{"id":3622,"date":"2014-12-26T08:03:40","date_gmt":"2014-12-26T10:03:40","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3622"},"modified":"2018-05-04T21:38:43","modified_gmt":"2018-05-05T00:38:43","slug":"os-25-anos-da-queda-do-muro-de-berlim-e-o-debate-para-reconstrucao-da-alternativa-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/12\/os-25-anos-da-queda-do-muro-de-berlim-e-o-debate-para-reconstrucao-da-alternativa-socialista\/","title":{"rendered":"Os 25 anos da queda do Muro de Berlim e o debate para reconstru\u00e7\u00e3o da alternativa socialista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lenin.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3623\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lenin.jpg\" alt=\"lenin\" width=\"600\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lenin.jpg 600w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lenin-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><b>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o\u00a0<\/b><b>necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/b><\/h4>\n<h3>Daniel Delfino<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A comemora\u00e7\u00e3o de uma vit\u00f3ria que n\u00e3o houve<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 2014 foi realizada na Alemanha uma grande celebra\u00e7\u00e3o para comemorar os 25 anos da queda do muro de Berlim, com a presen\u00e7a de v\u00e1rios chefes de Estado e grande destaque por parte da m\u00eddia burguesa internacional. O discurso oficial \u00e9 de que a queda do muro representou uma vit\u00f3ria da causa da \u201cliberdade\u201d contra a opress\u00e3o. A cidade de Berlim se localiza no meio do territ\u00f3rio da antiga Alemanha Oriental, mas durante d\u00e9cadas foi cercada por um muro que a dividia entre uma metade capitalista e uma metade dita \u201csocialista\u201d. Parte de Berlim era uma \u201cilha\u201d capitalista cercada pelo muro num mar de pa\u00edses \u201csocialistas\u201d. Foi para isolar o \u201csocialismo\u201d do cont\u00e1gio ocidental capitalista que parte da cidade foi cercada pelo muro, que impedia a passagem de pessoas que moravam numa metade para a outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"> A queda do muro foi tamb\u00e9m a queda do regime \u201csocialista\u201d na Alemanha Oriental e o grande passo para a reunifica\u00e7\u00e3o das duas Alemanhas, que se completou em 1990, quando Berlim voltou a ser a capital da Alemanha reunificada. No mesmo momento, ca\u00edam tamb\u00e9m os regimes \u201csocialistas\u201d em todo o leste europeu: Pol\u00f4nia, Tchecoslov\u00e1quia (que se separou em dois pa\u00edses, Rep\u00fablica Tcheca e Eslov\u00e1quia), Hungria, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Iugosl\u00e1via (uma federa\u00e7\u00e3o cujas seis rep\u00fablicas componentes se separaram, inclusive com guerras entre si) e Alb\u00e2nia. No ano seguinte, em 1991, caiu finalmente a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas &#8211; URSS, primeiro e maior dos pa\u00edses \u201csocialistas\u201d (uma federa\u00e7\u00e3o composta por 15 rep\u00fablicas, das quais a R\u00fassia era a maior, que tamb\u00e9m se separaram). A queda do muro de Berlim representa, portanto, o fim dos regimes \u201csocialistas\u201d e a \u201cvit\u00f3ria\u201d do capitalismo, por isso a burguesia faz quest\u00e3o de comemor\u00e1-la. Trata-se de um acontecimento simb\u00f3lico que os capitalistas e seus ide\u00f3logos colocam no centro de sua narrativa da hist\u00f3ria, para reafirmar a vit\u00f3ria do modo de produ\u00e7\u00e3o e da forma de sociedade que defendem.<br \/>\nEssa comemora\u00e7\u00e3o da \u201cvit\u00f3ria\u201d do capitalismo sobre o socialismo at\u00e9 parecia plaus\u00edvel em 1989-91, mas 25 anos depois, agora em 2014, com o sistema capitalista mundial sem conseguir sair da crise desde 2008, envolto em s\u00e9rios conflitos entre as grandes pot\u00eancias, que amea\u00e7am transbordar para o terreno militar, pressionado por protestos e lutas populares em v\u00e1rios pa\u00edses, levando ao aumento da mis\u00e9ria, desigualdade e cat\u00e1strofes; essa comemora\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de um imenso ato p\u00fablico de cinismo. Entretanto, apesar dessa \u201cvit\u00f3ria\u201d do capitalismo estar longe de ser definitiva, a crise que se abateu sobre o movimento socialista com a queda daqueles regimes ainda n\u00e3o foi superada, d\u00e9cadas depois, e isso merece uma an\u00e1lise mais detida.<br \/>\nN\u00e3o consideramos a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e seus sat\u00e9lites europeus (mas podemos tamb\u00e9m incluir os n\u00e3o europeus, como China, Cuba, Vietn\u00e3 e Cor\u00e9ia do Norte) como realmente socialistas, por isso usamos aspas ao cham\u00e1-los de \u201csocialistas\u201d. Mas apesar de n\u00e3o terem sido realmente socialistas, o fim do regime que existia naqueles pa\u00edses produziu um retrocesso na luta mundial pelo socialismo, e isso exige uma explica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Uma vit\u00f3ria da qual ainda n\u00e3o nos recuperamos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, que daria origem \u00e0 URSS, foi o acontecimento mais importante da hist\u00f3ria da humanidade, pois atrav\u00e9s dela pela primeira vez foi dado um passo para acabar com a sociedade de classes, a partir da tomada do poder pol\u00edtico por uma classe dominada, o proletariado, ao lado dos camponeses, em um pa\u00eds inteiro e de grande import\u00e2ncia no cen\u00e1rio mundial. Essa vit\u00f3ria foi t\u00e3o gigantesca que os seus efeitos se estenderam por sete d\u00e9cadas, at\u00e9 1989-91, mesmo que em menos de duas d\u00e9cadas, j\u00e1 por volta de 1930, os retrocessos tenham anulado quase totalmente os efeitos de tal vit\u00f3ria no interior da pr\u00f3pria URSS. De certa forma, o socialismo foi derrotado na URSS j\u00e1 na d\u00e9cada de 1930, mas os efeitos dessa derrota s\u00f3 foram notados na d\u00e9cada de 1990. Durante esse intervalo de v\u00e1rias d\u00e9cadas, o que sobreviveu na URSS (e se espalhou pelos seus sat\u00e9lites) era uma esp\u00e9cie de arremedo ou fantasmagoria do socialismo, que n\u00e3o tinha chances reais de sobreviver nem de superar o capitalismo.