{"id":3592,"date":"2014-11-27T00:47:10","date_gmt":"2014-11-27T02:47:10","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3592"},"modified":"2014-11-27T00:47:10","modified_gmt":"2014-11-27T02:47:10","slug":"jornal-74-o-estado-islamico-e-as-bombas-humanitarias-do-imperialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/11\/jornal-74-o-estado-islamico-e-as-bombas-humanitarias-do-imperialismo\/","title":{"rendered":"Jornal 74: O Estado Isl\u00e2mico e as bombas &#8220;humanit\u00e1rias&#8221; do imperialismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nO mais novo pretexto para as pot\u00eancias imperialistas intervirem, bombardearem e saquearem o povo \u00e1rabe chama-se: Estado Isl\u00e2mico. As cenas de decapita\u00e7\u00e3o de jornalistas e relatos de enterrar \u201cYAZIDIS\u201d (minoria religiosa com elementos pr\u00e9-crist\u00e3os, crist\u00e3os e isl\u00e2micos) s\u00e3o considerados fatos suficientes para justificar novos bombardeios \u201ccir\u00fargicos\u201d e a presen\u00e7a de tropas ocidentais aliadas aos Estados Unidos e Gr\u00e3 Bretanha na regi\u00e3o. Mas quem s\u00e3o, como se organizam, o que querem e principalmente contra quem luta o movimento conhecido por Estado Isl\u00e2mico?<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A ORIGEM<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO fen\u00f4meno pol\u00edtico e social expresso pelos jihadistas do Estado Isl\u00e2mico n\u00e3o come\u00e7ou com a viol\u00eancia perpetrada contra jornalistas ocidentais, minorias religiosas e nem com o an\u00fancio da cria\u00e7\u00e3o de um Califado(1) https:\/\/br-mg6.mail.yahoo.com\/neo\/launch?action=showLetter&amp;umid=2_0_0_1_8897174_ADLsw0MAABRfVC7pnQ3W%2BODQ7GQ&amp;box=Inbox&amp;src=hp&amp;referer=hsrd.yahoo.com&amp;.rand=1351935391 &#8211; _ftn1entre a S\u00edria e o Iraque. Qualquer compreens\u00e3o menos superficial do conflito deve considerar a longa hist\u00f3ria de disputas ocorridas na \u00c1sia, norte da \u00c1frica e sua rela\u00e7\u00e3o com o conjunto da Europa, bem como o desenvolvimento e a combina\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es no mercado mundial pr\u00e9-capitalista, a atual fase de crise global do capitalismo, os acordos entre as pot\u00eancias imperialistas e sua influ\u00eancia na regi\u00e3o. Mas, devido aos limites do presente texto, iremos nos concentrar no atual fen\u00f4meno da Jihad(2) como ferramenta das pot\u00eancias imperialistas para impor seus interesses sobre os trabalhadores \u00e1rabes e saquear suas riquezas.<br \/>\nPodemos iniciar a reflex\u00e3o sobre a estreita rela\u00e7\u00e3o entre a fam\u00edlia Bush, as corpora\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, as monarquias \u00e1rabes e o pr\u00f3prio Osama Bin Laden com o filme FAHRENHEIT 9\/11 (https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3VP39M3F03YO) e por RAMBO III; eles demonstram o empenho do governo estadunidense em criar, treinar e financiar os fundamentalistas afeg\u00e3os contra a ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica. Iniciava-se ent\u00e3o a 1\u00aa Jihad, com a proposta de expulsar do Afeganist\u00e3o as tropas sovi\u00e9ticas e seu estado laico, educa\u00e7\u00e3o universal e demais costumes considerados ocidentais e infi\u00e9is.<br \/>\nA 1\u00aa Jihad terminou em vit\u00f3ria contras as tropas sovi\u00e9ticas, significando a consolida\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica de combate de guerrilha uniformizada por uma interpreta\u00e7\u00e3o do islamismo (Wahhabismo (3)) aparelhada da moderna tecnologia militar estadunidense. Significou tamb\u00e9m o fortalecimento do milion\u00e1rio \u00e1rabe-saudita Osama Bin Laden como principal l\u00edder de uma rede de recrutamento de combatentes e recursos financeiros em prol da constru\u00e7\u00e3o de estados isl\u00e2micos que adotem a Sharia (4) e costumes legalmente homof\u00f3bicos e machistas.<br \/>\nO recrutamento de jovens pela causa jihadista se nutre das contradi\u00e7\u00f5es da atual fase de crise global do capitalismo. Nesta etapa, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico aplicado \u00e0 industria armamentista, a comunica\u00e7\u00e3o e a conectividade mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o de mercados, somados ao vazio existencial provocado pelo consumismo enquanto sentido de vida e \u00fanico est\u00edmulo de conviv\u00eancia social encontram terreno f\u00e9rtil entre a juventude (inclusive a n\u00e3o \u00e1rabe) superexplorada.