{"id":355,"date":"2012-09-14T12:03:48","date_gmt":"2012-09-14T12:03:48","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/355"},"modified":"2013-01-19T17:49:23","modified_gmt":"2013-01-19T19:49:23","slug":"as-greves-e-a-necessidade-da-unidade-da-classe-para-derrotar-o-governo-e-a-burguesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/09\/as-greves-e-a-necessidade-da-unidade-da-classe-para-derrotar-o-governo-e-a-burguesia\/","title":{"rendered":"AS GREVES E A NECESSIDADE DA UNIDADE DA CLASSE  PARA DERROTAR O GOVERNO E A BURGUESIA"},"content":{"rendered":"<h3>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/servidores-federais-greve-20120809-01-size-598_0.jpg\" width=\"400\" height=\"225\" \/><\/h3>\n<h3>Onda de greves desafia o governo<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Entre os meses de julho e agosto de 2012 v\u00e1rias categorias do funcionalismo p\u00fablico federal estiveram em greve (no caso dos professores das universidades federais no momento desta nota ainda permaneciam em greve), numa paralisa\u00e7\u00e3o que envolveu quase 400 mil trabalhadores e mais de 30 categorias. A greve afetou setores estrat\u00e9gicos, como o controle das fronteiras, os portos, importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es, etc., atrav\u00e9s da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, Receita Federal, Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, etc., al\u00e9m de gerar um debate na sociedade, como foi o caso da greve das universidades. As reivindica\u00e7\u00f5es inclu\u00edam reposi\u00e7\u00e3o de perdas salariais, reestrutura\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias carreiras funcionais, contrata\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, al\u00e9m de v\u00e1rias quest\u00f5es espec\u00edficas de cada categoria.O governo Dilma atuou com extrema dureza ao longo de todo o processo. Foram poucas as negocia\u00e7\u00f5es e a proposta de reajuste apresentado, 15,8% dilu\u00eddos em tr\u00eas anos at\u00e9 2015, tem o problema de que, al\u00e9m de n\u00e3o repor as perdas em v\u00e1rias categorias, pode resultar em ainda mais perdas para os trabalhadores, considerando-se a infla\u00e7\u00e3o que for registrada no per\u00edodo. O governo apresentou sua proposta como sendo definitiva, com o argumento de que o dia 31 de agosto \u00e9 a data limite para a entrega do or\u00e7amento ao Congresso e depois disso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel incluir modifica\u00e7\u00f5es (o que n\u00e3o \u00e9 verdade, j\u00e1 que todos os anos o or\u00e7amento \u00e9 estra\u00e7alhado para contemplar interesses da burguesia).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ampla rejei\u00e7\u00e3o na base, o governo fez algumas pequenas modifica\u00e7\u00f5es na proposta (aumento de adicional de qualifica\u00e7\u00e3o, aumento de auxilio alimenta\u00e7\u00e3o, entre outros) o que fez com que a maioria das categorias aceitasse o acordo. No dia 28 de agosto 18 categorias aceitaram a proposta do governo e encerraram a greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Governo, judici\u00e1rio e m\u00eddia contra os trabalhadores.<\/h3>\n<p>Al\u00e9m de ter sido inflex\u00edvel na negocia\u00e7\u00e3o, o governo contou com o apoio da m\u00eddia, que jogou a opini\u00e3o p\u00fablica contra os grevistas. A todo momento surgiam reportagens citando o quanto as reivindica\u00e7\u00f5es do funcionalismo custariam aos cofres p\u00fablicos. Os funcion\u00e1rios s\u00e3o apresentados como privilegiados pelo simples fato de terem estabilidade e ganharem mais, como se a condi\u00e7\u00e3o de arrocho e instabilidade em que vivem os demais trabalhadores fosse o normal e aceit\u00e1vel. Trata-se de um brutal cinismo, que explora o desconhecimento dos trabalhadores do setor privado sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho no servi\u00e7o p\u00fablico, para gerar ressentimento e divis\u00e3o da classe.<\/p>\n<p>Mas o mais grave \u00e9 que essa mesma m\u00eddia e o governo escondem que praticamente metade do or\u00e7amento (algo em torno de escandalosos R$ 780 bilh\u00f5es de reais por ano) est\u00e1 comprometido com o pagamento da d\u00edvida para os banqueiros e agiotas. Uma quantia fabulosa de dinheiro que vai direto para o bolso dos especuladores, mas que deveria ser aplicado para melhorar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, os servi\u00e7os p\u00fablicos em geral, a educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, sa\u00fade, transporte, cultura e lazer, etc. E para melhorar o atendimento da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso naturalmente melhorar a remunera\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para completar o operativo e lidar com o desafio das greves foram mobilizados, al\u00e9m dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, o judici\u00e1rio, que concedeu liminares impondo o trabalho de at\u00e9 80% da categoria, multa aos sindicatos, enfim todo tipo de ataque ao direito de greve, etc.. O judici\u00e1rio mais parece uma sucursal do executivo. Destacamos o papel do judici\u00e1rio e da m\u00eddia porque s\u00e3o essas duas institui\u00e7\u00f5es que o governo t\u00eam utilizado para impor as amea\u00e7as contra a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do servi\u00e7o p\u00fablico. Capas das revistas e dos grandes jornais, mat\u00e9rias de colunistas, entrevista de \u201cespecialistas\u201d e de membros do governo, todos mentindo e exigindo do governo medidas (desde amea\u00e7a de processo administrativo at\u00e9 corte de ponto) contra as greves. J\u00e1 o judici\u00e1rio, al\u00e9m das decis\u00f5es ditas acima, os trabalhadores do \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de medidas como estas.