{"id":359,"date":"2012-09-27T15:34:52","date_gmt":"2012-09-27T18:34:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/359"},"modified":"2013-01-19T17:44:49","modified_gmt":"2013-01-19T19:44:49","slug":"escandalosa-aceitacao-de-dinheiro-das-empresas-pela-frente-eleitoral-em-belem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/09\/escandalosa-aceitacao-de-dinheiro-das-empresas-pela-frente-eleitoral-em-belem\/","title":{"rendered":"Escandalosa aceita\u00e7\u00e3o de dinheiro das empresas pela Frente Eleitoral em Bel\u00e9m&#8230;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<h3>Ao inv&eacute;s de romper, PSTU permanece compondo a Frente Popular!<\/h3>\n<p>A coliga&ccedil;&atilde;o PSOL\/PC do B e PSTU em Bel&eacute;m vai adquirindo cada vez mais um tom de desmoraliza&ccedil;&atilde;o para aqueles que buscam uma alternativa independente dos patr&otilde;es e dos governos. <\/p>\n<p>O problema &eacute; que para al&eacute;m das organiza&ccedil;&otilde;es (PSOL e PSTU) h&aacute; o risco de desmoraliza&ccedil;&atilde;o de todo um setor da vanguarda n&atilde;o apenas em Bel&eacute;m, mas em outras regi&otilde;es, pois os fatos l&aacute; ocorridos t&ecirc;m impacto nacional, expressam os limites dessas organiza&ccedil;&otilde;es e, ao mesmo tempo levantam questionamentos muito s&eacute;rios em termos de rumos e que tipo de organiza&ccedil;&otilde;es se est&aacute; construindo.    <\/p>\n<p>O primeiro problema foi a aceita&ccedil;&atilde;o por parte do PSOL em compor com o PC do B uma Frente para as elei&ccedil;&otilde;es em Bel&eacute;m. Ora, o PC do B hoje &eacute; um partido que representa os setores da burocracia sindical e pol&iacute;tica, que defende um programa burgu&ecirc;s, governista como vimos na sua elabora&ccedil;&atilde;o e defesa do novo C&oacute;digo Florestal que favorece o agroneg&oacute;cio em detrimento do meio ambiente. Da mesma forma est&aacute; atolado at&eacute; o pesco&ccedil;o na corrup&ccedil;&atilde;o como vimos no caso do ministro dos esportes, no ano passado. Nos sindicatos que dirige, o PC do B mostra claramente sua face governista e imobilista. <\/p>\n<p>Depois tivemos a escandalosa entrada do PSTU nessa Frente, com o argumento de que seria para levar as propostas do partido para setores mais amplos dos trabalhadores, disputar a base da Frente e tentar eleger um vereador. <\/p>\n<p>Obviamente que, de todos os objetivos, o que pesou mais foi o &uacute;ltimo, pois ao integrar a Frente o PSTU acaba convalidando-a e ao mesmo tempo ficando em piores condi&ccedil;&otilde;es para travar uma campanha independente, &agrave; medida em que est&aacute; diretamente associado &agrave; Frente com o PC do B governista. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso o peso do PC do B na Chapa  n&atilde;o &eacute; de modo algum secund&aacute;rio, pois tem a vice-prefeitura na Chapa e tamb&eacute;m candidatos a vereador de peso. <\/p>\n<p>Por mais que o PSTU tente fazer sua campanha olhando para outro lado, o cheiro ruim est&aacute; no ar&#8230;<\/p>\n<p>Mas agora vem a p&uacute;blico outro fato de extrema gravidade: a aceita&ccedil;&atilde;o de dinheiro das empresas para a Frente Bel&eacute;m nas M&atilde;o do Povo. &Eacute; o pr&oacute;prio PSTU quem denuncia:  <\/p>\n<p>&ldquo;Um fato grave, no entanto, ocorreu em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; campanha da Frente &ldquo;Bel&eacute;m nas M&atilde;os do Povo&rdquo; encabe&ccedil;ada pelo companheiro Edmilson Rodrigues (PSOL), na qual n&oacute;s do PSTU estamos inseridos. Um total de R$ 389.405,57 j&aacute; foram doados por empresas &agrave; campanha de Edmilson Rodrigues, candidato a prefeito de Bel&eacute;m. No site do Tribunal Superior Eleitoral &eacute; poss&iacute;vel conferir o nome do doador e o valor que foi doado por cada pessoa f&iacute;sica ou jur&iacute;dica para cada candidato. Lamentavelmente, pelo que foi declarado, tudo indica que a dire&ccedil;&atilde;o do PSOL e o companheiro Edmilson resolveram trilhar o mesmo caminho do PT no que toca esse aspecto do financiamento das campanhas eleitorais. S&oacute; de uma empresa de Salvador (BA), a COGEP CONSTRU&Ccedil;&Otilde;ES E GEST&Atilde;O AMBIENTAL LTDA, a campanha recebeu a quantia de R$ 160.000, mais do que os R$ 100.000 doados pela Gerdau em 2008 para a campanha de Luciana Genro (PSOL) &agrave; prefeitura de Porto Alegre, ocasi&atilde;o que gerou um intenso debate na esquerda socialista brasileira sobre os rumos deste partido e sobre este tipo de pr&aacute;tica que caracteriza o vale-tudo eleitoral.