{"id":364,"date":"2012-10-04T23:47:07","date_gmt":"2012-10-04T23:47:07","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/364"},"modified":"2018-05-04T21:37:13","modified_gmt":"2018-05-05T00:37:13","slug":"contribuicao-individual-12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/10\/contribuicao-individual-12\/","title":{"rendered":"Curiosidades sobre as elei\u00e7\u00f5es estadunidenses &#8211; Daniel Delfino"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u00a0<span style=\"background-color: #ffffff; color: #333333; font-size: 14px; line-height: 21px;\">\u00a0<\/span><b style=\"background-color: #ffffff; color: #333333; font-size: 14px;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px;\"><b style=\"font-size: 14px;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; font-family: Garamond,serif;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px;\">Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0<\/span><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px;\">n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/span><\/span><\/b><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff; color: #333333; line-height: 21px;\"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase;\">CURIOSIDADES SOBRE AS ELEI\u00c7\u00d5ES ESTADUNIDENSES<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff; color: #333333; line-height: 21px;\">Daniel Delfino<\/p>\n<p>Em fins de 2008 os Estados Unidos estavam no epicentro da maior crise econ\u00f4mica mundial em v\u00e1rias d\u00e9cadas (epicentro hoje deslocado para a Europa), e estavam com sua imagem perante a opini\u00e3o p\u00fablica mundial arruinada pelas est\u00fapidas aventuras militares de Bush. As pr\u00e9vias eleitorais do Partido Democrata para escolha do candidato, que opuseram Obama e Hillary Clinton, foram mais disputadas do que a pr\u00f3pria elei\u00e7\u00e3o presidencial. Qualquer que fosse o candidato democrata, a vit\u00f3ria estava certa, por conta do imenso desgaste dos republicanos, e produziria um presidente in\u00e9dito, fosse um negro ou uma mulher. Para recompor a imagem interna e externa do pa\u00eds, foi preciso realizar uma imensa opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e midi\u00e1tica para criar a impress\u00e3o de que uma mudan\u00e7a absolutamente in\u00e9dita e \u201crevolucion\u00e1ria\u201d estava acontecendo, da qual Obama foi o produto.<\/p>\n<p><strong>Duas alas do partido da burguesia<\/strong><\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2012, nada espetacular desse tipo est\u00e1 em curso. Obama deve se reeleger, mesmo n\u00e3o sendo com ampla margem. Seu advers\u00e1rio, Mitt Romney, n\u00e3o est\u00e1 identificado com a ala dos neoconservadores do Partido Republicano, de onde sa\u00edu Bush, com seu discurso belicoso, apocal\u00edptico e ultra-chauvinista, nem com a ultra-direita do Tea Party. As alas mais fan\u00e1ticas de seu partido gostariam de ver uma campanha centrada em teorias da conspira\u00e7\u00e3o delirantes, como a de que Obama n\u00e3o nasceu nos Estados Unidos (e portanto legalmente n\u00e3o poderia ser presidente), pratica secretamente o islamismo e pretende instalar um governo comunista a servi\u00e7o da ONU. Sites na internet defendem o assassinato de Obama como um ato patri\u00f3tico para livrar o pa\u00eds da invas\u00e3o de imigrantes mu\u00e7ulmanos, africanos, latinos, comunistas e homossexuais.