{"id":372,"date":"2012-11-12T22:06:45","date_gmt":"2012-11-12T22:06:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/372"},"modified":"2018-06-01T16:02:20","modified_gmt":"2018-06-01T19:02:20","slug":"jornal-54-novembro-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/11\/jornal-54-novembro-de-2012\/","title":{"rendered":"Jornal 54: Novembro de 2012"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong style=\"color: #333333; font-size: 14px;\"><span style=\"font-size: 14px; background-color: #ffffff;\">Esta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 especial e conta c<strong>om \u00a0o encarte:<\/strong><\/span><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Encarte_RevRussa_j54.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">95 ANOS DA REVOLU\u00c7\u00c3O RUSSA:\u00a0OUTROS OUTUBROS VIR\u00c3O<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_1625\" aria-describedby=\"caption-attachment-1625\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Encarte_RevRussa_j54.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1625 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Encarte_RevRussa_j54-210x300.jpg\" alt=\"Baixar em PDF\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Encarte_RevRussa_j54-210x300.jpg 210w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Encarte_RevRussa_j54.jpg 524w\" sizes=\"(max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1625\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1582\" aria-describedby=\"caption-attachment-1582\" style=\"width: 212px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_54.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1582 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_54-212x300.jpg\" alt=\"Baixar em PDF\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_54-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_54.jpg 517w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1582\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#titulo1\">Nacional: A necessidade de uma alternativa socialista bate \u00e0s portas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">Movimento estudantil: A persegui\u00e7\u00e3o aos que lutam nas universidades<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Movimento negro: O que celebrar no dia 20 de novembro?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">Educa\u00e7\u00e3o: Professores enfrentam precariza\u00e7\u00e3o e a meritocracia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">Mulheres: A constru\u00e7\u00e3o da violencia em &#8220;Avenida Brasil&#8221;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">Internacional: A crise mundial e a intensifica\u00e7\u00e3o das lutas<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo1\"><\/a>A NECESSIDADE DE UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA BATE \u00c0S PORTAS<\/h2>\n<p>O ano de 2012 foi sem d\u00favida bem diferente do ano anterior, quando o governo Dilma conseguiu aplicar a sua pol\u00edtica de apoio \u00e0s empresas, ou seja, retirar direitos dos trabalhadores e tamb\u00e9m impor importantes derrotas aos trabalhadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos afirmando que nesse ano a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as passou a ser favor\u00e1vel para n\u00f3s trabalhadores, mas que as contradi\u00e7\u00f5es foram maiores para o governo e para a burguesia. E o principal elemento para isso foi sem d\u00favida o ressurgimento de lutas em categorias importantes.<\/p>\n<p>A nosso ver, o balan\u00e7o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional desse ano se assenta sob quatro aspectos que expressam bem essas contradi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>a) Esgotamento do ciclo anterior de medidas de combate \u00e0 crise, tomadas pelo governo e dificuldades econ\u00f4micas crescentes. A express\u00e3o desse esgotamento foi a queda das exporta\u00e7\u00f5es e da produ\u00e7\u00e3o industrial, do setor de min\u00e9rios e mesmo do agroneg\u00f3cio;<\/p>\n<p>b) Ado\u00e7\u00e3o de novas medidas de apoio \u00e0s empresas, o que significa um conjunto de ataques da burguesia e do Estado sobre os trabalhadores da iniciativa privada e do setor p\u00fablico;<\/p>\n<p>c) Aumento das lutas e da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como decorr\u00eancia de maior tens\u00e3o social;<\/p>\n<p>d) Aumento da repress\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos e dos ativistas pelo Estado para fazer frente \u00e0s lutas e garantir a implementa\u00e7\u00e3o desse projeto.<\/p>\n<p>Ainda que sob controle do governo, esses elementos demonstram o quanto j\u00e1 est\u00e1 se debatendo para manter o seu projeto original e constantemente tem que promover necess\u00e1rios ajustes. Por isso, desde o come\u00e7o do ano est\u00e3o sendo adotadas novas medidas na economia, como incentivos fiscais, facilitadores para o cr\u00e9dito e outras.<\/p>\n<p>Outro elemento distinto do ano de 2011 foi o significativo aumento das lutas; embora todas elas se mantivessem nos limites da luta salarial, tamb\u00e9m enfrentaram a crescente repress\u00e3o e o papel nefasto que as dire\u00e7\u00f5es sindicais desempenham. As greves, na verdade, s\u00e3o uma resposta da classe trabalhadora contra a resist\u00eancia da patronal em fazer concess\u00f5es que significam eleva\u00e7\u00e3o de custos e com isso aumente a dificuldade na competi\u00e7\u00e3o do mercado.<\/p>\n<p>As medidas adotadas pelo governo Lula, principalmente partir da crise de 2009, tinham permitido certo f\u00f4lego para o capital no pa\u00eds, mas, como hav\u00edamos alertado, somente tinham condi\u00e7\u00f5es de jogar para frente as contradi\u00e7\u00f5es, ou seja, n\u00e3o conseguiriam resolv\u00ea-la definitivamente.<\/p>\n<p>Em cada medida que aparentava solucionar os problemas da economia j\u00e1 estava embutido o surgimento, em um futuro pr\u00f3ximo, de novos problemas. Adotava-se um conjunto de medidas facilitadoras de cr\u00e9dito, mas isso no futuro significaria endividamento e aumento da inadimpl\u00eancia, o que, consequentemente, levava \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o no consumo.<\/p>\n<p>Logo essas medidas mostraram seus limites com o aumento do endividamento (em agosto 59,8% das fam\u00edlias estavam com d\u00edvidas) e o aumento da inadimpl\u00eancia, isto \u00e9, 19% das fam\u00edlias est\u00e3o inadimplentes (mesmo com todas as medidas de renegocia\u00e7\u00e3o no Serasa). Essa situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma restri\u00e7\u00e3o objetiva ao cr\u00e9dito voltado ao consumo interno, base do crescimento econ\u00f4mico dos governos petistas, repercute na dificuldade da manuten\u00e7\u00e3o do mercado interno nos n\u00edveis necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para responder a esses problemas, o governo Dilma, a partir de abril adotou v\u00e1rias outras medidas no sentido de tentar dar um novo f\u00f4lego \u00e0 economia e buscar um novo per\u00edodo de crescimento. A desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, o aumento do cr\u00e9dito p\u00fablico com juros abaixo do mercado para as empresas, a amplia\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o do IPI para autom\u00f3veis e outros produtos s\u00e3o parte dessa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que elas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a para solucionar a crise definitivamente. Mais uma vez joga-se o problema para um futuro n\u00e3o muito distante, pois a raz\u00e3o da crise econ\u00f4mica continua intacta: a tend\u00eancia \u00e0 queda da taxa de lucro. O an\u00fancio, todos os dias, de novas tecnologias \u00e9 a express\u00e3o de que h\u00e1 um alto investimento em bens de capital e isso tem como consequ\u00eancia direta a queda da taxa de lucro do capital de conjunto.<\/p>\n<h4><strong>O ESTADO CUMPRE O SEU PAPEL<\/strong><\/h4>\n<p>Com dificuldade em manter as condi\u00e7\u00f5es adequadas para sua reprodu\u00e7\u00e3o, o capital dispara os seus mecanismos de \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d, naquilo que chamamos de contra tend\u00eancias. A utiliza\u00e7\u00e3o do Estado passa a ser primordial, pois \u00e9 o que vai garantir capital para novos investimentos ou mesmo para infraestrutura (o que tem acontecido muito no pa\u00eds). Vai Aperfei\u00e7oar a legisla\u00e7\u00e3o em favor do capital (as contrarreformas da previd\u00eancia e trabalhistas s\u00e3o exemplos). E, acima de tudo, vai disparar os instrumentos de repress\u00e3o jur\u00eddico-policial e ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O caso brasileiro \u00e9 emblem\u00e1tico, pois s\u00e3o v\u00e1rias mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio, alto endividamento do Estado para favorecer as empresas e aumento de medidas de repress\u00e3o (pris\u00f5es, processos, mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o, etc.).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia brasileira podemos dizer, com certeza, que, se n\u00e3o fosse a forte interven\u00e7\u00e3o do Estado o pa\u00eds, estaria novamente em recess\u00e3o. Foram v\u00e1rias medidas como o aumento da competitividade da ind\u00fastria, a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra t\u00e9cnica, a redu\u00e7\u00e3o do IPI, a constru\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o de obras, concess\u00e3o de aeroportos, desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, enfim, v\u00e1rias medidas que significaram o repasse de bilh\u00f5es e bilh\u00f5es para as m\u00e3os dos capitalistas.<\/p>\n<p>A base da reconfigura\u00e7\u00e3o do Estado em tempos de crise estrutural do capital \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos que deveriam ser considerados p\u00fablicos, mas s\u00e3o deslocados para as necessidades de um punhado de burgueses, sempre \u00e0 custa da mis\u00e9ria e pobreza de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Os governos petistas t\u00eam cumprido muito bem esse papel com medidas que procuram atender as necessidades do capital de conjunto e n\u00e3o apenas algumas de suas fra\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9, certamente, uma das raz\u00f5es do pesado apoio financeiro que as empresas deram aos candidatos governistas.<\/p>\n<h4><strong>O MERCADO MUNDIAL<\/strong><\/h4>\n<p>Tamb\u00e9m contribu\u00edram, para o esgotamento do ciclo, as dificuldades de inser\u00e7\u00e3o no mercado mundial com produtos que n\u00e3o fossem do agroneg\u00f3cio. O processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o nacional, a pol\u00edtica dos Estados Unidos em despejar bilh\u00f5es de d\u00f3lares no mercado (para diminuir o pre\u00e7o do dolar no mercado mundial, aumentar o pre\u00e7o dos produtos de outros pa\u00edses e dificultar que exportem), a crise em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa (o que fez com que tamb\u00e9m a disputa desse mesmo mercado passasse a ser mais acirrada) s\u00e3o alguns dos fatores que, ainda que possamos apresentar v\u00e1rias media\u00e7\u00f5es, est\u00e3o empurrando o Brasil para a crise.<\/p>\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es somente poder\u00e3o ser compreendidas se levarmos em conta a forma com a qual o Brasil, a partir da divis\u00e3o mundial do trabalho, busca se inserir nesse mercado, ou seja, centralmente pela exporta\u00e7\u00e3o de commodities e de mat\u00e9ria prima.<\/p>\n<p>Com a desacelera\u00e7\u00e3o de mercados como o chin\u00eas e a recess\u00e3o nos pa\u00edses europeus, a demanda por esses produtos diminui e aumenta a competi\u00e7\u00e3o entre as empresas e os pa\u00edses. O problema para a burguesia \u00e9 que as medidas adotadas pelo capital de conjunto tamb\u00e9m t\u00eam tido um f\u00f4lego cada vez mais curto, principalmente por conta dos limites impostos pela crise estrutural do capital e que somente podem ser superados se conseguirem impor uma derrota hist\u00f3rica \u00e0 classe trabalhadora em geral.<\/p>\n<p>Assim, tamb\u00e9m como parte dos efeitos da mundializa\u00e7\u00e3o do capital, toda e qualquer mudan\u00e7a na economia desses pa\u00edses refletem imediatamente na economia brasileira. Por isso que dizemos que a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo brasileiro tem o objetivo de reduzir custos para facilitar a competi\u00e7\u00e3o das empresas no mercado mundial. E na economia capitalista a redu\u00e7\u00e3o de custos \u00e9 sin\u00f4nimo de redu\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas.<\/p>\n<p><strong>O REGIME POL\u00cdTICO ENDURECE&#8230; <\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia generalizada pelo mundo \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos mecanismos democr\u00e1ticos, com os Estados adotando todo tipo de restri\u00e7\u00e3o aos explorados. O discurso \u00e9 o da necessidade de o Estado ser forte e enxuto para garantir o crescimento, etc. Discurso pr\u00f3prio de regimes antidemocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Como o projeto econ\u00f4mico \u00e9 muito duro contra os trabalhadores, faz-se necess\u00e1rio que o regime atue de uma forma muito mais dura em rela\u00e7\u00e3o ao movimento social de conjunto. As a\u00e7\u00f5es policiais nas \u00e1reas ocupadas, a a\u00e7\u00e3o dos tribunais trabalhistas impondo decis\u00f5es antigreves, as iniciativas de mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o de greve colocando crit\u00e9rios imposs\u00edveis de serem cumpridos (mesmo que fosse poss\u00edvel o cumprimento, isso n\u00e3o os legitimariam) e as persegui\u00e7\u00f5es aos ativistas s\u00e3o parte desse processo de endurecimento.<\/p>\n<p>S\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es estatais os principais agentes de repress\u00e3o. Mas, amparados nessa ofensiva, v\u00e1rios outros setores adotam medidas semelhantes. Temos o caso das reitorias, que t\u00eam instaurado v\u00e1rios processos administrativos contra os ativistas das universidades. Algumas sequer se d\u00e3o ao luxo de realizarem o processo com direito \u00e0 defesa.<\/p>\n<p>Afora as caracter\u00edsticas autorit\u00e1rias da \u201cdemocracia brasileira\u201d, \u00e9 importante evidenciar que o \u201cmodus operandi\u201d do governo petista t\u00eam essa linha pol\u00edtica com o objetivo muito definido de refor\u00e7ar o controle social sobre a classe trabalhadora, seja com \u201cilus\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d ou mesmo com a utiliza\u00e7\u00e3o do poder b\u00e9lico nos morros cariocas \u201cpacificados\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sob a \u00f3tica burguesa, h\u00e1 de forma cada vez mais intensa uma pol\u00edtica da burguesia de conjunto contra as garantias democr\u00e1ticas. Por isso, a necessidade de que o movimento social e as for\u00e7as de esquerda tenham uma pol\u00edtica cada vez mais audaciosa contra os ataques aos direitos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Esses elementos apontam para o fato de que h\u00e1 uma mudan\u00e7a qualitativa na rela\u00e7\u00e3o do Estado com o movimento social e isso quer dizer que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o PT ou o PSDB ou a pol\u00edcia ou o judici\u00e1rio, mas, \u00e9 o conjunto das institui\u00e7\u00f5es que miram suas armas contra as j\u00e1 pequenas conquistas democr\u00e1ticas das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00faltima de todo esse endurecimento \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da hegemonia capitalista, sempre amparada em profundas desigualdades sociais e econ\u00f4micas. Somente no atendimento das necessidades da rentabilidade do capital, a repress\u00e3o (em todas as suas dimens\u00f5es) torna-se fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o dos mecanismos de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>UM GOVERNO MAIS \u00c0 DIREITA E MAIS DURO <\/strong><\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o importante do balan\u00e7o pol\u00edtico do ano de 2012, para os que ainda tinham d\u00favidas, \u00e9 de que o PT se consolidou ainda mais como o partido da ordem e do capital. Um gerente exemplar do capital que utiliza todos os instrumentos para que seu amo continue explorando os trabalhadores brasileiros.<\/p>\n<p>Para levar adiante todos esses ataques, o governo do PT (desde Lula at\u00e9 Dilma) construiu um arco amplo de alian\u00e7as, que inclui os setores mais reacion\u00e1rios do pa\u00eds, como Maluf e deputados do agroneg\u00f3cio. O governo Dilma, mais \u00e0 direita que o de Lula, se colocou desde o in\u00edcio como mais duro, determinado a aprofundar os ataques aos trabalhadores para tentar reequilibrar aos poucos os problemas que a economia demonstrava.<\/p>\n<p>Esse car\u00e1ter do governo \u00e9 expresso em todas as \u00e1reas. Na \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica\u201d, por exemplo, isto se demonstra com a autoriza\u00e7\u00e3o para que o ex\u00e9rcito ocupe os morros cariocas e com as amea\u00e7as de corte de ponto dos grevistas do funcionalismo p\u00fablico federal. Todos esses fatos j\u00e1 comprovam esse deslocamento para a direita.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia disso tudo \u00e9 a continuidade e at\u00e9 o aumento desses ataques no pr\u00f3ximo per\u00edodo. Derrotar o movimento social \u00e9 essencial para aplicar as pol\u00edticas de arrocho que o governo vai lan\u00e7ar para fazer frente \u00e0 crise que se avizinha.<\/p>\n<p><strong>MANOBRA DA REDU\u00c7\u00c3O DOS JUROS: BANQUEIROS CONTINUAM LUCRANDO<\/strong><\/p>\n<p>Os discursos inflamados do governo e das centrais sindicais pelegas sobre a redu\u00e7\u00e3o dos juros escondem o fato de que o governo continua a favorecer os banqueiros e sanguessugas do dinheiro p\u00fablico. Vejamos os dados da Auditoria Cidad\u00e3 da d\u00edvida:<\/p>\n<p>a) A redu\u00e7\u00e3o dos juros \u00e9 da taxa SELIC (7,25% ao ano). Vale destacar que 75% da d\u00edvida do governo (sob responsabilidade do Tesouro Nacional) n\u00e3o est\u00e1 atrelada a taxa SELIC, ou seja, os credores praticamente n\u00e3o perdem nada com essa redu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b)O custo m\u00e9dio efetivo (aquilo que o governo paga) da d\u00edvida p\u00fablica federal est\u00e1 11,3% ao ano, ou seja, bem superior aos 7,25%;<\/p>\n<p>c)Os t\u00edtulos em taxa fixa que Tesouro Nacional est\u00e1 vendendo est\u00e3o com taxas bem superiores \u00e0 SELIC, garantindo a alta lucratividade dos \u201cinvestidores\u201d em t\u00edtulo p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Assim, a constata\u00e7\u00e3o a que chegamos \u00e9 a de que os bancos continuam sendo favorecidos. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es de n\u00e3o terem reclamado da redu\u00e7\u00e3o dos juros. Outro aspecto \u00e9 de como e o quanto absorvem a imensa quantidade de recursos p\u00fablicos que poderiam ser deslocados para a constru\u00e7\u00e3o de escolas, hospitais, etc.<\/p>\n<p>O peso da financeiriza\u00e7\u00e3o e dos interesses rentistas no or\u00e7amento p\u00fablico \u00e9 t\u00e3o grande e nefasto que a obten\u00e7\u00e3o de recursos para o Estado (por meio da venda de t\u00edtulos p\u00fablicos) sequer cumpre o defendido pelos pr\u00f3prios \u201cdesenvolvimentistas\u201d que \u00e9 melhorar as condi\u00e7\u00f5es para investimento estatal em obras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Assim, o Estado, tamb\u00e9m nesse item, continua a desempenhar o papel de mediador dos interesses privados na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mantendo o pagamento da d\u00edvida com os maiores juros do planeta.<br \/>\nA luta contra o pagamento da d\u00edvida ainda se mant\u00e9m vigente e ganha import\u00e2ncia, cada vez mais, a necessidade de realiza\u00e7\u00e3o de ampla campanha pela utiliza\u00e7\u00e3o de todo esse dinheiro para a constru\u00e7\u00e3o de escolas, creches, hospitais, etc.<\/p>\n<p>Diante de tudo isto, n\u00e3o nos resta alternativa que conclamar a todos para que a luta se desenvolva cada vez mais em unidade e em solidariedade, afinal, em 2013, e cada vez mais, radicalizar \u00e9 preciso!<\/p>\n<p>A luta dos trabalhadores \u00e9 necess\u00e1ria em todas as esferas, seja no local de trabalho ou em seu bairro! Contra a repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos! Pelo direito de greve! Por emprego! Por sal\u00e1rio! Por moradia! Contra o pagamento da d\u00edvida! Por uma vida digna para quem precisa trabalhar para sobreviver!<\/p>\n<h4><strong>RICOS MAIS RICOS E POBRES MAIS POBRES<\/strong><\/h4>\n<p>Recentemente o relat\u00f3rio \u201cEstado da Inseguran\u00e7a Alimentar no Mundo 2012\u201d apontou que o Brasil reduziu a subnutri\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de 14,9%, no per\u00edodo de 1990 a 1992 para 6,9%, nos anos de 2010 a 2012.<\/p>\n<p>Se o governo comemora e d\u00e1 o cr\u00e9dito \u201cdesse avan\u00e7o\u201d aos programas sociais (Bolsa Fam\u00edlia e outros), os fatos apontam para uma grave situa\u00e7\u00e3o social no pa\u00eds. Primeiro porque h\u00e1 no Brasil cerca de 13 milh\u00f5es de pessoas passando fome ou sofrendo com desnutri\u00e7\u00e3o. Segundo porque esses programas sociais n\u00e3o acabam com a fome, mas apenas a minimiza (basta que se suspenda o aux\u00edlio um m\u00eas e a pessoa n\u00e3o ter\u00e1 nada com o qu\u00ea se alimentar. Terceiro porque transforma milh\u00f5es de pessoas em ref\u00e9ns do governo (um exemplo s\u00e3o as \u201camea\u00e7as\u201d de que este ou aquele candidato vai retirar o Bolsa Fam\u00edlia).<\/p>\n<p>Somente com uma pol\u00edtica de emprego para todos \u00e9 poss\u00edvel acabar com a fome. N\u00e3o somos contra programas que favorecem ou reduzem a fome de milh\u00f5es de pessoas. No entanto, criticamos porque sequer se prop\u00f5em a acabar com a fome, mas, como dito acima, apenas minimiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Por isso a import\u00e2ncia, no programa socialista, da luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio para gerar e garantir emprego pleno possibilitando que os mais pobres se livrem dessa chantagem.<br \/>\nAtualmente, os custos do programa Bolsa Fam\u00edlia representam, segundo dados do pr\u00f3prio governo, 0,46% do PIB. Em rela\u00e7\u00e3o ao seu alcance, 25% dos brasileiros s\u00e3o benefici\u00e1rios, indicando a for\u00e7a pol\u00edtica desse programa dito social.<\/p>\n<p>J\u00e1 os banqueiros e especuladores continuam lucrando muito mais. De um or\u00e7amento de R$ 2,14 trilh\u00f5es, R$ 900 bilh\u00f5es (42% do or\u00e7amento federal) ser\u00e3o destinados para o pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>O governo do PT repete a l\u00f3gica do or\u00e7amento dos anos anteriores: menos para os trabalhadores e mais para banqueiros e rentistas parasitas.<\/p>\n<h4><strong>AS LUTAS<\/strong><\/h4>\n<p>Esse ano foi, no \u00faltimo per\u00edodo, sem d\u00favida, um dos que mais greves e mobiliza\u00e7\u00f5es aconteceram: motoristas, Correios, funcionalismo p\u00fablico federal, professores em v\u00e1rios estados, banc\u00e1rios, trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, metal\u00fargicos, movimentos popular e estudantil.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o tenhamos tido vit\u00f3rias que mudassem a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, a volta de greves no cen\u00e1rio pol\u00edtico coloca a possibilidade de que a classe trabalhadora aprofunde a experi\u00eancia com o petismo e com o cutismo (\u201cmodelo\u201d sindical) e possa construir novos instrumentos de luta.<\/p>\n<p>Dizemos isso porque o papel que a CUT e as demais centrais sindicais cumpriram nessas mobiliza\u00e7\u00f5es foram de grande valia para os capitalistas, pois tra\u00edam descaradamente as greves ou, quando eram obrigadas a decretar as greves, faziam de tudo para n\u00e3o se fortalecerem. Banc\u00e1rios \u00e9 o melhor exemplo de como essas dire\u00e7\u00f5es atuam. Isso \u00e9 assim porque essas centrais est\u00e3o completamente integradas \u00e0 l\u00f3gica do capital.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse o papel cumprido por essas centrais, outro problema que as lutas enfrentaram foi a timidez da pr\u00f3pria CSP-Conlutas, que n\u00e3o foi capaz de se apresentar como uma alternativa real para a classe trabalhadora.Nos principais desafios que teve \u00e0 frente terminou por privilegiar uma interven\u00e7\u00e3o rebaixada, como foi o caso das amea\u00e7as de demiss\u00e3o na GM em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos \u2013 SP, pois sequer levantou a bandeira de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio e ainda comemorou um acordo complicado que aceita o PDV e o lay off (trabalhadores s\u00e3o afastados da empresa e passam a receber uma parte do sal\u00e1rio da empresa e outra do FAT &#8211; Fundo de Amparo ao Trabalhador &#8211; do Minist\u00e9rio do Trabalho).<\/p>\n<p>Isso ocorre exatamente em um momento que se faz necess\u00e1rio uma disputa ideol\u00f3gica contra a burguesia. A principal central de esquerda do pa\u00eds aplica uma pol\u00edtica que tem como base um sindicalismo imediatista e economicista, que se move em torno de pautas parciais.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo per\u00edodo a constru\u00e7\u00e3o de um sindicalismo de base e que se proponha a ir al\u00e9m da luta econ\u00f4mica e parcial ser\u00e1 decisivo para o enfrentamento do capital. Essa \u00e9 a tarefa que se prop\u00f5e o \u201cbloco classista, anticapitalista e de base\u201d (Movimento Revolucion\u00e1rio, Espa\u00e7o Socialista e Independentes) que se formou no Congresso da CSP-Conlutas desse ano e foi lan\u00e7ado oficialmente na \u00faltima reuni\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional desta Central.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo2\"><\/a><\/h3>\n<h2>A CRIMINALIZA\u00c7\u00c3O E A PERSEGUI\u00c7\u00c3O AOS QUE LUTAM NAS UNIVERSIDADES<\/h2>\n<p class=\"rteleft\" style=\"text-align: right;\">Thais Menezes &#8211; Juventude do Espa\u00e7o Socialista<\/p>\n<p>Com o crescimento e aprofundamento dos problemas gerados pelo pr\u00f3prio capitalismo, o Estado v\u00ea como necessidade prim\u00e1ria intensificar a repress\u00e3o para manter a \u201cordem\u201d.Para isso, difunde massivamente o espet\u00e1culo midi\u00e1tico da viol\u00eancia e com a desculpa de nos proteger, intensifica a repress\u00e3o jur\u00eddico-policial. Acontece que a viol\u00eancia por parte do Estado adquire certa legitima\u00e7\u00e3o da maioria da classe trabalhadora por meio do discurso da \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica\u201d, em rea\u00e7\u00e3o a um temor social generalizado fomentado n\u00e3o despretensiosamente pela m\u00eddia burguesa.<\/p>\n<p>A neurose do medo \u00e9 plantada na cabe\u00e7a do trabalhador por meio da quase animaliza\u00e7\u00e3o da imagem do setor mais pauperizado da classe na m\u00eddia. Este apelo imputa aos trabalhadores um potencial violento e cruel exagerado, muito al\u00e9m do que realmente acontece nas ruas em larga escala. Assim, setores da classe s\u00e3o taxados como perigosos e jogados uns contra os outros. Amedrontados, os trabalhadores acabam assinando um cheque em branco para o Estado fazer uso da viol\u00eancia.<\/p>\n<h4><strong>REPRESS\u00c3O LEGITIMADA, TRABALHADORES DIVIDIDOS<\/strong><\/h4>\n<p>Infelizmente legitimada pela maioria, a viol\u00eancia policial contra os trabalhadores \u00e9 cotidiana. Em cinco anos, de 2006 a 2010, no Estado de S\u00e3o Paulo, 2.262 pessoas foram mortas ap\u00f3s supostos confrontos com a PM, que matou, portanto, quase nove vezes mais do que a pol\u00edcia norte-americana (Folha de S\u00e3o Paulo). Na Bahia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior, mais de uma morte por dia: \u201cNa m\u00e9dia, este \u00e9 o resultado dos Autos de Resist\u00eancia (AR) na Bahia, de janeiro a agosto deste ano. Em 244 dias, foram registrados 267 \u00f3bitos de pessoas envolvidas em alegados confrontos com policiais\u201d (Correio 24 horas). A pr\u00f3pria ONU tem discutido a forma como a pol\u00edcia militar atua no Brasil e j\u00e1 recomendou a extin\u00e7\u00e3o desta enquanto \u00f3rg\u00e3o separado (BBC Brasil).<\/p>\n<p>Aos que n\u00e3o s\u00e3o assassinados, muitas vezes resta a priva\u00e7\u00e3o da liberdade. O Brasil possui a 4\u00aa maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do mundo, tendo cerca de 500 mil pessoas hoje vivendo em um sistema prisional superlotado e em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. &#8220;Pela lei brasileira, cada preso tem que ter no m\u00ednimo seis metros quadrados de espa\u00e7o (na unidade prisional). Encontramos situa\u00e7\u00f5es em que cada um tinha s\u00f3 70 cm quadrados&#8221;. (BBC Brasil)<\/p>\n<p>Mas ao mesmo tempo em que o Estado marginaliza e criminaliza individualmente, assassina, encarcera e demoniza a imagem do setor mais pauperizado dos trabalhadores assim dificultando sua unidade para lutar, reprime e criminaliza tamb\u00e9m as tentativas coletivas de contesta\u00e7\u00e3o a esta ordem, expressas nos movimentos social, sindical e estudantil.<\/p>\n<h4><strong>ORGANIZA\u00c7\u00c3O TEM SIDO COMBATIDA COM MUITA REPRESS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Em 2007-2008, o movimento estudantil manifestou um ascenso memor\u00e1vel. As pautas passavam da rea\u00e7\u00e3o \u00e0 tentativa do Governo Lula de implantar a Reforma Universit\u00e1ria e as consequ\u00eancias j\u00e1 sentidas de um processo anterior de privatiza\u00e7\u00e3o \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas de cada universidade. O pa\u00eds foi presenteado pela juventude universit\u00e1ria com muita mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil de fora a fora, uma s\u00e9rie de greves e ocupa\u00e7\u00f5es de reitorias (UFBA, USP, UNICAMP, UEL, UFJF, UFPA, UFRJ, UFMA, UFRGS, UFAL, PUC, Unirio, UFF, FSA, UFAM, UNB, UFMG, UERJ, UNCISAL, UFMS, UFS, UFSCAR, UFC, FSA, etc.), inclusive culminando na queda de alguns reitores, como Timothy Mulholland, na UNB e Odair Bermelho na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9.<\/p>\n<p>Em resposta a esse processo de lutas houve muita persegui\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o. Diversas universidades foram invadidas pela pol\u00edcia, desocupa\u00e7\u00f5es violentas foram feitas, policiais sem identifica\u00e7\u00e3o espancaram e amea\u00e7aram estudantes. A m\u00eddia nada dizia sobre a repress\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria das universidades e as reivindica\u00e7\u00f5es, somente acusava os estudantes de dano ao patrim\u00f4nio p\u00fablico, exportando uma vers\u00e3o encomendada dos fatos e compactuando com os cen\u00e1rios de destrui\u00e7\u00e3o de reitorias montados pela pr\u00f3pria pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Por lutar, em cada universidade dezenas de estudantes combativos foram punidos, presos nas desocupa\u00e7\u00f5es, fichados, multados e tiveram que responder a inqu\u00e9ritos e assinar acordos com a justi\u00e7a. Muitos acabaram saindo com processos criminais nas costas.<\/p>\n<p>A ofensiva de criminaliza\u00e7\u00e3o aos lutadores foi dura e um movimento que estava nos primeiros passos de sua tentativa de reorganiza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s clara coopta\u00e7\u00e3o governista da UNE confirmada no primeiro mandato de Lula, sentiu fortemente o baque. O refluxo foi inevit\u00e1vel. A presen\u00e7a de setores governistas com sua atua\u00e7\u00e3o limitada \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o eleitoral e \u00e0 defesa das pol\u00edticas do Governo, como a UNE, e a aparatiza\u00e7\u00e3o do movimento em prol da sua pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o por partidos e organiza\u00e7\u00f5es degenerados da pr\u00f3pria esquerda, como o PSTU e o PSOL, n\u00e3o contribu\u00edram para que a mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil conseguisse superar esse momento dif\u00edcil.<\/p>\n<p>O ano de 2011 d\u00e1 as caras com ascensos populares por todo o mundo. \u00c9 dado o primeiro pontap\u00e9 da posteriormente intitulada Primavera \u00c1rabe, a rebeli\u00e3o no Egito. A juventude se levanta por todo canto, Espanha, Portugal, Gr\u00e9cia, Inglaterra e Chile, com uma massiva luta pelo resgate da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Alguns processos de luta estudantil se abrem tamb\u00e9m em algumas universidades brasileiras, por\u00e9m agora em unidade e de certa forma na depend\u00eancia das lutas dos trabalhadores do funcionalismo p\u00fablico e dos docentes das universidades.<\/p>\n<p>J\u00e1 na USP, o ME fecha o ano com maior radicaliza\u00e7\u00e3o e desvincula\u00e7\u00e3o. O saldo foram 73 estudantes presos e processados criminalmente. As mobiliza\u00e7\u00f5es eram contra o avan\u00e7o do projeto privatista da Universidade, culminando no fechamento de conv\u00eanio entre a reitoria e a Pol\u00edcia Militar, para vigiar e controlar os lutadores, limpando terreno. No in\u00edcio de 2012 a reitoria da USP avan\u00e7a nos ataques e investe nos processos administrativos, para os quais t\u00eam dado foco, visando a expuls\u00e3o dos estudantes. A parca moradia estudantil tamb\u00e9m foi invadida pela pol\u00edcia e pessoas foram agredidas e processadas.<\/p>\n<p>O ano de 2012 n\u00e3o foi tranquilo para a burguesia nem para governo, contou com ascensos dos trabalhadores por todo o pa\u00eds. Nas universidades explodiu a grande greve nacional dos servidores p\u00fablicos federais e docentes universit\u00e1rios. Em muitas universidades, os estudantes entraram em luta em solidariedade ao movimento dos trabalhadores, mas em algumas tamb\u00e9m encamparam sua luta estudantil aut\u00f4noma paralelamente. A UNIFESP Guarulhos \u00e9 um desses casos, a luta continuou, com um saldo de 173 estudantes entre presos e processados que, inclusive, ainda hoje lutam contra o avan\u00e7o dos processos.<\/p>\n<p>Na UFES, em Vit\u00f3ria, a luta por moradia estudantil tamb\u00e9m teve autonomia e foi reprimida com viol\u00eancia. Em outro epis\u00f3dio no mesmo local, 3 estudantes foram presos arbitrariamente durante exibi\u00e7\u00e3o de filme dentro do campus na calada da noite. Na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9, hoje v\u00e1rios estudantes em luta passam por processos de sindic\u00e2ncia que visam a expuls\u00e3o. Uma simples manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica em evento comemorativo na C\u00e2mara dos Vereadores de Santo Andr\u00e9 motivou uma dessas sindic\u00e2ncias inclusive.<\/p>\n<p>No marco da crise estrutural do capital, o Estado tem sofrido press\u00f5es para aplicar com maior rapidez os projetos da burguesia, n\u00e3o havendo mais tanta margem para negocia\u00e7\u00f5es ou media\u00e7\u00f5es. Hoje nas universidades \u00e9 poss\u00edvel observar uma ofensiva mais focada, que em 2007-2008, em eliminar com rapidez os lutadores dos espa\u00e7os onde projetos precisam ser aplicados, isso se expressa nos processos administrativos.<\/p>\n<p>O movimento estudantil se carateriza por ser um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica, onde experi\u00eancias de resist\u00eancia muito importantes s\u00e3o feitas e onde lutadores valiosos s\u00e3o formados para, muitas vezes, lutar por toda uma vida por uma sociedade diferente desta. Da mesma forma que sabemos disso, a burguesia tamb\u00e9m sabe e a tentativa de desmobilizar os lutadores j\u00e1 no movimento estudantil faz todo o sentido.<\/p>\n<h4><strong>RECONSTRUIR PELA BASE E DEFENDER OS LUTADORES<\/strong><\/h4>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o do movimento estudantil passa pela rejei\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos aparatistas. Defendemos que os partidos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tenham como prioridade a constru\u00e7\u00e3o dos movimentos e n\u00e3o sua pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o, que seria uma consequ\u00eancia natural de sua inser\u00e7\u00e3o real no movimento. As quest\u00f5es nacionais s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia, mas t\u00eam dose e momento certo para serem colocadas com qualidade. \u00c9 preciso tomar as demandas locais dos estudantes como prioridades e ter inser\u00e7\u00e3o real e \u00fatil entre eles. Colocar bandeiras nacionais a todo custo acima das vontades dos estudantes caminha na contram\u00e3o disso, torna a esquerda militante alien\u00edgena ao conjunto dos estudantes e a isola, prejudicando a constru\u00e7\u00e3o do movimento e, inclusive, dificultando sua defesa em momentos de repress\u00e3o.