&rdquo; (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>Para os ativistas e militantes ou at&eacute; mesmo para qualquer trabalhador com um pouco de senso cr&iacute;tico nem &eacute; preciso argumentar muito.  O recebimento de dinheiro de empresas n&atilde;o &eacute; uma doa&ccedil;&atilde;o e sim um investimento que a burguesia realiza para depois obter um retorno muito maior atrav&eacute;s de concess&otilde;es do obras, superfaturamentos e desvios de verbas. Este &ldquo;mecanismo cl&aacute;ssico&rdquo; est&aacute; na raiz da corrup&ccedil;&atilde;o de estado e estamos fartos de ver todos os meses algum esc&acirc;ndalo revelado. <\/p>\n<p>Vimos onde levou essa pr&aacute;tica no PT nos casos do Valerioduto, do esquema do Cachoeira e tantos outros, que inclusive levaram &agrave; morte de Celso Daniel. <\/p>\n<p>Essa adapta&ccedil;&atilde;o do PSOL a ponto de receber dinheiro de empresas em suas campanhas vem se tornando uma pr&aacute;tica cada vez mais corrente no partido, da mesma forma que suas alian&ccedil;as com partidos burgueses nas elei&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Isso mostra que esse partido j&aacute; est&aacute; com sua independ&ecirc;ncia de classe comprometida, por mais que em seu interior haja correntes e militantes que tenham uma postura classista.<\/p>\n<p>Sobre a gravidade da aceita&ccedil;&atilde;o de dinheiro das empresas por parte da Frente, o PSTU tamb&eacute;m tra&ccedil;a o diagn&oacute;stico corretamente:<\/p>\n<p>&ldquo;Esse n&atilde;o &eacute; um tema menor. Ao contr&aacute;rio, trata-se de uma quest&atilde;o estrat&eacute;gica, pois n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel construir uma campanha e, a posteriori, um governo dos trabalhadores e do povo pobre se este n&atilde;o for independente financeiramente da burguesia, mesmo que se trate de pequenas e m&eacute;dias empresas, como &eacute; o caso em Bel&eacute;m. N&atilde;o existe independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica sem independ&ecirc;ncia financeira, pois, como diz o ditado popular, &ldquo;quem paga a banda, escolhe a m&uacute;sica.&rdquo; (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>Mas ao constatar a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, o que deveria fazer o PSTU? <\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o mais l&oacute;gica seria a ruptura p&uacute;blica com a Frente, a den&uacute;ncia da situa&ccedil;&atilde;o e a abertura p&uacute;blica dessa discuss&atilde;o em Bel&eacute;m e no pa&iacute;s como forma de demonstrar cabalmente sua desvincula&ccedil;&atilde;o com uma Frente que n&atilde;o &eacute; independente da burguesia.<\/p>\n<p>\nNo entanto, o PSTU solta uma nota criticando duramente a postura do PSOL, mas do ponto de vista pr&aacute;tico&#8230; segue na Frente! N&atilde;o &eacute; coerente com a gravidade da motiva&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio, segue na Frente, chamando o voto para essa candidatura.<\/p>\n<p>&ldquo;O PSTU est&aacute; jogando todos os seus esfor&ccedil;os para eleger Edmilson prefeito de Bel&eacute;m no 1&deg; turno contra os candidatos da burguesia e do governo, para que nossa cidade seja governada pelos trabalhadores e com um programa em defesa de nossa classe, sem os patr&otilde;es e o seu dinheiro sujo.&rdquo; (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>Isso significa que vai chamar o voto na Frente, mesmo diante de toda a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>Ora, existe uma contradi&ccedil;&atilde;o entre o que diz e o que faz. Na a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, escolhe permanecer em uma Frente que n&atilde;o tem independ&ecirc;ncia frente &agrave; burguesia e que, portanto, n&atilde;o poder&aacute; apontar no sentido da resolu&ccedil;&atilde;o dos principais problemas que afetam a cidade.