<\/p>\n<p>Essas imbecilidades encontram larga credibilidade entre amplos setores do eleitorado estadunidense, que s\u00e3o suficientemente ignorantes, provincianos e chauvinistas para acreditar em qualquer bobagem (isso por si s\u00f3 \u00e9 o ind\u00edcio de uma direitiza\u00e7\u00e3o de um setor da popula\u00e7\u00e3o). Entretanto, a campanha de Romney segue morna e n\u00e3o prop\u00f5e nada diferente do neoliberalismo a que j\u00e1 estamos acostumados: corte de impostos dos ricos e corte de gastos sociais com os trabalhadores. O foco de sua campanha tem sido a gest\u00e3o econ\u00f4mica de Obama, que n\u00e3o conseguiu fazer a economia do pa\u00eds decolar novamente nem reduziu o desemprego (apesar do lucro das empresas ter voltado). A pobreza avan\u00e7a para os padr\u00f5es estadunidenses, e \u00e9 claro, nem Obama nem Romney est\u00e3o de fato preocupados com os pobres. Governam para o grande capital e comp\u00f5em as duas alas de um partido \u00fanico, o partido da burguesia. O sistema eleitoral do pa\u00eds \u00e9 montado para que n\u00e3o haja alternativas reais a esses dois setores do partido do capital, Republicano e Democrata.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es indiretas<\/strong><\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es estadunidenses carregam uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas peculiares. Num pa\u00eds que se p\u00f5e a dar li\u00e7\u00f5es de democracia para o mundo inteiro, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais s\u00e3o indiretas! O eleitor estadunidense n\u00e3o vota diretamente para presidente, ele elege os representantes do seu estado no col\u00e9gio eleitoral, onde de fato se elege o presidente. Cada estado tem um n\u00famero determinado de representantes, conforme a sua popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 atualizada a cada censo. Mas o mais curioso \u00e9 que o voto dos representantes n\u00e3o \u00e9 proporcional \u00e0 vota\u00e7\u00e3o dos candidatos: em 48 dos 50 estados o candidato vencedor leva todos os votos desse estado para o col\u00e9gio eleitoral. Assim, por exemplo, no estado da Calif\u00f3rnia, o mais populoso do pa\u00eds, que tem direito a 55 representantes, n\u00e3o importa se o candidato vencedor tem 99% ou 51% dos votos dos eleitores, ele leva o voto de todos os 55 representantes para o col\u00e9gio eleitoral.<\/p>\n<p>Com isso, pode ocorrer de um candidato vencer num maior n\u00famero de estados, mas com uma margem menor de diferen\u00e7a, e perder em menos estados, mas por uma diferen\u00e7a maior. Matematicamente, \u00e9 poss\u00edvel o candidato que venceu em menos estados ter mais votos populares no total, e mesmo assim perder a elei\u00e7\u00e3o no col\u00e9gio eleitoral. Historicamente, isso de fato aconteceu 4 vezes na hist\u00f3ria: em 1824, 1876, 1888 e em 2000, quando George Bush filho venceu Al Gore. Mas para ter os votos decisivos, Bush precisou dos representantes do estado da Fl\u00f3rida, onde houve fraudes de todos os tipos, facilitadas pelo fato de que seu irm\u00e3o era governador do estado e chefe da autoridade eleitoral encarregada da apura\u00e7\u00e3o&#8230; Em meio aos pedidos de recontagem, a elei\u00e7\u00e3o de 2000 foi decidida na Suprema Corte, onde os republicanos tinham maioria, gra\u00e7as \u00e0s nomea\u00e7\u00f5es feitas nos governos Reagan e Bush pai, entre 1980 e 1992.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma justi\u00e7a eleitoral \u00fanica no pa\u00eds, e cada estado decide seu sistema de vota\u00e7\u00e3o e apura\u00e7\u00e3o, o uso de urna eletr\u00f4nica ou c\u00e9dulas, a vincula\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o dos representantes ao voto popular (embora n\u00e3o haja uma regra constitucional a respeito, rar\u00edssimas vezes um representante votou contra a delibera\u00e7\u00e3o dos eleitores do seu estado, mas isso \u00e9 teoricamente poss\u00edvel!), a nomea\u00e7\u00e3o dos representantes (que podem ser eleitos ou indicados de diversas formas pelo governo ou os partidos), a composi\u00e7\u00e3o das mesas de vota\u00e7\u00e3o e autoridades eleitorais (que podem ser filiados aos partidos!), a possibilidade de votar antes da data, etc.