{"id":362,"date":"2012-10-02T23:37:39","date_gmt":"2012-10-02T23:37:39","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/362"},"modified":"2018-05-04T21:38:11","modified_gmt":"2018-05-05T00:38:11","slug":"contribuicao-individual-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/10\/contribuicao-individual-11\/","title":{"rendered":"ELEI\u00c7\u00d5ES MUNICIPAIS 2012  contra os partidos dos patr\u00f5es (pt, psdb, prb etc)   voto cr\u00edtico nas organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"background-color: #ffffff; color: #333333; font-size: 14px; line-height: 21px;\">\u00a0<\/span><b style=\"background-color: #ffffff; color: #333333; font-size: 14px;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px;\"><b style=\"font-size: 14px;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; font-family: Garamond,serif;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px;\">Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0<\/span><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px;\">n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/span><\/span><\/b><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff; color: #333333; line-height: 21px;\"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase;\">ELEI\u00c7\u00d5ES MUNICIPAIS 2012 <\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff; color: #333333; line-height: 21px;\"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase;\">contra os partidos dos patr\u00f5es (pt, psdb, prb etc) <\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff; color: #333333; line-height: 21px;\"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase;\">\u00a0voto cr\u00edtico nas organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores<\/span><\/b><span style=\"background-color: #ffffff; font-size: 14px; line-height: 21px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"rteright\">Daniel Delfino<\/p>\n<p><strong>A tenta\u00e7\u00e3o do voto \u201c\u00fatil\u201d no \u201cmenos pior\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2012 os trabalhadores de S\u00e3o Paulo est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o em que apenas os partidos que representam a classe dominante (PT, PSDB, PRB, PMDB, etc.) possuem chances de eleger seus candidatos, enquanto que as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores (PSOL-PCB, PSTU, PCO) est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o bastante minorit\u00e1ria. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, cresce a tenta\u00e7\u00e3o para escolher o \u201cmenos pior\u201d e evitar a elei\u00e7\u00e3o do pior candidato. Assim, existe um setor que, mesmo sendo cr\u00edtico do PT no n\u00edvel local ou nacional, considera que a candidatura de Haddad \u00e9 uma alternativa contra a \u201cdireita\u201d.<\/p>\n<p>Esse racioc\u00ednio tem v\u00e1rios problemas. Come\u00e7ando pelo mais \u00f3bvio, temos em primeiro lugar o fato de que o PT, no governo federal h\u00e1 10 anos, primeiro com Lula e agora com Dilma, e tamb\u00e9m sua pr\u00e1tica tal como j\u00e1 vinha se desenvolvendo e se aprofundou nos governos estaduais e municipais, e nos legislativos, etc. (e que j\u00e1 estava expressa na pr\u00f3pria pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classe dos sindicatos da CUT h\u00e1 pelo menos 20 anos), \u00e9 um partido que governa para o capital. O governo do PT privilegia o pagamento da d\u00edvida aos especuladores (quase a metade do or\u00e7amento federal do pr\u00f3ximo ano, exatos 42%, vai para pagamento da d\u00edvida p\u00fablica brasileira. Dos 2,14 trilh\u00f5es de reais, 900 bilh\u00f5es ser\u00e3o gastos com o pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica, enquanto est\u00e3o previstos R$ 71,7 bilh\u00f5es para educa\u00e7\u00e3o, R$ 87,7 bilh\u00f5es para a sa\u00fade e 5 bilh\u00f5es para reforma agr\u00e1ria &#8211; dados da Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida), destinando uma fatia \u00ednfima para os t\u00e3o festejados programas sociais, como o bolsa-fam\u00edlia (previs\u00e3o de R$ 19,3 bilh\u00f5es em 2012, www.contasabertas.org). S\u00f3 essa obedi\u00eancia aos bancos e especuladores j\u00e1 bastaria para mostrar de que lado est\u00e1 o PT, al\u00e9m dos incentivos \u00e0s construtoras, montadoras, agroneg\u00f3cio, etc.<\/p>\n<p><strong>A l\u00f3gica do PT<\/strong><\/p>\n<p>Em segundo lugar est\u00e1 o fato de que o pr\u00f3prio Haddad, como Ministro do Planejamento de Lula de 2002 a 2004, foi o respons\u00e1vel pelas Parcerias P\u00fablico Privadas, em que o governo entra com o investimento (com o nosso dinheiro) e as empresas privadas ficam com o lucro. No Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Haddad seguiu aplicando essa l\u00f3gica no PROUNI, que foi uma forma de retirar o dinheiro que deveria estar financiando as melhorias e o acesso \u00e0 universidade p\u00fablica (e est\u00e1 a\u00ed a greve de mais de dois meses dos professores, funcion\u00e1rios e estudantes das IFES para denunciar o seu sucateamento) para financiar os empres\u00e1rios das universidades privadas (f\u00e1bricas de diplomas), disfar\u00e7ado de programa de \u201cinclus\u00e3o social\u201d.<\/p>\n<p>Essa tem sido a l\u00f3gica da gest\u00e3o do PT, uma rela\u00e7\u00e3o paternalista com os diversos segmentos da classe trabalhadora, em que n\u00e3o cabe aos movimentos organizados da classe fazer reivindica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, mas contentar-se com as migalhas que caem da mesa dos poderosos. O marketing estrondoso dessas migalhas esconde o banquete escandaloso que o PT oferece no andar de cima para os banqueiros, industriais, empresas transnacionais, etc., e isso \u00e9 escondido com tal efici\u00eancia que garante uma popularidade avassaladora a Lula e Dilma.