<\/p>\n<p>Essa capitula&ccedil;&atilde;o (mais uma) demonstra que o PSTU vai progressivamente comprometendo seu car&aacute;ter de independ&ecirc;ncia de classe, vez que n&atilde;o coloca como centro de sua atua&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica a necessidade de demarcar claramente o campo dos trabalhadores e, dessa forma, contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia de classe entre os trabalhadores e na vanguarda. Tudo isso almejando a elei&ccedil;&atilde;o de um vereador&#8230;<\/p>\n<p>Ao n&atilde;o romper com a Frente e ficar apenas no campo da den&uacute;ncia, o PSTU compactua na pr&aacute;tica com o ocorrido e demonstra que para sua dire&ccedil;&atilde;o a possibilidade de eleger um vereador tem mais import&acirc;ncia do que o desenvolvimento do movimento e da consci&ecirc;ncia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Isso &eacute; muito grave, justamente num momento em que as refer&ecirc;ncias de classe est&atilde;o confundidas pela a&ccedil;&atilde;o do PT em todos esses anos de governo, de acordos e pactos com a burguesia nos sindicatos em que o PT e o PC do B dirigem. <\/p>\n<p>Essa tr&aacute;gica situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem como terminar bem. Os militantes do PSTU e os ativistas pr&oacute;ximos, n&atilde;o aceitar&atilde;o passivamente toda essa capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia burguesa e a participa&ccedil;&atilde;o do PSTU nessa Frente Popular em Bel&eacute;m. <\/p>\n<p>Esse tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; um fato qualquer e demonstra, assim como outros que vimos analisando em nossas publica&ccedil;&otilde;es, que, justamente no momento em que se exige a firmeza e a coer&ecirc;ncia da parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, tanto o PSOL, mas agora tamb&eacute;m o PSTU n&atilde;o passam no teste.<br \/>\nIsso por sua vez coloca como necessidade pr&aacute;tica a discuss&atilde;o e iniciativas que avancem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria que esteja &agrave; altura dos desafios que tendem a se intensificar nos pr&oacute;ximos anos. A cr&iacute;tica aqui posta, mais do que algo direcionado somente ao PSTU ou PSOL, deve servir como alerta e direcionamento para toda a Esquerda que se pretende revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nEspa&ccedil;o Socialista, 27 de setembro de 2012<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<h3>Ao inv&eacute;s de romper, PSTU permanece compondo a Frente Popular!<\/h3>\n<p>A coliga&ccedil;&atilde;o PSOL\/PC do B e PSTU em Bel&eacute;m vai adquirindo cada vez mais um tom de desmoraliza&ccedil;&atilde;o para aqueles que buscam uma alternativa independente dos patr&otilde;es e dos governos. <\/p>\n<p>O problema &eacute; que para al&eacute;m das organiza&ccedil;&otilde;es (PSOL e PSTU) h&aacute; o risco de desmoraliza&ccedil;&atilde;o de todo um setor da vanguarda n&atilde;o apenas em Bel&eacute;m, mas em outras regi&otilde;es, pois os fatos l&aacute; ocorridos t&ecirc;m impacto nacional, expressam os limites dessas organiza&ccedil;&otilde;es e, ao mesmo tempo levantam questionamentos muito s&eacute;rios em termos de rumos e que tipo de organiza&ccedil;&otilde;es se est&aacute; construindo.    <\/p>\n<p>O primeiro problema foi a aceita&ccedil;&atilde;o por parte do PSOL em compor com o PC do B uma Frente para as elei&ccedil;&otilde;es em Bel&eacute;m. Ora, o PC do B hoje &eacute; um partido que representa os setores da burocracia sindical e pol&iacute;tica, que defende um programa burgu&ecirc;s, governista como vimos na sua elabora&ccedil;&atilde;o e defesa do novo C&oacute;digo Florestal que favorece o agroneg&oacute;cio em detrimento do meio ambiente. Da mesma forma est&aacute; atolado at&eacute; o pesco&ccedil;o na corrup&ccedil;&atilde;o como vimos no caso do ministro dos esportes, no ano passado. Nos sindicatos que dirige, o PC do B mostra claramente sua face governista e imobilista. <\/p>\n<p>Depois tivemos a escandalosa entrada do PSTU nessa Frente, com o argumento de que seria para levar as propostas do partido para setores mais amplos dos trabalhadores, disputar a base da Frente e tentar eleger um vereador. <\/p>\n<p>Obviamente que, de todos os objetivos, o que pesou mais foi o &uacute;ltimo, pois ao integrar a Frente o PSTU acaba convalidando-a e ao mesmo tempo ficando em piores condi&ccedil;&otilde;es para travar uma campanha independente, &agrave; medida em que est&aacute; diretamente associado &agrave; Frente com o PC do B governista. