{"id":368,"date":"2012-10-22T22:37:48","date_gmt":"2012-10-22T22:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/368"},"modified":"2013-02-01T18:40:45","modified_gmt":"2013-02-01T20:40:45","slug":"documento-sobre-situacao-nacional-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/10\/documento-sobre-situacao-nacional-2012\/","title":{"rendered":"Documento sobre situa\u00e7\u00e3o nacional &#8211; 2012"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Documento nacional A4 para red social.pdf \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/MINIATURA DOc Nacional 2012.jpg \" width=\"180\" height=\"242\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No documento da confer\u00eancia anterior e nos jornais desde ent\u00e3o, vimos analisando o padr\u00e3o geral de acumula\u00e7\u00e3o realizado pelo capital no Brasil. Apontamos os principais aspectos de seu movimento, suas contradi\u00e7\u00f5es e seus limites, como:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a) Depend\u00eancia da exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para as economias centrais e para a China.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b) Necessidade de Interven\u00e7\u00e3o do Estado atrav\u00e9s de Isen\u00e7\u00f5es fiscais para autom\u00f3veis, produtos da linha branca, constru\u00e7\u00e3o civil, setor exportador (particularmente o agroneg\u00f3cio e min\u00e9rios);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c) Aumento brutal do endividamento tanto das fam\u00edlias e do Estado, que possibilitou um n\u00edvel de consumo artificial no mercado interno com enormes problemas para um futuro pr\u00f3ximo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d) Superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra que se intensificou, embora disfar\u00e7ada e atenuada pela realidade conjuntural que abriu um per\u00edodo de reposi\u00e7\u00f5es\/ganhos moment\u00e2neos para uma parte importante dos trabalhadores;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e) Fluxo de capitais externos na forma de investimentos tanto em busca de taxas de rendimento reais nos t\u00edtulos da D\u00edvida P\u00fablica, concess\u00e3o de cr\u00e9dito, como tamb\u00e9m investimentos em atividades como o agroneg\u00f3cio, o pr\u00e9-sal, a constru\u00e7\u00e3o de obras, etc., com superlucros permitidos por essa superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O ciclo de medidas tomadas pelo Estado, principalmente partir da crise de 2009, aliado a uma situa\u00e7\u00e3o internacional em crise, mas sob controle e at\u00e9 com alguma recupera\u00e7\u00e3o nos EUA e na Alemanha, e crescimento na China, \u00cdndia e R\u00fassia, permitiu que a economia brasileira se mantivesse a taxas de crescimento contrastantes com os pa\u00edses centrais e passasse a ilus\u00e3o de que se regia a uma l\u00f3gica pr\u00f3pria, gra\u00e7as \u00e0 boa administra\u00e7\u00e3o do PT. Isso permitiu o endeusamento de Lula quando deixava o cargo e a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a partir do segundo semestre do ano passado, e mais visivelmente a partir deste ano, abriu-se uma nova situa\u00e7\u00e3o que se caracteriza basicamente por:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a) Novo agravamento da crise mundial com crise da d\u00edvida, amea\u00e7a de desintegra\u00e7\u00e3o da Zona do Euro e recess\u00e3o na Europa, estagna\u00e7\u00e3o com amea\u00e7a de recess\u00e3o nos EUA no pr\u00f3ximo per\u00edodo, lento crescimento com tend\u00eancia \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o\/recess\u00e3o no Jap\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o do crescimento dos chamados BRIC&#8217;s;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b) Esgotamento do ciclo anterior de medidas de combate \u00e0 crise tomadas pelo governo brasileiro, dificuldades econ\u00f4micas crescentes, com novo aprofundamento dos ataques da burguesia e do estado sobre os trabalhadores seja da iniciativa privada ou do setor p\u00fablico;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c) Aumento das lutas e da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como decorr\u00eancia da maior polariza\u00e7\u00e3o social;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d) Maior repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos e ativistas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e) Surgimento de vanguardas mais \u00e0 esquerda embora pouco amplas, com algum n\u00edvel de respaldo de setores de massa. Esse setor se choca com PSTU e PSOL e busca outra alternativa, rejeitando os modelos burocr\u00e1ticos e acomodados aos aparatos. Menor resist\u00eancia do que em momentos anteriores \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, embora com desconfian\u00e7as;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 f) Busca por uma alternativa pol\u00edtico-social para al\u00e9m dos modelos localizados dentro do capital e do governo protagonizado pelo PT e PSDB;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 g) Abertura de condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis e ao mesmo tempo mais complexas para a interven\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias que t\u00eam a tarefa de impulsionar as lutas, a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a unidade pela base para lutar e, ao mesmo tempo, a constru\u00e7\u00e3o de um projeto alternativo ao capitalismo rumo a um poder dos trabalhadores e ao socialismo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">h) Dificuldades crescentes do PSTU e PSOL junto \u00e0s lutas e giro \u00e0 direita dessas organiza\u00e7\u00f5es, com um processo muito forte de adapta\u00e7\u00e3o aos aparatos, \u00e0 democracia burguesa e \u00e0 ordem capitalista como um todo. Ao mesmo tempo uma atua\u00e7\u00e3o que tende a ir para a direita e se seguir nesse caminho, a questionar at\u00e9 mesmo o car\u00e1ter de classe do PSTU;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 i) Aproxima\u00e7\u00e3o\/unidades pontuais ou mesmo fus\u00f5es entre os grupos revolucion\u00e1rios que v\u00e3o criando condi\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria nacional. Possibilidade de um salto na constru\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Socialista como parte fundamental dessa necessidade maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>1) O ciclo Anterior (2009-2011)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O impacto internacional da crise \u00e9 ineg\u00e1vel como o foi desde 2009, n\u00e3o deixando em momento algum de ter influ\u00eancia. O que ocorreu \u00e9 que naquele momento foi utilizado fortemente um conjunto de medidas que o governo federal lan\u00e7ou m\u00e3o, particularmente o cr\u00e9dito estatal e privado vindo do exterior, bem como a interven\u00e7\u00e3o do Estado com pol\u00edticas compensat\u00f3rias e assistencialistas. Houve um afluxo de capital em dire\u00e7\u00e3o ao Brasil, possibilitado pela enxurrada de dinheiro que foi despejada no mercado pelos pa\u00edses centrais e pelo diferencial de ganhos proporcionado pelas economias perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A combina\u00e7\u00e3o entre agravamento da crise por um lado e esgotamento das medidas tomadas anteriormente pelo governo por outro passou a se mostrar com a economia brasileira praticamente estagnada h\u00e1 um ano e com redu\u00e7\u00e3o do peso da ind\u00fastria em 3%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O modelo de crescimento do \u00faltimo per\u00edodo est\u00e1 seriamente questionado. Para al\u00e9m das medidas de curto prazo, por onde o governo novamente tenta retomar um novo ciclo de consumo, a burguesia precisa readequar rapidamente sua competitividade \u00e0 custa do trabalho, e tem pressa nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, por mais que ainda haja certa margem para o governo agir, o fato \u00e9 que o n\u00edvel de ataques diretos \u00e0 classe j\u00e1 aumentaram e est\u00e3o em curso, assim como tamb\u00e9m o endurecimento frente \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos e a repress\u00e3o aos pr\u00f3prios movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por outro lado, as lutas tamb\u00e9m se fazem presente refletindo, embora com media\u00e7\u00f5es, a nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial aberta em 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como um pressuposto metodol\u00f3gico de uma an\u00e1lise marxista, \u00e9 preciso acompanhar a crise que envolve a economia e a sociabilidade do capital em n\u00edvel mundial e seus desdobramentos no Brasil. A fal\u00e1cia de que os chamados BRIC&#8217;s e demais pa\u00edses perif\u00e9ricos representariam um circuito pr\u00f3prio de circula\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o do capital est\u00e1 se mostrando uma farsa, \u00e0 medida que mesmo esses pa\u00edses v\u00eam passando por desacelera\u00e7\u00f5es em suas economias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A inser\u00e7\u00e3o mais direta da economia brasileira no capitalismo globalizado ocorreu obedecendo a uma s\u00e9rie de passos. Primeiro foram os violentos ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora e as privatiza\u00e7\u00f5es e desregulamenta\u00e7\u00f5es do mercado financeiro no Brasil, durante o per\u00edodo de Collor e FHC, o que levou a grandes enfrentamentos e desgaste desses governos frente aos trabalhadores. Nesse per\u00edodo, a exporta\u00e7\u00e3o de commoditties come\u00e7a a se voltar cada vez mais para a China, \u00e0 medida que esta aumentava sua produ\u00e7\u00e3o para o mercado mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 no final do 2\u00ba mandato de FHC, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds vinha se agravando e durante toda a primeira parte do 1\u00ba mandato de Lula, predominou a tend\u00eancia do corte de gastos para fazer super\u00e1vits prim\u00e1rios, a fim de garantir o pagamento em dia dos juros das D\u00edvidas Externa e Interna, dar credibilidade ao governo perante a banca financeira e a burguesia em geral. Ao mesmo tempo, as pol\u00edticas assistencialistas visavam conseguir a acomoda\u00e7\u00e3o geral dos setores mais pauperizados enquanto se atacava os setores mais organizados, particularmente do funcionalismo p\u00fablico. Foi o per\u00edodo da Reforma da Previd\u00eancia que atingiu o funcionalismo p\u00fablico e a manuten\u00e7\u00e3o do fator previdenci\u00e1rio para os trabalhadores da iniciativa privada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na segunda parte ainda do 1\u00ba mandato, come\u00e7ou um maior impulso ao cr\u00e9dito e a busca por um maior crescimento da economia como objetivo do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas foi no segundo mandato de Lula, a partir da crise, que o Brasil, juntamente com os demais \u201cBRICs\u201d foram chamados pelas pot\u00eancias centrais a se endividar, com garantias dos seus Estados, de forma a propiciar as condi\u00e7\u00f5es para um aumento do consumo interno desses pa\u00edses. Assim, se dava vaz\u00e3o tanto ao fluxo de capitais como de mercadorias vindos dos pa\u00edses centrais em crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Criaram-se condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para o capital se deslocar para esses pa\u00edses, seja o capital financeiro (atrav\u00e9s da garantia de pagamento em dia dos juros da D\u00edvida), seja os investimentos na produ\u00e7\u00e3o em que se requeria a seguran\u00e7a de rendimentos e de condi\u00e7\u00f5es, com a constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura para o capital operar a\u00ed e a regulamenta\u00e7\u00e3o das PPP&#8217;s. (Parcerias P\u00fablico-privadas)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa pol\u00edtica geral do imperialismo se expressou na cria\u00e7\u00e3o do G-20 como forma de comprometer os pa\u00edses perif\u00e9ricos mais importantes com a salva\u00e7\u00e3o do capital com matriz nos pa\u00edses centrais. Isso expressava o fato de que agora o capital transnacional tamb\u00e9m est\u00e1 operando de forma mais espalhada em sua abrang\u00eancia, por\u00e9m extremamente concentrada no fluxo das remessas de lucro, que retornam sempre para as matrizes nos pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa realidade, combinada \u00e0 maior atratividade dessas economias devido \u00e0s suas alt\u00edssimas taxas de explora\u00e7\u00e3o foram a cota parte de esfor\u00e7os dos chamados BRICs para contornar os problemas da economia mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que vimos a partir de ent\u00e3o foi o incentivo irrespons\u00e1vel ao cr\u00e9dito, agora nos pa\u00edses perif\u00e9ricos, como se isso por si s\u00f3 pudesse resolver os problemas da economia. O Brasil, at\u00e9 mesmo por sua fragilidade econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos demais BRIC&#8217;s, teve que apelar muito mais ao cr\u00e9dito do que China e \u00cdndia que vivem muito mais de suas exporta\u00e7\u00f5es e a R\u00fassia que ainda mant\u00e9m um peso econ\u00f4mico importante a partir\u00a0\u00a0 de suas imensas riquezas minerais (petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s) supervalorizadas no \u00faltimo per\u00edodo. J\u00e1 o Brasil, com baixos super\u00e1vits na balan\u00e7a comercial, precisou apelar muito mais ao mercado interno, o que s\u00f3 poderia ser feito atrav\u00e9s do endividamento cr\u00f4nico das fam\u00edlias e das empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ora, se o que h\u00e1 em n\u00edvel mundial, e inclusive no Brasil, \u00e9 justamente o excesso de capacidade de produ\u00e7\u00e3o e de capital em rela\u00e7\u00e3o aos mercados consumidores reais, o m\u00e1ximo que o cr\u00e9dito pode fazer \u00e9 possibilitar a retomada do consumo de forma artificial e dentro de um prazo n\u00e3o muito distante, e nisso nossa an\u00e1lise alertou desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A combina\u00e7\u00e3o do recurso ao cr\u00e9dito mais o aumento das taxas de explora\u00e7\u00e3o, dadas tanto pelo aumento dos ritmos de trabalho, pela automatiza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos que n\u00e3o parou de ocorrer, auxiliada inclusive pelos empr\u00e9stimos do BNDES para compra de m\u00e1quinas e equipamentos de produ\u00e7\u00e3o importados, ao mesmo tempo com a realiza\u00e7\u00e3o de obras como as do PAC, da Copa e das Olimp\u00edadas, mais\u00a0 a garantia do pagamento em dia dos juros da D\u00edvida P\u00fablica fizeram com que o quarto fator completasse o ciclo, atrav\u00e9s de uma leva de investimentos externos diretos (IED) que s\u00f3 veio crescendo nos \u00faltimos anos. Altas taxas de explora\u00e7\u00e3o, mercado consumidor aquecido e garantia de retorno, essa combina\u00e7\u00e3o propiciou o alto crescimento da economia que levou o Brasil ao \u201cgrau de investimento\u201d, a ser exaltado no exterior e ao posto de 6\u00aa economia mundial. Tudo isso coincidiu com o auge de popularidade de Lula tanto no Brasil como no exterior, o que possibilitou a Lula fazer sua sucessora, elegendo Dilma, uma completa desconhecida, frente a Jos\u00e9 Serra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A desregulamenta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No mesmo sentido das medidas tomadas pelo estado na economia, assistimos a desresponsabiliza\u00e7\u00e3o do estado, no que diz respeito aos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais a toda popula\u00e7\u00e3o, como a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a p\u00fablica e previd\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A popula\u00e7\u00e3o, em seu cotidiano, sente cada vez mais a aus\u00eancia do estado no oferecimento desses direitos universais. Os trabalhadores sentem na pele os hospitais p\u00fablicos sucateados quando ficam doentes; a p\u00e9ssima educa\u00e7\u00e3o oferecida aos seus filhos nas escolas p\u00fablicas; a inseguran\u00e7a brutal e permanente nas ruas; e veem o seu direito \u00e0 aposentadoria sendo cerceado paulatinamente depois de uma vida inteira de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta situa\u00e7\u00e3o, muitos trabalhadores s\u00e3o obrigados a sacrificarem o seu or\u00e7amento para buscar na iniciativa privada, os servi\u00e7os que deveriam ser de obriga\u00e7\u00e3o do estado. Neste sentido, cortam parte da alimenta\u00e7\u00e3o, do vestu\u00e1rio, do lazer, etc., para pagarem a duras penas um plano de sa\u00fade; uma escola particular; uma previd\u00eancia privada; e taxas de condom\u00ednios &#8211; que cada vez mais surgem nas grandes cidades fechando as vias p\u00fablicas. No entanto, estes trabalhadores s\u00e3o uma pequena parcela da classe. A maioria, sequer tem condi\u00e7\u00f5es de se sacrificarem a este ponto, restando-lhes a \u201csorte\u201d de encontrarem alternativas oferecidas pelo estado para um tratamento de sa\u00fade, via SUS; a possibilidade de conseguirem uma Bolsa Alimenta\u00e7\u00e3o etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta situa\u00e7\u00e3o faz parte de um conjunto de medidas adotadas pelo Estado nesta fase neoliberal do capitalismo. No geral, estas pol\u00edticas tem um duplo car\u00e1ter. Por um lado, a retirada do Estado destas obriga\u00e7\u00f5es, que representa uma abertura \u00e0 iniciativa privada para que esta exer\u00e7a tais fun\u00e7\u00f5es, em virtude da necessidade do setor privado obter lucros nestas \u00e1reas; E, por outro, representa uma