<br \/>\nMesmo assim, essa fantasmagoria foi tomada como sendo realmente o socialismo, tanto pelos seus advers\u00e1rios capitalistas (que assim puderam difam\u00e1-lo enquanto existiu e depois comemorar a sua queda, como fizeram na \u00e9poca e fazem at\u00e9 hoje em 2014, como acabamos de ver em Berlim, ou semanalmente na revista Veja), como pelos defensores do socialismo no restante do mundo, o que \u00e9 muito mais grave. Considerar a URSS como socialista ou como modelo trouxe preju\u00edzos imensos na compreens\u00e3o das tarefas reais colocadas na luta pelo socialismo. A falta de uma compreens\u00e3o real do que era a URSS e de porque o socialismo foi derrotado naquele pa\u00eds ainda impede a retomada de uma ofensiva socialista, mesmo que o advers\u00e1rio capitalista esteja em crise.<br \/>\nSem ter essa compreens\u00e3o, o movimento socialista n\u00e3o consegue oferecer uma alternativa aos milh\u00f5es de trabalhadores e jovens que est\u00e3o em luta contra os efeitos do capitalismo no mundo inteiro. As lutas se seguem, os protestos se multiplicam, contra a viol\u00eancia policial nos Estados Unidos, contra a viol\u00eancia do narco-estado do M\u00e9xico, contra a viol\u00eancia \u00e0s mulheres na \u00cdndia, contra o genoc\u00eddio dos palestinos por Israel, etc.. Tudo isso tem levado milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas no mundo inteiro, mas se trata de lutas contra os efeitos do capitalismo, e estes efeitos v\u00e3o perdurar enquanto n\u00e3o se destruir a causa dos problemas, o pr\u00f3prio capitalismo. Essas lutas, por sua vez, jamais v\u00e3o atacar as causas do problema, ao inv\u00e9s de apenas os seus efeitos, como fazem hoje, enquanto n\u00e3o tiverem uma alternativa real para colocar no seu lugar. E essa alternativa n\u00e3o se coloca, entre outras coisas, porque o socialismo ainda \u00e9 confundido com o regime que existia na URSS e seus sat\u00e9lites.<br \/>\nMuitos percebem os problemas do capitalismo e at\u00e9 se colocam em luta contra eles, mas n\u00e3o acham que seja poss\u00edvel a aboli\u00e7\u00e3o total desse sistema e a sua substitui\u00e7\u00e3o por outro, porque dizem que isso j\u00e1 foi tentado, mas \u201cdeu errado\u201d. E a prova de que essa tentativa deu errado s\u00e3o os exemplos de \u201csocialismo\u201d do s\u00e9culo XX. O senso comum dos trabalhadores ainda chama as experi\u00eancias do s\u00e9culo XX de socialistas (e \u00e9 claro, os seus advers\u00e1rios tamb\u00e9m o fazem, com o objetivo de desacreditar o socialismo), e o movimento socialista ainda n\u00e3o conseguiu desfazer essa confus\u00e3o. Por isso dissemos que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi uma vit\u00f3ria incontest\u00e1vel, mas da qual ainda n\u00e3o nos recuperamos. O gigantismo da vit\u00f3ria de 1917 ainda se imp\u00f5e sobre n\u00f3s como um desafio a ser superado, exigindo um passo adiante na hist\u00f3ria, que continue de onde a Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi derrotada.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Elementos para um debate necess\u00e1rio<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O debate sobre as experi\u00eancias do s\u00e9culo XX e porque n\u00e3o levaram ao socialismo precisa ser feito em profundidade por todas as organiza\u00e7\u00f5es e militantes socialistas, pois sem isso a crise da alternativa socialista jamais ser\u00e1 superada. Entretanto, de modo geral, as organiza\u00e7\u00f5es socialistas permanecem aferradas a concep\u00e7\u00f5es que vigoraram durante todo o s\u00e9culo XX como se fossem dogmas religiosos. O conservadorismo te\u00f3rico da imensa maioria das organiza\u00e7\u00f5es socialistas as impede de retomar o m\u00e9todo marxista, materialista e cient\u00edfico, para analisar a realidade e tirar as pol\u00edticas necess\u00e1rias para a a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 por\u00e9m este pequeno texto que ir\u00e1 trazer \u201ca resposta certa\u201d onde tantos militantes honestos e abnegados est\u00e3o errando. Essa resposta somente ser\u00e1 produzida por um imenso e urgente esfor\u00e7o coletivo. Entretanto, n\u00e3o poder\u00edamos concluir o texto sem deixar de apresentar algumas hip\u00f3teses que consideramos centrais para este debate coletivo. Tentamos apresentar essas formula\u00e7\u00f5es da maneira mais resumida poss\u00edvel, de modo que cada afirma\u00e7\u00e3o contida abaixo necessita de precis\u00f5es. Mas trata-se de um pontap\u00e9 inicial, portanto vamos aos t\u00f3picos:<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">a) socialismo e capitalismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o socialismo n\u00e3o fracassou no s\u00e9culo XX, ele apenas foi iniciado, e t\u00e3o logo foi iniciado em alguns pa\u00edses, foi combatido mortalmente pelo capitalismo, at\u00e9 que aquelas experi\u00eancias iniciais, completamente deformadas e desfiguradas, fossem enterradas v\u00e1rias d\u00e9cadas depois em 1989-91 (China, Cuba, Vietn\u00e3, Cor\u00e9ia do Norte, que j\u00e1 nasceram desfiguradas, est\u00e3o em processo, mais ou menos completo em cada caso, de restaura\u00e7\u00e3o capitalista);<br \/>\n&#8211; quem fracassou foi o capitalismo, que depois de s\u00e9culos de exist\u00eancia submete a humanidade \u00e0 fome, mis\u00e9ria, doen\u00e7as, viol\u00eancia, guerras, discrimina\u00e7\u00f5es; al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o cotidiana, que rouba nossa for\u00e7a de trabalho em troca de um sal\u00e1rio, que \u00e9 sempre menor do que o valor produzido pelo nosso trabalho, um sal\u00e1rio com o qual s\u00f3 temos acesso a um simulacro de vida, n\u00e3o a uma vida autenticamente humana;<br \/>\n&#8211; o capitalismo n\u00e3o tem mais nada a oferecer \u00e0 humanidade a n\u00e3o ser o aprofundamento da barb\u00e1rie. O controle capitalista sobre as for\u00e7as produtivas, que impede o interc\u00e2mbio e a coopera\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia, retido