{"id":3827,"date":"2015-03-31T08:50:45","date_gmt":"2015-03-31T11:50:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3827"},"modified":"2018-05-01T00:08:33","modified_gmt":"2018-05-01T03:08:33","slug":"crise-economica-e-a-ascendencia-da-extrema-direita-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/03\/crise-economica-e-a-ascendencia-da-extrema-direita-no-brasil\/","title":{"rendered":"Crise econ\u00f4mica e a ascend\u00eancia da extrema direita no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o <\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que nenhum economista da burguesia seria capaz na atualidade de negar que a economia mundial enfrenta uma crise sem precedentes. Antes de esse fen\u00f4meno se tornar evidente em 2008, M\u00e9sz\u00e1ros salientou que o capital havia entrado numa crise profunda desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 1970, uma crise que afetava todas as esferas do sistema: produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e consumo. Apesar das in\u00fameras pol\u00edticas governamentais implementadas para salvar a economia mundial do quadro devastador em que ela se encontra, as medidas t\u00eam servido somente para remediar o problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num quadro internacional recessivo e perpassado pela amplia\u00e7\u00e3o das taxas de desemprego e de aprofundamento da pobreza no mundo, as economias que t\u00eam apresentado alguma margem positiva de crescimento conseguiram isso pela media\u00e7\u00e3o do rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora. A amplia\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho \u00e9 <i>leitmotiv<\/i> do crescimento da China e da \u00cdndia. Mesmo assim, existem sinais de que essas economias est\u00e3o entrando num per\u00edodo recessivo, enquanto asdemais economias, apesar do agu\u00e7amento do processo de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, passam por um processo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Os pa\u00edses da Zona do Euro, por exemplo, t\u00eam PNB negativo e suastaxasde crescimento n\u00e3o passaram de 1,2% em 2014;em 2013, tiveram percentual negativo de -0,5%. Os EUA, por sua vez, tiveram um crescimento de somente 1,9% em 2013 e de 2,8% em 2014, enquanto a m\u00e9dia de crescimento dos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul foi de 3,2% em 2013 e 2,3% em 2014. Para Vivas Ag\u00fcero (2014, p. 1):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O saldo de transa\u00e7\u00f5es correntes, relacionado com o PNB de cada um dos pa\u00edses, mostra taxas negativas para todos os pa\u00edses [da Am\u00e9rica do Sul] considerados, exceto Venezuela e Bol\u00edvia (seguramente por suas exporta\u00e7\u00f5es de combust\u00edveis). No entanto, o n\u00edvel de desemprego apresenta-se elevado em todos os pa\u00edses, especialmente na Venezuela, Col\u00f4mbia e Argentina (VIVAS AG\u00dcERO, 2014, p. 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise econ\u00f4mica deflagrada em 2008 revelou os limites das pol\u00edticas neoliberais e acentuou a necessidade da interven\u00e7\u00e3o do Estado para repassar o \u00f4nus da crise aos trabalhadores. Nos EUA, as pol\u00edticas de austeridade foram efetivadas sem que houvesse uma resist\u00eancia tenaz da classe oper\u00e1ria e dos trabalhadores assalariados. Na Europa o quadro foi diferente, devido ao hist\u00f3rico de resist\u00eancia da classe oper\u00e1ria acumulada ao longo dos anos, que serviu para reanimar o desenvolvimento das a\u00e7\u00f5es de massas no sentido de barrar algumas pol\u00edticas de austeridade ensejadas pela Troika.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota-se que as pol\u00edticas draconianas contra os trabalhadores e a favor dos banqueiros foram aplicadas tanto pela direita quanto pela esquerda, ou seja, o parlamento atuou como correia de transmiss\u00e3o dos interesses dos grandes bancos e dos grandes aglomerados econ\u00f4micos. E o Estado mobilizou seus esfor\u00e7os na perspectiva de salvar os banqueiros e condenar os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto os partidos de \u201cesquerda\u201d\u2212 como: Partido Socialista Franc\u00eas (PSF), Partido Social Democrata Alem\u00e3o (PSD), o <i>Labour Party<\/i>, Partido Trabalhista Ingl\u00eas\u2013 quantoos partidos de direita aplicaram a pol\u00edtica que interessava ao capital. Nesse contexto se inscreve a fal\u00eancia de alguns dos velhos partidos de \u201cesquerda\u201d, como o Partido Socialista (PASOK)<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftn1\">[1]<\/a> na Gr\u00e9ciae o Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol (PSOE). \u00c9 poss\u00edvel assinalar que \u201ca derrota do Pasok na Gr\u00e9cia e o desgaste do PSOE na Espanha \u2013 sintoma da crise que vivem os \u2018tradicionais partidos de esquerda\u2019 \u2212 s\u00e3o consequ\u00eancias da op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que fizeram e como encontram um processo de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores\u201d(ESPA\u00c7O SOCIALISTA, Jornal 76, p. 11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num quadro de agravamento da crise econ\u00f4mica e da necessidade de resist\u00eancia da classe trabalhadora para interceptar as pol\u00edticas de austeridade ensejadas pela Troika, surgiram organiza\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda como o