se instala &eacute; um regime que casa autoritarismo com uma fachada democr&aacute;tica. Dado o car&aacute;ter permanentemente inst&aacute;vel das institui&ccedil;&otilde;es &ldquo;democr&aacute;ticas&rdquo; a viol&ecirc;ncia estatal encontra solo f&eacute;rtil para crescer, fechando o circuito de um controle social extremamente eficaz, necess&aacute;rio a t&atilde;o aclamada sexta maior economia do mundo!<\/p>\n<p>Quanto ao &acirc;mbito da pol&iacute;tica institucional desse per&iacute;odo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o devemos ter clareza de que, por tr&aacute;s da disputa nacional entre PT e PSDB, h&aacute; um acordo maior pelo qual n&atilde;o hesitam, cada qual a seu modo, a tomar as mesmas medidas repressivas. A diferen&ccedil;a entre eles &eacute; de formas e de ritmos, com o PSDB agindo de forma mais direta e o PT de forma mais disfar&ccedil;ada (este se utilizando tamb&eacute;m do seu peso nas organiza&ccedil;&otilde;es de trabalhadores para segurar os movimentos). Trata-se de um endurecimento do regime democr&aacute;tico-burgu&ecirc;s e n&atilde;o apenas da pol&iacute;tica desse ou daquele governo.<\/p>\n<p>\n&#8230;E A ESQUERDA EST&Aacute; PREPARADA PARA ENFRENTAR A REPRESS&Atilde;O?<br \/>\nNesse contexto, passados mais de 20 anos de democracia burguesa, houve uma adapta&ccedil;&atilde;o de amplos setores da Esquerda, que renovaram a confian&ccedil;a nas ilus&otilde;es institucionais. Isso tudo est&aacute; mudando rapidamente, revelando os limites dessa atua&ccedil;&atilde;o perante os novos desafios.<\/p>\n<p>Mais do que nunca o desafio colocado &eacute; justamente o de denunciar o papel e os interesses que movem as institui&ccedil;&otilde;es e o regime como um todo para que os trabalhadores fiquem em estado de alerta e s&oacute; confiarem em sua pr&oacute;pria luta e organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A utiliza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e das liberdades democr&aacute;ticas m&iacute;nimas concedidas obrigatoriamente pelo regime deve ser feita com o m&aacute;ximo de cuidado, pois na defesa de seus interesses o sistema n&atilde;o hesita em passar por cima de qualquer norma.<\/p>\n<p>Diante dessa nova situa&ccedil;&atilde;o e considerando que as organiza&ccedil;&otilde;es de luta dos trabalhadores precisam se colocar para al&eacute;m das demandas imediatas e parciais (organizando-se, inclusive, para al&eacute;m dos locais de trabalho); considerando que &eacute; necess&aacute;rio assumir o desafio de disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores para outro projeto de pa&iacute;s e de sociedade&#8230;<\/p>\n<p>Dessa forma, fazemos um Chamado aos que lutam por uma sociedade alternativa ao capitalismo para que realizemos uma campanha de longa dura&ccedil;&atilde;o contra a repress&atilde;o estatal, fazendo semin&aacute;rios e plen&aacute;rias em sindicatos, universidades, acampamentos, ocupa&ccedil;&otilde;es, etc.; colocando a quest&atilde;o da repress&atilde;o como ponto de pauta a ser debatido em todos os f&oacute;runs de luta e a partir da particularidade de cada luta e de cada lugar; elaborando v&iacute;deos e textos; debatendo com a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora e oprimida da cidade e do campo; realizando atos; mobilizando-nos e enfrentando todas as formas de injusti&ccedil;as que a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora e oprimida &eacute; submetida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo3\"><\/a>NESSAS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES: O QUE FAZER?<\/h3>\n<p>H&aacute; uma decep&ccedil;&atilde;o e um mal-estar com as elei&ccedil;&otilde;es. Essa descren&ccedil;a &eacute; geral e envolve as mais tradicionais &ldquo;democracias&rdquo;, como a Fran&ccedil;a e a Gr&eacute;cia, pois setores cada vez maiores dos trabalhadores e da juventude veem que os v&aacute;rios governos e parlamentos eleitos agem em prol dos empres&aacute;rios e n&atilde;o hesitam em atacar os direitos e condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores, a maioria que os elegeu. <\/p>\n<p>&Eacute; cada vez mais n&iacute;tido que no chamado &ldquo;jogo democr&aacute;tico&rdquo; as empresas levam grande vantagem sobre os trabalhadores, pois podem bancar megacampanhas para eleger seus representantes. E como no capitalismo a corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; indispens&aacute;vel e n&atilde;o apenas um desvio de conduta, essas empresas passam a decidir sobre todos os rumos do pa&iacute;s de acordo com as suas pr&oacute;prias necessidades e n&atilde;o do povo.<\/p>\n<p>Enquanto isso, quando os trabalhadores reivindicam algo como Sa&uacute;de, Educa&ccedil;&atilde;o, moradia e transporte dignos, esses mesmos senhores logo mandam a pol&iacute;cia para bater, prender ou matar.  <\/p>\n<p>A democracia que temos &eacute; a democracia burguesa, uma democracia dos ricos. Mas, para os trabalhadores continua um regime de opress&atilde;o, pois mant&eacute;m e aprofunda a explora&ccedil;&atilde;o e o controle, mesmo que se empreguem alguns meios diferentes de uma ditadura militar.  <\/p>\n<p>Com a crise estrutural do capital e o endurecimento dos patr&otilde;es e dos governos sobre os trabalhadores, as tend&ecirc;ncias autorit&aacute;rias est&atilde;o se acirrando at&eacute; mesmo em regimes considerados mais democr&aacute;ticos. Est&atilde;o sob ataque o direito de manifesta&ccedil;&atilde;o, de greve e de ocupa&ccedil;&otilde;es sendo enquadrados como &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o de quadrilha&rdquo;.  <\/p>\n<p>Mesmo que por uma exce&ccedil;&atilde;o sejam eleitos pol&iacute;ticos &eacute;ticos e bem intencionados h&aacute; toda uma s&eacute;rie de restri&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e legais quanto &agrave;s mudan&ccedil;as realmente importantes para quem trabalha. <\/p>\n<p>H&aacute; todo um esquema de funcionamento para legitimar o poder da burguesia e do capital sobre a sociedade. O direito &agrave; propriedade privada da burguesia, por exemplo, est&aacute; assegurado na pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o. A Lei de Responsabilidade Fiscal limita os gastos com o funcionalismo para que sobre mais dinheiro para o pagamento dos juros das D&iacute;vidas ao capital financeiro. <\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, se a burguesia sentir a qualquer momento que seu poder e seus privil&eacute;gios est&atilde;o amea&ccedil;ados &eacute; a primeira a recorrer aos golpes militares como se viu tantas vezes na hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>Portanto, a primeira tarefa de uma organiza&ccedil;&atilde;o socialista nas elei&ccedil;&otilde;es &eacute; combater as ilus&otilde;es de que atrav&eacute;s do voto possamos resolver qualquer um dos problemas estruturais como: &ocirc;nibus lotado e caro, falta de moradia, falta de postos de sa&uacute;de e de Educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, falta de espa&ccedil;os culturais e de lazer, etc. <\/p>\n<p>Devemos dizer aos trabalhadores que confiem apenas em suas pr&oacute;prias for&ccedil;as e m&eacute;todos de luta como greves, passeatas, ocupa&ccedil;&otilde;es, etc. e que acreditem em um processo de transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade.<\/p>\n<p>N&atilde;o defendemos a volta da ditadura militar, mas tamb&eacute;m n&atilde;o podemos aceitar a ditadura da burguesia. Precisamos de uma democracia real em que as decis&otilde;es importantes estejam nas m&atilde;os dos trabalhadores e do povo pobre, para resolver de fato os problemas sociais.<\/p>\n<p>N&atilde;o negamos que mesmo essa aparente democracia permite um espa&ccedil;o maior de informa&ccedil;&atilde;o, discuss&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, mas a utilidade do per&iacute;odo eleitoral para os trabalhadores &eacute; de podermos debater, nos organizarmos e fortalecermos a luta pelas mudan&ccedil;as que realmente interessem aos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>EM TODAS AS CIDADES, OS MESMO PROBLEMAS&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\nOs problemas que enfrentamos no dia a dia s&atilde;o comuns nas v&aacute;rias cidades, o que significa que sua causa &eacute; maior. S&atilde;o problemas da sociedade em que vivemos, do capitalismo, aprofundados pelos governos, seus agentes.  <\/p>\n<p>Os servi&ccedil;os p&uacute;blicos em geral est&atilde;o precarizados porque os governos Dilma, Alckmin, os prefeitos e congressistas cortam cada vez mais as verbas e investimentos p&uacute;blicos para que esse dinheiro seja direcionado para garantir a lucratividade do setor empresarial. <\/p>\n<p>Podemos ver isso no tr&acirc;nsito: Ao se priorizar o transporte individual, necess&aacute;rio para incentivar cada vez mais o consumo de mercadorias e o individualismo, n&atilde;o se investe na quantidade e nem na melhoria da qualidade de &ocirc;nibus e trens, pois n&atilde;o &eacute; lucrativo. O mesmo ocorre na &aacute;rea da Sa&uacute;de: Para favorecer os grandes planos de sa&uacute;de cortam-se verbas do SUS. E assim os problemas v&atilde;o se agravando em todas as &aacute;reas. O capitalismo est&aacute; levando a humanidade &agrave; barb&aacute;rie!<\/p>\n<p><strong>&Eacute; PRECISO DIZER QUE SOMENTE A LUTA MUDA A VIDA!<\/strong><\/p>\n<p>Em cada cidade tamb&eacute;m h&aacute; um grupo de fam&iacute;lias que enriquecem &agrave; custa da maioria que sofre sem estrutura nenhuma. Essas poucas fam&iacute;lias associadas &agrave;s grandes empresas controlam a vida econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica de cada munic&iacute;pio. Dominam as empresas de &ocirc;nibus, de coleta de lixo, de abastecimento de &aacute;gua, o com&eacute;rcio da regi&atilde;o, etc. <\/p>\n<p>Para come&ccedil;armos a resolver qualquer um dos problemas principais que afetam os trabalhadores precisamos romper com o controle dessas fam&iacute;lias sobre a cidade. <\/p>\n<p>Assim &eacute; preciso que a partir de cada local de trabalho, estudo, moradia e atrav&eacute;s de lutas, mobiliza&ccedil;&otilde;es, ocupa&ccedil;&otilde;es, etc. comecemos a assumir as decis&otilde;es mais importantes e ter poder de fato. Por exemplo, mobilizarmo-nos contra o aumento de passagens, contra os aumentos e privil&eacute;gios dos vereadores, contra a municipaliza&ccedil;&atilde;o, por moradia, etc.<\/p>\n<p><strong>UM PROGRAMA SOCIALISTA DOS TRABALHADORES PARA AS CIDADES E PARA O PA&Iacute;S!<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Prioridade para o transporte p&uacute;blico. Estatiza&ccedil;&atilde;o das empresas de &ocirc;nibus, sob controle dos trabalhadores. Aumento do n&uacute;mero de &ocirc;nibus e melhoria de sua qualidade. Tarifa social, subsidiada pelo munic&iacute;pio com arrecada&ccedil;&atilde;o das empresas.<\/p>\n<p>&#8211; Aumento do n&uacute;mero de postos de sa&uacute;de e hospitais com melhoria de qualidade.<\/p>\n<p>&#8211; Barrar e reverter a Municipaliza&ccedil;&atilde;o, mantendo o emprego dos professores que trabalham nessas escolas.<\/p>\n<p>&#8211; Apoio &agrave;s lutas por moradia! Confisco e Expropria&ccedil;&atilde;o de todos os im&oacute;veis n&atilde;o utilizados e sua inclus&atilde;o em um programa p&uacute;blico de moradia popular.<\/p>\n<p>&#8211; Redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios de todos os cargos de confian&ccedil;a ao sal&aacute;rio m&eacute;dio de um trabalhador especializado.<\/p>\n<p>&#8211; Que os trabalhadores administrem as cidades atrav&eacute;s de Conselhos Populares deliberativos e sem patr&otilde;es!  <\/p>\n<p>&#8211; Expans&atilde;o dessas lutas e formas democr&aacute;ticas de gest&atilde;o, no sentido de um governo nacional dos trabalhadores, baseado em suas organiza&ccedil;&otilde;es de luta! <\/p>\n<p>&#8211; Pelo socialismo como forma de organizar a sociedade em base &agrave;s decis&otilde;es coletivas e com democracia direta para o bem estar de todos em equil&iacute;brio com o ambiente!<\/p>\n<p><strong>RECHA&Ccedil;AR AS CANDIDATURAS REPRESENTANTES DOS PATR&Otilde;ES E DO GOVERNO!<\/strong><\/p>\n<p>\nIndependente da nossa vontade &eacute; um fato que mesmo descontentes e desanimados a maior parte dos trabalhadores v&atilde;o comparecer &agrave;s urnas e votar.  