<\/p>\n<p><strong>Porqu\u00ea \u00e9 necess\u00e1ria uma outra alternativa<\/strong><\/p>\n<p>O pior de tudo \u00e9 que esse marketing \u00e9 reproduzido por esses mesmos setores que ainda defendem o voto \u201c\u00fatil\u201d contra a \u201cdireita\u201d. O erro desse racioc\u00ednio \u00e9 a id\u00e9ia de que um eventual prefeito do PT poderia ser \u201cmenos pior\u201d na sua rela\u00e7\u00e3o com os movimentos dos trabalhadores. Os trabalhadores n\u00e3o podem contar com a presen\u00e7a de um governante mais ou menos \u201cbenevolente\u201d para obter suas conquistas. Os movimentos dos trabalhadores s\u00f3 podem contar com sua pr\u00f3pria for\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o, independente do governo de plant\u00e3o e em oposi\u00e7\u00e3o a ele. As conquistas s\u00f3 podem vir com a luta e a mobiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o com negocia\u00e7\u00f5es, acordos, barganhas na esfera do Estado. Na luta \u00e9 preciso conhecer o inimigo e demarcar rigorosamente quem est\u00e1 do nosso lado e do lado oposto. As organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores precisam ser rigorosamente classistas, ou seja, sem qualquer v\u00ednculo com empresas, funda\u00e7\u00f5es, ONGs, igrejas, etc. E precisam principalmente se desvincular de qualquer apoio em partidos burgueses e governistas, como o PT e os demais componentes da sua base de apoio. Qualquer que seja o governante, s\u00f3 com organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e luta os trabalhadores poder\u00e3o obter qualquer conquista.<\/p>\n<p>Ao dizer isso, n\u00e3o ignoramos que por tr\u00e1s da campanha de figuras como Serra e Russomano se alinham setores de direita e ultra-direita, com caracter\u00edsticas fascistas, higienistas, racistas, policialescas, etc., que s\u00e3o igualmente nefastos para os trabalhadores. Mas \u00e9 exatamente por isso que os trabalhadores s\u00f3 podem contar com sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e luta. N\u00e3o ser\u00e1 o PT que vai proteger os trabalhadores contra a direita, mas apenas a pr\u00f3pria auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe. \u00c9 essa auto-organiza\u00e7\u00e3o que precisamos construir, essa \u00e9 a tarefa priorit\u00e1ria para o momento, romper politicamente e organizativamente com o passado petista e toda essa heran\u00e7a, e n\u00e3o fazer campanha para o candidato do PT, supostamente contra a direita. E aqui retiramos as aspas, porque sabemos que existe uma direita para al\u00e9m do PT, mas sem deixar de registrar veementemente que o PT tamb\u00e9m \u00e9 parte da direita.<\/p>\n<p>O PT n\u00e3o ser\u00e1 defesa contra a direita, j\u00e1 que governa com essa mesma direita no plano federal e nos Estados. O PT n\u00e3o protege os trabalhadores sem-terra e sem-teto das desocupa\u00e7\u00f5es, dos assassinatos por mil\u00edcias e jagun\u00e7os a mando dos grileiros (ao contr\u00e1rio, favorece esses mesmos grileiros, revestidos do pomposo nome de \u201cagroneg\u00f3cio\u201d, com um c\u00f3digo florestal feito de encomenda para legalizar a devasta\u00e7\u00e3o ambiental), n\u00e3o os protege de agress\u00f5es, demiss\u00f5es persegui\u00e7\u00f5es. Como patr\u00e3o, o PT ignora as reivindica\u00e7\u00f5es dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, porque isso o impediria de atender \u00e0s dos patr\u00f5es. No comando dos sindicatos filiados \u00e0 CUT, o PT firma acordos lesivos aos trabalhadores, com as promessas de que o Brasil vai crescer, para depois repartir o bolo exatamente como se dizia na ditadura. \u00c9 essa a l\u00f3gica que explica o acordo com Maluf, herdeiro da ditadura (pela qual foi nmeado prefeito e governador \u201cbi\u00f4nico\u201d), representante do que h\u00e1 de pior em mat\u00e9ria de autoritarismo e corrup\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m mostra que o projeto do partido \u00e9 fazer qualquer concess\u00e3o para tentar se eleger.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o do projeto pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dessa discuss\u00e3o sobre o voto \u00fatil no menos pior existe uma concep\u00e7\u00e3o de que na conjuntura hist\u00f3rica atual o que cabe \u00e0 classe trabalhadora \u00e9 \u201cacumular for\u00e7as\u201d no interior do aparato do Estado, impedindo a \u201cvolta da direita\u201d, para somente depois, num outro momento hist\u00f3rico, pensar um processo de transi\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o padece de equ\u00edvocos fundamentais. Primeiro, pela incompreens\u00e3o do momento hist\u00f3rico. Estamos num momento de crise estrutural do capital, em que cada uma das cirses peri\u00f3dicas, como a que se iniciou em 2008, s\u00e3o mais violentas, mais profundas, mais globais e mais longas, enquanto que os per\u00edodos de recupera\u00e7\u00e3o e crescimento s\u00e3o mais breves e limitados. Nesse contexto, a burguesia n\u00e3o \u00e9 mais capaz de fazer concess\u00f5es permanentes, pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 retirando as concess\u00f5es do passado. Quem quer que ocupe cargos de gest\u00e3o no Estado, qualquer que seja a sua colora\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria anterior, est\u00e1 for\u00e7ado a cumprir essa pol\u00edtica e, portanto, atacar os trabalhadores (como vem fazendo o PT). Essa \u00e9 uma pol\u00edtica ditada diretamente pelo capital financeiro internacional, que n\u00e3o admite diverg\u00eancia. O mercado administra diretamente o Estado e os governantes eleitos s\u00e3o meros testas de ferro dos bancos.<\/p>\n<p>Segundo porque, qualquer que seja o momento hist\u00f3rico, a transi\u00e7\u00e3o para o socialismo s\u00f3 poder\u00e1 ser realizada por organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores completamente independentes dos patr\u00f5es, do Estado e de seus partidos. A ocupa\u00e7\u00e3o de postos no Estado jamais pode ser uma estrat\u00e9gia permanente, e n\u00e3o pode passar de um instrumento auxiliar, de den\u00fancia da democracia burguesa e sua farsa. O instrumento principal dos trabalhadores deve ser a sua organiza\u00e7\u00e3o enquanto classe para si, com os organismos correspondentes, como organismos de frente \u00fanica (sindicatos, centrais sindicais, associa\u00e7\u00f5es, movimentos reivindicativos, gr\u00eamios estudantis, etc.) e partidos e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o deve ser completamente independente dos partidos governantes, como o PT, mas n\u00e3o s\u00f3 no plano pol\u00edtico-organizativo, e sim no ideol\u00f3gico. \u00c9 preciso que essas organiza\u00e7\u00f5es desenvolvam um trabalho sistem\u00e1tico de disputa ideol\u00f3gica junto \u00e0 base dos trabalhadores, no sentido de que a solu\u00e7\u00e3o de seus problemas s\u00f3 pode se dar com a constru\u00e7\u00e3o de outra sociedade, que \u00e9 tarefa do conjunto dos trabalhadores. N\u00e3o existe socialismo sem participa\u00e7\u00e3o organizada e consciente dos trabalhadores. A pol\u00edtica de voto cr\u00edtico no PT vai na contram\u00e3o da necessidade hist\u00f3rica de desenvolimento ideol\u00f3gico e organizativo independente da classe, ao confundir burocratas e gestores do Estado como poss\u00edveis aliados.