pol\u00edtica de cortes no or\u00e7amento da Uni\u00e3o para serem investidos nas empresas, que cada vez mais precisam da interven\u00e7\u00e3o do Estado nas frequentes crises econ\u00f4micas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na educa\u00e7\u00e3o, o governo do PT foi de fundamental import\u00e2ncia na execu\u00e7\u00e3o desse projeto. As transforma\u00e7\u00f5es na esfera da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o um exemplo disso: diferentemente do governo FHC, que tentou privatizar as IFES por dentro, o governo Lula, sob toda uma propaganda de expans\u00e3o do ensino p\u00fablico superior, conseguiu efetivar boa parte do processo de privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. Este processo se deu por meio da transfer\u00eancia de verbas p\u00fablicas \u00e0s universidades privadas (atrav\u00e9s do PROUNI, FIES), ao mesmo tempo em que aumentou o n\u00famero de vagas de estudantes nas IFES, sem o proporcional aumento de investimentos para contrata\u00e7\u00e3o de professores e aumento da estrutura f\u00edsica, comprometendo o car\u00e1ter e funcionamento da universidade que deveriam ser baseados no trip\u00e9: ensino, pesquisa e extens\u00e3o. Efetivamente, apesar da apar\u00eancia, est\u00e1 em curso a privatiza\u00e7\u00e3o total do Ensino Superior. Na pr\u00e1tica, temos hoje no Brasil uma movimenta\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o de poucos centros educacionais de excel\u00eancia e, na maior parte das universidades \u2013 sejam elas p\u00fablicas ou privadas \u2013 configurando-se como verdadeiros \u201cescol\u00f5es\u201d de terceiro grau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa reforma educacional atende \u00e0s necessidades surgidas na esfera produtiva, a qual requer uma reconfigura\u00e7\u00e3o no sistema educacional brasileiro, no sentido de preparar uma nova gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores que tenham uma m\u00e3o de obra adaptada \u00e0s novas perspectivas das ind\u00fastrias e do mercado de trabalho como um todo. Dessa forma, o ensino direcionado pelo estado vem tomando um car\u00e1ter de forma\u00e7\u00e3o totalmente tecnicista, deixando de lado uma educa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica capaz de promover consci\u00eancias capazes de pensar e resolver os problemas da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A privatiza\u00e7\u00e3o dos hospitais atrav\u00e9s da tentativa de implementa\u00e7\u00e3o da empresa brasileira de servi\u00e7os hospitalares (EBSERH) e a cria\u00e7\u00e3o de funda\u00e7\u00f5es para gerir os hospitais universit\u00e1rios seguem no mesmo sentido do processo de privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Total de dinheiro investido desde a crise de 2009<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Ren\u00fancia Fiscal<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O relat\u00f3rio do TCU (Tribunal de Contas da Uni\u00e3o) sobre as contas da gest\u00e3o do primeiro ano do governo Dilma Rousseff apontou que a ren\u00fancia fiscal em 2011 chegou a R$ 187 bilh\u00f5es, ultrapassando os gastos com Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No ano de 2010, o valor de ren\u00fancia foi de R$ 144 bilh\u00f5es e o tribunal j\u00e1 apontava que esses gastos cresciam sem controle adequado. Em 2009, a ren\u00fancia tinha sido de R$ 25 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De 2009 a 2011 podemos falar em um total de R$ 356 bilh\u00f5es, s\u00f3 de ren\u00fancia fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Aportes do BNDES<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De 2009 a 2011 foram 240 bilh\u00f5es de aportes do Tesouro ao BNDES.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Inje\u00e7\u00e3o de dinheiro via Cr\u00e9dito<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Somado a esse montante, o endividamento geral do estado, das empresas e das fam\u00edlias injetou cerca de R$ 1,2 trilh\u00e3o na economia, pois o volume de cr\u00e9dito dobrou desde o in\u00edcio da crise internacional, de R$ 935,9 bilh\u00f5es em 2007 para R$ 2,136 trilh\u00f5es em maio, atingindo 50,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O cr\u00e9dito imobili\u00e1rio quase quintuplicou desde a crise, indo para R$ 294 bilh\u00f5es (Valor Econ\u00f4mico &#8211; 28\/06\/2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Temos tamb\u00e9m que somar o volume dos investimentos externos diretos que adentraram o pa\u00eds, respectivamente a cada ano:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2009 &#8211; US$ 22,8 bilh\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2010 &#8211; US$ 48,4 bilh\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2011 &#8211; US$ 66,7 bilh\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Total de IED<\/b>:\u00a0 US $ 137.9 bi. x 1.6 (cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do d\u00f3lar no per\u00edodo) = R$ 220,6 bilh\u00f5es de reais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Somat\u00f3ria geral<\/b>: de 2009 at\u00e9 2011 houve a inje\u00e7\u00e3o de, pelo menos, R$ 2,017 trilh\u00f5es na economia brasileira, um valor excepcional, de metade do PIB de 2011!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com essa soma de riqueza injetada na economia brasileira, \u00e9 claro que haveria reflexo no consumo e, portanto no crescimento econ\u00f4mico, gera\u00e7\u00e3o de empregos e procura por m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso fez com que, por um per\u00edodo, a situa\u00e7\u00e3o se tornasse menos desfavor\u00e1vel para os trabalhadores principalmente os mais organizados, que conseguiram repor parte da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, considerando que as estat\u00edsticas de infla\u00e7\u00e3o oficiais est\u00e3o abaixo da infla\u00e7\u00e3o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Emprego\/Desemprego Formal<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A queda da informalidade de 33,2% em 2005 para os atuais 22,2%, acompanhou a queda do desemprego formal no Pa\u00eds, que est\u00e1 em 5,7%. (<a href=\"https:\/\/conteudoclippingmp.planejamento.gov.br\/\">https:\/\/conteudoclippingmp.planejamento.gov.br<\/a>). Os dados de desemprego do DIEESE apontam para n\u00fameros maiores, ao redor de 10 %.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A quest\u00e3o salarial<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 o ano passado, ainda que em menor escala, est\u00e1vamos sob influ\u00eancia do ciclo anterior de grande crescimento da economia, o que ainda resultou em algum n\u00edvel de reposi\u00e7\u00e3o salarial para categorias importantes. Mesmo considerando o fato de que o DIEESE n\u00e3o tem mais independ\u00eancia frente ao governo, podemos aceitar pelo menos a tend\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cTrabalhadores dos setores da ind\u00fastria, do com\u00e9rcio, de servi\u00e7os e rural conseguiram aumento real nos seus pisos salariais em 92% das negocia\u00e7\u00f5es realizadas no ano passado, informou o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). O reajuste m\u00e9dio acima do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) ficou em 3%. Em 2010, o aumento real m\u00e9dio foi de quase 5%. O estudo analisou 671 unidades de negocia\u00e7\u00e3o de todo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A maior parte dos pisos salariais analisados (52%) obteve ganhos reais de at\u00e9 3% no ano passado, enquanto 12,7% conseguiram reajuste de 6% acima do INPC, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Os dados mostram ainda que 1,2% das negocia\u00e7\u00f5es empataram com a varia\u00e7\u00e3o do INPC no per\u00edodo. No relat\u00f3rio anterior, relativo a 2010, o n\u00famero de negocia\u00e7\u00f5es que obtiveram reajuste acima do \u00edndice foi 2 pontos porcentuais maior do que em 2011, e aqueles que empataram com o INPC, 1 ponto porcentual maior do que o relat\u00f3rio anterior.\u201d (<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/\">http:\/\/economia.estadao.com.br<\/a>, \u00a011 de julho de 2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo n\u00e3o idealizando esses n\u00fameros oficiais, podemos dizer que a situa\u00e7\u00e3o a partir de 2012 tende a ser reversa: os poucos ganhos ou reposi\u00e7\u00f5es tendem a ser engolidos e as reposi\u00e7\u00f5es muito mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>2) A quebra do ciclo e a nova situa\u00e7\u00e3o. <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o fosse a nova interven\u00e7\u00e3o do estado, o pa\u00eds estaria novamente em recess\u00e3o. A partir do final do mandato de Lula e in\u00edcio do governo Dilma, uma nova situa\u00e7\u00e3o se colocou no horizonte. O modelo tornava-se mais problem\u00e1tico e a situa\u00e7\u00e3o externa n\u00e3o dava mostras de resolu\u00e7\u00e3o. O governo Dilma, mais \u00e0 direita que o de Lula pelo arco de alian\u00e7as, se colocou desde o in\u00edcio como um governo mais duro, determinado a aprofundar os ataques aos trabalhadores para tentar reequilibrar aos poucos os problemas que a economia demonstrava, particularmente aumentando a competitividade da ind\u00fastria, a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra t\u00e9cnica, a constru\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o de obras, concess\u00e3o de aeroportos, desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias. Foi o objetivo do Plano Brasil Maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a situa\u00e7\u00e3o se agravou neste ano com o claro esgotamento daquele primeiro grande ciclo de medidas do governo em prol do capital em 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O aumento da inadimpl\u00eancia talvez tenha sido o sintoma mais grave, pois indica limites quanto \u00e0 capacidade de endividamento e manuten\u00e7\u00e3o do mercado interno nos mesmos n\u00edveis de at\u00e9 ent\u00e3o. O crescimento econ\u00f4mico do primeiro trimestre ficou em 0,2%, praticamente uma estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Houve a queda de 0,8% nas vendas do varejo que envolve a\u00ed os v\u00e1rios setores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A inadimpl\u00eancia do consumidor cresceu 19,1% no primeiro semestre do ano ante o mesmo per\u00edodo de 2011, segundo pesquisa da Serasa Experian divulgada nesta quarta-feira. Na rela\u00e7\u00e3o entre junho e o mesmo m\u00eas do ano passado, o crescimento foi de 15,4%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De acordo com an\u00e1lise dos economistas da Serasa, a renda do consumidor est\u00e1 comprometida, principalmente com d\u00edvidas caras (cheque especial e rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito) e de alto valor (ve\u00edculos e imobili\u00e1rias), o que leva a um descontrole no gerenciamento da situa\u00e7\u00e3o. (http:\/\/www1.folha.uol &#8211; 11\/07\/2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O recurso ao cr\u00e9dito privado vai mostrando sinais de esgotamento, e isso se d\u00e1 porque o potencial de endividamento da popula\u00e7\u00e3o brasileira, particularmente dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 de forma alguma o mesmo dos trabalhadores das economias centrais, devido enorme disparidade entre os seus sal\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Constru\u00e7\u00e3o Civil<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O volume vendido caiu de 232,9 mil toneladas em maio para 221,5 mil em junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com\u00e9rcio no Varejo: queda de abril para maio -0,8%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Inadimpl\u00eancia nos alugu\u00e9is<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O n\u00famero de a\u00e7\u00f5es por problemas com aluguel na cidade de S\u00e3o Paulo somou 2.040 processos em maio, e aumento de 16,1% ante o mesmo m\u00eas de 2011, segundo divulga\u00e7\u00e3o nesta quarta-feira do Secovi-SP (Sindicato da Habita\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na compara\u00e7\u00e3o com abril, houve alta de 15%, segundo levantamento realizado pela entidade no Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo. (http:\/\/www1.folha.uol \u2013 11\/07\/2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>3) Em busca de mudan\u00e7as no Padr\u00e3o de Acumula\u00e7\u00e3o&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A voz corrente na burguesia e seus analistas \u00e9 que, para al\u00e9m de novas medidas de incentivo ao consumo, o caminho priorit\u00e1rio agora \u00e9 promover prioritariamente a poupan\u00e7a interna e o investimento, mediante a recomposi\u00e7\u00e3o de altas taxas de lucro e da seguran\u00e7a para o capital, o que s\u00f3 pode ser propiciado de novo pela interven\u00e7\u00e3o do estado no sentido de tornar o investimento do capital mais atrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, a \u00eanfase tende a recair sobre os aportes diretos do estado, seja na forma de isen\u00e7\u00f5es de impostos, de empr\u00e9stimos a juros para o capital, em obras de interesse do empresariado e compras de bens e equipamentos governamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Podemos falar at\u00e9 em dinheiro direto para salva\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es, quando essa necessidade estiver colocada. De certa forma isso j\u00e1 vem ocorrendo com o incentivo a fus\u00f5es e a aquisi\u00e7\u00f5es de empresas em dificuldade por outras em melhores condi\u00e7\u00f5es com o aporte do BNDES.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao mesmo tempo, o governo vem possibilitando a aquisi\u00e7\u00e3o por parte dos setores de ponta da economia de novos ramos de neg\u00f3cios tamb\u00e9m com dinheiro do BNDES.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As mesmas iniciativas do governo federal se coadunam com as iniciativas estaduais e municipais, formando uma rede de apoio e de ajuda ao capital nunca vista. O PT \u00e9 o grande gerenciador dessa rede, e o fato de ser um partido de burocratas lhe d\u00e1 a condi\u00e7\u00e3o de gerir o sistema mais de conjunto, buscando equilibrar, contemplar e ao mesmo tempo refrear cada uma das fra\u00e7\u00f5es do capital no benef\u00edcio do sistema como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Evidentemente isso traz animosidades com o os setores que sentem que poderiam estar ganhando muito mais, mas estes setores at\u00e9 agora n\u00e3o t\u00eam conseguido se colocar como alternativa real ao PT, mantendo-se no campo da cr\u00edtica e da den\u00fancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse rearranjo do padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o do capital no Brasil, o papel da ind\u00fastria ocupa lugar central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A ind\u00fastria, a perda de sua competitividade, as demiss\u00f5es, a precariza\u00e7\u00e3o, a sobrecarga de trabalho<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A ind\u00fastria brasileira foi perdendo mercado no exterior, mesmo internamente, porque v\u00e1rios concorrentes se aparelharam, principalmente a China, mas tamb\u00e9m os EUA partir da mega-emiss\u00e3o de d\u00f3lares, consequente desvaloriza\u00e7\u00e3o de sua moeda, o que torna suas mercadorias mais baratas em outras moedas, al\u00e9m das reestrutura\u00e7\u00f5es que vem fazendo em suas f\u00e1bricas, entre as quais a GM \u00e9 um exemplo ilustrativo.<br \/>\nO M\u00e9xico tamb\u00e9m capturou parte do mercado americano na produ\u00e7\u00e3o de manufaturados que antes era do Brasil. Houve a tremenda expans\u00e3o chinesa para todos os mercados de manufaturados. Esse movimento come\u00e7ou a induzir a um esvaziamento das cadeias produtivas brasileiras, com amplia\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de partes de pe\u00e7as que antes eram feitas no Brasil. Esse processo tornou-se mais claramente percebido nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pa\u00eds perdeu empresas de setores importantes na \u00e1rea de equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es, de eletr\u00f4nica em geral, um pouco de ind\u00fastria de inform\u00e1tica, na \u00e1rea de farmac\u00eautica e qu\u00edmica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Houve um esvaziamento de valor agregado pelo trabalho dentro da cadeia automotiva, que era muito integrada e come\u00e7ou a se tornar uma ind\u00fastria s\u00f3 de montagem final. Num per\u00edodo mais recente, algumas destas tend\u00eancias se agravaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo o presidente do BNDES, \u201cTemos tamb\u00e9m um problema de produtividade, sim, especialmente do trabalho. O Brasil precisa subir rapidamente a produtividade do trabalho, ter uma agenda de refor\u00e7o da automa\u00e7\u00e3o para preservar a capacidade competitiva da ind\u00fastria.