{"id":3588,"date":"2014-11-27T00:41:35","date_gmt":"2014-11-27T02:41:35","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3588"},"modified":"2018-05-01T00:48:14","modified_gmt":"2018-05-01T03:48:14","slug":"jornal-74-a-desafiante-juventude-de-hong-kong","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/11\/jornal-74-a-desafiante-juventude-de-hong-kong\/","title":{"rendered":"Jornal 74: A desafiante juventude de Hong Kong"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3589\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/hong-kong-2.jpg\" alt=\"HONG KONG-CHINA-POLITICS-DEMOCRACY\" width=\"595\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/hong-kong-2.jpg 595w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/hong-kong-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/hong-kong-2-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><br \/>\nDesde julho milhares de estudantes participam de manifesta\u00e7\u00f5es e boicotam as aulas (n\u00e3o a aprendizagem) em Hong Kong para participarem ativamente das decis\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds.<br \/>\nS\u00e3o jovens universit\u00e1rios e secundaristas, a partir de 13 anos, que amargam a dura viol\u00eancia policial \u2013 como a que temos vivido no Brasil com a repress\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es e presenciado em v\u00e1rias partes do mundo nesses \u00faltimos tempos \u2013 mas est\u00e3o protagonizando a jornada de lutas chamada de \u201cRevolta do Guarda Chuva\u201d (usado pelos ativistas para se protegerem do g\u00e1s de pimenta).<br \/>\nLutam contra a decis\u00e3o do parlamento chin\u00eas que aprovou uma medida limitando o n\u00famero de candidatos a chefe de Estado para a elei\u00e7\u00e3o de 2017 em Hong Kong. No pleito poder\u00e1 ter apenas dois ou tr\u00eas candidatos que, para concorrerem, dever\u00e3o ter sido aprovados anteriormente por um Comit\u00ea Consultivo, de 800 representantes de setores econ\u00f4micos e sociais, institu\u00eddo pelo governo da China, possivelmente controlados politicamente pelo governo chin\u00eas.<br \/>\nE exigem, dentre outras pautas, a democratiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, o sufr\u00e1gio universal com voto direto, o fim da corrup\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os p\u00fablicos e a ren\u00fancia do chefe de Estado de Hong Kong.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A REALIDADE QUE PRESSIONA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hong Kong \u00e9 uma regi\u00e3o administrativa da China e possui o status de \u201cpa\u00eds com dois sistemas\u201d. Foi col\u00f4nia do Reino Unido at\u00e9 1997 e devolvida para a China. A partir do acordo, a China, mant\u00e9m seus \u00f3rg\u00e3os de defesa e as pol\u00edticas externas, mas garante a preserva\u00e7\u00e3o em Hong Kong do sistema econ\u00f4mico e do modo de vida at\u00e9 2047.<br \/>\n\u00c9 considerado um dos maiores centros financeiros internacionais e pela localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e9 por onde passa a maior parte das exporta\u00e7\u00f5es chinesas. No entanto, enfrenta a desacelera\u00e7\u00e3o da economia. De 2012 para c\u00e1 o crescimento do PIB vem caindo com proje\u00e7\u00e3o negativa para 2014. Mais de 1 milh\u00e3o de pessoas vivem na linha de pobreza, que \u00e9 igual a metade dos rendimentos m\u00e9dios. Os trabalhadores est\u00e3o com os sal\u00e1rios estagnados h\u00e1 anos (n\u00e3o acompanham o aumento da infla\u00e7\u00e3o e nem do custo de vida). N\u00e3o existem leis que regulem a jornada de trabalho, hoje de 49 horas semanais.<br \/>\nA maioria dos sindicatos \u00e9 controlada por for\u00e7as pol\u00edticas ligadas ao governo chin\u00eas, mas a partir das lutas dos \u00faltimos anos t\u00eam surgido novos sindicatos independentes, que s\u00e3o financeiramente pequenos e n\u00e3o conseguem ainda a ades\u00e3o suficiente de trabalhadores. Mesmo assim, a Confedera\u00e7\u00e3o dos Sindicatos de Hong Kong (HKCTU), independente e com ra\u00edzes no movimento oper\u00e1rio, chamou uma greve em apoio aos protestos.