nas m\u00e3os das corpora\u00e7\u00f5es e governos, \u00e9 um imenso atraso para a humanidade. Basta pensar nos programas de computador e equipamentos eletr\u00f4nicos que s\u00e3o incompat\u00edveis entre si e n\u00e3o se comunicam, simplesmente porque s\u00e3o de fabricantes diferentes. A propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o bloqueia o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas da humanidade, e impede a redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho e a multiplica\u00e7\u00e3o do tempo livre para viv\u00eancias autenticamente humanas;<br \/>\n&#8211; por mais graves que sejam as crises, o capitalismo n\u00e3o vai cair por si mesmo, ele precisa ser derrubado por uma a\u00e7\u00e3o consciente, que deve ser feita em nome do projeto de uma nova sociedade. Essa derrubada tem que ser feita por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que os detentores do poder, as classes beneficiadas pelo capitalismo, n\u00e3o v\u00e3o abrir m\u00e3o dos seus privil\u00e9gios e v\u00e3o reagir contra qualquer tentativa de mudan\u00e7a usando a for\u00e7a contra aqueles que querem mudar o sistema, mobilizando a viol\u00eancia do Estado e outros meios que estiverem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; chamamos esse projeto de uma nova sociedade de socialismo, que n\u00e3o \u00e9 uma utopia, um plano ideal de sociedade desenhado na cabe\u00e7a de alguns g\u00eanios, ele \u00e9 o resultado do processo real de transforma\u00e7\u00e3o, a partir de cada luta concreta pela supera\u00e7\u00e3o dos problemas da sociedade atualmente existente;<br \/>\n&#8211; suponhamos por exemplo uma regi\u00e3o afetada pela falta d&#8217;\u00e1gua, como a Grande S\u00e3o Paulo no momento. Uma solu\u00e7\u00e3o socialista seria a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de moradores de cada bairro para administrar a \u00e1gua existente, socializando a empresa de distribui\u00e7\u00e3o, para garantir que n\u00e3o falte \u00e1gua para consumo humano. E assim por diante em rela\u00e7\u00e3o ao transporte p\u00fablico, hospitais, etc. Necessariamente, todos os ramos de produ\u00e7\u00e3o, ind\u00fastrias, etc., teriam que ser socializados, isto \u00e9, expropriados, e colocados sob controle dos trabalhadores. A reuni\u00e3o de todos esses comit\u00eas e organismos de controle social em uma \u00fanica forma de poder pol\u00edtico substituiria o Estado como o conhecemos, o Estado capitalista representativo, pela democracia direta dos trabalhadores.<br \/>\n&#8211; essa substitui\u00e7\u00e3o, repetimos, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pela via revolucion\u00e1ria. \u00c9 preciso abolir o antigo Estado, e todas as suas institui\u00e7\u00f5es (Executivo, Legislativo, Judici\u00e1rio, For\u00e7as Armadas, pol\u00edcia, etc.), e substitu\u00ed-lo por novos organismos surgidos da luta dos trabalhadores;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">b) socialismo e revolu\u00e7\u00e3o mundial<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; a revolu\u00e7\u00e3o socialista deve ser feita em cada pa\u00eds, abolindo as institui\u00e7\u00f5es de cada estado nacional conforme exemplificamos acima, mas a constru\u00e7\u00e3o do socialismo propriamente dito s\u00f3 pode ser feita em escala mundial, pois requer a socializa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas da humanidade inteira, de modo que os produtores da riqueza, os trabalhadores, se apropriem da tecnologia, para produzir mais e trabalhar menos, e possam assim desfrutar de tempo livre para se humanizarem;<br \/>\n&#8211; isso quer dizer que a revolu\u00e7\u00e3o socialista tem que ser pensada como uma revolu\u00e7\u00e3o mundial, que deve acontecer tanto nos pa\u00edses mais atrasados como nos pa\u00edses mais avan\u00e7ados. A revolu\u00e7\u00e3o socialista requer a socializa\u00e7\u00e3o da riqueza mundial, da ci\u00eancia e da tecnologia produzidas ao longo da hist\u00f3ria, para uso coletivo da humanidade. O que tivemos no s\u00e9culo XX com o nome de socialismo foi infelizmente apenas a socializa\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria de alguns pa\u00edses pobres;<br \/>\n&#8211; quando os trabalhadores tomaram o poder na R\u00fassia em 1917, liderados pelos revolucion\u00e1rios socialistas, estes n\u00e3o pensavam em construir uma Revolu\u00e7\u00e3o Russa, no sentido de especificamente russa, mas viam a sua luta como uma parte dessa Revolu\u00e7\u00e3o Mundial em andamento, a ser desenvolvida no espa\u00e7o local. Eles estavam \u201ccumprindo a sua parte no plano\u201d internacional da revolu\u00e7\u00e3o. No restante do mundo \u00e9 que n\u00e3o aconteceu o mesmo e o \u201cplano\u201d n\u00e3o foi cumprido;<br \/>\n&#8211; os revolucion\u00e1rios tomaram o poder na R\u00fassia, no curso de uma grave crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica provocada pela 1\u00aa Guerra Mundial, que ainda estava em curso. Essa crise provocou revolu\u00e7\u00f5es e quase revolu\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses, n\u00e3o apenas na R\u00fassia, onde foi vitoriosa. Mas na Alemanha, It\u00e1lia, Hungria, essas revolu\u00e7\u00f5es foram derrotadas (quando se estuda essa parte da hist\u00f3ria, as revolu\u00e7\u00f5es provocadas pela I Guerra nos demais pa\u00edses para al\u00e9m da R\u00fassia s\u00e3o convenientemente esquecidas ou secundarizadas pelos historiadores burgueses). Com isso, a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista, ou seja, a Revolu\u00e7\u00e3o Mundial, ficou isolada e paralisada na R\u00fassia, e se transformou em Revolu\u00e7\u00e3o Russa;<br \/>\n&#8211; durante os primeiros anos ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o os revolucion\u00e1rios se mantiveram no poder na R\u00fassia, transformada em URSS, \u00e0 espera da Revolu\u00e7\u00e3o Mundial, que n\u00e3o veio. Ao se manter no poder, eles acabaram involuntariamente se transformando em \u201cmodelo\u201d para a revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional. E esse modelo tinha v\u00e1rios problemas, pois