<\/p>\n<p><strong>Os partidos oper\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Reproduzir o discurso do \u201cmenos pior\u201d \u00e9 ser conivente com o projeto de poder burgu\u00eas do PT, enquanto se mostra cada vez mais urgente a reconstru\u00e7\u00e3o de organismos de luta da classe, completamente independentes, classistas e combativos. De acordo com isso, o crit\u00e9rio para decidir sobre o voto nas elei\u00e7\u00f5es municipais n\u00e3o pode ser a escolha do \u201cmenos pior\u201d entre os que tem chance de se eleger, mas o de qual projeto e qual classe social os candidatos representam. Ou seja, o crit\u00e9rio de classe \u00e9 o principal para decidir sobre o voto. Nas elei\u00e7\u00f5es municipais temos tamb\u00e9m as candidaturas de partidos que minimamente ainda representam a classe trabalhadora: Carlos Giannazi (PSOL-PCB), Ana Luiza (PSTU) e Ana\u00ed Caproni (PCO).<\/p>\n<p>Em que pesem as diferen\u00e7as que temos com o programa e a pr\u00e1tica dessas organiza\u00e7\u00f5es, sobre as quais falaremos abaixo, reconhecemos que s\u00e3o qualitativamente distintas dos partidos burgueses. H\u00e1 uma barreira de classe que separa nitidamente esses partidos dos demais. S\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es, que ao menos usam o nome do socialismo, que t\u00eam como refer\u00eancia a classe trabalhadora, que buscam se ligar \u00e0s lutas da classe, que fazem oposi\u00e7\u00e3o aos governos dos partidos burgueses.<\/p>\n<p>Chamamos o voto cr\u00edtico nessas organiza\u00e7\u00f5es, como forma de tornar claro o crit\u00e9rio de classe, que as separam dos partidos burgueses. Fazer essa demarca\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante do que votar em quem tem chances de disputar a elei\u00e7\u00e3o. Mesmo porque, como veremos adiante tamb\u00e9m, as elei\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas s\u00e3o um jogo de cartas marcadas em que a classe dominante tem todo o controle. Mais importante do que disputar o voto \u00e9 disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores, mostrar que existe uma alternativa e que \u00e9 preciso construir um outro projeto, distinto do projeto da burguesia.<\/p>\n<p><strong>Porqu\u00ea do voto cr\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o geral do Espa\u00e7o Socialista \u00e9 de voto cr\u00edtico nos partidos oper\u00e1rios, onde n\u00e3o estejam coligados com os partidos burgueses e tenham rela\u00e7\u00e3o com as lutas dos trabalhadores. Essa pol\u00edtica tem que ser ajustada \u00e0 realidade de cada munic\u00edpio, pois h\u00e1 lugares em que o crit\u00e9rio de classe n\u00e3o est\u00e1 sendo seguido por esses partidos. O caso mais escandaloso \u00e9 o de Bel\u00e9m-PA, onde PSOL e PSTU sa\u00edram em coliga\u00e7\u00e3o com PC do B, partido que faz parte da base do governo Dilma. E pior, essa coliga\u00e7\u00e3o recebeu doa\u00e7\u00f5es de empresas para sua campanha! O PSTU denunciou publicamente o recebimento de dinheiro de empresas, mas permanece na coliga\u00e7\u00e3o! Essa pr\u00e1tica de coliga\u00e7\u00f5es esdr\u00faxulas e contribui\u00e7\u00f5es da burguesia para financiar a campanha j\u00e1 vem sendo aplicada pelo PSOL h\u00e1 tempos, e agora o PSTU tamb\u00e9m se \u201cbeneficia\u201d dela&#8230;<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, como n\u00e3o h\u00e1 esses problemas, esses partidos ainda se qualificam como organiza\u00e7\u00f5es da classe, ainda que no caso do PSOL essa defini\u00e7\u00e3o seja cada vez menos segura. O partido caminha para se firmar cada vez mais como uma organiza\u00e7\u00e3o puramente eleitoral, que n\u00e3o est\u00e1 enraizada nas lutas da classe trabalhadora (ainda que haja correntes classistas e at\u00e9 revolucion\u00e1rias no seu interior, o seu peso e suas pr\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para contrabalan\u00e7ar o da burocracia eleitoralista que dirige o partido), e que busca apoio na classe m\u00e9dia, praticando uma oposi\u00e7\u00e3o \u201cbem-comportada\u201d e subordinando seu programa \u00e0 necessidade de n\u00e3o parecer chocante para esse setor.<\/p>\n<p>O PCB, que faz chapa com o PSOL, possui muito mais clareza program\u00e1tica, ainda que n\u00e3o tenha rompido a fundo com sua heran\u00e7a stalinista e tamb\u00e9m n\u00e3o tenha presen\u00e7a de peso nas lutas da classe. O PSTU est\u00e1 mais presente nas lutas, especialmente no terreno sindical, mas quem conhece suas interven\u00e7\u00f5es identifica um vi\u00e9s claramente aparatista, uma obsess\u00e3o por ter todos os organismos sob seu comando, que acaba afastando os trabalhadores combativos e desagregando o movimento. De resto, a l\u00f3gica que orienta as propostas program\u00e1ticas do PSTU para cada campo, como transporte, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, etc., que s\u00e3o pontualmente corretas, \u00e9 de esconder a rela\u00e7\u00e3o de cada uma delas com a necessidade de uma ruptura revolucion\u00e1ria com o capitalismo, para se chegar de fato a uma S\u00e3o Paulo para os trabalhadores. Quanto ao PCO, suas pr\u00e1ticas sect\u00e1rias no movimento sindical fazem com que seja mais um bra\u00e7o da CUT contra as correntes de esquerda, do que uma oposi\u00e7\u00e3o real \u00e0 burocracia, ainda que adote um discurso anti-capitalista e radical.<\/p>\n<p>Diante dessas defici\u00eancias, entendemos que nenhuma das tr\u00eas candidaturas oper\u00e1rias \u00e9 muito distinta e melhor do que as outras, e defendemos o voto cr\u00edtico e aberto em qualquer uma das tr\u00eas, bem como em qualquer um desses partidos para a c\u00e2mara de vereadores.