<br \/>\nPor outro lado, na China, que n\u00e3o \u00e9 comunista coisa nenhuma \u2013 onde a estatiza\u00e7\u00e3o favorece um pequeno setor da sociedade (burocracia e burguesia), a classe trabalhadora \u00e9 mantida sob intensa explora\u00e7\u00e3o e sob controle \u00e0 custa de duras medidas antidemocr\u00e1ticas, que retiram o direito de livre organiza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o controla os meios de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o da riqueza produzida no pa\u00eds \u2013 o governo condena os protestos e busca fortalecer o governo de Hong Kong, sobretudo para evitar que se estendam pela China, por Taiwan, Macau e Tibete. Embora, em Macau, cerca de 500 ativistas j\u00e1 tenham se manifestado em solidariedade aos estudantes.<br \/>\nA partir da repercuss\u00e3o internacional e do apoio popular \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es, o governo chin\u00eas recuou na intensidade da repress\u00e3o, muito forte nas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es, para evitar compara\u00e7\u00e3o com da viol\u00eancia policial atual \u00e0 do epis\u00f3dio do massacre da Pra\u00e7a da Paz Celestial, em 1989, mas acionou a repress\u00e3o \u201cextra-oficial\u201d das mil\u00edcias pr\u00f3-Pequim.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">AS DIFICULDADES NA LUTA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns desses manifestantes j\u00e1 haviam participado dos protestos de 2012, quando mais de 100 mil tomaram as ruas contra uma reforma na Educa\u00e7\u00e3o que alteraria o curr\u00edculo, estimularia o patriotismo e implantaria um programa de Educa\u00e7\u00e3o Moral. Ocuparam a sede do governo at\u00e9 a derrubada do projeto de Reforma.<br \/>\nEsse ano, al\u00e9m do enfrentamento direto dos manifestantes com a repress\u00e3o, com o governo chin\u00eas e com o governo de Hong Kong os ativistas enfrentam tamb\u00e9m problemas entre os ativistas.<br \/>\nComo no Brasil e em v\u00e1rias outras manifesta\u00e7\u00f5es pelo mundo o rumo pol\u00edtico, os m\u00e9todos de luta, contra quem e contra o que lutar s\u00e3o quest\u00f5es fundamentais para n\u00e3o corrermos o risco de seguir \u00e0 direita. No caso de Hong Kong parte dos ativistas n\u00e3o assume a pauta da transforma\u00e7\u00e3o social do ponto de vista daqueles que produzem a riqueza do pa\u00eds e que comp\u00f5em a classe trabalhadora. Alguns est\u00e3o \u00e0 direita e o discurso favorece a divis\u00e3o e n\u00e3o a unidade da luta. Isso \u00e9 importante para a burguesia, que precisa dos estudantes e trabalhadores divididos para continuar explorando.<br \/>\nA Federa\u00e7\u00e3o dos Estudantes de Hong Kong (HKFS), a Occupy Central with Love and Peace\u201d (OCLP), Paix\u00e3o C\u00edvica e Nativists s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o nos protestos. Estas duas \u00faltimas pregam o racismo contra China. A segunda \u00e9 dirigida por professores. E a HKFS esteve \u00e0 frente e construiu o protesto \u2013 com meio milh\u00e3o de pessoas e a organiza\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o de Julho \u2013 em que 511 pessoas foram presas, e em setembro chamou uma semana de greves estudantis em que teve apoio massivo com mais de 200 mil pessoas nas ruas.<br \/>\nEmbora tenham organiza\u00e7\u00f5es de esquerda anticapitalistas e antigovernistas \u00e0 frente das manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o possuem for\u00e7a suficiente para ampliar a luta para al\u00e9m das demandas eleitorais, mas agitam a necessidade de expandir e unir o movimento com greves oper\u00e1rias e a luta por democracia para o restante da China e Tibete. Esse per\u00edodo de manifesta\u00e7\u00f5es estudantis expressa um processo de lutas que inclui setores oper\u00e1rios, como a greve portu\u00e1ria, em 2013, que durou seis semanas. E se a luta se alastra as j\u00e1 muitas lutas dos trabalhadores chineses podem ganham um novo impulso.