{"id":370,"date":"2012-11-13T02:03:50","date_gmt":"2012-11-13T04:03:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/370"},"modified":"2018-04-20T12:01:33","modified_gmt":"2018-04-20T15:01:33","slug":"o-grito-guarani-kaiowa-e-o-riso-do-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/11\/o-grito-guarani-kaiowa-e-o-riso-do-agronegocio\/","title":{"rendered":"O grito Guarani-Kaiow\u00e1 e o riso do agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/indios-kaiow\u00e1.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"245\" \/><\/p>\n<p>O m\u00eas de outubro de 2012 testemunhou o desesperado grito Guarani-Kaiow\u00e1 chamar a aten\u00e7\u00e3o nas redes sociais e furar o bloqueio da imprensa. Veio \u00e0 tona o problema das condi\u00e7\u00f5es de vida dos ind\u00edgenas no Brasil, atrav\u00e9s de seu caso mais grave no pa\u00eds: o conflito entre latifundi\u00e1rios e os Guarani-Kaiow\u00e1, no Mato Grosso do Sul. Foi atrav\u00e9s de uma carta-den\u00fancia que a situa\u00e7\u00e3o atingiu tal repercuss\u00e3o, circulando pelas redes sociais e escancarando um problema que acontece h\u00e1 d\u00e9cadas. Um trecho da carta:<\/p>\n<p>(&#8230;) pedimos ao Governo e Justi\u00e7a Federal para n\u00e3o decretar a ordem de despejo\/expuls\u00e3o, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar n\u00f3s todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizima\u00e7\u00e3o\/extin\u00e7\u00e3o total, al\u00e9m de enviar v\u00e1rios tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse \u00e9 nosso pedido aos ju\u00edzes federais.<\/p>\n<p>J\u00e1 aguardamos esta decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal, Assim, \u00e9 para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiow\u00e1 de Pyelito Kue\/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a n\u00e3o sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que n\u00e3o temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso territ\u00f3rio antigo, j\u00e1 sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. (&#8230;)<\/p>\n<p>Esta carta ecoou como um grito de desespero emitido pela comunidade Guarani-Kaiow\u00e1, a todos os ouvidos atentos. Circulou pelas redes sociais e parou na mente de trabalhadores que se identificaram com a luta deste povo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, seu grito demonstrou tamb\u00e9m o estreito la\u00e7o entre o judici\u00e1rio, a imprensa e o agroneg\u00f3cio.<br \/>\nEsta \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e3o complexa que soa estranho at\u00e9 ser chamada de conflito, uma vez que entre os fazendeiros sulmatogrossenses e a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena das diversas etnias sobreviventes \u00e9 somente esta \u00faltima que sofre as consequ\u00eancias do dito conflito.<\/p>\n<p><strong>O \u201cX\u201d DA QUEST\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Uma pequena amostra dos n\u00fameros nos d\u00e1 uma ideia de que muita dor ainda ser\u00e1 infligida \u00e0queles que assumem sua ancestralidade ind\u00edgena e tem disposi\u00e7\u00e3o pra sustenta-la at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Atualmente em Mato Grosso do Sul sobrevive a segunda maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Brasil, com 73.295 remanescentes (IBGE 2010, 1\u00ba Amazonas, 108.080), e \u00e9 nesse espa\u00e7o f\u00edsico que o agroneg\u00f3cio avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os est\u00edmulos federais via PlanoSafra (o que s\u00f3 demonstra a alian\u00e7a agroneg\u00f3cio e governo federal) aumentaram os recursos destinados ao setor de R$ 93 bilh\u00f5es na safra 2009\/2010 para R$ 115,2 bilh\u00f5es na safra 2012\/2013. Ao mesmo tempo em que a falta de recursos para a FUNAI realizar os estudos necess\u00e1rios gerou, em 2009, a desculpa necess\u00e1ria para o desembargador Luis Stefanini, do TRF 3\u00aa Regi\u00e3o suspender a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas. Simples equa\u00e7\u00e3o: Sem dinheiro, sem estudo, sem demarca\u00e7\u00e3o, mais terra para o agroneg\u00f3cio, mais dividendos para os acionistas.