<\/p>\n<p><strong>A exclus\u00e3o da votade popular<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que uma curiosidade cultural ou uma excentricidade a mais da terra do baseball e futebol americano, o sistema de col\u00e9gio eleitoral tem a fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica precisa, que \u00e9 a de impedir que outros partidos que n\u00e3o os dois gigantes, Democrata e Republicano, tenham chances de vit\u00f3ria. O sistema foi projetado pelos \u201cpais fundadores\u201d, os l\u00edderes da independ\u00eancia do pa\u00eds no s\u00e9culo XVIII, explicitamente para impedir que a maioria do povo, inculto e despreparado, tivesse condi\u00e7\u00f5es de interferir na escolha do presidente. Para ter chances de vit\u00f3ria, um partido precisa ter maioria numa grande quantidade de estados, no pa\u00eds inteiro. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel para as gigantescas m\u00e1quinas de campanha dos partidos do capital. Existem candidatos de partidos menores e independentes, legalmente habilitados a concorrer, mas que n\u00e3o conseguem nada al\u00e9m de uma repercuss\u00e3o aned\u00f3tica.<\/p>\n<p>As campanhas eleitorais estadunidenses s\u00e3o decididas pelo poder econ\u00f4mico. O voto n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio como no Brasil e n\u00e3o h\u00e1 hor\u00e1rio pol\u00edtico obrigat\u00f3rio (n\u00e3o que o sistema brasileiro seja bom, ao contr\u00e1rio, ver nossas mat\u00e9rias sobre as elei\u00e7\u00f5es). Nem todos os cidad\u00e3os habilitados a votar se inscrevem como eleitores e nem todos os eleitores comparecem na vota\u00e7\u00e3o. Para convencer o eleitor a votar \u00e9 preciso gastar fortunas em campanha. Para arrecadar essas fortunas, os candidatos s\u00e3o obrigados a realizar eventos (chamados \u201cfundraisers\u201d), onde passam o chap\u00e9u entre doadores.<\/p>\n<p>Os custos das campanhas eleitorais t\u00eam subido astronomicamente. O custo total das campanhas para as elei\u00e7\u00f5es atuais (que al\u00e9m da presid\u00eancia inclui legislativos estaduais, prefeituras e plebiscitos em v\u00e1rios estados) deve chegar a US$ 9,8 bilh\u00f5es, o que significa o triplo das elei\u00e7\u00f5es de 1992 (Estad\u00e3o, 10\/09). Em 2008 Obama obteve a maior parte de suas doa\u00e7\u00f5es de pequenos contribuintes. Mais de 3 milh\u00f5es de doadores participaram da campanha democrata, com quantias que na m\u00e9dia ficavam em torno de US$ 100. Esse tipo de campanha refor\u00e7ou a demagogia do candidato em sua suposta identifica\u00e7\u00e3o com os trabalhadores e os pobres, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de expediantes de m\u00eddia viral na internet, que conquistaram o voto dos jovens.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nO investimento da burguesia nas campanhas<\/strong><\/p>\n<p>Numa tentativa de virar a mesa em favor dos republicanos, uma mudan\u00e7a recente na legisla\u00e7\u00e3o autorizou doadores individuais a contribuir com qualquer valor (antes havia um limite), o que deu origem aos \u201csuper PACs\u201d (comit\u00eas de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, na sigla em ingl\u00eas) compostos por milion\u00e1rios. Em 2012 os super PACs est\u00e3o virando a balan\u00e7a da arrecada\u00e7\u00e3o em favor de Romney. Mas mesmo com uma campanha milion\u00e1ria \u00e0 altura do rival, o candidato republicano provavelmente n\u00e3o conseguir\u00e1 fazer frente \u00e0 popularidade de Obama. O carisma do presidente permanece elevado entre os negros, latinos e jovens. Celebridades como Michael Jordan, George Clooney e Madonna j\u00e1 protagonizaram eventos para arrecadar fundos para a campanha de Obama.