Nessa situa&ccedil;&atilde;o em que amplos setores da classe trabalhadora v&atilde;o votar, n&atilde;o &eacute; indiferente para quais candidaturas e partidos v&atilde;o esse voto. <\/p>\n<p>Assim, mesmo priorizando as lutas diretas dos trabalhadores &eacute; preciso tamb&eacute;m disputar sua consci&ecirc;ncia com a burguesia, com a direita e com os setores governistas do PT. O voto dos trabalhadores deve expressar e fortalecer o lado dos trabalhadores, das nossas lutas e da unidade entre os que lutam. Ou seja, defendemos um voto de classe e de luta tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Devemos rejeitar candidaturas dos v&aacute;rios partidos burgueses e governistas: do bloco PSDB\/DEM\/PPS ou do bloco PT\/PMDB\/PSB e seus apoiadores. Essas candidaturas somente v&atilde;o aprofundar cada vez mais os ataques aos trabalhadores. Representam os nossos inimigos.<\/p>\n<p><strong>OS PROBLEMAS NAS ORGANIZA&Ccedil;&Otilde;ES DE ESQUERDA E O CHAMADO A UM VOTO DE CLASSE!<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado sublinhamos que mesmo entre as candidaturas que se apresentam no arco das lutas e da esquerda, h&aacute; v&aacute;rios problemas. Primeiro, essas organiza&ccedil;&otilde;es comparecem &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es sem denunciar em suas campanhas o car&aacute;ter burgu&ecirc;s dessa democracia e dessas elei&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o destacam que a prioridade &eacute; estar nas lutas. Contribuem para manter as ilus&otilde;es dos trabalhadores na democracia burguesa e nas elei&ccedil;&otilde;es. Segundo, na &acirc;nsia por eleger, em v&aacute;rios munic&iacute;pios, alguns desses partidos coligam com partidos burgueses ou governistas. &Eacute; o caso do PSOL em v&aacute;rios lugares, como em Minas Gerais. <\/p>\n<p>Mas o fato novo &eacute; a presen&ccedil;a do PSTU coligado com o PC do B na disputa para a prefeitura de Bel&eacute;m. Ao coligar (ou seja, n&atilde;o &eacute; apoiar) com o PC do B, que h&aacute; muito ultrapassou a barreira de classe, o PSTU adota uma pol&iacute;tica que perde a independ&ecirc;ncia de classe, demonstra um forte desvio eleitoreiro, aceita passivamente as regras do jogo burgu&ecirc;s e abre m&atilde;o de uma pol&iacute;tica de esquerda a fim de eleger um vereador.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, com a participa&ccedil;&atilde;o nessa frente o PSTU joga por terra todo o seu discurso sobre o papel dos revolucion&aacute;rios no processo eleitoral burgu&ecirc;s, como se o voto fosse &ldquo;uma simples t&aacute;tica&rdquo;. <\/p>\n<p>Para n&oacute;s, faz muita diferen&ccedil;a o trabalhador votar nas candidaturas de esquerda ou nas do governo. <\/p>\n<p>Em Bel&eacute;m, o voto no candidato da frente PSOL\/PC do B\/PSTU n&atilde;o vai expressar uma oposi&ccedil;&atilde;o ao governo Dilma, pois um dos cabe&ccedil;as da frente, o candidato a vice-prefeito, &eacute; do PC do B e defensor entusiasta do governo. N&atilde;o &eacute; verdade que o PC do B ocupa um papel secund&aacute;rio na frente, como a Nota da Dire&ccedil;&atilde;o Nacional quer fazer acreditar. Ver pol&ecirc;mica em: espacosocialista.org\/node\/345.<\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, mas n&atilde;o menos importante &eacute; o fato de que na maioria das grandes cidades n&atilde;o h&aacute; frente, as legendas comparecem &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de forma totalmente fragmentada. Isso &eacute; o resultado de uma concep&ccedil;&atilde;o de unidade limitada aos acordos de c&uacute;pula e aos interesses imediatistas de cada uma dessas organiza&ccedil;&otilde;es que impedem que possam subordinar as quest&otilde;es de programa, de alian&ccedil;as e de cabe&ccedil;as de chapa aos ativistas e lutadores em cada regi&atilde;o. <\/p>\n<p>N&oacute;s, Espa&ccedil;o Socialista, defendemos que houvesse um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es, preparado por ampla convoca&ccedil;&atilde;o, realiza&ccedil;&atilde;o de semin&aacute;rios e plen&aacute;rias deliberativas abertas a todos os ativistas e lutadores em cada munic&iacute;pio de modo que tanto o programa como as alian&ccedil;as e as candidaturas fossem decis&atilde;o coletiva e unit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Os interesses aparatistas e de c&uacute;pula prevaleceram ainda desta vez e o resultado disso deve se expressar na dificuldade de se fazer campanha em meio &agrave; extrema fragmenta&ccedil;&atilde;o.         <\/p>\n<p>Devido &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o que se expressa em v&aacute;rias candidaturas da esquerda, aos problemas citados acima e &agrave;s desigualdades pr&oacute;prias de elei&ccedil;&otilde;es municipais em um pa&iacute;s continental optamos por um chamado geral a um Voto de Classe sempre e quando as candidaturas expressarem as lutas dos trabalhadores, n&atilde;o estiverem coligadas com partidos governistas e n&atilde;o receberem dinheiro dos empres&aacute;rios, no arco do PSTU,PSOL,PCB e PCO, com possibilidade de voto nulo onde esses crit&eacute;rios n&atilde;o estiverem atendidos. <\/p>\n<p>Com essa posi&ccedil;&atilde;o buscamos a coer&ecirc;ncia na luta, o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia dos trabalhadores e chamamos voc&ecirc; a se reunir, debater e fortalecer com o Espa&ccedil;o Socialista esse polo pr&aacute;tico de luta em busca da transforma&ccedil;&atilde;o geral da sociedade rumo a um outro tipo de sociedade, a socialista.