{"id":3765,"date":"2015-03-10T23:01:48","date_gmt":"2015-03-11T02:01:48","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3765"},"modified":"2018-05-01T00:45:33","modified_gmt":"2018-05-01T03:45:33","slug":"jornal-76-grecia-espanha-e-a-luta-por-uma-alternativa-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/03\/jornal-76-grecia-espanha-e-a-luta-por-uma-alternativa-socialista\/","title":{"rendered":"Jornal 76: Gr\u00e9cia, Espanha e a luta por uma alternativa socialista"},"content":{"rendered":"<p>O Espa\u00e7o Socialista tem como uma de suas convic\u00e7\u00f5es de que vivemos em uma crise da alternativa socialista, isto \u00e9, um processo pol\u00edtico que revela a aus\u00eancia de sa\u00eddas pela esquerda e contra o capital diante das crises pol\u00edticas e sociais que se alastram, cada vez mais, pelo mundo.<\/p>\n<p>A proposta deste artigo \u00e9 refletir sobre a quest\u00e3o da subjetividade associada \u00e0 reflex\u00e3o sobre \u201ccrise estrutural do capital\u201d. Esse esfor\u00e7o \u00e9 para demarcar a impossibilidade de sa\u00eddas duradouras nos marcos do capital e o esgotamento de sa\u00eddas reformistas.<\/p>\n<p>As rebeli\u00f5es da Primavera \u00c1rabe, as jornadas de junho no Brasil e as mobiliza\u00e7\u00f5es na Europa, a guerra civil na S\u00edria, al\u00e9m de tantos outros processos, do ponto de vista da subjetividade, todos t\u00eam elementos em comum: a aus\u00eancia de uma alternativa socialista (que se expressasse em forma de um programa de ruptura com o capital) e de outra que se combina \u00e9 a aus\u00eancia da classe oper\u00e1ria \u2013 aquela que produz valor \u2013 como protagonista, como vanguarda do processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim, mesmo com as especificidades de cada processo, t\u00eam-se dire\u00e7\u00f5es de toda sorte: nacionalistas burgueses, fundamentalistas, reformistas, eleitoreiros e, de forma bem marginal, setores de esquerda e com algum peso pol\u00edtico. Mas, o que determina \u00e9 que a consci\u00eancia m\u00e9dia nesse processo n\u00e3o vai em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com o capitalismo e, em muitos casos, s\u00e3o fra\u00e7\u00f5es da burguesia se guerreando para ver quem vai continuar a explorar os trabalhadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o ter esse conceito como um dos elementos da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial \u00e9 desprezar o papel do elemento consciente da revolu\u00e7\u00e3o ou reduzi-lo \u00e0 exist\u00eancia de partidos e ou organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Para n\u00f3s o processo est\u00e1 combinado entre o desenvolvimento de uma consci\u00eancia anticapitalista e socialista no interior da classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, a constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es e\/ou partidos revolucion\u00e1rios, elementos fundamentais para o combate \u00e0 ideologia burguesa no processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<h2>Ver tamb\u00e9m as contradi\u00e7\u00f5es&#8230;<\/h2>\n<p>O processo pol\u00edtico pelo qual passa Gr\u00e9cia e Espanha coloca com toda dramaticidade a quest\u00e3o da crise de alternativa socialista. Crise econ\u00f4mica profunda (desemprego, pobreza, etc.), a direita crescendo, o crescimento de grupos e partidos antineoliberais (sem ser anticapitalista) e a aus\u00eancia da classe oper\u00e1ria organizada e consciente.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas contradi\u00e7\u00f5es. Apresentar essas contradi\u00e7\u00f5es e dificuldades do processo em curso n\u00e3o \u00e9 ser \u201cpessimista\u201d, mas procurar entender e apreender a realidade como uma totalidade, ou seja, em suas v\u00e1rias determina\u00e7\u00f5es, particularidades, tend\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es. Ressaltamos essa quest\u00e3o metodol\u00f3gica porque muitas correntes pol\u00edticas, em suas avalia\u00e7\u00f5es, se amparam apenas em alguns elementos, o que leva a conclus\u00f5es parciais.