Syriza<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftn2\">[2]<\/a> na Gr\u00e9cia, o Podemos na Espanha, o NPA franc\u00eas e o <i>Die Linke<\/i> alem\u00e3o. No entanto, elas acabaram se enredando no cretinismo parlamentar, porquanto priorizam as sa\u00eddas nos marcos da institucionalidade burguesa e n\u00e3o acentuaram a necessidade de superar o sistema do capital. Os movimentos sociais,como os \u201cIndignados\u201d na Espanha, tamb\u00e9m acabam se enredando nessa perspectiva. Com isso a classe oper\u00e1ria europeia deixa de reunir condi\u00e7\u00f5es para apresentar uma ofensiva socialista ao capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise econ\u00f4mica exige que a pr\u00f3pria burguesia se apressepara apresentar sa\u00eddas que possam aparentemente quebrar os marcos estabelecidos da institucionalidade burguesa, mediante a forma\u00e7\u00e3o de novas organiza\u00e7\u00f5es de extremadireita, mas que deixem intacto o sistema do capital. Nos \u00faltimos anos, nota-se um crescimento vertiginoso de organiza\u00e7\u00f5es de direita e extremadireita em todoo mundo. O caso mais not\u00f3rio sucedeu no final de 2013, quando um golpe de Estado fascista e pr\u00f3-imperialismo derrubou o governo de Viktor Yanukovich na Ucr\u00e2nia<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftn3\">[3]<\/a>. Al\u00e9m disso, observa-se que a extremadireita tem contado com a ades\u00e3o das massas na Europa, pois: \u201cA extrema direita venceu na Fran\u00e7a, com 25% dos votos para a Frente Nacional de Marine Le Pen, cujo pai (e fundador do partido) disse que o problema da imigra\u00e7\u00e3o e do crescimento demogr\u00e1fico no mundo seria resolvido em tr\u00eas meses pelo v\u00edrus Ebola. [&#8230;] A extremadireita oferece uma solu\u00e7\u00e3o aparentemente simples para os problemas: expulsar os imigrantes e resgatar a \u201cpureza\u201d da na\u00e7\u00e3o\u201d (ESPA\u00c7O SOCIALISTA, Jornal 76, p. 11). Por sua vez, \u201cNa Gr\u00e9cia, o partido Aurora Dourada (de tipo fascista) fez 17 cadeiras no parlamento e o partido Nova Democracia (de direita, conservador) teve quase 27% dos votos na mesma elei\u00e7\u00e3o em que o Syriza venceu\u201d (ESPA\u00c7O SOCIALISTA, Jornal 76, p. 11). Enquanto isso,cresce na Inglaterra o Partido Independente do Reino Unido (UKI),que combate a presen\u00e7a de imigrantes e sua anexa\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A crise econ\u00f4mica brasileira<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso que sugeria que o Brasil tinha capacidade para contrabalan\u00e7ar os efeitos da crise econ\u00f4mica mundial de 2008 e 2009, etapa em que a economia mundial sofreu um refluxo de -0,3% do PIB, revela-se como completamente falso, pois o capital \u00e9 uma totalidade que pressup\u00f5e a articula\u00e7\u00e3o de todos os mercados. Articulada ao mercado mundial, a economia brasileira nunca superou sua condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e subservi\u00eancia \u00e0s grandes pot\u00eancias imperialistas (Inglaterra e EUA). E Marx salientava que a crise (c\u00edclica) primeiramente se apresenta nas economias mais adiantadas para em seguida se revelar nas economias mais atrasadas. E quando h\u00e1 sa\u00edda, as economias mais desenvolvidas s\u00e3o as primeiras a superar a crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 como negar que o Brasil est\u00e1 lan\u00e7ado numa crise econ\u00f4mica sem precedentes. A taxa de crescimento de 1,4%, em 2014, foi a menor dos \u00faltimos vinte anos, e n\u00e3o h\u00e1perspectiva otimista pela frente, pois as medidas adotadas no passado para incentivar o consumo e ampliar o mercado interno parecem esgotadas devido ao alto n\u00edvel de endividamento da classe trabalhadora e dos setores intermedi\u00e1rios da sociedade. A taxa m\u00e9dia de crescimento do governo Dilma (1,9%) est\u00e1 abaixo daquela do governo Lula (4%) e do per\u00edodo FHC (2,3%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento da economia brasileira nos primeiros anos do governo Lula foi motivado especialmente pela eleva\u00e7\u00e3o das taxas de exporta\u00e7\u00e3o e pelo crescimento do pre\u00e7o das <i>commodities<\/i>(mat\u00e9ria-prima como alimentos e metais). O Brasil e a R\u00fassia foram beneficiados pelas <i>commodities,<\/i> que serviram para absorver o excedente de capital existente no mercado mundial. Para Wilkinson (apud UNITEC CONTABIL, 2015, p. 1),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a alta dos pre\u00e7os de <i>commodities<\/i> criou fortes incentivos para que as economias emergentes lancem projetos de desenvolvimento e o consumo ganhe for\u00e7a. Da mesma forma que a sobrevaloriza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos im\u00f3veis nos EUA havia permitido que as pessoas tivessem gastos excessivos contraindo mais d\u00edvidas, os governos das economias ricas em <i>commodities<\/i> come\u00e7aram a gastar acima de suas possibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O incentivo do consumo das massas foi possibilitado pelas condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao mercado de <i>commodities<\/i>, tendo a China como maior consumidor. Para os te\u00f3ricos do pr\u00f3prio governo, o que assegurou a preserva\u00e7\u00e3o das taxas de crescimento da economia,depois de 2006, foi a expans\u00e3o do mercado interno, mediante uma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(i) pol\u00edtica macroecon\u00f4mica mais expansiva, baseada na eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, no programa de transfer\u00eancias sociais, no est\u00edmulo direto ao consumidor e ao cr\u00e9dito imobili\u00e1rio (com relevante participa\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos); e (ii) a forte expans\u00e3o do investimento, p\u00fablico seja da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, seja das empresas estatais, atrav\u00e9s do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do crescimento (PAC). (BNDES, 2014, p. 48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, entre 2011-2013, houve uma desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento, decorrente da crise internacional, motivando a redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e dos pre\u00e7os das <i>commodities.