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso o peso do PC do B na Chapa  n&atilde;o &eacute; de modo algum secund&aacute;rio, pois tem a vice-prefeitura na Chapa e tamb&eacute;m candidatos a vereador de peso. <\/p>\n<p>Por mais que o PSTU tente fazer sua campanha olhando para outro lado, o cheiro ruim est&aacute; no ar&#8230;<\/p>\n<p>Mas agora vem a p&uacute;blico outro fato de extrema gravidade: a aceita&ccedil;&atilde;o de dinheiro das empresas para a Frente Bel&eacute;m nas M&atilde;o do Povo. &Eacute; o pr&oacute;prio PSTU quem denuncia:  <\/p>\n<p>&ldquo;Um fato grave, no entanto, ocorreu em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; campanha da Frente &ldquo;Bel&eacute;m nas M&atilde;os do Povo&rdquo; encabe&ccedil;ada pelo companheiro Edmilson Rodrigues (PSOL), na qual n&oacute;s do PSTU estamos inseridos. Um total de R$ 389.405,57 j&aacute; foram doados por empresas &agrave; campanha de Edmilson Rodrigues, candidato a prefeito de Bel&eacute;m. No site do Tribunal Superior Eleitoral &eacute; poss&iacute;vel conferir o nome do doador e o valor que foi doado por cada pessoa f&iacute;sica ou jur&iacute;dica para cada candidato. Lamentavelmente, pelo que foi declarado, tudo indica que a dire&ccedil;&atilde;o do PSOL e o companheiro Edmilson resolveram trilhar o mesmo caminho do PT no que toca esse aspecto do financiamento das campanhas eleitorais. S&oacute; de uma empresa de Salvador (BA), a COGEP CONSTRU&Ccedil;&Otilde;ES E GEST&Atilde;O AMBIENTAL LTDA, a campanha recebeu a quantia de R$ 160.000, mais do que os R$ 100.000 doados pela Gerdau em 2008 para a campanha de Luciana Genro (PSOL) &agrave; prefeitura de Porto Alegre, ocasi&atilde;o que gerou um intenso debate na esquerda socialista brasileira sobre os rumos deste partido e sobre este tipo de pr&aacute;tica que caracteriza o vale-tudo eleitoral.&rdquo; (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>Para os ativistas e militantes ou at&eacute; mesmo para qualquer trabalhador com um pouco de senso cr&iacute;tico nem &eacute; preciso argumentar muito.  O recebimento de dinheiro de empresas n&atilde;o &eacute; uma doa&ccedil;&atilde;o e sim um investimento que a burguesia realiza para depois obter um retorno muito maior atrav&eacute;s de concess&otilde;es do obras, superfaturamentos e desvios de verbas. Este &ldquo;mecanismo cl&aacute;ssico&rdquo; est&aacute; na raiz da corrup&ccedil;&atilde;o de estado e estamos fartos de ver todos os meses algum esc&acirc;ndalo revelado. <\/p>\n<p>Vimos onde levou essa pr&aacute;tica no PT nos casos do Valerioduto, do esquema do Cachoeira e tantos outros, que inclusive levaram &agrave; morte de Celso Daniel. <\/p>\n<p>Essa adapta&ccedil;&atilde;o do PSOL a ponto de receber dinheiro de empresas em suas campanhas vem se tornando uma pr&aacute;tica cada vez mais corrente no partido, da mesma forma que suas alian&ccedil;as com partidos burgueses nas elei&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Isso mostra que esse partido j&aacute; est&aacute; com sua independ&ecirc;ncia de classe comprometida, por mais que em seu interior haja correntes e militantes que tenham uma postura classista.<\/p>\n<p>Sobre a gravidade da aceita&ccedil;&atilde;o de dinheiro das empresas por parte da Frente, o PSTU tamb&eacute;m tra&ccedil;a o diagn&oacute;stico corretamente:<\/p>\n<p>&ldquo;Esse n&atilde;o &eacute; um tema menor. Ao contr&aacute;rio, trata-se de uma quest&atilde;o estrat&eacute;gica, pois n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel construir uma campanha e, a posteriori, um governo dos trabalhadores e do povo pobre se este n&atilde;o for independente financeiramente da burguesia, mesmo que se trate de pequenas e m&eacute;dias empresas, como &eacute; o caso em Bel&eacute;m. N&atilde;o existe independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica sem independ&ecirc;ncia financeira, pois, como diz o ditado popular, &ldquo;quem paga a banda, escolhe a m&uacute;sica.