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para responder a essa realidade do ponto de vista do capital, a burguesia acirra o processo de demiss\u00f5es nas empresas, visando a maior explora\u00e7\u00e3o poss\u00edvel utilizando o m\u00ednimo de m\u00e3o de obra, de modo a recompor sua taxa de lucro, dentro de um mercado mundial extremamente competitivo e que tende ao lento crescimento ou mesmo \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso tem se dado de v\u00e1rias formas como banco de horas, f\u00e9rias coletivas, PDV&#8217;s e finalmente demiss\u00f5es sum\u00e1rias, seja com enxugamento de m\u00e3o de obra em cada setor, ou ainda fechando setores inteiros dentro das empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao mesmo tempo, tem crescido as formas tempor\u00e1rias de contrata\u00e7\u00e3o e sem direitos. Essa tem sido uma forma de o capital se precaver contra um processo de queda nas vendas e na atividade produtiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pol\u00edtica geral do governo federal \u00e9 a cogest\u00e3o com o capital e com os sindicatos. A pol\u00edtica s\u00e3o as mesas tripartites e demais conselhos para discutir e levar os trabalhadores a aceitar as exig\u00eancias das empresas. Atualmente o governo federal trabalha com \u201c19 conselhos de competitividade setoriais, estruturando conceitos para transformar em pol\u00edticas, discutindo toda a cadeia produtiva, desde a \u00e1rea de aumento de investimento, quest\u00e3o tribut\u00e1ria, competitividade, programa de fortalecimento e facilita\u00e7\u00e3o de acesso de exportadores ao mercado\u201d, detalhou Teixeira em entrevista exclusiva \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. Uma das propostas analisadas pelo governo \u00e9 uma pol\u00edtica de endomarketing que visa fortalecer o consumo do produto local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cA desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos de 15 setores da ind\u00fastria \u00e9 uma medida que ajuda no curto prazo, mas muda em definitivo, para melhor, o custo da m\u00e3o de obra para as empresas. Vamos continuar nesse caminho e ampliar para outros setores essa iniciativa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>4) As novas medidas tomadas pelo governo e as perspectivas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A ind\u00fastria automotiva movimenta, ao mesmo tempo, cerca de 25% da economia somada com a linha branca e de eletrodom\u00e9sticos em geral, sendo uma importante base de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo junto aos trabalhadores, o setor metal\u00fargico, qu\u00edmicos, borracheiros, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Evidentemente todas as precis\u00f5es se pautam num quadro em que a crise internacional, embora siga existindo, n\u00e3o apresenta uma queda ou depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse cen\u00e1rio agora, a quest\u00e3o fundamental \u00e9 qual deve ser o impacto das medidas do governo a partir do segundo semestre. A tend\u00eancia \u00e9 de que a economia tenha um n\u00edvel de crescimento bem menor que 2% ou menos ao ano. Isso tem consequ\u00eancias no sentido de inverter a tend\u00eancia que vinha ocorrendo. As empresas est\u00e3o retomando as demiss\u00f5es e apertos nos ritmos de trabalho e na cobran\u00e7a de tarefas e responsabilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Estado ainda possui margem de endividamento no curto prazo, a fim de sustentar e dar condi\u00e7\u00f5es para que o empresariado possa avan\u00e7ar nas medidas consideradas estruturais para o capital, a saber: corte de m\u00e3o de obra e de gastos do estado, aumento das tarefas e dos ritmos de trabalho, aumento da tecnologiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e das tarefas em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A interven\u00e7\u00e3o do estado se d\u00e1 de v\u00e1rias formas:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Queda da taxa de juros. Atualmente est\u00e1 em 8%, mas o plano do governo \u00e9 diminuir ainda mais para tentar retomar o crescimento, desde que n\u00e3o signifique um estouro da infla\u00e7\u00e3o. O Estado tamb\u00e9m interviu com a queda dos juros, medida essa possibilitada por v\u00e1rias raz\u00f5es, como por exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a) Os juros reais das economias centrais est\u00e3o a zero ou abaixo disso;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b) A grande entrada de capital estrangeiro no pa\u00eds fazia com que houvesse uma tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o descontrolada do real, o que vinha prejudicando sobremaneira os setores exportadores e a ind\u00fastria que aqui operam;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c) A diminui\u00e7\u00e3o dos juros pode trazer efeitos de diminuir a inadimpl\u00eancia no curto prazo, e os resultados devem se fazer notar a partir do 2\u00ba semestre;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; O governo fez um aporte adicional de R$ 45 bilh\u00f5es no Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) este ano. Com isso, a institui\u00e7\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de emprestar at\u00e9 R$ 150 bilh\u00f5es em 2012, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Esse \u00e9 o quinto aporte bilion\u00e1rio que o banco recebe desde 2009, na \u00e9poca da crise global. Com os recursos anunciados ontem, o total chega a R$ 285 bilh\u00f5es. Os recursos novos dar\u00e3o suporte \u00e0 quarta etapa do Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento (PSI), cuja vig\u00eancia foi estendida at\u00e9 o fim de 2013. O programa foi criado em 2009 para ajudar setores a enfrentar a crise naquele per\u00edodo. O gasto adicional com o subs\u00eddio aos juros do PSI ser\u00e1 de R$ 6,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;O grande objetivo \u00e9, por um lado, reduzir custos e assegurar a agrega\u00e7\u00e3o de valor no Brasil e, de outro, aumentar o investimento e a inova\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m do volume maior, as linhas foram reformuladas, como antecipou o Estado: houve redu\u00e7\u00e3o nas taxas de juros, aumento da parcela financi\u00e1vel pelo banco, prazos mais longos e novos setores foram autorizados a tomar os empr\u00e9stimos (O Estado de S. Paulo, 03 de abril de 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Isen\u00e7\u00e3o fiscal praticamente total para a ind\u00fastria automotiva, de linha branca e eletrodom\u00e9sticos, materiais de constru\u00e7\u00e3o civil, produtos de exporta\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Desonera\u00e7\u00e3o da Folha de Pagamentos. O governo informou que escolheu 15 setores da economia que ser\u00e3o fortemente subsidiados. Para torn\u00e1-los mais competitivos, eles pagar\u00e3o apenas uma parte da contribui\u00e7\u00e3o patronal devida \u00e0 Previd\u00eancia Social, a partir de agosto. O restante ser\u00e1 pago pelos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 agora, as empresas desses 15 setores pagavam o INSS de seus empregados com base em uma al\u00edquota de 20% sobre a folha de pagamento, como todas as empresas dos demais setores da economia. Com a Medida Provis\u00f3ria 563, publicada na quarta-feira (04\/07\/2012) no &#8220;Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o&#8221;, elas contribuir\u00e3o com um percentual sobre a receita bruta. Se for empresa industrial, a al\u00edquota ser\u00e1 de 1% e se for uma empresa do setor de servi\u00e7os, a al\u00edquota ser\u00e1 de 2%. O detalhe \u00e9 que essas al\u00edquotas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para manter a contribui\u00e7\u00e3o atual que elas fazem \u00e0 Previd\u00eancia. A ren\u00fancia de receita vai chegar a R$ 18,7 bilh\u00f5es at\u00e9 2014. Com a medida rec\u00e9m-anunciada, o governo d\u00e1 um passo a mais na dire\u00e7\u00e3o da completa desonera\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, para os patr\u00f5es, das folhas salariais. N\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7as no desconto para o INSS aplicado no contracheque dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na pr\u00e1tica, j\u00e1 estamos vivenciando a implementa\u00e7\u00e3o ao estilo petista da Reforma Tribut\u00e1ria &#8211; pois v\u00e1rias das medidas acima t\u00eam como finalidade reduzir os impostos do empresariado, aumentando as taxas sobre os trabalhadores e precarizando totalmente os servi\u00e7os p\u00fablicos utilizados pelos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Inje\u00e7\u00e3o direta no mercado para 2012&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para 2012, a ren\u00fancia fiscal est\u00e1 prevista em cerca de R$ 200 bilh\u00f5es. Os aportes do BNDES ser\u00e3o de mais 45 bilh\u00f5es. J\u00e1 a previs\u00e3o da entrada de IED (Investimentos Externos Diretos) caiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cA autoridade monet\u00e1ria informou que entre janeiro a maio, houve ingresso de US$ 23,3 bilh\u00f5es, mostrando uma desacelera\u00e7\u00e3o ante o mesmo per\u00edodo do ano anterior, em que o IED somou US$ 27,0 bilh\u00f5es. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O IED representa o investimento produtivo e de longo prazo em uma economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ano, a proje\u00e7\u00e3o do BC \u00e9 que o IED acumule US$ 50 bilh\u00f5es, um recuo frente ao recorde de US$ 66,6 bilh\u00f5es registrado em 2011.\u201d (Fonte: Brasil Econ\u00f4mico &#8211; 02\/07\/2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tudo indica que essas medidas e outras que ainda devem vir, como o barateamento da energia el\u00e9trica atrav\u00e9s da retirada de impostos &#8211; apenas para as empresas &#8211; devem ter efeito a partir deste segundo semestre, amenizando o quadro geral da economia, que por\u00e9m n\u00e3o conseguir\u00e1 mais recuperar-se a ponto de atingir os \u00edndices inicialmente previstos. Podemos nos preparar para um quadro de baix\u00edssimo crescimento (fala-se em menos de 1% a 2%), com possibilidade, menos prov\u00e1vel, de uma estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As pol\u00edticas de incentivo ao consumo tendem a n\u00e3o ter efeito na escala de 2009 devido ao alto n\u00edvel de endividamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, a sa\u00edda ser\u00e1 atacar mais diretamente os trabalhadores para incentivar um aumento do investimento capitalista privado e principalmente do estado, considerado o ponto de apoio fundamental do crescimento daqui para frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da\u00ed que os ataques devem ser muito mais duros, com mais demiss\u00f5es, precariza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, aumento dos ritmos de trabalho, etc. Essa tend\u00eancia, que j\u00e1 vinha de antes, deve se acirrar com o avan\u00e7o maior das Reformas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m disso, a grande discuss\u00e3o entre os analistas e entidades representantes do empresariado \u00e9 de que o padr\u00e3o de tentar fazer a economia crescer a partir do consumo n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, pois \u00e9 um consumo que se ampara principalmente no endividamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A ideologia sobre a qual o capital e os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o cansam de bater \u00e9 que agora o crescimento econ\u00f4mico deve ser impulsionado a partir do investimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para isso, o elemento chave \u00e9 a recomposi\u00e7\u00e3o da taxa real de lucros do capital. Todas as medidas estudadas est\u00e3o nessa linha. Dois elementos-chave se colocam: corte geral dos gastos em servi\u00e7os p\u00fablicos do estado, para que sobre mais dinheiro para obras, isen\u00e7\u00f5es de impostos e garantias ao empresariado, e ao mesmo tempo, aumento da explora\u00e7\u00e3o no interior das empresas como forma de aumentar sua competitividade no mercado. No centro desse processo est\u00e1 o aprofundamento e acelera\u00e7\u00e3o das Reformas (Tribut\u00e1ria, Previdenci\u00e1ria, Trabalhista e Pol\u00edtica), ao mesmo tempo com uma nova rodada de demiss\u00f5es e aumento dos ritmos e tarefas nos locais de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>O Pr\u00e9-Sal e sua explora\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 importante fazer um estudo do real impacto do Pr\u00e9-Sal na economia brasileira, qual o ritmo de extra\u00e7\u00e3o compensativo no marco de uma economia mundial em crise, e quanto da riqueza extra\u00edda ficar\u00e1 realmente no pa\u00eds em forma de investimentos p\u00fablico ou privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de que a partir da crise diminuiu a expectativa de investimentos na explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal, conforme reportagem abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cAp\u00f3s os n\u00fameros ruins do primeiro semestre quanto ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds), analistas sinalizaram que as empresas v\u00e3o investir R$ 35 bilh\u00f5es a menos nos pr\u00f3ximos quatro anos. O Brasil espera que a crise n\u00e3o atinja o setor de \u00f3leo e g\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cDe acordo com o Banco Central, o Pa\u00eds deve receber R$ 579 bilh\u00f5es em investimentos em oito setores industriais entre 2012 e 2015 &#8211; valor 6% menor que os R$ 614 bilh\u00f5es estimados no ano passado para o per\u00edodo 2011-2014. Para o chefe do departamento de acompanhamento econ\u00f4mico do BNDES, Fernando Puga, o pa\u00eds n\u00e3o pode negar que a crise mundial afetou os investimentos, mas ressaltou que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses onde mais h\u00e1 oportunidades de trabalho.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O impacto da crise econ\u00f4mica global no setor de \u00f3leo e g\u00e1s ainda \u00e9 pouco vis\u00edvel no Brasil. As grandes empresas at\u00e9 agora mantiveram os investimentos planejados para este ano e os pr\u00f3ximos. Mas essa situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser revertida por pelo menos dois fatores. O primeiro deles \u00e9 o acirramento da crise europeia. \u00a0\u00a0\u00a0 O segundo, uma eventual queda dos investimentos da Petrobr\u00e1s detalhados no plano de neg\u00f3cios 2012-2016, a ser tornado p\u00fablico at\u00e9 agosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo o relat\u00f3rio, o segmento de petr\u00f3leo (respons\u00e1vel por 59% dos investimentos mapeados em toda a ind\u00fastria brasileira), no per\u00edodo de 2012 a 2015, planeja investir R$ 354 bilh\u00f5es em extra\u00e7\u00e3o e refino. O montante representa 48,5% a mais que os R$ 238 bilh\u00f5es que constavam de relat\u00f3rio similar do BNDES com as perspectivas do ciclo 2007-2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa previs\u00e3o de gastos poder\u00e1 ser afetada se a derrocada financeira na Europa agravar-se avalia Eloy Fern\u00e1ndez y Fern\u00e1ndez, diretor-superintendente da Organiza\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria do Petr\u00f3leo (Onip).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A Copa do mundo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os custos da Copa tendem a ser maiores do que a soma do total investido nas \u00faltimas tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do evento, no Jap\u00e3o, Cor\u00e9ia, Alemanha e \u00c1frica do Sul. Al\u00e9m disso, h\u00e1 suspeitas de que, se os or\u00e7amentos das obras dos est\u00e1dios e de infraestrutura urbana e de transporte continuarem a ser reajustados para cima no ritmo atual, a Copa do Mundo no Brasil terminar\u00e1 custando mais cara do que todas as outras juntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Abdib (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Infraestrutura e Ind\u00fastrias de Base), que tem acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com a CBF (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol) e o Minist\u00e9rio do Esporte, trabalha com outros n\u00fameros. Os c\u00e1lculos n\u00e3o s\u00e3o precisos, mas trabalha-se com pelo menos um investimento de R$ 112 bilh\u00f5es para o custo total do Mundial (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/973416-custo-da-copa-no-brasil-corre-o-risco-de-explodir.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/973416-custo-da-copa-no-brasil-corre-o-risco-de-explodir.shtml<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;O problema \u00e9 que o governo brasileiro resolveu reorganizar o pa\u00eds todo \u00e0 custa da Copa. Nossa malha aerovi\u00e1ria e de aeroportos carece de reformas e amplia\u00e7\u00f5es h\u00e1 anos. Agora, por\u00e9m, tudo ser\u00e1 feito \u00e0s pressas e com prazo definido para estar pronto, o que naturalmente vai encarecer todas as obras&#8221;, explica Guimar\u00e3es. Com exce\u00e7\u00e3o da Copa do Jap\u00e3o e Coreia, &#8220;quando foram constru\u00eddos 20 est\u00e1dios e estruturas para abrigar duas copas, uma em cada pa\u00eds&#8221;, o evento mais caro foi na \u00c1frica do Sul (US$ 8 bilh\u00f5es), onde, al\u00e9m de pra\u00e7as esportivas, foram constru\u00eddos trens r\u00e1pidos, rodovias e aeroportos. &#8220;No Brasil, estamos fazendo a mesma coisa, que \u00e9 a f\u00f3rmula ideal para se gastar mais do que se deve em obras p\u00fablicas que s\u00e3o necess\u00e1rias&#8221;, conclui o consultor. (<a href=\"http:\/\/esporte.uol.com.br\/futebol\/copa-2014\/ultimas-noticias\/2011\/06\/29\/copa-no-brasil-podera-ser-mais-cara-do-que-todas-as-outras-juntas.htm\">http:\/\/esporte.uol.com.br\/futebol\/copa-2014\/ultimas-noticias\/2011\/06\/29\/copa-no-brasil-podera-ser-mais-cara-do-que-todas-as-outras-juntas.htm<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A decorr\u00eancia disso \u00e9 que as empresas devem embolsar muito dinheiro com a Copa, ficando os gastos pendurados na conta do Estado que depois ir\u00e1 descarregar esse custo sobre os trabalhadores. Al\u00e9m do aspecto econ\u00f4mico que tende a se fazer sentir at\u00e9 l\u00e1, e mesmo alguns meses depois, n\u00e3o se pode negar o efeito emulador que ter\u00e1 a Copa no universo ideol\u00f3gico brasileiro, onde o futebol tem import\u00e2ncia central. A Copa ser\u00e1 utilizada para se tentar apresentar ao mundo um pa\u00eds que tem lindas riquezas naturais e que est\u00e1 evoluindo. Com os problemas principais jogados para debaixo do tapete \u00e9 poss\u00edvel, se n\u00e3o houver uma derrocada geral da economia mundial, que se consiga passar ainda essa imagem, que, por\u00e9m se desfar\u00e1 rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Rela\u00e7\u00e3o do Governo Dilma com o Agroneg\u00f3cio<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O discurso de Dilma na cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento do Plano Agr\u00edcola e Pecu\u00e1rio 2012\/2013, no Pal\u00e1cio do Planalto expressa o n\u00edvel de comprometimento do governo com o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;Quero assumir o compromisso manifestado pelo ministro Mendes [Ribeiro Filho, da Agricultura], de que n\u00e3o haver\u00e1 restri\u00e7\u00f5es de recursos&#8221;, disse Dilma. Ela destacou que o Brasil saiu de R$ 27 bilh\u00f5es para R$ 115 bilh\u00f5es no financiamento da safra. &#8220;Isso mostra que o Brasil mudou, que podemos comemorar o fato de que a nossa for\u00e7a consiste nessa combina\u00e7\u00e3o: produtores rurais e governo federal.