<\/p>\n<p>As dificuldades da luta por uma sociedade sem opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o inumer\u00e1veis. Assim, a necessidade da defesa dos lutadores e da luta contra a repress\u00e3o se colocam como pressuposto \u00e0 sobreviv\u00eancia da j\u00e1 \u00e1rdua tarefa da esquerda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<h4><strong>CONTRA A REPRESS\u00c3O E CONTRA O CAPITALISMO<\/strong><\/h4>\n<p>Por\u00e9m, a campanha contra a repress\u00e3o nas universidades e em todo lugar n\u00e3o deve ser meramente democr\u00e1tica. Repress\u00e3o se combate com a livre organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e estudantes em luta para al\u00e9m das conquistas democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, a l\u00f3gica do lucro e todas as suas g\u00e9lidas consequ\u00eancias, que se expressam tamb\u00e9m nas universidades, muitas vezes passam por fora da legalidade e expressam formas de organiza\u00e7\u00e3o muito mais complexas e democr\u00e1ticas que as costumeiras na sociedade, por\u00e9m, fora das institucionalidades.<\/p>\n<p>A estrutura antidemocr\u00e1tica das universidades, a \u00ednfima representa\u00e7\u00e3o estudantil nos conselhos deliberativos e consultivos e a totalidade da democracia que a burguesia pode nos oferecer n\u00e3o s\u00e3o capazes de abarcar as profundas mudan\u00e7as que queremos. Precisamos romper com estas estruturas e para isso temos que estar preparados para a rea\u00e7\u00e3o da burguesia. A defesa dos lutadores deve ser tomada como tarefa fundamental de todo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h2>\u00a0O QUE CELEBRAR NO 20 DE NOVEMBRO, DIA DA CONSCI\u00caNCIA NEGRA?<\/h2>\n<p class=\"rteleft\" style=\"text-align: right;\">J\u00f4natas Barbosa, Jos\u00e9 J\u00e2nio e Rog\u00e9rio Azevedo<\/p>\n<p>O dia 20 de novembro \u00e9 a data oficializada pelo Estado brasileiro como o \u201cDia da Consci\u00eancia Negra\u201d. Nesse dia, nos acostumamos a ver shows com m\u00fasica de negro e apresenta\u00e7\u00f5es com artistas negros dan\u00e7ando e representando uma s\u00e9rie de express\u00f5es art\u00edsticas afro em todos os cantos do Brasil. Boa parte dessas comemora\u00e7\u00f5es \u00e9 organizada pelo Estado, atrav\u00e9s dos munic\u00edpios, estados e uni\u00e3o. V\u00e1rias ONGs, partidos pol\u00edticos e grupos se incorporam a esses festejos. No entanto, ser\u00e1 mesmo que essa data tem que ser comemorada da forma e com o conte\u00fado que tem tomado ao longo desses \u00faltimos anos?<\/p>\n<p>Foi em 20 de novembro de 1695 que o l\u00edder mais conhecido do Quilombo dos Palmares (atual territ\u00f3rio pertencente ao estado de Alagoas) Zumbi, foi assassinado quando lutava pela liberta\u00e7\u00e3o dos negros contra os senhores de escravos durante o per\u00edodo do Brasil col\u00f4nia. Vindos dos pa\u00edses africanos, a m\u00e3o de obra escrava serviu durante muito tempo para enriquecer a classe dominante da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, com o desenvolvimento do modo de produ\u00e7\u00e3o e tendo como momento predominante a m\u00e3o de obra assalariada, os senhores de escravos \u201creconheceram\u201d que era bem mais caro manter um escravo do que pagar sal\u00e1rios. Aliado a isso, a luta e as revoltas do povo negro, que fugiam para os quilombos por todo o pa\u00eds, foram fatores determinantes para legaliza\u00e7\u00e3o do fim da escravid\u00e3o. Falamos em legalidade, porque a escravid\u00e3o era permitida por lei, sendo o Brasil o \u00faltimo pa\u00eds do mundo (1888) a abolir as leis que garantiam \u00e0s classes dominantes escravizar os negros. Por mais de tr\u00eas s\u00e9culos, os negros no Brasil foram tratados como coisas; meros objetos de compra e venda, e por diversas vezes, de acordo com sua serventia, descartados pelos seus donos.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra escrava pela assalariada, n\u00e3o significou dizer que o capitalismo n\u00e3o absolvesse o racismo em benef\u00edcio do seu funcionamento. Os escravos \u2013 agora \u201cex-escravos\u201d e, portanto, \u201clivres\u201d \u2013 foram incorporados ao sistema capitalista ocupando os piores empregos em troca dos piores sal\u00e1rios, isso quando conseguiam ser empregados. Se diminuir os custos da produ\u00e7\u00e3o faz os lucros serem maiores, pouco importa, para os patr\u00f5es, se essa diminui\u00e7\u00e3o de custos ser\u00e1 a parte que vai faltar no sal\u00e1rio da parcela dos trabalhadores que s\u00e3o negros. E essa baixa nos sal\u00e1rios ser\u00e1 aceita, de forma velada ou n\u00e3o, pela concorr\u00eancia posta pelo modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e tamb\u00e9m, agora, sendo atendida pela pr\u00f3pria sociedade marcada historicamente pelo racismo. Ou seja, o racismo foi e \u00e9 usado pelo capitalismo para obten\u00e7\u00e3o de lucro em cima dos baixos sal\u00e1rios dos trabalhadores negros.<\/p>\n<p>Se antes os negros estavam nas senzalas, cozinhas e lavouras, hoje continuam ocupando as cozinhas dos brancos nos pr\u00e9dios das orlas e condom\u00ednios das grandes cidades; cortando cana nos canaviais de usinas sucroalcooleiras. Como benesses do capitalismo n\u00e3o est\u00e3o mais nas senzalas e sim nas favelas. Cumprem, em sua maioria, as mesmas fun\u00e7\u00f5es que cumpriam no passado, mas, agora, recebem os mais baixos sal\u00e1rios do sistema capitalista e moram nos piores lugares das grandes cidades principalmente. Assim, confirmam-se os resultados da pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), na qual se verificou que 70,2% do total de mortos pela pol\u00edcia do Rio s\u00e3o pardas e\/ou negras.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) divulgados em 2003, o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador branco \u00e9 de R$ 931,00 enquanto o sal\u00e1rio m\u00e9dio do negro \u00e9 de R$ 428,30. Quando comparamos a quest\u00e3o das mulheres, temos um quadro ainda pior: a mulher branca ganha em m\u00e9dia R$ 554,60 e a mulher negra R$ 279,70. Observando os n\u00fameros, podemos perceber que o homem branco recebe o triplo do sal\u00e1rio da mulher negra. Se considerarmos que essas diferen\u00e7as se encaixam apenas nos poucos negros que conseguiram, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, se encaixar no mercado, podemos verificar como vivem aqueles que nem a essa \u201csorte\u201d foram lan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Essa incorpora\u00e7\u00e3o do racismo ao sistema capitalista sempre foi um problema para os partidos e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Boa parte n\u00e3o consegue enxergar que o racismo est\u00e1 umbilicalmente ligado \u00e0 quest\u00e3o do interesse entre as classes sociais que comp\u00f5em o capitalismo. Se de um lado temos a burguesia que, cada vez mais, quer tirar seu lucro em cima dos trabalhadores, esses \u00faltimos por sua vez, querem tirar maiores sal\u00e1rios dos seus patr\u00f5es para terem condi\u00e7\u00f5es de vida melhores. Por\u00e9m, \u00e9 dentro da classe trabalhadora que encontramos os negros. Esses que antes do capitalismo eram escravos agora s\u00e3o trabalhadores \u201clivres\u201d que teoricamente s\u00e3o iguais ao resto da classe trabalhadora branca. Falamos teoricamente, porque na pr\u00e1tica, como afirmamos acima, os negros s\u00e3o a parcela da classe trabalhadora mais explorada do que os j\u00e1 explorados trabalhadores de uma forma geral.<\/p>\n<p>Por outro lado, assistimos a uma metamorfose do pr\u00f3prio capitalismo, em querer passar para toda a sociedade a ideia de que tomou para si a resolu\u00e7\u00e3o definitiva do racismo. Campanhas publicit\u00e1rias, sistemas de cotas, ocupa\u00e7\u00e3o de alguns cargos de alto escal\u00e3o do Estado e de grandes empresas s\u00e3o alguns dos exemplos dessa movimenta\u00e7\u00e3o. Logicamente, essa aten\u00e7\u00e3o do capitalismo de passar a ideia de que o racismo acabou, aos poucos, atrav\u00e9s de pol\u00edticas de inclus\u00e3o social para os negros e a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos importantes por parte dos negros, somente tenta esconder a origem do racismo. Mais ainda, tentam passar a ideia de que no passado recente da hist\u00f3ria do pa\u00eds o que aconteceu foi a jun\u00e7\u00e3o perfeita entre brancos, pretos e \u00edndios e que o dia 20 de novembro serve para prestarmos uma homenagem a uma das partes desse casamento \u201cperfeito\u201d que originou o povo brasileiro.<\/p>\n<p>Dessa forma, o discurso, inclusive, dominante na maioria das universidades do Brasil, esconde que a supera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio racismo \u00e9 imposs\u00edvel dentro dos marcos da sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Temos ainda, alguns poucos partidos de esquerda que tomam para si a quest\u00e3o racial como a quest\u00e3o de classe, no entanto, e sob o argumento de que precisam dialogar com a realidade, acabam tratando a quest\u00e3o em suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da mesma forma fragmentada que \u00e9 feita pela classe dominante. Dessa forma, \u00e9 comum vermos nos espa\u00e7os de auto-organiza\u00e7\u00e3o da esquerda, a separa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios trabalhadores para discutir as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade capitalista na hora de tratar da quest\u00e3o racial, nos quais negros tratam da quest\u00e3o de negro, mulheres tratam das quest\u00f5es de mulheres e assim por diante.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos conseguido superar essa segrega\u00e7\u00e3o interna da pr\u00f3pria classe trabalhadora. Como resultado disso, acabamos de forma consciente ou inconsciente, agindo ou se omitindo contribuindo ou corroborando com a forma e o conte\u00fado das manifesta\u00e7\u00f5es que assistimos todos os anos no dia 20 de novembro.<\/p>\n<p>Quando Zumbi foi assassinado por Domingos Jorge Velho no final do s\u00e9culo XVII, o Brasil vivia um momento de intenso embate entre senhores e escravos. A decis\u00e3o de tomada por milhares de escravos naquela \u00e9poca de fugirem das senzalas e das fazendas de seus donos e irem morar em comunidades no alto das montanhas ao longo do territ\u00f3rio nacional n\u00e3o era uma luta para que hoje tiv\u00e9ssemos a liberdade de montarmos uma banda de pagode, uma roda de capoeira ou uma exposi\u00e7\u00e3o de comidas afro. A luta das comunidades quilombolas era para que todos fossem iguais, brancos ou pretos.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, se muitos deles estivessem vivos hoje n\u00e3o hesitaram em afirmar que as condi\u00e7\u00f5es de vida dos negros s\u00e3o bem melhores do que naquela \u00e9poca. No entanto, essa express\u00e3o \u201c\u00e9 bem melhor\u201d torna-se bastante relativo quando olhamos para uma favela de qualquer grande cidade do Brasil e vemos que a maioria esmagadora da popula\u00e7\u00e3o que ali habita \u00e9 de negros; que quando queremos xingar algu\u00e9m de \u201csafado\u201d e esse algu\u00e9m \u00e9 preto chamamos de \u201cnegro safado\u201d; que quem ainda lava os pratos, faz a comida, engraxa os sapatos, estaciona os carros para os brancos continuam sendo, em sua maioria, os negros, etc.<\/p>\n<p>Por isso, mais do que ser um dia para se manifestar toda a riqueza cultural dos negros, a data 20 de novembro tem que servir para manifestarmos nossos anseios por um mundo no qual n\u00e3o exista nenhuma forma de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, afinal esse era o anseio de toda uma gera\u00e7\u00e3o representada nessa data pela figura de Zumbi dos Palmares.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h2>2012: PROFESSORES ENFRENTAM PRECARIZA\u00c7\u00c3O E MERITOCRACIA<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Alexandre Ferraz\/N\u00facleo professores<\/p>\n<p>Qual o sentido deste ano para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica e para as lutas dos professores? Qual a sua marca distintiva? O que deixa como tend\u00eancias para 2013?<\/p>\n<p>Da parte dos governos, n\u00e3o houve mudan\u00e7a nos projetos educacionais no sentido de reverter as tend\u00eancias vigentes. Ao contr\u00e1rio, temos a generaliza\u00e7\u00e3o e aprofundamento dos ataques \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica pelo sistema do capital.<\/p>\n<h4><strong> INVESTIMENTO M\u00cdNIMO X COBRAN\u00c7A M\u00c1XIMA<\/strong><\/h4>\n<p>Em primeiro lugar, vivenciamos o corte ou n\u00e3o-investimento por parte dos estados nacionais e sua negativa em oferecer Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica de acordo com os interesses dos trabalhadores e seus filhos. O dinheiro da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 enviado para garantir a lucratividade do empresariado no contexto de crise estrutural do capital.<br \/>\nAo mesmo tempo, os professores s\u00e3o cobrados por mais tarefas e obriga\u00e7\u00f5es, que alteram a natureza mesma do nosso papel e do pr\u00f3prio conceito de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A perda da liberdade de c\u00e1tedra (liberdade de ensino-aprendizagem) com a imposi\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo (conte\u00fados a serem ensinados) em base aos interesses dos setores empresariais e a uniformiza\u00e7\u00e3o do conhecimento atrav\u00e9s de caderninhos do aluno e avalia\u00e7\u00f5es externas, s\u00e3o a forma encontrada de tratar como iguais os desiguais (as escolas de centro e de periferia, os diferentes turnos, as diferentes turmas e os diferentes alunos de uma mesma turma).<\/p>\n<p>Temos a aplica\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica empresarial, onde o aluno \u00e9 considerado uma pe\u00e7a, cuja \u201cqualidade\u201d deve ser cobrada em termos de sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s finalidades limitadas de forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra prec\u00e1ria para o sistema.<\/p>\n<p>Todos os demais fatores como a forma\u00e7\u00e3o social e cultural dos alunos, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho (n\u00famero de alunos por turma, aulas dispon\u00edveis para prepara\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o das atividades, rebaixamento salarial, falta de estrutura nas escolas) s\u00e3o intencionalmente exclu\u00eddos do quadro de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Dentro desse projeto, tem lugar central a individualiza\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a e puni\u00e7\u00e3o dos professores(as), inclusive com a possibilidade futura de demiss\u00e3o at\u00e9 mesmo dos efetivos(as) por \u201cinsufici\u00eancia de desempenho\u201d, como vem ocorrendo na Espanha, Portugal e Chicago.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de m\u00e9rito consistem em conceder reajustes salariais parciais e outras \u201cvantagens\u201d apenas para um setor minorit\u00e1rio da categoria, que consegue atingir os crit\u00e9rios, excludentes a priori.<\/p>\n<p>Agora v\u00eam juntar-se a isso os chamados Planos de Carreira, que n\u00e3o passam de avalia\u00e7\u00f5es individuais de desempenho ao decompor e atribuir pontua\u00e7\u00e3o a cada uma das atividades realizadas pelos professores, resultando em evolu\u00e7\u00f5es m\u00ednimas e restritas a uma parte da categoria.<\/p>\n<p>O alto grau de subjetividade \u00e9 vis\u00edvel, pois essas avalia\u00e7\u00f5es ser\u00e3o feitas pelas dire\u00e7\u00f5es das escolas.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter tendencioso desse conjunto de pol\u00edticas tem tido impactos em nossa categoria, seja em sua realidade objetiva (diferencia\u00e7\u00f5es salariais e de classifica\u00e7\u00e3o), como em sua consci\u00eancia (aumento do individualismo, dificultando as a\u00e7\u00f5es coletivas maiores).<\/p>\n<p>Contribuiu para isso o fato de que as principais entidades da Educa\u00e7\u00e3o, dirigidas pela corrente Articula\u00e7\u00e3o Sindical (PT), t\u00eam sido coniventes e at\u00e9 mesmo t\u00eam apoiado a meritocracia, de forma velada ou expl\u00edcita.<\/p>\n<p>Como parte disso, temos as provas para os professores tempor\u00e1rios, que visam jogar os setores mais jovens contra os mais antigos da categoria e, ao mesmo tempo, a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos contratuais das quais o professor tempor\u00e1rio (categoria \u201cO\u201d em S\u00e3o Paulo) \u00e9 um exemplo do que o sistema tem imposto nos v\u00e1rios estados e pa\u00edses.<\/p>\n<h4><strong> NAS ESCOLAS&#8230; A PRECARIZA\u00c7\u00c3O E A REPRESS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>O quadro geral de precariza\u00e7\u00e3o aprofunda-se com a falta de estrutura m\u00ednima nas escolas, muitas das quais est\u00e3o literalmente caindo. Quando ocorrem reformas, s\u00e3o realizadas visando apenas interesses eleitorais, durante o ano letivo, se estendendo por diversos meses e expondo professores e alunos a condi\u00e7\u00f5es absolutamente insalubres.<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o da escola com os alunos, a \u00eanfase recai no doutrinamento, na coer\u00e7\u00e3o e na repress\u00e3o, como forma de se evitar questionamentos \u00e0 ordem de domina\u00e7\u00e3o. As grades, as c\u00e2meras nos corredores, nas salas dos professores e at\u00e9 em salas de aula, e a presen\u00e7a cada vez mais constante da pol\u00edcia no interior das escolas mostram essa tend\u00eancia.<\/p>\n<p>A fim de impor essa combina\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria entre investimento m\u00ednimo e cobran\u00e7a m\u00e1xima, num ambiente cada vez mais ca\u00f3tico e potencialmente explosivo, o sistema apela ao autoritarismo e ass\u00e9dio moral de Diretorias de Ensino, supervisoras e equipes gestoras, levando \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o e acirramento dos conflitos nas escolas entre dire\u00e7\u00e3o e professores, professores e alunos, professores e pais, e professores entre si.<\/p>\n<p>Cada vez mais, as escolas acumulam tens\u00f5es que inevitavelmente tendem a explodir em algum momento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e0 medida que todo esse projeto vai sendo implementado, tamb\u00e9m vai tomando corpo e revelando sua ess\u00eancia. Fica cada vez mais claro que n\u00e3o se trata de uma pol\u00edtica para propiciar melhoria na Educa\u00e7\u00e3o, apenas mais cobran\u00e7a, competi\u00e7\u00e3o, enquadramento e puni\u00e7\u00e3o, de forma a legitimar o n\u00e3o investimento em Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica de qualidade para todos, pois isso n\u00e3o interessa ao sistema capitalista e aos governos.<\/p>\n<h4><strong> 2012: LUTAS NOS PA\u00cdSES CENTRAIS QUESTIONAM MATRIZ DOS PROJETOS<\/strong><\/h4>\n<p>Em 2012, ganharam corpo as lutas do setor de Educa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses centrais, com destaque para Gr\u00e9cia, It\u00e1lia, Espanha, contra os cortes or\u00e7ament\u00e1rios a servi\u00e7o de salvar o capital.