&rdquo; (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>Mas ao constatar a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, o que deveria fazer o PSTU? <\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o mais l&oacute;gica seria a ruptura p&uacute;blica com a Frente, a den&uacute;ncia da situa&ccedil;&atilde;o e a abertura p&uacute;blica dessa discuss&atilde;o em Bel&eacute;m e no pa&iacute;s como forma de demonstrar cabalmente sua desvincula&ccedil;&atilde;o com uma Frente que n&atilde;o &eacute; independente da burguesia.<\/p>\n<p>\nNo entanto, o PSTU solta uma nota criticando duramente a postura do PSOL, mas do ponto de vista pr&aacute;tico&#8230; segue na Frente! N&atilde;o &eacute; coerente com a gravidade da motiva&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio, segue na Frente, chamando o voto para essa candidatura.<\/p>\n<p>&ldquo;O PSTU est&aacute; jogando todos os seus esfor&ccedil;os para eleger Edmilson prefeito de Bel&eacute;m no 1&deg; turno contra os candidatos da burguesia e do governo, para que nossa cidade seja governada pelos trabalhadores e com um programa em defesa de nossa classe, sem os patr&otilde;es e o seu dinheiro sujo.&rdquo; (www.pstu.org.br)<\/p>\n<p>Isso significa que vai chamar o voto na Frente, mesmo diante de toda a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>Ora, existe uma contradi&ccedil;&atilde;o entre o que diz e o que faz. Na a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, escolhe permanecer em uma Frente que n&atilde;o tem independ&ecirc;ncia frente &agrave; burguesia e que, portanto, n&atilde;o poder&aacute; apontar no sentido da resolu&ccedil;&atilde;o dos principais problemas que afetam a cidade.<\/p>\n<p>Essa capitula&ccedil;&atilde;o (mais uma) demonstra que o PSTU vai progressivamente comprometendo seu car&aacute;ter de independ&ecirc;ncia de classe, vez que n&atilde;o coloca como centro de sua atua&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica a necessidade de demarcar claramente o campo dos trabalhadores e, dessa forma, contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia de classe entre os trabalhadores e na vanguarda. Tudo isso almejando a elei&ccedil;&atilde;o de um vereador&#8230;<\/p>\n<p>Ao n&atilde;o romper com a Frente e ficar apenas no campo da den&uacute;ncia, o PSTU compactua na pr&aacute;tica com o ocorrido e demonstra que para sua dire&ccedil;&atilde;o a possibilidade de eleger um vereador tem mais import&acirc;ncia do que o desenvolvimento do movimento e da consci&ecirc;ncia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Isso &eacute; muito grave, justamente num momento em que as refer&ecirc;ncias de classe est&atilde;o confundidas pela a&ccedil;&atilde;o do PT em todos esses anos de governo, de acordos e pactos com a burguesia nos sindicatos em que o PT e o PC do B dirigem. <\/p>\n<p>Essa tr&aacute;gica situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem como terminar bem. Os militantes do PSTU e os ativistas pr&oacute;ximos, n&atilde;o aceitar&atilde;o passivamente toda essa capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia burguesa e a participa&ccedil;&atilde;o do PSTU nessa Frente Popular em Bel&eacute;m. <\/p>\n<p>Esse tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; um fato qualquer e demonstra, assim como outros que vimos analisando em nossas publica&ccedil;&otilde;es, que, justamente no momento em que se exige a firmeza e a coer&ecirc;ncia da parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, tanto o PSOL, mas agora tamb&eacute;m o PSTU n&atilde;o passam no teste.<br \/>\nIsso por sua vez coloca como necessidade pr&aacute;tica a discuss&atilde;o e iniciativas que avancem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria que esteja &agrave; altura dos desafios que tendem a se intensificar nos pr&oacute;ximos anos. 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