<\/p>\n<p>De acordo com a estimativa de safra da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em 2012 o Brasil produzir\u00e1 165,9 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3o, 1,9% a mais do que na safra anterior, s\u00f3 em Mato Grosso do Sul, o aumento foi de 22,9%. Se considerarmos a \u00e1rea plantada percebemos a fome de terra nesse estado, pois o crescimento nacional foi de 2% enquanto que das cercas sulmatogrossenses o aumento foi de 12,8%, ou seja, mais de seis vezes a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Tal boom agr\u00edcola reflete tanto no mercado imobili\u00e1rio que em maio de 2011 o estado sofreu um aumento m\u00e9dio de 30% no valor da terra em rela\u00e7\u00e3o a 2010, sendo que esse \u00edndice chegou a 100% no norte do estado, de acordo com o Sindicato dos Corretores de Im\u00f3veis de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p><strong>OLHANDO NO MAPA<\/strong><\/p>\n<p>E \u00e9 na hora de esticar o mapa que a contradi\u00e7\u00e3o salta os olhos. Se as terras ind\u00edgenas demarcadas no estado ocupam 6.782 km\u00b2 (FUNAI 2011) podemos fazer uma conta tosca e morrermos de vergonha por nunca termos pensado nisso: Para tanto, basta dividir a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de 73.295 no territ\u00f3rio que o \u201ccivilizado\u201d estado brasileiro demarcou e teremos 10,8 sobreviventes por Km\u00b2. O absurdo \u00e9 tanto que o rebanho bovino para ter uma produtividade mediana necessita de 3 a 5 KM\u00b2 por cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>E o que dizermos de na\u00e7\u00f5es inteiras com idiomas, costumes, rituais, concep\u00e7\u00e3o de mundo, tempo e espa\u00e7o completamente diferentes entre si limitados por um estado com institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos que nem param pra pensar nisso? Que dizermos tamb\u00e9m da diferen\u00e7a cultural entre um universo formado fora do que habituamos chamar de \u201cmundo ocidental\u201d? Qual seu espa\u00e7o vital?<\/p>\n<p>\u00c9 dentro dessa l\u00f3gica nefasta que 60 fam\u00edlias Kadiw\u00e9u est\u00e3o sendo retiradas pela Pol\u00edcia Federal de uma \u00e1rea de cerca de 160 mil hectares de terra ind\u00edgena demarcada em 1900 e homologada em 1984, no munic\u00edpio de Porto Murtinho, na regi\u00e3o do Pantanal do Mato Grosso do Sul. Tal \u00e1rea fica dentro da Terra Ind\u00edgena (TI) Kadiw\u00e9u e mesmo assim sofre ataque do judici\u00e1rio que concedeu liminar de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, e claro, j\u00e1 foi cumprida. Nessas quest\u00f5es a \u201cjusti\u00e7a\u201d nunca tarda!<\/p>\n<p><strong>&#8230;E A SITUA\u00c7\u00c3O AINDA PODE PIORAR!<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse todo o j\u00e1 sofrido, o deputado federal \u00c9dio Lopes (PMDB\/RR) apresentou substitutivo ao Projeto de Lei 1610\/96, que disp\u00f5e sobre a explora\u00e7\u00e3o e o aproveitamento de recursos minerais em terras ind\u00edgenas. Entre tantos ataques que o capital j\u00e1 fez sobre as popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias acrescentasse mais esse: \u201cQualquer interessado\u201d poder\u00e1 requerer ao Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM) o direito de minerar qualquer terra ind\u00edgena no Brasil, al\u00e9m da anula\u00e7\u00e3o de qualquer direito sobre minera\u00e7\u00e3o concedida antes da promulga\u00e7\u00e3o desta nova lei.