<br \/>\nSe atualmente testemunhamos a decad\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de vida na Europa e EUA e os ataques contra as conquistas dos trabalhadores desses pa\u00edses para sustentar o lucro das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, podemos perceber que no horizonte de amplas camadas da juventude s\u00f3 existe trabalho precarizado e viol\u00eancia e onde n\u00e3o cabe qualquer perspectiva de vida digna. Podemos entender tamb\u00e9m como o vazio existencial encontra na mensagem religiosa e no financiamento \u00e1rabe alento e sentido para se dispor a pegar em armas e ser \u00fatil \u00e0 causa que pensam ter escolhido.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">OS TALEB\u00c3S E A EXPERI\u00caNCIA AFEG\u00c3<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O funcionamento em rede experimentado durante a 1\u00aa Jihad foi aperfei\u00e7oado e a vit\u00f3ria contra o famoso ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico serviu de poderosa arma de propaganda sobre a vis\u00e3o de mundo fundamentalista, do estado teocr\u00e1tico, do ressurgimento da imposi\u00e7\u00e3o dos costumes religiosos sobre as mulheres e homossexuais. A disponibilidade de territ\u00f3rio seguro para instala\u00e7\u00e3o de campos de treinamento e doutrina\u00e7\u00e3o de recrutas encontrou no Afeganist\u00e3o, durante cinco anos no governo Taleb\u00e3, terreno f\u00e9rtil para se desenvolver. De c\u00e9lula pol\u00edtica organizada em rede, a Al-Qaeda transformou-se em fonte de inspira\u00e7\u00e3o de um movimento internacional jihadista. Sob a doutrina religiosa fundamentalista e conectados \u00e0 rede mundial de computadores, difundiu-se a concep\u00e7\u00e3o de que qualquer fiel, em qualquer parte do mundo, pode ser um combatente independente a servi\u00e7o da vis\u00e3o de mundo isl\u00e2mica constru\u00edda pelas monarquias da Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Qatar e Kuait (aliados dos EUA e financiadores de redes terroristas, segundo site wikileaks).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A 2\u00aa INVAS\u00c3O DO IRAQUE E A 2\u00aa JIHAD<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEmbora Sadam Hussein fosse considerado inimigo pelos jihadistas, devido a sua defesa do estado laico e ado\u00e7\u00e3o de costumes ocidentais, a prepara\u00e7\u00e3o da 2\u00aa Guerra do Iraque significou a invas\u00e3o da terra sagrada isl\u00e2mica por infi\u00e9is ocidentais e marcou os EUA como principal inimigo do Isl\u00e3, justificando o \u201cataque preventivo\u201d jihadista sobre territ\u00f3rio estadunidense em 2001. Come\u00e7ava a 2\u00aa Jihad e toda a gera\u00e7\u00e3o nascida na d\u00e9cada de noventa sofreu a influ\u00eancia da espetacular a\u00e7\u00e3o militar em territ\u00f3rio estadunidense, a 2\u00aa desde a independ\u00eancia (a 1\u00aa foi infligida por Pancho Villa no in\u00edcio do s\u00e9culo XX). O culto ao terrorismo fundamentalista como vertente pol\u00edtica e a vis\u00e3o de mundo isl\u00e2mica fomentada pelas monarquias \u00e1rabes ganhou novo alento.<br \/>\nAs interven\u00e7\u00f5es militares intercontinentais impulsionadas pela Guerra Antiterror e a Doutrina do Eixo do Mal causaram, por um lado, perdas entre os quadros da Al-Qaeda, mas por outro espalhou sementes de suas c\u00e9lulas por todo o norte da \u00c1frica. Para impor seus interesses contra Kadhaffi, os EUA permitiram o armamento de grupos jihadistas na L\u00edbia, e para ter influ\u00eancia sobre o petr\u00f3leo s\u00edrio e derrotar Bashar Al Assad armaram diretamente for\u00e7as rebeldes que na pr\u00e1tica faziam parte do antigo Ex\u00e9rcito S\u00edrio Livre do Iraque e S\u00edria, atualmente Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A PRIMAVERA \u00c1RABE, O ESTADO ISL\u00c2MICO E A 3\u00aa JIHAD<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs interesses dos EUA no Oriente M\u00e9dio e no norte da \u00c1frica sempre contaram com apoio das monarquias sunitas (5) do Golfo P\u00e9rsico, mas a partir da derrota de Saddam Husein (l\u00edder sunita, mas que n\u00e3o impunha o estado teocr\u00e1tico) e decomposi\u00e7\u00e3o dos governos de coaliz\u00e3o que o sucederam, as monarquias sunitas intensificaram a colabora\u00e7\u00e3o com as correntes fundamentalistas e as c\u00e9lulas herdeiras da rede Al-Qaeda.<br \/>\nA crise capitalista que estourou em 2008 na Europa mandou de volta para casa dezenas de milhares de imigrantes de diversos pa\u00edses norte africanos. Esses imigrantes, que passaram tempos trabalhando precariamente e enviando recursos para suas fam\u00edlias, encontraram seus pa\u00edses como o deixaram para emigrar. No Egito, a ditadura seguia em mais de 30 anos, desemprego, mis\u00e9ria, aus\u00eancia de m\u00ednimas liberdades democr\u00e1ticas e brutal repress\u00e3o policial era a marca de que o petr\u00f3leo continuava enriquecendo as mesmas classes.