<\/p>\n<p>Quando a burguesia faz uma contribui\u00e7\u00e3o para uma campanha eleitoral, isso n\u00e3o \u00e9 uma doa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um investimento. A doa\u00e7\u00e3o retorna na forma de contratos da empresa doadora para fornecer ao governo seus produtos, servi\u00e7os, obras, etc. Essa \u00e9 a base da corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 inerente ao sistema capitalista e seu estado burgu\u00eas. Al\u00e9m da compra das decis\u00f5es dos pol\u00edticos por meio do financiamento de suas campanhas, existe o lobby, a press\u00e3o direta sobre parlamentares e funcion\u00e1rios de alto escal\u00e3o para beneficiarem determinados setores empresariais, por meio de subornos, propinas e \u201cpresentes\u201d. O lobby \u00e9 uma profiss\u00e3o legalmente reconhecida e regulamentada nos Estados Unidos!<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, n\u00e3o h\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es estadunidenses uma alternativa que contemple as necessidades dos trabalhadores. Ambos os partidos s\u00e3o instrumentos do capital. N\u00e3o h\u00e1 meios de furar o bloqueio dos dois partidos gigantes atrav\u00e9s do sistema de col\u00e9gio eleitoral. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de que a vontade democr\u00e1tica da maioria se expresse atrav\u00e9s do voto e das institui\u00e7\u00f5es. Os sindicatos, movimentos de minorias, ONGs, acad\u00eamicos \u201cde esquerda\u201d, etc., est\u00e3o todos ligados ao partido Democrata, portanto n\u00e3o servem como alternativa. Por isso, a classe trabalhadora estadunidense precisa desenvolver instrumentos e organismos de luta independentes, com um car\u00e1ter classista, e combativo, para criar um movimento pol\u00edtico que se coloque contra o sistema capitalista vigente. Somente organismos de poder da classe trabalhadora, independentes e opostos ao Estado burgu\u00eas, poder\u00e3o liderar um processo de mudan\u00e7as que atenda \u00e0s necessidades da classe, que ter\u00e1 que romper com o capitalismo e iniciar a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p>&nbsp;<span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); font-size: 14px; line-height: 21px; \">&nbsp;<\/span><b style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); font-size: 14px; \"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; \"><b style=\"font-size: 14px; \"><font class=\"ecxApple-style-span\" face=\"Garamond, serif\" style=\"font-size: 14px; \"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; \">Este texto &eacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o individual,&nbsp;<\/span><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; \">n&atilde;o necessariamente expressa a opini&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/span><\/font><\/b><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; \"><b style=\"font-size: 13.333333969116211px; font-family: arial; text-align: center; \"><span style=\"font-size: 11pt; color: red; text-transform: uppercase; \">CURIOSIDADES SOBRE AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES ESTADUNIDENSES<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"rteright\" style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; \">Daniel Delfino&nbsp;<\/p>\n<p>Em fins de 2008 os Estados Unidos estavam no epicentro da maior crise econ&ocirc;mica mundial em v&aacute;rias d&eacute;cadas (epicentro hoje deslocado para a Europa), e estavam com sua imagem perante a opini&atilde;o p&uacute;blica mundial arruinada pelas est&uacute;pidas aventuras militares de Bush. As pr&eacute;vias eleitorais do Partido Democrata para escolha do candidato, que opuseram Obama e Hillary Clinton, foram mais disputadas do que a pr&oacute;pria elei&ccedil;&atilde;o presidencial. Qualquer que fosse o candidato democrata, a vit&oacute;ria estava certa, por conta do imenso desgaste dos republicanos, e produziria um presidente in&eacute;dito, fosse um negro ou uma mulher. Para recompor a imagem interna e externa do pa&iacute;s, foi preciso realizar uma imensa opera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, ideol&oacute;gica e midi&aacute;tica para criar a impress&atilde;o de que uma mudan&ccedil;a absolutamente in&eacute;dita e &ldquo;revolucion&aacute;ria&rdquo; estava acontecendo, da qual Obama foi o produto.