{"id":3784,"date":"2015-03-11T00:09:09","date_gmt":"2015-03-11T03:09:09","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3784"},"modified":"2018-04-30T20:50:19","modified_gmt":"2018-04-30T23:50:19","slug":"a-trajetoria-do-pt-e-o-impeachment-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/03\/a-trajetoria-do-pt-e-o-impeachment-de-dilma\/","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria do PT e o impeachment de Dilma"},"content":{"rendered":"<p align=\"RIGHT\">Artur Bispo dos Santos Neto<\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a> Forjado em meio \u00e0s lutas oper\u00e1rias que marcaram a d\u00e9cada de 1980, o PT sempre teve como principal bandeira a disputa por uma posi\u00e7\u00e3o de proa na apologia do cretinismo parlamentar, haja vista que considerava como benem\u00e9rita a possibilidade de reformar o capital e elevar o capitalismo brasileiro \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de seu est\u00e1gio atr\u00f3fico e hipertardio. Lula, em suas propaladas campanhas eleitorais, n\u00e3o se cansava de afirmar o imposs\u00edvel, inculcando nas massas a possibilidade de reformar o capital e asseverando que o crescimento do capitalismo significava a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida para a classe trabalhadora. E contra o capital especulativo apresentava a superioridade do capital produtivo, pois mais f\u00e1brica implicaria sempre mais empregos e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Nos seus anos de forma\u00e7\u00e3o o PT busca desenvolver uma luta de posi\u00e7\u00e3o no interior das institui\u00e7\u00f5es burguesas. Paulatinamente, vai logrando tanto a elei\u00e7\u00e3o de parlamentares quanto a conquista pela via eleitoral de determinadas prefeituras (S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Diadema, Fortaleza etc.) ao longo da d\u00e9cada de 1980, demonstrando sua forma singular de administrar o capital. Nessa \u00e9poca considerava como in\u00e9ditas e espetaculares as suas experi\u00eancias de or\u00e7amento participativo e as concess\u00f5es oferecidas a fra\u00e7\u00f5es escassas das camadas populares, mediante sua inusitada pol\u00edtica de coopta\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o de suas principais lideran\u00e7as sociais e sindicais \u00e0s tarefas burocr\u00e1ticas e subsidi\u00e1rias de administra\u00e7\u00e3o do capital. Isso n\u00e3o quer dizer que inexistisse em seu interior tend\u00eancias que reivindicassem ades\u00e3o ao pensamento marxista.<\/p>\n<p>O grupo majorit\u00e1rio do PT, Articula\u00e7\u00e3o, desde seus prim\u00f3rdios considerava as palavras de ordem como \u201cGoverno dos Trabalhadores\u201d ou \u201cPartido sem patr\u00f5es\u201d, postulados pela Converg\u00eancia Socialista e Movimento pela Emancipa\u00e7\u00e3o do Proletariado (MEP), como express\u00f5es radicais e fora da realidade. \u00c9 que os trabalhadores, no seu entendimento, n\u00e3o reuniam condi\u00e7\u00f5es para assumir o controle da vida socioecon\u00f4mica nacional. As tend\u00eancias de esquerda consideravam a Articula\u00e7\u00e3o (Lula, Frei Beto, Jac\u00f3 Bittar, Ol\u00edvio Dutra, Jos\u00e9 Dirceu, Wladimir Pomar, Marco Aur\u00e9lio Garcia, Djalma Bom, Jos\u00e9 Cicote, Luiz Gushiken, Devanir Ribeiro, Luiz Eduardo Greenhalg, Alu\u00edsio Mercadante, Francisco Welfort etc.) como tend\u00eancia de direita. No come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, as tend\u00eancias que apostavam na defesa de um partido dos trabalhadores contra o partido dos patr\u00f5es foram afastadas ou expulsas do PT.<\/p>\n<p>Ao longo da d\u00e9cada de 1980, a recusa do grupo majorit\u00e1rio do PT em identificar-se com o marxismo estava amoldada \u00e0 necessidade de abrigar em seu interior um coletivo extremamente heterog\u00eaneo e contradit\u00f3rio, que inclu\u00eda cat\u00f3licos, ativistas do movimento sindical e popular, intelectuais e setores da classe m\u00e9dia. A recusa do marxismo n\u00e3o era simplesmente de demarcar posi\u00e7\u00e3o no interior do partido, mas se constitu\u00eda como a pr\u00f3pria ess\u00eancia do grupo majorit\u00e1rio do PT; neste, o socialismo n\u00e3o passava duma express\u00e3o ret\u00f3rica para ludibriar as ilus\u00f5es dos grupos mais radicais<a href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a> alojados em seu interior. A recorr\u00eancia aos jarg\u00f5es marxistas servia para imprimir uma dire\u00e7\u00e3o pseudorrevolucion\u00e1ria \u00e0 luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s figurar como grupo majorit\u00e1rio do PT, a Articula\u00e7\u00e3o atuar\u00e1 \u201ccomo tend\u00eancia plenamente constitu\u00edda e suficientemente experimentada nas disputas internas para encontrar outros meios de conquistar seus objetivos sempre que o consenso m\u00ednimo em torno deles fosse mais dif\u00edcil ou exigisse concess\u00f5es que lhes parecessem exageradas ou desnecess\u00e1rias\u201d (COELHO, 2005, p. 199). Isso implicava que o PT precisava declarar em alto e bom tom que sua sigla n\u00e3o consistia mais numa organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pautada pela independ\u00eancia da classe trabalhadora. No entendimento dos dirigentes petistas, a candidatura de Lula \u00e0 presid\u00eancia denotava que a classe trabalhadora se punha em movimento n\u00e3o para fazer eclodir o movimento paredista, mas para assegurar a efetiva\u00e7\u00e3o do projeto democr\u00e1tico e popular. Para a ala majorit\u00e1ria do PT, \u201ca hora do socialismo n\u00e3o chegava com a Constituinte, mas ela proporcionaria espa\u00e7o para o ac\u00famulo de for\u00e7as, para lutar pela democratiza\u00e7\u00e3o radical da sociedade, para inscrever direitos como o direito de greve, enfim, para propor \u2018medidas que desde j\u00e1 ajudam a realizar a socializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica\u2019\u201d (COELHO, 2005, p. 84).