<\/p>\n<p>Uma conclus\u00e3o importante \u00e9 que trata-se de uma pol\u00edtica de Estado contra os trabalhadores. V\u00e1rios parlamentares ligados ao capital j\u00e1 declaram a necessidade de mudar a legisla\u00e7\u00e3o, formando-se assim a tr\u00edplice alian\u00e7a (legislativo, executivo e judici\u00e1rio) contra os trabalhadores. Os partidos tamb\u00e9m n\u00e3o ficam atr\u00e1s. Todos os partidos burgueses e governistas, desde o PT at\u00e9 o PSDB, est\u00e3o se mobilizando para mudar a legisla\u00e7\u00e3o e impor limita\u00e7\u00f5es (muitas vezes inviabilizando a pr\u00f3pria greve) ao direito de greve. As declara\u00e7\u00f5es de Ideli Salvatti (PT) contra a greve do funcionalismo p\u00fablico e o requerimento de Alu\u00edsio Nunes (PSDB) para acelerar a aprecia\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei do Senado PL-710\/2011 que \u201cdisciplina\u201d\u009d o direito de greve do funcionalismo s\u00e3o algumas das evid\u00eancias da unidade entre esses partidos quando se trata de atacar os trabalhadores que lutam pelos seus direitos.<\/p>\n<h3>A necessidade de enfrentar o projeto do governo<\/h3>\n<p>Essa ofensiva pol\u00edtica e ideol\u00f3gica contra as greves expressa o fato de que o movimento teve for\u00e7a para desgastar o governo Dilma, j\u00e1 abalado tamb\u00e9m pelo julgamento do mensal\u00e3o e CPI do Cachoeira, tudo isso em um ano eleitoral. O PT est\u00e1 mal nas pesquisas em v\u00e1rios munic\u00edpios. O desgaste \u00e9 tamanho que at\u00e9 mesmo alguns setores de base da CUT foram for\u00e7ados a adotar ao menos um discurso de independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao governo. As greves apresentaram portanto um desafio aberto ao governo Dilma, que precisou enfrent\u00e1-las com dureza para garantir o prosseguimento do seu projeto. O governo chegou a amea\u00e7ar usar o ex\u00e9rcito para garantir o funcionamento dos servi\u00e7os. Esse projeto consiste em apoiar aos bancos, latifundi\u00e1rios, montadoras, construtoras, empreiteiras, transnacionais, etc., para que mantenham suas margens de lucro, num per\u00edodo de crise econ\u00f4mica internacional, que pode afetar o pa\u00eds de maneira mais s\u00e9ria. O discurso \u00e9 de que o pa\u00eds precisa crescer para depois repartir o bolo, a mesma coisa que se dizia na \u00e9poca da ditadura, cujas fatias os trabalhadores est\u00e3o esperando at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a prioridade do governo \u00e9 sustentar os lucros do capital, e para isso tem destinado por\u00e7\u00f5es cada vez maiores do or\u00e7amento aos pacotes de ajuda \u00e0s empresas (empr\u00e9stimos, juros subsidiados, isen\u00e7\u00f5es fiscais, etc.). O governo n\u00e3o quer abrir m\u00e3o desse projeto para atender \u00e0s necessidades dos funcion\u00e1rios e dos trabalhadores. Ao questionar a ajuda do governo \u00e0s empresas, a greve foi tamb\u00e9m uma luta contra a burguesia. Por isso, as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores do servi\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o foram atendidas e segue a passos largos o processo de sucateamento do servi\u00e7o p\u00fablico. Da mesma forma prosseguem as privatiza\u00e7\u00f5es, os planos de reforma da Previd\u00eancia (Fator 85-95), etc. Evidentemente, al\u00e9m de n\u00e3o questionar o pagamento da d\u00edvida, a m\u00eddia n\u00e3o questiona o fato de que o governo priorize ajudar as empresas \u00e0s custas dos trabalhadores.<\/p>\n<h3>As armas do governo e dos trabalhadores<\/h3>\n<p>Para se prevenir contra a possibilidade de outras mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores que ameacem o seu projeto, o governo aproveita o esvaziamento da onda de greves para tirar da gaveta projetos de \u00e2\u20ac\u0153regulamenta\u00e7\u00e3o\u00e2\u20ac\u009d do direito de greve do funcionalismo p\u00fablico, pendente desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, e que agora podem vir a ser votados. O objetivo desses projetos \u00e9 na verdade proibir as greves, sob o pretexto de n\u00e3o prejudicar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Quando se trata exatamente do contr\u00e1rio, pois os grevistas lutaram por melhorias no servi\u00e7o p\u00fablico!<\/p>\n<p>Enquanto ainda n\u00e3o consegue proibir legalmente as greves, o governo contou com a participa\u00e7\u00e3o fundamental da CUT e seus sat\u00e9lites, que controlam boa parte das entidades representativas dos funcion\u00e1rios, para que as greves fossem esvaziadas. O controle do aparato sindical por correntes governistas, pelegas e pr\u00f3-patronais t\u00eam sido um fator estrat\u00e9gico para que as greves n\u00e3o avancem, tanto no setor p\u00fablico como no setor privado.<\/p>\n<p>Pelo lado oposto, o lado dos trabalhadores, seria preciso que as greves avan\u00e7assem para um outro patamar. Seria preciso enfrentar o discurso de que o atendimento \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es resultaria em gastos que prejudicariam as finan\u00e7as p\u00fablicas, colocando os funcion\u00e1rios como inimigos do equil\u00edbrio fiscal, dos programas sociais, da popula\u00e7\u00e3o em geral, etc. Seria preciso denunciar em alto e bom som que o maior preju\u00edzo para as contas p\u00fablicas \u00e9 o pagamento da d\u00edvida e a ajuda \u00e0s empresas. Seria preciso encarar as lutas como um enfrentamento contra o governo Dilma e contra o conjunto do seu projeto de repassar aos trabalhadores os custos da crise via cortes no or\u00e7amento para beneficiar o capital. As greves teriam que passar das lutas setoriais de cada categoria, ir al\u00e9m das quest\u00f5es corporativas, para se transformar numa luta global contra o projeto do governo.