{"id":367,"date":"2012-10-16T16:35:27","date_gmt":"2012-10-16T16:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/367"},"modified":"2013-01-19T18:50:39","modified_gmt":"2013-01-19T18:50:39","slug":"nem-mal-maior-nem-mal-menor-no-segundo-turno-anulamos-o-voto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/10\/nem-mal-maior-nem-mal-menor-no-segundo-turno-anulamos-o-voto\/","title":{"rendered":"Nem mal maior, nem mal menor. No segundo turno, anulamos o voto!"},"content":{"rendered":"<h3>CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA DOS TRABALHADORES!<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/voto segundo turno.pdf \">&gt;&gt; Vers&atilde;o em PDF<\/a><\/p>\n<p><strong>OS REVOLUCION&Aacute;RIOS E AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Primeiro queremos estabelecer os crit&eacute;rios que utilizamos para fazer o balan&ccedil;o eleitoral, o resultado pol&iacute;tico e a participa&ccedil;&atilde;o da esquerda nesse processo.<\/p>\n<p>Os revolucion&aacute;rios n&atilde;o descartam participar de um processo eleitoral controlado pela burguesia. Enquanto os trabalhadores n&atilde;o desenvolvem uma consci&ecirc;ncia socialista esse &eacute; mais um terreno para a luta pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica contra a burguesia.<\/p>\n<p>Ao participarmos ent&atilde;o, para disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores procuramos fazer com que enxerguem que essa democracia nada tem a oferecer, que mesmo por outros meios continua sendo uma ditadura sobre os trabalhadores. Chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para a repress&atilde;o, para criminaliza&ccedil;&atilde;o das greves, das ocupa&ccedil;&otilde;es e de outras formas de luta. Buscamos demonstrar o quanto se tolera abertamente o direcionamento do dinheiro p&uacute;blico para o empresariado e para a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Assim, dizer em alto e bom som que as coisas somente v&atilde;o mudar de fato atrav&eacute;s da luta direta e da organiza&ccedil;&atilde;o de base dos trabalhadores &eacute; o primeiro objetivo de uma participa&ccedil;&atilde;o socialista-revolucion&aacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es.  <\/p>\n<p>O segundo objetivo &eacute; utilizar o espa&ccedil;o de debate aberto no per&iacute;odo eleitoral, para esclarecer e denunciar que a raiz dos problemas nas cidades &eacute; consequ&ecirc;ncia do sistema capitalista, com sua l&oacute;gica de explora&ccedil;&atilde;o (lucro), sua ordem de domina&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o (estado burgu&ecirc;s) contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>Como decorr&ecirc;ncia dessa den&uacute;ncia, devemos apresentar para o debate junto &agrave; classe, um programa anticapitalista e socialista que parta das quest&otilde;es concretas nas cidades e avance para o questionamento e ruptura com o projeto econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico que est&aacute; sendo implementado no pa&iacute;s como um todo e para que as medidas apontem para uma l&oacute;gica coletiva e democr&aacute;tica dos trabalhadores (socialismo) imposta atrav&eacute;s da luta. <\/p>\n<p>Complementando essa participa&ccedil;&atilde;o, &eacute; parte fundamental de uma campanha coerente a den&uacute;ncia das candidaturas burguesas e governistas, a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o em alian&ccedil;as com partidos empresariais ou governistas ou em frentes que comprometam sua independ&ecirc;ncia ao receber dinheiro da burguesia.      <\/p>\n<p>S&atilde;o esses os pressupostos estrat&eacute;gicos que devem balizar as t&aacute;ticas eleitorais dos revolucion&aacute;rios. E atuar nas elei&ccedil;&otilde;es sem levar em conta esses crit&eacute;rios, significa deixar uma enorme avenida para a burguesia passear.   <\/p>\n<p>&Eacute; a partir do atendimento a esses pontos que se discutir&aacute; a t&aacute;tica de &ldquo;jogar peso&rdquo; para eleger vereadores, por exemplo. Desse modo se dar&aacute; prosseguimento a esse combate com maior proje&ccedil;&atilde;o ao partido, o que possibilitar&aacute; sua constru&ccedil;&atilde;o. Mas essa t&aacute;tica de tentar ampliar a influ&ecirc;ncia do partido e\/ou de eleger vereadores deve estar subordinada aos crit&eacute;rios acima e n&atilde;o em ruptura com eles. A t&aacute;tica deve estar a servi&ccedil;o da estrat&eacute;gia e n&atilde;o em ruptura com ela, pois caso isso ocorra, pode representar, na verdade, um ind&iacute;cio de abandono da estrat&eacute;gia revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p>Resgatar o car&aacute;ter que deve ter uma interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-revolucion&aacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es &eacute; fundamental, pois, como veremos abaixo, a esquerda de forma geral tem se adaptado &agrave; democracia burguesa, abrindo m&atilde;o dos objetivos estrat&eacute;gicos em troca de ganhos imediatos. Substitui os fins pelos meios e desmoraliza os ativistas que lutam diariamente para fazer avan&ccedil;ar a luta e a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PT E GOVERNISMO FEDERAL SAEM FORTALECIDOS<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que a disputa municipal tenha cidades importantes como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, maiores e mais ricas do que alguns pa&iacute;ses, o processo eleitoral serve como um ensaio para a disputa presidencial, pois as prefeituras podem servir como base de apoio para as candidaturas.<\/p>\n<p>Portanto al&eacute;m de estar de olho nas vantagens locais, a prepara&ccedil;&atilde;o para as elei&ccedil;&otilde;es nacionais tamb&eacute;m explica a raz&atilde;o de a burguesia investir tanto dinheiro como est&aacute; fazendo.