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A FALTA DA ALTERNATIVA SOCIALISTA NOS MASSACRA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudantes universit\u00e1rios adotaram o lema \u201cboicote \u00e0s aulas, n\u00e3o \u00e0 aprendizagem\u201d e organizam confer\u00eancias p\u00fablicas em frente \u00e0 sede do governo com professores e outros simpatizantes fazendo as interven\u00e7\u00f5es. Os que n\u00e3o participam ativamente dos protestos se identificam atrav\u00e9s de fitas (amarelos ap\u00f3iam o movimento, azuis ap\u00f3iam a pol\u00edcia e verdes s\u00e3o neutros dizem amar todas as pessoas de Hong Kong) e organizam a\u00e7\u00f5es de apoio para arrecada\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, rem\u00e9dio, servi\u00e7o m\u00e9dico, etc.<br \/>\nA luta tem sido longa e \u00e1rdua. E verdadeiramente se repete nas v\u00e1rias partes do mundo com a juventude. Diferem as pautas, igualam as necessidades.<br \/>\nN\u00e3o consideramos a China como socialista e nem comunista, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um pa\u00eds capitalista e com a burocracia estatal se apropriando, junto com a burguesia, do que \u00e9 produzido pelos trabalhadores com uma brutal explora\u00e7\u00e3o e controle do poder com m\u00e3o de ferro.<br \/>\nE Hong Kong \u00e9 o bom exemplo da necessidade de supera\u00e7\u00e3o do capitalista, da burocracia e da necessidade dos trabalhadores assumirem o poder e o controle das decis\u00f5es que dizem respeito a nossas vidas.<br \/>\nA luta por conquistas imediatas ou democr\u00e1ticas, com toda a import\u00e2ncia, possibilitam-nos avan\u00e7os, n\u00e3o transformam as nossas vidas. Isso pudemos observar, por exemplo, na experi\u00eancia da \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d em que o movimento se limitou \u00e0 luta democr\u00e1tica enquanto que setores burgueses (e at\u00e9 do imperialismo) se apropriaram dessa bandeira e conquistaram a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do movimento.<br \/>\nCom o avan\u00e7o das ideias e das organiza\u00e7\u00f5es de direita e fascistas \u2013 que buscam retroceder em qualquer conquista da classe trabalhadora, incentivam o racismo e a xenofobia entre trabalhadores, dentre outras quest\u00f5es, para manter a sociedade controlada de cima a baixo beneficiando a burguesia \u2013 em Hong Kong pode-se dar algo parecido.<br \/>\nEm todos os momentos das \u00faltimas lutas e manifesta\u00e7\u00f5es da juventude, em v\u00e1rias partes do mundo, temos nos deparado com as mesmas quest\u00f5es: A aus\u00eancia da consci\u00eancia de classe e de esquerda, a aus\u00eancia da classe oper\u00e1ria como sujeito pol\u00edtico desses processos, a n\u00e3o unidade nas lutas das organiza\u00e7\u00f5es anticapitalistas, antigovernistas e antiburocr\u00e1ticas e a aus\u00eancia da alternativa socialista facilitam o trabalho para que as correntes burguesas se apresentem como dire\u00e7\u00e3o para derrotar a mobiliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMesmo com as contradi\u00e7\u00f5es e os limites das lutas, a juventude no mundo tem dado um novo impulso a todas essas manifesta\u00e7\u00f5es. Somente com as lutas xs filhxs da classe trabalhadora ir\u00e3o aprendendo com os seus erros e acertos, fazendo experi\u00eancias com as dire\u00e7\u00f5es dos movimentos para se constru\u00edrem como vanguarda classista e independente para dar saltos pela constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa socialista.<br \/>\n\u00c9 urgente que filhxs da classe trabalhadora se reconhe\u00e7am como parte da classe para que em cada a\u00e7\u00e3o consciente a dosagem de coragem, criatividade e for\u00e7a espalhadas pelo mundo possa fazer ruir esse sistema de explora\u00e7\u00e3o que nos obriga a despender de toda a nossa energia com sua barb\u00e1rie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde julho milhares de estudantes participam de manifesta\u00e7\u00f5es e boicotam as aulas (n\u00e3o a aprendizagem) em Hong Kong para participarem<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3588"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3588"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6034,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3588\/revisions\/6034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}