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><a name=\"titulo4\"><\/a><a name=\"titulo4\"><\/a>&Eacute; PRECISO UM PROJETO SOCIALISTA PARA O BRASIL<\/strong><\/h3>\n<p><strong><\/p>\n<p><\/strong>O mundo vive hoje as consequ&ecirc;ncias da crise econ&ocirc;mica iniciada em 2008 e o Brasil n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o a esse cen&aacute;rio. Depois de uma aparente recupera&ccedil;&atilde;o localizada em certo conjunto de pa&iacute;ses, as instabilidades voltaram a predominar em 2011 e 2012, a partir da crise das d&iacute;vidas dos pa&iacute;ses europeus (Gr&eacute;cia, Espanha e outros). <\/p>\n<p>O Brasil foi tido como um dos pa&iacute;ses que estaria a salvo da crise mundial e at&eacute; mesmo como um dos respons&aacute;veis pela &ldquo;recupera&ccedil;&atilde;o&rdquo; da economia (juntamente com outros pa&iacute;ses perif&eacute;ricos de grande peso como a China). Isso porque desde a manifesta&ccedil;&atilde;o da crise os governos Lula e Dilma adotaram uma s&eacute;rie de medidas para estimular os neg&oacute;cios dos capitalistas que operam no Brasil, tais como incentivos fiscais, redu&ccedil;&atilde;o do compuls&oacute;rio dos bancos, empr&eacute;stimos &agrave;s empresas e aos consumidores, planos de obras p&uacute;blicas, etc. (al&eacute;m de cortes nos gastos com os servi&ccedil;os p&uacute;blicos, que evidentemente nunca atingem os gastos com o pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica).<\/p>\n<p>Em 2012 essas medidas come&ccedil;am a deixar de fazer efeito. A economia brasileira come&ccedil;a a desacelerar (juntamente com a de outros &ldquo;salvadores da p&aacute;tria&rdquo; do capitalismo, como a China) com o crescimento do PIB tendo atingido 0,2% no 1&ordm; trimestre em rela&ccedil;&atilde;o ao 4&ordm; trimestre de 2011 (Estad&atilde;o, 01\/06). A produ&ccedil;&atilde;o industrial caiu 3% em rela&ccedil;&atilde;o ao 1&ordm; trimestre de 2011 (idem). O &iacute;ndice de confian&ccedil;a do empresariado industrial caiu para o n&iacute;vel mais baixo desde 2009 (Valor, 18\/07), sinal de que o apelo do ministro Mantega ao &ldquo;esp&iacute;rito animal&rdquo; dos empres&aacute;rios n&atilde;o surtiu o efeito esperado. No campo a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi muito melhor, pois o PIB rural caiu 0,8% no 1&ordm; trimestre (Brasilagro, 12\/06). Por outro lado, a inadimpl&ecirc;ncia subiu para o n&iacute;vel recorde de 6% em 2012 (Veja, 26\/06).<\/p>\n<p>A dificuldade dos consumidores para pagar as d&iacute;vidas &eacute; apenas uma ponta do iceberg no momento de arrocho que vem sofrendo a classe trabalhadora como um todo. Desde 2008 os capitalistas brasileiros v&ecirc;m atuando preventivamente para impedir que seus lucros sejam afetados pela crise mundial, aumentando o ritmo de explora&ccedil;&atilde;o nos locais de trabalho. A sobrecarga de servi&ccedil;o, o ass&eacute;dio moral dos chefes, o adoecimento f&iacute;sico e psicol&oacute;gico, acidentes de trabalho, etc. aumentaram enormemente, refletindo o aumento da explora&ccedil;&atilde;o que os trabalhadores brasileiros v&ecirc;m sofrendo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que aumentam a explora&ccedil;&atilde;o, os capitalistas exigem a completa passividade dos trabalhadores. Nesse momento entra em campo a repress&atilde;o e a burocracia sindical e dos movimentos sociais. Os trabalhadores sem-terra desalojados pelo agroneg&oacute;cio, os sem-teto desalojados pela especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria e pelas obras da Copa, os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos v&iacute;timas de arrocho salarial e deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, os estudantes v&iacute;timas da degrada&ccedil;&atilde;o do ensino p&uacute;blico, todos esses setores mais afetados diretamente, s&atilde;o tratados como caso de pol&iacute;cia quando resolvem fazer greves, manifesta&ccedil;&otilde;es, ocupa&ccedil;&otilde;es, etc. em luta contra o aumento da explora&ccedil;&atilde;o e favores aos capitalistas. <\/p>\n<p>Aumentam as pris&otilde;es, persegui&ccedil;&otilde;es judiciais e administrativas, demiss&otilde;es, agress&otilde;es, ass&eacute;dio moral, etc. contra os trabalhadores em luta. Isso quando conseguem sequer entrar em luta, pois a maioria dos sindicatos est&atilde;o controlados pela CUT e sat&eacute;lites como For&ccedil;a Sindical, CTB, etc., que usam de m&eacute;todos ditatoriais para impedir a deflagra&ccedil;&atilde;o de greves e assembleias, etc., enquanto os movimentos sociais, especialmente o MST, est&atilde;o tamb&eacute;m paralisados pelo apoio de seus dirigentes ao governo.<\/p>\n<p>O governo Dilma, assim como o de Lula, os burocratas sindicais e dos movimentos sociais, do bloco do PT, e os governos estaduais e municipais, do bloco do PSDB, est&atilde;o todos empenhados no mesmo projeto de facilitar o aumento da explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e garantir os lucros dos capitalistas, a qualquer custo. &Eacute; esse o projeto que est&aacute; sendo aplicado no pa&iacute;s. N&atilde;o se trata da pol&iacute;tica de um ou de outro governo, de um ou de outro partido, mas de uma exig&ecirc;ncia do sistema capitalista, que todos os representantes da classe dominante precisam cumprir. Essa exig&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; passageira, assim como a atual crise econ&ocirc;mica do capitalismo n&atilde;o &eacute; apenas uma crise como outra qualquer. Trata-se de uma manifesta&ccedil;&atilde;o da crise estrutural do capital, com consequ&ecirc;ncias de longo prazo, que v&atilde;o modificar a situa&ccedil;&atilde;o mundial por anos, ou mesmo d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Exatamente por isso, a solu&ccedil;&atilde;o para os problemas deve ser tamb&eacute;m estrutural. &Eacute; preciso construir um projeto dos trabalhadores contra o capitalismo e suas crises. Esse projeto precisa ser discutido nas lutas dos trabalhadores, em especial nas campanhas salariais de importantes categorias, como banc&aacute;rios, petroleiros, correios, metal&uacute;rgicos que t&ecirc;m data-base no segundo semestre. E tamb&eacute;m, &eacute; preciso debater esse projeto por ocasi&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es, contra o projeto dos partidos da classe dominante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><a name=\"titulo5\"><\/a><a name=\"titulo5\"><\/a>A GREVE DOS FUNCION&Aacute;RIOS DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS E A INTRANSIG&Ecirc;NCIA DO GOVERNO DILMA<\/p>\n<p>O CONTEXTO DA GREVE<\/strong><\/h3>\n<p>Desde o dia 11 de junho os funcion&aacute;rios das universidades federais est&atilde;o em greve: a pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es inclui reajuste salarial de 22,5%, defini&ccedil;&atilde;o da data-base para 1&ordm; de maio e denuncia o descaso do governo federal com a Educa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, tanto com falta em investimentos diretos nos campi quanto na valoriza&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra das universidades.