<\/p>\n<p>Nos EUA, vimos surgir uma das greves mais importantes e que devem prenunciar muitas outras naquele e em outros pa\u00edses para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>A Greve dos professores de Chicago n\u00e3o se enfrentou apenas com os cortes or\u00e7ament\u00e1rios, mas contra todo um projeto educacional (Reforma de Nova Yorque) que tem servido de matriz para muitos outros sistemas educacionais, particularmente da Am\u00e9rica Latina e do Brasil.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ressurge o movimento pela derrubada da estrutura privatista de Educa\u00e7\u00e3o criada no Chile por Pinochet e mantida pelos governos que o seguiram. E agora, em Buenos Aires, surge uma greve das escolas secund\u00e1rias contra a Reforma Curricular, que pretende eliminar mat\u00e9rias t\u00e9cnicas no segundo grau.<\/p>\n<h4><strong> O QUE ESSAS LUTAS T\u00caM EM COMUM?<\/strong><\/h4>\n<p>Em primeiro lugar, come\u00e7am a enfrentar-se n\u00e3o apenas contra as consequ\u00eancias, mas contra um projeto educacional maior, em que os professores s\u00e3o expostos \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o, cobran\u00e7a e monitoramento de seu trabalho e a formas prec\u00e1rias de contrata\u00e7\u00e3o, ditadas pelos interesses do capital contra os trabalhadores e os servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, s\u00e3o movimentos que tendem a ocorrer em unidade com pais, alunos, apoio de outras categorias de trabalhadores e at\u00e9 setores empobrecidos da classe m\u00e9dia. Em alguns lugares, s\u00e3o mais do que simples greves, tomam a forma de micro-rebeli\u00f5es educacionais e sociais, como no M\u00e9xico e em Buenos Aires.<\/p>\n<p>Avan\u00e7am para a radicaliza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de luta, pois combina-se a entrada em cena uma nova gera\u00e7\u00e3o de professores em unidade com uma juventude estudantil sem perspectivas de melhoria futura, como tamb\u00e9m pelo endurecimento dos governos, que reprimem e acirram os enfrentamentos. Isso tem resultado em um ativismo muito forte nos momentos de luta.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o ainda enfrenta desigualdades no interior das categorias, onde temos ao mesmo tempo setores acomodados, mas tamb\u00e9m outros com grande radicaliza\u00e7\u00e3o, dando origem a vanguardas mais amplas, cujas a\u00e7\u00f5es, se n\u00e3o s\u00e3o diretamente seguidas, possuem legitima\u00e7\u00e3o e respaldo em setores de massa, tornando poss\u00edvel um avan\u00e7o que antes n\u00e3o existia. \u00c9 o caso dos bloqueios de estradas e avenidas no Chile e no M\u00e9xico, do enfrentamento \u00e0 pol\u00edcia no M\u00e9xico e em Buenos Aires, entre outros.<\/p>\n<h4><strong> POR AQUI TAMB\u00c9M H\u00c1 NOVOS DESAFIOS PARA AS LUTAS<\/strong><\/h4>\n<p>Entendemos, portanto, que a marca fundamental deste ano foi a amplia\u00e7\u00e3o, nos pa\u00edses centrais, do questionamento dos projetos adaptados aos interesses privados das empresas e de manuten\u00e7\u00e3o da ordem de governos comprometidos com a transfer\u00eancia cada vez maior das \u00e1reas sociais para o empresariado.<\/p>\n<p>Assim, podemos esperar que, daqui para a frente, as tend\u00eancias n\u00e3o ser\u00e3o apenas de novos ataques, que certamente vir\u00e3o \u2013 at\u00e9 pela necessidade do sistema de prosseguir e aprofundar essas tend\u00eancias acima. Teremos cada vez mais as rea\u00e7\u00f5es de protesto, lutas cada vez mais duras no interior das escolas e redes de ensino, tendendo a se transformar em micro-rebeli\u00f5es contra o modelo educacional burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m tudo leva a crer que novas tens\u00f5es se acumulam e se desenvolvem, dentro e fora das escolas. Um clima de insatisfa\u00e7\u00e3o se faz sentir. Come\u00e7am a se dar condi\u00e7\u00f5es para uma campanha de den\u00fancia e luta mais direta contra o projeto em curso como um todo, mesmo que ainda com a participa\u00e7\u00e3o de um setor minorit\u00e1rio, mas cujo envolvimento pode levar a uma expans\u00e3o, inclusive para al\u00e9m da nossa categoria.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso identificar essas possibilidades de a\u00e7\u00f5es e campanhas para n\u00e3o ter posi\u00e7\u00f5es recuadas perante os acontecimentos, como tem ocorrido diversas vezes ao longo deste ano, mesmo com setores da Oposi\u00e7\u00e3o, particularmente o PSTU e PSOL em situa\u00e7\u00f5es em que deixaram de se colocar, na pr\u00e1tica, como um p\u00f3lo alternativo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da APEOESP (Articula\u00e7\u00e3o Sindical).<\/p>\n<p>Isso ocorre pela dificuldade dessas correntes em empalmarem com esse processo e isso n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Sua acomoda\u00e7\u00e3o a anos de luta de \u201cnormalidade\u201d da democracia burguesa, em um contexto de categorias que eram mais homog\u00eaneas, assim como sua adapta\u00e7\u00e3o (ainda que parcial) aos limites e aos privil\u00e9gios nas estruturas sindicais burocratizadas, lhes tiram os reflexos, a intui\u00e7\u00e3o, a ousadia e a criatividade, ficando totalmente aqu\u00e9m das necessidades colocadas pela situa\u00e7\u00e3o atual e pelo tipo de movimento necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como medidas pr\u00e1ticas, \u00e9 preciso buscar v\u00ednculos com nossos colegas, e tamb\u00e9m com alunos e pais, chamando-os para enfrentar esse processo de ataques dentro das escolas e nas ruas, em frente \u00e0s Diretorias de Ensino, etc.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m uma Campanha Permanente contra esse projeto geral capitalista de precariza\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, com palestras, cartas-abertas, carros de som nos bairros, atividades pol\u00edtico-culturais de protesto nas pra\u00e7as p\u00fablicas e na periferia, utilizando as redes sociais, etc.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2>AVENIDA BRASIL \u2013 CONSTRU\u00c7\u00c3O DE PERSONAGENS QUE REFOR\u00c7AM A VIOL\u00caNCIA CONTRA A MULHER<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda e Neuza Peres<\/p>\n<p>A viol\u00eancia, sob o capitalismo, parece t\u00e3o entranhada em nosso cotidiano que pensar e agir em fun\u00e7\u00e3o dela deixou de ser um ato circunstancial, para se tornar uma forma de ver e de viver o mundo incorporada ativamente pela m\u00eddia machista, sensacionalista e a servi\u00e7o da ideologia dominante. Especialmente, o mundo das grandes metr\u00f3poles \u2013 aglomerados humanos que se tornam, a cada dia, o celeiro da cultura da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Contudo, quando se fala em viol\u00eancia, a primeira imagem que nos vem \u00e0 mente \u00e9 aquela que exprime agress\u00e3o f\u00edsica, que nos atinge naquilo que possu\u00edmos ou amamos, ou seja, corpo, amigos, fam\u00edlia e bens. Costuma ficar de lado aquela viol\u00eancia invis\u00edvel que procura atingir profundamente o aspecto emocional e psicol\u00f3gico e que esconde a mis\u00e9ria do modo de vida burgu\u00eas e alienante.<\/p>\n<p>Toda essa viol\u00eancia, qualquer que seja sua intensidade, est\u00e1 presente nos bairros sofisticados e nas periferias, nos bairros da classe m\u00e9dia e nas favelas, nos campos de futebol da v\u00e1rzea ou nos grandes est\u00e1dios. Mas, cumpre em cada canto as suas diferencia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, entre a burguesia, a viol\u00eancia est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 quest\u00e3o da disputa pelo poder, da gan\u00e2ncia, da vingan\u00e7a, do enriquecimento il\u00edcito e independente de religiosidade, moral e bons costumes.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 essa viol\u00eancia que, disseminada nos lares brasileiros, atrav\u00e9s da m\u00eddia, se soma \u00e0 viol\u00eancia causada pela profunda dificuldade de sobreviv\u00eancia da classe trabalhadora. Milh\u00f5es de trabalhadoras e trabalhadores passam a viver cotidianamente a vida de cada personagem criado nas novelas televisivas e deixam de lado o seu pr\u00f3prio enredo, depois de longas e estressantes jornadas de trabalho.<\/p>\n<p>Assim, a ideologia burguesa busca construir individualismos ao passar por cima de quest\u00f5es religiosas, desprezar leis e apostar que tais resultados estar\u00e3o sendo colhidos entre aqueles que assistem passivamente as gritarias, mortes, agress\u00f5es e mentiras presentes nas novelas, ou seja, \u00e9 um tipo de viol\u00eancia de uma classe sobre parte consider\u00e1vel dos trabalhadores, que assume para si um modo de vida estranhado.<\/p>\n<h4><strong>A VIOL\u00caNCIA CONTRA A MULHER EM HOR\u00c1RIO NOBRE<\/strong><\/h4>\n<p>Especialmente as novelas da Rede Globo h\u00e1 muito carregam, para um bom n\u00edvel liter\u00e1rio, enredos ultrapassados e semelhantes, do mal contra o bem. Personagens que tiveram situa\u00e7\u00e3o financeira dif\u00edcil na inf\u00e2ncia s\u00e3o constru\u00eddos para se tornarem vil\u00f5es sanguin\u00e1rios, mulheres revezam em protagonismos cru\u00e9is, d\u00f3ceis ou com forte apelo sexual constru\u00eddos para despertar raiva e pass\u00edveis de vingan\u00e7a entre a opini\u00e3o p\u00fablica. No caso espec\u00edfico de protagonismo feminino, costuma-se ter cenas expl\u00edcitas de agress\u00e3o f\u00edsica, linchamento p\u00fablico e assassinato, quase sempre como resposta ao \u201cerro\u201d cometido pelo adult\u00e9rio, pela gan\u00e2ncia e pelos atos de mentira, o que demonstra a hipocrisia burguesa que vive tudo isso sem, no entanto, punir-se dessa maneira.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 70 a quest\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher ganhou cada vez mais espa\u00e7o nas manchetes dos jornais, das revistas, na m\u00eddia televisiva chegando, nos dias de hoje, nas redes sociais e internet. Discute-se a rela\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia com o papel de independ\u00eancia que a mulher \u201cmoderna\u201d assumiu com sua incorpora\u00e7\u00e3o ao mundo do trabalho. No entanto, essa realidade \u00e9 negada nas novelas globais que, obviamente, carregam a tarefa de ajudar a classe trabalhadora a se distrair da maneira mais alienada poss\u00edvel para esquecer-se das lutas necess\u00e1rias e da intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Por algumas horas, passa-se a viver uma outra realidade. Podemos observar isso com o n\u00edvel de audi\u00eancia dessa novela Avenida Brasil.<\/p>\n<p>Seu autor, Jo\u00e3o Emanuel Carneiro, que foi cartunista e roteirista preocupado com determinada situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social do pa\u00eds, se utiliza de importantes recursos \u2013 como a atualidade da hist\u00f3ria do lix\u00e3o de Gramacho (Duque de Caxias \u2013 RJ), a intertextualidade e a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de atores \u2013 para refor\u00e7ar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o e cria um enredo que reafirma a tematiza\u00e7\u00e3o presente na realidade burguesa que, com muito tempo livre, constr\u00f3i vingan\u00e7as e amores gananciosos que misturam raz\u00e3o e loucura como qualificativos \u201cinerentes\u201d a uma certa natureza humana.<\/p>\n<p>As protagonistas, que em nada lembram as catadores que sobreviveram dos dif\u00edceis dias vividos em Gramacho, sofrem e realizam os mais duros atos de viol\u00eancia. A personagem vil\u00e3, Carminha, \u00e9 t\u00e3o bem constru\u00edda que, para a opini\u00e3o p\u00fablica, contra ela pode-se tudo. Aqui deixa de valer os preceitos crist\u00e3os de amor ao pr\u00f3ximo, de n\u00e3o justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os e da cren\u00e7a na justi\u00e7a divina.<\/p>\n<p>As cenas de espancamento, agress\u00e3o f\u00edsica e verbal, que permeiam toda a novela, ignoram, completamente, a exist\u00eancia no Brasil, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, da Lei Maria da Penha. A capacidade de exalta\u00e7\u00e3o do machismo n\u00e3o permite que se discuta ou ao menos busque relacion\u00e1-lo ao elevad\u00edssimo \u00edndice di\u00e1rio de viol\u00eancia e assassinato de mulheres no pa\u00eds. A ideia de que \u201ctraiu\u201d tem que apanhar est\u00e1 insistentemente presente na coes\u00e3o do enredo.<\/p>\n<p>O macho, personagem Tuf\u00e3o \u2013 constru\u00eddo com caracter\u00edsticas \u201cnobres\u201d como a pureza, ingenuidade, fraqueza \u2013 \u00e9 alimentado por Freud, Flaubert, Kafka, Machado de Assis, E\u00e7a de Queiros, Dostoi\u00e9vski e se reconhece na sens\u00edvel poesia de Vin\u00edcius de Moraes. Durante toda a sua trajet\u00f3ria quase n\u00e3o reage aos problemas enfrentados no relacionamento amoroso. Mas, quando reagiu espancou e escorra\u00e7ou quem sempre disse ter amado, afinal j\u00e1 havia sofrido muito e dar vaz\u00e3o \u00e0 \u201cvontade do p\u00fablico\u201d se faz necess\u00e1rio para criar a sensa\u00e7\u00e3o de que a \u201cjusti\u00e7a\u201d foi feita.<\/p>\n<h4><strong>A CULTURA DA VIOL\u00caNCIA PARA VIOLENTAR<\/strong><\/h4>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o e tentativa de real\u00e7ar o machismo em novelas e programas com alto \u00edndice de audi\u00eancia v\u00e3o ao encontro do menosprezo dado \u00e0 gravidade da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia contra a mulher na realidade brasileira. De acordo com o Instituto Sangari e Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, nos \u00faltimos trinta anos o \u00edndice de viol\u00eancia contra a mulher subiu 217%. Somente em 2011 o SUS atendeu mais de 48.000 mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual e outras. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver. Mas, tem sido poss\u00edvel negar atrav\u00e9s da omiss\u00e3o, do sil\u00eancio e da banaliza\u00e7\u00e3o expressos pela m\u00eddia burguesa que coloca acima de tudo a necessidade de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E assim, sob o sistema capitalista, as grandes emissoras de televis\u00e3o seguem se apropriando das vantagens da concess\u00e3o p\u00fablica para n\u00e3o cumprirem a obrigatoriedade da transmiss\u00e3o de cultura. A teledramaturgia se utiliza disso e constr\u00f3i enredos bem estruturados e personagens com intensa capacidade psicol\u00f3gica para penetrar os lares brasileiros e construir a banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Aposta, com os exemplos de viol\u00eancia burguesa, na absor\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia invis\u00edvel ou ideol\u00f3gica pela classe trabalhadora para manter o senso comum de que se deve fazer tudo \u201ccerto\u201d porque sen\u00e3o ficar\u00e3o desamparadas, sozinhas e as consequ\u00eancias poder\u00e3o ainda ser mais tr\u00e1gicas e violentas, embora a burguesia n\u00e3o tolerando nenhum tipo de viol\u00eancia contra a sua pr\u00f3pria classe.<\/p>\n<p>E o que esperar de um governo que, para n\u00e3o afetar o dom\u00ednio burgu\u00eas, adota o descaso que beira a coniv\u00eancia com realidade t\u00e3o cruel? Nada. N\u00e3o podemos esperar nada da primeira presidente mulher do pa\u00eds. A carta de inten\u00e7\u00f5es da Lei Maria da Penha n\u00e3o se traduz em pol\u00edticas p\u00fablicas (constru\u00e7\u00e3o de abrigos, Delegacias da Mulher com atendimento 24 h e finais de semana, etc.) e nem em obrigatoriedade de campanhas (contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica, esclarecimentos, autodefesa, etc.). O \u00faltimo passo dado foi a abertura de CPIs regionais para investigar a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da Lei, forma concreta de \u201ctirar o corpo fora\u201d para n\u00e3o resolver quest\u00f5es imediatas que poderiam reduzir o n\u00famero de assassinatos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda assumam outra postura em rela\u00e7\u00e3o a esses \u00edndices: \u00c9 necess\u00e1ria a den\u00fancia contundente dessa situa\u00e7\u00e3o. Queremos mulheres vivas e inteiras para a luta! Cassa\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o do direito de transmiss\u00e3o dessas emissoras! Contra todo tipo de viol\u00eancia incentivado pela m\u00eddia!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2>2012: A Crise mundial e a intensifica\u00e7\u00e3o das lutas<\/h2>\n<p>Neste ano de 2012, vimos que a situa\u00e7\u00e3o mundial segue sendo determinada pelas consequ\u00eancias da crise econ\u00f4mica iniciada em 2008. As pol\u00edticas que visavam superar a crise, entre elas o ataque generalizado aos direitos econ\u00f4micos e sociais e o disp\u00eandio pelo Estado de trilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar bancos e grandes empresas, livraram a economia do colapso em 2009 e 2010, mas apenas para ver o problema ressurgir com mais for\u00e7a em 2011. Esta reca\u00edda se prolongou e se agravou em 2012, quando pa\u00edses perif\u00e9ricos importantes, os chamados BRIC\u00b4s, tamb\u00e9m apresentaram brusca desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Entre outras, as consequ\u00eancias da crise s\u00e3o: maior austeridade para os trabalhadores e, ao mesmo tempo, maior inje\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico nas empresas e bancos \u201cgrandes demais para falir\u201d. Essa pol\u00edtica est\u00e1 sendo implementada desde 2008 e mesmo assim n\u00e3o se vislumbra sa\u00edda da crise. Os Estados e as corpora\u00e7\u00f5es encontram-se cada vez mais endividados e os prazos para pagamento de suas d\u00edvidas s\u00e3o cada vez menores. N\u00e3o h\u00e1 nada indicando que seja poss\u00edvel uma volta \u00e0s condi\u00e7\u00f5es anteriores. Outro fator que nos leva a tal conclus\u00e3o \u00e9 que, a partir de 2008 e com uma intensifica\u00e7\u00e3o neste ano de 2012, iniciaram-se em diversos pa\u00edses gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es como n\u00e3o vistas h\u00e1 d\u00e9cadas, lideradas principalmente por funcion\u00e1rios p\u00fablicos e jovens. Deste modo, apontamos para a continuidade das lutas em 2013 face ao aprofundamento da crise e a todos os \u201cajustes\u201d necess\u00e1rios para frear seu curso.