a R\u00fassia era um pa\u00eds imenso e importante, mas ainda pobre, pouco urbanizado e industrializado, de maioria camponesa e analfabeta;<br \/>\n&#8211; a URSS n\u00e3o poderia ter chegado sozinha ao socialismo, n\u00e3o s\u00f3 por causa dos seus limites materiais como um pa\u00eds atrasado, mas porque o socialismo requer uma revolu\u00e7\u00e3o mundial, \u00e9 sempre importante repetir. Mesmo um pa\u00eds imperialista tecnologicamente avan\u00e7ado n\u00e3o poderia alcan\u00e7ar o socialismo sozinho, sem o interc\u00e2mbio com o restante do mundo. A URSS, al\u00e9m de partir de uma realidade de atraso e de ter permanecido isolada, enfrentou uma s\u00e9rie de outros problemas na sua tentativa de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo. Um desses problemas foi a burocratiza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o havia sido prevista pelos revolucion\u00e1rios;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">c) socialismo e burocracia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; os capitalistas russos e internacionais n\u00e3o permitiram que os revolucion\u00e1rios russos e os trabalhadores fizessem sua \u201cexperi\u00eancia\u201d socialista em paz, eles formaram ex\u00e9rcitos contra revolucion\u00e1rios para destruir tal experi\u00eancia, com os m\u00e9todos mais brutais, levando a uma guerra civil dur\u00edssima. Essa guerra s\u00f3 terminou em 1921, deixando a R\u00fassia (que j\u00e1 tinha sofrido com a I Guerra) quase destru\u00edda. Para que se tenha uma ideia, o PIB baixou a cerca de 15% do que era antes da guerra;<br \/>\n&#8211; boa parte dos oper\u00e1rios que eram convictos do socialismo e lutaram pela revolu\u00e7\u00e3o foram mortos na guerra civil. Os que n\u00e3o morreram se tornaram administradores mais ou menos improvisados da nova sociedade, que teve que ser reconstru\u00edda quase do zero. A socializa\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria n\u00e3o foi uma op\u00e7\u00e3o, mas o \u00fanico caminho que restou aos revolucion\u00e1rios, que permaneceram no poder \u00e0 espera de uma Revolu\u00e7\u00e3o Mundial, que afinal n\u00e3o veio;<br \/>\n&#8211; mesmo que n\u00e3o houvesse a guerra e a destrui\u00e7\u00e3o, a R\u00fassia j\u00e1 n\u00e3o tinha as condi\u00e7\u00f5es materiais e humanas para desenvolver o socialismo, mas poderia avan\u00e7ar para formas democr\u00e1ticas de gest\u00e3o social, formas proto socialistas ou pseudo socialistas, mais humanas do que as que vigoram no capitalismo, \u00e0 espera da revolu\u00e7\u00e3o mundial;<br \/>\n&#8211; entretanto, no per\u00edodo da guerra civil, vigorou um estado de emerg\u00eancia, que era justificado enquanto se esperava a revolu\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses. Nessa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, todo o controle passou para as m\u00e3os do partido e de uma nova burocracia, composta das poucas pessoas habilitadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es gerenciais. Essa burocracia inclu\u00eda em bom n\u00famero uma vasta camada de antigos e novos oportunistas, remanescentes do antigo estado czarista russo e ex-militantes convertidos em burocratas;<br \/>\n&#8211; essa burocracia era a \u00fanica que tinha condi\u00e7\u00f5es intelectuais de administrar a produ\u00e7\u00e3o e o Estado, mas isso se transformou em fonte de privil\u00e9gios sociais, e posteriormente, de poder pol\u00edtico. A centraliza\u00e7\u00e3o de todos os poderes nas m\u00e3os do partido e da burocracia se deveu a uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia provocada pela guerra civil. Mas com o fim da guerra civil, a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia se prolongou, a centraliza\u00e7\u00e3o de poderes jamais foi revertida, a democracia oper\u00e1ria jamais voltou. Ao inv\u00e9s de uma gest\u00e3o social das for\u00e7as produtivas socializadas (que j\u00e1 n\u00e3o eram as mais avan\u00e7adas), tivemos uma gest\u00e3o burocr\u00e1tica, o que fez toda a diferen\u00e7a. A ditadura do proletariado (sobre a burguesia) se converteu em ditadura (da burocracia) sobre o proletariado;<br \/>\n&#8211; j\u00e1 na d\u00e9cada de 1930, consolida-se na URSS uma contra revolu\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, em que a burocracia dos gestores assume definitivamente o poder pol\u00edtico. Stalin, representante pol\u00edtico da burocracia, j\u00e1 havia afastado do poder Trotsky e os remanescentes do partido revolucion\u00e1rio, j\u00e1 nos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 1920. Aos poucos, s\u00e3o liquidadas as conquistas sociais da revolu\u00e7\u00e3o de 1917. Acabam as assembleias dos soviets, acabam as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es e f\u00f3runs de controle social das mais diversas atividades, acabam as associa\u00e7\u00f5es livres e democr\u00e1ticas das mulheres, dos jovens, dos artistas, etc.;<br \/>\n&#8211; com a consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo, aquela possibilidade de um regime proto socialista, mais democr\u00e1tico e humano, se fechou. Os trabalhadores j\u00e1 n\u00e3o ret\u00e9m mais qualquer vest\u00edgio de poder, e estabelece-se um estado policial e terrorista (repress\u00e3o da KGB contra qualquer pensamento divergente, campos de trabalho for\u00e7ado, culto da pessoa de Stalin, etc.), que n\u00e3o tinha nada a ver com o socialismo. Tragicamente, foi essa caricatura que acabou levando o nome de \u201csocialismo\u201d dali por diante, e ainda hoje;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">d) socialismo e estatismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; essa exposi\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 conclus\u00e3o de que os revolucion\u00e1rios n\u00e3o deveriam ter tomado o poder na R\u00fassia, j\u00e1 que o pa\u00eds n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es materiais de chegar ao socialismo. Nada mais errado! Os revolucion\u00e1rios fizeram o que deveriam fazer. Mesmo derrotada ao final, a revolu\u00e7\u00e3o foi um tremendo avan\u00e7o para a hist\u00f3ria russa