<\/p>\n<p>Ou seja, as na\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o obtiveram reconhecimento continuaram sofrendo ataques de pistoleiros a mando do capital e a demora do judici\u00e1rio e as que j\u00e1 arrancaram esse reconhecimento do estado brasileiro sofrer\u00e3o ass\u00e9dio das companhias mineradoras, al\u00e9m de perderem toda e qualquer salvaguarda constitucional.<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio de crise mundial, os grandes bancos e seus acionistas precisam garantir novas fontes de lucro e rentabilidade. As velhas guerras no Oriente M\u00e9dio j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes, ent\u00e3o resta o rico territ\u00f3rio ind\u00edgena dessa pobre pa\u00eds emergente.<\/p>\n<p><strong>ORGANIZAR E RESISTIR<\/strong><\/p>\n<p>Compreendemos que o conflito pelo qual passam os \u00edndios Guarani-Kaiow\u00e1 n\u00e3o \u00e9 isolado, mas parte de um todo. A l\u00f3gica do lucro a todo custo beneficia pouqu\u00edssimos indiv\u00edduos enquanto que colocam a maior parte da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de medo, inseguran\u00e7a e preocupa\u00e7\u00e3o. Um exemplo disso \u00e9 a seguinte contradi\u00e7\u00e3o: se a quantidade de terras cultivadas pelo latif\u00fandio aumentou, por que o pre\u00e7o dos alimentos s\u00f3 sobem?<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 em que, os meios que deveria ser utilizado para resolver os problemas materiais do conjunto da sociedade (estes meios s\u00e3o: m\u00e1quinas, ferramentas e terra) s\u00e3o hoje dominados por um conjunto m\u00ednimo de indiv\u00edduos. Os latifundi\u00e1rios, por exemplo, s\u00f3 querem saber de plantar soja e cana-de-a\u00e7\u00facar. N\u00f3s, trabalhadores, simplesmente vendemos nossa for\u00e7a de trabalho a estes poucos propriet\u00e1rios, mas s\u00e3o eles que decidem o que fazer com as for\u00e7as produtivas, n\u00e3o interessando o benef\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o, mas seu lucro.<\/p>\n<p>Essa forma de organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao sistema capitalista. Devemos propor uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o, onde os trabalhadores (que produzem a riqueza do mundo) detenham os controles da produ\u00e7\u00e3o e a direcionem para o benef\u00edcio do conjunto da sociedade.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio organizar-se, resistir e lutar pela derrubada do capitalismo, rumo a uma sociedade socialista. Nesse sentido, o combate ao agroneg\u00f3cio, bem como a todas as suas express\u00f5es pol\u00edticas e institucionais, seja no Judici\u00e1rio, no Executivo e ou no Legislativo, deve ser realizado sem tr\u00e9gua por todos aqueles que lutam por uma sociedade que supere o capitalismo.<\/p>\n<p>Aos Guaranis-Kaiow\u00e1s nossa solidariedade e disposi\u00e7\u00e3o de luta!<\/p>\n<p><strong>Novembro de 2012<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"400\" height=\"245\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/indios-kaiow&aacute;.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>O m&ecirc;s de outubro de 2012 testemunhou o desesperado grito Guarani-Kaiow&aacute; chamar a aten&ccedil;&atilde;o nas redes sociais e furar o bloqueio da imprensa. Veio &agrave; tona o problema das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos ind&iacute;genas no Brasil, atrav&eacute;s de seu caso mais grave no pa&iacute;s: o conflito entre latifundi&aacute;rios e os Guarani-Kaiow&aacute;, no Mato Grosso do Sul. Foi atrav&eacute;s de uma carta-den&uacute;ncia que a situa&ccedil;&atilde;o atingiu tal repercuss&atilde;o, circulando pelas redes sociais e escancarando um problema que acontece h&aacute; d&eacute;cadas. Um trecho da carta:<\/p>\n<p>\n(&#8230;) pedimos ao Governo e Justi&ccedil;a Federal para n&atilde;o decretar a ordem de despejo\/expuls&atilde;o, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar n&oacute;s todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizima&ccedil;&atilde;o\/extin&ccedil;&atilde;o total, al&eacute;m de enviar v&aacute;rios tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse &eacute; nosso pedido aos ju&iacute;zes federais.