<\/i>No cen\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o industrial ocorreu n\u00e3o apenas uma diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de exporta\u00e7\u00e3o, como uma amplia\u00e7\u00e3o do coeficiente de importa\u00e7\u00e3o de produtos manufaturados: \u201cAs importa\u00e7\u00f5es se aceleram, causando a revers\u00e3o do saldo comercial observado em praticamente todos os segmentos da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o\u201d (BNDES, 2015, p. 48). Ainda segundo o BNDES (2015, p. 49), \u201cem todos os complexos industriais mais sofisticados, com grau mais elevado de agrega\u00e7\u00e3o de valor e maior dinamismo tecnol\u00f3gico, verificou-se um eventual retrocesso, caracterizando o per\u00edodo como uma etapa de especializa\u00e7\u00e3o regressiva da ind\u00fastria brasileira\u201d. Isso resultou num saldo negativo no quesito dos produtos com elevado grau tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de invers\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es tem pautado a economia nacional nos \u00faltimos anos, com implica\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas para a produ\u00e7\u00e3o industrial. Nesse contexto, as importa\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados atingiram, segundo dados da Abimaq, 67,3% em 2013. O processo de crise na ind\u00fastria brasileira pode ser notado no quadro abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 1 \u2013 Coeficiente de penetra\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es (valores em %)<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>FLUXO<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2005<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2006<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2007<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2008<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2009<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2010<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2011<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2012<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>2013<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>Exporta\u00e7\u00e3o<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">42,5<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">40,9<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">35,3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">28,7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">25,7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">24,0<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">26,2<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">33,3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">35,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>Importa\u00e7\u00e3o<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">55,4<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">55,2<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">51,9<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">51,2<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">53,3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">53,50<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">55,0<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">62,3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">67,3<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abimaq (apud BNDES, 2014, p. 52)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desacelera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial implica um movimento ascendente que representa a derrocada do modelo denominado de substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, pois o desenvolvimento do parque industrial brasileiro paulatinamente \u00e9 desmontado \u00e0 medidaque deixa de reunir as condi\u00e7\u00f5es adequadas para concorrer no mercado mundial. A aus\u00eancia de desenvolvimento industrial interno resulta na tomada do mercado pelos produtos importados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio setor automobil\u00edstico, que respondeu por 21% do PIB industrial e por 5% do PIB nacional (BNDES, 2015, p. 33) em 2014, tem recorrido \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de autope\u00e7as:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">as importa\u00e7\u00f5es saltaram de US$ 4,3 bilh\u00f5es, em 2000, para US$ 19,7 bilh\u00f5es, em 2013, um aumento de 356%. Nesse per\u00edodo, os pa\u00edses asi\u00e1ticos (China, Coreia do Sul, Tail\u00e2ndia e \u00cdndia), al\u00e9m da Rom\u00eania, foram os que mais cresceram em vendas ao Brasil. Em termos absolutos, EUA, Alemanha e Jap\u00e3o, nessa ordem, continuam como os principais pa\u00edses de origem das importa\u00e7\u00f5es brasileiras (BNDES, 2015, p. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A retra\u00e7\u00e3o de 28% no setor automobil\u00edstico, em 2014, representou o corte de 10 mil postos de trabalho, 8.860 f\u00e9rias coletivas, in\u00fameras suspens\u00f5es tempor\u00e1rias de contratos de trabalho (<i>lay-offs<\/i>) e incentivo \u00e0s demiss\u00f5es volunt\u00e1rias (PDV) (ESTAD\u00c3O, 2015). Em termos gerais, a taxa de emprego na ind\u00fastria brasileira recuou para -4,3% em 2014.A ind\u00fastria brasileira teve uma queda de 1,5% em 2014, os investimentos no setor ca\u00edram em 6,7%, enquantoo PIB nacional acumulou um crescimento de apenas 0,3%. Segundo a Revista de Economia Brasileira do CNI (2014, p. 3): \u201cO fraco desempenho da atividade econ\u00f4mica em 2014 est\u00e1 refletido, principalmente, nas quedas da ind\u00fastria e do investimento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os setores impactados pela crise, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o foi a mais afetada: a queda varia de -5,3%(m\u00e1quinas e equipamentos) a-18% (ve\u00edculos automotores). Observa-se que os segmentos importantes da estrutura industrial, \u201ccomo Ve\u00edculos automotores e M\u00e1quinas e equipamentos, exibiram fortes contra\u00e7\u00f5es, e o \u00cdndice de Confian\u00e7a do Empresariado Industrial (ICEI) atingiu seu piso hist\u00f3rico\u201d (SISTEMA FIEGS, 2015, p. 3). Por sua vez, a ind\u00fastria em geralsofreu uma queda que varia de -3,4%,para o setor de Couros e Cal\u00e7ados, a -3,9%, para borracha e pl\u00e1stico; j\u00e1 na ind\u00fastria extrativista o setor mais afetado foi o vestu\u00e1rio, com -2,7%; nesse setor, os itens que mais cresceram foram: \u201cFarmac\u00eauticos (5,5%), Manuten\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o (5,3%), Derivados do petr\u00f3leo e biocombust\u00edveis (3,2%)\u201d (ECONOMIA BRASILEIRA, 2014, p. 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora possua a quinta maior ind\u00fastria t\u00eaxtil e de confec\u00e7\u00f5es mundial, o Brasil representa somente 0,4% do mercado internacional, amplamente dominado pelos asi\u00e1ticos, que representam 50% da produ\u00e7\u00e3o mundial. Para a Abit (2014, p. 9),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil est\u00e1 entre os oito maiores consumidores de vestu\u00e1rio, cama, mesa e banho do mundo, e o que mais cresceu nos \u00faltimos dez anos. Contudo, \u00e9 poss\u00edvel verificar tamb\u00e9m um crescimento na participa\u00e7\u00e3o dos produtos importados no abastecimento do mercado brasileiro. A importa\u00e7\u00e3o de vestu\u00e1rio, por exemplo, aumentou 24 vezes na \u00faltima d\u00e9cada, saltando de US$ 148 milh\u00f5es para US$ 3,5 bilh\u00f5es. Cerca de 15% do mercado de vestu\u00e1rio \u00e9 abastecido por marcas importadas; dez anos atr\u00e1s, esse \u00edndice era de apenas 2%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As estat\u00edsticas apresentadas pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es burguesas confirmam a crise no segmento industrial brasileiro, reflexo de uma s\u00e9rie de fatores que expressam as mudan\u00e7as iniciadas na d\u00e9cada de 1990. A suspens\u00e3o da reserva de mercado para a inform\u00e1tica encontra seu ponto culminante na aus\u00eancia de infraestrutura na atualidade para poder tornar atraente a capta\u00e7\u00e3o de recursos no exterior, o que aprimora o car\u00e1ter do capitalismo dependente e subserviente dos tr\u00f3picos. A crise representa a derrocada do modelo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, em que as multinacionais cumpriram papel essencial na consolida\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es genuinamente capitalistas no Brasil desde 1950 e que se consolidou depois do golpe militar-empresarial de 1964. Para a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), a perspectiva \u00e9 de percentuais negativos para a ind\u00fastria nos pr\u00f3ximos seis meses. Para Vivas Ag\u00fcero (2014, p. 6): \u201cA situa\u00e7\u00e3o atual e as tend\u00eancias da economia s\u00e3o preocupantes, visto que tanto a produ\u00e7\u00e3o como o consumo est\u00e3o paralisados, e existem sinais de que o volume dos investimentos (bolsa de valores, empr\u00e9stimos banc\u00e1rios, investimentos estrangeiros e outros) est\u00e3o diminuindo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio negativo da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o se irradia por outros complexos econ\u00f4micos como o da constru\u00e7\u00e3o civil, em que o crescimento do setor imobili\u00e1rio, motivado pelo incentivo das pol\u00edticas governamentais de amplia\u00e7\u00e3o do consumo interno, come\u00e7a a sofrer devido ao processo de desacelera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio. A perspectiva \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o da taxa de crescimento do PIB, abaixo de 1,4% (com possibilidade de recuo de 0,83%). Projeta-se que a infla\u00e7\u00e3o para 2015 ficar\u00e1 em torno de 7,5%, bem acima da meta estabelecida (4,5%) pelos organismos internacionais (INFOMONEY, 2015). A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) apresenta uma perspectiva mais c\u00e9tica para o desenvolvimento da economia brasileira em 2015. Segundo o Jornal Estad\u00e3o (2015, p. 1): \u201cA previs\u00e3o da entidade