e mundial. No m\u00ednimo, a exist\u00eancia da URSS, ainda que gravemente deformada pela burocratiza\u00e7\u00e3o, serviu como um contrapeso ao capitalismo mundial, obrigando a burguesia a fazer concess\u00f5es, que resultaram em melhorias sociais para v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores no mundo inteiro, que ainda hoje nos beneficiam. Essas melhorias servem como par\u00e2metro de bem estar social ainda hoje, e justamente por isso a burguesia est\u00e1 lutando para revog\u00e1-las, agora com o caminho aberto pela aus\u00eancia do obst\u00e1culo socialista;<br \/>\n&#8211; os limites materiais do atraso russo se impuseram ulteriormente, mas esse curso n\u00e3o estava pr\u00e9 determinado. O resultado poderia ter sido completamente inverso e bem sucedido. A revolu\u00e7\u00e3o poderia ter triunfado em outros pa\u00edses, e tirado a R\u00fassia do isolamento. Isso n\u00e3o era nenhum del\u00edrio, era na verdade uma probabilidade bastante razo\u00e1vel no final da I Guerra, e todos os que viviam o calor dos acontecimentos contavam seriamente com ela. E a disputa pol\u00edtica entre os revolucion\u00e1rios e os burocratas no interior da pr\u00f3pria URSS, por sua vez, poderia ter influenciado os rumos da Revolu\u00e7\u00e3o Mundial, como veremos a seguir;<br \/>\n&#8211; a expans\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o para outros pa\u00edses n\u00e3o aconteceu, a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo estava condenada pelos limites materiais da URSS atrasada, mas isso n\u00e3o apareceu dessa forma por aqueles que vivenciavam o processo. Ao contr\u00e1rio, a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o transformou a URSS numa pot\u00eancia, e foi isso que saltou aos olhos do mundo a partir da d\u00e9cada de 1930;<br \/>\n&#8211; mesmo tendo passado pela destrui\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Guerra Mundial, pela guerra civil que destruiu o que restou do pa\u00eds, pelas irracionalidades da gest\u00e3o burocr\u00e1tica, pela destrui\u00e7\u00e3o da 2\u00aa Guerra Mundial, processos esses que custaram vidas humanas na escala de dezenas de milh\u00f5es, al\u00e9m dos preju\u00edzos materiais incalcul\u00e1veis, uma sucess\u00e3o de hecatombes como n\u00e3o houve em nenhum outro pa\u00eds do mundo; mesmo com tudo isso, a R\u00fassia saiu da condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds campon\u00eas e analfabeto em 1917 para condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia em poucas d\u00e9cadas, chegando \u00e0 lideran\u00e7a da corrida espacial, lan\u00e7ando o primeiro sat\u00e9lite artificial, o Sputnik, em 1957 e o primeiro astronauta em 1961;<br \/>\n&#8211; esse salto gigantesco da antiga R\u00fassia atrasada para a URSS convertida em pot\u00eancia mundial (pot\u00eancia industrial, militar, cient\u00edfica, cultural, esportiva, etc.) s\u00f3 foi poss\u00edvel por conta da vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o, que trouxe o fim da anarquia da produ\u00e7\u00e3o capitalista, centralizando a atividade econ\u00f4mica nas m\u00e3os do Estado. A planifica\u00e7\u00e3o estatal da economia foi o \u00fanico elemento positivo que sobreviveu da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, mas apenas ele foi o suficiente para dar uma sobrevida ao regime durante as v\u00e1rias d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX;<br \/>\n&#8211; essa sobrevida prolongou os efeitos da revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 a \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo, juntamente com outros elementos de ordem pol\u00edtica. Entretanto, a economia estatizada nas m\u00e3os da burocracia n\u00e3o poderia nem se manter por si mesma eternamente, nem avan\u00e7ar para o socialismo, sem que uma nova revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social derrubasse a burocracia e restabelecesse o controle social dos trabalhadores. Uma vez que essa revolu\u00e7\u00e3o dentro da URSS n\u00e3o aconteceu, o curso natural foi a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo;<br \/>\n&#8211; o controle socialista da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mesmo que controle estatal. O estado na URSS n\u00e3o estava sob controle dos trabalhadores e sim da burocracia. A socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que vai muito al\u00e9m da expropria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 apenas uma mudan\u00e7a jur\u00eddica na propriedade das empresas. Uma empresa estatizada pode muito bem continuar sob controle de gestores com interesses pr\u00f3prios, diferentes e opostos aos dos trabalhadores. O socialismo n\u00e3o \u00e9 o mesmo que \u201cestatismo\u201d, ele exige que os trabalhadores exer\u00e7am de fato e coletivamente o controle sobre a gest\u00e3o de cada atividade produtiva. E esse controle existiu somente nos primeiros anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, sendo logo depois assumido pela burocracia;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">e) socialismo no p\u00f3s-II Guerra<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; ao mesmo tempo em que a URSS dava esse salto para tornar-se uma pot\u00eancia mundial, o capitalismo vivia a sua pior crise, a Grande Depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930, que produziu o nazi fascismo e a 2\u00aa Guerra Mundial. Para todos os observadores, era o capitalismo que estava morrendo e o socialismo prosperando na URSS. Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 acidental que a URSS tenha aparecido como modelo para os trabalhadores do mundo inteiro que lutavam contra o capitalismo. Trabalhadores e militantes socialistas do mundo inteiro olhavam a URSS como exemplo e seguiam o Partido Comunista russo como lideran\u00e7a mundial incontest\u00e1vel. Al\u00e9m disso, trata-se de um mundo em que n\u00e3o existia internet, e a informa\u00e7\u00e3o era escassa, n\u00e3o se tinha conhecimento dos graves problemas da deforma\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, por isso era muito mais dif\u00edcil, praticamente her\u00f3ico, que os socialistas do restante do mundo n\u00e3o se tornassem \u201cseguidores\u201d da URSS stalinizada;<br \/>\n&#8211; essa lideran\u00e7a foi ainda mais reafirmada quando a URSS arcou com o maior peso em vidas humanas e sacrif\u00edcios materiais da luta para derrotar o nazi-fascismo na 2\u00aa Guerra, e emergiu como superpot\u00eancia mundial. O \u201csocialismo\u201d foi assim \u201ctransplantado\u201d para o leste europeu (Alemanha Oriental, Pol\u00f4nia, Tchecoslov\u00e1quia, Hungria, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Iugosl\u00e1via e Alb\u00e2nia), n\u00e3o por meio de revolu\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas dos povos desses pa\u00edses (que n\u00e3o deixaram de ser ensaiadas, inclusive em pa\u00edses at\u00e9 mais decisivos, como a pr\u00f3pria Fran\u00e7a e a It\u00e1lia, mas foram tamb\u00e9m sufocadas), mas pela ocupa\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito vermelho sovi\u00e9tico, situa\u00e7\u00e3o que perdurou at\u00e9 1989-91;<br \/>\n&#8211; ao inv\u00e9s de usar essa lideran\u00e7a sobre o movimento socialista para impulsionar a revolu\u00e7\u00e3o internacional (como era o \u201cplano\u201d original), a burocracia stalinista a usou para submeter os partidos comunistas do mundo inteiro ao seu controle f\u00e9rreo, j\u00e1 desde a d\u00e9cada de 1920. Ao inv\u00e9s de instrumentos da revolu\u00e7\u00e3o internacional, os partidos comunistas transformaram-se em instrumentos da pol\u00edtica externa da URSS e da busca de uma conviv\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo capitalista mundial;<br \/>\n&#8211; Stalin decretou que o socialismo j\u00e1 tinha sido atingido em um \u00fanico pa\u00eds, a URSS (uma aberra\u00e7\u00e3o do ponto de vista do marxismo, pois como dissemos acima, o socialismo tem que ser mundial), e pouco depois, declarou que o pa\u00eds j\u00e1 era comunista (uma aberra\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ainda pior). Muito da confus\u00e3o at\u00e9 hoje reinante entre os conceitos de socialismo e comunismo tem a ver com a propaganda enganosa do regime burocr\u00e1tico stalinista. A conseq\u00fc\u00eancia pol\u00edtica pr\u00e1tica da teoria do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d de Stalin \u00e9 que n\u00e3o era mais necess\u00e1rio lutar pelo socialismo e pela Revolu\u00e7\u00e3o Mundial. O mundo inteiro se tornaria socialista ao desejar imitar o exemplo do sucesso da URSS. Na verdade, essa \u201cteoria\u201d era uma mera desculpa para que a URSS abandonasse os esfor\u00e7os pela revolu\u00e7\u00e3o mundial. A III Internacional, ou Internacional Comunista, que reunia os PCs do mundo inteiro, foi dissolvida por uma canetada de Stalin, em 1943;<br \/>\n&#8211; com isso, o stalinismo abriu m\u00e3o da luta pela revolu\u00e7\u00e3o internacional para derrotar o capitalismo, mas os capitalistas n\u00e3o abriram m\u00e3o da luta para destruir a URSS e os socialistas, e o fazem at\u00e9 hoje. Em nome dessa luta, instalaram ditaduras brutais, como as que vigoraram na Am\u00e9rica Latina, reprimindo os trabalhadores, garantindo a explora\u00e7\u00e3o cotidiana e a opress\u00e3o, assassinando, torturando e perseguindo milhares e milhares de lideran\u00e7as oper\u00e1rias, camponesas e estudantis;<br \/>\n&#8211; do outro lado, o movimento socialista internacional, submetido ao stalinismo, adotou a estrat\u00e9gia da \u201crevolu\u00e7\u00e3o por etapas\u201d. Isso significava o apoio \u00e0 \u201cburguesia progressista\u201d nos pa\u00edses atrasados, para fazer primeiro a revolu\u00e7\u00e3o nacional e democr\u00e1tica (1\u00aa etapa), e depois a revolu\u00e7\u00e3o socialista (2\u00aa etapa). Na verdade, essa estrat\u00e9gia nunca funcionou, pois levou os partidos comunistas de matriz stalinista do mundo inteiro a fazer alian\u00e7a com os setores supostamente \u201cprogressistas\u201d da burguesia, alian\u00e7as que nunca avan\u00e7aram para a revolu\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; essa pol\u00edtica levou \u00e0 derrota as lutas dos trabalhadores no mundo inteiro, durante as d\u00e9cadas de 1950, 60 e 70. Um dos exemplos foi o do Brasil, em que o PCB apoiou o governo burgu\u00eas de Jango, ao inv\u00e9s de desenvolver uma pol\u00edtica de independ\u00eancia de classe e de luta pelo poder. Isso levou \u00e0 tr\u00e1gica derrota que foi o golpe civil e militar de 1964 e a ditadura, da qual, de certa forma, ainda n\u00e3o nos recuperamos;<br \/>\n&#8211; essa estrat\u00e9gia etapista divulgada no discurso p\u00fablico era o disfarce nominal para a pol\u00edtica real de conviv\u00eancia pac\u00edfica entre a URSS e o imperialismo adotada ao fim da 2\u00aa Guerra. Onde a estrat\u00e9gia stalinista de alian\u00e7a com a burguesia n\u00e3o foi seguida e os trabalhadores avan\u00e7aram para a luta pelo poder, e conseguiram vit\u00f3rias, (como na China, Cuba, Vietn\u00e3, Cor\u00e9ia do Norte), essa luta tamb\u00e9m n\u00e3o conduziu a revolu\u00e7\u00f5es socialistas, mas a regimes burocr\u00e1ticos decalcados do stalinismo sovi\u00e9tico. Assim como nos pa\u00edses do leste europeu ocupados pelo ex\u00e9rcito vermelho, nessas revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o houve um papel protag\u00f4nico da classe trabalhadora organizada (como tinha acontecido no in\u00edcio da pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o russa), e sim a a\u00e7\u00e3o de partidos-ex\u00e9rcito, que substitu\u00edram os trabalhadores;<br \/>\n&#8211; e no leste europeu, quando os trabalhadores quiseram se tornar protagonistas do seu \u201csocialismo\u201d, foram esmagados pelos tanques de Moscou. Isso aconteceu sucessivamente em Berlim em 1953, na revolu\u00e7\u00e3o dos conselhos na Hungria em 1956, na primavera de Praga em 1968, no levante do Solidariedade na Pol\u00f4nia em 1981;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">f) socialismo e o trotskismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; fora do controle do stalinismo, a principal corrente do movimento socialista foi o trotskismo, que foi sempre minorit\u00e1rio