<\/p>\n<p>J&aacute; aguardamos esta decis&atilde;o da Justi&ccedil;a Federal, Assim, &eacute; para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiow&aacute; de Pyelito Kue\/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a n&atilde;o sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que n&atilde;o temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso territ&oacute;rio antigo, j&aacute; sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. (&#8230;)<\/p>\n<p>Esta carta ecoou como um grito de desespero emitido pela comunidade Guarani-Kaiow&aacute;, a todos os ouvidos atentos. Circulou pelas redes sociais e parou na mente de trabalhadores que se identificaram com a luta deste povo. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, seu grito demonstrou tamb&eacute;m o estreito la&ccedil;o entre o judici&aacute;rio, a imprensa e o agroneg&oacute;cio.<br \/>\nEsta &eacute; uma quest&atilde;o t&atilde;o complexa que soa estranho at&eacute; ser chamada de conflito, uma vez que entre os fazendeiros sulmatogrossenses e a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena das diversas etnias sobreviventes &eacute; somente esta &uacute;ltima que sofre as consequ&ecirc;ncias do dito conflito.<\/p>\n<p><strong>O &ldquo;X&rdquo; DA QUEST&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p>Uma pequena amostra dos n&uacute;meros nos d&aacute; uma ideia de que muita dor ainda ser&aacute; infligida &agrave;queles que assumem sua ancestralidade ind&iacute;gena e tem disposi&ccedil;&atilde;o pra sustenta-la at&eacute; as &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Atualmente em Mato Grosso do Sul sobrevive a segunda maior popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena do Brasil, com 73.295 remanescentes (IBGE 2010, 1&ordm; Amazonas, 108.080), e &eacute; nesse espa&ccedil;o f&iacute;sico que o agroneg&oacute;cio avan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Os est&iacute;mulos federais via PlanoSafra (o que s&oacute; demonstra a alian&ccedil;a agroneg&oacute;cio e governo federal) aumentaram os recursos destinados ao setor de R$ 93 bilh&otilde;es na safra 2009\/2010 para R$ 115,2 bilh&otilde;es na safra 2012\/2013. 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Se considerarmos a &aacute;rea plantada percebemos a fome de terra nesse estado, pois o crescimento nacional foi de 2% enquanto que das cercas sulmatogrossenses o aumento foi de 12,8%, ou seja, mais de seis vezes a m&eacute;dia nacional.<\/p>\n<p>Tal boom agr&iacute;cola reflete tanto no mercado imobili&aacute;rio que em maio de 2011 o estado sofreu um aumento m&eacute;dio de 30% no valor da terra em rela&ccedil;&atilde;o a 2010, sendo que esse &iacute;ndice chegou a 100% no norte do estado, de acordo com o Sindicato dos Corretores de Im&oacute;veis de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p><strong>OLHANDO NO MAPA<\/strong><\/p>\n<p>E &eacute; na hora de esticar o mapa que a contradi&ccedil;&atilde;o salta os olhos. Se as terras ind&iacute;genas demarcadas no estado ocupam 6.782 km&sup2; (FUNAI 2011) podemos fazer uma conta tosca e morrermos de vergonha por nunca termos pensado nisso: Para tanto, basta dividir a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena de 73.295 no territ&oacute;rio que o &ldquo;civilizado&rdquo; estado brasileiro demarcou e teremos 10,8 sobreviventes por Km&sup2;. O absurdo &eacute; tanto que o rebanho bovino para ter uma produtividade mediana necessita de 3 a 5 KM&sup2; por cabe&ccedil;a.