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Campo e Reforma Agr\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No primeiro ano da gest\u00e3o Dilma Rousseff, a expans\u00e3o da reforma agr\u00e1ria alcan\u00e7ou o patamar mais baixo desde, ao menos, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dados consolidados pelo INCRA (Instituto Nacional da Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) mostram que, em 2011, o n\u00famero de fam\u00edlias sem-terra assentadas foi de 21,9 mil, 44%, inferior ao recorde negativo anterior, em 2010, quando 39,5 mil fam\u00edlias foram assentadas. O \u00f3rg\u00e3o federal admite que existem cerca de 180 mil fam\u00edlias esperando um lote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 outros indicadores que mostram a lentid\u00e3o do programa de redistribui\u00e7\u00e3o de terras, a quantidade de assentamentos criados e a \u00e1rea incorporada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O conjunto de n\u00fameros indica que o avan\u00e7o da reforma agr\u00e1ria vem diminuindo desde o \u00e1pice de 2006, quando o ex-presidente Lula foi para a reelei\u00e7\u00e3o sob a sombra do mensal\u00e3o e buscou apoio nos movimentos sociais. O desembolso com o principal conjunto de a\u00e7\u00f5es para estruturar assentamentos no ano passado foi o mais baixo da \u00faltima d\u00e9cada: R$ 65,6 milh\u00f5es. (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/1044072-no-governo-dilma-reforma-agraria-registra-pior-ano-desde-95.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/1044072-no-governo-dilma-reforma-agraria-registra-pior-ano-desde-95.shtml<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Considerando que o or\u00e7amento do ano anterior (2011) destinado ao INCRA foi de 0,5% do PIB, e j\u00e1 era pequeno, o deste ano \u00e9 de 0,2% do PIB. Sem mencionar a falta de servidores, log\u00edstica, assist\u00eancia t\u00e9cnica, etc. Com os cortes no or\u00e7amento, v\u00e1rias medidas foram tomadas com objetivo de adequar o funcionamento do INCRA aos cortes, tais como reduzir substancialmente\u00a0 as di\u00e1rias dos servidores, com isto reduzindo as novas vistorias agron\u00f4micas, com vistas a buscar novas fazendas improdutivas, e tamb\u00e9m o trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o nos\u00a0assentamentos j\u00e1 existentes.\u00a0 Outra medida tomada foi de reduzir o custo por fam\u00edlia para no m\u00e1ximo R$ 100 mil reais, o que antes poderia chegar at\u00e9 a R$ 140 mil reais, com isto, impossibilitando a desapropria\u00e7\u00e3o de terras em algumas das regi\u00f5es do pa\u00eds como Centro Oeste, Sudeste e Sul, pois os pre\u00e7os das terras subiram muito nos \u00faltimos anos com o fortalecimento do Agroneg\u00f3cio. (<a href=\"http:\/\/terralivre.org\/2012\/05\/governo-dilma-coloca-a-reforma-agraria-em-marcha-re\/\">http:\/\/terralivre.org\/2012\/05\/governo-dilma-coloca-a-reforma-agraria-em-marcha-re\/<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Embora n\u00e3o se possa dizer com certeza quando essa crise tende a estourar, tudo leva a crer que o governo possa levar essa situa\u00e7\u00e3o, mesmo com ac\u00famulos de contradi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 a Copa de 2014, a partir de quando as coisas tendem a se complicar mais pelo agravamento e esgotamento dos mecanismos de sustenta\u00e7\u00e3o artificial do mercado, em um contexto mundial de crise que n\u00e3o encontra solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista no curto prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A consequ\u00eancia do esgotamento do ciclo de superendividamento das fam\u00edlias, das empresas e do estado seria a expuls\u00e3o imediata de milh\u00f5es de pessoas do mercado consumidor, levando imediatamente a um c\u00edrculo vicioso de queda do consumo-desemprego-queda do consumo-desemprego, etc., com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>O autoritarismo da democracia brasileira<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Presencia-se hoje no Brasil, ao contr\u00e1rio de muitos pa\u00edses europeus, um certo entusiasmo por conta de vivermos em um pa\u00eds que \u201cvai pra frente\u201d, em que todos consomem e votam; de que finalmente temos uma democracia est\u00e1vel e uma cidadania crescente. O processo s\u00f3 n\u00e3o se completou ainda porque a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol n\u00e3o \u00e9 mais a de \u201c70\u201d, mas que, a depender do PAC, ser\u00e1 hexacampe\u00e3 mundo, com Neymar eleito o melhor do planeta; afinal, \u201c\u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo\u201d, dir\u00e1 o esp\u00edrito brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, vivemos tamb\u00e9m uma cr\u00f4nica ofensa aos parcos avan\u00e7os possibilitados pelo capitalismo. Para ficarmos somente com um exemplo, para n\u00e3o nos estender muito (o que seria perfeitamente poss\u00edvel), podemos destacar a atua\u00e7\u00e3o do Estado (tanto no que diz respeito \u00e0 Uni\u00e3o quanto no que diz respeito ao Estado de S\u00e3o Paulo) no caso Pinheirinho em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: desde ent\u00e3o, as informa\u00e7\u00f5es que aos poucos v\u00e3o sendo reveladas poderiam mesmo configurar um quase perfeito Estado de Exce\u00e7\u00e3o; uma viol\u00eancia e atrocidade que n\u00e3o teria lugar, em tese, num Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas, n\u00e3o. N\u00e3o se trata de um Estado de Exce\u00e7\u00e3o. Trata-se da Democracia brasileira. Estamos falando de um pa\u00eds que diz para si e para o mundo que est\u00e1 passando por um dos melhores per\u00edodos da Hist\u00f3ria. Um pa\u00eds que entoa um mantra da consolida\u00e7\u00e3o da democracia. Perguntemos, agora: est\u00e1 errada tal afirma\u00e7\u00e3o? O mantra, ent\u00e3o, \u00e9 uma farsa? \u00c9 lament\u00e1vel, mas a resposta \u00e9 que a afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 correta mesmo e tem completa coer\u00eancia com a realidade: trata-se da democracia que o capitalismo em seu est\u00e1gio atual pode fornecer; isto \u00e9, considerando que democracia consolidada \u00e9 sin\u00f4nimo da m\u00e1xima democracia que a ordem burguesa pode apresentar num certo momento hist\u00f3rico, tudo est\u00e1 correto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O problema dessas afirma\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, \u00e9 que elas trazem consigo outra significa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam; passam a imagem, primeiramente, de que o Brasil realiza a paz social poss\u00edvel e que, portanto, tratar-se-ia de realizar pequenos ajustes no trem que deslancha. Todo esse ide\u00e1rio traz, pois, a ideia impl\u00edcita de que um processo de paz e desenvolvimento sociais s\u00e3o opostos \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 arbitrariedade estatal e \u00e0 ofensa de direitos e garantias fundamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que a realidade nos mostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em verdade, estamos falando da democracia atual, a forma assumida pelo estado capitalista \u00e0 \u00e9poca de uma crise profunda do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim sendo, primeiramente devemos nos lembrar de que a exist\u00eancia de um Estado capitalista, seja ele democr\u00e1tico ou n\u00e3o, pressup\u00f5e a exist\u00eancia de uma viol\u00eancia que tende a ser monopolizada pelo Estado. O que, por sua vez, pressup\u00f5e um certo consentimento por parte da sociedade quanto a esse monop\u00f3lio da viol\u00eancia, condi\u00e7\u00e3o sem a qual o pr\u00f3prio monop\u00f3lio estatal n\u00e3o existiria. De modo muito simples, podemos dizer que estamos frente a dois requisitos essenciais da reprodu\u00e7\u00e3o das classes sociais no capitalismo: a viol\u00eancia, que tende a ser monopolizada pelo Estado, e a ideologia dominante, que legitima o poder estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda no\u00e7\u00e3o para a qual devemos atentar \u00e9: toda garantia democr\u00e1tica individual \u00e9 profundamente dependente do pr\u00f3prio Estado capitalista. Assim, no capitalismo, n\u00e3o h\u00e1 limites individuais nos quais o Estado n\u00e3o possa penetrar. Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam a amplia\u00e7\u00e3o ou diminui\u00e7\u00e3o dos direitos e garantias fundamentais \u00e9 o processo que o Estado percorre delineando o que \u00e9 p\u00fablico ou privado e o que \u00e9 ordeiro ou subversivo. Essa \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o muito simples, mas muito pouco a ela se presta a devida aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De posse dessas no\u00e7\u00f5es, podemos mesmo ver que n\u00e3o h\u00e1 contraposi\u00e7\u00e3o entre viol\u00eancia e a democracia burguesa no atual momento hist\u00f3rico do capitalismo, bem como n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o alguma entre um Estado dito totalit\u00e1rio e sociedade capitalista. Ambas \u201ccontraposi\u00e7\u00f5es\u201d pressup\u00f5em uma viol\u00eancia estatal que se amplia ou se reduz conforme seu momento hist\u00f3rico espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E o que tem a ver a atual democracia brasileira com tudo isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trata-se de uma forma de Estado que carrega em si mesma uma aparente contradi\u00e7\u00e3o entre Democracia e Autoritarismo. Mas assim ela \u00e9 n\u00e3o porque a sociedade brasileira padece de um mal de nascen\u00e7a, mas porque a mesma faz parte de uma fase do capitalismo mundial, uma fase caracterizada por uma crise estrutural do capitalismo, desencadeada j\u00e1 desde meados da d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos falando de um Estado que age cada vez mais no seio da produ\u00e7\u00e3o capitalista para permanentemente resgatar os capitais, sob a fachada de uma gest\u00e3o t\u00e9cnica, imparcial, que, se por um lado, vai possibilitando lucro aos capitais; por outro, vai degradando os direitos e garantias fundamentais principalmente dos pobres e explorados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa Democracia, obviamente, s\u00f3 pode ser operacionalizada por uma extens\u00e3o de um controle violento, legal ou n\u00e3o, em todas as dire\u00e7\u00f5es da vida social. Devido a essa mesma extens\u00e3o, aqui o Estado tudo regulamenta e para tudo cria formas de criminalizar condutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 esta a raiz social da crescente criminaliza\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o que vive a sociedade brasileira, o que em nada \u00e9 um paradoxo para com a Democracia burguesa atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, f\u00e1cil \u00e9 concluir que as lutas contra a repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o de tudo que se oponha minimamente \u00e0 ordem vigente devem apontar para uma alternativa ao capitalismo. Este sistema tem cada vez menos a oferecer \u00e0 humanidade do ponto de vista de um desenvolvimento das potencialidades humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A repress\u00e3o e a Democracia Brasileira<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil passa j\u00e1 h\u00e1 algum tempo por uma crescente da viol\u00eancia em todos os n\u00edveis, seja por parte da pol\u00edcia, pelo crime organizado ou mesmo por parte da imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A explica\u00e7\u00e3o de um processo como esse passa pela elucida\u00e7\u00e3o de variados fatores pol\u00edticos, econ\u00f4micos e culturais. Primeiramente, para que tudo isso venha a ficar minimamente claro, tem-se de ter em vista que a onda de viol\u00eancia pela qual passa a sociedade brasileira tem ra\u00edzes j\u00e1 bastante long\u00ednquas; tanto que, se fiz\u00e9ssemos uma an\u00e1lise extremamente minuciosa, chegar\u00edamos a caracter\u00edsticas comuns entre a atualidade e a sociedade escravista brasileira. Entretanto, \u00e9 suficiente para o objetivo deste texto destacar o contexto hist\u00f3rico pelo qual passa o Brasil neste per\u00edodo de \u201credemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d da sociedade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O problema da repress\u00e3o no Brasil tem como causa mais profunda o enfrentamento pelo Estado capitalista a efeitos derivados do funcionamento do pr\u00f3prio capitalismo. A t\u00edtulo de exemplo, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para alguns problemas: espa\u00e7o urbano ca\u00f3tico, falta de moradia, falta de reforma agr\u00e1ria, insufici\u00eancia da locomo\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, desemprego, aumento da explora\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho (levando a verdadeiras m\u00e1fias de crime organizado), corrup\u00e7\u00e3o que favorece e cria o crime organizado etc.. Estes problemas, longe de serem algo moment\u00e2neo e casual, s\u00e3o estruturais e representam uma contradi\u00e7\u00e3o criada pelo pr\u00f3prio capitalismo: o capitalismo cria a promessa de todos terem acesso a condi\u00e7\u00f5es dignas de vida por meio do dinheiro; ao mesmo tempo, o mesmo capitalismo impossibilita tal realiza\u00e7\u00e3o, vez que \u00e9 pr\u00f3prio tamb\u00e9m deste sistema social realizar uma permanente exclus\u00e3o daqueles que s\u00e3o &#8220;derrotados&#8221; no mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No caso do Brasil, o desenvolvimento do modelo neoliberal aqui instalado a partir da d\u00e9cada de 90 trouxe consigo a potencializa\u00e7\u00e3o dos problemas que j\u00e1 vivia a sociedade brasileira na ditadura militar, aprofundando, pois, todos os problemas acima mencionados. Diante desses problemas, o que se fez para enfrent\u00e1-los, at\u00e9 hoje, foi: a) intensificar todo o espet\u00e1culo midi\u00e1tico da viol\u00eancia, o que gera um temor social generalizado ao mesmo tempo em que cria uma naturaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie, apontando para a solu\u00e7\u00e3o de sempre ser necess\u00e1ria uma dose a mais de repress\u00e3o; b) aumentou-se a repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, sob a alega\u00e7\u00e3o de proteger as \u201cpessoas de bem\u201d, criminalizando, ao mesmo tempo, os movimentos de contesta\u00e7\u00e3o de tal ordem social. N\u00e3o \u00e9 demais ressaltar: tudo foi feito no mesmo per\u00edodo da dita consolida\u00e7\u00e3o da ordem democr\u00e1tica brasileira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com a espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e o aumento da repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, as arbitrariedades e desmandos das institui\u00e7\u00f5es brasileiras em geral (inclusive as policiais) se intensificaram, obedecendo, obviamente, a uma l\u00f3gica classista. Esta ofensiva repressiva de vi\u00e9s classista atinge os trabalhadores em todos seus aspectos de vida, n\u00e3o somente nos locais de trabalho, mas tamb\u00e9m no dia-a-dia dos bairros perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No interior deste processo, a repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, utilizada tamb\u00e9m para reprimir todo movimento de contesta\u00e7\u00e3o, s\u00f3 confirma sua fun\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o da ordem: por um lado, aumenta a viol\u00eancia jur\u00eddico-policial sob o manto de uma pretensa \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica\u201d; por outro, intensifica a mesma repress\u00e3o contra aqueles que pretendem atacar as reais causas dos problemas. No final das contas, ao se construir a tal da seguran\u00e7a p\u00fablica por meios quase que exclusivamente policiais, o que se construiu foi um fortalecimento do aparato repressor que lembra muito pouco os sonhos de um Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A estrat\u00e9gia conjunta da burguesia vai ao sentido de difamar, condenar e militarizar a repress\u00e3o aos movimentos, com o uso muito mais pronunciado da viol\u00eancia n\u00e3o apenas contra um ou outro