<\/p>\n<h3>Reconstruir a unidade da classe<\/h3>\n<p>A greve poderia ter sido um desafio muito mais poderoso ao governo, se houvesse unifica\u00e7\u00e3o. As reivindica\u00e7\u00f5es parciais n\u00e3o foram atendidas porque o conjunto das greves n\u00e3o se unificou em um \u00fanico movimento para colocar o governo em cheque. Esse movimento teria que construir um comando de greve unificado, composto por representantes eleitos em assembleia, com mandatos revog\u00e1veis, refletindo a real disposi\u00e7\u00e3o de luta de cada setor. Seria preciso construir um calend\u00e1rio unificado, com paralisa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas de todos os setores, a\u00e7\u00f5es unificadas, atos e manifesta\u00e7\u00f5es unit\u00e1rios, marchas e ocupa\u00e7\u00f5es massivas, impondo uma mesa \u00fanica de negocia\u00e7\u00e3o que garantisse um mesmo patamar para todos os setores. E tamb\u00e9m, quanto mais forte e unit\u00e1ria \u00e9 a luta, mais dif\u00edcil se torna para o governo adotar medidas repressivas, como corte de ponto, puni\u00e7\u00f5es individuais, restri\u00e7\u00f5es legislativas ao direito de greve em campanhas futuras, etc.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a luta n\u00e3o poderia ficar restrita ao funcionalismo. Trata-de de uma luta que interessa ao conjunto da classe por dois motivos: primeiro, a melhoria da remunera\u00e7\u00e3o, das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mais contrata\u00e7\u00f5es, reestrutura\u00e7\u00e3o das carreiras, etc., reivindicadas pelos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, resultaria em benef\u00edcios para toda a popula\u00e7\u00e3o, com a melhoria da qualidade e oferta dos servi\u00e7os; e segundo, o questionamento do projeto do governo (de desviar dinheiro para garantir a lucratividade do capital via pagamento da d\u00edvida) abriria caminho para o investimento naquilo que realmente interessa a todos trabalhadores: educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, saneamento, transportes, etc.Assim, a luta dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, por mais que eles pr\u00f3prios a enxergassem como uma s\u00e9rie de lutas parciais por suas quest\u00f5es espec\u00edficas, era no seu conjunto uma luta que interessava \u00e0 totalidade dos trabalhadores. Para refletir isso, seria preciso construir mobiliza\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 greve tamb\u00e9m no setor privado, com um dia nacional de luta com paralisa\u00e7\u00f5es, bloqueios de estradas, atos p\u00fablicos, carro de som na frente das empresas, panfletagens, etc., numa ampla campanha de solidariedade classista.<\/p>\n<h3>Apesar das v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es, uma vit\u00f3ria parcial<\/h3>\n<p>Apesar do isolamento imposto pelo governo nas negocia\u00e7\u00f5es e pelas dire\u00e7\u00f5es sindicais governistas, um certo grau de unidade se manifestou objetivamente. No seu conjunto, as v\u00e1rias greves acabaram constituindo objetivamente uma greve geral do funcionalismo p\u00fablico federal, mesmo que os diversos movimentos de cada categoria n\u00e3o tivessem sido desencadeados com esse objetivo. Mesmo tendo surgido de forma assim improvisada\u009d, a greve foi muito forte e teve impacto na sociedade. Consideramos que o movimento foi uma vit\u00f3ria parcial, apesar de v\u00e1rios problemas, tais como:<\/p>\n<p>&#8211; o resultado econ\u00f4mico de 15% em tr\u00eas anos foi insuficiente, pois pode ser corro\u00eddo pela infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo;<br \/>\n&#8211; torna-se dif\u00edcil at\u00e9 do ponto de vista jur\u00eddico desencadear uma nova greve por quest\u00f5es salariais no per\u00edodo coberto pelo acordo;<br \/>\n&#8211; as c\u00fapulas das confedera\u00e7\u00f5es decidiram pelo fim da greve, passando por cima dos sindicatos nas bases locais. As assembleias, nos locais em que as houve, deliberaram em cima de um acordo j\u00e1 consumado;<br \/>\n&#8211; o governo vai aproveitar o debate feito contra a greve para desencadear os projetos de lei sobre greves do funcionalismo p\u00fablico federal, com o objetivo de proibir as greves. Essa pol\u00edtica \u00e9 parte de uma ofensiva geral contra o direito de greve, que atinge tamb\u00e9m o setor privado;<br \/>\nMesmo considerando esses elementos de contradi\u00e7\u00e3o, a greve foi uma vit\u00f3ria parcial pelos seguintes motivos:<br \/>\n&#8211; a greve se imp\u00f4s passando por cima das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e governistas que queriam evitar que fosse travada a luta;<br \/>\n&#8211; a greve trouxe uma experi\u00eancia de luta importante para um grande setor de trabalhadores, que mediu for\u00e7as com o governo;<br \/>\n&#8211; a greve demonstrou de que lado est\u00e3o os dirigentes sindicais e o pr\u00f3prio governo. Caiu a m\u00e1scara do governo Dilma para um setor de trabalhadores que ainda tinha esperan\u00e7as no governo e vivenciou o que \u00e9 ter o PT como patr\u00e3o;<br \/>\n&#8211; houve processos de organiza\u00e7\u00e3o pela base, com a forma\u00e7\u00e3o de comandos de greve, forma\u00e7\u00e3o de grupos locais capazes de dar continuidade \u00e0s lutas e tamb\u00e9m sindicaliza\u00e7\u00f5es;<br \/>\n&#8211; contra a vontade do governo o dia 31 de agosto unificou as diversas categorias e criou informalmente uma data-base;<br \/>\n&#8211; v\u00e1rias categorias estavam h\u00e1 anos com congelamento e voltaram