<\/p>\n<h2>Gr\u00e9cia e Espanha negam os partidos tradicionais<\/h2>\n<p>Do lado da burguesia, para responder a situa\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica, os governos espanhol e grego se endividaram ainda mais. Como contrapartida a Troika exigiu a aplica\u00e7\u00e3o de medidas de austeridade (ataques a direitos sociais e \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista) que s\u00f3 fizeram aprofundar a pobreza e os problemas sociais.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o levou a intensas mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com um car\u00e1ter \u2013 ainda que dilu\u00eddo \u2013 de esquerda, de oposi\u00e7\u00e3o aos planos econ\u00f4micos de austeridade da Troika. Greves gerais, manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas e outras formas de luta fizeram a crise chegar tamb\u00e9m ao sistema de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nesses dois pa\u00edses (tamb\u00e9m h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es desse processo em outros pa\u00edses, mas com menor intensidade).<\/p>\n<p>Os partidos tradicionais \u201cde esquerda\u201d (as aspas servem como discord\u00e2ncia com esse termo), como o Partido Socialista (PASOK) na Gr\u00e9cia e o Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol (PSOE), \u2013 tamb\u00e9m associamos essa crise ao PT no Brasil e ao Peronismo na Argentina \u2013 mesmo com o revezamento do poder, n\u00e3o conseguiram responder aos problemas e apresentar sa\u00eddas que sequer preservassem o n\u00edvel de vida das pessoas. Pelo contr\u00e1rio, foram fiadores dos planos de ajustes e austeridade propostos pelos credores das d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Aceitar as imposi\u00e7\u00f5es dos banqueiros e credores da d\u00edvida (tanto aqui quanto l\u00e1) significa adotar medidas contra os trabalhadores. Ou seja, os partidos governantes \u201cde esquerda\u201d escolheram isso: salvar o capital e seus planos de aumentar a explora\u00e7\u00e3o sobre a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A derrota do PASOK na Gr\u00e9cia e o desgaste do PSOE na Espanha \u2013 sintomas da crise que vivem os \u201ctradicionais partidos de esquerda\u201d \u2013 s\u00e3o consequ\u00eancias da op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que fizeram e como encontram um processo de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores. Esse choque levou ao seu enfraquecimento, abrindo espa\u00e7o para o surgimento de novos atores pol\u00edticos.<\/p>\n<p>A partir desses aspectos, podemos compreender que nesses dois pa\u00edses se combinam mudan\u00e7as importantes nas representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Da luta contra os planos de austeridade, nasceram novas for\u00e7as pol\u00edticas (Syriza na Gr\u00e9cia e Podemos na Espanha), organiza\u00e7\u00f5es mais com caracter\u00edsticas de frente do que \u201cpartidos puros\u201d.<\/p>\n<p>Toda afirma\u00e7\u00e3o parte de uma nega\u00e7\u00e3o. O novo n\u00e3o se consolida enquanto o velho permanece forte. Assim, os primeiros sinais de que pode vir algo novo s\u00e3o os momentos de nega\u00e7\u00e3o, por mais confuso e contradit\u00f3rio que possam ser. Ainda que o movimento tenha que superar esses \u201cnovos partidos&#8221;, Syriza e Podemos, vemos como muito progressiva a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores desses pa\u00edses, quando jogam para a lata do lixo esses partidos que se dizem de esquerda (PASOK, PSOE, PT, etc.), mas s\u00e3o t\u00e3o capitalistas quanto os de direita.<\/p>\n<h2>SYRIZA E PODEMOS s\u00e3o alternativas socialistas?<\/h2>\n<p>O Syriza, na Gr\u00e9cia, e o Podemos, na Espanha, s\u00e3o agrupa\u00e7\u00f5es e partidos que mais se fortaleceram nesse processo e se colocam como a \u201cgrande novidade\u201d na Europa. Op\u00f5em-se aos planos de austeridade impostos pela TROIKA, mas n\u00e3o colocam no horizonte a ruptura com o sistema do Euro. No limite, buscam uma sa\u00edda negociada para cumprir os compromissos financeiros em melhores condi\u00e7\u00f5es. Acreditam que \u00e9 poss\u00edvel se manter com a moeda \u00fanica e, ainda assim, aplicar medidas sociais contra o desemprego e a pobreza.