<\/p>\n<p><strong>A necessidade de um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas espec\u00edficos de cada partido, resta o fato, talvez at\u00e9 mais grave, de que tenham sa\u00eddo com candidaturas separadas, ao inv\u00e9s de construir uma frente de esquerda capaz de fazer de forma unit\u00e1ria a oposi\u00e7\u00e3o aos partidos burgueses. Os partidos tiveram uma postura auto-suficiente ao lan\u00e7ar cada um seus candidatos separadamente, impossibilitando a constru\u00e7\u00e3o de uma express\u00e3o unit\u00e1ria do movimento da classe trabalhadora no terreno eleitoral. N\u00e3o tiveram capacidade de construir uma frente unit\u00e1ria contra as representa\u00e7\u00f5es da burguesia e que pudesse polarizar politicamente com as candidaturas da classe dominante, ainda que tamb\u00e9m n\u00e3o tivesse chances de ganhar a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa postura auto-suficiente que tiveram uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros \u00e9 a mesma que t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria classe, pois o seu processo de constru\u00e7\u00e3o das candidaturas e programas se deu no \u00e2mbito puramente interno, sem um di\u00e1logo pr\u00e9vio com os trabalhadores. As candidaturas foram trazidas prontas para depois se pedir o voto dos trabalhadores. O m\u00e9todo que defendemos \u00e9 o oposto, que se fizessem plen\u00e1rias dos trabalhadores, por bairro ou por categorias, para construir o programa, debatendo amplamente todas as quest\u00f5es pontuais, trazendo todos os coletivos e organiza\u00e7\u00f5es de luta da classe, para s\u00f3 ent\u00e3o se chegar a candidaturas que fossem a representa\u00e7\u00e3o desse movimento pol\u00edtico da classe. As candidaturas estariam subordinadas a esse movimento, e n\u00e3o aos partidos, e seriam abertas tamb\u00e9m para representantes das lutas da classe, mesmo que n\u00e3o necessariamente filiados a alguns desses partidos, como forma de garantir a representa\u00e7\u00e3o de todas as correntes pol\u00edticas no processo eleitoral burgu\u00eas, que \u00e9 profundamente anti-democr\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>Ir al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Outro erro das organiza\u00e7\u00f5es que representam a classe trabalhadora no processo eleitoral \u00e9 deixar de explicar em sua campanha que as mudan\u00e7as necess\u00e1rias n\u00e3o podem ser obtidas por dentro do processo eleitoral e da pr\u00f3pria institucionalidade do Estado burgu\u00eas. \u00c9 necess\u00e1ria uma ruptura revolucion\u00e1ria com o capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o de um poder controlado pelos trabalhadores para conseguir as mudan\u00e7as que precisamos. Pode parecer exagerado fazer essa discuss\u00e3o em uma elei\u00e7\u00e3o municipal. Entretanto, S\u00e3o Paulo \u00e9 a principal cidade do pa\u00eds e \u00e9 tamb\u00e9m aquela em que as for\u00e7as em disputa na cidade fazem um ensaio para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014 e uma apresenta\u00e7\u00e3o do seu projeto. Basta mencionar o fato de que a candidatura de Haddad foi imposta por Lula, que manda no partido, por cima de qualquer possibilidade de decis\u00e3o da base local, bem como a alian\u00e7a com Maluf.<\/p>\n<p>Qualquer melhoria nos problemas urbanos de S\u00e3o Paulo, como transporte p\u00fablico, moradia, polui\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, etc., requer uma mudan\u00e7a total nas prioridades da gest\u00e3o da cidade. Uma mudan\u00e7a desse porte precisaria romper com a estrutura do Estado burgu\u00eas para construir institui\u00e7\u00f5es novas, controladas pelos trabalhadores, em que as decis\u00f5es fossem tomadas pela classe que produz toda a riqueza na sociedade, em que os ocupantes de todos os cargos ganhassem o mesmo que um trabalhador m\u00e9dio, e tivessem mandatos revog\u00e1veis.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas s\u00e3o o oposto disso. Os partidos burgueses, tanto os que t\u00eam chances de vencer como as legendas de aluguel que se lan\u00e7am para fazer lavagem de dinheiro na campanha, ou que pegam carona na popularidade de alguma celebridades., etc., s\u00e3o todos financiados por grandes empres\u00e1rios, que uma vez eleito o seu candidato, cobram a fatura na forma de contratos da prefeitura com a sua empresa, recuperando com sobras o \u201cinvestimento\u201d. Uma vez eleitos, os pol\u00edticos t\u00eam quatro anos para desfrutar do cargo, mesmo que descumpram suas promessas de campanha, sem a possibilidade de revoga\u00e7\u00e3o do mandato, e ainda ganham fortunas que muitos trabalhadores n\u00e3o conseguem em uma vida inteira, isso sem falar no que conseguem com a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 a luta muda a vida<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o basta portanto votar nos partidos oper\u00e1rios. \u00c9 preciso ir al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es e organizar os trabalhadores para a luta. A luta deve acontecer todos os dias, n\u00e3o apenas na \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es, e em todos os terrenos, n\u00e3o apenas no munic\u00edpio. S\u00f3 com muita organiza\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia pol\u00edtica e ideol\u00f3gica conseguiremos fazer frente aos desafios da cidade e do pa\u00eds. N\u00e3o se trata de uma luta pontual, para modificar aspectos parciais da gest\u00e3o do Estado. Falamos de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, que destrua o Estado da classe dominante e seu aparato, seu executivo, legislativo e judici\u00e1rio, pol\u00edcia, for\u00e7as armadas, etc., e estabele\u00e7a novas institui\u00e7\u00f5es, em que os trabalhadores consigam fazer valer a verdadeira democracia, a democracia da maioria, daqueles que trabalham e produzem toda a riqueza. O Espa\u00e7o Socialista se coloca como parte dessa luta.