<\/p>\n<p>E o que dizermos de na&ccedil;&otilde;es inteiras com idiomas, costumes, rituais, concep&ccedil;&atilde;o de mundo, tempo e espa&ccedil;o completamente diferentes entre si limitados por um estado com institui&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos que nem param pra pensar nisso? Que dizermos tamb&eacute;m da diferen&ccedil;a cultural entre um universo formado fora do que habituamos chamar de &ldquo;mundo ocidental&rdquo;? Qual seu espa&ccedil;o vital?<\/p>\n<p>&Eacute; dentro dessa l&oacute;gica nefasta que 60 fam&iacute;lias Kadiw&eacute;u est&atilde;o sendo retiradas pela Pol&iacute;cia Federal de uma &aacute;rea de cerca de 160 mil hectares de terra ind&iacute;gena demarcada em 1900 e homologada em 1984, no munic&iacute;pio de Porto Murtinho, na regi&atilde;o do Pantanal do Mato Grosso do Sul. Tal &aacute;rea fica dentro da Terra Ind&iacute;gena (TI) Kadiw&eacute;u e mesmo assim sofre ataque do judici&aacute;rio que concedeu liminar de reintegra&ccedil;&atilde;o de posse, e claro, j&aacute; foi cumprida. 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Entre tantos ataques que o capital j&aacute; fez sobre as popula&ccedil;&otilde;es origin&aacute;rias acrescentasse mais esse: &ldquo;Qualquer interessado&rdquo; poder&aacute; requerer ao Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral (DNPM) o direito de minerar qualquer terra ind&iacute;gena no Brasil, al&eacute;m da anula&ccedil;&atilde;o de qualquer direito sobre minera&ccedil;&atilde;o concedida antes da promulga&ccedil;&atilde;o desta nova lei.<\/p>\n<p>Ou seja, as na&ccedil;&otilde;es que ainda n&atilde;o obtiveram reconhecimento continuaram sofrendo ataques de pistoleiros a mando do capital e a demora do judici&aacute;rio e as que j&aacute; arrancaram esse reconhecimento do estado brasileiro sofrer&atilde;o ass&eacute;dio das companhias mineradoras, al&eacute;m de perderem toda e qualquer salvaguarda constitucional.<\/p>\n<p>Num cen&aacute;rio de crise mundial, os grandes bancos e seus acionistas precisam garantir novas fontes de lucro e rentabilidade. As velhas guerras no Oriente M&eacute;dio j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o suficientes, ent&atilde;o resta o rico territ&oacute;rio ind&iacute;gena dessa pobre pa&iacute;s emergente.<\/p>\n<p><strong>ORGANIZAR E RESISTIR<\/strong><\/p>\n<p>Compreendemos que o conflito pelo qual passam os &iacute;ndios Guarani-Kaiow&aacute; n&atilde;o &eacute; isolado, mas parte de um todo. A l&oacute;gica do lucro a todo custo beneficia pouqu&iacute;ssimos indiv&iacute;duos enquanto que colocam a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de medo, inseguran&ccedil;a e preocupa&ccedil;&atilde;o. Um exemplo disso &eacute; a seguinte contradi&ccedil;&atilde;o: se a quantidade de terras cultivadas pelo latif&uacute;ndio aumentou, por que o pre&ccedil;o dos alimentos s&oacute; sobem?<\/p>\n<p>O problema est&aacute; em que, os meios que deveria ser utilizado para resolver os problemas materiais do conjunto da sociedade (estes meios s&atilde;o: m&aacute;quinas, ferramentas e terra) s&atilde;o hoje dominados por um conjunto m&iacute;nimo de indiv&iacute;duos. Os latifundi&aacute;rios, por exemplo, s&oacute; querem saber de plantar soja e cana-de-a&ccedil;&uacute;car. N&oacute;s, trabalhadores, simplesmente vendemos nossa for&ccedil;a de trabalho a estes poucos propriet&aacute;rios, mas s&atilde;o eles que decidem o que fazer com as for&ccedil;as produtivas, n&atilde;o interessando o benef&iacute;cio da popula&ccedil;&atilde;o, mas seu lucro.<\/p>\n<p>Essa forma de organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; inerente ao sistema capitalista. 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