a se mobilizar. O resultado, ainda que distante das reivindica\u00e7\u00f5es, foi de fato uma ruptura com a pol\u00edtica de congelamento salarial que para algumas categorias j\u00e1 durava 6 anos;<br \/>\n&#8211; o governo foi for\u00e7ado a conceder mais do que concederia caso n\u00e3o houvesse greve;<br \/>\n&#8211; n\u00e3o chegou a haver o corte de ponto em v\u00e1rias categorias;<br \/>\n&#8211; algumas categorias permanecem em greve;<\/p>\n<p>Por fim, em termos de perspectivas, \u00e9 preciso destacar que a maior parte das reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas n\u00e3o foram atendidas. Continua em curso o sucateamento do servi\u00e7o p\u00fablico atrav\u00e9s das terceiriza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de concursos, falta de verbas, etc. Os problemas relacionados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o foram resolvidos, de modo que as lutas devem continuar no \u00e2mbito de cada setor. A batalha agora est\u00e1 em fazer com que os processos de organiza\u00e7\u00e3o pela base se tornem permanentes. Os grevistas ter\u00e3o agora o desafio de manter formas permanentes de organiza\u00e7\u00e3o para esses micro-enfrentamentos em cada local de trabalho.<\/p>\n<h3>Li\u00e7\u00f5es para as lutas que vir\u00e3o<\/h3>\n<p>Evidentemente, a burocracia sindical controlada pela CUT e seus sat\u00e9lites n\u00e3o cumpriria o papel de unificar as lutas, j\u00e1 que seu objetivo era ajudar o governo a derrot\u00e1-las. Mas o mais grave \u00e9 que as correntes que se colocam como alternativas ao movimento sindical governista, como Conlutas e Intersindical, n\u00e3o tiveram a capacidade de adotar essa pol\u00edtica. Seria o seu papel fazer um chamado \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o das lutas, \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o conjunta de todas as categorias do funcionalismo, e tamb\u00e9m do setor privado onde fosse poss\u00edvel, com um car\u00e1ter abertamente anti-governista. Seria uma oportunidade para apresentar a toda uma vanguarda de ativistas que surge nas greves a possibilidade de uma organiza\u00e7\u00e3o alternativa, de um sindicalismo combativo, classista, anti-governista, e independente.<\/p>\n<p>Em todos os setores os trabalhadores se perguntam porque n\u00e3o foi poss\u00edvel conquistar mais O desgaste da CUT tinha que ser aproveitado para construir uma alternativa. Essa possibilidade, por\u00e9m, parece n\u00e3o ter interessado \u00e0s correntes sindicais oposicionistas. Era papel da CSP Conlutas disputar n\u00e3o apenas a pauta espec\u00edfica das greves, mas combater o projeto global do governo, atrav\u00e9s de uma ampla campanha, com boletim, document\u00e1rio, carro de som, etc.N\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista, juntamente com o Movimento Revolucion\u00e1rio, propusemos no interior da CSP Conlutas que as greves fossem encaradas como uma luta pol\u00edtica contra o projeto do governo Dilma. Propusemos que fosse dada uma batalha nos espa\u00e7os organizativos de cada categoria em torno da unifica\u00e7\u00e3o das greves, e que fosse feita uma campanha nacional de apoio, com um dia nacional de luta com paralisa\u00e7\u00f5es, panfletagens massivas, atos com carros de som, etc. Com exce\u00e7\u00e3o de algumas iniciativas em algumas bases, essa pol\u00edtica n\u00e3o foi aplicada em n\u00edvel nacional pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da central, o PSTU. \u00c9 certo que a CSP Conlutas n\u00e3o dirige a maior parte das entidades do funcionalismo, mas era sua responsabilidade apresentar uma alternativa \u00e0s dire\u00e7\u00f5es governistas da CUT, disputando os rumos do movimento.<\/p>\n<p>Agora, o desafio se coloca para as categorias que entram em campanha salarial em setembro, como banc\u00e1rios, correios, petroleiros, metal\u00fargicos. Trabalhadores de empresas como Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica, ECT, Petrobr\u00e1s, tamb\u00e9m t\u00eam como patr\u00e3o o governo, devendo somar-se a setores do funcionalismo federal que ainda podem continuar em greve. A unidade entre essas categorias, com calend\u00e1rio unificado, paralisa\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea, comandos de greve e piquetes unificados, tamb\u00e9m teria o poder de desafiar o governo. Os setores combativos e de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia governista devem ter como prioridade construir um p\u00f3lo de unidade classista e anti-governista para organizar as lutas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso fazer um chamado \u00e0 base para a luta, colocando a mobiliza\u00e7\u00e3o acima da negocia\u00e7\u00e3o como m\u00e9todo preferencial.-Direito irrestrito de greve- por um calend\u00e1rio unificado de luta, com datas unit\u00e1rias para a deflagra\u00e7\u00e3o das greves, atos e manifesta\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias dos diversos setores;- comando tem que ser eleitos pela base, com mandatos revog\u00e1veis, referendados a cada momento;- por uma ampla campanha nacional com panfletagens massivas, atos, carros de som, v\u00eddeos, denunciando o projeto do governo e defendendo as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o Socialista<br \/>\nSetembro de 2012<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3>&nbsp;<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/servidores-federais-greve-20120809-01-size-598_0.jpg\" width=\"400\" height=\"225\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3>Onda de greves desafia o governo<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Entre os meses de julho e agosto