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); font-size: 14px; line-height: 21px; \">&nbsp;<\/span><b style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); font-size: 14px; \"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; \"><b style=\"font-size: 14px; \"><font class=\"ecxApple-style-span\" face=\"Garamond, serif\" style=\"font-size: 14px; \"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; \">Este texto &eacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o individual,&nbsp;<\/span><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; \">n&atilde;o necessariamente expressa a opini&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/span><\/font><\/b><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; \"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center; \"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase; \">ELEI&Ccedil;&Otilde;ES MUNICIPAIS 2012 <\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; \"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center; \"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase; \">contra os partidos dos patr&otilde;es (pt, psdb, prb etc) <\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; \"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center; \"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase; \">&nbsp;voto cr&iacute;tico nas organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores<\/span><\/b><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); font-size: 14px; line-height: 21px; \">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"rteright\">Daniel Delfino<\/p>\n<p>\n<strong>A tenta&ccedil;&atilde;o do voto &ldquo;&uacute;til&rdquo; no &ldquo;menos pior&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>\nNas elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2012 os trabalhadores de S&atilde;o Paulo est&atilde;o numa situa&ccedil;&atilde;o em que apenas os partidos que representam a classe dominante (PT, PSDB, PRB, PMDB, etc.) possuem chances de eleger seus candidatos, enquanto que as organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores (PSOL-PCB, PSTU, PCO) est&atilde;o numa posi&ccedil;&atilde;o bastante minorit&aacute;ria. Diante dessa situa&ccedil;&atilde;o, cresce a tenta&ccedil;&atilde;o para escolher o &ldquo;menos pior&rdquo; e evitar a elei&ccedil;&atilde;o do pior candidato. Assim, existe um setor que, mesmo sendo cr&iacute;tico do PT no n&iacute;vel local ou nacional, considera que a candidatura de Haddad &eacute; uma alternativa contra a &ldquo;direita&rdquo;.<\/p>\n<p>Esse racioc&iacute;nio tem v&aacute;rios problemas. Come&ccedil;ando pelo mais &oacute;bvio, temos em primeiro lugar o fato de que o PT, no governo federal h&aacute; 10 anos, primeiro com Lula e agora com Dilma, e tamb&eacute;m sua pr&aacute;tica tal como j&aacute; vinha se desenvolvendo e se aprofundou nos governos estaduais e municipais, e nos legislativos, etc. (e que j&aacute; estava expressa na pr&oacute;pria pol&iacute;tica de colabora&ccedil;&atilde;o de classe dos sindicatos da CUT h&aacute; pelo menos 20 anos), &eacute; um partido que governa para o capital. O governo do PT privilegia o pagamento da d&iacute;vida aos especuladores (quase a metade do or&ccedil;amento federal do pr&oacute;ximo ano, exatos 42%, vai para pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica brasileira. Dos 2,14 trilh&otilde;es de reais, 900 bilh&otilde;es ser&atilde;o gastos com o pagamento de juros e amortiza&ccedil;&otilde;es da d&iacute;vida p&uacute;blica, enquanto est&atilde;o previstos R$ 71,7 bilh&otilde;es para educa&ccedil;&atilde;o, R$ 87,7 bilh&otilde;es para a sa&uacute;de e 5 bilh&otilde;es para reforma agr&aacute;ria &#8211; dados da Auditoria Cidad&atilde; da D&iacute;vida), destinando uma fatia &iacute;nfima para os t&atilde;o festejados programas sociais, como o bolsa-fam&iacute;lia (previs&atilde;o de R$ 19,3 bilh&otilde;es em 2012, www.contasabertas.org). S&oacute; essa obedi&ecirc;ncia aos bancos e especuladores j&aacute; bastaria para mostrar de que lado est&aacute; o PT, al&eacute;m dos incentivos &agrave;s construtoras, montadoras, agroneg&oacute;cio, etc.<\/p>\n<p><strong>A l&oacute;gica do PT<\/strong><\/p>\n<p>Em segundo lugar est&aacute; o fato de que o pr&oacute;prio Haddad, como Ministro do Planejamento de Lula de 2002 a 2004, foi o respons&aacute;vel pelas Parcerias P&uacute;blico Privadas, em que o governo entra com o investimento (com o nosso dinheiro) e as empresas privadas ficam com o lucro. No Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Haddad seguiu aplicando essa l&oacute;gica no PROUNI, que foi uma forma de retirar o dinheiro que deveria estar financiando as melhorias e o acesso &agrave; universidade p&uacute;blica (e est&aacute; a&iacute; a greve de mais de dois meses dos professores, funcion&aacute;rios e estudantes das IFES para denunciar o seu sucateamento) para financiar os empres&aacute;rios das universidades privadas (f&aacute;bricas de diplomas), disfar&ccedil;ado de programa de &ldquo;inclus&atilde;o social&rdquo;. <\/p>\n<p>Essa tem sido a l&oacute;gica da gest&atilde;o do PT, uma rela&ccedil;&atilde;o paternalista com os diversos segmentos da classe trabalhadora, em que n&atilde;o cabe aos movimentos organizados da classe fazer reivindica&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, mas contentar-se com as migalhas que caem da mesa dos poderosos. O marketing estrondoso dessas migalhas esconde o banquete escandaloso que o PT oferece no andar de cima para os banqueiros, industriais, empresas transnacionais, etc., e isso &eacute; escondido com tal efici&ecirc;ncia que garante uma popularidade avassaladora a Lula e Dilma.<\/p>\n<p>\n<strong>Porqu&ecirc; &eacute; necess&aacute;ria uma outra alternativa<\/strong><\/p>\n<p>\nO pior de tudo &eacute; que esse marketing &eacute; reproduzido por esses mesmos setores que ainda defendem o voto &ldquo;&uacute;til&rdquo; contra a &ldquo;direita&rdquo;. O erro desse racioc&iacute;nio &eacute; a id&eacute;ia de que um eventual prefeito do PT poderia ser &ldquo;menos pior&rdquo; na sua rela&ccedil;&atilde;o com os movimentos dos trabalhadores. Os trabalhadores n&atilde;o podem contar com a presen&ccedil;a de um governante mais ou menos &ldquo;benevolente&rdquo; para obter suas conquistas. Os movimentos dos trabalhadores s&oacute; podem contar com sua pr&oacute;pria for&ccedil;a e organiza&ccedil;&atilde;o, independente do governo de plant&atilde;o e em oposi&ccedil;&atilde;o a ele. As conquistas s&oacute; podem vir com a luta e a mobiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o com negocia&ccedil;&otilde;es, acordos, barganhas na esfera do Estado. Na luta &eacute; preciso conhecer o inimigo e demarcar rigorosamente quem est&aacute; do nosso lado e do lado oposto. As organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores precisam ser rigorosamente classistas, ou seja, sem qualquer v&iacute;nculo com empresas, funda&ccedil;&otilde;es, ONGs, igrejas, etc. E precisam principalmente se desvincular de qualquer apoio em partidos burgueses e governistas, como o PT e os demais componentes da sua base de apoio. Qualquer que seja o governante, s&oacute; com organiza&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e luta os trabalhadores poder&atilde;o obter qualquer conquista.