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o colapso das experi\u00eancias p\u00f3s-capitalistas no Leste Europeu, na R\u00fassia e na China no final da d\u00e9cada de 1980 e o avan\u00e7o do neoliberalismo, o PT tenta adaptar-se ao quadro internacional contrarrevolucion\u00e1rio. Propugna a possibilidade de reformar o capital; nisso sua hist\u00f3ria se inscreve de maneira similar tanto aos partidos social-democratas quanto aos partidos socialistas e comunistas europeus. As concess\u00f5es \u00e0 burguesia se configuram na delimita\u00e7\u00e3o do \u201cProjeto Democr\u00e1tico e Popular\u201d, definido no 5\u00ba ENPT (1887), em que se acentua a \u201cpossibilidade de acordos pontuais com setores da burguesia, [&#8230;], era a senha para negociar com partidos situados fora do campo \u2018democr\u00e1tico popular\u2019\u201d (COELHO, 2005, p. 86).<\/p>\n<p>Para enfrentar a ofensiva neoliberal, Alu\u00edsio Mercadante defende como fundamental a \u201cconstitui\u00e7\u00e3o de um amplo mercado de consumo de massas, medidas de radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia (controle social do Estado e do mercado), planos para garantir o crescimento econ\u00f4mico com estabilidade, reforma do Estado\u201d. Nessa perspectiva impunham-se as reformas previdenci\u00e1ria e tribut\u00e1ria, o aprimoramento das c\u00e2maras setoriais, as privatiza\u00e7\u00f5es e a reforma do Estado (COELHO, 2005, p. 234). E quando em 1994 a empreiteira Odebrecht, acusada de participar do esquema de fraudes no Or\u00e7amento federal, promove doa\u00e7\u00f5es \u00e0 campanha de Jos\u00e9 Dirceu ao governo paulista, Mercadante justifica: \u201cReceber recursos de empresas, com transpar\u00eancia, fornecendo b\u00f4nus e declarando, nada tem de imoral ou anti\u00e9tico [&#8230;] O que houve foi um erro pol\u00edtico por receber da Odebrecht, uma empreiteira que acusamos na CPI do Or\u00e7amento de pr\u00e1ticas il\u00edcitas\u201d (apud COELHO, 2005, p. 235). Eis o inusitado pr\u00f3logo do movimento que culminar\u00e1 nas den\u00fancias que pautam o valerioduto ou \u201cmensal\u00e3o\u201d e a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Em 1994, nota-se a inser\u00e7\u00e3o dos elementos que v\u00e3o delinear a pr\u00e1xis petista nos anos posteriores. Escreve Coelho (2005, p. 235-236): \u201cConquistar o apoio, financeiro e pol\u00edtico, de grupos empresariais era um procedimento inteiramente coerente com os objetivos pol\u00edticos da Articula\u00e7\u00e3o e com os meios para alcan\u00e7\u00e1-los, que exigiam arcar com os elevados custos de garantir competitividade nas disputas eleitorais\u201d.<\/p>\n<p>A partir de 1994, tornou-se expressiva a defesa do capitalismo como \u201cface humana e social\u201d. Dessa maneira, dissolve-se a distin\u00e7\u00e3o entre os valores burgueses e os valores revolucion\u00e1rios e constata-se uma unidade entre os projetos pol\u00edticos centrados na busca de direitos no interior do capital e aqueles fundamentados na luta de classes e na centralidade do trabalho. Ao inv\u00e9s da contraposi\u00e7\u00e3o de classe, agora se galvaniza a necessidade da concilia\u00e7\u00e3o de classe e de asseguramento dos interesses da burguesia. Escreve Coelho (2005, p. 240): \u201cA burguesia, antes apontada como inimiga de classe, s\u00f3cia do imperialismo e benefici\u00e1ria do subdesenvolvimento, agora era vista como aliada estrat\u00e9gica para desenvolver o pa\u00eds\u201d. E n\u00e3o se tratava de uma simples estrat\u00e9gia program\u00e1tica, mas da pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do PT, pois sem o apoio do capital o PT jamais poderia chegar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. No 10\u00ba Encontro (1995), Lula insere os empres\u00e1rios na legenda do PT, nos seguintes termos:<\/p>\n<p>Criamos o PT para que o povo brasileiro tenha um canal pol\u00edtico, uma legenda que represente os interesses da maioria, uma bandeira em torno da qual se mobilizam as donas de casa e os sem-terra, os oper\u00e1rios e desempregados, negros e mulheres, estudantes e intelectuais, produtores culturais e empres\u00e1rios interessados na moderniza\u00e7\u00e3o do Brasil, compat\u00edvel com a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais (apud COELHO, 2005, p. 241).<\/p>\n<p>Nota-se a substitui\u00e7\u00e3o da luta de classes pela concilia\u00e7\u00e3o e acomoda\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria. Na verdade, tratava-se apenas da incorpora\u00e7\u00e3o escrita de uma pr\u00e1tica recorrente no interior do partido; era somente a constata\u00e7\u00e3o do fato. O PT nunca tinha intensificado uma forma de oposi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na perspectiva de obter benef\u00edcios eleitorais. O PT aposta na possibilidade de organiza\u00e7\u00e3o do capitalismo; para isso entende que \u00e9 preciso operar a redistribui\u00e7\u00e3o de renda e a \u201camplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o popular na defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, cujo motor principal seria a expans\u00e3o do mercado interno e a alavancagem de um novo ciclo de desenvolvimento\u201d (COELHO, 2005, p. 514). A concilia\u00e7\u00e3o de classe \u00e9 o <i>leitmotiv<\/i> de suas pol\u00edticas compensat\u00f3rias, que n\u00e3o passam de imagens p\u00e1lidas das pol\u00edticas distributivas encetadas na \u00e9poca do denominado \u201cEstado de Bem-Estar Social\u201d. O PT simplesmente desconsidera o cen\u00e1rio internacional, pois a colabora\u00e7\u00e3o de classe \u00e9 insuficiente para garantir a retomada do desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, a expans\u00e3o do mercado interno e a distribui\u00e7\u00e3o de renda. Segundo Coelho, o problema do projeto desenvolvimentista do PT \u201cdependeria de uma redu\u00e7\u00e3o substantiva no volume de saque imperialista, cujo vetor importante \u00e9, desde os anos 80, a rela\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nica depend\u00eancia com o capital rentista. Ap\u00f3s recuar de todas as perspectivas de luta anti-imperialista, a esquerda do capital encontra-se desprovida de meios para lidar com este problema\u201d (COELHO, 2005, p. 515). Isso era algo imposs\u00edvel de ser realizado, e o PT sabia e sabe perfeitamente disso. No fundo, o projeto democr\u00e1tico e popular do PT n\u00e3o passava de uma estrat\u00e9gia para demarcar posi\u00e7\u00e3o perante a direita e afirmar-se como alternativa aos setores de esquerda e aos movimentos sociais e sindicais.