de 2012 v&aacute;rias categorias do funcionalismo p&uacute;blico federal estiveram em greve (no caso dos professores das universidades federais no momento desta nota ainda permaneciam em greve), numa paralisa&ccedil;&atilde;o que envolveu quase 400 mil trabalhadores e mais de 30 categorias. A greve afetou setores estrat&eacute;gicos, como o controle das fronteiras, os portos, importa&ccedil;&otilde;es e exporta&ccedil;&otilde;es, etc., atrav&eacute;s da Pol&iacute;cia Rodovi&aacute;ria Federal, Receita Federal, Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria, etc., al&eacute;m de gerar um debate na sociedade, como foi o caso da greve das universidades. As reivindica&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;am reposi&ccedil;&atilde;o de perdas salariais, reestrutura&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias carreiras funcionais, contrata&ccedil;&atilde;o de mais funcion&aacute;rios, melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, al&eacute;m de v&aacute;rias quest&otilde;es espec&iacute;ficas de cada categoria.<\/p>\n<p>O governo Dilma atuou com extrema dureza ao longo de todo o processo. Foram poucas as negocia&ccedil;&otilde;es e a proposta de reajuste apresentado, 15,8% dilu&iacute;dos em tr&ecirc;s anos at&eacute; 2015, tem o problema de que, al&eacute;m de n&atilde;o repor as perdas em v&aacute;rias categorias, pode resultar em ainda mais perdas para os trabalhadores, considerando-se a infla&ccedil;&atilde;o que for registrada no per&iacute;odo. O governo apresentou sua proposta como sendo definitiva, com o argumento de que o dia 31 de agosto &eacute; a data limite para a entrega do or&ccedil;amento ao Congresso e depois disso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel incluir modifica&ccedil;&otilde;es (o que n&atilde;o &eacute; verdade, j&aacute; que todos os anos o or&ccedil;amento &eacute; estra&ccedil;alhado para contemplar interesses da burguesia).<\/p>\n<p>Ap&oacute;s ampla rejei&ccedil;&atilde;o na base, o governo fez algumas pequenas modifica&ccedil;&otilde;es na proposta  (aumento de adicional de qualifica&ccedil;&atilde;o, aumento de auxilio alimenta&ccedil;&atilde;o, entre outros) o que fez com que a  maioria das categorias aceitasse o acordo. No dia 28 de agosto 18 categorias aceitaram a proposta do governo e encerraram a greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Governo, judici&aacute;rio e m&iacute;dia contra os trabalhadores.<\/h3>\n<p>\nAl&eacute;m de ter sido inflex&iacute;vel na negocia&ccedil;&atilde;o, o governo contou com o apoio da m&iacute;dia, que jogou a opini&atilde;o p&uacute;blica contra os grevistas. A todo momento surgiam reportagens citando o quanto as reivindica&ccedil;&otilde;es do funcionalismo custariam aos cofres p&uacute;blicos. Os funcion&aacute;rios s&atilde;o apresentados como privilegiados pelo simples fato de terem estabilidade e ganharem mais, como se a condi&ccedil;&atilde;o de arrocho e instabilidade em que vivem os demais trabalhadores fosse o normal e aceit&aacute;vel. Trata-se de um brutal cinismo, que explora o desconhecimento dos trabalhadores do setor privado sobre as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho no servi&ccedil;o p&uacute;blico, para gerar ressentimento e divis&atilde;o da classe.<\/p>\n<p>Mas o mais grave &eacute; que essa mesma m&iacute;dia e o governo escondem que praticamente metade do or&ccedil;amento (algo em torno de escandalosos R$ 780 bilh&otilde;es de reais por ano) est&aacute; comprometido com o pagamento da d&iacute;vida para os banqueiros e agiotas. Uma quantia fabulosa de dinheiro que vai direto para o bolso dos especuladores, mas que deveria ser aplicado para melhorar o atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, os servi&ccedil;os p&uacute;blicos em geral, a educa&ccedil;&atilde;o em todos os n&iacute;veis, sa&uacute;de, transporte, cultura e lazer, etc. E para melhorar o atendimento da popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso naturalmente melhorar a remunera&ccedil;&atilde;o e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos funcion&aacute;rios.<\/p>\n<p>Para completar o operativo e lidar com o desafio das greves foram mobilizados, al&eacute;m dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, o judici&aacute;rio, que concedeu liminares impondo o trabalho de at&eacute; 80% da categoria, multa aos sindicatos, enfim todo tipo de ataque ao direito de greve, etc.. O judici&aacute;rio mais parece uma sucursal do executivo. Destacamos o papel do judici&aacute;rio e da m&iacute;dia porque s&atilde;o essas duas institui&ccedil;&otilde;es que o governo t&ecirc;m utilizado para impor as amea&ccedil;as contra a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores do servi&ccedil;o p&uacute;blico. Capas das revistas e dos grandes jornais, mat&eacute;rias de colunistas, entrevista de &ldquo;especialistas&rdquo; e de membros do governo, todos mentindo e exigindo do governo medidas (desde amea&ccedil;a de processo administrativo at&eacute; corte de ponto) contra as greves. J&aacute; o judici&aacute;rio, al&eacute;m das decis&otilde;es ditas acima, os trabalhadores do &oacute;rg&atilde;o tamb&eacute;m s&atilde;o v&iacute;timas de medidas como estas.