<\/p>\n<p>No momento do fechamento desse artigo a greve completa um m&ecirc;s e meio sem que tenha tido qualquer negocia&ccedil;&atilde;o com o governo. Isso s&oacute; demonstra que o partido no poder, PT &ndash; que se construiu nas greves, junto aos movimentos e sempre fez oposi&ccedil;&atilde;o aos governos que o antecederam &ndash; age igual, sen&atilde;o de maneira ainda mais agressiva com os trabalhadores de todas as categorias, incluindo do funcionalismo p&uacute;blico federal.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XXI continuamos vivendo em uma sociedade dividida em classes. Citemos as duas que definem o modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista: os trabalhadores e os grandes empres&aacute;rios. Estes &uacute;ltimos a viverem e acumularem a riqueza que os primeiros geram. Nesse contexto absurdo de acumula&ccedil;&atilde;o de capital por poucos indiv&iacute;duos enquanto que a imensa maioria da popula&ccedil;&atilde;o produz a riqueza, mas usufrui pouco dela, o governo federal nitidamente escolhe seu lado. Favorece a classe dominante em detrimento da classe trabalhadora. A isen&ccedil;&atilde;o de impostos para o grande empresariado j&aacute; soma 187 bilh&otilde;es de reais. Os incentivos para a copa do mundo, 40 bilh&otilde;es. Para n&atilde;o mencionar o pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica (uma d&iacute;vida impag&aacute;vel), que destina aos banqueiros metade do or&ccedil;amento da Uni&atilde;o. A tabela abaixo mostra bem as propor&ccedil;&otilde;es num&eacute;ricas dos gastos do governo federal. A coluna &quot;%&quot; foi adicionada por n&oacute;s para que houvesse uma percep&ccedil;&atilde;o da propor&ccedil;&atilde;o dos gastos. Como &eacute; poss&iacute;vel ver, em 2012, os gastos com pessoal somam 9.85% de todo or&ccedil;amento da Uni&atilde;o. J&aacute; pagamentos de juros da d&iacute;vida somam 9.29% e amortiza&ccedil;&atilde;o 44.81%, o que totalizam 54.09%, mais de metade de todo or&ccedil;amento.<\/p>\n<p>Durante toda a greve (e mesmo antes dela) o governo federal tem argumentado que n&atilde;o tem dinheiro, que um aumento aos servidores acarretar&aacute; num gasto que os cofres p&uacute;blicos n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de assumir. Entretanto, atrav&eacute;s destes dados v&ecirc;-se que o dinheiro existe sim, mas que &eacute; prefer&iacute;vel favorecer a classe dominante, os donos do poder. Enquanto isso aos trabalhadores destina-se todo tipo de ataque. Aos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos nem reposi&ccedil;&atilde;o salarial e perda de direitos. Aos funcion&aacute;rios de empresas privadas demiss&otilde;es, precariza&ccedil;&otilde;es, etc.<\/p>\n<p>Resta aos trabalhadores a &uacute;nica alternativa vi&aacute;vel: a luta. E a luta, neste momento, se d&aacute; pela greve, que &eacute; o &uacute;nico instrumento que a classe trabalhadora tem para fazer frente aos interesses de seus patr&otilde;es. A greve dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos federais est&aacute; forte em algumas categorias, especialmente na dos t&eacute;cnicos administrativos de universidades federais, mas isso ainda n&atilde;o &eacute; o bastante. Para dar visibilidade a esta greve &eacute; necess&aacute;rio fazer um trabalho intenso de conscientiza&ccedil;&atilde;o forte junto aos colegas de trabalho. &Eacute; o momento de denunciar que este governo do PT em nada se diferencia de seus antecessores e que s&atilde;o nossos inimigos para que seja constru&iacute;da uma alternativa pelos e para quem produz a riqueza do pa&iacute;s e do mundo: os trabalhadores.<\/p>\n<p>A GREVE COMO FORMA DE INTERA&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL: A EXPERI&Ecirc;NCIA DA UFABC<\/p>\n<p>Um dicion&aacute;rio definiria a palavra GREVE assim: &quot;s. f. coaliz&atilde;o de oper&aacute;rios que exige uma altera&ccedil;&atilde;o nos seus sal&aacute;rios ou nas horas de trabalho e que se eximem deste enquanto se lhes n&atilde;o satisfazem suas pretens&otilde;es.&quot; Entretanto, &eacute; poss&iacute;vel notar que essa defini&ccedil;&atilde;o est&aacute; longe de ser uma minimamente satisfat&oacute;ria. Seria necess&aacute;rio um livro inteiro para rascunhar as contradi&ccedil;&otilde;es inerentes a um movimento grevista, as idas e vindas de um movimento e o avan&ccedil;o de consci&ecirc;ncia de seus participantes.<\/p>\n<p>Ao capitalismo, s&oacute; somos interessantes enquanto vendedores de nossa m&atilde;o de obra. S&oacute; existimos enquanto seres capazes de gerar mais-valia e riqueza a nossos exploradores. Dois amigos n&atilde;o se veem h&aacute; tempos, talvez h&aacute; anos. Ao se encontrarem a primeira pergunta que fazem um ao outro &eacute; se est&atilde;o trabalhando, aonde, o que fazem. Ser trabalhador na sociedade capitalista &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o da qual n&atilde;o podemos fugir, pois em um mundo em que tudo &eacute; mercadoria e tem seu pre&ccedil;o a ser comercializado, somente temos nossa for&ccedil;a de trabalho. Nesse contexto a luta pelo socialismo &eacute; inevit&aacute;vel na medida em que os trabalhadores queiram se emancipar do trabalho alienado que exercem nessa sociedade e construir um mundo cujo trabalho n&atilde;o seja um mart&iacute;rio, mas um momento de cria&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o de si pr&oacute;prios e de identidade.