{"id":37,"date":"2008-12-13T16:11:24","date_gmt":"2008-12-13T16:11:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/37"},"modified":"2018-05-04T21:50:04","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:04","slug":"cidade-baixa-dialetica-da-baianidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/cidade-baixa-dialetica-da-baianidade\/","title":{"rendered":"&#8220;Cidade Baixa&#8221;: Dial\u00e9tica da baianidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>\u201cCIDADE BAIXA\u201d: DIAL\u00c9TICA DA BAIANIDADE<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cCidade baixa\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: Cidade baixa<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Brasil<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Portugu\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: S\u00e9rgio Machado<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Karim Ainouz, S\u00e9rgio Machado<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: L\u00e1zaro Ramos, Wagner Moura, Alice Braga, Jos\u00e9 Dumont, Tinho Bahia, Harildo Deda, Fernando de Freitas, Lu\u00eds Olho de Gato, Andr\u00e9a Elia, Felipe Ferreira<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: drama<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoBodyText\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cinema brasileiro do chamado \u201cciclo da retomada\u201d da produ\u00e7\u00e3o, iniciado em 1995 com o lan\u00e7amento de \u201cCarlota Joaquina\u201d, tem encontrado dificuldades para ser hoje o que era o Cinema Novo na d\u00e9cada de 1960, ou seja, uma leg\u00edtima express\u00e3o da vida brasileira nas telas. Poucos filmes dessa safra, tais como \u201cLavoura Arcaica\u201d, \u201cCidade de Deus\u201d, \u201cO Invasor\u201d, \u201cAmarelo manga\u201d, \u201cMadame Sat\u00e3\u201d, entre outros, alcan\u00e7am esse resultado. Muitos se perdem na tentativa de encontrar a dose certa de est\u00e9tica hollywoodiana necess\u00e1ria para nos render o \u201ccobi\u00e7ado\u201d primeiro Oscar de filme estrangeiro; outros se contentam com a busca de resultados f\u00e1ceis na bilheteria por meio de concess\u00f5es pregui\u00e7osas \u00e0s f\u00f3rmulas de entretenimento televisivas, como com\u00e9dias rom\u00e2nticas, shows da Xuxa, etc.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse contexto, \u00e9 muito bem-vinda uma raridade como \u201cCidade Baixa\u201d, que aposta no caminho muito mais dif\u00edcil do cinema que busca por aquela express\u00e3o aut\u00eantica. O aut\u00eantico aqui significa despido de qualquer tipo de artificialidade. Cinema em estado puro, sem frescura, cr\u00edtico sem ser panflet\u00e1rio, realista sem ser chocante, contundente sem ser sensacionalista, sensual sem ser vulgar, documental sem deixar de ser divertido. Simplesmente natural.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">J\u00e1 dizia Tolstoi que, para ser universal, o artista deve retratar sua aldeia. A aldeia aqui no caso \u00e9 a Bahia. Mais do que um bom exemplar de cinema brasileiro, trata-se de \u201ccinema baiano\u201d. E continuando nas contraposi\u00e7\u00f5es, \u00e9 um cinema regional sem ser estereotipado. A Bahia \u00e9 aquela localidade muito especial no qual as categorias sociol\u00f3gicas t\u00eam que ser viradas de ponta-cabe\u00e7a, ao avesso, projetadas num espelho invertido, esticadas e contorcidas; para dar conta de exprimir mesmo precariamente tra\u00e7os da realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em idioma \u201ctucan\u00eas\u201d, os protagonistas do filme, Deco e Naldinho seriam \u201cmicro-empres\u00e1rios do transporte fluvial\u201d (e no caso de Deco, \u201cpraticante de esporte amador\u201d), e Karina, uma \u201cprofissional do ramo de entretenimentos noturnos\u201d. Na real, Deco e Naldinho, amigos de inf\u00e2ncia, s\u00e3o biscateiros, sobem e descem o rio levando mercadoria de Salvador para o interior, quando h\u00e1 servi\u00e7o; e quando n\u00e3o h\u00e1, transportam prostitutas de Salvador para os navios dos gringos ancorados no porto, ou se viram com lutas de boxe (arranjadas) e at\u00e9 com pequenos assaltos. Karina \u00e9 uma das prostitutas com as quais os dois cruzam no caminho, e que literalmente adere aos dois.