<\/p>\n<p>Neste sentido, a partir dos dados eleitorais, a primeira constata&ccedil;&atilde;o &eacute; que as for&ccedil;as ligadas ao governo federal &ndash; A&eacute;cio, Dilma, Lula, PT, PSB, enfim, todos os poss&iacute;veis candidatos para as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2014 &ndash; saem fortalecidas.<\/p>\n<p>O PT ganhou cidades importantes pelo pa&iacute;s afora e est&aacute; disputando o 2&ordm; turno em muitas outras, como &eacute; o caso da capital paulista e de praticamente todas da Grande S&atilde;o Paulo, como  Guarulhos, Santo Andr&eacute; e Diadema, tendo ganhado em primeiro turno S&atilde;o Bernardo do Campo e Osasco. Resultados bem superiores ao da elei&ccedil;&atilde;o passada.<\/p>\n<p>Claro que o resultado do 2&ordm; turno pode reequilibrar a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as entre os dois gerentes do capital no pa&iacute;s (PT e PSDB), mas &eacute; fato que o PSDB saiu bastante arranhado. Em Minas, onde est&aacute; o potencial candidato a presidente A&eacute;cio Neves, mesmo tendo sido eleito um candidato apoiado por ele, n&atilde;o se pode secundarizar o fato de que o PSB faz parte da base aliada do governo federal. Tamb&eacute;m merece destaque o fato de que o PSDB perdeu em outras importantes cidades de Minas Gerais como Governador Valadares, Ipatinga e Uberl&acirc;ndia.<\/p>\n<p>Em muitas outras cidades em que o PT n&atilde;o teve vota&ccedil;&atilde;o expressiva, os vencedores s&atilde;o de partidos da base governista e s&atilde;o express&atilde;o do peso da popularidade do governo Dilma. Assim, a vit&oacute;ria desses partidos em cidades importantes, como Recife (PSB) e Rio de Janeiro (PMDB), se deram devido ao apoio que esses partidos e candidatos t&ecirc;m como parte da base do governo Dilma\/PT.<\/p>\n<p>A ultradireita tamb&eacute;m vem se apresentando de forma mais desavergonhada com candidaturas ligadas &agrave;s igrejas evang&eacute;licas e pastores altamente reacion&aacute;rios. Atrav&eacute;s de partidos como o PRB e candidatos como Russomano (SP) dentre outros candidatos a prefeitos e a vereadores, busca-se ganhar representa&ccedil;&atilde;o e controle pol&iacute;tico para maior fortalecimento e ao mesmo tempo intensificar os ataques aos direitos democr&aacute;ticos.  <\/p>\n<p>Essas tend&ecirc;ncias de direita devem ser combatidas. Diferente do que faz o PT que atende seus caprichos e lhes concede cada vez mais espa&ccedil;o no governo federa, nos munic&iacute;pios e em suas campanhas.<\/p>\n<p>Outro aspecto que merece destaque &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de candidatos ligados &agrave; pol&iacute;cia e ao tr&aacute;fico. Muitos atuam juntos e buscam espa&ccedil;o pol&iacute;tico a fim de favorecer seus interesses. Juntos, todos esses setores, s&atilde;o inimigos declarados dos trabalhadores, dos setores oprimidos e de suas lutas. A esquerda precisa discutir o acirramento dessas tend&ecirc;ncias e se contrapor a elas em um combate pol&iacute;tico &agrave; altura, pois est&atilde;o estendendo seus tent&aacute;culos com graves consequ&ecirc;ncias para as lutas e os ativistas.<\/p>\n<p><strong>PT: PARTIDO QUE EXPRESSA AS V&Aacute;RIAS FRA&Ccedil;&Otilde;ES DO CAPITAL NO BRASIL<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nA principal conclus&atilde;o, portanto, &eacute; que PT e PSDB s&atilde;o, mais uma vez, os partidos que saem do processo eleitoral como condutores do projeto burgu&ecirc;s que est&aacute; seguindo no pa&iacute;s. A disputa entre esses dois partidos n&atilde;o se refere a projetos diferentes, mas t&atilde;o somente para definir quem &eacute; o gerente preferencial do projeto que o capital aplica no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Essa constata&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; importante porque essa disputa se apresenta com for&ccedil;a s&oacute; na apar&ecirc;ncia e cumpre um papel ideol&oacute;gico de maior grandeza que &eacute; &ldquo;permitir&rdquo; aos trabalhadores que escolham qual fra&ccedil;&atilde;o da burguesia ser&aacute; seu carrasco. Ganhe PT ou PSDB n&atilde;o muda o car&aacute;ter do governo e nem a pol&iacute;tica geral de arrocho e repress&atilde;o aos trabalhadores.<\/p>\n<p>A burguesia define o apoio a algum partido pela capacidade que ele tem em representar o conjunto dos interesses do capital, como os interesses de cada uma das fra&ccedil;&otilde;es da burguesia s&atilde;o definidos e tamb&eacute;m como ele se interage com os interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;tico das demais fra&ccedil;&otilde;es do capital.<\/p>\n<p>Essa tem sido a grande vantagem do PT que consegue representar e administrar os interesses da burguesia como um todo, atendendo, dialogando e arbitrando as diversas fra&ccedil;&otilde;es do capital, preservando os interesses gerais do sistema. Com uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica que atende os interesses desde os banqueiros at&eacute; a burguesia agr&aacute;ria, o PT tem se qualificado perante a burguesia e o imperialismo para seguir &agrave; frente do Estado brasileiro. <\/p>\n<p>Outras duas quest&otilde;es n&atilde;o menos importantes que fazem hoje do PT o partido preferencial do capital no Brasil &eacute; a capacidade que tem de cooptar setores significativos do movimento social (popular e sindical). Incorporar suas dire&ccedil;&otilde;es e at&eacute; algumas entidades ao Estado e consequentemente &agrave; gest&atilde;o do capital. Tamb&eacute;m, pelo seu passado, dialogar diretamente com a classe trabalhadora e com os setores mais pauperizados. Di&aacute;logo facilitado pelas pol&iacute;ticas assistencialistas como bolsa fam&iacute;lia, Prouni, etc. Tudo isso a servi&ccedil;o de conter os movimentos sociais.