<\/p>\n<p>Ao dizer isso, n&atilde;o ignoramos que por tr&aacute;s da campanha de figuras como Serra e Russomano se alinham setores de direita e ultra-direita, com caracter&iacute;sticas fascistas, higienistas, racistas, policialescas, etc., que s&atilde;o igualmente nefastos para os trabalhadores. Mas &eacute; exatamente por isso que os trabalhadores s&oacute; podem contar com sua pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e luta. N&atilde;o ser&aacute; o PT que vai proteger os trabalhadores contra a direita, mas apenas a pr&oacute;pria auto-organiza&ccedil;&atilde;o da classe. &Eacute; essa auto-organiza&ccedil;&atilde;o que precisamos construir, essa &eacute; a tarefa priorit&aacute;ria para o momento, romper politicamente e organizativamente com o passado petista e toda essa heran&ccedil;a, e n&atilde;o fazer campanha para o candidato do PT, supostamente contra a direita. E aqui retiramos as aspas, porque sabemos que existe uma direita para al&eacute;m do PT, mas sem deixar de registrar veementemente que o PT tamb&eacute;m &eacute; parte da direita.<\/p>\n<p>O PT n&atilde;o ser&aacute; defesa contra a direita, j&aacute; que governa com essa mesma direita no plano federal e nos Estados. O PT n&atilde;o protege os trabalhadores sem-terra e sem-teto das desocupa&ccedil;&otilde;es, dos assassinatos por mil&iacute;cias e jagun&ccedil;os a mando dos grileiros (ao contr&aacute;rio, favorece esses mesmos grileiros, revestidos do pomposo nome de &ldquo;agroneg&oacute;cio&rdquo;, com um c&oacute;digo florestal feito de encomenda para legalizar a devasta&ccedil;&atilde;o ambiental), n&atilde;o os protege de agress&otilde;es, demiss&otilde;es persegui&ccedil;&otilde;es. Como patr&atilde;o, o PT ignora as reivindica&ccedil;&otilde;es dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, porque isso o impediria de atender &agrave;s dos patr&otilde;es. No comando dos sindicatos filiados &agrave; CUT, o PT firma acordos lesivos aos trabalhadores, com as promessas de que o Brasil vai crescer, para depois repartir o bolo exatamente como se dizia na ditadura. &Eacute; essa a l&oacute;gica que explica o acordo com Maluf, herdeiro da ditadura (pela qual foi nmeado prefeito e governador &ldquo;bi&ocirc;nico&rdquo;), representante do que h&aacute; de pior em mat&eacute;ria de autoritarismo e corrup&ccedil;&atilde;o, o que tamb&eacute;m mostra que o projeto do partido &eacute; fazer qualquer concess&atilde;o para tentar se eleger.<\/p>\n<p><strong>A quest&atilde;o do projeto pol&iacute;tico<\/strong><\/p>\n<p>Por tr&aacute;s dessa discuss&atilde;o sobre o voto &uacute;til no menos pior existe uma concep&ccedil;&atilde;o de que na conjuntura hist&oacute;rica atual o que cabe &agrave; classe trabalhadora &eacute; &ldquo;acumular for&ccedil;as&rdquo; no interior do aparato do Estado, impedindo a &ldquo;volta da direita&rdquo;, para somente depois, num outro momento hist&oacute;rico, pensar um processo de transi&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo.<\/p>\n<p>Essa concep&ccedil;&atilde;o padece de equ&iacute;vocos fundamentais. Primeiro, pela incompreens&atilde;o do momento hist&oacute;rico. Estamos num momento de crise estrutural do capital, em que cada uma das cirses peri&oacute;dicas, como a que se iniciou em 2008, s&atilde;o mais violentas, mais profundas, mais globais e mais longas, enquanto que os per&iacute;odos de recupera&ccedil;&atilde;o e crescimento s&atilde;o mais breves e limitados. Nesse contexto, a burguesia n&atilde;o &eacute; mais capaz de fazer concess&otilde;es permanentes, pelo contr&aacute;rio, est&aacute; retirando as concess&otilde;es do passado. Quem quer que ocupe cargos de gest&atilde;o no Estado, qualquer que seja a sua colora&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria anterior, est&aacute; for&ccedil;ado a cumprir essa pol&iacute;tica e, portanto, atacar os trabalhadores (como vem fazendo o PT). Essa &eacute; uma pol&iacute;tica ditada diretamente pelo capital financeiro internacional, que n&atilde;o admite diverg&ecirc;ncia. O mercado administra diretamente o Estado e os governantes eleitos s&atilde;o meros testas de ferro dos bancos.<\/p>\n<p>Segundo porque, qualquer que seja o momento hist&oacute;rico, a transi&ccedil;&atilde;o para o socialismo s&oacute; poder&aacute; ser realizada por organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores completamente independentes dos patr&otilde;es, do Estado e de seus partidos. A ocupa&ccedil;&atilde;o de postos no Estado jamais pode ser uma estrat&eacute;gia permanente, e n&atilde;o pode passar de um instrumento auxiliar, de den&uacute;ncia da democracia burguesa e sua farsa. O instrumento principal dos trabalhadores deve ser a sua organiza&ccedil;&atilde;o enquanto classe para si, com os organismos correspondentes, como organismos de frente &uacute;nica (sindicatos, centrais sindicais, associa&ccedil;&otilde;es, movimentos reivindicativos, gr&ecirc;mios estudantis, etc.) e partidos e organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias. <\/p>\n<p>Essa organiza&ccedil;&atilde;o deve ser completamente independente dos partidos governantes, como o PT, mas n&atilde;o s&oacute; no plano pol&iacute;tico-organizativo, e sim no ideol&oacute;gico. &Eacute; preciso que essas organiza&ccedil;&otilde;es desenvolvam um trabalho sistem&aacute;tico de disputa ideol&oacute;gica junto &agrave; base dos trabalhadores, no sentido de que a solu&ccedil;&atilde;o de seus problemas s&oacute; pode se dar com a constru&ccedil;&atilde;o de outra sociedade, que &eacute; tarefa do conjunto dos trabalhadores. N&atilde;o existe socialismo sem participa&ccedil;&atilde;o organizada e consciente dos trabalhadores. A pol&iacute;tica de voto cr&iacute;tico no PT vai na contram&atilde;o da necessidade hist&oacute;rica de desenvolimento ideol&oacute;gico e organizativo independente da classe, ao confundir burocratas e gestores do Estado como poss&iacute;veis aliados.