<\/p>\n<p>As greves, historicamente, t&ecirc;m um car&aacute;ter para al&eacute;m da pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es imediata que pedem as categorias que a realizam: a possibilidade de socializa&ccedil;&atilde;o, de discuss&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o que, em outros per&iacute;odos, n&atilde;o seria poss&iacute;vel. Diz-se que &eacute; um momento de liberdade por ser um dos poucos instantes em que o trabalhador pode exercer sua subjetividade para al&eacute;m de sua identidade enquanto trabalhador, e fazer-se reconhecer como pessoa, artista, poeta e escritor de sua pr&oacute;pria vida e exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O caso da UFABC &eacute; emblem&aacute;tico. A &quot;queridinha do Lula&quot; passa pela primeira greve em sua hist&oacute;ria, em um movimento unificado de t&eacute;cnicos administrativos, estudantes e docentes, em um contexto em que o governo federal direciona cada vez mais recursos &agrave; iniciativa privada (grandes multinacionais) atrav&eacute;s isen&ccedil;&atilde;o de impostos e do pagamento de juros e amortiza&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida p&uacute;blica, mas argumenta n&atilde;o ter dinheiro para a Educa&ccedil;&atilde;o. O pr&oacute;prio Guido Mantega argumentou que 10% do PIB para a Educa&ccedil;&atilde;o quebraria o Estado, mas pode direcionar boa parte da riqueza nacional para banqueiros e megaempres&aacute;rios.<\/p>\n<p>Nessa primeira greve &eacute; poss&iacute;vel notar algumas mudan&ccedil;as referentes &agrave;s pessoas: alguns conheciam uns aos outros somente pelo seu cargo ou fun&ccedil;&atilde;o dentro da universidade. X &eacute; t&eacute;cnico em inform&aacute;tica, Y &eacute; auxiliar administrativo, Z &eacute; pedagogo. Mas, nesse momento em que os trabalhadores podem exercer sua responsabilidade enquanto membros de uma categoria e sua liberdade enquanto indiv&iacute;duos, novas facetas tornam-se vis&iacute;veis e as pessoas passam a adquirir caracteres mais interessantes: X passa a ser m&uacute;sico, Y poeta, Z cin&eacute;filo. Nesta greve, quem n&atilde;o conheceu novas pessoas e as pessoas conhecidas passaram a assumir uma identidade diferente atrav&eacute;s dos dons que traziam, de sua iniciativa e de suas posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas?<\/p>\n<p>Quem compareceu &agrave;s assembleias e outros eventos pode perceber que as barreiras de cargos e hierarquia funcional da universidade desaparecem. Todos temos voto. Todos temos direito a apresentarmos um posicionamento e submetermos nossas propostas ao voto dos companheiros. Nesse momento, nossa condi&ccedil;&atilde;o nos tornam iguais, por estarmos todos no mesmo barco. Os trabalhadores em greve tamb&eacute;m t&ecirc;m tido a oportunidade de levantar algumas quest&otilde;es a respeito da gest&atilde;o democr&aacute;tica da universidade, elaboram pauta local que inclui pontos como democracia na universidade e mais benef&iacute;cios para os t&eacute;cnicos administrativos. S&atilde;o os trabalhadores exigindo mais espa&ccedil;o na gest&atilde;o da universidade, seu local de trabalho, que conhecem melhor que muitos professores e alunos.<\/p>\n<p>Muitos colegas ainda n&atilde;o aderiram &agrave; greve. Alguns por ass&eacute;dio e press&atilde;o e muitos por op&ccedil;&atilde;o. Esses &uacute;ltimos est&atilde;o em seu local de trabalho furando greve ou em casa, provavelmente assistindo a rede Globo. &Eacute; importante dizer que n&atilde;o apenas perdem a oportunidade de lutar por seus direitos (que ser&atilde;o conquistados, nessa ou em outra greve, mas por iniciativa dos lutadores), mas perdem, essencialmente, esse momento de discutirem seu conv&iacute;vio com seus colegas, a administra&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da universidade e, acima de tudo, sua pr&oacute;pria identidade. Lutar &eacute; preciso! Estarmos unidos &eacute; preciso! Conquistar &eacute; preciso!<\/p>\n<h3><a name=\"titulo6\"><\/a>CONHECIMENTO: UMA MERCADORIA (?)<\/h3>\n<p class=\"rteright\">Pablo Tamborini<\/p>\n<p>Inserida na estrat&eacute;gia mundial de enfrentamento da crise de acumula&ccedil;&atilde;o do capital, a reforma educacional em curso no Brasil vem instaurando um novo modelo de organiza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. As Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino Superior (IFES) v&ecirc;m sendo ajustadas ao paradigma gerencialista, &agrave; l&oacute;gica produtivista de privatiza&ccedil;&atilde;o e mercantiliza&ccedil;&atilde;o dos bens e servi&ccedil;os acad&ecirc;micos e subordina a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica &agrave;s necessidades do capital e do mercado, impostas pelos agentes financiadores.<\/p>\n<p>O Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional, pontas de lan&ccedil;a da grande burguesia internacional, pressionam o governo brasileiro ao incluir cl&aacute;usulas sociais nos acordos econ&ocirc;micos firmados. As pol&iacute;ticas do Banco Mundial para os pa&iacute;ses perif&eacute;ricos adotam estrat&eacute;gias de controle em conformidade com as fra&ccedil;&otilde;es locais de sua burguesia mais internacionalizada. Esse controle se d&aacute; tamb&eacute;m a partir das pol&iacute;ticas educacionais, j&aacute; que para essas fra&ccedil;&otilde;es locais da burguesia &ndash; parceiras das burguesias hegem&ocirc;nicas e promotoras do acirramento das desigualdades sociais &ndash; essa domina&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria para a extra&ccedil;&atilde;o de mais valia em propor&ccedil;&atilde;o suficiente para repartir seus dividendos com as fra&ccedil;&otilde;es sociais hegem&ocirc;nicas. Sob o discurso da l&oacute;gica gerencialista, os organismos internacionais pesquisam novos mercados para a venda de produtos e servi&ccedil;os, pressionando os governos latino-americanos para a liberaliza&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o comercial do ensino.<\/p>\n<p>Atrav&eacute;s das chamadas &ldquo;funda&ccedil;&otilde;es de apoio de direito privado&rdquo;, as IFES v&ecirc;m realizando uma s&eacute;rie de atividades caracterizadas como presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, para capta&ccedil;&atilde;o de recursos externos por meio do estabelecimento de parcerias com empresas p&uacute;blicas e privadas. Aumentou consideravelmente o volume de servi&ccedil;os remunerados, como assessorias e consultorias a empresas privadas, cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o lato sensu, cursos de extens&atilde;o, atualiza&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento, cursos livres de l&iacute;nguas estrangeiras, projetos na &aacute;rea de Ci&ecirc;ncia &amp; Tecnologia voltados para a iniciativa privada, exames ambulatoriais, desenvolvimento de programas computacionais, etc.