<\/p>\n<p>A necessidade de o Estado continuar intervindo na economia com o aporte de bilh&otilde;es de reais para a burguesia, a garantia dos investimentos para a Copa-2014 e as olimp&iacute;adas-2016 (que exigem medidas de for&ccedil;a e repress&atilde;o estatal para as desapropria&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rias &aacute;reas pobres) e a pr&oacute;pria crise econ&ocirc;mica mundial s&atilde;o, ao nosso modo de ver as principais raz&otilde;es de a burguesia continuar apostando (politica e economicamente) no PT como gerente &uacute;til do capital. A import&acirc;ncia que esses projetos t&ecirc;m para a reprodu&ccedil;&atilde;o do capital faz com que n&atilde;o haja, aos olhos da burguesia, espa&ccedil;o para crises pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p><strong>FAZ FALTA UM PROJETO ALTERNATIVO DE ESQUERDA<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nCom um debate que passou distante dos verdadeiros problemas que a classe trabalhadora enfrenta, com uma promessa de uma obra aqui, uma linha de &ocirc;nibus ali as candidaturas dos partidos burgueses n&atilde;o tinham projetos pol&iacute;ticos distintos para apresentar. <br \/>\nEsse papel caberia &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es da esquerda socialista. No entanto, mesmo as candidaturas da esquerda socialista tamb&eacute;m se limitaram &agrave;s quest&otilde;es locais (&ldquo;Uma cidade para os trabalhadores&rdquo;, como foi o caso do PSTU) ou espec&iacute;ficas como foi a tentativa de recupera&ccedil;&atilde;o do discurso da moral e da &eacute;tica como o PSOL.<\/p>\n<p>Para o Espa&ccedil;o Socialista a luta pelo desenvolvimento da consci&ecirc;ncia socialista e organiza&ccedil;&atilde;o de base entre os trabalhadores &eacute; uma quest&atilde;o central de modo que deveria ordenar toda a interven&ccedil;&atilde;o no processo eleitoral.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, no processo eleitoral, significaria uma campanha que tivesse como eixo central a den&uacute;ncia do capitalismo, um programa que explicitasse a expropria&ccedil;&atilde;o das empresas de servi&ccedil;os b&aacute;sicos para a popula&ccedil;&atilde;o, como transporte, sa&uacute;de e Educa&ccedil;&atilde;o. Foi o que procuramos fazer com os materiais que trabalhamos.<\/p>\n<p>Para n&oacute;s a reconstru&ccedil;&atilde;o da subjetividade da classe trabalhadora coloca-se como um dos elementos mais importantes do programa e da pr&aacute;tica socialista p&oacute;s-queda do muro de Berlim. Isso porque se abriu um per&iacute;odo em que a crise de alternativa socialista tornou-se evidente e dram&aacute;tica para o futuro da revolu&ccedil;&atilde;o socialista.<\/p>\n<p>Somente uma atua&ccedil;&atilde;o com esses desafios poderia justificar a participa&ccedil;&atilde;o dos revolucion&aacute;rios em um processo eleitoral controlado pela burguesia.<\/p>\n<p><strong>PSTU: PRE&Ccedil;O ALTO PARA ELEGER DOIS VEREADORES<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nComo dito acima, com o slogan principal de &ldquo;as cidades para os trabalhadores&rdquo; a campanha do PSTU restringiu-se aos temas locais, como a redu&ccedil;&atilde;o da tarifa do transporte ou de &ldquo;a cidade n&atilde;o quer quem bate em mulher&rdquo; (numa justa tentativa de combater o machismo, mas totalmente desprovida de um car&aacute;ter de classe), tamb&eacute;m n&atilde;o encarou a tarefa de se colocar como alternativa ao sistema social de conjunto.<\/p>\n<p>A interven&ccedil;&atilde;o do PSTU foi marcada por slogans programaticamente limitados e presos aos temas dos outros candidatos de quem melhor administra a cidade. Se esses fossem eleitos tomariam imediatamente as medidas para garantir &ldquo;as cidades para os trabalhadores&rdquo;. Esse tipo de interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o serve para elucidar os problemas estruturais que impedem que as cidades possam de fato ser dos trabalhadores.   <\/p>\n<p>Uma pol&iacute;tica que n&atilde;o considera a quest&atilde;o central que &eacute; discutir com a classe trabalhadora a natureza do poder pol&iacute;tico da burguesia e de que qualquer medida (mesmo a estatiza&ccedil;&atilde;o das empresas de transportes e redu&ccedil;&atilde;o das tarifas para R$ 1,00) vai exigir uma luta &agrave; morte contra a burguesia, ou seja, n&atilde;o vai ser por medidas administrativas desse ou daquele prefeito que se garantir&aacute; essas medidas, mas principalmente pela luta direta da classe trabalhadora contra a burguesia.<\/p>\n<p>Fora esse grave problema pol&iacute;tico na campanha, ao nosso modo de ver, ainda houve o fato de ter, totalmente, aberto m&atilde;o de uma pol&iacute;tica contra o regime somente para garantir a elei&ccedil;&atilde;o de dois vereadores, uma das maiores capitula&ccedil;&otilde;es desse partido &agrave;s press&otilde;es da democracia burguesa.<\/p>\n<p>Em Bel&eacute;m fez parte de uma frente eleitoral que al&eacute;m de contar com o governista PC do B como candidato a vice-prefeito, tamb&eacute;m recebeu dinheiro das empreiteiras. Mesmo ap&oacute;s a &ldquo;descoberta&rdquo; desse desvio grave por parte do PSOL, o PSTU optou por continuar na coliga&ccedil;&atilde;o e chamar&aacute; voto no segundo turno.  Ora, o que uma frente eleitoral com a participa&ccedil;&atilde;o do PC do B pode apresentar de realmente novo para Bel&eacute;m?   <\/p>\n<p>O resultado eleitoral comprovou que a participa&ccedil;&atilde;o na frente (mesmo com todos os problemas) tinha como objetivo garantir a elei&ccedil;&atilde;o do vereador, pois se tivesse apresentado chapa pr&oacute;pria n&atilde;o teria sido eleito.<\/p>\n<p>J&aacute; em Natal comemorou-se a &ldquo;vota&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica&rdquo; de uma candidata &agrave; c&acirc;mara dos vereadores, &ldquo;uma mulher de coragem que luta pela Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Claro que a elei&ccedil;&atilde;o de Amanda Gurgel &eacute; importante para a luta dos trabalhadores de Natal e ter se tornado &ldquo;popular&rdquo; foi uma express&atilde;o das lutas dos professores do Rio Grande do Norte, mas tamb&eacute;m de v&aacute;rios outros estados que protagonizaram uma sequ&ecirc;ncia de greves dur&iacute;ssimas no ano passado.