{"id":3699,"date":"2015-02-12T08:05:42","date_gmt":"2015-02-12T10:05:42","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3699"},"modified":"2015-02-12T08:05:42","modified_gmt":"2015-02-12T10:05:42","slug":"jornal-75-o-papel-destruidor-do-machismo-na-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/02\/jornal-75-o-papel-destruidor-do-machismo-na-esquerda\/","title":{"rendered":"Jornal 75 &#8211; O PAPEL DESTRUIDOR DO MACHISMO NA ESQUERDA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nQuanto tempo leva para mulheres se aproximarem da luta contra a opress\u00e3o e pela transforma\u00e7\u00e3o social? Quanto tempo leva para mulheres terem consci\u00eancia de que o machismo est\u00e1 em toda parte e que deve ser combatido intensamente junto com o combate \u00e0 sociedade de explora\u00e7\u00e3o?<br \/>\nCertamente levam muitos anos e poderiam ser ainda mais se n\u00e3o houvesse a marca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de grandes lutadoras, guerreiras, m\u00e3es, irm\u00e3s, camaradas, companheiras e muitos etceteras, que superaram em alguma medida a submiss\u00e3o, de toda forma, imposta pelo grupo familial e pelo condicionamento do processo de vida social se dispondo a lutar contra a inferioriza\u00e7\u00e3o social, pela vida e por direitos na sociedade competitiva e desumana do capital.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o de mulheres em espa\u00e7os p\u00fablicos foi um direito negado desde os prim\u00f3rdios do sistema capitalista, com o impedimento dos direitos pol\u00edticos. E a luta feminista se fez presente historicamente e certamente o far\u00e1 at\u00e9 o fim da sociedade patriarcal, capitalista, machista, racista e homof\u00f3bica.<br \/>\nA luta pela igualdade de direitos (pol\u00edtico, social e econ\u00f4mico) sempre foi a raz\u00e3o de exist\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. E a luta para que a classe trabalhadora assuma o controle da vida social para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade comunista sempre foi a raz\u00e3o do viver de mulheres e homens que tomaram em suas m\u00e3os a luta contra as injusti\u00e7as e por uma vida cheia de sentido.<br \/>\nNo entanto, tem sido cada vez mais frequente nos depararmos com situa\u00e7\u00f5es ou den\u00fancias \u2013 de humilha\u00e7\u00e3o, de tentativa de massacre, viola\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o (f\u00edsica, ps\u00edquica, etc.) e de dom\u00ednio, das mais variadas formas \u2013 de determinados homens da esquerda sobre as mulheres, especialmente lutadoras. Tudo isso funciona, exatamente, em sentido oposto \u00e0s nossas lutas hist\u00f3ricas e realiza os interesses da sociedade opressora e desumana a qual almejamos destruir.<br \/>\n\u00c9 inconceb\u00edvel que organiza\u00e7\u00f5es de Esquerda (incluem-se aqui coletivos, movimentos, partidos, entidades de classe, etc.) silenciem diante dessas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o combatam e contribuam para que o machismo, na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, amordace, enfraque\u00e7a e fa\u00e7a desistir da luta, contra a opress\u00e3o e contra o sistema opressor, valiosas lutadoras.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 verdade que paira sobre o feminismo de esquerda o romantismo e o idealismo de que os militantes ou ativistas est\u00e3o imunes ao machismo. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade que a esquerda de conjunto defenda o fim do machismo somente no socialismo. Esses discursos n\u00e3o cabem no debate franco e honesto de quem quer o fim da sociedade de classes, da mis\u00e9ria e da hipocrisia burguesa.<br \/>\nLutamos pelo fim do machismo hoje porque mata mulheres todos os dias, enfraquece para a vida e tira do caminho da luta.