para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2015 caiu de +1,5%, conforme cen\u00e1rio divulgado em novembro de 2014, para -0,5%. Entre os demais emergentes, a China deve crescer 7% e a \u00cdndia, 7,7%\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento da estagna\u00e7\u00e3o da economia brasileira consta do relat\u00f3rio secreto apresentado pelo Banco Santander aos clientes de alta renda, em julho de 2014, que afirma: \u201cA economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, infla\u00e7\u00e3o alta e d\u00e9ficit em conta-corrente. A quebra de confian\u00e7a e o pessimismo crescente em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil derrubam ainda mais a popularidade da presidente, que vem caindo nas \u00faltimas pesquisas, e que tem contribu\u00eddo para a subida da Ibovespa\u201d (VIVAS AG\u00dcERO, 2014, p. 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo para uma perspectiva otimista acerca do quadro de desenvolvimento da economia internacional, os economistas da burguesia reconhecem a inexist\u00eancia de perspectiva positiva para a economia nacional. H\u00e1 uma tend\u00eancia de que se acentuem os problemas econ\u00f4micos, com varia\u00e7\u00f5es positivas somente no agroneg\u00f3cio e no setor de servi\u00e7os. Isso n\u00e3o implica que esses setores n\u00e3o sofram tamb\u00e9m um refluxo. A redu\u00e7\u00e3o do valor das <i>commodities<\/i> no mercado internacional j\u00e1 denota o refluxo das taxas de exporta\u00e7\u00f5es apresentadas pelo agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Aviso de inc\u00eandio<\/b><b><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos de crise econ\u00f4mica repercutem em todas as esferas da vida, tanto no \u00e2mbito pol\u00edtico quanto no \u00e2mbito social. A intensifica\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica perpassa as esferas da sociedade brasileira, fazendo mais veementes tanto as contradi\u00e7\u00f5es entre fra\u00e7\u00f5es internas da burguesia quanto intensificando as contradi\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es de 15 de mar\u00e7o de 2015 n\u00e3o podem ser compreendidas fora do cen\u00e1rio internacional e nacional marcado pela criseecon\u00f4mica. Afinal, ela \u00e9 a pot\u00eancia que imp\u00f5e a altera\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas e sociais, que pode fazer o p\u00eandulo se acentuar para o lado do capital ou para o lado do trabalho. \u00c9 preciso salientar a rela\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es das massas com a crise do capital; as pr\u00f3prias manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam clareza desse seu tra\u00e7o, e nisso elas se distinguem das manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, bem como das crescentes manifesta\u00e7\u00f5es que se sucederam na Europa e nos EUA. \u00c9 preciso salientar que apesar de os homens n\u00e3o saberem o que fazem, isson\u00e3o implica que n\u00e3o fa\u00e7am as coisas mesmo desconhecendo as ra\u00edzes de seus males sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a classe m\u00e9dia esteja impossibilitada de reconhecer que as bases de toda a sua revolta est\u00e3ofundamentadas no capital, devido ao papel que ela ocupa na sociedade, \u00e9 preciso salientar que a causa de sua revolta \u00e9 a crise econ\u00f4mica. O endividamento e a proletariza\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia \u00e9 express\u00e3o da pilhagem do sistema financeiro, que somente consegue se autorreproduzir mediante a apropria\u00e7\u00e3o de mais-trabalho, pois enquanto ela est\u00e1 endividada, os grandes bancos acumulam lucros exorbitantes. O sistema financeiro vai muito bem; j\u00e1 a classe m\u00e9dia e os trabalhadores v\u00e3o mal. No decorrer de 2014, o Ita\u00fa Unibanco alcan\u00e7ou um lucro liquido de R$ 20.242 bilh\u00f5es; o Bradesco, um lucro l\u00edquido de R$ 15.089 bilh\u00f5es, e o Banco do Brasil teve um lucro l\u00edquido de R$ 11.343 bilh\u00f5es. Apesar desses lucros bilion\u00e1rios, nenhum deles se mostrou preocupado em preservar os postos de trabalho existentes; pelo contr\u00e1rio, todos eles ampliaram a pol\u00edtica de demiss\u00e3o, e mais de 5 mil funcion\u00e1rios foram demitidos no setor ao longo de 2014. O lucro do Ita\u00fa Unibanco em 2014 foi o maior na hist\u00f3ria dos bancos privados brasileiros (REVISTA DO FACTORING, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es pautadas pela classe m\u00e9dia no dia 15 de mar\u00e7o tiveram como fio condutor n\u00e3o apenas a revolta contra a corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a Petrobr\u00e1s, incitada pela Rede Globo, mas tamb\u00e9m a revolta contra a eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices inflacion\u00e1rios, dos reajustes das tarifas p\u00fablicas e do rebaixamento de seu poder de compra. O endividamento financeiro conduziu o brasileiro a sacar R$ 1,03 trilh\u00e3o da caderneta em 2014; comoconseq\u00fc\u00eancia, o saldo dessa forma de aplica\u00e7\u00e3o foi de R$ 518,3 milh\u00f5es, o pior resultado desde 2006 (CORREIO BRASILIENSE, 2014). O Di\u00e1rio de Pernambuco, de 4 de janeiro de 2015, afirma que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os brasileiros est\u00e3o endividados como nunca, justamente em momento bastante delicado da economia, no qual o pa\u00eds n\u00e3o cresce, o emprego d\u00e1 sinais de desgaste, a infla\u00e7\u00e3o continua alta e os juros est\u00e3o