ativista, mas contra os movimentos como um todo. Trata-se de um endurecimento do regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas e n\u00e3o apenas da pol\u00edtica deste ou daquele governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em meio a esse conjunto de contradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deixaram de ser deflagradas lutas e manifesta\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e dos movimentos sociais em geral; seja por meio das lutas nas empresas, perante as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, nos bairros mais pauperizados, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim sendo, mais do que nunca, o desafio colocado \u00e9 justamente o de den\u00fancia e preven\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a respeito do papel e dos interesses que movem as institui\u00e7\u00f5es e o regime como um todo, chamando os trabalhadores a ficarem alertas e s\u00f3 confiarem em sua pr\u00f3pria luta e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A utiliza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e das liberdades democr\u00e1ticas m\u00ednimas concedidas obrigatoriamente pelo regime deve ser feita com o m\u00e1ximo de cuidado, pois na defesa de seus interesses o sistema n\u00e3o hesita em passar por cima de qualquer norma, haja vista o ataque que diversas comunidades est\u00e3o sofrendo devido \u00e0s constru\u00e7\u00f5es dos megaeventos (Copa e Olimp\u00edadas), onde est\u00e3o sendo feitas remo\u00e7\u00f5es \u201csum\u00e1rias\u201d \u2013 pois nem s\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o para tais a\u00e7\u00f5es os tramites jur\u00eddicos sobre a legalidade ou n\u00e3o de tais remo\u00e7\u00f5es. Nos pr\u00f3ximos anos, provavelmente presenciaremos uma das maiores ondas de despejos e \u201chigieniza\u00e7\u00e3o social\u201d pelos quais o Brasil j\u00e1 passou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante dessa nova situa\u00e7\u00e3o e considerando que as organiza\u00e7\u00f5es de luta dos trabalhadores precisam se colocar para al\u00e9m das demandas imediatas e parciais (organizando-se, inclusive, para al\u00e9m dos locais de trabalho); considerando que \u00e9 necess\u00e1rio assumir o desafio de disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores para outro projeto de pa\u00eds e de sociedade, o combate \u00e0 repress\u00e3o em suas mais diversas formas deve ser pauta de todos aqueles que lutam por uma sociedade alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Sobre a Religi\u00e3o no Brasil de hoje<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o in\u00edcio do processo de reabertura comercial no fim da d\u00e9cada de 80 o Brasil entrou na fase neoliberal do capitalismo, que se caracteriza por um n\u00edvel de mercantiliza\u00e7\u00e3o progressivamente maior que os anteriores para contrabalancear a queda na lucratividade decorrente das novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o. Este novo patamar de dom\u00ednio da forma mercadoria ensejou, entre diversas outras mudan\u00e7as mais ou menos profundas, uma transforma\u00e7\u00e3o no perfil das cren\u00e7as religiosas brasileiras \u2013 dando origem a tend\u00eancias que se desenvolvem em pleno vigor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde sua forma\u00e7\u00e3o colonial o Brasil foi um pa\u00eds predominantemente cat\u00f3lico, contando tamb\u00e9m com religi\u00f5es sincr\u00e9ticas, nas quais o catolicismo se fundia aos animismos de diferentes matizes, principalmente africanos, mas tamb\u00e9m ind\u00edgenas. No s\u00e9culo XX, o chamado espiritismo, que representa igualmente uma esp\u00e9cie singular de sincretismo concebido a partir de uma matriz positivista de pensamento, apresenta-se no pa\u00eds como uma religi\u00e3o com relevante difus\u00e3o &#8211; na qual se subsumem formas religiosas de diversas etapas hist\u00f3ricas numa reelabora\u00e7\u00e3o mais abstrata e \u201cmoderna\u201d, sem, no entanto, fazer frente \u00e0 imensa maioria cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 apenas com o maior dom\u00ednio da vida social pela mercadoria a partir da d\u00e9cada de 90 que o catolicismo passou a perder sua for\u00e7a<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ADM\/Desktop\/Para%20Site\/Documento%20Nacional%202012.rtf#_ftn1\">[1]<\/a>. Sua estrutura centralizada e rigidamente hier\u00e1rquica, que domina tanto sua burocracia como sua representa\u00e7\u00e3o do divino, encontrava maior grau de identidade com a vida social no per\u00edodo da ditadura do que na \u00e9poca das privatiza\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m a ideia de salva\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a morte e de caridade se encontra em contradi\u00e7\u00e3o cada vez mais flagrante com o imperativo da produtividade e do empreendedorismo que vem numa crescente desde o in\u00edcio deste per\u00edodo. No momento neoliberal as religi\u00f5es protestantes encontram um tecido social muito mais apto para seu desenvolvimento, a forma feudal da Igreja cat\u00f3lica rapidamente perdendo terreno para um cristianismo reformulado a partir da base empresarial<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ADM\/Desktop\/Para%20Site\/Documento%20Nacional%202012.rtf#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O maior dom\u00ednio da rela\u00e7\u00e3o social mercadoria, traz, no entanto, um aspecto que \u00e0 primeira vista pode parecer contradit\u00f3rio: ao mesmo tempo em que cresce o protestantismo, principalmente o de origem neopentecostal, no qual a gra\u00e7a divina \u00e9 identificada com a prosperidade capitalista e a pobreza com a maldi\u00e7\u00e3o e o pecado (a diferen\u00e7a principal deste em rela\u00e7\u00e3o ao protestantismo cl\u00e1ssico est\u00e1 na \u00eanfase no consumo e ostenta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e frugalidade), cresce tamb\u00e9m, especialmente entre os jovens de classe m\u00e9dia, o ate\u00edsmo e o agnosticismo, bem como a cren\u00e7a na exist\u00eancia de algo superior desvinculado de qualquer culto e identificado com a totalidade. Estas tend\u00eancias, no entanto, s\u00e3o aspectos da mesma transforma\u00e7\u00e3o social em um mundo p\u00f3s-moderno, cada vez mais dominado pelas rela\u00e7\u00f5es mercantis, onde a divindade ou \u00e9 readequada \u00e0 realidade como garantidora da prosperidade econ\u00f4mica, ou deixa de existir, ou \u00e9 completamente desnaturada de sua forma cl\u00e1ssica, assumindo uma fei\u00e7\u00e3o completamente abstrata e individualista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 V\u00e1rios dos movimentos evang\u00e9licos de nosso tempo devem ser mantidos sob a aten\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, dos partidos e da Esquerda em geral, seja pelo seu estrondoso crescimento, seja por sua j\u00e1 forte incid\u00eancia na vida pol\u00edtica brasileira, representando hoje um dos maiores meios de difus\u00e3o de ideias conservadoras e reacion\u00e1rias em nosso pa\u00eds, fazendo com que importantes discuss\u00f5es, como a do aborto, sejam vigorosamente contestadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 de causar espanto que a chamada \u201cbancada evang\u00e9lica\u201d do Congresso Nacional, que congrega membros de diversos partidos, cresce em um ritmo preocupante alcan\u00e7ando aumento de 50% na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, e contando agora com 63 deputados federais e 3 senadores. Sua atua\u00e7\u00e3o j\u00e1 barrou importantes projetos progressistas, principalmente aqueles ligados \u00e0s quest\u00f5es de afirma\u00e7\u00e3o das sexualidades, \u00e0 liberdade de culto das religi\u00f5es afro-brasileiras e o direito ao aborto. Ademais os evang\u00e9licos tem se unido \u00e0 igualmente reacion\u00e1ria \u201cbancada ruralista\u201d, totalizando com ele 170 deputados, para aprova\u00e7\u00e3o de projetos a favor do capital, como a Lei da Copa e o novo C\u00f3digo Florestal. Al\u00e9m disso, \u00e9 a bancada do Congresso que mais responde a processos penais, chegando mesmo alguns de seus membros a terem sido gravados realizando uma prece ap\u00f3s receber propina \u2013 tida por eles como uma gra\u00e7a divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com a crise profunda do capitalismo se aproximando, a quest\u00e3o evang\u00e9lica assume ainda maior import\u00e2ncia para toda a pol\u00edtica de massa revolucion\u00e1ria, passando a se impor como fato pol\u00edtico-social perante o qual a Esquerda n\u00e3o deve fechar seus olhos. Esta \u00e9 uma disputa ideol\u00f3gica essencial para mobilizar amplos setores dos explorados e oprimidos. Isso se coloca como ainda mais importante quando se conclui que podemos caminhar para uma polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 Direita como resposta \u00e0 crise no Brasil. O crescimento da religiosidade nestas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 algo perigoso, pois falsas solu\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser facilmente aceitas e, com isso, a insatisfa\u00e7\u00e3o decorrente da progressiva crise do sistema capitalista pode ser canalizada em \u00f3dio contra minorias, acusadas de causarem a crise por descumprirem a \u201clei de deus\u201d. A isso se soma o fato das neopentecostais arregimentarem seus fi\u00e9is principalmente entre os mais pauperizados, que, ao inv\u00e9s de se identificarem com sua posi\u00e7\u00e3o de classe e lutarem para uma emancipa\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es capitalistas, acabam pela via religiosa tornando-se defensores cegos do liberalismo econ\u00f4mico e, ao mesmo tempo, basti\u00f5es de um moralismo religioso que a todo tempo disputa a consci\u00eancia da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>O governo Dilma e os partidos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Dilma possui um site encarregado de expor todas as suas interven\u00e7\u00f5es e participa\u00e7\u00f5es, bem como angariar apoio, seja financeiro ou militante, para sua reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No governo Lula, o PMDB foi ganhando cada vez mais peso. No governo Dilma, obteve a vice-presid\u00eancia e minist\u00e9rios importantes, a presid\u00eancia do Senado e para 2013 tamb\u00e9m a presid\u00eancia da C\u00e2mara. Al\u00e9m disso, o PMDB negocia com mais 6 legendas para tentar dar um salto e se tornar dominante, n\u00e3o ainda para as elei\u00e7\u00f5es de 2014, mas para as de 2018, quando, dentro da l\u00f3gica de c\u00e1lculos eleitorais burgueses, se prev\u00ea que o per\u00edodo do PT possa ter se esgotado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro exemplo de partido que vem crescendo e buscando peso pr\u00f3prio \u00e9 o PSB, aliado hist\u00f3rico do PT desde a primeira tentativa de Lula a chegar \u00e0 Presid\u00eancia, em 1989, e que agora enfrenta o PT em seis capitais. Outros partidos, como o PCdoB, tamb\u00e9m querem ampliar sua for\u00e7a individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tentativa do PC do B de ganhar for\u00e7a tamb\u00e9m se mostrou na ruptura da FENTECT e forma\u00e7\u00e3o de uma nova federa\u00e7\u00e3o de sindicatos em Correios. A pr\u00f3pria forma como joga com a CTB, sem deixar de defender o governo, mas vez ou outra ensaiando algum questionamento vai ao sentido de recompor sua alian\u00e7a com o PT e a CUT em melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O governo Dilma \u00e9 um governo de unidade da burguesia, embora com contradi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 um governo que enfrenta uma oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de um setor da burguesia que apresente um outro projeto para o pa\u00eds. O governo representa o conjunto do capital que opera no Brasil: bancos, agroneg\u00f3cio, montadoras, eletroeletr\u00f4nicos, empreiteiras, transnacionais, etc., s\u00e3o igualmente beneficiados pelas pol\u00edticas do governo. Os diversos setores da burguesia apresentam exig\u00eancias pontuais ao governo, mas n\u00e3o um projeto global alternativo. No \u00e2mbito partid\u00e1rio, existe uma disputa entre os partidos por fatias do aparato do Estado, hoje controlado pelo PT em n\u00edvel nacional, mas n\u00e3o existe disputa por um projeto pol\u00edtico muito diferente. O que os partidos t\u00eam a oferecer s\u00e3o matizes em torno da gest\u00e3o do projeto, mas n\u00e3o alternativas globais que modifiquem o projeto em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pr\u00f3pria pol\u00edtica \u00e9 esvaziada de conte\u00fado propriamente pol\u00edtico, em favor da gest\u00e3o econ\u00f4mica, o que expressa uma realidade em que tudo o que os gestores do Estado podem fazer \u00e9 procurar as melhores formas de agradar o mercado. O racioc\u00ednio que se tenta vender para a classe e a popula\u00e7\u00e3o em geral tratada como eleitor-consumidor, \u00e9 o seguinte: \u201co gestor mais competente \u00e9 aquele que \u00e9 melhor para o capital, logo \u00e9 o melhor para o pa\u00eds, logo \u00e9 nesse que se deve votar\u201d. Logo, o que os partidos burgueses tentam fazer \u00e9 se mostrar como aqueles que far\u00e3o a melhor gest\u00e3o, far\u00e3o o pa\u00eds crescer, etc., como se isso fosse sin\u00f4nimo de benef\u00edcio para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dentre os partidos burgueses, o PT, que encarna a gest\u00e3o do Estado no momento, tem no centro do seu discurso a defesa da estabilidade e do crescimento alcan\u00e7ados na era Lula, que s\u00e3o o objetivo desejado tanto pela burguesia como pelos pr\u00f3prios trabalhadores, que em n\u00edvel nacional aprovam os governos do PT. O partido se comp\u00f5e de burocratas que dependem do aparato estatal e n\u00e3o representa nenhum setor em particular do capital, mas o conjunto do capital que opera no Brasil. Sua composi\u00e7\u00e3o social \u00e9 formada por burocratas de Estado, dirigentes sindicais e de ONGs, todos j\u00e1 incorporados ao projeto de gerir para o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tratamos de PT n\u00e3o podemos esquecer que \u00e9 um partido de car\u00e1ter bem definido, faz a gest\u00e3o dos neg\u00f3cios da burguesia, defende o projeto de sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, sua pol\u00edtica \u00e9 ditada pelas prioridades que garantam a melhor aplica\u00e7\u00e3o desse projeto. Assim, a maneira como se apresenta aos trabalhadores em sua composi\u00e7\u00e3o e em sua pol\u00edtica pode, algumas vezes, se diferenciar na apar\u00eancia de outras formas de governo mais explicitamente burgueses no sentido cl\u00e1ssico, mas n\u00e3o fere seus interesses centrais. Poss\u00edveis aparentes contradi\u00e7\u00f5es entre o car\u00e1ter burgu\u00eas do PT e a forma, por vezes diferenciada como aplica suas pol\u00edticas, s\u00e3o meras varia\u00e7\u00f5es na maneira de aplicar o projeto da burguesia. O peso expressivo da presen\u00e7a de mulheres no governo Dilma (das 38 pastas que comp\u00f5em o alto escal\u00e3o, 10 est\u00e3o sob responsabilidade de mulheres) \u00e9 somente mais uma dessas varia\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o representa melhora nas condi\u00e7\u00f5es de vida da mulher trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O fato de ser uma mulher na presid\u00eancia do Brasil n\u00e3o muda a rela\u00e7\u00e3o do governo federal com a luta de classes. A pol\u00edtica de alian\u00e7as, conchavos e base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Dilma n\u00e3o \u00e9 diferente de qualquer outro governo burgu\u00eas. S\u00e3o not\u00e1veis as alian\u00e7as realizadas em governos que viabilizam a contrata\u00e7\u00e3o de parentes, pessoas de sua confian\u00e7a, etc. as quais s\u00e3o aliadas e fies a seus estilos de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defesa de uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es que abarque as necessidades da mulher trabalhadora rumo a uma sociedade sem opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o projeto de sociedade apresentado pela burguesia e atualmente implementado no Brasil pelo PT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimento sindical, o PT atua como obst\u00e1culo decisivo para o desenvolvimento das lutas. Nos movimentos sociais em geral, o PT faz o trabalho de vincular a assist\u00eancia social estatal (assentamentos, moradia, bolsas, etc.) aos candidatos petistas, fazendo com que a popula\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de se organizar em torno de suas demandas para lutar, se torne dependente dessas \u201cd\u00e1divas\u201d estatais. Os pr\u00f3prios setores oper\u00e1rios que t\u00eam o PT como refer\u00eancia n\u00e3o tem mais qualquer influ\u00eancia em qualquer inst\u00e2ncia decis\u00f3ria do partido, pois em todos os n\u00edveis a pol\u00edtica da alta burocracia \u00e9 imposta de cima para baixo. Basta ver a candidatura de Haddad e a alian\u00e7a com Maluf em S\u00e3o Paulo, decididas por Lula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O PSDB representa mais especificamente os bancos e o setor financeiro em geral, com uma pol\u00edtica de exig\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o ao PT, por mais privatiza\u00e7\u00f5es e menos controle estatal, para que o Estado entregue mais diretamente o dinheiro p\u00fablico \u00e0 burguesia. O PT, por sua necessidade de sobreviv\u00eancia, precisa desviar uma parte desse dinheiro para sustenta\u00e7\u00e3o do seu aparato burocr\u00e1tico e para medidas de assist\u00eancia social. Do ponto de vista do PSDB, os gastos sociais s\u00e3o sup\u00e9rfluos, e as demandas sociais precisam ser tratadas como caso de pol\u00edcia. Uma vez que n\u00e3o tem um programa global alternativo a ser oferecido contra o PT, o PSDB tenta se distinguir por flertar com tend\u00eancias de extrema-direita. A repress\u00e3o na USP, desocupa\u00e7\u00e3o no Pinheirinho, entre outras, s\u00e3o exemplos de uma pol\u00edtica que visa agradar o setor da opini\u00e3o p\u00fablica que pede mais repress\u00e3o, dureza policial, pena de morte, etc. N\u00e3o se trata de dizer que o PSDB est\u00e1 rumando para a ultradireita, mas que est\u00e1 realizando aproxima\u00e7\u00f5es e ensaios nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar de uma s\u00e9rie de ind\u00edcios de crescimento do pensamento conservador e de extrema direita em geral, agress\u00f5es homof\u00f3bicas, discursos contra nordestinos, textos na internet, etc., n\u00e3o h\u00e1 um partido organizado da extrema direita no Brasil, com um ide\u00e1rio claramente definido e consistente. Mesmo na aus\u00eancia de um partido \u00fanico organizado de ultradireita, o fato de que alguns grupos de ultradireita estejam se colocando, apresentando posi\u00e7\u00f5es na internet e ensaiando a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas \u00e9 um fen\u00f4meno extremamente perigoso que deve nos colocar em estado de aten\u00e7\u00e3o e deve ser combatido energicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na falta de um partido de extrema direita puro e consolidado, quem acaba exercendo o papel de difundir ideias de direita, contra qualquer vest\u00edgio de pensamento ou pr\u00e1ticas socialistas, \u00e9 a pr\u00f3pria grande imprensa comercial, por meio de ve\u00edculos como a TV Globo ou a Veja, que praguejam contra as greves e qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de luta dos trabalhadores. A Veja, especialmente, tem apresentado um perfil cada vez mais caricato, pateticamente decalcado dos ve\u00edculos de direita estadunidense, com um discurso deslocado que imita porcamente o dos neoconservadores da era Bush.