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o aumento explosivo do endividamento p\u00fablico, que se originou das v\u00e1rias modalidades de salvamento das empresas em meio \u00e0 crise, enfrenta cada vez mais o problema de haver menos muni\u00e7\u00e3o para gastar com a salva\u00e7\u00e3o dos grandes bancos e empresas, j\u00e1 que queimaram volumes incalcul\u00e1veis de dinheiro para tirar a economia do risco de depress\u00e3o na primeira etapa da crise atual. Os pr\u00f3prios gestores do capitalismo subitamente trocaram seu discurso do triunfalismo da \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d para uma amarga predica\u00e7\u00e3o da &#8220;austeridade&#8221; e j\u00e1 projetam v\u00e1rios anos ou talvez mais de uma d\u00e9cada de baixo crescimento, tempo ao longo do qual os Estados ter\u00e3o que reduzir seu endividamento, fortalecer as corpora\u00e7\u00f5es e rebaixar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores. Isto, por sua vez, teria de ser feito sem se criar novas instabilidades econ\u00f4micas e pol\u00edticas, o que, no entanto, os exemplos deste ano de 2012 na Gr\u00e9cia e em Portugal t\u00eam demonstrado ser imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que a burguesia mundial procura construir sua unidade contra os trabalhadores no projeto da &#8220;austeridade&#8221;, cada fra\u00e7\u00e3o nacional da burguesia precisa se reconstruir e permanentemente se adequar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es para se manter viva na disputa contra as demais. Por conta da aplica\u00e7\u00e3o desse projeto, as rela\u00e7\u00f5es entre os Estados est\u00e3o sendo reorganizadas, com especial destaque para as inter-rela\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses \u201cperif\u00e9ricos\u201d (sob a hegemonia dos chamados \u201cBRICS\u201d) e para as inter-rela\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses em que ocorre a Primavera \u00c1rabe com os pa\u00edses tradicionalmente imperialistas.<\/p>\n<p>O discurso neoliberal da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o do Estado foi substitu\u00eddo pelo \u201cconsenso de Pequim\u201d, em que o Estado assume o papel central de sustenta\u00e7\u00e3o da economia, tornando-se mais autorit\u00e1rio com o objetivo de viabilizar o saque dos fundos p\u00fablicos para socorrer as institui\u00e7\u00f5es financeiras (aqui, novamente, o caso grego \u00e9 emblem\u00e1tico!). Esta submiss\u00e3o direta do Estado \u00e0s necessidades de reprodu\u00e7\u00e3o do capital financeiro tem resultado no atropelamento da democracia formal para impor diretamente os interesses dos bancos. Esta condi\u00e7\u00e3o revela um dado estrutural do capitalismo: o relativo bem estar e a apar\u00eancia democr\u00e1tica s\u00f3 podem ser mantidos quando a reprodu\u00e7\u00e3o do capital n\u00e3o est\u00e1 em risco. Em uma \u00e9poca de fragilidade do sistema como esta, a repress\u00e3o aos movimentos sociais por meio de gigantescos operativos policiais, judiciais e midi\u00e1ticos se tornou rotina.<\/p>\n<p>Contra esse imenso centro pol\u00edtico \u201cpr\u00f3-austeridade&#8221;, levantam-se movimentos sociais de naturezas opostas: de um lado, cresce a indigna\u00e7\u00e3o, a revolta e o desejo de lutar, seja nas greves ou nas mobiliza\u00e7\u00f5es da juventude; de outro lado, cresce o apelo \u00e0s solu\u00e7\u00f5es da extrema direita, que coloca a culpa da crise em setores da classe trabalhadora, imigrantes, negros, \u00e1rabes, mu\u00e7ulmanos, homossexuais, jogando uma parte da classe contra a outra. Prometem uma solu\u00e7\u00e3o \u201cnacional\u201d para os problemas sem questionar o capitalismo, mobilizando a ignor\u00e2ncia para apoiar pol\u00edticas de \u00f3dio. Al\u00e9m dos partidos neofascistas, as seitas religiosas tamb\u00e9m crescem em diversos pa\u00edses, num movimento reacion\u00e1rio de grande dimens\u00e3o pol\u00edtica. Nos pa\u00edses em que as ditaduras foram varridas pela Primavera \u00c1rabe, ganham elei\u00e7\u00f5es os partidos isl\u00e2micos. No centro \u201cdesenvolvido\u201d do capitalismo e nas metr\u00f3poles da periferia, os ataques \u00e0s minorias em geral e especialmente aos imigrantes s\u00e3o organizados por bandos, ou mesmo partidos, nitidamente fascistas.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a desacelera\u00e7\u00e3o, neste \u00faltimo ano, do car\u00e1ter progressivo da Primavera \u00c1rabe torna todo este cen\u00e1rio um tanto mais preocupante para aqueles que lutam pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. Em todos os pa\u00edses onde teve lugar a \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d a aus\u00eancia de uma alternativa social anticapitalista limitou as lutas ao aspecto democr\u00e1tico. Com isso, foram feitas concess\u00f5es que permitiram a garantia de alguns direitos civis e pol\u00edticos, como o direito ao voto. Entretanto, esse direito, em geral, serviu apenas para colocar os ultraconservadores partidos isl\u00e2micos no poder, deixando inalteradas as bases capitalistas. Desse modo, os motivos originais da Primavera \u00c1rabe, a crise econ\u00f4mica mundial e seus reflexos, a carestia e o desemprego, n\u00e3o foram resolvidos. Por isso, as tens\u00f5es sociais tendem a continuar, ainda que, ao menos no curto prazo, em um n\u00edvel menos explosivo que o de 2011.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a disputa pelos or\u00e7amentos p\u00fablicos se tornou mais acirrada entre as fra\u00e7\u00f5es da burguesia e os setores da burocracia que impulsionavam os governos \u201cde esquerda\u201d. Estes s\u00e3o for\u00e7ados a priorizar a continuidade de acumula\u00e7\u00e3o do capital, garantindo o lucro e os juros. Ao mesmo tempo, as pequenas concess\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para contentar largamente a popula\u00e7\u00e3o (a recente e apertada reelei\u00e7\u00e3o de Hugo Ch\u00e1vez \u00e9 exemplo disso), desencadeando alguns movimentos limitados de contesta\u00e7\u00e3o, abrindo espa\u00e7o tamb\u00e9m para a direita partir para a ofensiva, buscando retomar o controle do Estado pela via eleitoral. De outro lado, quando esta via n\u00e3o \u00e9 suficiente, d\u00e1-se in\u00edcio a movimentos golpistas, tal como aconteceu no Paraguai em 2012 (e em Honduras em 2009).<\/p>\n<p>Por tudo isto e em poucas palavras, pode-se concluir que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos pa\u00edses centrais aponta para a persist\u00eancia da crise. As medidas que os governos e os \u00f3rg\u00e3os governamentais s\u00e3o obrigados a adotar aumentam as contradi\u00e7\u00f5es que, por sua vez, tendem a empurrar os trabalhadores para a mobiliza\u00e7\u00e3o e a continuidade das lutas, as quais, no entanto, dever\u00e3o ainda manter seu car\u00e1ter defensivo em 2013. Mesmo assim, \u00e9 prov\u00e1vel que a exist\u00eancia dessas lutas empurre governos e pa\u00edses para a crise pol\u00edtica, como \u00e9 o caso da situa\u00e7\u00e3o grega e espanhola.<\/p>\n<p>A todos aqueles que lutam pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo cabe apoiar e impulsionar estes movimentos de resist\u00eancia ao avan\u00e7o do projeto da burguesia, bem como combater com rigor o avan\u00e7o das falsas alternativas reacion\u00e1rias. A dificuldade de o capital aplicar seu projeto \u00e9 a marca dessa nova situa\u00e7\u00e3o de instabilidade econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social. Come\u00e7a a despontar nos pr\u00f3ximos anos um cen\u00e1rio de profunda polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, um desafio e oportunidade para a Esquerda Revolucion\u00e1ria que h\u00e1 muito n\u00e3o se via.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p>&nbsp;<span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); font-size: 14px; text-align: justify; \">&nbsp;<\/span><\/p>\n<h3 style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); line-height: 21px; text-align: justify; \">N&uacute;mero 54-&nbsp;Novembro de 2012&nbsp;<\/h3>\n<h3 style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); line-height: 21px; text-align: justify; \">Edi&ccedil;&atilde;o especial<\/h3>\n<p><strong style=\"color: rgb(51, 51, 51); font-size: 14px;\"><span style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255);\">Esta edi&ccedil;&atilde;o &eacute; especial e conta com &nbsp;o encarte:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><a style=\"font-size: 14px;\" href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/encarte%20Rev%20Russa%20j%2054.pdf\">95 ANOS DA REVOLU&Ccedil;&Atilde;O RUSSA:&nbsp;OUTROS OUTUBROS VIR&Atilde;O<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"200\" height=\"292\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Capa%20Jornal%2054%20mini.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/372#titulo1\">Nacional: A necessidade de uma alternativa socialista bate &agrave;s portas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/372#titulo2\">Movimento estudantil: A persegui&ccedil;&atilde;o aos que lutam nas universidades<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/372#titulo3\">Movimento negro: O que celebrar no dia 20 de novembro?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/372#titulo4\">Educa&ccedil;&atilde;o: Professores enfrentam precariza&ccedil;&atilde;o e a meritocracia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/372#titulo5\">Mulheres: A constru&ccedil;&atilde;o da violencia em &quot;Avenida Brasil&quot;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/node\/372#titulo6\">Internacional: A crise mundial e a intensifica&ccedil;&atilde;o das lutas<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a style=\"font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(237, 26, 9); text-decoration: underline; text-align: start;\" href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/jornal 54.pdf\">Vers&atilde;o em PDF<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo1\"><\/a>A NECESSIDADE DE UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA BATE &Agrave;S PORTAS<\/h3>\n<p>O ano de 2012 foi sem d&uacute;vida bem diferente do ano anterior, quando o governo Dilma conseguiu aplicar a sua pol&iacute;tica de apoio &agrave;s empresas, ou seja, retirar direitos dos trabalhadores e tamb&eacute;m impor importantes derrotas aos trabalhadores.<\/p>\n<p>N&atilde;o estamos afirmando que nesse ano a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as passou a ser favor&aacute;vel para n&oacute;s trabalhadores, mas que as contradi&ccedil;&otilde;es foram maiores para o governo e para a burguesia. E o principal elemento para isso foi sem d&uacute;vida o ressurgimento de lutas em categorias importantes.<\/p>\n<p>A nosso ver, o balan&ccedil;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nacional desse ano se assenta sob quatro aspectos que expressam bem essas contradi&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p>a) Esgotamento do ciclo anterior de medidas de combate &agrave; crise, tomadas pelo governo e dificuldades econ&ocirc;micas crescentes. A express&atilde;o desse esgotamento foi a queda das exporta&ccedil;&otilde;es e da produ&ccedil;&atilde;o industrial, do setor de min&eacute;rios e mesmo do agroneg&oacute;cio;<\/p>\n<p>b) Ado&ccedil;&atilde;o de novas medidas de apoio &agrave;s empresas, o que significa um conjunto de ataques da burguesia e do Estado sobre os trabalhadores da iniciativa privada e do setor p&uacute;blico;<\/p>\n<p>c) Aumento das lutas e da polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica como decorr&ecirc;ncia de maior tens&atilde;o social;<\/p>\n<p>d) Aumento da repress&atilde;o e a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos e dos ativistas pelo Estado para fazer frente &agrave;s lutas e garantir a implementa&ccedil;&atilde;o desse projeto.<\/p>\n<p>Ainda que sob controle do governo, esses elementos demonstram o quanto j&aacute; est&aacute; se debatendo para manter o seu projeto original e constantemente tem que promover necess&aacute;rios ajustes. Por isso, desde o come&ccedil;o do ano est&atilde;o sendo adotadas novas medidas na economia, como incentivos fiscais, facilitadores para o cr&eacute;dito e outras.<\/p>\n<p>Outro elemento distinto do ano de 2011 foi o significativo aumento das lutas; embora todas elas se mantivessem nos limites da luta salarial, tamb&eacute;m enfrentaram a crescente repress&atilde;o e o papel nefasto que as dire&ccedil;&otilde;es sindicais desempenham. As greves, na verdade, s&atilde;o uma resposta da classe trabalhadora contra a resist&ecirc;ncia da patronal em fazer concess&otilde;es que significam eleva&ccedil;&atilde;o de custos e com isso aumente a dificuldade na competi&ccedil;&atilde;o do mercado.<\/p>\n<p>As medidas adotadas pelo governo Lula, principalmente partir da crise de 2009, tinham permitido certo f&ocirc;lego para o capital no pa&iacute;s, mas, como hav&iacute;amos alertado, somente tinham condi&ccedil;&otilde;es de jogar para frente as contradi&ccedil;&otilde;es, ou seja, n&atilde;o conseguiriam resolv&ecirc;-la definitivamente.<\/p>\n<p>Em cada medida que aparentava solucionar os problemas da economia j&aacute; estava embutido o surgimento, em um futuro pr&oacute;ximo, de novos problemas. Adotava-se um conjunto de medidas facilitadoras de cr&eacute;dito, mas isso no futuro significaria endividamento e aumento da inadimpl&ecirc;ncia, o que, consequentemente, levava &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o no consumo.<\/p>\n<p>Logo essas medidas mostraram seus limites com o aumento do endividamento (em agosto 59,8% das fam&iacute;lias estavam com d&iacute;vidas) e o aumento da inadimpl&ecirc;ncia, isto &eacute;, 19% das fam&iacute;lias est&atilde;o inadimplentes (mesmo com todas as medidas de renegocia&ccedil;&atilde;o no Serasa). Essa situa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; uma restri&ccedil;&atilde;o objetiva ao cr&eacute;dito voltado ao consumo interno, base do crescimento econ&ocirc;mico dos governos petistas, repercute na dificuldade da manuten&ccedil;&atilde;o do mercado interno nos n&iacute;veis necess&aacute;rios.<\/p>\n<p>Para responder a esses problemas, o governo Dilma, a partir de abril adotou v&aacute;rias outras medidas no sentido de tentar dar um novo f&ocirc;lego &agrave; economia e buscar um novo per&iacute;odo de crescimento. A desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento, o aumento do cr&eacute;dito p&uacute;blico com juros abaixo do mercado para as empresas, a amplia&ccedil;&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o do IPI para autom&oacute;veis e outros produtos s&atilde;o parte dessa pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que elas tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m for&ccedil;a para solucionar a crise definitivamente. Mais uma vez joga-se o problema para um futuro n&atilde;o muito distante, pois a raz&atilde;o da crise econ&ocirc;mica continua intacta: a tend&ecirc;ncia &agrave; queda da taxa de lucro. O an&uacute;ncio, todos os dias, de novas tecnologias &eacute; a express&atilde;o de que h&aacute; um alto investimento em bens de capital e isso tem como consequ&ecirc;ncia direta a queda da taxa de lucro do capital de conjunto.<\/p>\n<p><strong>O ESTADO CUMPRE O SEU PAPEL<\/strong><\/p>\n<p>Com dificuldade em manter as condi&ccedil;&otilde;es adequadas para sua reprodu&ccedil;&atilde;o, o capital dispara os seus mecanismos de &ldquo;salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;, naquilo que chamamos de contra tend&ecirc;ncias. A utiliza&ccedil;&atilde;o do Estado passa a ser primordial, pois &eacute; o que vai garantir capital para novos investimentos ou mesmo para infraestrutura (o que tem acontecido muito no pa&iacute;s). Vai Aperfei&ccedil;oar a legisla&ccedil;&atilde;o em favor do capital (as contrarreformas da previd&ecirc;ncia e trabalhistas s&atilde;o exemplos). E, acima de tudo, vai disparar os instrumentos de repress&atilde;o jur&iacute;dico-policial e ideol&oacute;gico.<\/p>\n<p>O caso brasileiro &eacute; emblem&aacute;tico, pois s&atilde;o v&aacute;rias mudan&ccedil;as no sistema previdenci&aacute;rio, alto endividamento do Estado para favorecer as empresas e aumento de medidas de repress&atilde;o (pris&otilde;es, processos, mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o, etc.).<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; economia brasileira podemos dizer, com certeza, que, se n&atilde;o fosse a forte interven&ccedil;&atilde;o do Estado o pa&iacute;s, estaria novamente em recess&atilde;o. Foram v&aacute;rias medidas como o aumento da competitividade da ind&uacute;stria, a qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra t&eacute;cnica, a redu&ccedil;&atilde;o do IPI, a constru&ccedil;&atilde;o e concess&atilde;o de obras, concess&atilde;o de aeroportos, desonera&ccedil;&otilde;es tribut&aacute;rias, enfim, v&aacute;rias medidas que significaram o repasse de bilh&otilde;es e bilh&otilde;es para as m&atilde;os dos capitalistas.<\/p>\n<p>A base da reconfigura&ccedil;&atilde;o do Estado em tempos de crise estrutural do capital &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos que deveriam ser considerados p&uacute;blicos, mas s&atilde;o deslocados para as necessidades de um punhado de burgueses, sempre &agrave; custa da mis&eacute;ria e pobreza de milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p>Os governos petistas t&ecirc;m cumprido muito bem esse papel com medidas que procuram atender as necessidades do capital de conjunto e n&atilde;o apenas algumas de suas fra&ccedil;&otilde;es. Essa &eacute;, certamente, uma das raz&otilde;es do pesado apoio financeiro que as empresas deram aos candidatos governistas.<\/p>\n<p><strong>O MERCADO MUNDIAL<\/strong><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m contribu&iacute;ram, para o esgotamento do ciclo, as dificuldades de inser&ccedil;&atilde;o no mercado mundial com produtos que n&atilde;o fossem do agroneg&oacute;cio. O processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o nacional, a pol&iacute;tica dos Estados Unidos em despejar bilh&otilde;es de d&oacute;lares no mercado (para diminuir o pre&ccedil;o do dolar no mercado mundial, aumentar o pre&ccedil;o dos produtos de outros pa&iacute;ses e dificultar que exportem), a crise em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa (o que fez com que tamb&eacute;m a disputa desse mesmo mercado passasse a ser mais acirrada) s&atilde;o alguns dos fatores que, ainda que possamos apresentar v&aacute;rias media&ccedil;&otilde;es, est&atilde;o empurrando o Brasil para a crise.<\/p>\n<p>Essas contradi&ccedil;&otilde;es somente poder&atilde;o ser compreendidas se levarmos em conta a forma com a qual o Brasil, a partir da divis&atilde;o mundial do trabalho, busca se inserir nesse mercado, ou seja, centralmente pela exporta&ccedil;&atilde;o de commodities e de mat&eacute;ria prima.