subindo. Dados do Banco Central mostram que quase metade da renda anual das fam\u00edlias, 45,88%, est\u00e1 sendo tragada pelo pagamento de d\u00edvidas. Nas modalidades de cr\u00e9dito mais caras dispon\u00edveis no mercado, a inadimpl\u00eancia \u00e9 uma das mais altas da hist\u00f3ria. Mais de 11% dos brasileiros est\u00e3o atrasados com cheque especial e quase 39% n\u00e3o conseguem quitar os financiamentos rotativos do cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de endividamento da classe m\u00e9dia proveio menos da capacidade do desenvolvimento da poupan\u00e7a, resultante de uma acumula\u00e7\u00e3o realizada ao longo do tempo, do que do incentivo promovido pelo governo e pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras; o cr\u00e9dito f\u00e1cil alastrou o consumo e deixou os setores intermedi\u00e1rios numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil para preservar sua zona de prazer propiciada pela matriz consumista do capitalismo. O pseudoaumento da classe m\u00e9dia est\u00e1 fundamentado na amplia\u00e7\u00e3o do consumo das massas, resultante do cr\u00e9dito f\u00e1cil,e n\u00e3o duma expans\u00e3o efetiva da produ\u00e7\u00e3o ou redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza produzida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a classe m\u00e9dia n\u00e3o reconhece que os bancos s\u00e3o os verdadeiros respons\u00e1veis pela deteriora\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e que o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica tamb\u00e9m suga sua exist\u00eancia, elaprefere seguir a cantilena da manipula\u00e7\u00e3o da Rede Globo e dirigir seus ataques ao mundo da pol\u00edtica, vociferando \u00f3dio contra Dilma, o PT, os comunistas, Cuba, Venezuela etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim da ditadura militar e a denominada amplia\u00e7\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas serviram para ampliar o poder manipulador dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa ao longo desses \u00faltimos trinta anos. A incapacidade da sociedade para controlar os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa \u00e9 express\u00e3o da pr\u00f3pria incontrolabilidade do capital. Ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas, os meios de comunica\u00e7\u00e3o desempenharam papel essencial na defesa do sistema do capital e na propaga\u00e7\u00e3o dos valores fundamentais ao seu processo de reprodu\u00e7\u00e3o. Pela sua media\u00e7\u00e3o se intensificou a reprodu\u00e7\u00e3o dos valores nacionalistas e fascistas (contra os pobres, os negros, os jovens desempregados, os trabalhadores em greve, os manifestantes do MST e MTST, o movimento estudantil e ainda contra a Venezuela e Cuba etc.). Os meios de comunica\u00e7\u00e3o cumpriram papel elementar na maximiza\u00e7\u00e3o dos valores assentados no irracionalismo ena defesa do imperialismo norte-americano e dos interesses das multinacionais instaladas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do aparato midi\u00e1tico (Rede Globo, Veja, Isto \u00e9, Exame, Folha de S\u00e3o Paulo etc.), t\u00eam servido para difundir os ideais da extrema direita alimentados pelos neoliberais e os fascistas (neonazistas, xen\u00f3fobos, <i>skinhead<\/i> etc.) organiza\u00e7\u00f5es como igrejas, escolas privadas, universidades e novos agrupamentos pol\u00edticos. Nessas organiza\u00e7\u00f5es se intensifica n\u00e3o apenas a ideologia da necessidade de ascend\u00eancia social, mas a ideologia da meritocracia, da valoriza\u00e7\u00e3o do empreendedorismo, da supervaloriza\u00e7\u00e3o do individualismo, do consumismo, do racismo contra o nordestino, da homofobia, da superioridade dos brancos etc. Nota-se que o setor hegem\u00f4nico que norteou a pauta das manifesta\u00e7\u00f5es tem um n\u00edvel de escolariza\u00e7\u00e3o bem acima das massas populares; segundo o Datafolha (FOLHA S\u00c3O PAULO, 2015), 76% possuem curso superior e ganham mais de cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais (68%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio das manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, as manifesta\u00e7\u00f5es de 15 de mar\u00e7o estiveramarticuladas aos interesses das classes dominantes e contra as classes dominadas. As classes intermedi\u00e1rias assumiram a pauta reacion\u00e1ria da defesa da privatiza\u00e7\u00e3o, do imperialismo e contra o comunismo, orquestrada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o da burguesia e pelas novas organiza\u00e7\u00f5es que a pr\u00f3pria burguesia constituiu. Entre elas merecem destaque o\u201cMovimento Brasil Livre\u201d (MBL), \u201cRevoltados <i>Online\u201d<\/i>, \u201cVem pra Rua\u201d, \u201cSOS For\u00e7as Armadas\u201d. O manifesto do MBL afirma sua ades\u00e3o aos pressupostos do liberalismo radical, ou seja, a liberdade do mercado e a necessidade de restri\u00e7\u00e3o do governo na economia, bem como a necessidade de combater a corrup\u00e7\u00e3o e o desrespeito \u00e0s leis institu\u00eddas. O jornal eletr\u00f4nico Viomundo (2015) aponta que o referido movimento \u00e9 financiado pelos irm\u00e3os David Koch, que s\u00e3o os magnatas norte-americanos do petr\u00f3leo. Segundo o Viomundo (2015, p. 1): \u201cOs <i>Koch Brothers<\/i> s\u00e3o os maiores financiadores da extrema-direita nos Estados Unidos, <i>Tea Partyet al.