<\/p>\n<p>A impossibilidade de implementar a imagem mirabolante do <i>Welfare State<\/i> conduz o PT, da mesma forma que a social-democracia (PSDB), ao campo do neoliberalismo. O PT tenta conciliar o discurso sedutor da necessidade de crescimento econ\u00f4mico com equidade social com a aplica\u00e7\u00e3o de medidas econ\u00f4micas neoliberais. No entanto, ele assume somente a primeira parte; a segunda, esconde das massas. A crise do Governo Dilma Rousseff \u00e9 express\u00e3o do dilema entre duas propostas aparentemente contradit\u00f3rias, mas que servem aos mesmos objetivos: ao processo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital e ao aprofundamento do processo de expropria\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Para a esquerda do capital \u00e9 fundamental manter as massas desorganizadas ou sob a sua tutela, pois caso perca o controle das massas, essa esquerda perde seu poder pol\u00edtico para representar os interesses do capital. Escreve Coelho (2005, p. 517):<\/p>\n<p>Se as medidas de conten\u00e7\u00e3o falharem diante de um ascenso reivindicativo que ela n\u00e3o possa controlar ou dirigir, a esquerda do capital se arrisca a perder tudo: os postos de dire\u00e7\u00e3o nos movimentos da classe trabalhadora podem ser conquistados por for\u00e7as comprometidas com o movimento que deseja brecar, e seu poder de barganha junto aos dominantes pode desaparecer junto com o seu papel de amortecedora dos conflitos.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o ideal da esquerda do capital \u00e9 que exista uma polariza\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita, em que ela seja sempre o polo aglutinador da esquerda. No entanto, observa Coelho (2005, p. 517), \u201cmesmo nesta situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica, por\u00e9m ela ainda teria de conviver com o risco onipresente de uma explos\u00e3o reformista e desenvolvimentista e a extrema dificuldade para fazer reformas e garantir o desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel afirmar que nos tr\u00eas primeiros mandatos, a esquerda do capital (Lula e Dilma) foi bem-sucedida nesse empreendimento e que transitou com maestria na concilia\u00e7\u00e3o entre o projeto neodesenvolvimentista e o projeto neoliberal. Observa-se que o PT conseguiu renovar as pol\u00edticas neoliberais atrav\u00e9s do discurso neodesenvolvimentista e da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classe, logrando reciclar o neoliberalismo e os ataques aos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A capacidade de operar no terreno da concilia\u00e7\u00e3o de classe faz do PT uma rubrica distinta da direita. Os governos petistas sabem como manipular as contradi\u00e7\u00f5es e fazer desaparecer as diferen\u00e7as substanciais entre as classes sociais, mediante suas pol\u00edticas de cotas para negros, \u00edndios, mulheres, homossexuais etc. E enquanto seu ant\u00edpoda ri da situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel dos miser\u00e1veis e os entrega \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, os governos petistas s\u00e3o capazes de derramar suas l\u00e1grimas carpideiras em nome dos que sofrem danos, pronunciando discursos f\u00fanebres sobre v\u00edtimas que eles mesmos ajudaram a promover. Assim, enquanto a ultradireita recusa os programas assistenciais e acusa os miser\u00e1veis de se aproveitarem da pr\u00f3pria mis\u00e9ria, o PT elege a defesa dos miser\u00e1veis como sua bandeira de justi\u00e7a e equidade social. E, indubitavelmente, esse segmento garantiu a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma no segundo turno. No entanto, as suas medidas compensat\u00f3rias e reparadoras n\u00e3o conseguem nem mesmo arranhar a superf\u00edcie do sistema do capital, quanto mais promover mudan\u00e7as substanciais. Assim, enquanto o PSDB e a ultradireita (Bolsonaro) espalha seu sorriso mefistof\u00e9lico perante o crescimento da pobreza, desdenhando da sorte dos miser\u00e1veis, o PT verte suas l\u00e1grimas de crocodilo por esses mesmos miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>A sua sagacidade permite que num instante chore sorrateiramente pelos vitimados de uma barragem ou pelas fam\u00edlias que insistem em punir os atos desumanos praticados pelos militares; no outro, o PT pode sorrir radiantemente com os capitalistas quando da inaugura\u00e7\u00e3o de um novo banco ou dum aeroporto ou rodovia constru\u00edda com verba p\u00fablica, para em seguida ser privatizada. Assim, ao inv\u00e9s de romper o processo de privatiza\u00e7\u00e3o, o governo Lula manteve a pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00f5es de FHC, privatizando (mediante sistema de vendas ou concess\u00f5es) 2,6 mil km de rodovias federais (2007), a Ferrovia Norte-Sul, os bancos do Cear\u00e1 e Maranh\u00e3o, as hidrel\u00e9tricas Santo Ant\u00f4nio, Jirau, as linhas de transmiss\u00e3o Porto Velho (RO) e Araraquara (SP), alguns campos da bacia de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal e parte da Petrobras. Dilma, por sua vez, privatizou os Correios, os aeroportos de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante (RN), Guarulhos (SP), Cumbica (SP), Viracopos (SP), Juscelino Kubitschek (Bras\u00edlia), Gale\u00e3o (RJ), Confins (MG), os hospitais universit\u00e1rios, duas rodovias e o Campo de Libra (Bacia de Santos) etc.