<\/p>\n<p><strong>Duas alas do partido da burguesia<\/strong><\/p>\n<p>Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2012, nada espetacular desse tipo est&aacute; em curso. Obama deve se reeleger, mesmo n&atilde;o sendo com ampla margem. Seu advers&aacute;rio, Mitt Romney, n&atilde;o est&aacute; identificado com a ala dos neoconservadores do Partido Republicano, de onde sa&iacute;u Bush, com seu discurso belicoso, apocal&iacute;ptico e ultra-chauvinista, nem com a ultra-direita do Tea Party. As alas mais fan&aacute;ticas de seu partido gostariam de ver uma campanha centrada em teorias da conspira&ccedil;&atilde;o delirantes, como a de que Obama n&atilde;o nasceu nos Estados Unidos (e portanto legalmente n&atilde;o poderia ser presidente), pratica secretamente o islamismo e pretende instalar um governo comunista a servi&ccedil;o da ONU. Sites na internet defendem o assassinato de Obama como um ato patri&oacute;tico para livrar o pa&iacute;s da invas&atilde;o de imigrantes mu&ccedil;ulmanos, africanos, latinos, comunistas e homossexuais.<\/p>\n<p>Essas imbecilidades encontram larga credibilidade entre amplos setores do eleitorado estadunidense, que s&atilde;o suficientemente ignorantes, provincianos e chauvinistas para acreditar em qualquer bobagem (isso por si s&oacute; &eacute; o ind&iacute;cio de uma direitiza&ccedil;&atilde;o de um setor da popula&ccedil;&atilde;o). Entretanto, a campanha de Romney segue morna e n&atilde;o prop&otilde;e nada diferente do neoliberalismo a que j&aacute; estamos acostumados: corte de impostos dos ricos e corte de gastos sociais com os trabalhadores. O foco de sua campanha tem sido a gest&atilde;o econ&ocirc;mica de Obama, que n&atilde;o conseguiu fazer a economia do pa&iacute;s decolar novamente nem reduziu o desemprego (apesar do lucro das empresas ter voltado). A pobreza avan&ccedil;a para os padr&otilde;es estadunidenses, e &eacute; claro, nem Obama nem Romney est&atilde;o de fato preocupados com os pobres. Governam para o grande capital e comp&otilde;em as duas alas de um partido &uacute;nico, o partido da burguesia. O sistema eleitoral do pa&iacute;s &eacute; montado para que n&atilde;o haja alternativas reais a esses dois setores do partido do capital, Republicano e Democrata.<\/p>\n<p>\n<strong>Elei&ccedil;&otilde;es indiretas<\/strong><\/p>\n<p>\nAs elei&ccedil;&otilde;es estadunidenses carregam uma s&eacute;rie de caracter&iacute;sticas peculiares. Num pa&iacute;s que se p&otilde;e a dar li&ccedil;&otilde;es de democracia para o mundo inteiro, as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais s&atilde;o indiretas! O eleitor estadunidense n&atilde;o vota diretamente para presidente, ele elege os representantes do seu estado no col&eacute;gio eleitoral, onde de fato se elege o presidente. Cada estado tem um n&uacute;mero determinado de representantes, conforme a sua popula&ccedil;&atilde;o, que &eacute; atualizada a cada censo. Mas o mais curioso &eacute; que o voto dos representantes n&atilde;o &eacute; proporcional &agrave; vota&ccedil;&atilde;o dos candidatos: em 48 dos 50 estados o candidato vencedor leva todos os votos desse estado para o col&eacute;gio eleitoral. Assim, por exemplo, no estado da Calif&oacute;rnia, o mais populoso do pa&iacute;s, que tem direito a 55 representantes, n&atilde;o importa se o candidato vencedor tem 99% ou 51% dos votos dos eleitores, ele leva o voto de todos os 55 representantes para o col&eacute;gio eleitoral.