<\/p>\n<p>Ainda que se apoiem em um plano que tende a ser de esquerda, nenhum dos dois tem como estrat\u00e9gia \u2013 considerada aqui como as tarefas pol\u00edticas de longo prazo \u2013 a luta pelo socialismo. S\u00e3o reformistas, defendem reformas para melhorar o capitalismo, bem diferente do \u201creformismo hist\u00f3rico\u201d (tamb\u00e9m vencido historicamente) cuja luta pelas reformas e a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os no Estado eram vistas como formas de chegar ao socialismo.<\/p>\n<p>No dia 20 de fevereiro foi anunciado que o Syriza fechou acordo com o bloco europeu (outro nome da TROIKA e com forte poder da Alemanha), prorrogando o plano de resgate da economia grega (os bancos individuais, o Banco Central Europeu continuam emprestando dinheiro \u2013 que nem entra na Gr\u00e9cia, vai direto para o pagamento da d\u00edvida) por mais quatro meses. Em troca, o governo grego adota \u201creformas que devem envolver o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0 evas\u00e3o fiscal e medidas que melhorem a \u2018efici\u00eancia do setor p\u00fablico\u2019&#8221; (FSP 21\/02). Ou seja, muda-se o governo, mas, pelo menos por enquanto, a pol\u00edtica continua a mesma, pois, al\u00e9m de reconhecer a totalidade da d\u00edvida tamb\u00e9m aceita a supervis\u00e3o sobre as contas p\u00fablicas por parte de organismos internacionais e tamb\u00e9m se compromete a n\u00e3o adotar medidas unilaterais. Uma postura bem diferente das promessas eleitorais.<\/p>\n<p>Resta saber como os trabalhadores gregos, que dar\u00e3o a palavra final, reagir\u00e3o ao acordo que mant\u00e9m a mesma pol\u00edtica de ataque aos seus direitos, mant\u00e9m o desemprego e o corte dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Se se sentirem fortalecidos e irem \u00e0s ruas, passando por cima do Syriza, podemos assistir ao nascimento de um movimento que pode apontar para uma sa\u00edda classista, servindo de refer\u00eancia para o proletariado europeu.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso acompanhar de perto esse movimento (pelas li\u00e7\u00f5es que pode nos deixar) porque ocorre numa realidade bem complexa e contradit\u00f3ria, na qual tamb\u00e9m os partidos de direita mostram for\u00e7a e n\u00e3o podemos descartar que cres\u00e7am ainda mais. Na Gr\u00e9cia, por exemplo, o partido Aurora Dourada (de tipo fascista) fez 17 cadeiras no parlamento e o partido Nova Democracia (de direita, conservador) teve quase 27% dos votos na mesma elei\u00e7\u00e3o em que o Syriza venceu.<\/p>\n<h2>Da nega\u00e7\u00e3o \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de uma alternativa classista e socialista<\/h2>\n<p>N\u00e3o se pode desconsiderar o fato de que esse movimento de nega\u00e7\u00e3o ainda se localiza na esfera das representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Tem-se como elemento positivo a oposi\u00e7\u00e3o aos planos de ajustes do capital e a nega\u00e7\u00e3o dos partidos tradicionais de \u201cesquerda\u201d, tamb\u00e9m carregam a limita\u00e7\u00e3o de ainda acreditarem na possibilidade de mudan\u00e7as por dentro do sistema pol\u00edtico (parlamento, etc.).<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, por exemplo, a absten\u00e7\u00e3o foi a menor desde 2007, demonstrando que a consci\u00eancia se mant\u00e9m dentro dos limites da \u201cdisputa por dentro\u201d das institui\u00e7\u00f5es. Na Espanha o processo tamb\u00e9m passa por essa disputa institucional, com o Podemos se preparando para as elei\u00e7\u00f5es municipais e regionais em maio, e, no fim do ano, as legislativas em n\u00edvel nacional, em que lidera as pesquisas.