<\/p>\n<p>O segundo mandato de Dilma Rousseff come\u00e7a com o an\u00fancio do processo de privatiza\u00e7\u00e3o da Caixa Econ\u00f4mica Federal. A listagem das empresas privatizadas atesta como a esquerda do capital fala uma coisa e faz outra, como ela age em plena conson\u00e2ncia com a direita do capital (PSDB e consortes). Cumpre observar que metade das empresas contempladas nos dez leil\u00f5es destinados \u00e0s concess\u00f5es de rodovias e aeroportos, entre 2012 e 2013, foi ganha pelas construtoras envolvidas na Lava-Jato (Camargo Corr\u00eaa, Andrade Gutierrez, OAS, UTC e Odebrecht). Todas elas t\u00eam um amplo hist\u00f3rico de corrup\u00e7\u00e3o e suborno, n\u00e3o h\u00e1 como negar que est\u00e3o envolvidas at\u00e9 a medula no processo de forma\u00e7\u00e3o de caixa dois para alimentar as campanhas de candidatos da esquerda e da direita do capital. Paralelo pode ser encontrado na hist\u00f3ria das institui\u00e7\u00f5es financeiras, como revelaram as \u201cden\u00fancias do mensal\u00e3o\u201d. Tais den\u00fancias atestam o envolvimento de Dilma e Lula, e denotam que eles deveriam n\u00e3o apenas ser afastados como irem para a cadeia, por forma\u00e7\u00e3o de quadrilha e roubo ao er\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1xis reiterativa serve para explicar por que em nenhum instante a esquerda do capital salientou a possibilidade de rever o processo de privatiza\u00e7\u00e3o orquestrado pelos governos FHC e Collor, pois ela mesma sempre defendeu programaticamente a privatiza\u00e7\u00e3o; no entanto, procurou esconder isso das massas. Da mesma maneira, em nenhum momento a esquerda do capital imaginou a possibilidade de auditar a d\u00edvida p\u00fablica, pois a sua palavra de ordem \u00e9 efetuar cortes no or\u00e7amento p\u00fablico, desconsiderando acordos estabelecidos. Enquanto o governo federal gasta R$ 169 bilh\u00f5es com servidores ativos e aposentados, 25 bilh\u00f5es para o Programa Bolsa Fam\u00edlia ele destina quase R$ 890 bilh\u00f5es para o pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica. Lula e Dilma destinaram, entre 2003 e 2014, mais de 8,8 trilh\u00f5es para o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica. Enquanto destina 7,7% do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o para as \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, o referido governo destina 42% para os banqueiros, sem contar as distintas pol\u00edticas de ren\u00fancia fiscal e subs\u00eddio aos banqueiros e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas mandatos do PT na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica revelam como a forma petista de governar destaca-se pela sua capacidade de constituir uma teia de rela\u00e7\u00f5es que envolvem e prendem as organiza\u00e7\u00f5es sociais ao processo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Entre esses tent\u00e1culos destacam-se as concess\u00f5es do capital aos movimentos sociais do campo e da cidade, mediante a libera\u00e7\u00e3o de verbas e o financiamento de in\u00fameras atividades. Entre as a\u00e7\u00f5es realizadas pelos movimentos sociais em parceria com o governo federal, o diretor do Instituto Lula e ex-ministro da Casa Civil, Lu\u00eds Dulci, menciona as grandes marchas realizadas para Bras\u00edlia, como a \u201cMarcha das Margaridas\u201d e os \u201cGritos da Terra\u201d, e ainda, as in\u00fameras atividades estaduais realizadas pelo MST e consortes, como os assentamentos e as \u201cParadas Gay\u201d. Para Lu\u00eds Dulci, o governo Lula financiou a realiza\u00e7\u00e3o de 63 confer\u00eancias nacionais, que mobilizaram mais de 4,5 milh\u00f5es de pessoas (PASSA PALAVRA, 2015, p. 3). O aparato do Estado foi posto em curso a servi\u00e7o dos interesses dos \u201ctrabalhadores\u201d, quando na verdade tratava-se de constituir uma teia de influ\u00eancia que prendia as organiza\u00e7\u00f5es sociais aos interesses do governo e \u00e0 necessidade de garantir a governabilidade do governo Lula. \u00c9 contra o fantasma da amea\u00e7a de crescimento da extrema-direita que se coloca a necessidade das organiza\u00e7\u00f5es populares e dos movimentos sociais apoiarem o governo do PT. \u00c9 nesse contexto que ganha expressividade o discurso do PT como o mal menor tanto nas elei\u00e7\u00f5es de 2014 quanto perante a possibilidade de crescimento da campanha pelo <i>impeachment <\/i>de Dilma em 2015.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que por tr\u00e1s do discurso do Instituto Lula e dos apologistas do cretinismo parlamentar subsiste o pr\u00f3prio legado hist\u00f3rico constru\u00eddo pela legenda petista ao longo dos seus 35 anos de exist\u00eancia. Nele se encontra farta documenta\u00e7\u00e3o e reportagem de como passou mais de duas d\u00e9cadas a adular a burguesia nacional e internacional e como, para garantir a preserva\u00e7\u00e3o do <i>status quo<\/i>, teve de dormir com aqueles que outrora negava. De forma que passou a considerar Fernando Collor, Maluf, Jos\u00e9 Sarney e Renan Calheiros como amantes belos e singelos. Assim, a pureza de sua \u201cbela alma\u201d juvenil foi completamente contaminada e maculada pelas pr\u00e1ticas orgi\u00e1sticas e dionis\u00edacas das atividades parlamentares. Como sua alma pertence completamente ao capital, cada den\u00fancia proferida de sangria dos cofres p\u00fablicos serve somente para lan\u00e7ar seu sorriso sarc\u00e1stico, pois aprendeu a desdenhar de todas as den\u00fancias (valerioduto e Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato)<a href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>. O PT se acha submerso no p\u00e2ntano lamacento da pilhagem da riqueza produzida pela classe oper\u00e1ria, porquanto inscreveu sua hist\u00f3ria com a mesma tinta das classes que aparentemente dizia combater.