<\/p>\n<p>No entanto, a quantidade votos &eacute; express&atilde;o de uma campanha popular com um grande vazio program&aacute;tico, papel este que poderia ter sido cumprido por outro partido qualquer, que sequer se reivindicasse socialista revolucion&aacute;rio. E apesar de poder ser encarado como um voto de luta, o voto na Amanda Gurgel n&atilde;o expressou de fato um voto numa alternativa de mudan&ccedil;a da sociedade, um voto num programa ou em aspectos, mesmo que parciais, de um programa socialista, n&atilde;o expressou sequer uma identidade com o pr&oacute;prio PSTU, n&atilde;o &eacute;, portanto, a express&atilde;o de um projeto pol&iacute;tico socialista ou de esquerda. E &eacute; muito improv&aacute;vel que tivesse sido eleita com um programa de esquerda e socialista.<\/p>\n<p>Essa &eacute; a parte dram&aacute;tica: entre ser eleita com um n&uacute;mero de votos menor e com um programa socialista ou ter a &ldquo;maior vota&ccedil;&atilde;o&rdquo; de Natal e sem um programa socialista, escolheu-se a segunda possibilidade.  <\/p>\n<p>Esse &eacute; o pre&ccedil;o que o PSTU pagou para eleger dois vereadores no pa&iacute;s: abrir m&atilde;o da independ&ecirc;ncia financeira da burguesia e, capitulando a democracia burguesa, rebaixar o programa para garantir elei&ccedil;&atilde;o de parlamentares.<\/p>\n<p><strong>PSOL J&Aacute; &Eacute; UM PARTIDO DEGENERADO POLITICAMENTE<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nPartido fundado em 2005 j&aacute; est&aacute; degenerado politicamente. As correntes de esquerda n&atilde;o t&ecirc;m for&ccedil;a suficiente para  que possam mudar o rumo eleitoreiro do partido. As coliga&ccedil;&otilde;es com partidos da base do governo (s&oacute; dois exemplos: com PC do B em Bel&eacute;m e com PV, PRTB, PPS e outros em Macap&aacute;), o recebimento de dinheiro de setores burgueses (pr&aacute;tica j&aacute; adotada nas elei&ccedil;&otilde;es passadas) e um programa sem nenhum conte&uacute;do classista s&atilde;o a express&atilde;o dessa degenera&ccedil;&atilde;o. Esses elementos imp&otilde;em como caracteriza&ccedil;&atilde;o social do partido o seu car&aacute;ter reformista pequeno-burgu&ecirc;s e de maneira irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>A vota&ccedil;&atilde;o que tiveram em Bel&eacute;m, Macap&aacute; (indo ao segundo turno nestas cidades), Rio de Janeiro e Florian&oacute;polis aconteceram em base a um programa extremamente rebaixado e tendo como eixo a defesa da &eacute;tica, diga-se de passagem, burguesa.<\/p>\n<p><strong>PT E PSDB S&Atilde;O PARTES DE UM MESMO PROJETO<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nEm v&aacute;rias cidades os candidatos que est&atilde;o no segundo s&atilde;o o PT e o PSDB. J&aacute; desenvolvemos acima a nossa concep&ccedil;&atilde;o de que PT e PSDB t&ecirc;m o mesmo projeto, ainda que algumas vezes &ldquo;o rem&eacute;dio&rdquo; seja diferente. O projeto para a Educa&ccedil;&atilde;o, os favores ao capital, a repress&atilde;o aos movimentos sociais, o pagamento da d&iacute;vida, a corrup&ccedil;&atilde;o, as alian&ccedil;as e tantas outras coisas criam uma identidade de projeto entre esses dois partidos.<\/p>\n<p>Entendemos que os trabalhadores n&atilde;o podem se prender a essa l&oacute;gica e dar legitimidade a um processo em que n&atilde;o est&aacute; presente nenhum interesse da classe trabalhadora. Seria escolher o seu carrasco. Ganhe quem ganhar no segundo turno governar&aacute; para a burguesia e contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>N&oacute;s n&atilde;o ca&iacute;mos nesse conto de que o PSDB &eacute; pior do que PT e que assim dever&iacute;amos apoiar o mal menor. Para n&oacute;s &eacute; necess&aacute;rio combater o mal menor e o mal maior, pois entre ambos n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a essencial, representam o projeto burgu&ecirc;s de domina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; a primeira vez que tentam colocar o problema de uma forma superficial. Na disputa pelo governo de S&atilde;o Paulo entre M&aacute;rio Covas (PSDB) e Maluf (PP) muitos ca&iacute;ram neste conto e votaram em M&aacute;rio Covas que fortalecido pela elei&ccedil;&atilde;o desferiu uma s&eacute;rie de ataques aos trabalhadores de S&atilde;o Paulo, principalmente na &aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Deu no que deu. N&atilde;o seremos c&uacute;mplices de uma pol&iacute;tica que &ndash; com PSDB ou PT &ndash; PT vai ser contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>A nossa luta &eacute; para que os trabalhadores sejam independentes de todos os representantes da burguesia e possam construir um projeto pr&oacute;prio para a sociedade. Colocamos-nos na trincheira dos que dizem as coisas como elas s&atilde;o. Por isso que tamb&eacute;m nas cidades, S&atilde;o Paulo e demais, em que h&aacute; disputa entre PT e PSDB o nosso chamado &eacute; para o voto nulo. Votar nulo contra o PSDB, contra o PT e todos os partidos que defendem o capital e atacam os trabalhadores!<\/p>\n<p><strong>PARA GARANTIR A INDEPEND&Ecirc;NCIA DE CLASSE, NO 2&ordm; TURNO VAMOS ANULAR O VOTO<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nA nossa posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no 1&ordm; turno foi de chamar voto de classe nos partidos de esquerda (PSTU, PSOL, PCO e PCB) nas cidades em que expressassem as lutas, n&atilde;o estivessem coligados com partidos burgueses nem recebessem dinheiro da burguesia.<\/p>\n<p>Agora, em todas as cidades em que ocorrer&aacute; segundo turno os candidatos ou s&atilde;o de partidos burgueses ou, quando do PSOL, est&atilde;o coligados com partidos governistas\/burgueses e ainda recebem dinheiro da burguesia.<\/p>\n<p>Nestas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o h&aacute; outra possibilidade que n&atilde;o seja chamar a classe trabalhadora e os explorados a votar nulo.