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os partidos burgueses no Brasil, com exce\u00e7\u00e3o do PSDB (que representa o setor mais concentrado do capital), est\u00e3o aos poucos abrindo m\u00e3o do discurso de tipo mais ideol\u00f3gico (generalizado para todos os partidos pelo fato de que o pr\u00f3prio PT assumiu o projeto das privatiza\u00e7\u00f5es, do livre mercado, etc.) e se convertendo cada vez mais em grandes condom\u00ednios de votos, identificados com pequenos e grandes caciques, locais e nacionais, siglas alugadas aos mais diversos interesses. O DEM, que sempre foi identificado com o velho latif\u00fandio, o coronelismo e a ditadura, experimenta uma relativa crise, com a migra\u00e7\u00e3o de parte dessa base social para o PSD. O PMDB vem se diluindo numa gigantesca confedera\u00e7\u00e3o de caciques, sem uma identidade program\u00e1tica nitidamente definida. E o mesmo se sucede com as pequenas legendas, como PTB, PDT, PP, PRB, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em geral, os grupos de interesse que representam a burguesia no parlamento se articulam mais na forma de bancadas que se formam temporariamente em torno de interesses concretos do que de grupos permanentes. Assim, temos a bancada ruralista (que re\u00fane os velhos latifundi\u00e1rios metamorfoseados em \u201cagroneg\u00f3cio\u201d), a bancada evang\u00e9lica, a bancada da bola, etc. Esses grupos de parlamentares votam em bloco em favor dos interesses da burguesia, como na aprova\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal (que legalizou a devasta\u00e7\u00e3o passada e futura por parte dos grileiros), na n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o do PLC 122 (que criminalizaria a homofobia, mas est\u00e1 sendo barrado por religiosos, etc.), a Lei da Copa, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>5) As Lutas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>No per\u00edodo anterior&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quanto \u00e0s lutas do proletariado, \u00e9 poss\u00edvel identificar dois momentos diferentes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No momento ascendente do ciclo (2009-2011), foram lutas que tinham possibilidades maiores de conquista, refletindo o cen\u00e1rio de forte crescimento econ\u00f4mico. Os trabalhadores viam que as empresas estavam ganhando muito e sentiam condi\u00e7\u00f5es de recobrar uma parte. A gera\u00e7\u00e3o de empregos e, ao mesmo tempo, a alta da infla\u00e7\u00e3o levava a essas lutas. Esse padr\u00e3o vigorou na iniciativa privada e em alguns setores do funcionalismo federal como judici\u00e1rios entre 2009, 2010 e at\u00e9 o primeiro semestre de 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir da 2\u00aa metade de 2011, tendo como ponto definidor as greves da CPTM, dos \u00f4nibus, dos correios, de professores em v\u00e1rios estados e dos judici\u00e1rios, vimos um n\u00edvel muito maior de endurecimento por parte do empresariado e do governo, com a tend\u00eancia de n\u00e3o conceder praticamente nada, levar os conflitos para a \u00e1rea judicial, torn\u00e1-los ilegais e a partir da\u00ed desencadear a repress\u00e3o sobre os ativistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 no final de 2011, com a repress\u00e3o sobre a ocupa\u00e7\u00e3o da USP e no in\u00edcio de 2012, com a repress\u00e3o dur\u00edssima ao Pinheirinho, essa tend\u00eancia se expressa claramente na realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De l\u00e1 para c\u00e1, praticamente todas as lutas t\u00eam levado \u00e0 repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o de ativistas, como se repetiu no caso dos estudantes da UNIFESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo em vista todo o processo de lutas, no seio do Movimento Estudantil, que se iniciou em 2007 com a aprova\u00e7\u00e3o do REUNI, onde houve uma repress\u00e3o brutal por parte do Estado, via reitorias, chegando ao absurdo de haver assembleia sendo acompanhada pela pol\u00edcia federal, se fez necess\u00e1ria uma ruptura completa, pelos setores combativos do ME, com a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, que desde os anos 90 passou a representar, paulatinamente, uma correia de transmiss\u00e3o do governo federal dentro do movimento. De l\u00e1 para c\u00e1, praticamente todas as lutas t\u00eam levado \u00e0 repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o de militantes, como se repetiu no caso dos estudantes da UNIFESP, USP, UNIR, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda com centro nos setores organizados, identificamos a tend\u00eancia de uma maior diversidade das lutas para o pr\u00f3ximo per\u00edodo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O funcionalismo p\u00fablico e os trabalhadores em geral tendem a sofrer ainda mais com a queda geral tendencial dos sal\u00e1rios e com a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tem consequ\u00eancias diretas nas lutas que tendem a aumentar e se tornar mais radicalizadas, tendo ainda o setor do funcionalismo p\u00fablico como vanguarda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devido \u00e0 enorme interven\u00e7\u00e3o do Estado para bancar o empresariado, aos cortes nas \u00e1reas p\u00fablicas para sobrar dinheiro para os investimentos a servi\u00e7o do capital, a tend\u00eancia mais prov\u00e1vel \u00e9 de que os movimentos ainda passem prioritariamente pelos setores mais organizados. Isso porque os ataques ao funcionalismo p\u00fablico n\u00e3o deixar\u00e3o outra escolha sen\u00e3o a luta. Tamb\u00e9m devido \u00e0 estabilidade, menor fragmenta\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a da esquerda organizada, no marco de uma crise ainda mediada, deve ainda continuar sendo o setor mais favor\u00e1vel para a ocorr\u00eancia de lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As greves de grandes categorias em n\u00edvel nacional tendem a enfrentar um endurecimento maior, como mostrou a greve das federais. V\u00e3o se enfrentar com dire\u00e7\u00f5es dispostas a tudo para impedir as lutas e tentar canalizar qualquer insatisfa\u00e7\u00e3o para o terreno eleitoral. Se essas lutas conseguirem furar o bloqueio das dire\u00e7\u00f5es, a tend\u00eancia \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o vai estar colocada, na medida em que enfrentem o endurecimento dos governos e da patronal e, ao mesmo tempo, as dificuldades econ\u00f4micas crescentes envolvendo a classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por\u00e9m, o dado novo \u00e9 a entrada nas lutas do proletariado do setor privado e, ainda em seu in\u00edcio, do setor industrial, com categorias importantes como transportes, constru\u00e7\u00e3o civil e outras, a partir do aumento dos ataques diretos como reestrutura\u00e7\u00f5es, demiss\u00f5es, fechamento de setores, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es que levem a demiss\u00f5es, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, recontrata\u00e7\u00e3o com menos direitos, aumento de tarefas e ritmos de trabalho, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As demiss\u00f5es devem impactar as empresas em geral e em particular os ramos de ind\u00fastria automobil\u00edstica, caminh\u00f5es e tratores, linha branca e eletrodom\u00e9sticos em geral, min\u00e9rios, constru\u00e7\u00e3o civil, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O aumento de ritmos de trabalho, a necessidade de concluir as obras do PAC (infraestrutura) e a proximidade da Copa podem e devem trazer mais lutas nas grandes obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo que o mais prov\u00e1vel para o pr\u00f3ximo per\u00edodo ainda n\u00e3o haja um ascenso, o processo de lutas pelas categorias e empresas do setor privado deve se acelerar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os movimentos populares por moradia tamb\u00e9m devem seguir aumentando suas lutas na medida em que a crise provoca tanto a dificuldade de pagar alugu\u00e9is, presta\u00e7\u00f5es, etc., como tamb\u00e9m a infla\u00e7\u00e3o vai corroendo o valor das pol\u00edticas assistencialistas, que come\u00e7am a mostrar seus limites. Soma-se ainda a isso a bolha imobili\u00e1ria que elevou o pre\u00e7o dos im\u00f3veis a n\u00edveis absurdos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m tendem a aumentar a luta pela terra de forma geral no campo, assim como as lutas ind\u00edgenas, de comunidades ribeirinhas e quilombolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso traz a tarefa de buscar a unidade entre os diversos movimentos e lutas, e que os sindicatos e demais organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores assumam e envolvam-se nessas lutas atrav\u00e9s de campanhas de solidariedade, comit\u00eas de apoio, etc. \u00c9 preciso que cada entidade sindical ou estudantil discuta e assuma as lutas dos demais setores como parte de uma mesma luta geral contra o sistema do capital e seus agentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De modo geral, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que esta situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica siga se agravando e acumulando contradi\u00e7\u00f5es at\u00e9 a Copa em 2014, a depender da realidade internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Copa, assim como o Pr\u00e9-Sal, s\u00e3o dois elementos mediadores desta realidade, pois geram um ambiente tanto de investimentos, cria\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de empregos, assim como um clima pol\u00edtico e ideol\u00f3gico. No caso da Copa, ao mesmo tempo em que media as contradi\u00e7\u00f5es imediatas, vai agravando-as\u00a0 no plano estrutural, pois o pa\u00eds sair\u00e1 da Copa bem pior do que estava antes que o governo resolvesse sedi\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de ent\u00e3o, a tend\u00eancia ser\u00e1 termos uma nova mudan\u00e7a na realidade, com um patamar muito superior de ataques e de lutas, pois as margens ter\u00e3o diminu\u00eddo ainda mais e as contas a pagar ser\u00e3o muito maiores. Isso se dar\u00e1 tamb\u00e9m a partir de quanto \u00e0 inadimpl\u00eancia tende a se fazer sentir novamente e como os efeitos dessa 2\u00aa rodada de medidas em prol do capital tendem a mostrar seu estancamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A an\u00e1lise dessa nova situa\u00e7\u00e3o deve ser assunto para a pr\u00f3xima confer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse quadro de ac\u00famulo de contradi\u00e7\u00f5es aponta para um acirramento da luta de classes, que traz novas tarefas para as quais os trabalhadores, sua vanguarda e as organiza\u00e7\u00f5es devem se reorientar. Devemos nos preparar para enfrentar os mecanismos de repress\u00e3o aos movimentos e aos ativistas em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A luta contra a repress\u00e3o aos movimentos e contra a ordem democr\u00e1tica-burguesa-repressora do capital tem que fazer parte constante da agita\u00e7\u00e3o e da propaganda da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>O surgimento de uma nova vanguarda antigovernista com inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As lutas que t\u00eam ocorrido em geral t\u00eam possibilitado, quando n\u00e3o o enfrentamento direto ao governo federal, estadual ou municipal, geralmente a alguns de seus planos ou pol\u00edticas. Assim, h\u00e1 o surgimento de um setor de vanguarda que j\u00e1 surge lutando contra o governo federal e o PT e\/ou contra as dire\u00e7\u00f5es governistas do movimento. Isso ocorre principalmente no funcionalismo p\u00fablico, mas tamb\u00e9m entre os estudantes das federais, trabalhadores dos correios, banc\u00e1rios do BB e da Caixa, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo os setores que enfrentam governos estaduais e a patronal da iniciativa privada come\u00e7am a perceber a vincula\u00e7\u00e3o de suas lutas e o governo federal como seu inimigo. Isso torna mais f\u00e1cil um discurso e campanhas pol\u00edticas que desmascare o governo Dilma e o papel das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e governistas como agentes dos patr\u00f5es e inimigos dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em professores, por exemplo, categoria que enfrenta diretamente o governo do PSDB e a vincula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas educacionais com os setores privados, \u00e9 cada vez mais percept\u00edvel o desgaste da dire\u00e7\u00e3o do sindicato e sua postura entreguista e parceira das pol\u00edticas de precariza\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o da categoria. Al\u00e9m aumenta a percep\u00e7\u00e3o de que tanto o governo estadual como o federal aplica, grosso modo, o mesmo projeto de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A nova gera\u00e7\u00e3o como setor de vanguarda dos movimentos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Temos reparado no surgimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores nas v\u00e1rias categorias em que atuamos e temos algum contato. Mesmo no Congresso da CSP-Conlutas, esse fen\u00f4meno era vis\u00edvel, a juventude, n\u00e3o apenas estudantil, tem sido a vanguarda dos movimentos e isso em grande medida por ser uma nova gera\u00e7\u00e3o na qual parcelas importantes vivenciam a contradi\u00e7\u00e3o do enorme avan\u00e7o das tecnologias e das possibilidades com a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica de suas perspectivas de vida, tanto econ\u00f4micas quanto sociais e culturais. H\u00e1 um mal estar vis\u00edvel em setores cada vez mais amplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre as caracter\u00edsticas progressivas poder\u00edamos citar que esse setor, via de regra, \u00e9 ativista, defende formas de a\u00e7\u00e3o direta, \u00e9 profundamente desconfiado das dire\u00e7\u00f5es tradicionais e da pol\u00edtica em geral, e altamente conectado \u00e0s novas tecnologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Podemos notar principalmente no movimento estudantil, mas tamb\u00e9m em outros setores como em telemarketing, trabalhadores terceirizados e tempor\u00e1rios, movimentos contra os aumentos de passagens, bem como um clima de indigna\u00e7\u00e3o e necessidade de a\u00e7\u00f5es concretas para lutar contra os ataques e a precariza\u00e7\u00e3o. Quando esses movimentos acontecem, abrem espa\u00e7o para outras reflex\u00f5es mais gerais, desde que em estreita liga\u00e7\u00e3o com as demandas concretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Suas caracter\u00edsticas problem\u00e1ticas: refletindo sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o e as lutas que travam, s\u00e3o imediatistas e muitas vezes n\u00e3o veem a possibilidade de uma mudan\u00e7a estrutural para uma nova sociedade. Sua desconfian\u00e7a das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas do movimento muitas vezes os leva tamb\u00e9m a renegar a necessidade de se organizar bem com a necessidade de construir dire\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas que se relacionem de modo construtivo e n\u00e3o burocr\u00e1tico com o movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sua experi\u00eancia com as novas tecnologias e seu poder disseminador e de organiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e at\u00e9 de algumas a\u00e7\u00f5es rel\u00e2mpagos, que j\u00e1 se manifestou, por exemplo, na Primavera \u00c1rabe, e atos rel\u00e2mpagos espont\u00e2neos os levam a n\u00e3o perceber o car\u00e1ter limitado desses meios, e que ao final tamb\u00e9m est\u00e3o sob controle da burguesia. \u00c9 necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es militantes de carne e osso, permanentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desafio est\u00e1 justamente em buscar impulsionar as lutas e experi\u00eancias progressivas deste setor, ao mesmo tempo em que travamos um combate pol\u00edtico e te\u00f3rico com as correntes que vicejam nesse ambiente e procuram manter a juventude dentro desse est\u00e1gio inicial de seu ressurgimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Movimentos de luta pela igualdade e emancipa\u00e7\u00e3o de negros, mulheres e LGBT.