<\/p>\n<p>A obra de arte do PT est\u00e1 em plena sintonia com os tempos hodiernos, em que nada de grande pode ser realizado sem o apoio do capital. A sua alma n\u00e3o lhe pertence, mas pertence ao capital, que o encheu de louros e fortuna. Assim, plasmado pela corrup\u00e7\u00e3o pode afirmar num tom fe\u00e9rico e f\u00e1ustico: \u201cesta \u00e9 uma \u00e9poca em que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar uma obra de modo piedoso, correto, com recursos decentes. A Arte deixou de ser exequ\u00edvel sem a ajuda do Diabo e sem fogos infernais sob a panela&#8230;\u201d (MANN, 1994, p. 672). Apesar de o estranhamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe oper\u00e1ria ser completo, o PT insiste em manter seu p\u00e9 esquerdo no interior das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e dos movimentos sociais; mas o seu p\u00e9 revela muito mais asco e sujeira, denotando existir \u201calgo de podre no reino da Dinamarca\u201d.<\/p>\n<p>O segundo mandato de Dilma demonstra os limites para persistir na concilia\u00e7\u00e3o do discurso neodesenvolvimentista com a pr\u00e1tica neoliberal. A crise econ\u00f4mica internacional imp\u00f5e a redu\u00e7\u00e3o das taxas de crescimento do pa\u00eds e suscita dificuldades \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas compensat\u00f3rias ou de redistribui\u00e7\u00e3o de renda. Isso implica a impossibilidade de oferecer uma face humana para o capital. Com isso cai o v\u00e9u da separa\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita do capital, pois o governo Dilma faz tudo que o PSDB faria. A inexist\u00eancia de desenvolvimento econ\u00f4mico implica a d\u00e9b\u00e2cle do programa petista de governar, pois nenhuma concess\u00e3o pode ser feita \u00e0 classe trabalhadora e as pol\u00edticas compensat\u00f3rias reparadoras ter\u00e3o de ser reduzidas para ampliar as taxas de acumula\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p><b>Acerca do <\/b><i><b>impeachment<\/b><\/i><b> de Dilma<\/b><\/p>\n<p>A campanha orquestrada de <i>impeachment<\/i> da presidente \u00e9 indubitavelmente organizada pela direita e visa aprofundar os ataques aos interesses da classe trabalhadora. A campanha \u00e9 produto dos reflexos da crise econ\u00f4mica internacional no interior da economia brasileira, pois \u00e9 not\u00f3rio o processo de desaquecimento da economia e o agu\u00e7amento do processo de fal\u00eancia das diversas empresas relacionadas ao setor industrial. Apesar do incentivo fiscal do governo e do rebaixamento do valor da for\u00e7a de trabalho, a ind\u00fastria brasileira n\u00e3o tem nem mesmo conseguido preservar sua posi\u00e7\u00e3o no mercado interno, ante a avalanche dos produtos asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Para assegurar suas posi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, o governo precisa cortar gastos que afetam tanto o direito dos trabalhadores quanto os benef\u00edcios fiscais concedidos aos empres\u00e1rios (MP da desonera\u00e7\u00e3o fiscal), preservando os interesses dos grandes banqueiros. A pol\u00edtica de austeridade do novo governo implica o corte imediato de 30% das verbas destinadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e imp\u00f5e a necessidade de nova reforma da Previd\u00eancia (f\u00f3rmula 85 anos para as mulheres x 95 anos para os homens) e a vota\u00e7\u00e3o do PL 4.330\/04, que amplia o processo de terceiriza\u00e7\u00e3o e flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho. O capitalismo nos tr\u00f3picos somente consegue se autorreproduzir recorrendo ao trabalho escravo ou semiescravo; n\u00e3o s\u00e3o poucos os empres\u00e1rios e as empresas acusadas da pr\u00e1tica do trabalho escravo na atualidade. A lei est\u00e1 sendo gestada para atender a essa realidade.<\/p>\n<p>A crise tem afetado de forma particular tamb\u00e9m a classe m\u00e9dia; esta imagina que o <i>impeachment<\/i> solucionar\u00e1 seus problemas imediatos, quando na verdade as propostas da direita do capital (PSDB e consortes) intentam aprofundar os ataques aos trabalhadores assalariados. Assim, a implementa\u00e7\u00e3o de um governo que suspenda as pol\u00edticas compensat\u00f3rias n\u00e3o resultar\u00e1 na recupera\u00e7\u00e3o do poder aquisitivo da classe m\u00e9dia ou da pequena burguesia, pois somente pretende retirar mais ainda dos miser\u00e1veis para entregar aos banqueiros. A classe m\u00e9dia est\u00e1 impossibilitada de enxergar qualquer sa\u00edda que n\u00e3o seja aprofundar ainda mais o estado em que se encontra. Assim, ela serve aos interesses que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00e3o os seus, mas do grande capital. Impossibilitada de apostar num processo revolucion\u00e1rio, ela serve aos interesses do capital e apressa os passos para a sua proletariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es de direita possuem um espa\u00e7o significativo no interior das classes intermedi\u00e1rias; n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que se irradiam e crescem no interior da sociedade valores reacion\u00e1rios e conservadores, que mimetizam os preceitos axiol\u00f3gicos que animaram a \u201cMarcha da Fam\u00edlia com Deus e a Propriedade Privada\u201d. Com isso, os bucaneiros do capital aparecem atacando os direitos das mulheres, fazendo a apologia do regime militar, defendendo a sacrossanta propriedade privada, bem como a fam\u00edlia e a religi\u00e3o. Entre eles se destacam Bolsonaro, Feliciano, Lob\u00e3o, Eduardo Cunha etc.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o se possa desconsiderar a possibilidade de a campanha do <i>impeachment<\/i> ganhar volume e possibilidade de efetiva\u00e7\u00e3o, pelo forte papel desempenhado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, isso de maneira alguma altera a condi\u00e7\u00e3o do governo Dilma. O <i>impeachment<\/i> n\u00e3o suscita a luta de classe, porque o projeto do PT e do governo Dilma Rousseff representa a subordina\u00e7\u00e3o do trabalho ao capital, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Por isso os acenos de Lula para a classe trabalhadora n\u00e3o passam de uma farsa que pretende t\u00e3o somente garantir a governabilidade. Os acenos visam somente fortalecer o governo Dilma, para que este possa recuperar a popularidade perdida.