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Deco e Naldinho s\u00e3o amigos, mas s\u00e3o tamb\u00e9m rivais por causa de Karina. S\u00e3o rivais por causa dela, mas dividem a prostituta com a clientela. N\u00e3o h\u00e1 julgamentos e falsa moralidade em jogo. As coisas s\u00e3o como s\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cSexo e viol\u00eancia\u201d, seria um clich\u00ea para descrever o filme de maneira imediatista e superficial. \u201cTri\u00e2ngulo amoroso\u201d seria o nome mais \u00f3bvio para a rela\u00e7\u00e3o entre os protagonistas. Mas \u00e9 preciso lembrar que estamos na Bahia. E a \u00faltima coisa que se pode fazer para tentar entender a Bahia \u00e9 encaix\u00e1-la em f\u00f3rmulas. Aqui as rela\u00e7\u00f5es t\u00eam outro valor. N\u00e3o h\u00e1 formalidade. A vida tem outro ritmo. O tempo passa de maneira diferente. As coisas v\u00e3o e vem, ao sabor do vento, da correnteza do rio, das ondas do mar, do sol e da chuva, do que d\u00e1 na telha.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O dif\u00edcil \u00e9 captar esse esp\u00edrito com as lentes de uma c\u00e2mera. Obter a dose certa de distanciamento e de aproxima\u00e7\u00e3o, o andamento mais r\u00e1pido ou mais lento da trama, o entrar e sair dos elementos da narrativa. Respeitar o ritmo dos acontecimentos. Causar impacto sem ser agressivo, expor os personagens sem julg\u00e1-los. Se foi dito que o filme procura ser \u201csimplesmente natural\u201d, essa simples naturalidade aparece em \u201cCidade Baixa\u201d como resultado de uma complexa opera\u00e7\u00e3o de lapida\u00e7\u00e3o e refinamento. A precis\u00e3o dessa opera\u00e7\u00e3o se expressa inclusive no inacabamento de um final aberto.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O filme tem come\u00e7o, meio e fim, e ao mesmo tempo n\u00e3o tem. Os acontecimentos est\u00e3o l\u00e1, se passam diante da c\u00e2mera, que vai embora como chegou, sem pretens\u00f5es. \u00c9 apropriado dizer que estamos diante de um recorte na vida de pessoas que pertencem a um determinado setor da sociedade brasileira. Mas isso n\u00e3o \u00e9 feito no tom ou na inten\u00e7\u00e3o de dizer que esse setor \u00e9 mais feliz ou mais infeliz, vive melhor ou pior do que a m\u00e9dia da pequena-burguesia paulistana, p\u00fablico-padr\u00e3o para esse tipo de espet\u00e1culo. \u00c9 feito apenas na inten\u00e7\u00e3o de dizer que vivem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Cada um faz o que quer e ningu\u00e9m tem nada com isso. A vida \u00e9 pobre, mas \u00e9 barata. Dinheiro se arranja aqui e ali, numa briga, num rolo, num servi\u00e7o, e se gasta logo adiante, numa cerveja, num boquete. De bar em bar, de transa em transa, de golpe em golpe, a vida vai passando. N\u00e3o h\u00e1 certo nem errado, n\u00e3o h\u00e1 crime nem honestidade, n\u00e3o h\u00e1 leis nem regras, n\u00e3o h\u00e1 planos nem estrat\u00e9gias. N\u00e3o h\u00e1 nega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 repress\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 falsa moralidade. Mas h\u00e1 lealdade, h\u00e1 paix\u00e3o, h\u00e1 vitalidade. Os corpos mandam na mente, se atraem e se repelem, lubrificados por algumas poucas palavras.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Biscateiros e prostitutas. Assassinato, drogas, gravidez indesejada, suic\u00eddio, assalto a m\u00e3o armada, s\u00e3o os acidentes de percurso da trama. Esse \u00e9 o ambiente da cidade baixa. Briga de galo, briga de b\u00eabado, briga de amor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ax\u00e9, sarav\u00e1!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">10\/09\/2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;CIDADE BAIXA&rdquo;: DIAL&Eacute;TICA DA BAIANIDADE<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Cidade baixa&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6145,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37\/revisions\/6145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}