<\/p>\n<p>Com isso, pode ocorrer de um candidato vencer num maior n&uacute;mero de estados, mas com uma margem menor de diferen&ccedil;a, e perder em menos estados, mas por uma diferen&ccedil;a maior. Matematicamente, &eacute; poss&iacute;vel o candidato que venceu em menos estados ter mais votos populares no total, e mesmo assim perder a elei&ccedil;&atilde;o no col&eacute;gio eleitoral. Historicamente, isso de fato aconteceu 4 vezes na hist&oacute;ria: em 1824, 1876, 1888 e em 2000, quando George Bush filho venceu Al Gore. Mas para ter os votos decisivos, Bush precisou dos representantes do estado da Fl&oacute;rida, onde houve fraudes de todos os tipos, facilitadas pelo fato de que seu irm&atilde;o era governador do estado e chefe da autoridade eleitoral encarregada da apura&ccedil;&atilde;o&#8230; Em meio aos pedidos de recontagem, a elei&ccedil;&atilde;o de 2000 foi decidida na Suprema Corte, onde os republicanos tinham maioria, gra&ccedil;as &agrave;s nomea&ccedil;&otilde;es feitas nos governos Reagan e Bush pai, entre 1980 e 1992. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; uma justi&ccedil;a eleitoral &uacute;nica no pa&iacute;s, e cada estado decide seu sistema de vota&ccedil;&atilde;o e apura&ccedil;&atilde;o, o uso de urna eletr&ocirc;nica ou c&eacute;dulas, a vincula&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o dos representantes ao voto popular (embora n&atilde;o haja uma regra constitucional a respeito, rar&iacute;ssimas vezes um representante votou contra a delibera&ccedil;&atilde;o dos eleitores do seu estado, mas isso &eacute; teoricamente poss&iacute;vel!), a nomea&ccedil;&atilde;o dos representantes (que podem ser eleitos ou indicados de diversas formas pelo governo ou os partidos), a composi&ccedil;&atilde;o das mesas de vota&ccedil;&atilde;o e autoridades eleitorais (que podem ser filiados aos partidos!), a possibilidade de votar antes da data, etc.<\/p>\n<p><strong>A exclus&atilde;o da votade popular<\/strong><\/p>\n<p>\nMais do que uma curiosidade cultural ou uma excentricidade a mais da terra do baseball e futebol americano, o sistema de col&eacute;gio eleitoral tem a fun&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica precisa, que &eacute; a de impedir que outros partidos que n&atilde;o os dois gigantes, Democrata e Republicano, tenham chances de vit&oacute;ria. 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O voto n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;rio como no Brasil e n&atilde;o h&aacute; hor&aacute;rio pol&iacute;tico obrigat&oacute;rio (n&atilde;o que o sistema brasileiro seja bom, ao contr&aacute;rio, ver nossas mat&eacute;rias sobre as elei&ccedil;&otilde;es). Nem todos os cidad&atilde;os habilitados a votar se inscrevem como eleitores e nem todos os eleitores comparecem na vota&ccedil;&atilde;o. Para convencer o eleitor a votar &eacute; preciso gastar fortunas em campanha. Para arrecadar essas fortunas, os candidatos s&atilde;o obrigados a realizar eventos (chamados &ldquo;fundraisers&rdquo;), onde passam o chap&eacute;u entre doadores.<\/p>\n<p>Os custos das campanhas eleitorais t&ecirc;m subido astronomicamente. O custo total das campanhas para as elei&ccedil;&otilde;es atuais (que al&eacute;m da presid&ecirc;ncia inclui legislativos estaduais, prefeituras e plebiscitos em v&aacute;rios estados) deve chegar a US$ 9,8 bilh&otilde;es, o que significa o triplo das elei&ccedil;&otilde;es de 1992 (Estad&atilde;o, 10\/09). Em 2008 Obama obteve a maior parte de suas doa&ccedil;&otilde;es de pequenos contribuintes. Mais de 3 milh&otilde;es de doadores participaram da campanha democrata, com quantias que na m&eacute;dia ficavam em torno de US$ 100. Esse tipo de campanha refor&ccedil;ou a demagogia do candidato em sua suposta identifica&ccedil;&atilde;o com os trabalhadores e os pobres, al&eacute;m de uma s&eacute;rie de expediantes de m&iacute;dia viral na internet, que conquistaram o voto dos jovens.