<\/p>\n<p>Uma conclus&atilde;o importante &eacute; que trata-se de uma pol&iacute;tica de Estado contra os trabalhadores. V&aacute;rios parlamentares ligados ao capital j&aacute; declaram a necessidade de mudar a legisla&ccedil;&atilde;o, formando-se assim a tr&iacute;plice alian&ccedil;a (legislativo, executivo e judici&aacute;rio) contra os trabalhadores. Os partidos tamb&eacute;m n&atilde;o ficam atr&aacute;s. Todos os partidos burgueses e governistas, desde o PT at&eacute; o PSDB, est&atilde;o se mobilizando para  mudar a legisla&ccedil;&atilde;o e impor limita&ccedil;&otilde;es (muitas vezes inviabilizando a pr&oacute;pria greve) ao direito de greve. As declara&ccedil;&otilde;es de Ideli Salvatti (PT) contra a greve do funcionalismo p&uacute;blico e o requerimento de Alu&iacute;sio Nunes (PSDB) para acelerar a aprecia&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei do Senado PL-710\/2011 que &ldquo;disciplina&rdquo;\u009d o direito de greve do funcionalismo s&atilde;o algumas das evid&ecirc;ncias da unidade entre esses partidos quando se trata de atacar os trabalhadores que lutam pelos seus direitos.<\/p>\n<h3>A necessidade de enfrentar o projeto do governo<\/h3>\n<p>Essa ofensiva pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica contra as greves expressa o fato de que o movimento teve for&ccedil;a para desgastar o governo Dilma, j&aacute; abalado tamb&eacute;m pelo julgamento do mensal&atilde;o e CPI do Cachoeira, tudo isso em um ano eleitoral. O PT est&aacute; mal nas pesquisas em v&aacute;rios munic&iacute;pios. O desgaste &eacute; tamanho que at&eacute; mesmo alguns setores de base da CUT foram for&ccedil;ados a adotar ao menos um discurso de independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao governo. As greves apresentaram portanto um desafio aberto ao governo Dilma, que precisou enfrent&aacute;-las com dureza para garantir o prosseguimento do seu projeto. O governo chegou a amea&ccedil;ar usar o ex&eacute;rcito para garantir o funcionamento dos servi&ccedil;os. Esse projeto consiste em apoiar aos bancos, latifundi&aacute;rios, montadoras, construtoras, empreiteiras, transnacionais, etc., para que mantenham suas margens de lucro, num per&iacute;odo de crise econ&ocirc;mica internacional, que pode afetar o pa&iacute;s de maneira mais s&eacute;ria. O discurso &eacute; de que o pa&iacute;s precisa crescer para depois repartir o bolo, a mesma coisa que se dizia na &eacute;poca da ditadura, cujas fatias os trabalhadores est&atilde;o esperando at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que a prioridade do governo &eacute; sustentar os lucros do capital, e para isso tem destinado por&ccedil;&otilde;es cada vez maiores do or&ccedil;amento aos pacotes de ajuda &agrave;s empresas (empr&eacute;stimos, juros subsidiados, isen&ccedil;&otilde;es fiscais, etc.). O governo n&atilde;o quer abrir m&atilde;o desse projeto para atender &agrave;s necessidades dos funcion&aacute;rios e dos trabalhadores. Ao questionar a ajuda do governo &agrave;s empresas, a greve foi tamb&eacute;m uma luta contra a burguesia. Por isso, as reivindica&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores do servi&ccedil;o p&uacute;blico n&atilde;o foram atendidas e segue a passos largos o processo de sucateamento do servi&ccedil;o p&uacute;blico. Da mesma forma prosseguem as privatiza&ccedil;&otilde;es, os planos de reforma da Previd&ecirc;ncia (Fator 85-95), etc. Evidentemente, al&eacute;m de n&atilde;o questionar o pagamento da d&iacute;vida, a m&iacute;dia n&atilde;o questiona o fato de que o governo priorize ajudar as empresas &agrave;s custas dos trabalhadores.<\/p>\n<h3>As armas do governo e dos trabalhadores<\/h3>\n<p>Para se prevenir contra a possibilidade de outras mobiliza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores que ameacem o seu projeto, o governo aproveita o esvaziamento da onda de greves para tirar da gaveta projetos de &acirc;&euro;&oelig;regulamenta&ccedil;&atilde;o&acirc;&euro;\u009d do direito de greve do funcionalismo p&uacute;blico, pendente desde a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, e que agora podem vir a ser votados. O objetivo desses projetos &eacute; na verdade proibir as greves, sob o pretexto de n&atilde;o prejudicar o atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Quando se trata exatamente do contr&aacute;rio, pois os grevistas lutaram por melhorias no servi&ccedil;o p&uacute;blico!<\/p>\n<p>Enquanto ainda n&atilde;o consegue proibir legalmente as greves, o governo contou com a participa&ccedil;&atilde;o fundamental da CUT e seus sat&eacute;lites, que controlam boa parte das entidades representativas dos funcion&aacute;rios, para que as greves fossem esvaziadas. O controle do aparato sindical por correntes governistas, pelegas e pr&oacute;-patronais t&ecirc;m sido um fator estrat&eacute;gico para que as greves n&atilde;o avancem, tanto no setor p&uacute;blico como no setor privado.<\/p>\n<p>Pelo lado oposto, o lado dos trabalhadores, seria preciso que as greves avan&ccedil;assem para um outro patamar. Seria preciso enfrentar o discurso de que o atendimento &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es resultaria em gastos que prejudicariam as finan&ccedil;as p&uacute;blicas, colocando os funcion&aacute;rios como inimigos do equil&iacute;brio fiscal, dos programas sociais, da popula&ccedil;&atilde;o em geral, etc. Seria preciso denunciar em alto e bom som que o maior preju&iacute;zo para as contas p&uacute;blicas &eacute; o pagamento da d&iacute;vida e a ajuda &agrave;s empresas. Seria preciso encarar as lutas como um enfrentamento contra o governo Dilma e contra o conjunto do seu projeto de repassar aos trabalhadores os custos da crise via cortes no or&ccedil;amento para beneficiar o capital. As greves teriam que passar das lutas setoriais de cada categoria, ir al&eacute;m das quest&otilde;es corporativas, para se transformar numa luta global contra o projeto do governo.