<\/i> Plantaram, dentre outros <i>think-tanks<\/i>, o <i>Cato Institute<\/i>. Controlam a maior petrol\u00edfera privada do planeta, com faturamento de U$ 100 bilh\u00f5es\u201d. Parece que m\u00faltiplos interesses esp\u00farios unem esses jovens aos magnatas do petr\u00f3leo norte-americano e aos magnatas da m\u00eddia brasileira, na perspectiva de promover um novo saque do er\u00e1rio. E tudo \u00e9 promovido ao som do hino nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs Revoltados <i>Online\u201d<\/i> erguem-se contra o comunismo atrav\u00e9s da cr\u00edtica a Cuba e Venezuela, e t\u00eam na pessoa do deputado federal de extremadireita, Jair Bolsonaro (PP-RJ), sua maior express\u00e3o. As posi\u00e7\u00f5es preconceituosas da organiza\u00e7\u00e3o contra os nordestinos aparecem nas declara\u00e7\u00f5es da jornalista Deborah Albuquerque Chlaem, s\u00f3cia do Revoltados <i>Online<\/i>, que qualifica os nordestinos de \u201cmiser\u00e1veis, imbecis e burros\u201d porque votaram em Dilma e n\u00e3o em A\u00e9cio; al\u00e9m dela, mais cem pessoas foram identificadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPORTAL, 2014). O preconceito da classe m\u00e9dia paulista (branca) contra os nordestinos se intensifica com a amplia\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica; as explica\u00e7\u00f5es simples e dicot\u00f4micas da realidade encontram espa\u00e7o de irradia\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o perante as dificuldades de apontar causas materiais dos males sociais e reconhecer o capital como o verdadeiro respons\u00e1vel pelo seu processo de proletariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVem pra Rua\u201d \u00e9 um movimento articulado ao PSDB que tenta assumir uma posi\u00e7\u00e3o mais modesta para n\u00e3o assustar o eleitorado mais moderado de A\u00e9cio Neves. Assume que mais importante do que derrubar a presidente \u00e9 fragiliz\u00e1-la ao m\u00e1ximo. A classe m\u00e9dia serve como instrumento para fragilizar o governo Dilma e acelerar a aprova\u00e7\u00e3o das contrarreformas que atacam os direitos dos trabalhadores. O referido movimento, segundo Marcos Lemos (2015), seria financiado pelos empres\u00e1rios Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel. Esses homens s\u00e3o propriet\u00e1rios das maiores redes log\u00edsticas do Brasil, como: Ampev, lojas de varejo (ex.: Lojas Americanas), Am\u00e9rica Latina Log\u00edstica (com mais de mil caminh\u00f5es), B2W. Eles disputam a posi\u00e7\u00e3o de homens mais ricos do Brasil com os tr\u00eas irm\u00e3os Marinho da Rede Globo (LEMOS, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSOS For\u00e7as Armadas\u201d \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o integralista que faz a apologia aberta da interven\u00e7\u00e3o militar. Os integralistas defendem o nacionalismo, o amor \u00e0 p\u00e1tria, a centraliza\u00e7\u00e3o do poder, o autoritarismo e a necessidade dum combate mais sistem\u00e1tico aos comunistas e aos materialistas. Na sua p\u00e1gina do <i>Facebook<\/i> se encontra farta documenta\u00e7\u00e3o que remete ao fascismo de Pl\u00ednio Salgado. Na \u201cMensagem \u00e0 na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d defende a interven\u00e7\u00e3o militar nos seguintes termos: \u201cvenho aqui lhes convocar a batalhar em uma nova fase desta guerra nacional contra o podre comunismo, Internacionalista e Materialista, consequ\u00eancia do tamb\u00e9m Internacionalista e Materialista Individualismo, que se assenta na solidariedade entre argent\u00e1rios, que fracciona a na\u00e7\u00e3o em interesses pr\u00f3prios e imediatos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua presen\u00e7a no interior das passeatas pode ser notada pelo s\u00edmbolo da su\u00e1stica e das express\u00f5es torpes e vis contra negros<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftn4\">[4]<\/a>, sem-teto, comunistas etc. N\u00e3o se trata de uma classe iletrada, mas de uma classe convicta e portadora de sentimentos irracionalistas e nacionalistas exacerbados. O apelo ao retorno dos militares parece requentar as manifesta\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00e9speras do golpe empresarial-militar de 1964, como a grande marcha em nome de \u201cDeus, da propriedade privada e da fam\u00edlia\u201d. Esse quadro tamb\u00e9m se reconfigura no fato de que naquela \u00e9poca emergiram diversas organiza\u00e7\u00f5es de direita, como: IBAD (Instituto Brasileiro de A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica), IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), ADEP (A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Popular), ADCE (Associa\u00e7\u00e3o dos Dirigentes Crist\u00e3os de Empresas), MAC (Movimento Anticomunista), CCC (Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas), e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de oficiais militares formadas segundo os preceitos da ideologia da Seguran\u00e7a Nacional e da Escola Superior de Guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As organiza\u00e7\u00f5es fascistas e as organiza\u00e7\u00f5es liberais est\u00e3o articuladas atualmente numa guerra contra um inimigo inexistente na pr\u00e1tica, pois a amea\u00e7a comunista \u00e9 somente uma fic\u00e7\u00e3o que serve ao processo de mobiliza\u00e7\u00e3o das classes intermedi\u00e1rias, espantadas ante a crise econ\u00f4mica. E n\u00e3o existe ningu\u00e9m mais pr\u00f3ximo do fascismo do que um burgu\u00eas assustado, como dizia Brecht. \u00c9 importante