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nO investimento da burguesia nas campanhas<\/strong><\/p>\n<p>\nNuma tentativa de virar a mesa em favor dos republicanos, uma mudan&ccedil;a recente na legisla&ccedil;&atilde;o autorizou doadores individuais a contribuir com qualquer valor (antes havia um limite), o que deu origem aos &ldquo;super PACs&rdquo; (comit&ecirc;s de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, na sigla em ingl&ecirc;s) compostos por milion&aacute;rios. Em 2012 os super PACs est&atilde;o virando a balan&ccedil;a da arrecada&ccedil;&atilde;o em favor de Romney. Mas mesmo com uma campanha milion&aacute;ria &agrave; altura do rival, o candidato republicano provavelmente n&atilde;o conseguir&aacute; fazer frente &agrave; popularidade de Obama. O carisma do presidente permanece elevado entre os negros, latinos e jovens. Celebridades como Michael Jordan, George Clooney e Madonna j&aacute; protagonizaram eventos para arrecadar fundos para a campanha de Obama.<\/p>\n<p>Quando a burguesia faz uma contribui&ccedil;&atilde;o para uma campanha eleitoral, isso n&atilde;o &eacute; uma doa&ccedil;&atilde;o, &eacute; um investimento. A doa&ccedil;&atilde;o retorna na forma de contratos da empresa doadora para fornecer ao governo seus produtos, servi&ccedil;os, obras, etc. Essa &eacute; a base da corrup&ccedil;&atilde;o, que &eacute; inerente ao sistema capitalista e seu estado burgu&ecirc;s. Al&eacute;m da compra das decis&otilde;es dos pol&iacute;ticos por meio do financiamento de suas campanhas, existe o lobby, a press&atilde;o direta sobre parlamentares e funcion&aacute;rios de alto escal&atilde;o para beneficiarem determinados setores empresariais, por meio de subornos, propinas e &ldquo;presentes&rdquo;. O lobby &eacute; uma profiss&atilde;o legalmente reconhecida e regulamentada nos Estados Unidos!<\/p>\n<p>Como se v&ecirc;, n&atilde;o h&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es estadunidenses uma alternativa que contemple as necessidades dos trabalhadores. Ambos os partidos s&atilde;o instrumentos do capital. N&atilde;o h&aacute; meios de furar o bloqueio dos dois partidos gigantes atrav&eacute;s do sistema de col&eacute;gio eleitoral. N&atilde;o h&aacute; possibilidade de que a vontade democr&aacute;tica da maioria se expresse atrav&eacute;s do voto e das institui&ccedil;&otilde;es. Os sindicatos, movimentos de minorias, ONGs, acad&ecirc;micos &ldquo;de esquerda&rdquo;, etc., est&atilde;o todos ligados ao partido Democrata, portanto n&atilde;o servem como alternativa. Por isso, a classe trabalhadora estadunidense precisa desenvolver instrumentos e organismos de luta independentes, com um car&aacute;ter classista, e combativo, para criar um movimento pol&iacute;tico que se coloque contra o sistema capitalista vigente. Somente organismos de poder da classe trabalhadora, independentes e opostos ao Estado burgu&ecirc;s, poder&atilde;o liderar um processo de mudan&ccedil;as que atenda &agrave;s necessidades da classe, que ter&aacute; que romper com o capitalismo e iniciar a transi&ccedil;&atilde;o ao socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,76,64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=364"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6043,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364\/revisions\/6043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}