<\/p>\n<h3>\nReconstruir a unidade da classe<\/h3>\n<p>A greve poderia ter sido um desafio muito mais poderoso ao governo, se houvesse unifica&ccedil;&atilde;o. As reivindica&ccedil;&otilde;es parciais n&atilde;o foram atendidas porque o conjunto das greves n&atilde;o se unificou em um &uacute;nico movimento para colocar o governo em cheque. Esse movimento teria que construir um comando de greve unificado, composto por representantes eleitos em assembleia, com mandatos revog&aacute;veis, refletindo a real disposi&ccedil;&atilde;o de luta de cada setor. Seria preciso construir um calend&aacute;rio unificado, com paralisa&ccedil;&otilde;es simult&acirc;neas de todos os setores, a&ccedil;&otilde;es unificadas, atos e manifesta&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rios, marchas e ocupa&ccedil;&otilde;es massivas, impondo uma mesa &uacute;nica de negocia&ccedil;&atilde;o que garantisse um mesmo patamar para todos os setores. E tamb&eacute;m, quanto mais forte e unit&aacute;ria &eacute; a luta, mais dif&iacute;cil se torna para o governo adotar medidas repressivas, como corte de ponto, puni&ccedil;&otilde;es individuais, restri&ccedil;&otilde;es legislativas ao direito de greve em campanhas futuras, etc.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a luta n&atilde;o poderia ficar restrita ao funcionalismo. Trata-de de uma luta que interessa ao conjunto da classe por dois motivos: primeiro, a melhoria da remunera&ccedil;&atilde;o, das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, mais contrata&ccedil;&otilde;es, reestrutura&ccedil;&atilde;o das carreiras, etc., reivindicadas pelos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, resultaria em benef&iacute;cios para toda a popula&ccedil;&atilde;o, com a melhoria da qualidade e oferta dos servi&ccedil;os; e segundo, o questionamento do projeto do governo (de desviar dinheiro para garantir a lucratividade do capital via pagamento da d&iacute;vida) abriria caminho para o investimento naquilo que realmente interessa a todos trabalhadores: educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, moradia, saneamento, transportes, etc.Assim, a luta dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, por mais que eles pr&oacute;prios a enxergassem como uma s&eacute;rie de lutas parciais por suas quest&otilde;es espec&iacute;ficas, era no seu conjunto uma luta que interessava &agrave; totalidade dos trabalhadores. Para refletir isso, seria preciso construir mobiliza&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; greve tamb&eacute;m no setor privado, com um dia nacional de luta com paralisa&ccedil;&otilde;es, bloqueios de estradas, atos p&uacute;blicos, carro de som na frente das empresas, panfletagens, etc., numa ampla campanha de solidariedade classista.<\/p>\n<h3>\nApesar das v&aacute;rias contradi&ccedil;&otilde;es, uma vit&oacute;ria parcial<\/h3>\n<p>\nApesar do isolamento imposto pelo governo nas negocia&ccedil;&otilde;es e pelas dire&ccedil;&otilde;es sindicais governistas, um certo grau de unidade se manifestou objetivamente. No seu conjunto, as v&aacute;rias greves acabaram constituindo objetivamente uma greve geral do funcionalismo p&uacute;blico federal, mesmo que os diversos movimentos de cada categoria n&atilde;o tivessem sido desencadeados com esse objetivo. Mesmo tendo surgido de forma assim improvisada\u009d, a greve foi muito forte e teve impacto na sociedade. Consideramos que o movimento foi uma vit&oacute;ria parcial, apesar de v&aacute;rios problemas, tais como:<\/p>\n<p>&#8211; o resultado econ&ocirc;mico de 15% em tr&ecirc;s anos foi insuficiente, pois pode ser corro&iacute;do pela infla&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo;<br \/>\n&#8211; torna-se dif&iacute;cil at&eacute; do ponto de vista jur&iacute;dico desencadear uma nova greve por quest&otilde;es salariais no per&iacute;odo coberto pelo acordo;<br \/>\n&#8211; as c&uacute;pulas das confedera&ccedil;&otilde;es decidiram pelo fim da greve, passando por cima dos sindicatos nas bases locais. As assembleias, nos locais em que as houve, deliberaram em cima de um acordo j&aacute; consumado;<br \/>\n&#8211; o governo vai aproveitar o debate feito contra a greve para desencadear os projetos de lei sobre greves do funcionalismo p&uacute;blico federal, com o objetivo de proibir as greves. Essa pol&iacute;tica &eacute; parte de uma ofensiva geral contra o direito de greve, que atinge tamb&eacute;m o setor privado;<br \/>\nMesmo considerando esses elementos de contradi&ccedil;&atilde;o, a greve foi uma vit&oacute;ria parcial pelos seguintes motivos:<br \/>\n&#8211; a greve se imp&ocirc;s passando por cima das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas e governistas que queriam evitar que fosse travada a luta;<br \/>\n&#8211; a greve trouxe uma experi&ecirc;ncia de luta importante para um grande setor de trabalhadores, que mediu for&ccedil;as com o governo;<br \/>\n&#8211; a greve demonstrou de que lado est&atilde;o os dirigentes sindicais e o pr&oacute;prio governo. Caiu a m&aacute;scara do governo Dilma para um setor de trabalhadores que ainda tinha esperan&ccedil;as no governo e vivenciou o que &eacute; ter o PT como patr&atilde;o;<br \/>\n&#8211; houve processos de organiza&ccedil;&atilde;o pela base, com a forma&ccedil;&atilde;o de comandos de greve, forma&ccedil;&atilde;o de grupos locais capazes de dar continuidade &agrave;s lutas e tamb&eacute;m sindicaliza&ccedil;&otilde;es;<br \/>\n&#8211; contra a vontade do governo o dia 31 de agosto unificou as diversas categorias e criou informalmente uma data-base;<br \/>\n&#8211; v&aacute;rias categorias estavam h&aacute; anos com congelamento e voltaram a se mobilizar. O resultado, ainda que distante das reivindica&ccedil;&otilde;es, foi de