<\/p>\n<p>Os interesses do mercado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os ocorrem principalmente, porque &eacute; vantajoso para uma empresa firmar conv&ecirc;nio com a universidade, por n&atilde;o ter que arcar com despesas de pessoal e poder contar com uma infraestrutura j&aacute; instalada, o que contribuir&aacute; para aumentar seu lucro.<\/p>\n<p>Desse modo, a universidade sujeita-se aos interesses das empresas, submetendo os interesses da coletividade a interesses privados. Al&eacute;m do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, a universidade perde sua autonomia cient&iacute;fica, subordinando-se &agrave;s determina&ccedil;&otilde;es, &agrave; l&oacute;gica e aos interesses empresariais. Ocorre o comprometimento da liberdade acad&ecirc;mica, direcionando a formata&ccedil;&atilde;o de cursos, curr&iacute;culos e pesquisas para atender aos interesses do mercado em detrimento das demandas sociais. Muitas pesquisas de relev&acirc;ncia p&uacute;blica que deveriam ser livres de interesses mercadol&oacute;gicos ficam comprometidas pelo car&aacute;ter comercial da rela&ccedil;&atilde;o entre a funda&ccedil;&atilde;o e os grupos de pesquisa. Esse processo afeta e desvaloriza o trabalho docente, que perde a sua autonomia e passa a ser controlado, adequado e uniformizado segundo crit&eacute;rios de produtividade, a partir da l&oacute;gica racionalizadora do capital.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do nome e credibilidade das IFES, as funda&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m utilizam a estrutura f&iacute;sica e os funcion&aacute;rios\/servidores das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas &agrave;s quais est&atilde;o ligadas. Em alguns casos, desrespeitam a Constitui&ccedil;&atilde;o ao ignorarem a exig&ecirc;ncia de concursos p&uacute;blicos para a contrata&ccedil;&atilde;o dos profissionais que atuam nos laborat&oacute;rios e unidades de pesquisa.<\/p>\n<p>V&aacute;rias funda&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido investigadas por &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores como os MPF e Estaduais e TCU. Algumas foram objeto de interven&ccedil;&atilde;o da Receita Federal por n&atilde;o prestarem contas dos conv&ecirc;nios, contratos, parcerias e aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos financeiros que administram. As irregularidades mais comuns s&atilde;o: contratos ou conv&ecirc;nios com objetos n&atilde;o relacionados a pesquisa, ensino, extens&atilde;o ou desenvolvimento institucional, cobran&ccedil;a de taxas de administra&ccedil;&atilde;o, inobserv&acirc;ncia de cl&aacute;usulas da Lei de Licita&ccedil;&otilde;es, aus&ecirc;ncia de presta&ccedil;&atilde;o de contas, aus&ecirc;ncia de or&ccedil;amentos detalhados, intermedia&ccedil;&atilde;o irregular em atividades que poderiam e deveriam ser executadas pelas pr&oacute;prias universidades e subcontrata&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Atuam hoje na USP diversas funda&ccedil;&otilde;es de direito privado, algumas delas com centenas de funcion&aacute;rios e or&ccedil;amentos milion&aacute;rios. Embora sejam, por defini&ccedil;&atilde;o, sem fins lucrativos, as funda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o empreendimentos que usam a &quot;marca&quot; USP, a estrutura f&iacute;sica e os professores formados pela universidade (na maioria contratados em regime de dedica&ccedil;&atilde;o integral) para fins privados, atrav&eacute;s de presta&ccedil;&atilde;o de consultorias a empresas e oferecimento de cursos pagos.<\/p>\n<p>Em 2002, na UNIFESP, o TCU fez uma auditoria na institui&ccedil;&atilde;o que apontou a ilegalidade dos &ldquo;centros de estudo&rdquo; existentes. Em 2004, por iniciativa do Conselho Universit&aacute;rio e de 36 dos &ldquo;centros&rdquo;, foi criada a Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio &agrave; Unifesp (FAp-Unifesp), que gerencia 98 cursos pagos e 40 conv&ecirc;nios de pesquisa com a iniciativa privada. O n&uacute;mero de alunos matriculados nos cursos de especializa&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; maior do que a soma dos graduandos e p&oacute;s-graduandos.<\/p>\n<p>Na UNESP, 90% das funda&ccedil;&otilde;es com irregularidades. Na Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho (Unesp), atuam 17 funda&ccedil;&otilde;es &ldquo;de apoio&rdquo;. Dessas, seis foram criadas pelo pr&oacute;prio Conselho Universit&aacute;rio. A maior parte n&atilde;o presta contas &agrave; universidade desde 1999. Mais de 90% apresentam irregularidades, como a n&atilde;o-presta&ccedil;&atilde;o de contas e aus&ecirc;ncia de conv&ecirc;nios.<\/p>\n<p>A Funda&ccedil;&atilde;o Euclides da Cunha (FEC), que atua na Universidade Federal Fluminense (UFF), captou R$ 121 milh&otilde;es entre 2001 e 2004. A Extecamp, que atua na Universidade de Campinas (Unicamp), faturou R$ 13,5 milh&otilde;es em 2005.  Entre 1997 e 2003, a Finatec, que atua na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), fechou quatro contratos no valor de R$ 40 milh&otilde;es. A Fubra, outra funda&ccedil;&atilde;o de &ldquo;apoio&rdquo; &agrave; UnB, faturou R$ 40 milh&otilde;es entre 2000 e 2002.