<\/p>\n<p><strong>Outubro de 2012.<br \/>\nEspa&ccedil;o Socialista<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3>CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA DOS TRABALHADORES!<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/voto segundo turno.pdf \">&gt;&gt; Vers&atilde;o em PDF<\/a><\/p>\n<p><strong>OS REVOLUCION&Aacute;RIOS E AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Primeiro queremos estabelecer os crit&eacute;rios que utilizamos para fazer o balan&ccedil;o eleitoral, o resultado pol&iacute;tico e a participa&ccedil;&atilde;o da esquerda nesse processo.<\/p>\n<p>Os revolucion&aacute;rios n&atilde;o descartam participar de um processo eleitoral controlado pela burguesia. Enquanto os trabalhadores n&atilde;o desenvolvem uma consci&ecirc;ncia socialista esse &eacute; mais um terreno para a luta pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica contra a burguesia.<\/p>\n<p>Ao participarmos ent&atilde;o, para disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores procuramos fazer com que enxerguem que essa democracia nada tem a oferecer, que mesmo por outros meios continua sendo uma ditadura sobre os trabalhadores. Chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para a repress&atilde;o, para criminaliza&ccedil;&atilde;o das greves, das ocupa&ccedil;&otilde;es e de outras formas de luta. Buscamos demonstrar o quanto se tolera abertamente o direcionamento do dinheiro p&uacute;blico para o empresariado e para a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Assim, dizer em alto e bom som que as coisas somente v&atilde;o mudar de fato atrav&eacute;s da luta direta e da organiza&ccedil;&atilde;o de base dos trabalhadores &eacute; o primeiro objetivo de uma participa&ccedil;&atilde;o socialista-revolucion&aacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es.  <\/p>\n<p>O segundo objetivo &eacute; utilizar o espa&ccedil;o de debate aberto no per&iacute;odo eleitoral, para esclarecer e denunciar que a raiz dos problemas nas cidades &eacute; consequ&ecirc;ncia do sistema capitalista, com sua l&oacute;gica de explora&ccedil;&atilde;o (lucro), sua ordem de domina&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o (estado burgu&ecirc;s) contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>Como decorr&ecirc;ncia dessa den&uacute;ncia, devemos apresentar para o debate junto &agrave; classe, um programa anticapitalista e socialista que parta das quest&otilde;es concretas nas cidades e avance para o questionamento e ruptura com o projeto econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico que est&aacute; sendo implementado no pa&iacute;s como um todo e para que as medidas apontem para uma l&oacute;gica coletiva e democr&aacute;tica dos trabalhadores (socialismo) imposta atrav&eacute;s da luta. <\/p>\n<p>Complementando essa participa&ccedil;&atilde;o, &eacute; parte fundamental de uma campanha coerente a den&uacute;ncia das candidaturas burguesas e governistas, a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o em alian&ccedil;as com partidos empresariais ou governistas ou em frentes que comprometam sua independ&ecirc;ncia ao receber dinheiro da burguesia.      <\/p>\n<p>S&atilde;o esses os pressupostos estrat&eacute;gicos que devem balizar as t&aacute;ticas eleitorais dos revolucion&aacute;rios. E atuar nas elei&ccedil;&otilde;es sem levar em conta esses crit&eacute;rios, significa deixar uma enorme avenida para a burguesia passear.   <\/p>\n<p>&Eacute; a partir do atendimento a esses pontos que se discutir&aacute; a t&aacute;tica de &ldquo;jogar peso&rdquo; para eleger vereadores, por exemplo. Desse modo se dar&aacute; prosseguimento a esse combate com maior proje&ccedil;&atilde;o ao partido, o que possibilitar&aacute; sua constru&ccedil;&atilde;o. Mas essa t&aacute;tica de tentar ampliar a influ&ecirc;ncia do partido e\/ou de eleger vereadores deve estar subordinada aos crit&eacute;rios acima e n&atilde;o em ruptura com eles. A t&aacute;tica deve estar a servi&ccedil;o da estrat&eacute;gia e n&atilde;o em ruptura com ela, pois caso isso ocorra, pode representar, na verdade, um ind&iacute;cio de abandono da estrat&eacute;gia revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p>Resgatar o car&aacute;ter que deve ter uma interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-revolucion&aacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es &eacute; fundamental, pois, como veremos abaixo, a esquerda de forma geral tem se adaptado &agrave; democracia burguesa, abrindo m&atilde;o dos objetivos estrat&eacute;gicos em troca de ganhos imediatos. Substitui os fins pelos meios e desmoraliza os ativistas que lutam diariamente para fazer avan&ccedil;ar a luta e a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PT E GOVERNISMO FEDERAL SAEM FORTALECIDOS<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que a disputa municipal tenha cidades importantes como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, maiores e mais ricas do que alguns pa&iacute;ses, o processo eleitoral serve como um ensaio para a disputa presidencial, pois as prefeituras podem servir como base de apoio para as candidaturas.<\/p>\n<p>Portanto al&eacute;m de estar de olho nas vantagens locais, a prepara&ccedil;&atilde;o para as elei&ccedil;&otilde;es nacionais tamb&eacute;m explica a raz&atilde;o de a burguesia investir tanto dinheiro como est&aacute; fazendo.<\/p>\n<p>Neste sentido, a partir dos dados eleitorais, a primeira constata&ccedil;&atilde;o &eacute; que as for&ccedil;as ligadas ao governo federal &ndash; A&eacute;cio, Dilma, Lula, PT, PSB, enfim, todos os poss&iacute;veis candidatos para as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2014 &ndash; saem fortalecidas.