<\/p>\n<p>O movimento contr\u00e1rio ao <i>impeachment<\/i> n\u00e3o pretende despertar as massas de seu sono de classe, mas simplesmente manipular a consci\u00eancia das massas no sentido de continuar alimentando as ilus\u00f5es com o PT e o governo institu\u00eddo. No fundo, o movimento anti-<i>impeachment<\/i> n\u00e3o tem como intuito despertar as massas e impulsion\u00e1-las para a luta, mas servir como freio das lutas realmente classistas e que pretendam radicalizar suas posi\u00e7\u00f5es em defesa do trabalho. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a campanha anti-<i>impeachment <\/i>\u00e9 organizada pela burocracia sindical e pelo aparato das organiza\u00e7\u00f5es sociais alimentadas e agraciadas com recursos governamentais.<\/p>\n<p>O discurso da necessidade de interceptar o mal maior representado pela direita e que exige a constitui\u00e7\u00e3o de uma frente nacional ampla e irrestrita n\u00e3o passa de uma estrat\u00e9gia para ludibriar as massas. Este discurso foi bem-sucedido no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais e serviu para reconduzir Dilma Rousseff \u00e0 presid\u00eancia, uma vez que se difundiu a amea\u00e7a que representava o PSDB no processo de cerceamento dos direitos trabalhistas. Foi amplamente propagada a possibilidade de agu\u00e7amento da viol\u00eancia no campo com o cerceamento do processo de suspens\u00e3o das in\u00fameras linhas de cr\u00e9dito abertas para os agricultores sem terra assentados pelo Governo Federal. Al\u00e9m disso, a possibilidade de cortes de financiamento da Caixa Econ\u00f4mica para subsidiar programas como Minha Casa Minha Vida para pessoas dos movimentos sem teto, bem como os cortes nos programas assistenciais, como Bolsa Fam\u00edlia etc. No entanto, todas essas pol\u00edticas sociais compensat\u00f3rias est\u00e3o sendo questionadas, e algumas ser\u00e3o suspensas.<\/p>\n<p>O discurso do PT como o mal menor \u00e9 uma fal\u00e1cia e busca assegurar a domina\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho. Ao inv\u00e9s de contrapor-se \u00e0 possibilidade de retirada dos direitos dos trabalhadores, a agenda econ\u00f4mica de Dilma passa claramente pelo ataque direto ao trabalho, pois essa \u00e9 a \u00fanica maneira de assegurar os interesses do capital. Somente por meio da amplia\u00e7\u00e3o do processo de expropria\u00e7\u00e3o de mais-trabalho \u00e9 poss\u00edvel ao capital garantir a sua sobreviv\u00eancia. O capital n\u00e3o pode assegurar sua reprodu\u00e7\u00e3o de outra maneira, porque acumula\u00e7\u00e3o de riqueza \u00e9 acumula\u00e7\u00e3o de mais-valia. A tarefa do Estado \u00e9 garantir esse processo de expropria\u00e7\u00e3o. As primeiras medidas de Dilma visam manter o processo de expans\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o do capital; para isso os direitos dos trabalhadores ser\u00e3o atacados com a aprova\u00e7\u00e3o do PL 4.330\/04 e da lei que regulamenta o direito de greve do funcionalismo p\u00fablico (ambos em tramita\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Por isso que o PT precisar\u00e1 tanto de Joaquim Levy e Armando Monteiro quanto da <i>Miss<\/i> Motosserra K\u00e1tia Abreu, pois a natureza do desenvolvimento do capital brasileiro sempre esteve assentada na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para a exporta\u00e7\u00e3o como elemento fundamental para produzir os excedentes necess\u00e1rios \u00e0 compra dos produtos manufaturados. A superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho sempre foi a peculiaridade do capitalismo dos tr\u00f3picos; por isso a classe oper\u00e1ria n\u00e3o deve se escandalizar se uma vez ou outra precisar usar de alguns tratores para passar por cima de suas miser\u00e1veis moradias ou se uma vez ou outra precisar passar a motosserra em alguns corpos humanos, como passam anualmente em milh\u00f5es de \u00e1rvores; afinal, o exerc\u00edcio do governo exige o sacrif\u00edcio de algumas vidas. Uma vez ou outra ser\u00e1 preciso fazer alguns despejos e massacres para assegurar a exist\u00eancia da sacrossanta propriedade privada; para isso se necessita investir ainda mais nos aparatos de seguran\u00e7a. N\u00e3o se pode esquecer que foi o governo Lula que criou, em 2004, a For\u00e7a Nacional, uma tropa nacional de elite preparada para coibir os \u201cdist\u00farbios civis\u201d e exterminar os jovens desempregados. No entanto, nada disso deve escandalizar as almas puras que acreditam no PT, pois \u00e9 preciso ser mais duro com aqueles que querem desestabilizar o sistema e impedir o cumprimento da agenda positiva (Proifes, Reuni, Ebserh, PL 4.330\/04, Lei Anti-Greve, Privatiza\u00e7\u00e3o da Caixa Econ\u00f4mica Federal, Contrarreforma da Previd\u00eancia, Privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s etc.) dos petistas.<\/p>\n<p>Essas medidas ser\u00e3o reiteradas sempre que a vanguarda oper\u00e1ria (estudantil etc.) tentar agu\u00e7ar a luta de classes, porquanto a recorr\u00eancia ao aparato policial \u00e9 necess\u00e1ria para demonstrar os estreitos limites da liberdade destinada \u00e0 classe trabalhadora. A criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais ser\u00e1 sempre recorrente para denotar que o p\u00e9riplo trilhado pela classe oper\u00e1ria e pelos movimentos sociais est\u00e1 plenamente prefigurado pelos representantes do capital. Os ministros chefes da Casa Civil, do Incra, da Funai e dos programas sociais existem para mostrar o caminho que cada um dos movimentos sociais deve trilhar. Para isso ser\u00e1 sempre poss\u00edvel destinar alguma soma dos recursos governamentais. Tanto o MST e o MTST quanto a CUT conhecem bem esse caminho, e devem servir de exemplo aos demais movimentos sociais. Da\u00ed por que essas organiza\u00e7\u00f5es devem ocupar papel de proa na luta contra o <i>impeachment <\/i>de Dilma.<\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios e militantes anticapitalistas devem contrapor-se \u00e0s bandeiras assentadas no <i>impeachment<\/i>, sejam elas favor\u00e1veis ou contr\u00e1rias, porque n\u00e3o passam de disputas em torno do cretinismo parlamentar. Trata-se de uma disputa de dire\u00e7\u00e3o do controle da classe trabalhadora. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 quem re\u00fane as melhores condi\u00e7\u00f5es de assegurar a domina\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho, ou seja, quem pode desferir os ataques mais certeiros contra a classe oper\u00e1ria. A direita do capital aposta mais nas medidas repressivas que nas a\u00e7\u00f5es coercitivas; a esquerda do capital aposta mais nas a\u00e7\u00f5es persuasivas. Mas coer\u00e7\u00e3o e persuas\u00e3o fazem parte do l\u00e9xico de ambas. \u00c9 a possibilidade de conviv\u00eancia amig\u00e1vel com os aparatos repressivos do Estado que conduz a esquerda n\u00e3o petista \u00e0 conviv\u00eancia harmoniosa com a esquerda petista, preferindo Dilma a A\u00e9cio. Em nome da preserva\u00e7\u00e3o do estado de direito burgu\u00eas e das liberdades afirmadas pela burguesia, a esquerda n\u00e3o petista prefere a esquerda do capital. Com isso se abandonam a cr\u00edtica revolucion\u00e1ria e a pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria, e se sucumbe ao reformismo. O PT \u00e9 o partido da reforma do capital e o partido da ordem. A \u00fanica coisa que ele pode fazer \u00e9 se apresentar como o mal menor; ele deve sempre explorar a possibilidade do pior, por isso deve chegar para os trabalhadores e propor: Voc\u00eas preferem o estado de direito ou a ditadura militar? Voc\u00eas preferem a liberdade burguesa ou a ditadura burguesa expressa no fascismo? Voc\u00eas preferem o capitalismo ou o \u201cderramamento de sangue\u201d duma Revolu\u00e7\u00e3o. Ele nunca vai dizer para a classe oper\u00e1ria que ela tem a op\u00e7\u00e3o de escolher o capital (fascismo ou democracia burguesa) ou o socialismo. Para o PT n\u00e3o existe alternativa ao capital, pois o capitalismo \u00e9 a melhor de todas as sociedades poss\u00edveis. O PT vai sempre oferecer para a classe trabalhadora a op\u00e7\u00e3o: \u201calgemas de ouro ou algemas de ferro\u201d. Quer se iludir quem imagina que o PT pode passar disso.<\/p>\n<p>A campanha pr\u00f3-<i>impeachment<\/i> pode servir para afastar a possibilidade de continuidade do PT no governo no pr\u00f3ximo mandato e expulsar o espectro Lula em 2018. O tamanho das den\u00fancias envolvendo Dilma depende do tamanho das manifesta\u00e7\u00f5es populares, se crescerem as manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-<i>impeachment<\/i> crescer\u00e3o tamb\u00e9m as provas que atestam o car\u00e1ter corrupto e corruptor do atual governo. Por sua vez, a sa\u00edda de Dilma do governo n\u00e3o deve implicar a entrega da presid\u00eancia para o PMDB de Michel Temer, de Cunha e Renan Calheiros; estes tamb\u00e9m est\u00e3o envolvidos na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, segundo den\u00fancias do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, da mesma maneira como est\u00e1 envolvida fra\u00e7\u00f5es menores da c\u00fapula do PSDB. Indubitavelmente, todos os presidentes (Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma) do Brasil deveriam estar atr\u00e1s das grades, como na Argentina. A pilhagem e o saque do er\u00e1rio s\u00e3o a palavra de ordem de todos eles (governos civis e militares). Em verdade, o <i>impeachment<\/i> \u00e9 muito pouco para a representa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do poder, como tamb\u00e9m o \u00e9 para os parlamentares e as distintas \u201cpersonifica\u00e7\u00f5es do capital\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso salientar que a sa\u00edda do governo Dilma, se acontecer, n\u00e3o resultaria do fato de este ter se colocado do lado dos trabalhadores; por isso os trabalhadores n\u00e3o dever\u00e3o sair em sua defesa, mesmo que a CUT e o MST, enquanto correias de transmiss\u00e3o do PT, tentem apresentar um quadro classista para o <i>impeachment<\/i>. Todas as posi\u00e7\u00f5es do governo Dilma claramente se colocam do lado do capital e contra o trabalho. Por isso o debate sobre o <i>impeachment<\/i> n\u00e3o interessa aos revolucion\u00e1rios, porque n\u00e3o representa a possibilidade de mudan\u00e7as substanciais. O que interessa aos revolucion\u00e1rios \u00e9 um processo revolucion\u00e1rio e uma luta que conduza \u00e0 derrubada completa do poder institu\u00eddo para controlar o trabalho.<\/p>\n<p>O governo do PT \u00e9 t\u00e3o corrupto e t\u00e3o destrutivo aos interesses da classe trabalhadora quanto os governos do PSDB, do PMDB etc. Um governo corrupto e inimigo dos trabalhadores n\u00e3o merece nenhum apoio dos revolucion\u00e1rios e dos setores anticapitalistas. Os revolucion\u00e1rios devem afirmar categoricamente: <b>Fora todos (PT, PMDB, PSDB, STF, etc.) e pris\u00e3o para todos os representantes do capital! <\/b>Porque vivem do roubo e da pilhagem do trabalho alheio. Abaixo o parlamento burgu\u00eas e as institui\u00e7\u00f5es burguesas. Somos pela revolu\u00e7\u00e3o como \u00fanica forma de elimina\u00e7\u00e3o do poder corrupto da burguesia. Enquanto existir burguesia e enquanto existir capital, haver\u00e1 a corrup\u00e7\u00e3o parlamentar e a explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Chega de medidas paliativas e de mudan\u00e7as superficiais. Devemos lutar por mudan\u00e7as estruturais. Por isso somos por uma revolu\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica que conduza a uma forma de produ\u00e7\u00e3o organizada e controlada pelos trabalhadores associados, livres e universais.<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>COELHO, Eurelino. <i>Uma esquerda para o capital<\/i>: crise do marxismo e mudan\u00e7as nos projetos pol\u00edticos dos grupos dirigentes do PT (1979-1998). Tese de Doutorado. Universidade Federal Fluminense, 2005.<\/p>\n<p>MANN, Thomas. <i>Doutor Fausto<\/i>. Trad. Herbert Caro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.<\/p>\n<p>PASSA PALAVRA. <i>A sa\u00edda de Gilberto Carvalho e a \u201cFrente de Esquerda\u201d do PT.<\/i> O que os anticapitalistas t\u00eam a ver com isso? Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"http:\/\/passapalavra.info\/?s=gilberto+carvalho&amp;x=12&amp;y=7\"><span style=\"color: #00000a;\">http:\/\/passapalavra.info\/?s=gilberto+carvalho&amp;x=12&amp;y=7<\/span><\/a><\/span>. Acessado em 16 de fevereiro de 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><sup>\u0002<\/sup> Para o PT, \u201ca constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista, de um \u2018novo modo de vida, implica rela\u00e7\u00f5es novas e diferentes de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, diferentes e novas rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas\u2019. A constru\u00e7\u00e3o do socialismo passaria pela combina\u00e7\u00e3o entre a\u00e7\u00f5es mobilizadoras populares, vit\u00f3rias eleitorais, a\u00e7\u00f5es institucionais e governamentais, grandes campanhas c\u00edvicas, batalhas culturais e ideol\u00f3gicas, e permanente e forte press\u00e3o popular\u201d (COELHO, 2005, p. 228). A d\u00e9b\u00e2cle das experi\u00eancias p\u00f3s-capitalistas, o avan\u00e7o das pol\u00edticas neoliberais e a derrota nas elei\u00e7\u00f5es de 1994 conduziram o grupo majorit\u00e1rio do PT ao abandono completo do socialismo, pois: \u201cN\u00e3o tem mais sentido a afirma\u00e7\u00e3o pura e simples do socialismo: \u00e9 preciso dar novo conte\u00fado ao nosso projeto, atualizando \u00e0s novas rela\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edtica, econ\u00f4micas e culturais; construindo novos referenciais e novos modelos de an\u00e1lise, capazes de dar conta da complexidade que as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais hoje envolvem; \u00e9 preciso recriar novas formas de organiza\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas\u201d (COELHO, 2005, p. 231-232). Para Luiz Gushiken, tornava-se imperativo fazer uma reformula\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica ao capitalismo, ultrapassando o velho manique\u00edsmo entre socialismo e capitalismo, privatiza\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o, pois \u201c\u00e9 \u00f3bvio que deve existir a propriedade privada, mas tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3bvio que ao Estado cabe exercer o controle e a regulamenta\u00e7\u00e3o [&#8230;]. O mercado deve existir, mas suas leis cegas e descontroladas n\u00e3o podem impor as necessidades dos indiv\u00edduos e na\u00e7\u00f5es\u201d (apud COELHO, 2005, p. 233).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><sup>\u0002<\/sup> A Pol\u00edcia Federal indicia, em mar\u00e7o de 2014, 46 investigados da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Entre eles o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Al\u00e9m destes, estariam envolvidos 46 deputados federais, 12 senadores (entre eles, Renan do PMDB, Fernando Collor do PTB, Gleisi Hoffmann do PT, Jo\u00e3o Pizzolatti do PP etc.), o vice-governador da Bahia, um governador,etc. Al\u00e9m de pol\u00edticos, tamb\u00e9m estariam envolvidos no esquema empresas como OAS, Camargo Corr\u00eaa, Queiroz Galv\u00e3o, Engevix Engenharia, Mendes Junior, Iesa, UTC-Constran, Arxo etc. Por sua vez, as empresas envolvidas na Lava-Jato afirmam haver doado cerca de R$ 109 milh\u00f5es \u00e0s candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e A\u00e9cio Neves (PSDB). Al\u00e9m de corrup\u00e7\u00e3o ativa, pesa sobre os suspeitos os crimes de lavagem de dinheiro, fraude a licita\u00e7\u00f5es etc. As den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o se estendem ao processo de compra da refinaria de Pasadena (EUA) e a desvio de recursos na constru\u00e7\u00e3o da refinaria de Abreu e Lima (PE). As in\u00fameras den\u00fancias de lavagem de dinheiro, fraude a licita\u00e7\u00f5es e corrup\u00e7\u00e3o conduziram ao afastamento de toda a diretoria da empresa, incluindo Gra\u00e7a Foster (Presidente da estatal), no in\u00edcio de fevereiro de 2015. No entanto, a pr\u00f3pria presidenta integra o grupo de respons\u00e1veis pelos desmandos da empresa, haja vista que ela figurou tanto como membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o quanto na administra\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s. O suborno, a corrup\u00e7\u00e3o e a lavagem de dinheiro envolvem somas astron\u00f4micas; s\u00e3o milh\u00f5es e milh\u00f5es de reais que, somados, chegam a bilh\u00f5es de reais. Somente na compra de Pasadena, o suborno chega a 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Alberto Youssef refere 15 contratos em que as empreiteiras vencedoras dos contratos de licita\u00e7\u00f5es com a Petrobras pagam propinas para os representantes das estatais. As den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o contra a esquerda do capital quase conduzem \u00e0 d\u00e9b\u00e2cle do governo Lula. Da mesma forma que as den\u00fancias do valerioduto foram verdadeiras, as den\u00fancias da Lava-Jato tamb\u00e9m s\u00e3o procedentes. Na primeira, ficou claro como o Ministro da Casa Civil, Jos\u00e9 Dirceu, operava na compra de votos para aprovar as pol\u00edticas governamentais e ampliar a base aliada no Congresso com as sobras fraudulentas da campanha do presidenci\u00e1vel petista de 2002. A hist\u00f3ria desvela as habilidades petistas no submundo da corrup\u00e7\u00e3o, do suborno e da fraude. Entre os envolvidos no mensal\u00e3o se destacam: Vicentinho, Benedita da Silva, Jos\u00e9 Dirceu, Em\u00eddio de Souza, Jos\u00e9 Mentor, Del\u00fabio Soares, Marcos Val\u00e9rio, Freud Godoy (seguran\u00e7a pessoal de Lula), Daniel Dantas (banqueiro), Banco Rural, Visanet, Banco do Brasil etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artur Bispo dos Santos Neto Forjado em meio \u00e0s lutas oper\u00e1rias que marcaram a d\u00e9cada de 1980, o PT sempre<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[78,11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3784"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5944,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3784\/revisions\/5944"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}