<\/p>\n<p>Com a desacelera&ccedil;&atilde;o de mercados como o chin&ecirc;s e a recess&atilde;o nos pa&iacute;ses europeus, a demanda por esses produtos diminui e aumenta a competi&ccedil;&atilde;o entre as empresas e os pa&iacute;ses. O problema para a burguesia &eacute; que as medidas adotadas pelo capital de conjunto tamb&eacute;m t&ecirc;m tido um f&ocirc;lego cada vez mais curto, principalmente por conta dos limites impostos pela crise estrutural do capital e que somente podem ser superados se conseguirem impor uma derrota hist&oacute;rica &agrave; classe trabalhadora em geral.<\/p>\n<p>Assim, tamb&eacute;m como parte dos efeitos da mundializa&ccedil;&atilde;o do capital, toda e qualquer mudan&ccedil;a na economia desses pa&iacute;ses refletem imediatamente na economia brasileira. Por isso que dizemos que a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do governo brasileiro tem o objetivo de reduzir custos para facilitar a competi&ccedil;&atilde;o das empresas no mercado mundial. E na economia capitalista a redu&ccedil;&atilde;o de custos &eacute; sin&ocirc;nimo de redu&ccedil;&atilde;o de direitos trabalhistas.<\/p>\n<p><strong>O REGIME POL&Iacute;TICO ENDURECE&#8230;<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nH&aacute; uma tend&ecirc;ncia generalizada pelo mundo &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o dos mecanismos democr&aacute;ticos, com os Estados adotando todo tipo de restri&ccedil;&atilde;o aos explorados. O discurso &eacute; o da necessidade de o Estado ser forte e enxuto para garantir o crescimento, etc. Discurso pr&oacute;prio de regimes antidemocr&aacute;ticos.<\/p>\n<p>Como o projeto econ&ocirc;mico &eacute; muito duro contra os trabalhadores, faz-se necess&aacute;rio que o regime atue de uma forma muito mais dura em rela&ccedil;&atilde;o ao movimento social de conjunto. As a&ccedil;&otilde;es policiais nas &aacute;reas ocupadas, a a&ccedil;&atilde;o dos tribunais trabalhistas impondo decis&otilde;es antigreves, as iniciativas de mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o de greve colocando crit&eacute;rios imposs&iacute;veis de serem cumpridos (mesmo que fosse poss&iacute;vel o cumprimento, isso n&atilde;o os legitimariam) e as persegui&ccedil;&otilde;es aos ativistas s&atilde;o parte desse processo de endurecimento.<\/p>\n<p>S&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es estatais os principais agentes de repress&atilde;o. Mas, amparados nessa ofensiva, v&aacute;rios outros setores adotam medidas semelhantes. Temos o caso das reitorias, que t&ecirc;m instaurado v&aacute;rios processos administrativos contra os ativistas das universidades. Algumas sequer se d&atilde;o ao luxo de realizarem o processo com direito &agrave; defesa.<\/p>\n<p>Afora as caracter&iacute;sticas autorit&aacute;rias da &ldquo;democracia brasileira&rdquo;, &eacute; importante evidenciar que o &ldquo;modus operandi&rdquo; do governo petista t&ecirc;m essa linha pol&iacute;tica com o objetivo muito definido de refor&ccedil;ar o controle social sobre a classe trabalhadora, seja com &ldquo;ilus&otilde;es democr&aacute;ticas&rdquo; ou mesmo com a utiliza&ccedil;&atilde;o do poder b&eacute;lico nos morros cariocas &ldquo;pacificados&rdquo;.<\/p>\n<p>Mesmo sob a &oacute;tica burguesa, h&aacute; de forma cada vez mais intensa uma pol&iacute;tica da burguesia de conjunto contra as garantias democr&aacute;ticas. Por isso, a necessidade de que o movimento social e as for&ccedil;as de esquerda tenham uma pol&iacute;tica cada vez mais audaciosa contra os ataques aos direitos democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p>Esses elementos apontam para o fato de que h&aacute; uma mudan&ccedil;a qualitativa na rela&ccedil;&atilde;o do Estado com o movimento social e isso quer dizer que n&atilde;o &eacute; s&oacute; o PT ou o PSDB ou a pol&iacute;cia ou o judici&aacute;rio, mas, &eacute; o conjunto das institui&ccedil;&otilde;es que miram suas armas contra as j&aacute; pequenas conquistas democr&aacute;ticas das &uacute;ltimas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>A raz&atilde;o &uacute;ltima de todo esse endurecimento &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o da hegemonia capitalista, sempre amparada em profundas desigualdades sociais e econ&ocirc;micas. Somente no  atendimento  das necessidades da rentabilidade  do  capital, a repress&atilde;o (em todas as suas dimens&otilde;es) torna-se fundamental para a manuten&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>UM GOVERNO MAIS &Agrave; DIREITA E MAIS DURO<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nUma quest&atilde;o importante do balan&ccedil;o pol&iacute;tico do ano de 2012, para os que ainda tinham d&uacute;vidas, &eacute; de que o PT se consolidou ainda mais como o partido da ordem e do capital. Um gerente exemplar do capital que utiliza todos os instrumentos para que seu amo continue explorando os trabalhadores brasileiros.<\/p>\n<p>Para levar adiante todos esses ataques, o governo do PT (desde Lula at&eacute; Dilma) construiu um arco amplo de alian&ccedil;as, que inclui os setores mais reacion&aacute;rios do pa&iacute;s, como Maluf e deputados do agroneg&oacute;cio.  O governo Dilma, mais &agrave; direita que o de Lula, se colocou desde o in&iacute;cio como mais duro, determinado a aprofundar os ataques aos trabalhadores para tentar reequilibrar aos poucos os problemas que a economia demonstrava.<\/p>\n<p>Esse car&aacute;ter do governo &eacute; expresso em todas as &aacute;reas. Na &ldquo;Seguran&ccedil;a P&uacute;blica&rdquo;, por exemplo, isto se demonstra com a autoriza&ccedil;&atilde;o para que o ex&eacute;rcito ocupe os morros cariocas e com as amea&ccedil;as de corte de ponto dos grevistas do funcionalismo p&uacute;blico federal. Todos esses fatos j&aacute; comprovam esse deslocamento para a direita.<\/p>\n<p>A consequ&ecirc;ncia disso tudo &eacute; a continuidade e at&eacute; o aumento desses ataques no pr&oacute;ximo per&iacute;odo. Derrotar o movimento social &eacute; essencial para aplicar as pol&iacute;ticas de arrocho que o governo vai lan&ccedil;ar para fazer frente &agrave; crise que se avizinha.<\/p>\n<p><strong>MANOBRA DA REDU&Ccedil;&Atilde;O DOS JUROS: BANQUEIROS CONTINUAM LUCRANDO<br \/>\n<\/strong> <br \/>\nOs discursos inflamados do governo e das centrais sindicais pelegas sobre a redu&ccedil;&atilde;o dos juros escondem o fato de que o governo continua a favorecer os banqueiros e sanguessugas do dinheiro p&uacute;blico. Vejamos os dados da Auditoria Cidad&atilde; da d&iacute;vida:<\/p>\n<p>a) A redu&ccedil;&atilde;o dos juros &eacute; da taxa SELIC (7,25% ao ano). Vale destacar que 75% da d&iacute;vida do governo (sob responsabilidade do Tesouro Nacional) n&atilde;o est&aacute; atrelada a taxa SELIC, ou seja, os credores praticamente n&atilde;o perdem nada com essa redu&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>b)O custo m&eacute;dio efetivo (aquilo que o governo paga) da d&iacute;vida p&uacute;blica federal est&aacute; 11,3% ao ano, ou seja, bem superior aos 7,25%;  <\/p>\n<p>c)Os t&iacute;tulos em taxa fixa que Tesouro Nacional est&aacute; vendendo est&atilde;o com taxas bem superiores &agrave; SELIC,  garantindo a alta lucratividade dos &ldquo;investidores&rdquo; em t&iacute;tulo p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Assim, a constata&ccedil;&atilde;o a que chegamos &eacute; a de que os bancos continuam sendo favorecidos. Essa &eacute; uma das raz&otilde;es de n&atilde;o terem reclamado da redu&ccedil;&atilde;o dos juros. Outro aspecto &eacute; de como e o quanto absorvem a imensa quantidade de recursos p&uacute;blicos que poderiam ser deslocados para a constru&ccedil;&atilde;o de escolas, hospitais, etc.<\/p>\n<p>O peso da financeiriza&ccedil;&atilde;o e dos interesses rentistas no or&ccedil;amento p&uacute;blico &eacute; t&atilde;o grande e nefasto que a obten&ccedil;&atilde;o de recursos para o Estado (por meio da venda de t&iacute;tulos p&uacute;blicos) sequer cumpre o defendido pelos pr&oacute;prios &ldquo;desenvolvimentistas&rdquo; que &eacute; melhorar as condi&ccedil;&otilde;es para investimento estatal em obras p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Assim, o Estado, tamb&eacute;m nesse item, continua a desempenhar o papel de mediador dos interesses privados na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, mantendo o pagamento da d&iacute;vida com os maiores juros do planeta.<br \/>\nA luta contra o pagamento da d&iacute;vida ainda se mant&eacute;m vigente e ganha import&acirc;ncia, cada vez mais, a necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o de ampla campanha pela utiliza&ccedil;&atilde;o de todo esse dinheiro para a constru&ccedil;&atilde;o de escolas, creches, hospitais, etc.<\/p>\n<p>Diante de tudo isto, n&atilde;o nos resta alternativa que conclamar a todos para que a luta se desenvolva cada vez mais em unidade e em solidariedade, afinal, em 2013, e cada vez mais, radicalizar &eacute; preciso!<\/p>\n<p>A luta dos trabalhadores &eacute; necess&aacute;ria em todas as esferas, seja no local de trabalho ou em seu bairro! Contra a repress&atilde;o e criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos! Pelo direito de greve! Por emprego! Por sal&aacute;rio! Por moradia! Contra o pagamento da d&iacute;vida! Por uma vida digna para quem precisa trabalhar para sobreviver! <\/p>\n<p><strong>RICOS MAIS RICOS E POBRES MAIS POBRES<\/p>\n<p><\/strong>Recentemente o relat&oacute;rio &ldquo;Estado da Inseguran&ccedil;a Alimentar no Mundo 2012&rdquo; apontou que o Brasil reduziu a subnutri&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de 14,9%, no per&iacute;odo de 1990 a 1992 para 6,9%, nos anos de 2010 a 2012.<\/p>\n<p>Se o governo comemora e d&aacute; o cr&eacute;dito &ldquo;desse avan&ccedil;o&rdquo; aos programas sociais (Bolsa Fam&iacute;lia  e outros),  os fatos apontam para uma grave situa&ccedil;&atilde;o social no pa&iacute;s. Primeiro porque h&aacute; no Brasil cerca de 13 milh&otilde;es de pessoas passando fome ou sofrendo com desnutri&ccedil;&atilde;o. Segundo porque esses programas sociais n&atilde;o acabam com a fome, mas apenas a minimiza (basta que se suspenda o aux&iacute;lio um m&ecirc;s e a pessoa n&atilde;o ter&aacute; nada com o qu&ecirc; se alimentar. Terceiro porque transforma milh&otilde;es de pessoas em ref&eacute;ns do governo (um exemplo s&atilde;o as &ldquo;amea&ccedil;as&rdquo; de que este ou aquele candidato vai retirar o Bolsa Fam&iacute;lia).<\/p>\n<p>Somente com uma pol&iacute;tica de emprego para todos &eacute; poss&iacute;vel acabar com a fome. N&atilde;o somos contra programas que favorecem ou reduzem a fome de milh&otilde;es de pessoas. No entanto, criticamos porque sequer se prop&otilde;em a acabar com a fome, mas, como dito acima, apenas minimiz&aacute;-la.<\/p>\n<p>Por isso a import&acirc;ncia, no programa socialista, da luta pela redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho, sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio para gerar e garantir emprego pleno possibilitando que os mais pobres se livrem dessa chantagem.<br \/>\nAtualmente, os custos do programa Bolsa Fam&iacute;lia representam, segundo dados do pr&oacute;prio governo, 0,46% do PIB. Em rela&ccedil;&atilde;o ao seu alcance, 25% dos brasileiros s&atilde;o benefici&aacute;rios, indicando a for&ccedil;a pol&iacute;tica desse programa dito social.<\/p>\n<p>J&aacute; os banqueiros e especuladores continuam lucrando muito mais. De um or&ccedil;amento de R$ 2,14 trilh&otilde;es, R$ 900 bilh&otilde;es (42% do or&ccedil;amento federal) ser&atilde;o destinados para o pagamento de juros e amortiza&ccedil;&otilde;es da d&iacute;vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>O governo do PT repete a l&oacute;gica do or&ccedil;amento dos anos anteriores: menos para os trabalhadores e mais para banqueiros e rentistas parasitas.<\/p>\n<p><strong>AS LUTAS<\/p>\n<p><\/strong> Esse ano foi, no &uacute;ltimo per&iacute;odo, sem d&uacute;vida, um dos que mais greves e mobiliza&ccedil;&otilde;es aconteceram: motoristas, Correios, funcionalismo p&uacute;blico federal, professores em v&aacute;rios estados, banc&aacute;rios, trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil, metal&uacute;rgicos, movimentos popular e estudantil.<\/p>\n<p>Ainda que n&atilde;o tenhamos tido vit&oacute;rias que mudassem a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, a volta de greves no cen&aacute;rio pol&iacute;tico coloca a possibilidade de que a classe trabalhadora aprofunde a experi&ecirc;ncia com o petismo e com o cutismo (&ldquo;modelo&rdquo; sindical) e possa construir novos instrumentos de luta.<\/p>\n<p>Dizemos isso porque o papel que a CUT e as demais centrais sindicais cumpriram nessas mobiliza&ccedil;&otilde;es foram de grande valia para os capitalistas, pois tra&iacute;am descaradamente as greves ou, quando eram obrigadas a decretar as greves, faziam de tudo para n&atilde;o se fortalecerem. Banc&aacute;rios &eacute; o melhor exemplo de como essas dire&ccedil;&otilde;es atuam. Isso &eacute; assim porque essas centrais est&atilde;o completamente integradas &agrave; l&oacute;gica do capital.<\/p>\n<p>Como se n&atilde;o bastasse o papel cumprido por essas centrais, outro problema que as lutas enfrentaram foi a timidez da pr&oacute;pria CSP-Conlutas, que n&atilde;o foi capaz de se apresentar como uma alternativa real para a classe trabalhadora.Nos principais desafios que teve &agrave; frente terminou por privilegiar uma interven&ccedil;&atilde;o rebaixada, como foi o caso das amea&ccedil;as de demiss&atilde;o na GM em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos &ndash; SP, pois sequer levantou a bandeira de redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio e ainda comemorou um acordo complicado que aceita o PDV e o lay off (trabalhadores s&atilde;o afastados da empresa e passam a receber uma parte do sal&aacute;rio da empresa e outra do FAT &#8211; Fundo de Amparo ao Trabalhador &#8211; do Minist&eacute;rio do Trabalho).<\/p>\n<p>Isso ocorre exatamente em um momento que se faz necess&aacute;rio uma disputa ideol&oacute;gica contra a burguesia. A principal central de esquerda do pa&iacute;s aplica uma pol&iacute;tica que tem como base um sindicalismo imediatista e economicista, que se move em torno de pautas parciais.<\/p>\n<p>No pr&oacute;ximo per&iacute;odo a constru&ccedil;&atilde;o de um sindicalismo de base e que se proponha a ir al&eacute;m da luta econ&ocirc;mica e parcial ser&aacute; decisivo para o enfrentamento do capital. Essa &eacute; a tarefa que se prop&otilde;e o &ldquo;bloco classista, anticapitalista e de base&rdquo; (Movimento Revolucion&aacute;rio, Espa&ccedil;o Socialista e Independentes) que se formou no Congresso da CSP-Conlutas desse ano e foi lan&ccedil;ado oficialmente na &uacute;ltima reuni&atilde;o da Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional desta Central.    <br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo2\"><\/a><\/h3>\n<h3>A CRIMINALIZA&Ccedil;&Atilde;O E A PERSEGUI&Ccedil;&Atilde;O AOS QUE LUTAM NAS UNIVERSIDADES<\/h3>\n<p class=\"rteleft\">Thais Menezes<\/p>\n<p class=\"rteleft\">Juventude do Espa&ccedil;o Socialista<\/p>\n<p>Com o crescimento e aprofundamento dos problemas gerados pelo pr&oacute;prio capitalismo, o Estado v&ecirc; como necessidade prim&aacute;ria intensificar a repress&atilde;o para manter a &ldquo;ordem&rdquo;.Para isso, difunde massivamente o espet&aacute;culo midi&aacute;tico da viol&ecirc;ncia e com a desculpa de nos proteger, intensifica a repress&atilde;o jur&iacute;dico-policial. Acontece que a viol&ecirc;ncia por parte do Estado adquire certa legitima&ccedil;&atilde;o da maioria da classe trabalhadora por meio do discurso da &ldquo;Seguran&ccedil;a P&uacute;blica&rdquo;, em rea&ccedil;&atilde;o a um temor social generalizado fomentado n&atilde;o despretensiosamente pela m&iacute;dia burguesa. <\/p>\n<p>A neurose do medo &eacute; plantada na cabe&ccedil;a do trabalhador por meio da quase animaliza&ccedil;&atilde;o da imagem do setor mais pauperizado da classe na m&iacute;dia. Este apelo imputa aos trabalhadores um potencial violento e cruel exagerado, muito al&eacute;m do que realmente acontece nas ruas em larga escala. Assim, setores da classe s&atilde;o taxados como perigosos e jogados uns contra os outros. Amedrontados, os trabalhadores acabam assinando um cheque em branco para o Estado fazer uso da viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>REPRESS&Atilde;O LEGITIMADA, TRABALHADORES DIVIDIDOS<\/p>\n<p><\/strong> Infelizmente legitimada pela maioria, a viol&ecirc;ncia policial contra os trabalhadores &eacute; cotidiana. Em cinco anos, de 2006 a 2010, no Estado de S&atilde;o Paulo, 2.262 pessoas foram mortas ap&oacute;s supostos confrontos com a PM, que matou, portanto, quase nove vezes mais do que a pol&iacute;cia norte-americana (Folha de S&atilde;o Paulo). Na Bahia, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; pior, mais de uma morte por dia: &ldquo;Na m&eacute;dia, este &eacute; o resultado dos Autos de Resist&ecirc;ncia (AR) na Bahia, de janeiro a agosto deste ano. Em 244 dias, foram registrados 267 &oacute;bitos de pessoas envolvidas em alegados confrontos com policiais&rdquo; (Correio 24 horas). A pr&oacute;pria ONU tem discutido a forma como a pol&iacute;cia militar atua no Brasil e j&aacute; recomendou a extin&ccedil;&atilde;o desta enquanto &oacute;rg&atilde;o separado (BBC Brasil).<\/p>\n<p>Aos que n&atilde;o s&atilde;o assassinados, muitas vezes resta a priva&ccedil;&atilde;o da liberdade. O Brasil possui a 4&ordf; maior popula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria do mundo, tendo cerca de 500 mil pessoas hoje vivendo em um sistema prisional superlotado e em p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es. &quot;Pela lei brasileira, cada preso tem que ter no m&iacute;nimo seis metros quadrados de espa&ccedil;o (na unidade prisional). Encontramos situa&ccedil;&otilde;es em que cada um tinha s&oacute; 70 cm quadrados&quot;. (BBC Brasil)<\/p>\n<p>Mas ao mesmo tempo em que o Estado marginaliza e criminaliza individualmente, assassina, encarcera e demoniza a imagem do setor mais pauperizado dos trabalhadores assim dificultando sua unidade para lutar, reprime e criminaliza tamb&eacute;m as tentativas coletivas de contesta&ccedil;&atilde;o a esta ordem, expressas nos movimentos social, sindical e estudantil.