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A PR\u00c1TICA QUE DIVIDE E AGRIDE PARA N\u00c3O FORTALECER<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA luta por uma sociedade livre requer de n\u00f3s o p\u00e9 na realidade, mas, tamb\u00e9m na potencialidade. N\u00e3o d\u00e1 para esperar o socialismo para come\u00e7armos a desconstruir o machismo. N\u00e3o aceitamos confiar vidas na luta de classes \u00e0queles que poder\u00e3o nos apunhalar pelas costas a qualquer momento, j\u00e1 que possuem a trajet\u00f3ria de compactuar com o sistema opressor. Cabe ainda a cada militante ou ativista de esquerda travar essa luta consigo pr\u00f3prio, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 imune, e n\u00e3o contribuir para fortalec\u00ea-lo com o aval de quem luta.<br \/>\nInfelizmente as den\u00fancias ou situa\u00e7\u00f5es de pr\u00e1ticas machistas nos espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o da esquerda t\u00eam demonstrado algumas peculiaridades, ao inv\u00e9s de j\u00e1 terem sido abolidas:<br \/>\nUma delas, podemos afirmar, est\u00e1 relacionada \u00e0 conduta da virilidade, ou seja, da necessidade de plateia e do reconhecimento. Mant\u00e9m o discurso da for\u00e7a, da superioridade de seu conhecimento cient\u00edfico, de seu racioc\u00ednio l\u00f3gico e, \u00f3bvio, totalizante e, portanto, tem que ensinar a mulher a ser mulher e a como o feminismo tem que ser. Mas, quando \u00e9 chamado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, de imediato, diz que a mulher lutadora tem que reeduc\u00e1-lo sen\u00e3o cumpre um desservi\u00e7o \u00e0 luta de classes.<br \/>\nOutra, \u00e9 a j\u00e1 habitual necessidade de classificar a mulher lutadora, isto \u00e9, alguns homens preocupados em dividir a luta das mulheres se apossam de termos e os carregam de sentidos de acordo com o seu pr\u00f3prio momento ofensivo ou de acordo com o seu n\u00edvel de preconceito. Dizem: \u201c\u00e9 feminista radical\u201d ou \u201c\u00e9 feminazi\u201d, \u201c\u00e9 feminista n\u00e3o radical\u201d. Para alguns homens as \u201cfeministas n\u00e3o radicais\u201d seriam aquelas que lutam pelos direitos das mulheres, mas pelos direitos que esses homens concordam que s\u00e3o os direitos das mulheres. J\u00e1 as \u201cfeminazi\u201d ou \u201cfeministas radicais\u201d, para eles, seriam aquelas que defendem a misandria (\u00f3dio ao homem) e que buscam extermin\u00e1-los.<br \/>\nMas, sabemos muito bem que, al\u00e9m de n\u00e3o ser poss\u00edvel um oprimido oprimir seu opressor, a inten\u00e7\u00e3o do feminismo n\u00e3o \u00e9 exterminar o sexo masculino e sim desconstruir o machismo estrutural em nossa sociedade.<br \/>\nEssa classifica\u00e7\u00e3o demonstra a falta de conhecimento hist\u00f3rico da trajet\u00f3ria de luta das mulheres e n\u00e3o tem servido em nada para fortalecer a luta das mulheres, do feminismo de esquerda e nem dos ditos \u201cpr\u00f3-feministas\u201d.<br \/>\nQuanto ao termo \u201cfeminazi\u201d, criado por um apresentador da direita radical americana, n\u00e3o tem nada a ver com o sentido dado atualmente: Para ele, era um termo apropriado para a feminista cuja maior import\u00e2ncia residia na luta pelo alto n\u00famero de abortos. O termo justificava a necessidade do terror contra o aborto e contra a sua legaliza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 de conhecimento geral de todo militante e ativista que conhece, minimamente, de hist\u00f3ria que o nazismo perseguiu \u00e0 morte as feministas. N\u00e3o cabe o termo nem para desqualificar a luta por direitos.<br \/>\nNo entanto, \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer que j\u00e1 h\u00e1 anos nos deparamos com esse insistente discurso de fragmenta\u00e7\u00e3o e que, constantemente, est\u00e1 associado ao discurso do fim da luta de classes. E tamb\u00e9m h\u00e1 anos nos definimos pelo feminismo anticapitalista, classista, antigovernista e de esquerda, ou seja, para n\u00f3s, isso \u00e9 ser radical: querer o fim do patriarcado, da sociedade de classes e lutar pelo socialismo em todas as esferas de nossas vidas.