fato uma ruptura com a pol&iacute;tica de congelamento salarial que para algumas categorias j&aacute; durava 6 anos;<br \/>\n&#8211; o governo foi for&ccedil;ado a conceder mais do que concederia caso n&atilde;o houvesse greve;<br \/>\n&#8211; n&atilde;o chegou a haver o corte de ponto em v&aacute;rias categorias;<br \/>\n&#8211; algumas categorias permanecem em greve;<\/p>\n<p>Por fim, em termos de perspectivas, &eacute; preciso destacar que a maior parte das reivindica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas n&atilde;o foram atendidas. Continua em curso o sucateamento do servi&ccedil;o p&uacute;blico atrav&eacute;s das terceiriza&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o de concursos, falta de verbas, etc. Os problemas relacionados &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho n&atilde;o foram resolvidos, de modo que as lutas devem continuar no &acirc;mbito de cada setor. A batalha agora est&aacute; em fazer com que os processos de organiza&ccedil;&atilde;o pela base se tornem permanentes. Os grevistas ter&atilde;o agora o desafio de manter formas permanentes de organiza&ccedil;&atilde;o para esses micro-enfrentamentos em cada local de trabalho.<\/p>\n<h3>\nLi&ccedil;&otilde;es para as lutas que vir&atilde;o<\/h3>\n<p>\nEvidentemente, a burocracia sindical controlada pela CUT e seus sat&eacute;lites n&atilde;o cumpriria o papel de unificar as lutas, j&aacute; que seu objetivo era ajudar o governo a derrot&aacute;-las. Mas o mais grave &eacute; que as correntes que se colocam como alternativas ao movimento sindical governista, como Conlutas e Intersindical, n&atilde;o tiveram a capacidade de adotar essa pol&iacute;tica. Seria o seu papel fazer um chamado &agrave; unifica&ccedil;&atilde;o das lutas, &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o conjunta de todas as categorias do funcionalismo, e tamb&eacute;m do setor privado onde fosse poss&iacute;vel, com um car&aacute;ter abertamente anti-governista. Seria uma oportunidade para apresentar a toda uma vanguarda de ativistas que surge nas greves a possibilidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o alternativa, de um sindicalismo combativo, classista, anti-governista, e independente.<\/p>\n<p>Em todos os setores os trabalhadores se perguntam porque n&atilde;o foi poss&iacute;vel conquistar mais O desgaste da CUT tinha que ser aproveitado para construir uma alternativa. Essa possibilidade, por&eacute;m, parece n&atilde;o ter interessado &agrave;s correntes sindicais oposicionistas. Era papel da CSP Conlutas disputar n&atilde;o apenas a pauta espec&iacute;fica das greves, mas combater o projeto global do governo, atrav&eacute;s de uma ampla campanha, com boletim, document&aacute;rio, carro de som, etc.N&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista, juntamente com o Movimento Revolucion&aacute;rio, propusemos no interior da CSP Conlutas que as greves fossem encaradas como uma luta pol&iacute;tica contra o projeto do governo Dilma. Propusemos que fosse dada uma batalha nos espa&ccedil;os organizativos de cada categoria em torno da unifica&ccedil;&atilde;o das greves, e que fosse feita uma campanha nacional de apoio, com um dia nacional de luta com paralisa&ccedil;&otilde;es, panfletagens massivas, atos com carros de som, etc. Com exce&ccedil;&atilde;o de algumas iniciativas em algumas bases, essa pol&iacute;tica n&atilde;o foi aplicada em n&iacute;vel nacional pela dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da central, o PSTU. &Eacute; certo que a CSP Conlutas n&atilde;o dirige a maior parte das entidades do funcionalismo, mas era sua responsabilidade apresentar uma alternativa &agrave;s dire&ccedil;&otilde;es governistas da CUT, disputando os rumos do movimento.<\/p>\n<p>Agora, o desafio se coloca para as categorias que entram em campanha salarial em setembro, como banc&aacute;rios, correios, petroleiros, metal&uacute;rgicos. Trabalhadores de empresas como Banco do Brasil, Caixa Econ&ocirc;mica, ECT, Petrobr&aacute;s, tamb&eacute;m t&ecirc;m como patr&atilde;o o governo, devendo somar-se a setores do funcionalismo federal que ainda podem continuar em greve. A unidade entre essas categorias, com calend&aacute;rio unificado, paralisa&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea, comandos de greve e piquetes unificados, tamb&eacute;m teria o poder de desafiar o governo. Os setores combativos e de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; burocracia governista devem ter como prioridade construir um p&oacute;lo de unidade classista e anti-governista para organizar as lutas que vir&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso fazer um chamado &agrave; base para a luta, colocando a mobiliza&ccedil;&atilde;o acima da negocia&ccedil;&atilde;o como m&eacute;todo preferencial.-Direito irrestrito de greve- por um calend&aacute;rio unificado de luta, com datas unit&aacute;rias para a deflagra&ccedil;&atilde;o das greves, atos e manifesta&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias dos diversos setores;- comando tem que ser eleitos pela base, com mandatos revog&aacute;veis, referendados a cada momento;- por uma ampla campanha nacional com panfletagens massivas, atos, carros de som, v&iacute;deos, denunciando o projeto do governo e defendendo as reivindica&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Espa&ccedil;o Socialista<br \/>\nSetembro de 2012<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=355"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":641,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355\/revisions\/641"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}