<\/p>\n<p><strong>ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O TEM SIDO COMBATIDA COM MUITA REPRESS&Atilde;O<\/p>\n<p><\/strong> Em 2007-2008, o movimento estudantil manifestou um ascenso memor&aacute;vel. As pautas passavam da rea&ccedil;&atilde;o &agrave; tentativa do Governo Lula de implantar a Reforma Universit&aacute;ria e as consequ&ecirc;ncias j&aacute; sentidas de um processo anterior de privatiza&ccedil;&atilde;o &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es mais espec&iacute;ficas de cada universidade. O pa&iacute;s foi presenteado pela juventude universit&aacute;ria com muita mobiliza&ccedil;&atilde;o estudantil de fora a fora, uma s&eacute;rie de greves e ocupa&ccedil;&otilde;es de reitorias (UFBA, USP, UNICAMP, UEL, UFJF, UFPA, UFRJ, UFMA, UFRGS, UFAL, PUC, Unirio, UFF, FSA, UFAM, UNB, UFMG, UERJ, UNCISAL, UFMS, UFS, UFSCAR, UFC, FSA, etc.), inclusive culminando na queda de alguns reitores, como Timothy Mulholland, na UNB e Odair Bermelho na Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute;.<\/p>\n<p>Em resposta a esse processo de lutas houve muita persegui&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o. Diversas universidades foram invadidas pela pol&iacute;cia, desocupa&ccedil;&otilde;es violentas foram feitas, policiais sem identifica&ccedil;&atilde;o espancaram e amea&ccedil;aram estudantes. A m&iacute;dia nada dizia sobre a repress&atilde;o, a situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria das universidades e as reivindica&ccedil;&otilde;es, somente acusava os estudantes de dano ao patrim&ocirc;nio p&uacute;blico, exportando uma vers&atilde;o encomendada dos fatos e compactuando com os cen&aacute;rios de destrui&ccedil;&atilde;o de reitorias montados pela pr&oacute;pria pol&iacute;cia. <\/p>\n<p>Por lutar, em cada universidade dezenas de estudantes combativos foram punidos, presos nas desocupa&ccedil;&otilde;es, fichados, multados e tiveram que responder a inqu&eacute;ritos e assinar acordos com a justi&ccedil;a. Muitos acabaram saindo com processos criminais nas costas. <\/p>\n<p>A ofensiva de criminaliza&ccedil;&atilde;o aos lutadores foi dura e um movimento que estava nos primeiros passos de sua tentativa de reorganiza&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s clara coopta&ccedil;&atilde;o governista da UNE confirmada no primeiro mandato de Lula, sentiu fortemente o baque. O refluxo foi inevit&aacute;vel. A presen&ccedil;a de setores governistas com sua atua&ccedil;&atilde;o limitada &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o eleitoral e &agrave; defesa das pol&iacute;ticas do Governo, como a UNE, e a aparatiza&ccedil;&atilde;o do movimento em prol da sua pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o por partidos e organiza&ccedil;&otilde;es degenerados da pr&oacute;pria esquerda, como o PSTU e o PSOL, n&atilde;o contribu&iacute;ram para que a mobiliza&ccedil;&atilde;o estudantil conseguisse superar esse momento dif&iacute;cil.<\/p>\n<p>O ano de 2011 d&aacute; as caras com ascensos populares por todo o mundo. &Eacute; dado o primeiro pontap&eacute; da posteriormente intitulada Primavera &Aacute;rabe, a rebeli&atilde;o no Egito. A juventude se levanta por todo canto, Espanha, Portugal, Gr&eacute;cia, Inglaterra e Chile, com uma massiva luta pelo resgate da Educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Alguns processos de luta estudantil se abrem tamb&eacute;m em algumas universidades brasileiras, por&eacute;m agora em unidade e de certa forma na depend&ecirc;ncia das lutas dos trabalhadores do funcionalismo p&uacute;blico e dos docentes das universidades. <\/p>\n<p>J&aacute; na USP, o ME fecha o ano com maior radicaliza&ccedil;&atilde;o e desvincula&ccedil;&atilde;o. O saldo foram 73 estudantes presos e processados criminalmente. As mobiliza&ccedil;&otilde;es eram contra o avan&ccedil;o do projeto privatista da Universidade, culminando no fechamento de conv&ecirc;nio entre a reitoria e a Pol&iacute;cia Militar, para vigiar e controlar os lutadores, limpando terreno. No in&iacute;cio de 2012 a reitoria da USP avan&ccedil;a nos ataques e investe nos processos administrativos, para os quais t&ecirc;m dado foco, visando a expuls&atilde;o dos estudantes. A parca moradia estudantil tamb&eacute;m foi invadida pela pol&iacute;cia e pessoas foram agredidas e processadas. <\/p>\n<p>O ano de 2012 n&atilde;o foi tranquilo para a burguesia nem para governo, contou com ascensos dos trabalhadores por todo o pa&iacute;s. Nas universidades explodiu a grande greve nacional dos servidores p&uacute;blicos federais e docentes universit&aacute;rios. Em muitas universidades, os estudantes entraram em luta em solidariedade ao movimento dos trabalhadores, mas em algumas tamb&eacute;m encamparam sua luta estudantil aut&ocirc;noma paralelamente. A UNIFESP Guarulhos &eacute; um desses casos, a luta continuou, com um saldo de 173 estudantes entre presos e processados que, inclusive, ainda hoje lutam contra o avan&ccedil;o dos processos.<\/p>\n<p>Na UFES, em Vit&oacute;ria, a luta por moradia estudantil tamb&eacute;m teve autonomia e foi reprimida com viol&ecirc;ncia. Em outro epis&oacute;dio no mesmo local, 3 estudantes foram presos arbitrariamente durante exibi&ccedil;&atilde;o de filme dentro do campus na calada da noite. Na Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute;, hoje v&aacute;rios estudantes em luta passam por processos de sindic&acirc;ncia que visam a expuls&atilde;o. Uma simples manifesta&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica em evento comemorativo na C&acirc;mara dos Vereadores de Santo Andr&eacute; motivou uma dessas sindic&acirc;ncias inclusive.<\/p>\n<p>No marco da crise estrutural do capital, o Estado tem sofrido press&otilde;es para aplicar com maior rapidez os projetos da burguesia, n&atilde;o havendo mais tanta margem para negocia&ccedil;&otilde;es ou media&ccedil;&otilde;es. Hoje nas universidades &eacute; poss&iacute;vel observar uma ofensiva mais focada, que em 2007-2008, em eliminar com rapidez os lutadores dos espa&ccedil;os onde projetos precisam ser aplicados, isso se expressa nos processos administrativos.<\/p>\n<p>O movimento estudantil se carateriza por ser um espa&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, onde experi&ecirc;ncias de resist&ecirc;ncia muito importantes s&atilde;o feitas e onde lutadores valiosos s&atilde;o formados para, muitas vezes, lutar por toda uma vida por uma sociedade diferente desta. Da mesma forma que sabemos disso, a burguesia tamb&eacute;m sabe e a tentativa de desmobilizar os lutadores j&aacute; no movimento estudantil faz todo o sentido.<\/p>\n<p><strong>RECONSTRUIR PELA BASE E DEFENDER OS LUTADORES<\/p>\n<p><\/strong> A reconstru&ccedil;&atilde;o do movimento estudantil passa pela rejei&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;todos aparatistas. Defendemos que os partidos e organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas tenham como prioridade a constru&ccedil;&atilde;o dos movimentos e n&atilde;o sua pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o, que seria uma consequ&ecirc;ncia natural de sua inser&ccedil;&atilde;o real no movimento. As quest&otilde;es nacionais s&atilde;o de fundamental import&acirc;ncia, mas t&ecirc;m dose e momento certo para serem colocadas com qualidade. &Eacute; preciso tomar as demandas locais dos estudantes como prioridades e ter inser&ccedil;&atilde;o real e &uacute;til entre eles. Colocar bandeiras nacionais a todo custo acima das vontades dos estudantes caminha na contram&atilde;o disso, torna a esquerda militante alien&iacute;gena ao conjunto dos estudantes e a isola, prejudicando a constru&ccedil;&atilde;o do movimento e, inclusive, dificultando sua defesa em momentos de repress&atilde;o.<\/p>\n<p>As dificuldades da luta por uma sociedade sem opress&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o inumer&aacute;veis. Assim, a necessidade da defesa dos lutadores e da luta contra a repress&atilde;o se colocam como pressuposto &agrave; sobreviv&ecirc;ncia da j&aacute; &aacute;rdua tarefa da esquerda revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong>CONTRA A REPRESS&Atilde;O E CONTRA O CAPITALISMO<\/p>\n<p><\/strong> Por&eacute;m, a campanha contra a repress&atilde;o nas universidades e em todo lugar n&atilde;o deve ser meramente democr&aacute;tica. Repress&atilde;o se combate com a livre organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e estudantes em luta para al&eacute;m das conquistas democr&aacute;ticas. <\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores contra a explora&ccedil;&atilde;o capitalista, a l&oacute;gica do lucro e todas as suas g&eacute;lidas consequ&ecirc;ncias, que se expressam tamb&eacute;m nas universidades, muitas vezes passam por fora da legalidade e expressam formas de organiza&ccedil;&atilde;o muito mais complexas e democr&aacute;ticas que as costumeiras na sociedade, por&eacute;m, fora das institucionalidades.<\/p>\n<p>A estrutura antidemocr&aacute;tica das universidades, a &iacute;nfima representa&ccedil;&atilde;o estudantil nos conselhos deliberativos e consultivos e a totalidade da democracia que a burguesia pode nos oferecer n&atilde;o s&atilde;o capazes de abarcar as profundas mudan&ccedil;as que queremos. Precisamos romper com estas estruturas e para isso temos que estar preparados para a rea&ccedil;&atilde;o da burguesia. A defesa dos lutadores deve ser tomada como tarefa fundamental de todo revolucion&aacute;rio.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h3>&nbsp;O QUE CELEBRAR NO 20 DE NOVEMBRO, DIA DA CONSCI&Ecirc;NCIA NEGRA?<\/h3>\n<p class=\"rteleft\">\nJ&ocirc;natas Barbosa, Jos&eacute; J&acirc;nio e Rog&eacute;rio Azevedo<\/p>\n<p>O dia 20 de novembro &eacute; a data oficializada pelo Estado brasileiro como o &ldquo;Dia da Consci&ecirc;ncia Negra&rdquo;. Nesse dia, nos acostumamos a ver shows com m&uacute;sica de negro e apresenta&ccedil;&otilde;es com artistas negros dan&ccedil;ando e representando uma s&eacute;rie de express&otilde;es art&iacute;sticas afro em todos os cantos do Brasil. Boa parte dessas comemora&ccedil;&otilde;es &eacute; organizada pelo Estado, atrav&eacute;s dos munic&iacute;pios, estados e uni&atilde;o. V&aacute;rias ONGs, partidos pol&iacute;ticos e grupos se incorporam a esses festejos. No entanto, ser&aacute; mesmo que essa data tem que ser comemorada da forma e com o conte&uacute;do que tem tomado ao longo desses &uacute;ltimos anos?<\/p>\n<p>Foi em 20 de novembro de 1695 que o l&iacute;der mais conhecido do Quilombo dos Palmares (atual territ&oacute;rio pertencente ao estado de Alagoas) Zumbi, foi assassinado quando lutava pela liberta&ccedil;&atilde;o dos negros contra os senhores de escravos durante o per&iacute;odo do Brasil col&ocirc;nia. Vindos dos pa&iacute;ses africanos, a m&atilde;o de obra escrava serviu durante muito tempo para enriquecer a classe dominante da &eacute;poca.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, com o desenvolvimento do modo de produ&ccedil;&atilde;o e tendo como momento predominante a m&atilde;o de obra assalariada, os senhores de escravos &ldquo;reconheceram&rdquo; que era bem mais caro manter um escravo do que pagar sal&aacute;rios. Aliado a isso, a luta e as revoltas do povo negro, que fugiam para os quilombos por todo o pa&iacute;s, foram fatores determinantes para legaliza&ccedil;&atilde;o do fim da escravid&atilde;o. Falamos em legalidade, porque a escravid&atilde;o era permitida por lei, sendo o Brasil o &uacute;ltimo pa&iacute;s do mundo (1888) a abolir as leis que garantiam &agrave;s classes dominantes escravizar os negros. Por mais de tr&ecirc;s s&eacute;culos, os negros no Brasil foram tratados como coisas; meros objetos de compra e venda, e por diversas vezes, de acordo com sua serventia, descartados pelos seus donos.<\/p>\n<p>A substitui&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra escrava pela assalariada, n&atilde;o significou dizer que o capitalismo n&atilde;o absolvesse o racismo em benef&iacute;cio do seu funcionamento. Os escravos &ndash; agora &ldquo;ex-escravos&rdquo; e, portanto, &ldquo;livres&rdquo; &ndash; foram incorporados ao sistema capitalista ocupando os piores empregos em troca dos piores sal&aacute;rios, isso quando conseguiam ser empregados. Se diminuir os custos da produ&ccedil;&atilde;o faz os lucros serem maiores, pouco importa, para os patr&otilde;es, se essa diminui&ccedil;&atilde;o de custos ser&aacute; a parte que vai faltar no sal&aacute;rio da parcela dos trabalhadores que s&atilde;o negros. E essa baixa nos sal&aacute;rios ser&aacute; aceita, de forma velada ou n&atilde;o, pela concorr&ecirc;ncia posta pelo modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista e tamb&eacute;m, agora, sendo atendida pela pr&oacute;pria sociedade marcada historicamente pelo racismo. Ou seja, o racismo foi e &eacute; usado pelo capitalismo para obten&ccedil;&atilde;o de lucro em cima dos baixos sal&aacute;rios dos trabalhadores negros.<\/p>\n<p>Se antes os negros estavam nas senzalas, cozinhas e lavouras, hoje continuam ocupando as cozinhas dos brancos nos pr&eacute;dios das orlas e condom&iacute;nios das grandes cidades; cortando cana nos canaviais de usinas sucroalcooleiras. Como benesses do capitalismo n&atilde;o est&atilde;o mais nas senzalas e sim nas favelas. Cumprem, em sua maioria, as mesmas fun&ccedil;&otilde;es que cumpriam no passado, mas, agora, recebem os mais baixos sal&aacute;rios do sistema capitalista e moram nos piores lugares das grandes cidades principalmente. Assim, confirmam-se os resultados da pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), na qual se verificou que 70,2% do total de mortos pela pol&iacute;cia do Rio s&atilde;o pardas e\/ou negras.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA) divulgados em 2003, o sal&aacute;rio m&eacute;dio de um trabalhador branco &eacute; de R$ 931,00 enquanto o sal&aacute;rio m&eacute;dio do negro &eacute; de R$ 428,30. Quando comparamos a quest&atilde;o das mulheres, temos um quadro ainda pior: a mulher branca ganha em m&eacute;dia R$ 554,60 e a mulher negra R$ 279,70. Observando os n&uacute;meros, podemos perceber que o homem branco recebe o triplo do sal&aacute;rio da mulher negra. Se considerarmos que essas diferen&ccedil;as se encaixam apenas nos poucos negros que conseguiram, ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura, se encaixar no mercado, podemos verificar como vivem aqueles que nem a essa &ldquo;sorte&rdquo; foram lan&ccedil;ados.<\/p>\n<p>Essa incorpora&ccedil;&atilde;o do racismo ao sistema capitalista sempre foi um problema para os partidos e organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda. Boa parte n&atilde;o consegue enxergar que o racismo est&aacute; umbilicalmente ligado &agrave; quest&atilde;o do interesse entre as classes sociais que comp&otilde;em o capitalismo. Se de um lado temos a burguesia que, cada vez mais, quer tirar seu lucro em cima dos trabalhadores, esses &uacute;ltimos por sua vez, querem tirar maiores sal&aacute;rios dos seus patr&otilde;es para terem condi&ccedil;&otilde;es de vida melhores. Por&eacute;m, &eacute; dentro da classe trabalhadora que encontramos os negros. Esses que antes do capitalismo eram escravos agora s&atilde;o trabalhadores &ldquo;livres&rdquo; que teoricamente s&atilde;o iguais ao resto da classe trabalhadora branca. Falamos teoricamente, porque na pr&aacute;tica, como afirmamos acima, os negros s&atilde;o a parcela da classe trabalhadora mais explorada do que os j&aacute; explorados trabalhadores de uma forma geral.<\/p>\n<p>Por outro lado, assistimos a uma metamorfose do pr&oacute;prio capitalismo, em querer passar para toda a sociedade a ideia de que tomou para si a resolu&ccedil;&atilde;o definitiva do racismo. Campanhas publicit&aacute;rias, sistemas de cotas, ocupa&ccedil;&atilde;o de alguns cargos de alto escal&atilde;o do Estado e de grandes empresas s&atilde;o alguns dos exemplos dessa movimenta&ccedil;&atilde;o. Logicamente, essa aten&ccedil;&atilde;o do capitalismo de passar a ideia de que o racismo acabou, aos poucos, atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o social para os negros e a ocupa&ccedil;&atilde;o de cargos importantes por parte dos negros, somente tenta esconder a origem do racismo. Mais ainda, tentam passar a ideia de que no passado recente da hist&oacute;ria do pa&iacute;s o que aconteceu foi a jun&ccedil;&atilde;o perfeita entre brancos, pretos e &iacute;ndios e que o dia 20 de novembro serve para prestarmos uma homenagem a uma das partes desse casamento &ldquo;perfeito&rdquo; que originou o povo brasileiro. <\/p>\n<p>Dessa forma, o discurso, inclusive, dominante na maioria das universidades do Brasil, esconde que a supera&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio racismo &eacute; imposs&iacute;vel dentro dos marcos da sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Temos ainda, alguns poucos partidos de esquerda que tomam para si a quest&atilde;o racial como a quest&atilde;o de classe, no entanto, e sob o argumento de que precisam dialogar com a realidade, acabam tratando a quest&atilde;o em suas a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas da mesma forma fragmentada que &eacute; feita pela classe dominante. Dessa forma, &eacute; comum vermos nos espa&ccedil;os de auto-organiza&ccedil;&atilde;o da esquerda, a separa&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios trabalhadores para discutir as contradi&ccedil;&otilde;es da sociedade capitalista na hora de tratar da quest&atilde;o racial, nos quais negros tratam da quest&atilde;o de negro, mulheres tratam das quest&otilde;es de mulheres e assim por diante.<\/p>\n<p>N&atilde;o temos conseguido superar essa segrega&ccedil;&atilde;o interna da pr&oacute;pria classe trabalhadora. Como resultado disso, acabamos de forma consciente ou inconsciente, agindo ou se omitindo contribuindo ou corroborando com a forma e o conte&uacute;do das manifesta&ccedil;&otilde;es que assistimos todos os anos no dia 20 de novembro.<\/p>\n<p>Quando Zumbi foi assassinado por Domingos Jorge Velho no final do s&eacute;culo XVII, o Brasil vivia um momento de intenso embate entre senhores e escravos. A decis&atilde;o de tomada por milhares de escravos naquela &eacute;poca de fugirem das senzalas e das fazendas de seus donos e irem morar em comunidades no alto das montanhas ao longo do territ&oacute;rio nacional n&atilde;o era uma luta para que hoje tiv&eacute;ssemos a liberdade de montarmos uma banda de pagode, uma roda de capoeira ou uma exposi&ccedil;&atilde;o de comidas afro. A luta das comunidades quilombolas era para que todos fossem iguais, brancos ou pretos.