<\/p>\n<p>\n<strong>Os partidos oper&aacute;rios<\/strong><\/p>\n<p>\nReproduzir o discurso do &ldquo;menos pior&rdquo; &eacute; ser conivente com o projeto de poder burgu&ecirc;s do PT, enquanto se mostra cada vez mais urgente a reconstru&ccedil;&atilde;o de organismos de luta da classe, completamente independentes, classistas e combativos. De acordo com isso, o crit&eacute;rio para decidir sobre o voto nas elei&ccedil;&otilde;es municipais n&atilde;o pode ser a escolha do &ldquo;menos pior&rdquo; entre os que tem chance de se eleger, mas o de qual projeto e qual classe social os candidatos representam. Ou seja, o crit&eacute;rio de classe &eacute; o principal para decidir sobre o voto. Nas elei&ccedil;&otilde;es municipais temos tamb&eacute;m as candidaturas de partidos que minimamente ainda representam a classe trabalhadora: Carlos Giannazi (PSOL-PCB), Ana Luiza (PSTU) e Ana&iacute; Caproni (PCO).<\/p>\n<p>Em que pesem as diferen&ccedil;as que temos com o programa e a pr&aacute;tica dessas organiza&ccedil;&otilde;es, sobre as quais falaremos abaixo, reconhecemos que s&atilde;o qualitativamente distintas dos partidos burgueses. H&aacute; uma barreira de classe que separa nitidamente esses partidos dos demais. S&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es, que ao menos usam o nome do socialismo, que t&ecirc;m como refer&ecirc;ncia a classe trabalhadora, que buscam se ligar &agrave;s lutas da classe, que fazem oposi&ccedil;&atilde;o aos governos dos partidos burgueses.<\/p>\n<p>Chamamos o voto cr&iacute;tico nessas organiza&ccedil;&otilde;es, como forma de tornar claro o crit&eacute;rio de classe, que as separam dos partidos burgueses. Fazer essa demarca&ccedil;&atilde;o &eacute; mais importante do que votar em quem tem chances de disputar a elei&ccedil;&atilde;o. Mesmo porque, como veremos adiante tamb&eacute;m, as elei&ccedil;&otilde;es do Estado burgu&ecirc;s s&atilde;o um jogo de cartas marcadas em que a classe dominante tem todo o controle. Mais importante do que disputar o voto &eacute; disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores, mostrar que existe uma alternativa e que &eacute; preciso construir um outro projeto, distinto do projeto da burguesia.<\/p>\n<p><strong>Porqu&ecirc; do voto cr&iacute;tico<\/strong><\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o geral do Espa&ccedil;o Socialista &eacute; de voto cr&iacute;tico nos partidos oper&aacute;rios, onde n&atilde;o estejam coligados com os partidos burgueses e tenham rela&ccedil;&atilde;o com as lutas dos trabalhadores. Essa pol&iacute;tica tem que ser ajustada &agrave; realidade de cada munic&iacute;pio, pois h&aacute; lugares em que o crit&eacute;rio de classe n&atilde;o est&aacute; sendo seguido por esses partidos. O caso mais escandaloso &eacute; o de Bel&eacute;m-PA, onde PSOL e PSTU sa&iacute;ram em coliga&ccedil;&atilde;o com PC do B, partido que faz parte da base do governo Dilma. E pior, essa coliga&ccedil;&atilde;o recebeu doa&ccedil;&otilde;es de empresas para sua campanha! O PSTU denunciou publicamente o recebimento de dinheiro de empresas, mas permanece na coliga&ccedil;&atilde;o! Essa pr&aacute;tica de coliga&ccedil;&otilde;es esdr&uacute;xulas e contribui&ccedil;&otilde;es da burguesia para financiar a campanha j&aacute; vem sendo aplicada pelo PSOL h&aacute; tempos, e agora o PSTU tamb&eacute;m se &ldquo;beneficia&rdquo; dela&#8230;<\/p>\n<p>Em S&atilde;o Paulo, como n&atilde;o h&aacute; esses problemas, esses partidos ainda se qualificam como organiza&ccedil;&otilde;es da classe, ainda que no caso do PSOL essa defini&ccedil;&atilde;o seja cada vez menos segura. O partido caminha para se firmar cada vez mais como uma organiza&ccedil;&atilde;o puramente eleitoral, que n&atilde;o est&aacute; enraizada nas lutas da classe trabalhadora (ainda que haja correntes classistas e at&eacute; revolucion&aacute;rias no seu interior, o seu peso e suas pr&aacute;ticas n&atilde;o s&atilde;o suficientes para contrabalan&ccedil;ar o da burocracia eleitoralista que dirige o partido), e que busca apoio na classe m&eacute;dia, praticando uma oposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;bem-comportada&rdquo; e subordinando seu programa &agrave; necessidade de n&atilde;o parecer chocante para esse setor. <\/p>\n<p>O PCB, que faz chapa com o PSOL, possui muito mais clareza program&aacute;tica, ainda que n&atilde;o tenha rompido a fundo com sua heran&ccedil;a stalinista e tamb&eacute;m n&atilde;o tenha presen&ccedil;a de peso nas lutas da classe. O PSTU est&aacute; mais presente nas lutas, especialmente no terreno sindical, mas quem conhece suas interven&ccedil;&otilde;es identifica um vi&eacute;s claramente aparatista, uma obsess&atilde;o por ter todos os organismos sob seu comando, que acaba afastando os trabalhadores combativos e desagregando o movimento. De resto, a l&oacute;gica que orienta as propostas program&aacute;ticas do PSTU para cada campo, como transporte, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, etc., que s&atilde;o pontualmente corretas, &eacute; de esconder a rela&ccedil;&atilde;o de cada uma delas com a necessidade de uma ruptura revolucion&aacute;ria com o capitalismo, para se chegar de fato a uma S&atilde;o Paulo para os trabalhadores. Quanto ao PCO, suas pr&aacute;ticas sect&aacute;rias no movimento sindical fazem com que seja mais um bra&ccedil;o da CUT contra as correntes de esquerda, do que uma oposi&ccedil;&atilde;o real &agrave; burocracia, ainda que adote um discurso anti-capitalista e radical.<\/p>\n<p>Diante dessas defici&ecirc;ncias, entendemos que nenhuma das tr&ecirc;s candidaturas oper&aacute;rias &eacute; muito distinta e melhor do que as outras, e defendemos o voto cr&iacute;tico e aberto em qualquer uma das tr&ecirc;s, bem como em qualquer um desses partidos para a c&acirc;mara de vereadores.