<\/p>\n<p>&Eacute; nesse tom que ocorre o avan&ccedil;o do capital em crise nas IFES de todo o pa&iacute;s, em detrimento dos interesses das massas trabalhadoras e em conson&acirc;ncia com os interesses de grupos privados. Numa sociedade de classes capitalista, a determina&ccedil;&atilde;o social do conhecimento &eacute; flagrante: o atendimento dos interesses da ampla maioria da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; a cujo benef&iacute;cio deveriam estar subordinados todos os esfor&ccedil;os e possibilidades das ci&ecirc;ncias, das artes e de toda bagagem cultural transmitida e produzida nas universidades &ndash; cede lugar &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o de um conhecimento que serve aos interesses das classes dominantes. Na contram&atilde;o da socializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento, as funda&ccedil;&otilde;es &ldquo;de apoio&rdquo; &ndash; a exemplo do que ocorre na esfera da produ&ccedil;&atilde;o material, i.e., nas f&aacute;bricas &ndash; se apropriam de um bem p&uacute;blico, socialmente produzido, mercantilizando-o e restringido ainda mais o j&aacute; reduzido acesso da classe trabalhadora ao conhecimento e &agrave; sua possibilidade de emancipa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ao fazer esta den&uacute;ncia, nos posicionamos e ansiamos pela mobiliza&ccedil;&atilde;o contra esta tend&ecirc;ncia progressiva. Um desafio que se coloca na ordem do dia a toda juventude socialista e revolucion&aacute;ria na luta contra os ataques cada vez mais elitizantes, anti-democr&aacute;ticos, opressivos e saqueadores do capital sobre um patrim&ocirc;nio comum dos povos: sua cultura, sua arte e seu conhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><a name=\"titulo7\"><\/a>CAPITALISMO, EDUCA&Ccedil;&Atilde;O E TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL: LIMITES E POSSIBILIDADES<\/strong><\/h3>\n<p class=\"rteright\">\n<p>Bruno Monteforte<\/p>\n<p>A Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; isolada da sociedade. A separa&ccedil;&atilde;o &eacute; estabelecida na sociedade de classes, que subordina classes produtoras\/n&atilde;o-propriet&aacute;rias &agrave;s classes dominantes\/propriet&aacute;rias e divide: para a classe dominante, preparo intelectual da gest&atilde;o social na esfera escolar; para a classe dominada, trabalho pr&aacute;tico e subordina&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A Educa&ccedil;&atilde;o formal generalizada vem do capitalismo com produ&ccedil;&atilde;o industrial e trabalho assalariado, sob o capital, em busca de lucro. A ind&uacute;stria\/tecnologia aplica ci&ecirc;ncia &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e exige forma&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima a todos os trabalhadores para o trabalho industrial. Assim mant&eacute;m-se a divis&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o em: b&aacute;sica; t&eacute;cnica; elitizada para a domina&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>A Educa&ccedil;&atilde;o formal serve duplamente ao capital, pois fornece for&ccedil;a de trabalho &agrave;s empresas e ideologia segundo os valores adequados ao sistema. No s&eacute;culo XX, fase imperialista, isso se torna mais evidente. Na produ&ccedil;&atilde;o, vigora o taylorismo\/fordismo: produ&ccedil;&atilde;o\/consumo de massa, trabalho manual, repetitivo, parcelar, hierarquizado. Na Educa&ccedil;&atilde;o h&aacute; tend&ecirc;ncias pedag&oacute;gicas an&aacute;logas: tradicional (autoritarismo, disciplina, mecaniza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, subordina&ccedil;&atilde;o) e tecnicista, Educa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XXI, ap&oacute;s expans&atilde;o mundial, o capital chega &agrave; crise estrutural e intensifica a explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, sociedade e ambiente. Decorre a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, que substitui o taylorismo\/fordismo pela acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel\/toyotismo, combina inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas a novas formas de gest&atilde;o: produ&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; demanda, trabalho multifuncional, qualificado, intelectualizado, em equipe, flexibilizado, terceirizado, precarizado, informal, tempor&aacute;rio, intensificado gerando mis&eacute;ria e desemprego estrutural. Estados e suas pol&iacute;ticas neoliberais deslocam recursos para o capital. Na Educa&ccedil;&atilde;o, h&aacute; an&aacute;loga reestrutura&ccedil;&atilde;o educativa, orienta&ccedil;&otilde;es de &oacute;rg&atilde;os mundiais (FMI, Banco Mundial, UNESCO) aplicadas por governos\/pa&iacute;ses, subordinando a Educa&ccedil;&atilde;o &agrave;s &ldquo;novas&rdquo; necessidades do capital. Concep&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas (aprender a aprender, compet&ecirc;ncias) prop&otilde;em formar indiv&iacute;duos adequados &agrave; instabilidade, imprevisibilidade, precariedade: desde exercer v&aacute;rias fun&ccedil;&otilde;es na empresa at&eacute; viver em desemprego e mis&eacute;ria. Estimula-se a interfer&ecirc;ncia privada na Educa&ccedil;&atilde;o e a transforma de direito social em mercadoria. Ideologicamente estas tend&ecirc;ncias expressam adapta&ccedil;&atilde;o, subordina&ccedil;&atilde;o, individualismo, competitividade.<\/p>\n<p>Nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos o quadro &eacute; ainda mais grave. Subordinados\/explorados por pa&iacute;ses centrais n&atilde;o tiveram capitalismo pleno e geram sociedades desiguais, cujos setores atrasados\/prec&aacute;rios s&atilde;o condi&ccedil;&atilde;o aos avan&ccedil;ados\/modernos. Mobiliza&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o, direitos e melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida n&atilde;o se universalizaram. Reestrutura&ccedil;&atilde;o e neoliberalismo encontram condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis, retiram direitos e conquistas, ampliam o lucro das empresas e mant&ecirc;m a precariedade. N&atilde;o h&aacute; Educa&ccedil;&atilde;o de qualidade a todos. Para a classe dominante conv&eacute;m cont&ecirc;-la.<\/p>\n<p>Sua universaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; quantitativa. A maior parte das escolas p&uacute;blicas &ldquo;perif<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=353"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6474,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353\/revisions\/6474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}