<\/p>\n<p>O PT ganhou cidades importantes pelo pa&iacute;s afora e est&aacute; disputando o 2&ordm; turno em muitas outras, como &eacute; o caso da capital paulista e de praticamente todas da Grande S&atilde;o Paulo, como  Guarulhos, Santo Andr&eacute; e Diadema, tendo ganhado em primeiro turno S&atilde;o Bernardo do Campo e Osasco. Resultados bem superiores ao da elei&ccedil;&atilde;o passada.<\/p>\n<p>Claro que o resultado do 2&ordm; turno pode reequilibrar a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as entre os dois gerentes do capital no pa&iacute;s (PT e PSDB), mas &eacute; fato que o PSDB saiu bastante arranhado. Em Minas, onde est&aacute; o potencial candidato a presidente A&eacute;cio Neves, mesmo tendo sido eleito um candidato apoiado por ele, n&atilde;o se pode secundarizar o fato de que o PSB faz parte da base aliada do governo federal. Tamb&eacute;m merece destaque o fato de que o PSDB perdeu em outras importantes cidades de Minas Gerais como Governador Valadares, Ipatinga e Uberl&acirc;ndia.<\/p>\n<p>Em muitas outras cidades em que o PT n&atilde;o teve vota&ccedil;&atilde;o expressiva, os vencedores s&atilde;o de partidos da base governista e s&atilde;o express&atilde;o do peso da popularidade do governo Dilma. Assim, a vit&oacute;ria desses partidos em cidades importantes, como Recife (PSB) e Rio de Janeiro (PMDB), se deram devido ao apoio que esses partidos e candidatos t&ecirc;m como parte da base do governo Dilma\/PT.<\/p>\n<p>A ultradireita tamb&eacute;m vem se apresentando de forma mais desavergonhada com candidaturas ligadas &agrave;s igrejas evang&eacute;licas e pastores altamente reacion&aacute;rios. Atrav&eacute;s de partidos como o PRB e candidatos como Russomano (SP) dentre outros candidatos a prefeitos e a vereadores, busca-se ganhar representa&ccedil;&atilde;o e controle pol&iacute;tico para maior fortalecimento e ao mesmo tempo intensificar os ataques aos direitos democr&aacute;ticos.  <\/p>\n<p>Essas tend&ecirc;ncias de direita devem ser combatidas. Diferente do que faz o PT que atende seus caprichos e lhes concede cada vez mais espa&ccedil;o no governo federa, nos munic&iacute;pios e em suas campanhas.<\/p>\n<p>Outro aspecto que merece destaque &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de candidatos ligados &agrave; pol&iacute;cia e ao tr&aacute;fico. Muitos atuam juntos e buscam espa&ccedil;o pol&iacute;tico a fim de favorecer seus interesses. Juntos, todos esses setores, s&atilde;o inimigos declarados dos trabalhadores, dos setores oprimidos e de suas lutas. A esquerda precisa discutir o acirramento dessas tend&ecirc;ncias e se contrapor a elas em um combate pol&iacute;tico &agrave; altura, pois est&atilde;o estendendo seus tent&aacute;culos com graves consequ&ecirc;ncias para as lutas e os ativistas.<\/p>\n<p><strong>PT: PARTIDO QUE EXPRESSA AS V&Aacute;RIAS FRA&Ccedil;&Otilde;ES DO CAPITAL NO BRASIL<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nA principal conclus&atilde;o, portanto, &eacute; que PT e PSDB s&atilde;o, mais uma vez, os partidos que saem do processo eleitoral como condutores do projeto burgu&ecirc;s que est&aacute; seguindo no pa&iacute;s. A disputa entre esses dois partidos n&atilde;o se refere a projetos diferentes, mas t&atilde;o somente para definir quem &eacute; o gerente preferencial do projeto que o capital aplica no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Essa constata&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; importante porque essa disputa se apresenta com for&ccedil;a s&oacute; na apar&ecirc;ncia e cumpre um papel ideol&oacute;gico de maior grandeza que &eacute; &ldquo;permitir&rdquo; aos trabalhadores que escolham qual fra&ccedil;&atilde;o da burguesia ser&aacute; seu carrasco. Ganhe PT ou PSDB n&atilde;o muda o car&aacute;ter do governo e nem a pol&iacute;tica geral de arrocho e repress&atilde;o aos trabalhadores.<\/p>\n<p>A burguesia define o apoio a algum partido pela capacidade que ele tem em representar o conjunto dos interesses do capital, como os interesses de cada uma das fra&ccedil;&otilde;es da burguesia s&atilde;o definidos e tamb&eacute;m como ele se interage com os interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;tico das demais fra&ccedil;&otilde;es do capital.<\/p>\n<p>Essa tem sido a grande vantagem do PT que consegue representar e administrar os interesses da burguesia como um todo, atendendo, dialogando e arbitrando as diversas fra&ccedil;&otilde;es do capital, preservando os interesses gerais do sistema. Com uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica que atende os interesses desde os banqueiros at&eacute; a burguesia agr&aacute;ria, o PT tem se qualificado perante a burguesia e o imperialismo para seguir &agrave; frente do Estado brasileiro. <\/p>\n<p>Outras duas quest&otilde;es n&atilde;o menos importantes que fazem hoje do PT o partido preferencial do capital no Brasil &eacute; a capacidade que tem de cooptar setores significativos do movimento social (popular e sindical). Incorporar suas dire&ccedil;&otilde;es e at&eacute; algumas entidades ao Estado e consequentemente &agrave; gest&atilde;o do capital. Tamb&eacute;m, pelo seu passado, dialogar diretamente com a classe trabalhadora e com os setores mais pauperizados. Di&aacute;logo facilitado pelas pol&iacute;ticas assistencialistas como bolsa fam&iacute;lia, Prouni, etc. Tudo isso a servi&ccedil;o de conter os movimentos sociais.