<br \/>\nO jovem tunisiano, Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao pr\u00f3prio corpo para protestar contra as condi\u00e7\u00f5es de vida, acendeu tamb\u00e9m o rastilho de p\u00f3lvora sob o qual estava acomodado velhas e r\u00edgidas estruturas econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas do mundo \u00e1rabe.<br \/>\nPara contornar as reivindica\u00e7\u00f5es por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, trabalho, educa\u00e7\u00e3o, igualdade de g\u00eaneros e liberdades democr\u00e1ticas,ao mesmo tempo que mant\u00eam controle sobre as riquezas petrol\u00edferas, as monarquias \u00e1rabes se utilizaram dos sentimentos religiosos das massas para canalizar insatisfa\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as seculares. Aproveitando-se da mis\u00e9ria a que submetem a juventude \u00e1rabe e do vazio existencial provocado pelo capitalismo ocidental, o jihadismo consegue canalizar toda a insatisfa\u00e7\u00e3o popular em nome da constru\u00e7\u00e3o de um pretenso Estado Isl\u00e2mico de fronteiras m\u00f3veis, regido pela Sharia, homof\u00f3bico, machista e que utiliza a linguagem da viol\u00eancia para se comunicar.<br \/>\nFinanciado pela tributa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio com 8 milh\u00f5es de habitantes, com a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo que controlam e com a colabora\u00e7\u00e3o dos reis e emires \u00e1rabes, o Estado Isl\u00e2mico segue cumprindo sua dupla miss\u00e3o: 1) impedir que as reivindica\u00e7\u00f5es e instrumentos de luta dos trabalhadores surgidos na Primavera \u00c1rabe se consolidem, destruam o aparato repressivo e privil\u00e9gios das monarquias \u00e1rabes e coloquem o petr\u00f3leo a servi\u00e7o das necessidades dos povos \u00e1rabes; 2) aumentar a \u00e1rea de influ\u00eancia das monarquias sunitas, destruir toda a influ\u00eancia liberal na pol\u00edtica e costumes \u00e1rabes, impondo a Sharia. Enquanto isso, as pot\u00eancias imperialistas se utilizam desse pretexto para intervir na regi\u00e3o (ora de um lado, ora de outro), saquear as riquezas \u00e1rabes, desenvolver o complexo industrial militar e disseminar o \u00f3dio entre os trabalhadores do mundo, estimulando rivalidades religiosas.<br \/>\nS\u00f3 a unidade entre os trabalhadores \u00e1rabes e a supera\u00e7\u00e3o da crise de alternativa socialista promover\u00e1 o projeto pol\u00edtico capaz de utilizar a riqueza que brota do solo \u00e1rabe para atender \u00e0s reais necessidades de seu povo, e poder\u00e1 combater a mis\u00e9ria, o desemprego e a ignor\u00e2ncia que alimentam o fanatismo de todas as vertentes, inclusive a religiosa.<br \/>\n\uf0d8 O petr\u00f3leo \u00e1rabe pertence ao seu povo!<br \/>\n\uf0d8 Contra a barb\u00e1rie fundamentalista religiosa!<br \/>\n\uf0d8 Nenhuma unidade com o imperialismo!<br \/>\n\uf0d8 Pela unidade da juventude trabalhadora \u00e1rabe!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notas:<br \/>\n(1) Forma isl\u00e2mica de governo que representaria a unidade e lideran\u00e7a pol\u00edtica do mundo isl\u00e2mico, onde o Califa ocupa a posi\u00e7\u00e3o de chefe de Estado e representa a continuidade da autoridade pol\u00edtica do profeta isl\u00e2mico Maom\u00e9.<br \/>\n(2) Termo propagandeado pela grande m\u00eddia ocidental como \u201cguerra santa\u201d, mas que em sua concep\u00e7\u00e3o original refere-se a \u201cempenho, esfor\u00e7o, mediante vontade pessoal para alcan\u00e7ar a verdadeira f\u00e9.<br \/>\n(3) Movimento revivalista iniciado pelo \u00e1rabe saudita Muhammad Ibn Abd al-Wahhab (1703-1792); prega a purifica\u00e7\u00e3o do islamismo para devolv\u00ea-lo \u00e0s suas ra\u00edzes do s\u00e9culo VII, atrav\u00e9s de purga de pr\u00e1ticas inovadoras.<br \/>\n(4) Sistema de leis religiosas isl\u00e2micas para regular todos os aspectos da vida social, supostamente revelada de Deus, portanto perfeita, eterna e obrigat\u00f3ria para os indiv\u00edduos e para o estado.<br \/>\n(5) Fac\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica fundada na sunna, as pr\u00e1ticas do profeta Maom\u00e9. Defende que o sucessor do profeta deve ser escolhido entre os fieis.<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3593\" alt=\"estado islu00E2mico\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/estado-islu00E2mico.gif\" width=\"1600\" height=\"869\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais novo pretexto para as pot\u00eancias imperialistas intervirem, bombardearem e saquearem o povo \u00e1rabe chama-se: Estado Isl\u00e2mico. 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