<\/p>\n<p>Apesar de todas as contradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode negar que \u00e9 um movimento importante de questionamento de um modelo que foi aplicado \u00e0 exaust\u00e3o por diversos governos na Europa e tamb\u00e9m no mundo. A import\u00e2ncia est\u00e1 no fato de que essa nega\u00e7\u00e3o, a depender do seu desenvolvimento, pode levar \u00e0 (nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o, momento de afirma\u00e7\u00e3o de um novo) constru\u00e7\u00e3o de formas de luta e organiza\u00e7\u00e3o a partir da experi\u00eancia que os trabalhadores fa\u00e7am com essas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que a classe trabalhadora realize a experi\u00eancia com essas dire\u00e7\u00f5es para poder dar um salto e assumir em suas m\u00e3os as tarefas de enfrentamento ao capitalismo, pois se depender do Syriza e do Podemos as coisas n\u00e3o v\u00e3o mudar estruturalmente.<\/p>\n<p>Mas, essa experi\u00eancia n\u00e3o vai ser f\u00e1cil e nem sem contradi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m das media\u00e7\u00f5es que os governos capitalistas \u2013 e tamb\u00e9m essas dire\u00e7\u00f5es \u2013 conseguem impor, h\u00e1 tamb\u00e9m a crise de alternativa socialista, processo no qual a consci\u00eancia de classes encontra muitas dificuldades para se desenvolver.<\/p>\n<p>A n\u00f3s marxistas cabe contribuir para que a classe a compreenda (ou seja, desenvolva a consci\u00eancia) que com esse sistema e com essas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o vai ser poss\u00edvel resolver os problemas em sua raiz, ou seja, derrubar o capitalismo e, assim, que esse processo se acelere e ganhe um rumo \u00e0 esquerda, caminhando para a ruptura com o capital.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a Gr\u00e9cia, de repente, tornou-se o centro das aten\u00e7\u00f5es tanto da esquerda quanto do imperialismo, pois a depender do rumo que as coisas tomem, pode fortalecer a luta dos trabalhadores em todo mundo, enfrentando o pagamento da d\u00edvida, formando organismos independentes da classe trabalhadora e com o desenvolvimento da consci\u00eancia para derrotar a burguesia grega e o imperialismo.<\/p>\n<p>Mas a radicaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica alternativa, infelizmente. O governo do Syriza j\u00e1 mostra recuos como a alian\u00e7a com o Partido Gregos Independentes (de direita nacionalista) e pode, assim, fortalecer ainda mais o grupo de pa\u00edses que querem impor os ajustes aos pa\u00edses perif\u00e9ricos da regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Um pequeno gloss\u00e1rio:<\/h2>\n<h3>Pasok: Movimento Socialista Pan-hel\u00eanico.<\/h3>\n<p>Fundado em 1974 a partir da jun\u00e7\u00e3o dos grupos de resist\u00eancia que derrubaram a ditadura militar cujo programa era a luta pela \u201cIndepend\u00eancia Nacional, Soberania Popular, Liberta\u00e7\u00e3o Social e Estruturas Democr\u00e1ticas\u201d. Aos pouco tornou seu programa flex\u00edvel at\u00e9 que nos anos 1990 apoiou a entrada da Gr\u00e9cia na Uni\u00e3o Europeia e em 2001 na zona do euro, cumprindo todas as obriga\u00e7\u00f5es financeiras assumidas com os bancos e os principais pa\u00edses da regi\u00e3o (Fran\u00e7a e Alemanha principalmente).<\/p>\n<p>Esse papel de coautor na aplica\u00e7\u00e3o das medidas de austeridade fez com que perdesse o apoio popular. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2009 obteve 43% dos votos e agora em janeiro de 2015, menos de 5%. Em 1981 chegou a ter 48% dos votos.<\/p>\n<p>A crise dentro do PASOK \u00e9 t\u00e3o grande que h\u00e1 poucos dias das elei\u00e7\u00f5es de janeiro desse ano um setor importante fundou \u201cum novo PASOK\u201d, com o nome de Movimento de Democratas Socialistas, liderados por Giorgos Papandreou, obtendo menos de 3% dos votos.<\/p>\n<h3>Syriza<\/h3>\n<p>Nasceu em 2004 como uma frente. Re\u00fane treze grupos e partidos mao\u00edstas, trotskistas, comunistas, ambientalistas, socialdemocratas e populistas de esquerda. Conhecido como esquerda radical, suas propostas n\u00e3o t\u00eam car\u00e1ter de ruptura com o capital.<\/p>\n<p>Com um programa centrado na discuss\u00e3o da quest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e contra os programas de austeridade da TROYKA, come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a exatamente quando o descontrole da d\u00edvida e a press\u00e3o das medidas econ\u00f4micas sobre a Gr\u00e9cia levaram a uma s\u00e9rie de cortes de direitos trabalhistas, demiss\u00f5es, pobreza etc. J\u00e1 em 2012 foi a segunda for\u00e7a eleitoral, com 27% dos votos.