<\/p>\n<p>A necessidade de o Estado continuar intervindo na economia com o aporte de bilh&otilde;es de reais para a burguesia, a garantia dos investimentos para a Copa-2014 e as olimp&iacute;adas-2016 (que exigem medidas de for&ccedil;a e repress&atilde;o estatal para as desapropria&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rias &aacute;reas pobres) e a pr&oacute;pria crise econ&ocirc;mica mundial s&atilde;o, ao nosso modo de ver as principais raz&otilde;es de a burguesia continuar apostando (politica e economicamente) no PT como gerente &uacute;til do capital. A import&acirc;ncia que esses projetos t&ecirc;m para a reprodu&ccedil;&atilde;o do capital faz com que n&atilde;o haja, aos olhos da burguesia, espa&ccedil;o para crises pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p><strong>FAZ FALTA UM PROJETO ALTERNATIVO DE ESQUERDA<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nCom um debate que passou distante dos verdadeiros problemas que a classe trabalhadora enfrenta, com uma promessa de uma obra aqui, uma linha de &ocirc;nibus ali as candidaturas dos partidos burgueses n&atilde;o tinham projetos pol&iacute;ticos distintos para apresentar. <br \/>\nEsse papel caberia &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es da esquerda socialista. No entanto, mesmo as candidaturas da esquerda socialista tamb&eacute;m se limitaram &agrave;s quest&otilde;es locais (&ldquo;Uma cidade para os trabalhadores&rdquo;, como foi o caso do PSTU) ou espec&iacute;ficas como foi a tentativa de recupera&ccedil;&atilde;o do discurso da moral e da &eacute;tica como o PSOL.<\/p>\n<p>Para o Espa&ccedil;o Socialista a luta pelo desenvolvimento da consci&ecirc;ncia socialista e organiza&ccedil;&atilde;o de base entre os trabalhadores &eacute; uma quest&atilde;o central de modo que deveria ordenar toda a interven&ccedil;&atilde;o no processo eleitoral.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, no processo eleitoral, significaria uma campanha que tivesse como eixo central a den&uacute;ncia do capitalismo, um programa que explicitasse a expropria&ccedil;&atilde;o das empresas de servi&ccedil;os b&aacute;sicos para a popula&ccedil;&atilde;o, como transporte, sa&uacute;de e Educa&ccedil;&atilde;o. Foi o que procuramos fazer com os materiais que trabalhamos.<\/p>\n<p>Para n&oacute;s a reconstru&ccedil;&atilde;o da subjetividade da classe trabalhadora coloca-se como um dos elementos mais importantes do programa e da pr&aacute;tica socialista p&oacute;s-queda do muro de Berlim. Isso porque se abriu um per&iacute;odo em que a crise de alternativa socialista tornou-se evidente e dram&aacute;tica para o futuro da revolu&ccedil;&atilde;o socialista.<\/p>\n<p>Somente uma atua&ccedil;&atilde;o com esses desafios poderia justificar a participa&ccedil;&atilde;o dos revolucion&aacute;rios em um processo eleitoral controlado pela burguesia.<\/p>\n<p><strong>PSTU: PRE&Ccedil;O ALTO PARA ELEGER DOIS VEREADORES<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nComo dito acima, com o slogan principal de &ldquo;as cidades para os trabalhadores&rdquo; a campanha do PSTU restringiu-se aos temas locais, como a redu&ccedil;&atilde;o da tarifa do transporte ou de &ldquo;a cidade n&atilde;o quer quem bate em mulher&rdquo; (numa justa tentativa de combater o machismo, mas totalmente desprovida de um car&aacute;ter de classe), tamb&eacute;m n&atilde;o encarou a tarefa de se colocar como alternativa ao sistema social de conjunto.<\/p>\n<p>A interven&ccedil;&atilde;o do PSTU foi marcada por slogans programaticamente limitados e presos aos temas dos outros candidatos de quem melhor administra a cidade. Se esses fossem eleitos tomariam imediatamente as medidas para garantir &ldquo;as cidades para os trabalhadores&rdquo;. Esse tipo de interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o serve para elucidar os problemas estruturais que impedem que as cidades possam de fato ser dos trabalhadores.   <\/p>\n<p>Uma pol&iacute;tica que n&atilde;o considera a quest&atilde;o central que &eacute; discutir com a classe trabalhadora a natureza do poder pol&iacute;tico da burguesia e de que qualquer medida (mesmo a estatiza&ccedil;&atilde;o das empresas de transportes e redu&ccedil;&atilde;o das tarifas para R$ 1,00) vai exigir uma luta &agrave; morte contra a burguesia, ou seja, n&atilde;o vai ser por medidas administrativas desse ou daquele prefeito que se garantir&aacute; essas medidas, mas principalmente pela luta direta da classe trabalhadora contra a burguesia.<\/p>\n<p>Fora esse grave problema pol&iacute;tico na campanha, ao nosso modo de ver, ainda houve o fato de ter, totalmente, aberto m&atilde;o de uma pol&iacute;tica contra o regime somente para garantir a elei&ccedil;&atilde;o de dois vereadores, uma das maiores capitula&ccedil;&otilde;es desse partido &agrave;s press&otilde;es da democracia burguesa.<\/p>\n<p>Em Bel&eacute;m fez parte de uma frente eleitoral que al&eacute;m de contar com o governista PC do B como candidato a vice-prefeito, tamb&eacute;m recebeu dinheiro das empreiteiras. Mesmo ap&oacute;s a &ldquo;descoberta&rdquo; desse desvio grave por parte do PSOL, o PSTU optou por continuar na coliga&ccedil;&atilde;o e chamar&aacute; voto no segundo turno.  Ora, o que uma frente eleitoral com a participa&ccedil;&atilde;o do PC do B pode apresentar de realmente novo para Bel&eacute;m?   <\/p>\n<p>O resultado eleitoral comprovou que a participa&ccedil;&atilde;o na frente (mesmo com todos os problemas) tinha como objetivo garantir a elei&ccedil;&atilde;o do vereador, pois se tivesse apresentado chapa pr&oacute;pria n&atilde;o teria sido eleito.<\/p>\n<p>J&aacute; em Natal comemorou-se a &ldquo;vota&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica&rdquo; de uma candidata &agrave; c&acirc;mara dos vereadores, &ldquo;uma mulher de coragem que luta pela Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Claro que a elei&ccedil;&atilde;o de Amanda Gurgel &eacute; importante para a luta dos trabalhadores de Natal e ter se tornado &ldquo;popular&rdquo; foi uma express&atilde;o das lutas dos professores do Rio Grande do Norte, mas tamb&eacute;m de v&aacute;rios outros estados que protagonizaram uma sequ&ecirc;ncia de greves dur&iacute;ssimas no ano passado.