e ainda assim se dividiu em in\u00fameras tend\u00eancias (e permanece assim at\u00e9 hoje) desde o assassinato de seu fundador por um espi\u00e3o de Stalin em 1940. O trotskismo teve o m\u00e9rito de manter de p\u00e9 os pontos fundamentais do marxismo revolucion\u00e1rio, como o internacionalismo e a independ\u00eancia de classe. Gra\u00e7as \u00e0 persist\u00eancia her\u00f3icas das organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, sobrevivendo contra o cerco do imperialismo e do stalinismo, a perspectiva do socialismo revolucion\u00e1rio chegou ao s\u00e9culo XXI. Se hoje existe algum ac\u00famulo de onde podemos partir para retomar a luta pelo socialismo, \u00e9 gra\u00e7as ao trotskismo, um m\u00e9rito hist\u00f3rico que tem que ficar registrado;<br \/>\n&#8211; todas as correntes trotskistas, por\u00e9m partilham de um erro comum, que tem origem no pr\u00f3prio Trotsky (cujo assassinato n\u00e3o permitiu que reavaliasse sua posi\u00e7\u00e3o), a defini\u00e7\u00e3o da URSS (estendida a seus sat\u00e9lites) como &#8220;estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico&#8221;. Com base nessa defini\u00e7\u00e3o, o trotskismo atuou como se o problema da URSS e do socialismo fosse apenas a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que retirasse a burocracia do poder atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o politica, e recolocasse a constru\u00e7\u00e3o do socialismo de volta nos trilhos;<br \/>\n&#8211; essa defini\u00e7\u00e3o de &#8220;estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico&#8221; est\u00e1 errada por desconhecer a contra revolu\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica da d\u00e9cada de 1930 e a liquida\u00e7\u00e3o quase total das conquistas sociais da revolu\u00e7\u00e3o de 1917. A URSS deixou de ser um estado oper\u00e1rio, pois a classe oper\u00e1ria perdeu qualquer vest\u00edgio de poder, e passou a ser um estado burocr\u00e1tico, ou um estado de transi\u00e7\u00e3o interrompida. Nesse caso, a tarefa n\u00e3o era apenas uma revolu\u00e7\u00e3o politica para retirar a burocracia do poder, mas uma revolu\u00e7\u00e3o social e politica, que recolocasse a classe oper\u00e1ria no controle da produ\u00e7\u00e3o e do estado;<br \/>\n&#8211; a compreens\u00e3o das tarefas como limitadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o politica j\u00e1 estavam equivocadas quando existia a URSS e o stalinismo como dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do movimento socialista. Persistir nesse erro hoje \u00e9 ainda mais dram\u00e1tico. Quando o stalinismo desmoronou, muitas correntes trotskistas raciocinaram como se a lideran\u00e7a do movimento socialista fosse \u201ccair no seu colo\u201d automaticamente. Ao inv\u00e9s disso, o movimento retrocedeu e se dispersou. A hist\u00f3ria n\u00e3o daria esse presente aos revolucion\u00e1rios. O movimento teria que ser reconstru\u00eddo praticamente do zero;<br \/>\n&#8211; para que exista uma dire\u00e7\u00e3o revolucionaria, \u00e9 preciso que haja um movimento revolucion\u00e1rio a ser dirigido, o que n\u00e3o h\u00e1. E a revolu\u00e7\u00e3o a ser feita n\u00e3o \u00e9 apenas pol\u00edtica (pois n\u00e3o h\u00e1 mais uma burocracia stalinista a ser derrubada), mas a revolu\u00e7\u00e3o como um todo, social, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. O obstaculo n\u00e3o \u00e9 apenas a dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica stalinista (que n\u00e3o existe mais), mas a burguesia e o imperialismo;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">g) o fim do stalinismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; depois da II Guerra novas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores nasceram e cresceram na URSS e nos pa\u00edses \u201csocialistas\u201d sem viver as lutas hist\u00f3ricas e os progressos das d\u00e9cadas de 1920, 30, 40 e 50. Ao contr\u00e1rio, viveram a estagna\u00e7\u00e3o das d\u00e9cadas de 1960, 70 e 80. Para esses trabalhadores, o regime dito \u201csocialista\u201d era t\u00e3o explorador quanto o capitalismo, com o agravante da opress\u00e3o pol\u00edtica da ditadura do partido \u00fanico da burocracia;<br \/>\n&#8211; esta burocracia, por sua vez, n\u00e3o conseguia dar dinamismo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o interna. Sem o incentivo da competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica capitalista, que obriga os trabalhadores a ter emprego ou morrer de fome, a burocracia n\u00e3o conseguia criar um incentivo pol\u00edtico para que os trabalhadores continuassem gerando mais valia para as empresas estatizadas. N\u00e3o havia tamb\u00e9m incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, criatividade, proatividade, manuten\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio, etc. Com essas caracter\u00edsticas, a economia sovi\u00e9tica entrou em estagna\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguiu sustentar a competi\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses capitalistas no mercado mundial. A competi\u00e7\u00e3o foi dramaticamente agravada pela corrida armamentista, que desviava recursos vitais para a produ\u00e7\u00e3o de armamentos;<br \/>\n&#8211; as reformas de mercado que foram introduzidas na d\u00e9cada de 1980 para tentar modernizar a economia da URSS tomaram uma din\u00e2mica pr\u00f3pria, que levou \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es de democracia e ao fortalecimento da oposi\u00e7\u00e3o popular. Uma vez iniciado, o processo levou \u00e0 queda dos regimes burocr\u00e1ticos. O imperialismo apareceu de fora como representante da \u201cdemocracia\u201d contra as ditaduras dos partidos \u201csocialistas\u201d. O consumismo dos pa\u00edses capitalistas apareceu para os trabalhadores do leste europeu como a promessa de uma felicidade h\u00e1 tanto tempo negada;<br \/>\n&#8211; quando os regimes ditos \u201csocialistas\u201d ca\u00edram pressionados pela oposi\u00e7\u00e3o interna e externa, os trabalhadores n\u00e3o defenderam esses regimes, pois n\u00e3o eram efetivamente seus, n\u00e3o eram estados