<\/p>\n<p>Liderado por Alexis Tsipras, nas elei\u00e7\u00f5es de janeiro desse ano, obteve 37% dos votos, com o b\u00f4nus de 50 cadeiras no parlamento. O partido mais votado alcan\u00e7ou 149 cadeiras de um total de 300.<\/p>\n<h3>Troika<\/h3>\n<p>\u00c9 constitu\u00edda por tr\u00eas entidades: Banco Central Europeu, Comiss\u00e3o Europeia e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Os empr\u00e9stimos aos pa\u00edses s\u00e3o negociados por essa organiza\u00e7\u00e3o que, em troca, apresenta um plano de controle sobre a economia do pa\u00eds que pede o empr\u00e9stimo. Como garantia de pagamento imp\u00f5e uma receita neoliberal como cortar verbas dos servi\u00e7os p\u00fablicos, demitir funcion\u00e1rios p\u00fablicos e abrir a economia para empresas estrangeiras, privatizando as estatais. As mesmas medidas que vemos aqui no Brasil.<\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es concentram na Troika o maior \u00f3dio por ser o grupo que aparece diretamente nos planos econ\u00f4micos e que ataca os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<h3>Uni\u00e3o Europeia<\/h3>\n<p>Bloco econ\u00f4mico formado atualmente por 28 pa\u00edses europeus. Sucessora da Comunidade Econ\u00f4mica Europeia ganhou for\u00e7a a partir do in\u00edcio da crise capitalista dos anos 1970. Formou um mercado comum com a exclus\u00e3o das fronteiras entre os pa\u00edses, mas na pr\u00e1tica essa liberdade existe para as mercadorias que circulam livremente, favorecendo os pa\u00edses desenvolvidos e dominantes do bloco. No Reino Unido, por exemplo, existe um forte movimento liderado pelo Partido Independente (UKIP, sigla em ingl\u00eas) para sair do bloco por ser contra a livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas, sobretudo dos trabalhadores oriundos de pa\u00edses perif\u00e9ricos, como a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>Somente podemos compreender esse bloco no marco da competi\u00e7\u00e3o interimperialista, como uma busca por melhores condi\u00e7\u00f5es para o capital europeu competir no mercado mundial. Como o deputado e ex-ministro conservador Kenneth Clarke declarou \u00e0 BBC: &#8220;Se n\u00f3s [da UE] quisermos competir com os americanos e os chineses&#8230;, n\u00f3s precisamos da livre circula\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<h3>Zona do Euro<\/h3>\n<p>A Zona do Euro consiste em pa\u00edses que adotaram um sistema de moeda \u00fanica: o Euro. Iniciou em 1999 com 11 pa\u00edses e hoje conta com 19 pa\u00edses que, conforme foram cumprindo as medidas necess\u00e1rias, se incorporam ao bloco. O fato de ser a mesma moeda n\u00e3o quer dizer que as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sejam as mesmas. O sistema mant\u00e9m a divis\u00e3o entre pa\u00edses centrais e perif\u00e9ricos, estes \u00faltimos fontes de formas mais agressivas de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia. O poder pol\u00edtico est\u00e1 entre Fran\u00e7a e Alemanha com preponder\u00e2ncia para a \u00faltima, muito mais agressiva com os pa\u00edses da periferia e devedores.<\/p>\n<p>Nem todos os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia est\u00e3o na Zona do Euro. Os principais ausentes s\u00e3o o Reino Unido (Inglaterra, Esc\u00f3cia, Pa\u00eds de Gales e Irlanda do Norte) \u2013 por op\u00e7\u00e3o \u2013 e Dinamarca \u2013 em que o euro foi rejeitado em um plebiscito \u2013 e os outros porque n\u00e3o cumprem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, como a Su\u00e9cia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Espa\u00e7o Socialista tem como uma de suas convic\u00e7\u00f5es de que vivemos em uma crise da alternativa socialista, isto \u00e9,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3765"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6026,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765\/revisions\/6026"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}