<\/p>\n<p>No entanto, a quantidade votos &eacute; express&atilde;o de uma campanha popular com um grande vazio program&aacute;tico, papel este que poderia ter sido cumprido por outro partido qualquer, que sequer se reivindicasse socialista revolucion&aacute;rio. E apesar de poder ser encarado como um voto de luta, o voto na Amanda Gurgel n&atilde;o expressou de fato um voto numa alternativa de mudan&ccedil;a da sociedade, um voto num programa ou em aspectos, mesmo que parciais, de um programa socialista, n&atilde;o expressou sequer uma identidade com o pr&oacute;prio PSTU, n&atilde;o &eacute;, portanto, a express&atilde;o de um projeto pol&iacute;tico socialista ou de esquerda. E &eacute; muito improv&aacute;vel que tivesse sido eleita com um programa de esquerda e socialista.<\/p>\n<p>Essa &eacute; a parte dram&aacute;tica: entre ser eleita com um n&uacute;mero de votos menor e com um programa socialista ou ter a &ldquo;maior vota&ccedil;&atilde;o&rdquo; de Natal e sem um programa socialista, escolheu-se a segunda possibilidade.  <\/p>\n<p>Esse &eacute; o pre&ccedil;o que o PSTU pagou para eleger dois vereadores no pa&iacute;s: abrir m&atilde;o da independ&ecirc;ncia financeira da burguesia e, capitulando a democracia burguesa, rebaixar o programa para garantir elei&ccedil;&atilde;o de parlamentares.<\/p>\n<p><strong>PSOL J&Aacute; &Eacute; UM PARTIDO DEGENERADO POLITICAMENTE<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nPartido fundado em 2005 j&aacute; est&aacute; degenerado politicamente. As correntes de esquerda n&atilde;o t&ecirc;m for&ccedil;a suficiente para  que possam mudar o rumo eleitoreiro do partido. As coliga&ccedil;&otilde;es com partidos da base do governo (s&oacute; dois exemplos: com PC do B em Bel&eacute;m e com PV, PRTB, PPS e outros em Macap&aacute;), o recebimento de dinheiro de setores burgueses (pr&aacute;tica j&aacute; adotada nas elei&ccedil;&otilde;es passadas) e um programa sem nenhum conte&uacute;do classista s&atilde;o a express&atilde;o dessa degenera&ccedil;&atilde;o. Esses elementos imp&otilde;em como caracteriza&ccedil;&atilde;o social do partido o seu car&aacute;ter reformista pequeno-burgu&ecirc;s e de maneira irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>A vota&ccedil;&atilde;o que tiveram em Bel&eacute;m, Macap&aacute; (indo ao segundo turno nestas cidades), Rio de Janeiro e Florian&oacute;polis aconteceram em base a um programa extremamente rebaixado e tendo como eixo a defesa da &eacute;tica, diga-se de passagem, burguesa.<\/p>\n<p><strong>PT E PSDB S&Atilde;O PARTES DE UM MESMO PROJETO<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nEm v&aacute;rias cidades os candidatos que est&atilde;o no segundo s&atilde;o o PT e o PSDB. J&aacute; desenvolvemos acima a nossa concep&ccedil;&atilde;o de que PT e PSDB t&ecirc;m o mesmo projeto, ainda que algumas vezes &ldquo;o rem&eacute;dio&rdquo; seja diferente. O projeto para a Educa&ccedil;&atilde;o, os favores ao capital, a repress&atilde;o aos movimentos sociais, o pagamento da d&iacute;vida, a corrup&ccedil;&atilde;o, as alian&ccedil;as e tantas outras coisas criam uma identidade de projeto entre esses dois partidos.<\/p>\n<p>Entendemos que os trabalhadores n&atilde;o podem se prender a essa l&oacute;gica e dar legitimidade a um processo em que n&atilde;o est&aacute; presente nenhum interesse da classe trabalhadora. Seria escolher o seu carrasco. Ganhe quem ganhar no segundo turno governar&aacute; para a burguesia e contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>N&oacute;s n&atilde;o ca&iacute;mos nesse conto de que o PSDB &eacute; pior do que PT e que assim dever&iacute;amos apoiar o mal menor. Para n&oacute;s &eacute; necess&aacute;rio combater o mal menor e o mal maior, pois entre ambos n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a essencial, representam o projeto burgu&ecirc;s de domina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; a primeira vez que tentam colocar o problema de uma forma superficial. Na disputa pelo governo de S&atilde;o Paulo entre M&aacute;rio Covas (PSDB) e Maluf (PP) muitos ca&iacute;ram neste conto e votaram em M&aacute;rio Covas que fortalecido pela elei&ccedil;&atilde;o desferiu uma s&eacute;rie de ataques aos trabalhadores de S&atilde;o Paulo, principalmente na &aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Deu no que deu. N&atilde;o seremos c&uacute;mplices de uma pol&iacute;tica que &ndash; com PSDB ou PT &ndash; PT vai ser contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>A nossa luta &eacute; para que os trabalhadores sejam independentes de todos os representantes da burguesia e possam construir um projeto pr&oacute;prio para a sociedade. Colocamos-nos na trincheira dos que dizem as coisas como elas s&atilde;o. Por isso que tamb&eacute;m nas cidades, S&atilde;o Paulo e demais, em que h&aacute; disputa entre PT e PSDB o nosso chamado &eacute; para o voto nulo. Votar nulo contra o PSDB, contra o PT e todos os partidos que defendem o capital e atacam os trabalhadores!<\/p>\n<p><strong>PARA GARANTIR A INDEPEND&Ecirc;NCIA DE CLASSE, NO 2&ordm; TURNO VAMOS ANULAR O VOTO<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nA nossa posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no 1&ordm; turno foi de chamar voto de classe nos partidos de esquerda (PSTU, PSOL, PCO e PCB) nas cidades em que expressassem as lutas, n&atilde;o estivessem coligados com partidos burgueses nem recebessem dinheiro da burguesia.<\/p>\n<p>Agora, em todas as cidades em que ocorrer&aacute; segundo turno os candidatos ou s&atilde;o de partidos burgueses ou, quando do PSOL, est&atilde;o coligados com partidos governistas\/burgueses e ainda recebem dinheiro da burguesia.<\/p>\n<p>Nestas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o h&aacute; outra possibilidade que n&atilde;o seja chamar a classe trabalhadora e os explorados a votar nulo.<\/p>\n<p><strong>Outubro de 2012.<br \/>\nEspa&ccedil;o Socialista<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/367"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=367"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":456,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/367\/revisions\/456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}