<br \/>\nPor outro lado, o termo \u201cfeminismo n\u00e3o radical\u201d, para algumas de n\u00f3s da esquerda, seria uma diferencia\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria quanto ao feminismo pr\u00f3prio do ativismo da mulher burguesa ou reformista, pois est\u00e1 atrelado aos governos da burguesia ou atrelado aos governos que gerenciam o capital a favor da taxa de lucro em detrimento da vida de muitas. Faz-se de cego, age por conveni\u00eancia e abre m\u00e3o facilmente da luta por direitos \u00e0s mulheres da classe trabalhadora.<br \/>\nDecerto, a milit\u00e2ncia ou o ativismo anticapitalista e classista n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e, mais ainda, requer aprendizagem cotidiana na atua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e na busca da forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica na tentativa de uma pr\u00e1xis transformadora. Contudo, para as mulheres da classe trabalhadora \u00e9 ainda mais dif\u00edcil, devido a toda press\u00e3o do modo de vida capitalista (machista, racista e homof\u00f3bico), insistentemente apresentada nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e devido a toda a opress\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de mulheres nas lutas \u00e9, verdadeiramente, uma provoca\u00e7\u00e3o ao capital. N\u00e3o haver\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e\/ou social sem que mulheres participem de sua constru\u00e7\u00e3o. Silenciar e compactuar com situa\u00e7\u00f5es ou querer silenciar ou excluir ou humilhar ou agredir ou estuprar qualquer mulher \u00e9 contrarrevolucion\u00e1rio, somos pela vida da mulher e pela unidade da classe trabalhadora.<br \/>\nAs pr\u00e1ticas machistas v\u00e3o ao sentido contr\u00e1rio da necessidade de humanizar o cotidiano, de negar a opress\u00e3o e impede a luta. Nenhuma mulher da classe trabalhadora pode ficar para tr\u00e1s! Nenhuma camarada de luta ficar\u00e1 para tr\u00e1s! Solidariedade total!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">FORTALECER PARA A LUTA TEM QUE SER SA\u00cdDA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u00c9 necess\u00e1rio, cada vez mais, o fortalecimento do feminismo de esquerda que luta contra a sociedade da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o! Algum desvio de concep\u00e7\u00e3o por parte de alguma lutadora deve ser trabalhado de forma a fortalecer as suas potencialidades e n\u00e3o destru\u00ed-la. \u00c9 necess\u00e1rio o recrudescimento \u00e0s pr\u00e1ticas machistas na esquerda e aos machistas que se apossam dos espa\u00e7os da esquerda. N\u00e3o contribuem com a luta contra a opress\u00e3o e imp\u00f5em o afastamento ou a desist\u00eancia das que lutam! Machistas n\u00e3o passar\u00e3o!<br \/>\nAos militantes ou simpatizantes do Espa\u00e7o Socialista que adotam tais pr\u00e1ticas, como ocorrido recentemente, chamamos \u00e0 autocr\u00edtica e a reflex\u00e3o sobre a incompletude e as contradi\u00e7\u00f5es de cada para que possamos manter as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Que destruamos o capitalismo e fortale\u00e7amos a luta!<br \/>\nN\u00e3o somos burras! N\u00e3o somos nazistas! Somos lutadoras! Rep\u00fadio a todos que buscam a destrui\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia ou do ativismo feminista de esquerda!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto tempo leva para mulheres se aproximarem da luta contra a opress\u00e3o e pela transforma\u00e7\u00e3o social? 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