oper\u00e1rios. Ao contr\u00e1rio, aos milh\u00f5es os trabalhadores tomaram parte entusiasmadamente nos movimentos que derrubaram os regimes \u201csocialistas\u201d, imaginando que o capitalismo lhes daria a liberdade negada pela burocracia. Os ex-burocratas, por sua vez, se converteram em burgueses, saqueando o patrim\u00f4nio dos antigos estados \u201csocialistas\u201d com m\u00e9todos mafiosos, na farra das privatiza\u00e7\u00f5es;<br \/>\n&#8211; depois de d\u00e9cadas de dom\u00ednio da burocracia, nada restou da consci\u00eancia socialista entre os trabalhadores do bloco sovi\u00e9tico, apenas uma vaga lembran\u00e7a de L\u00eanin e de Stalin como her\u00f3is da luta contra o czarismo e o nazifascismo. No restante do mundo, como dissemos no in\u00edcio, a queda dos estados \u201csocialistas\u201d foi apregoada como a vit\u00f3ria do capitalismo e a prova da inevitabilidade desse sistema. Seria o \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d;<br \/>\n&#8211; os antigos partidos comunistas e socialistas no restante do mundo, que j\u00e1 haviam abandonado a luta pela revolu\u00e7\u00e3o, tiveram o \u00e1libi definitivo para abandonar qualquer luta contra o capitalismo. Tornaram-se s\u00f3cios e co gestores do sistema (como o PT no Brasil). Ao abandonar a luta ofensiva para mudar o sistema (luta que nunca haviam realizado de fato), essas organiza\u00e7\u00f5es abriram caminho para derrotas nas lutas defensivas. As d\u00e9cadas de 1990 e 2000 presenciaram imensos retrocessos materiais e pol\u00edticos da classe trabalhadora mundial. Privatiza\u00e7\u00f5es, abertura comercial, desregulamenta\u00e7\u00e3o, especula\u00e7\u00e3o financeira, terceiriza\u00e7\u00f5es, retirada dos direitos trabalhistas, arrocho salarial, reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, demiss\u00f5es, deram a t\u00f4nica dessas d\u00e9cadas. Sem a perspectiva da supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, a resist\u00eancia contra esses ataques ficou desarmada;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">h) o p\u00f3s-stalinismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o fim do stalinismo desbloqueou as for\u00e7as da classe trabalhadora mundial, libertando-a do imenso peso que eram os regimes burocr\u00e1ticos. Mas essa vit\u00f3ria n\u00e3o apareceu como vit\u00f3ria dos trabalhadores no primeiro momento, e sim como vit\u00f3ria do capitalismo, apropriada pela burguesia. Na verdade, foi o efeito retardado da derrota do socialismo revolucion\u00e1rio na URSS na d\u00e9cada de 1930, que s\u00f3 apareceu seis d\u00e9cadas depois. Para que o fim do stalinismo tenha algum efeito positivo e para que as for\u00e7as da classe trabalhadora mundial se coloquem novamente em movimento em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, \u00e9 preciso superar os erros e aprender com as li\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX;<br \/>\n&#8211; a hist\u00f3ria n\u00e3o acabou, como dizem os defensores do capitalismo. O sistema continua atravessado por suas contradi\u00e7\u00f5es e crises, que levam novas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores \u00e0 luta no mundo inteiro. Essas novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem o peso da derrota e da desorienta\u00e7\u00e3o provocadas pelo fim do \u201csocialismo\u201d na d\u00e9cada de 1990. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o tem o ac\u00famulo de experi\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o das antigas gera\u00e7\u00f5es;<br \/>\n&#8211; estamos vivendo os momentos iniciais da reconstru\u00e7\u00e3o da alternativa socialista. O mesmo trabalho herc\u00faleo que foi feito pelos revolucion\u00e1rios do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX para que o movimento dos trabalhadores assumisse o projeto socialista, e que levou \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es que foram realizadas no s\u00e9culo passado, ter\u00e1 que ser feito novamente;<br \/>\n&#8211; os movimentos de luta que surgem hoje, que est\u00e3o colocando milh\u00f5es de pessoas nas ruas, como citamos, n\u00e3o s\u00e3o espontaneamente socialistas, s\u00e3o limitados a suas demandas imediatas, e n\u00e3o se colocam como objetivo derrubar o capitalismo. Os processos de luta que se levantam globalmente contra os efeitos do capitalismo (e n\u00e3o contra o pr\u00f3prio capitalismo) s\u00e3o a mat\u00e9ria prima para a constru\u00e7\u00e3o do movimento socialista, mas n\u00e3o s\u00e3o ainda o pr\u00f3prio movimento socialista;<br \/>\n&#8211; para que os movimentos de luta avancem rumo ao socialismo, \u00e9 preciso que os revolucion\u00e1rios travem uma batalha pol\u00edtica no interior desses movimentos para desenvolver a partir de dentro deles a consci\u00eancia da necessidade de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. \u00c9 preciso que a classe oper\u00e1ria se coloque como sujeito capaz de reestruturar toda a vida social, e n\u00e3o apenas tomar o poder pol\u00edtico, e \u00e9 preciso que construa os seus organismos de luta e de poder, e n\u00e3o apenas o partido revolucion\u00e1rio;<br \/>\n&#8211; a tarefa dos socialistas revolucion\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 apenas construir as suas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, mas reconstruir os organismos de luta dos trabalhadores, os sindicatos (ou oposi\u00e7\u00f5es sindicais, onde estes estiverem completamente burocratizados, como no Brasil), movimentos associa\u00e7\u00f5es, gr\u00eamios, coletivos, etc., como organismos de independ\u00eancia de classe, anticapitalistas e antigovernistas;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o\u00a0necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3623,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3622"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3622"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3622\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6080,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3622\/revisions\/6080"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}