<\/p>\n<p>Sem d&uacute;vida, se muitos deles estivessem vivos hoje n&atilde;o hesitaram em afirmar que as condi&ccedil;&otilde;es de vida dos negros s&atilde;o bem melhores do que naquela &eacute;poca. No entanto, essa express&atilde;o &ldquo;&eacute; bem melhor&rdquo; torna-se bastante relativo quando olhamos para uma favela de qualquer grande cidade do Brasil e vemos que a maioria esmagadora da popula&ccedil;&atilde;o que ali habita &eacute; de negros; que quando queremos xingar algu&eacute;m de &ldquo;safado&rdquo; e esse algu&eacute;m &eacute; preto chamamos de &ldquo;negro safado&rdquo;; que quem ainda lava os pratos, faz a comida, engraxa os sapatos, estaciona os carros para os brancos continuam sendo, em sua maioria, os negros, etc.<\/p>\n<p>Por isso, mais do que ser um dia para se manifestar toda a riqueza cultural dos negros, a data 20 de novembro tem que servir para manifestarmos nossos anseios por um mundo no qual n&atilde;o exista nenhuma forma de explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem, afinal esse era o anseio de toda uma gera&ccedil;&atilde;o representada nessa data pela figura de Zumbi dos Palmares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h3>2012: PROFESSORES ENFRENTAM PRECARIZA&Ccedil;&Atilde;O E MERITOCRACIA<\/h3>\n<p>\nAlexandre Ferraz\/N&uacute;cleo professores<\/p>\n<p>Qual o sentido deste ano para a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e para as lutas dos professores? Qual a sua marca distintiva? O que deixa como tend&ecirc;ncias para 2013?<\/p>\n<p>Da parte dos governos, n&atilde;o houve mudan&ccedil;a nos projetos  educacionais no sentido de reverter as tend&ecirc;ncias vigentes. Ao contr&aacute;rio,  temos a generaliza&ccedil;&atilde;o e  aprofundamento dos ataques &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica pelo sistema do capital.<\/p>\n<p><strong> INVESTIMENTO M&Iacute;NIMO X COBRAN&Ccedil;A M&Aacute;XIMA<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, vivenciamos o corte ou n&atilde;o-investimento por parte dos estados nacionais e sua negativa em oferecer Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica de acordo com os interesses dos trabalhadores e seus filhos. O dinheiro da Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; enviado para garantir a lucratividade do empresariado no contexto de crise estrutural do capital.<br \/>\nAo mesmo tempo, os professores s&atilde;o cobrados por mais tarefas e obriga&ccedil;&otilde;es, que alteram a natureza mesma do nosso papel e do pr&oacute;prio conceito de Educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A perda da liberdade de c&aacute;tedra (liberdade de ensino-aprendizagem) com a imposi&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo (conte&uacute;dos a serem ensinados) em base aos interesses dos setores empresariais e a uniformiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento atrav&eacute;s de caderninhos do aluno e avalia&ccedil;&otilde;es externas, s&atilde;o a forma encontrada de tratar como iguais os desiguais (as escolas de centro e de periferia, os diferentes turnos, as diferentes turmas e os diferentes alunos de uma mesma turma).<\/p>\n<p>Temos a aplica&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica empresarial, onde o aluno &eacute; considerado uma pe&ccedil;a, cuja &ldquo;qualidade&rdquo; deve ser cobrada em termos de sua adequa&ccedil;&atilde;o &agrave;s finalidades limitadas de forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra prec&aacute;ria para o sistema.<\/p>\n<p>Todos os demais fatores como a forma&ccedil;&atilde;o social e cultural dos alunos, as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho (n&uacute;mero de alunos por turma, aulas dispon&iacute;veis para prepara&ccedil;&atilde;o e corre&ccedil;&atilde;o das atividades, rebaixamento salarial, falta de estrutura nas escolas) s&atilde;o intencionalmente exclu&iacute;dos do quadro de an&aacute;lise.<\/p>\n<p>Dentro desse projeto, tem lugar central a individualiza&ccedil;&atilde;o da cobran&ccedil;a e puni&ccedil;&atilde;o dos professores(as), inclusive com a possibilidade futura de demiss&atilde;o at&eacute; mesmo dos efetivos(as) por &ldquo;insufici&ecirc;ncia de desempenho&rdquo;, como vem ocorrendo na Espanha, Portugal e Chicago.<\/p>\n<p>As pol&iacute;ticas de m&eacute;rito consistem em conceder reajustes salariais parciais e outras &ldquo;vantagens&rdquo; apenas para um setor minorit&aacute;rio da categoria, que consegue atingir os crit&eacute;rios, excludentes a priori.<\/p>\n<p>Agora v&ecirc;m juntar-se a isso os chamados Planos de Carreira, que n&atilde;o passam de avalia&ccedil;&otilde;es individuais de desempenho ao decompor e atribuir pontua&ccedil;&atilde;o a cada uma das  atividades realizadas pelos professores, resultando em evolu&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas e restritas a uma parte da categoria.<\/p>\n<p>O alto grau de subjetividade &eacute; vis&iacute;vel, pois essas avalia&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o feitas pelas dire&ccedil;&otilde;es das escolas.<\/p>\n<p>O car&aacute;ter tendencioso desse conjunto de pol&iacute;ticas tem tido impactos em nossa categoria, seja em sua realidade objetiva (diferencia&ccedil;&otilde;es salariais e de classifica&ccedil;&atilde;o), como em sua consci&ecirc;ncia (aumento do individualismo, dificultando as a&ccedil;&otilde;es coletivas maiores).<\/p>\n<p>Contribuiu para isso o fato de que as principais entidades da Educa&ccedil;&atilde;o, dirigidas pela corrente Articula&ccedil;&atilde;o Sindical (PT), t&ecirc;m sido coniventes e at&eacute; mesmo t&ecirc;m apoiado a meritocracia, de forma velada ou expl&iacute;cita.<\/p>\n<p>Como parte disso, temos as provas para os professores tempor&aacute;rios, que visam jogar os setores mais jovens contra os mais antigos da categoria e, ao mesmo tempo, a precariza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos contratuais das quais o professor tempor&aacute;rio (categoria &ldquo;O&rdquo; em S&atilde;o Paulo)  &eacute; um exemplo do que o sistema tem imposto nos v&aacute;rios estados e pa&iacute;ses.<\/p>\n<p><strong> NAS ESCOLAS&#8230; A PRECARIZA&Ccedil;&Atilde;O E A REPRESS&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p>O quadro geral de precariza&ccedil;&atilde;o aprofunda-se com a falta de estrutura m&iacute;nima nas escolas, muitas das quais est&atilde;o literalmente  caindo. Quando ocorrem reformas, s&atilde;o realizadas visando apenas interesses eleitorais, durante o ano letivo, se estendendo por diversos meses e expondo professores e alunos a condi&ccedil;&otilde;es absolutamente insalubres.<\/p>\n<p>Na rela&ccedil;&atilde;o da escola com os alunos, a &ecirc;nfase recai no doutrinamento, na coer&ccedil;&atilde;o e na repress&atilde;o, como forma de se evitar questionamentos &agrave; ordem de domina&ccedil;&atilde;o. As grades, as c&acirc;meras nos corredores, nas salas dos professores e at&eacute; em salas de aula, e a presen&ccedil;a cada vez mais constante da pol&iacute;cia no interior das escolas mostram essa tend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A fim de impor essa combina&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria entre investimento m&iacute;nimo e cobran&ccedil;a m&aacute;xima, num ambiente  cada vez mais ca&oacute;tico e potencialmente explosivo,  o sistema apela ao autoritarismo e ass&eacute;dio moral de Diretorias de Ensino, supervisoras e equipes gestoras, levando &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o e acirramento dos conflitos nas escolas entre dire&ccedil;&atilde;o e professores, professores e alunos, professores e pais, e professores entre si.<\/p>\n<p>Cada vez mais, as escolas acumulam tens&otilde;es que inevitavelmente tendem a explodir em algum momento.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, &agrave; medida que todo esse projeto vai sendo implementado, tamb&eacute;m vai tomando corpo e revelando sua ess&ecirc;ncia. Fica cada vez mais claro que n&atilde;o se trata de uma pol&iacute;tica para propiciar melhoria na Educa&ccedil;&atilde;o, apenas mais cobran&ccedil;a, competi&ccedil;&atilde;o, enquadramento e puni&ccedil;&atilde;o, de  forma a legitimar o n&atilde;o investimento em Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica de qualidade para todos, pois isso n&atilde;o interessa ao sistema capitalista e aos governos.<\/p>\n<p><strong> 2012: LUTAS NOS PA&Iacute;SES CENTRAIS QUESTIONAM MATRIZ DOS PROJETOS<\/strong><\/p>\n<p>Em 2012, ganharam corpo as lutas do setor de Educa&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses centrais, com destaque para Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Espanha, contra os cortes or&ccedil;ament&aacute;rios a servi&ccedil;o de salvar o capital.<\/p>\n<p>Nos EUA, vimos surgir uma das greves mais importantes e que devem prenunciar muitas outras naquele e em outros pa&iacute;ses para o pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>A Greve dos professores de Chicago n&atilde;o se enfrentou apenas com os cortes or&ccedil;ament&aacute;rios, mas contra todo um projeto educacional (Reforma de Nova Yorque) que tem servido de matriz para muitos outros sistemas educacionais, particularmente da Am&eacute;rica Latina e do Brasil.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ressurge o movimento pela derrubada da estrutura privatista de Educa&ccedil;&atilde;o criada no Chile por Pinochet e mantida pelos governos que o seguiram. E agora, em Buenos Aires, surge uma greve das escolas secund&aacute;rias contra a Reforma Curricular, que pretende eliminar mat&eacute;rias t&eacute;cnicas no segundo grau.<\/p>\n<p><strong> O QUE ESSAS LUTAS T&Ecirc;M EM COMUM?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, come&ccedil;am a enfrentar-se n&atilde;o apenas contra as consequ&ecirc;ncias, mas contra um projeto educacional maior, em que os professores s&atilde;o expostos &agrave; responsabiliza&ccedil;&atilde;o, cobran&ccedil;a  e monitoramento de seu trabalho e a formas prec&aacute;rias de contrata&ccedil;&atilde;o, ditadas pelos interesses do capital contra os trabalhadores e os servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, s&atilde;o movimentos que tendem a ocorrer em unidade com pais, alunos, apoio de outras categorias de trabalhadores e at&eacute; setores empobrecidos da classe m&eacute;dia. Em alguns lugares, s&atilde;o mais do que simples greves, tomam a forma de micro-rebeli&otilde;es educacionais e sociais, como no M&eacute;xico e em Buenos Aires.<\/p>\n<p>Avan&ccedil;am para a radicaliza&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos de luta, pois combina-se a entrada em cena uma nova gera&ccedil;&atilde;o de professores em unidade com uma juventude estudantil sem perspectivas de melhoria futura, como tamb&eacute;m pelo endurecimento dos governos, que reprimem e acirram os enfrentamentos. Isso tem resultado em um ativismo muito forte nos momentos de luta.<\/p>\n<p>Essa situa&ccedil;&atilde;o ainda enfrenta desigualdades no interior das categorias,  onde temos ao mesmo tempo setores acomodados, mas tamb&eacute;m outros com grande radicaliza&ccedil;&atilde;o, dando origem a vanguardas mais amplas, cujas a&ccedil;&otilde;es, se n&atilde;o s&atilde;o diretamente seguidas, possuem legitima&ccedil;&atilde;o e respaldo em setores de massa, tornando poss&iacute;vel um avan&ccedil;o que antes n&atilde;o existia.  &Eacute; o caso dos bloqueios de estradas e avenidas no Chile e no M&eacute;xico, do enfrentamento &agrave; pol&iacute;cia no M&eacute;xico e em Buenos Aires, entre outros.<\/p>\n<p><strong> POR AQUI TAMB&Eacute;M H&Aacute; NOVOS DESAFIOS PARA AS LUTAS<\/strong><\/p>\n<p>Entendemos, portanto, que a marca fundamental deste ano foi a amplia&ccedil;&atilde;o, nos pa&iacute;ses centrais, do questionamento dos projetos adaptados aos interesses privados das empresas e de manuten&ccedil;&atilde;o da ordem de governos comprometidos com a transfer&ecirc;ncia cada vez maior das &aacute;reas sociais para o empresariado.<\/p>\n<p>Assim, podemos esperar que, daqui para a frente, as tend&ecirc;ncias n&atilde;o ser&atilde;o apenas de novos ataques, que certamente vir&atilde;o &ndash; at&eacute; pela necessidade do sistema de prosseguir e aprofundar essas tend&ecirc;ncias acima. Teremos cada vez mais as rea&ccedil;&otilde;es de protesto, lutas cada vez mais duras no interior das escolas e redes de ensino, tendendo a se transformar em micro-rebeli&otilde;es contra o modelo educacional burgu&ecirc;s.<\/p>\n<p>Em S&atilde;o Paulo, tamb&eacute;m tudo leva a crer que novas tens&otilde;es se acumulam e se desenvolvem, dentro e fora das escolas. Um clima de insatisfa&ccedil;&atilde;o se faz sentir. Come&ccedil;am a se dar condi&ccedil;&otilde;es para uma campanha de den&uacute;ncia e luta mais direta contra o projeto em curso como um todo, mesmo que ainda com a participa&ccedil;&atilde;o de um setor minorit&aacute;rio, mas cujo envolvimento pode levar a uma expans&atilde;o, inclusive para al&eacute;m da nossa categoria.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso identificar essas possibilidades de a&ccedil;&otilde;es e campanhas para n&atilde;o ter posi&ccedil;&otilde;es recuadas perante os acontecimentos, como tem ocorrido diversas vezes ao longo deste ano, mesmo com setores da Oposi&ccedil;&atilde;o, particularmente o PSTU e PSOL em situa&ccedil;&otilde;es em que deixaram de se colocar, na pr&aacute;tica, como um p&oacute;lo alternativo &agrave;  dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da APEOESP (Articula&ccedil;&atilde;o Sindical).<\/p>\n<p>Isso ocorre pela dificuldade dessas correntes em empalmarem com esse processo e isso n&atilde;o &eacute; &agrave; toa. Sua acomoda&ccedil;&atilde;o a anos de luta de &ldquo;normalidade&rdquo; da democracia burguesa, em um contexto de categorias que eram mais homog&ecirc;neas, assim como sua adapta&ccedil;&atilde;o (ainda que parcial) aos limites e aos privil&eacute;gios nas estruturas sindicais burocratizadas, lhes tiram os reflexos,  a intui&ccedil;&atilde;o, a ousadia e a criatividade, ficando totalmente aqu&eacute;m das necessidades colocadas pela situa&ccedil;&atilde;o atual e pelo tipo de movimento necess&aacute;rio.<\/p>\n<p>Como medidas pr&aacute;ticas, &eacute; preciso buscar v&iacute;nculos com nossos colegas, e tamb&eacute;m com alunos e pais, chamando-os para enfrentar esse processo de ataques dentro das escolas e nas ruas, em frente &agrave;s Diretorias de Ensino, etc.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso tamb&eacute;m uma Campanha Permanente contra esse projeto geral capitalista de precariza&ccedil;&atilde;o e estratifica&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, com palestras, cartas-abertas, carros de som nos bairros, atividades pol&iacute;tico-culturais de protesto nas pra&ccedil;as p&uacute;blicas e na periferia, utilizando as redes sociais, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n<h3>AVENIDA BRASIL &ndash; CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DE PERSONAGENS QUE REFOR&Ccedil;AM A VIOL&Ecirc;NCIA CONTRA A MULHER<\/h3>\n<p>Iraci Lacerda e Neuza Peres<\/p>\n<p>A viol&ecirc;ncia, sob o capitalismo, parece t&atilde;o entranhada em nosso cotidiano que pensar e agir em fun&ccedil;&atilde;o dela deixou de ser um ato circunstancial, para se tornar uma forma de ver e de viver o mundo incorporada ativamente pela m&iacute;dia machista, sensacionalista e a servi&ccedil;o da ideologia dominante. Especialmente, o mundo das grandes metr&oacute;poles &ndash; aglomerados humanos que se tornam, a cada dia, o celeiro da cultura da viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Contudo, quando se fala em viol&ecirc;ncia, a primeira imagem que nos vem &agrave; mente &eacute; aquela que exprime agress&atilde;o f&iacute;sica, que nos atinge naquilo que possu&iacute;mos ou amamos, ou seja, corpo, amigos, fam&iacute;lia e bens. Costuma ficar de lado aquela viol&ecirc;ncia invis&iacute;vel que procura atingir profundamente o aspecto emocional e psicol&oacute;gico e que esconde a mis&eacute;ria do modo de vida burgu&ecirc;s e alienante.<\/p>\n<p>Toda essa viol&ecirc;ncia, qualquer que seja sua intensidade, est&aacute; presente nos bairros sofisticados e nas periferias, nos bairros da classe m&eacute;dia e nas favelas, nos campos de futebol da v&aacute;rzea ou nos grandes est&aacute;dios. Mas, cumpre em cada canto as suas diferencia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&Eacute; certo que, entre a burguesia, a viol&ecirc;ncia est&aacute; diretamente ligada &agrave; quest&atilde;o da disputa pelo poder, da gan&acirc;ncia, da vingan&ccedil;a, do enriquecimento il&iacute;cito e independente de religiosidade, moral e bons costumes.<\/p>\n<p>No entanto, &eacute; essa viol&ecirc;ncia que, disseminada nos lares brasileiros, atrav&eacute;s da m&iacute;dia, se soma &agrave; viol&ecirc;ncia causada pela profunda dificuldade de sobreviv&ecirc;ncia da classe trabalhadora. Milh&otilde;es de trabalhadoras e trabalhadores passam a viver cotidianamente a vida de cada personagem criado nas novelas televisivas e deixam de lado o seu pr&oacute;prio enredo, depois de longas e estressantes jornadas de trabalho.<\/p>\n<p>Assim, a ideologia burguesa busca construir individualismos ao passar por cima de quest&otilde;es religiosas, desprezar leis e apostar que tais resultados estar&atilde;o sendo colhidos entre aqueles que assistem passivamente as gritarias, mortes, agress&otilde;es e mentiras presentes nas novelas, ou seja, &eacute; um tipo de viol&ecirc;ncia de uma classe sobre parte consider&aacute;vel dos trabalhadores, que assume para si um modo de vida estranhado.<\/p>\n<p><strong>A VIOL&Ecirc;NCIA CONTRA A MULHER EM HOR&Aacute;RIO NOBRE<\/strong><\/p>\n<p>Especialmente as novelas da Rede Globo h&aacute; muito carregam, para um bom n&iacute;vel liter&aacute;rio, enredos ultrapassados e semelhantes, do mal contra o bem. Personagens que tiveram situa&ccedil;&atilde;o financeira dif&iacute;cil na inf&acirc;ncia s&atilde;o constru&iacute;dos para se tornarem vil&otilde;es sanguin&aacute;rios, mulheres revezam em protagonismos cru&eacute;is, d&oacute;ceis ou com forte apelo sexual constru&iacute;dos para despertar raiva e pass&iacute;veis de vingan&ccedil;a entre a opini&atilde;o p&uacute;blica. No caso espec&iacute;fico de protagonismo feminino, costuma-se ter cenas expl&iacute;citas de agre<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":983,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6477,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372\/revisions\/6477"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}