<\/p>\n<p>\n<strong>A necessidade de um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>\nAl&eacute;m dos problemas espec&iacute;ficos de cada partido, resta o fato, talvez at&eacute; mais grave, de que tenham sa&iacute;do com candidaturas separadas, ao inv&eacute;s de construir uma frente de esquerda capaz de fazer de forma unit&aacute;ria a oposi&ccedil;&atilde;o aos partidos burgueses. Os partidos tiveram uma postura auto-suficiente ao lan&ccedil;ar cada um seus candidatos separadamente, impossibilitando a constru&ccedil;&atilde;o de uma express&atilde;o unit&aacute;ria do movimento da classe trabalhadora no terreno eleitoral. N&atilde;o tiveram capacidade de construir uma frente unit&aacute;ria contra as representa&ccedil;&otilde;es da burguesia e que pudesse polarizar politicamente com as candidaturas da classe dominante, ainda que tamb&eacute;m n&atilde;o tivesse chances de ganhar a elei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Essa postura auto-suficiente que tiveram uns em rela&ccedil;&atilde;o aos outros &eacute; a mesma que t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria classe, pois o seu processo de constru&ccedil;&atilde;o das candidaturas e programas se deu no &acirc;mbito puramente interno, sem um di&aacute;logo pr&eacute;vio com os trabalhadores. As candidaturas foram trazidas prontas para depois se pedir o voto dos trabalhadores. O m&eacute;todo que defendemos &eacute; o oposto, que se fizessem plen&aacute;rias dos trabalhadores, por bairro ou por categorias, para construir o programa, debatendo amplamente todas as quest&otilde;es pontuais, trazendo todos os coletivos e organiza&ccedil;&otilde;es de luta da classe, para s&oacute; ent&atilde;o se chegar a candidaturas que fossem a representa&ccedil;&atilde;o desse movimento pol&iacute;tico da classe. As candidaturas estariam subordinadas a esse movimento, e n&atilde;o aos partidos, e seriam abertas tamb&eacute;m para representantes das lutas da classe, mesmo que n&atilde;o necessariamente filiados a alguns desses partidos, como forma de garantir a representa&ccedil;&atilde;o de todas as correntes pol&iacute;ticas no processo eleitoral burgu&ecirc;s, que &eacute; profundamente anti-democr&aacute;tico.<\/p>\n<p><strong>Ir al&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>\nOutro erro das organiza&ccedil;&otilde;es que representam a classe trabalhadora no processo eleitoral &eacute; deixar de explicar em sua campanha que as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias n&atilde;o podem ser obtidas por dentro do processo eleitoral e da pr&oacute;pria institucionalidade do Estado burgu&ecirc;s. &Eacute; necess&aacute;ria uma ruptura revolucion&aacute;ria com o capitalismo e a constru&ccedil;&atilde;o de um poder controlado pelos trabalhadores para conseguir as mudan&ccedil;as que precisamos. Pode parecer exagerado fazer essa discuss&atilde;o em uma elei&ccedil;&atilde;o municipal. Entretanto, S&atilde;o Paulo &eacute; a principal cidade do pa&iacute;s e &eacute; tamb&eacute;m aquela em que as for&ccedil;as em disputa na cidade fazem um ensaio para as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2014 e uma apresenta&ccedil;&atilde;o do seu projeto. Basta mencionar o fato de que a candidatura de Haddad foi imposta por Lula, que manda no partido, por cima de qualquer possibilidade de decis&atilde;o da base local, bem como a alian&ccedil;a com Maluf.<\/p>\n<p>Qualquer melhoria nos problemas urbanos de S&atilde;o Paulo, como transporte p&uacute;blico, moradia, polui&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, etc., requer uma mudan&ccedil;a total nas prioridades da gest&atilde;o da cidade. Uma mudan&ccedil;a desse porte precisaria romper com a estrutura do Estado burgu&ecirc;s para construir institui&ccedil;&otilde;es novas, controladas pelos trabalhadores, em que as decis&otilde;es fossem tomadas pela classe que produz toda a riqueza na sociedade, em que os ocupantes de todos os cargos ganhassem o mesmo que um trabalhador m&eacute;dio, e tivessem mandatos revog&aacute;veis.<\/p>\n<p>As elei&ccedil;&otilde;es do Estado burgu&ecirc;s s&atilde;o o oposto disso. Os partidos burgueses, tanto os que t&ecirc;m chances de vencer como as legendas de aluguel que se lan&ccedil;am para fazer lavagem de dinheiro na campanha, ou que pegam carona na popularidade de alguma celebridades., etc., s&atilde;o todos financiados por grandes empres&aacute;rios, que uma vez eleito o seu candidato, cobram a fatura na forma de contratos da prefeitura com a sua empresa, recuperando com sobras o &ldquo;investimento&rdquo;. Uma vez eleitos, os pol&iacute;ticos t&ecirc;m quatro anos para desfrutar do cargo, mesmo que descumpram suas promessas de campanha, sem a possibilidade de revoga&ccedil;&atilde;o do mandato, e ainda ganham fortunas que muitos trabalhadores n&atilde;o conseguem em uma vida inteira, isso sem falar no que conseguem com a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>S&oacute; a luta muda a vida<\/strong><\/p>\n<p>\nN&atilde;o basta portanto votar nos partidos oper&aacute;rios. &Eacute; preciso ir al&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es e organizar os trabalhadores para a luta. A luta deve acontecer todos os dias, n&atilde;o apenas na &eacute;poca das elei&ccedil;&otilde;es, e em todos os terrenos, n&atilde;o apenas no munic&iacute;pio. S&oacute; com muita organiza&ccedil;&atilde;o e consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica conseguiremos fazer frente aos desafios da cidade e do pa&iacute;s. N&atilde;o se trata de uma luta pontual, para modificar aspectos parciais da gest&atilde;o do Estado. Falamos de uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista, que destrua o Estado da classe dominante e seu aparato, seu executivo, legislativo e judici&aacute;rio, pol&iacute;cia, for&ccedil;as armadas, etc., e estabele&ccedil;a novas institui&ccedil;&otilde;es, em que os trabalhadores consigam fazer valer a verdadeira democracia, a democracia da maioria, daqueles que trabalham e produzem toda a riqueza. O Espa&ccedil;o Socialista se coloca como parte dessa luta.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6076,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362\/revisions\/6076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}