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com rela\u00e7\u00e3o aos movimentos pela igualdade e emancipa\u00e7\u00e3o de negros, mulheres e lgbt, \u00e9 preciso uma discuss\u00e3o de quais podem ser os eixos principais de campanha no pr\u00f3ximo per\u00edodo, como tratar desses pontos no movimento e nas suas organiza\u00e7\u00f5es, e como apresentar um corte de classe e antigovernista. As campanhas s\u00e3o fundamentais como forma de levar a discuss\u00e3o para os trabalhadores(as) de forma geral e tamb\u00e9m buscar organizar os ativistas, potencializar as discuss\u00f5es, formar coletivos que por sua vez fortale\u00e7am o trabalho em expans\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O governo Lula e posteriormente Dilma fizeram um jogo duplo. Ao mesmo tempo em que cederam algumas migalhas para esses movimentos, buscando ao mesmo tempo contemplar os interesses dos empres\u00e1rios como no caso do PROUNI, tamb\u00e9m utilizaram o poder federal, estadual e municipal para cooptar as lideran\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es via bolsas, cargos, verbas para ONG&#8217;s, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As pol\u00edticas assistencialistas em geral (bolsa fam\u00edlia, bolsa escola, leve leite, PROUNI, etc.) tiveram e ainda t\u00eam impacto sobre um setor da classe mais precarizado da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro fator \u00e9 que nos \u00faltimos anos, o crescimento econ\u00f4mico e a ascens\u00e3o moment\u00e2nea de um setor, a chamada \u201cclasse C\u201d fez com que parte das demandas desse setor fica dilu\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O novo momento da crise possibilita que isso comece a mudar, na medida em que o efeito das pol\u00edticas assistencialistas pode estar se esgotando, em um quadro de endurecimento do empresariado e do governo. Isso pode reabrir espa\u00e7os de luta e de organiza\u00e7\u00e3o que devemos acompanhar com um posicionamento claro, de classe e antigovernista. Tamb\u00e9m deve ocorrer o surgimento de uma nova vanguarda que surge j\u00e1 fazendo experi\u00eancia com a dur\u00edssima repress\u00e3o e preconceitos nas periferias, dentro das escolas e universidades, enfrentando a pol\u00edcia e ao mesmo tempo sem que as pol\u00edticas do governo atendam suas necessidades. Esse caldo de cultura tende a se fazer sentir cada vez mais daqui para frente, possibilitando o retorno do movimento negro em um outro contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, \u00e9 preciso que a esquerda de forma geral e nossa organiza\u00e7\u00e3o em particular busquem as formas de entrar em contato com esse setor, geralmente a juventude que trabalha em servi\u00e7os cada vez mais prec\u00e1rios e sem futuro, uma juventude que sente suas possibilidades serem retiradas e que pode estar disposta a lutar ou a se rebelar contra situa\u00e7\u00f5es em escolas, em bairros, favelas, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse trabalho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois se enfrenta com muitos obst\u00e1culos, como a coopta\u00e7\u00e3o pelo crime, pelas igrejas e pelas ONG&#8217;s, mas pode ser que as condi\u00e7\u00f5es para um trabalho racial de periferia estejam se recolocando. \u00c9 uma hip\u00f3tese que temos que estudar e debater.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para medir melhor essas possibilidades, a realiza\u00e7\u00e3o de campanha permanente contra o racismo e incorporando em nosso programa a defesa das cotas proporcionais, combinada com a luta geral dos trabalhadores foi uma s\u00edntese importante que a organiza\u00e7\u00e3o acumulou nesse per\u00edodo, assim como a busca de constru\u00e7\u00e3o de uma abordagem classista e antigovernista junto aos movimentos. \u00c9 preciso levar essa discuss\u00e3o \u00e0s nossas estruturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na realidade atual, fruto das nossas for\u00e7as, ganha peso uma pol\u00edtica de inserir a demanda racial como parte das demandas gerais nos movimentos e entidades em que estamos inseridos, realizando campanhas e debates contra o racismo, em defesa das cotas proporcionais, pelo resgate da identidade negra, contra a discrimina\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o dos trabalhos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deve-se ter como pol\u00edtica impulsionar um movimento pela empregabilidade dos negros com cotas proporcionais em todos os empregos gerados e em todos os setores do mercado de trabalho. Que o Estado (em todas as esferas) garanta cotas proporcionais em todos os concursos p\u00fablicos. A estrat\u00e9gia \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma corrente classista, socialista e revolucion\u00e1ria de encaminhamento das quest\u00f5es raciais em combina\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es gerais dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da mesma forma, um contexto de agravamento estrutural da crise para al\u00e9m das media\u00e7\u00f5es existentes geralmente acrescenta mais sofrimento \u00e0 j\u00e1 dif\u00edcil vida da mulher, particularmente a mulher trabalhadora. Dessa forma, tamb\u00e9m \u00e9 preciso colocar na pauta do movimento dos trabalhadores os problemas enfrentados em rela\u00e7\u00e3o a negros, mulheres e LGBT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A discuss\u00e3o deve ir para al\u00e9m do 08\/03 e do 20\/11, com campanhas que enfatizem os principais problemas como o combate \u00e0 dupla\/tripla jornada, a luta contra a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e diferencia\u00e7\u00e3o salarial, a quest\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher, pela preven\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidez na adolesc\u00eancia, a quest\u00e3o do aborto, contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o do corpo, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A prepara\u00e7\u00e3o do Dia Internacional de Luta da Mulher e do Dia da Consci\u00eancia Negra nas estruturas deve ser antigovernista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o LGBT tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que se coloque na pauta das entidades em que atuamos e do Espa\u00e7o Socialista com a promo\u00e7\u00e3o de campanhas de combate \u00e0 intoler\u00e2ncia e pela liberdade sexual. Materiais contra a homofobia, como v\u00eddeos e cadernos, devem ser feitos pelas entidades para trabalhar contra esse problema. Da mesma forma, a participa\u00e7\u00e3o nas marchas e atos propostos pelo conjunto do movimento deve buscar criar canais de comunica\u00e7\u00e3o, dessas demandas, com os trabalhadores em geral e ao mesmo tempo imprimir um car\u00e1ter de classe, antigovernista e anticapitalista a esses movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Podem surgir manifesta\u00e7\u00f5es rel\u00e2mpago contra situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o, \u00e0s quais devemos ficar atentos e participar em unidade de a\u00e7\u00e3o, mas sempre levantando o nosso programa e buscando a delimita\u00e7\u00e3o das correntes burguesas e\/ou governistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>6) Limites da esquerda em um contexto de agravamento da crise e de fal\u00eancia cada vez maior do sindicalismo imediatista t\u00eam levado \u00e0 direitiza\u00e7\u00e3o das correntes.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A crise trouxe problemas seri\u00edssimos para a esquerda em geral e para as duas maiores organiza\u00e7\u00f5es: PSOL e PSTU. At\u00e9 antes da crise ainda havia algum espa\u00e7o sen\u00e3o para novas conquistas, pelo menos para lutar de foram mais ou menos eficaz pela manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es existentes, embora com dificuldades crescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso deu origem a um tipo de ativismo de luta e antigovernista, que nos seu imediatismo aparecia aos trabalhadores como algo diferente e como uma alternativa de luta imediata que conseguia sen\u00e3o impedir, pelo menos brecar ou diminuir as perdas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi sobre esse ativismo que deu sustenta\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias chapas de luta que ganharam sindicatos e oposi\u00e7\u00f5es que cresceram dirigidas pelo PSTU, mesmo com todos os problemas. Como conclus\u00e3o desse per\u00edodo tivemos a ruptura com a CUT e forma\u00e7\u00e3o da Conlutas (CONAT).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre as oposi\u00e7\u00f5es, talvez o melhor exemplo tenha sido a Oposi\u00e7\u00e3o Alternativa (corrente de professores no interior da APEOESP), que naquele per\u00edodo era tida como exemplo de luta, democracia e conviv\u00eancia entre as correntes de esquerda, impulsionando lutas que conseguiam, sen\u00e3o avan\u00e7ar em direitos, pelo menos barrar v\u00e1rios ataques que vinham da parte do governo. Isso tamb\u00e9m se refletia em outros setores que eram espa\u00e7os de luta e organiza\u00e7\u00e3o como o MNOB em seu in\u00edcio e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, conforme a crise se manifestou, a partir de 2009, temos visto uma mudan\u00e7a na postura dessas correntes, e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. A crise cobra respostas muito mais avan\u00e7adas e profundas em todos os sentidos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a) No endurecimento da patronal que busca fazer cortes mais duros e mais concentrados, como demiss\u00f5es, bancos de hora, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e direitos. Esse endurecimento da patronal e dos governos requer da parte dos trabalhadores lutas mais fortes e m\u00e9todos mais radicalizados;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b) A crise coloca em disputa projetos de sociedade, pois os ataques n\u00e3o s\u00e3o meras escolhas do empresariado. Representam necessidades para a manuten\u00e7\u00e3o de um sistema em crise estrutural. A n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o dos ataques s\u00f3 tem sentido se for parte consciente de uma luta maior para ir al\u00e9m da l\u00f3gica do lucro e da explora\u00e7\u00e3o, da competi\u00e7\u00e3o entre as empresas, etc. Sem essa compreens\u00e3o maior, as lutas que n\u00e3o conseguem resultados imediatos perdem seu sentido para os trabalhadores. Da\u00ed o esvaziamento tamb\u00e9m das inst\u00e2ncias e espa\u00e7os de milit\u00e2ncia dessas entidades e correntes, o que acarreta o acirramento da disputa entre as correntes. A falta de trabalho pol\u00edtico e ideol\u00f3gico (no sentido da disputa de ideias e de projetos) cobra aqui o seu pre\u00e7o alt\u00edssimo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c) A amplia\u00e7\u00e3o das lutas para outros setores com o objetivo de expandir as li\u00e7\u00f5es, e o avan\u00e7o das lutas da organiza\u00e7\u00e3o e da consci\u00eancia dos trabalhadores \u00e9 uma necessidade cada vez mais urgente;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 d) A prioridade na disputa pelos aparatos em detrimento do trabalho de base e pela unidade e avan\u00e7o do movimento como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A crise atinge em cheio uma esquerda presa a uma s\u00e9rie de limita\u00e7\u00f5es em sua atua\u00e7\u00e3o, que de certa forma expressam seu alto grau de adapta\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de lutas, consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o de d\u00e9cadas anteriores. Expressa ao mesmo tempo a adapta\u00e7\u00e3o ao regime da Democracia Burguesa, advindo com a queda da ditadura e ao mesmo tempo uma adapta\u00e7\u00e3o social de seus quadros e dire\u00e7\u00f5es aos aparatos sindicais, estudantis e partid\u00e1rios. Isso tudo faz com que essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o estejam \u00e0 altura desses novos desafios. Os primeiros epis\u00f3dios mais duros, j\u00e1 em 2009, mostraram isso claramente, como no processo de mais de 4 mil demiss\u00f5es na Embraer, e neste ano, a pol\u00edtica na Ocupa\u00e7\u00e3o do Pinheirinho, e agora novamente, tudo indica que v\u00e1 se repetir no caso das demiss\u00f5es na GM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro fator que prejudicou ainda mais a atua\u00e7\u00e3o do PSTU com sua pol\u00edtica e concep\u00e7\u00e3o limitadas de interven\u00e7\u00e3o foi que as dire\u00e7\u00f5es governistas assumiram mais claramente seu posicionamento, passando a realizar uma disputa muito mais intensa de ideias e fechando os espa\u00e7os, apoiando-se na popularidade do governo Lula e numa situa\u00e7\u00e3o em que o pa\u00eds parecia estar dando certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A falta de um projeto alternativo por parte do PSTU que possibilitasse a disputa da consci\u00eancia dos trabalhadores levou a perdas de militantes e afastamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso porque essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem romper com todo um padr\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o anterior. Come\u00e7ar um processo de disputa a fundo da consci\u00eancia dos trabalhadores, ao mesmo tempo propondo formas e objetivos de luta mais avan\u00e7ados, na pior das hip\u00f3teses poderia fazer com que perdessem esses aparatos, seja pela viola\u00e7\u00e3o da legalidade, seja por se chocarem com a consci\u00eancia atrasada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas mesmo se conseguissem resultados positivos, essa ruptura com os m\u00e9todos passados levaria a uma ampla participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores que tamb\u00e9m questionariam as posi\u00e7\u00f5es de controle, acomoda\u00e7\u00e3o e privil\u00e9gios do partido e tamb\u00e9m seus militantes na rela\u00e7\u00e3o com os aparatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, a reforma dessas organiza\u00e7\u00f5es no sentido de que possam vir a representar alternativas vi\u00e1veis e de organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos trabalhadores \u00e9 imposs\u00edvel. Trata-se de uma defici\u00eancia estrutural que se em algum momento vier a ser tocada, levar\u00e1 a rachas importantes, pois uma parte importante de seus quadros e dirigentes j\u00e1 est\u00e3o completamente adaptados e n\u00e3o aceitar\u00e3o essa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>7) Nossa Atua\u00e7\u00e3o e Possibilidades<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>A necessidade da disputa pol\u00edtica e de ideias junto aos trabalhadores<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pol\u00edtica necess\u00e1ria \u00e0 disputa entre o projeto dos trabalhadores e o projeto do capital. Nos movimentos e entidades que participamos os desafios n\u00e3o s\u00e3o apenas a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a luta contra as press\u00f5es imediatistas e rebaixadas da consci\u00eancia m\u00e9dia da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A burguesia tem a seu favor o fato de que dentro da l\u00f3gica do capital realmente n\u00e3o h\u00e1 outras sa\u00eddas para o problema da crise a n\u00e3o ser radicalizar as tend\u00eancias destrutivas do capital, tanto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o do trabalho dos povos como da natureza aos imperativos do lucro, no sentido de que mais fatias do capital encontrem lucratividade satisfat\u00f3ria e dessa forma tornem-se vi\u00e1veis no mercado mundial, podendo se reproduzir. Assim, para que se garantam os empregos, primeiro devem ser garantidos os interesses do capital financeiro e s\u00f3 ent\u00e3o por via indireta e muito parcialmente os interesses dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O problema \u00e9 que justamente para que o capital possa se tornar lucrativo a taxas satisfat\u00f3rias, precisa hoje de um n\u00edvel de destrui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas e da natureza que levar\u00e1 \u00e0 exclus\u00e3o de milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas do n\u00edvel m\u00ednimo de consumo necess\u00e1rio para sua sobreviv\u00eancia. Dessa forma, h\u00e1 uma flagrante contradi\u00e7\u00e3o, pois, se para tornar a ind\u00fastria e o pa\u00eds vi\u00e1vel \u00e9 preciso cortar custos com m\u00e3o de obra e cortar impostos justamente para que depois se melhore para todos, por outro lado a ado\u00e7\u00e3o dessas medidas trazem perdas enormes para os trabalhadores. Al\u00e9m disso, e de acordo com as experi\u00eancias anteriores, no momento dos lucros apenas uma pequena parcela dos trabalhadores ganhar\u00e1 alguma coisa. J\u00e1 no momento de crise, as perdas s\u00e3o socializadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse n\u00f3 precisa ser desatado. N\u00e3o h\u00e1 ganhos para os trabalhadores em se aceitar os pressupostos do capital. Ao contr\u00e1rio, o que se precisa \u00e9 justamente a luta para quebrar essa l\u00f3gica, rumo a uma outra sociedade em que o objetivo n\u00e3o seja o lucro, mas a realiza\u00e7\u00e3o das necessidades dos trabalhadores em equil\u00edbrio com o ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois a burguesia conta com a vantagem de que o sistema funciona em base a esses pressupostos e \u00e9 sempre mais c\u00f4modo buscar sa\u00eddas por dentro do sistema do que a ruptura com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda apor cima, temos o fato de que se perderam os referenciais de luta por outra sociedade, principalmente com a queda dos regimes do Leste Europeu. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o papel das dire\u00e7\u00f5es do movimento amplamente ligadas ao governismo e \u00e0 parceira com as empresas, que investem o tempo todo no discurso da parceria com os patr\u00f5es e na preserva\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo de investimentos nas plantas de produ\u00e7\u00e3o, em troca de aceitarem retiradas de direitos e precariza\u00e7\u00e3o dos contratos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por \u00faltimo, temos o problema de que a esquerda de forma geral encontra-se profundamente dividida, com um grau de adapta\u00e7\u00e3o aos aparatos e \u00e0 democracia burguesa, e por que n\u00e3o dizer, ao pr\u00f3prio sistema, que s\u00e3o resultados dos anos 80, em que a classe conseguiu obter conquistas dentro do capitalismo, predominando um discurso e pr\u00e1tica ofensivos, mas no marco das reformas, expressas: nas liberdades democr\u00e1ticas para lutar, no n\u00edvel de lutas existentes, a maioria vitoriosas, na politiza\u00e7\u00e3o da sociedade e na exist\u00eancia ainda de estados que apareciam como alternativa ao capitalismo, ainda que j\u00e1 bastante alternativas, nos acordos coletivos conquistados, na constituinte. Esse padr\u00e3o permaneceu nos anos 90 e 2000, em que mesmo perdendo grande quantidade desses direitos, ainda n\u00e3o o foram no ritmo que agora enfrentamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir, por\u00e9m, da emerg\u00eancia da crise, podemos dizer que a esquerda de forma geral n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 altura dos acontecimentos, pois se encontra marcada por um padr\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha defasado desde os anos 90, e que a partir da crise de 2009 mostra sua fal\u00eancia completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A luta imediata deve ser acompanhada de uma campanha permanente de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica e de propaganda sobre setores os mais amplos poss\u00edveis dos trabalhadores e da vanguarda, no sentido de apontar uma estrat\u00e9gia program\u00e1tica e ideol\u00f3gica para a luta dos trabalhadores, uma estrat\u00e9gia de ruptura com a l\u00f3gica capitalista, de passagem do controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o e da sociedade como um todo para as m\u00e3os dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso apontar um caminho de unidade da classe de forma que as lutas de cada setor sejam apoiadas e consideradas com partes da mesma luta, e n\u00e3o como v\u00e1rias lutas diferentes. A divulga\u00e7\u00e3o, solidariedade, e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica junto \u00e0s lutas e todo o esfor\u00e7o para que os demais trabalhadores assim o entendam \u00e9 fundamental e deve estar entre as principais preocupa\u00e7\u00f5es de uma organiza\u00e7\u00e3o que se pretende revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Preparar-nos e preparar os trabalhadores para lutas mais acirradas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tend\u00eancia das lutas \u00e9 cada vez mais para o acirramento, e para isso a vanguarda deve se preparar. Deveremos ter movimentos mais radicalizados e com m\u00e9todos mais duros de luta. Podem existir a\u00e7\u00f5es de vanguarda mais radicalizadas com respaldo em setores de massa ainda que minorit\u00e1rios. Isso porque a classe como um todo e as categorias sofrem hoje de grande fragmenta\u00e7\u00e3o e heterogeneidade, com a exist\u00eancia de muitos setores dentro de uma mesma categoria. Al\u00e9m disso, como a pol\u00edtica das dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 de impulsionar a unidade, muitas vezes o que vemos s\u00e3o lutas em que apenas alguns setores conseguem ter for\u00e7a suficiente para passar por cima das dire\u00e7\u00f5es ou explorar nichos em que elas s\u00e3o mais d\u00e9beis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dessa forma, temos que estar preparados para essas possibilidades e, ao mesmo tempo, tomarmos cuidado tanto para n\u00e3o sermos retaguarda e acabarmos jogando contra essas lutas, como muitas vezes tem feito o PSTU, acomodado ao padr\u00e3o anterior, mas tamb\u00e9m para n\u00e3o sermos ultraesquerdistas e capitular \u00e0s press\u00f5es de setores do movimento que muitas vezes querem realizar a\u00e7\u00f5es ousadas demais pelo tamanho do movimento. Na situa\u00e7\u00e3o que tende a se prolongar daqui pra frente, com o n\u00edvel de endurecimento aumentando, t\u00e1ticas sem respaldo pelo menos em algum setor de massas podem ser destrutivas para a vanguarda. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso ter an\u00e1lise da realidade para se saber o momento de bater e o momento de se recuar, sob pena de ficar exposto e isolado, tornando-se um alvo f\u00e1cil para a repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos em uma etapa de reconstru\u00e7\u00e3o do movimento e de sua consci\u00eancia e formas de organiza\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que as formas anteriores ainda atuam. A quest\u00e3o fundamental \u00e9 procurar ir al\u00e9m dos limites das formas tradicionais de luta e organiza\u00e7\u00e3o. Mais importante do que vit\u00f3rias imediatas (cada vez mais raras na etapa daqui por diante) s\u00e3o os avan\u00e7os que se conquiste no campo da educa\u00e7\u00e3o das lutas e formas de organiza\u00e7\u00e3o, bem como os saltos de consci\u00eancia. Essas s\u00e3o as \u00fanicas coisas que podem ser de alguma forma cumulativas, embora tamb\u00e9m tenham seus momentos de salto necess\u00e1rios e como parte de um processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, a interven\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o deve estar a servi\u00e7o dessa estrat\u00e9gia maior: do impulso \u00e0s lutas e \u00e0s v\u00e1rias formas de organiza\u00e7\u00e3o de base para lutar, da unidade com parte disso, a disputa pol\u00edtica e de ideias e de projetos para a sociedade, da luta contra as formas de controle e dom\u00ednio do capital pela via da democracia burguesa, da justi\u00e7a e do aumento da repress\u00e3o sobre os trabalhadores e pelo direito dos trabalhadores lutarem por seus direitos. A luta para organizar os ativistas mais ativos e conscientes em grupos ou colaterais do Espa\u00e7o, e acima de tudo a lutas para ganhar os melhores para o Espa\u00e7o Socialista deve ser o conjunto das nossas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A disputa de projetos e pol\u00edticas para a realidade das lutas de classe e para os desafios que devem aumentar daqui para frente implicam tamb\u00e9m uma profunda e saud\u00e1vel luta de tend\u00eancias, que deve, por\u00e9m se dar dentro do marco da luta e dos desafios postos pela realidade, nunca transformando a luta de tend\u00eancias num objetivo em si mesmo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deixando de realizar a luta para recompor a consci\u00eancia da classe. A pol\u00eamica com o PSTU, por ser a corrente majorit\u00e1ria no interior dos movimentos, por ser uma organiza\u00e7\u00e3o que se apresenta como um partido revolucion\u00e1rio e por apresentar desvios cada vez mais problem\u00e1ticos, faz parte das nossas preocupa\u00e7\u00f5es, mas outras organiza\u00e7\u00f5es como o PSOL e tamb\u00e9m setores de ultra esquerda, quando se coloque dependendo do caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso exigir\u00e1 cada vez mais a discuss\u00e3o mais precisa da realidade, dos desafios colocados e de como combinar esses desafios, tanto os imediatos como as formas concretas de impulsionar uma luta no local de trabalho, como os mais abstratos e complexos como a pol\u00edtica para uma categoria nacional ou mesmo para uma luta geral de todos os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Desafios Gerais:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 1) Impulsionar as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, combinadas com lutas e organiza\u00e7\u00e3o de f\u00f3runs de base das categoria e para al\u00e9m destas intercategorias, com\u00a0 a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Busca de unidade pela base e para lutar com as demais correntes do movimento e com os demais ativistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Integrar as demandas e lutas pela igualdade e emancipa\u00e7\u00e3o de negros, mulheres e lgbt nas atividades e organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2) Realizar um trabalho permanente de den\u00fancia de que os v\u00e1rios problemas que afetam os trabalhadores t\u00eam sua raiz no sistema capitalista, o poder das empresas baseado no lucro e na explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, nos seus agentes dos governos, congresso, justi\u00e7a, for\u00e7as armadas e na necessidade de que os trabalhadores apontem uma alternativa e um programa m\u00ednimo e uma alternativa de poder ao sistema do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como parte desse desafio, realizar no movimento atividades de forma\u00e7\u00e3o e propaganda junto aos trabalhadores e ativistas, no dia a dia e durante as lutas em que se combinem as atividades do movimento com as atividades de forma\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 3) Campanha permanente pelos direitos democr\u00e1ticos de os trabalhadores lutarem, e contra a repress\u00e3o aos movimentos sociais e em defesa do direito de greve, atrav\u00e9s de atos, panfletagens e den\u00fancias nos movimentos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 4) Buscar impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o de grupo de atua\u00e7\u00e3o ou colaterais ligados ao Espa\u00e7o Socialista e que atuem conosco, dando maior resson\u00e2ncia e for\u00e7a \u00e0 nossa pol\u00edtica tirada em di\u00e1logo constante com esses grupos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>Explorar a fundo as novas possibilidades!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A realidade da crise tem ao mesmo tempo colocado dificuldades, mas tamb\u00e9m possibilidades para uma forma de interven\u00e7\u00e3o, que se for acompanhada por uma dose maior de energia e organiza\u00e7\u00e3o da nossa parte pode fazer com que demos um salto, n\u00e3o apenas na nossa constru\u00e7\u00e3o, mas que possamos ser o elemento catalisador de uma aproxima\u00e7\u00e3o de setores descontentes com a interven\u00e7\u00e3o das principais correntes e que estejam em busca de uma alternativa que fa\u00e7a frente aos novos desafios postos pela crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dentro disso, ganha peso o Bloco de Interven\u00e7\u00e3o dentro e fora da CSP-Conlutas, formado com o MR e demais frentes de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda estamos na etapa de aproxima\u00e7\u00f5es e atua\u00e7\u00f5es conjuntas, sem estar colocada a fus\u00e3o de um grupo de correntes, mas essa etapa de aproxima\u00e7\u00e3o, trabalho conjunto e busca de rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a m\u00fatua podem ser muito importantes se a realidade se acirrar ainda mais e colocar as condi\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o de uma nova organiza\u00e7\u00e3o nacional e at\u00e9 internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da\u00ed tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de que tenhamos um plano de interven\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o dos setores de vanguarda pr\u00f3ximos das nossas posi\u00e7\u00f5es e um salto na constru\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Socialista, como forma de que possamos cumprir esse papel te\u00f3rico-pol\u00edtico-program\u00e1tico e organizativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <b>PONTOS PRINCIPAIS DE PROGRAMA:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o aumento da explora\u00e7\u00e3o e das demiss\u00f5es acontecendo em todas as empresas, defendemos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666 Barrar na luta as demiss\u00f5es! Diante de amea\u00e7as de demiss\u00e3o, recorrer \u00e0 greve, se poss\u00edvel dentro da f\u00e1brica, com envolvimento das comunidades locais nos sentido de barrar as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666 Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666 Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea\u00e7arem fechar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666 Reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e aumento real dos sal\u00e1rios; defesa (e aumento) dos direitos e (melhoria das) condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale, Embraer, aeroportos e demais empresas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Que a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal seja feita por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores! Expropria\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio sob controle dos trabalhadores! Rumo ao fim da propriedade privada! Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666O PAC e outros planos de obras p\u00fablicas governistas e em prol dos interesses do capital n\u00e3o resolvem as necessidades dos trabalhadores como moradia, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte, etc. Como alternativa, apresentamos a proposta de Plano de Obras P\u00fablicas decidido e sob controle trabalhadores. Para financiar esse plano, defendemos o n\u00e3o pagamento das d\u00edvidas interna e externa e o corte dos privil\u00e9gios de pol\u00edticos, ju\u00edzes,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Expropriar os im\u00f3veis usados para lucro da burguesia e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores! Um grande plano de moradias populares! Fim do financiamento p\u00fablico para condom\u00ednios de luxo e utiliza\u00e7\u00e3o dessa verba em moradias populares! Indeniza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, isen\u00e7\u00e3o de impostos e moradia para todas as v\u00edtimas de enchentes e deslizamentos! Por um plano de obras p\u00fablicas que priorize o saneamento e a despolui\u00e7\u00e3o de rios e lagos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Investimento em transporte p\u00fablico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666A luta pelos pontos acima e a constru\u00e7\u00e3o dos organismos prolet\u00e1rios adequados a essa tarefa necessariamente se chocam com a estrutura do Estado burgu\u00eas e exigem a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder pol\u00edtico e social da classe trabalhadora. A classe trabalhadora precisa criar seus pr\u00f3prios organismos de luta, que sejam os embri\u00f5es de novos mecanismos de administra\u00e7\u00e3o, capazes de reorganizar a produ\u00e7\u00e3o social em bases racionais, tendo em vista o atendimento das necessidades humanas e a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais emancipadas. Esses organismos devem ter como princ\u00edpios a independ\u00eancia de classe, a democracia oper\u00e1ria, a participa\u00e7\u00e3o da base, a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e a disputa ideol\u00f3gica, e ter como tarefa impulsionar um processo de ruptura revolucion\u00e1ria contra a sociedade capitalista, pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2666Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta! Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\"><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ADM\/Desktop\/Para%20Site\/Documento%20Nacional%202012.rtf#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ver dados do desenvolvimento das religi\u00f5es no Brasil em <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/infograficos\/censo-religiao\/\">http:\/\/oglobo.globo.com\/infograficos\/censo-religiao\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ADM\/Desktop\/Para%20Site\/Documento%20Nacional%202012.rtf#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liga\u00e7\u00e3o entre a forma empresarial e as religi\u00f5es neopentecostais \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia a ponto de serem not\u00edcia de jornal. Ver <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2011\/09\/110825_religiao_evangelicals_pai.shtml\">http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2011\/09\/110825_religiao_evangelicals_pai.shtml<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Documento nacional A4 para red social.pdf \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/MINIATURA DOc Nacional 2012.jpg \" width=\"180\" height=\"242\" style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); \" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1399,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions\/1399"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}