salientar que a g\u00eanese daAssocia\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB) est\u00e1 associada ao per\u00edodo hist\u00f3rico de ascend\u00eancia da classe m\u00e9dia na d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atravessamos um per\u00edodo hist\u00f3rico em que inexiste a tradicional polariza\u00e7\u00e3o internacional que marcou os anos daGuerra Fria, pois a luta contra os comunistas foi substitu\u00edda pela guerra contra o terror em escala mundial e a guerra ao narcotr\u00e1fico nas periferias de nossas cidades. Embora os fascistas combatam uma amea\u00e7a que inexiste na pr\u00e1tica, a sua ideologia intensifica as medidas repressivas contra os movimentos sociais e ajuda no acirramento dapol\u00edtica de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos antigovernistas e anticapitalistas. A ideologia fascista pode at\u00e9 mesmo servir para operar uma limpeza ideol\u00f3gica na sociedade brasileira, eliminando as cabe\u00e7as contr\u00e1riasao processo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Isso abre caminho para o fechamento de organiza\u00e7\u00f5es, editoras, livrarias, jornais, peri\u00f3dicos de esquerda; bem como para a expuls\u00e3o sum\u00e1ria de muitos estudantes e a demiss\u00e3o de professoresdas universidades e das escolas p\u00fablicas, mandando para a pris\u00e3o aqueles indiv\u00edduos considerados como amea\u00e7a \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do sistema do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem considera o fascismo invi\u00e1vel,porque n\u00e3o tem a m\u00ednima possibilidade de resolver os problemas econ\u00f4micosdasociedade e atender aos interesses da classe m\u00e9dia,esquece que a crise econ\u00f4mica abalou todas as institui\u00e7\u00f5es burguesas. E que percentuais expressivos da classe m\u00e9dia reverberam palavras de ordem a favor do golpe militar, conforme a orienta\u00e7\u00e3o orquestrada pela Rede Globo contra a corrup\u00e7\u00e3o e a criminalidade. Quando ela mesma est\u00e1 envolvida em den\u00fancias de evas\u00e3o de divisas (esc\u00e2ndalo do HSBC) e sonega\u00e7\u00e3o fiscal (mais de 1 bilh\u00e3o de reais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <i>slogans<\/i> defendendo o golpe militar e contra os comunistas nas manifesta\u00e7\u00f5es de mar\u00e7o acionam o aviso de inc\u00eandio: n\u00e3o \u00e9 fuma\u00e7a, \u00e9 fogo que vem pela frente! O Projeto Opini\u00e3o P\u00fablica na Am\u00e9rica Latina (Lapop, sigla em ingl\u00eas) aponta que numa situa\u00e7\u00e3o de alta corrup\u00e7\u00e3o, 33% dos jovens (16 a 25 anos) brasileiros est\u00e3o propensos a aceitar golpes militares, enquanto 45% do p\u00fablico mais velho admite o golpe. Segundo Lapop (apud CCSE, 2015, p. 3),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os jovens tendem a discordar mais da justificativa de golpes militares, em caso de muita corrup\u00e7\u00e3o, quando comparados com os eleitores mais velhos. [&#8230;]. No resultado geral, 66% dos entrevistados, considerando todos os pa\u00edses [Am\u00e9rica Latina], n\u00e3o acham justific\u00e1veis golpes militares em caso de muita criminalidade. Quando perguntados sobre situa\u00e7\u00f5es de muita corrup\u00e7\u00e3o, 61% tamb\u00e9m se dizem contra golpes militares. No <i>ranking<\/i>, o Paraguai lidera com a maior propor\u00e7\u00e3o de respostas positivas quando h\u00e1 muita corrup\u00e7\u00e3o: 56%. Em segundo, vem a Nicar\u00e1gua (55%), seguida do M\u00e9xico (53%). O Brasil aparece em sexto lugar, com 48% dos entrevistados que consideram justific\u00e1veis golpes militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intensifica\u00e7\u00e3o das not\u00edcias acerca da corrup\u00e7\u00e3o e da falta de seguran\u00e7a social, pela Rede Globo e consortes, serve para criar uma subjetividade favor\u00e1vel \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar e \u00e0 opera\u00e7\u00e3o draconiana do Estado contra os trabalhadores e o ex\u00e9rcito industrial de reserva, enquanto amea\u00e7a \u00e0 propriedade privada. Nota-se que as posi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao golpe militar antes das manifesta\u00e7\u00f5es alcan\u00e7avam 48% da popula\u00e7\u00e3o brasileira; esta taxa somente pode ser revertida com a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho dos socialistas, anarquistas, ativistas sociais, anticapitalistas etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento, os setores expressivos da burguesia e do empresariado buscam uma sa\u00edda bonapartista para a crise pol\u00edtica existente no Brasil. Evidentemente que subsistem muitos setores que ainda apostam na institucionalidade e s\u00e3o contr\u00e1rios ao golpe militar. Mas o clima das ruas \u00e9 favor\u00e1vel ao golpe. O momento hist\u00f3rico propicia a emerg\u00eancia de um Bonaparte paraacalmar os temores das classes intermedi\u00e1rias. A Rede Globo e o aparato midi\u00e1tico da burguesia devem criar o novo Bonaparte da pol\u00edtica brasileira. As manifesta\u00e7\u00f5es de 15 de mar\u00e7o demonstram que esse itiner\u00e1rio est\u00e1 preparado. A mobiliza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o foi um ato involunt\u00e1rio, mas planejado e comprop\u00f3sito bem delimitado. Existe um projeto de mudan\u00e7a do curso da pol\u00edtica no Brasil, em que um governo fraco precisa ser substitu\u00eddo por um governo forte.O capital tem pressa, pois tempo \u00e9 dinheiro. N\u00e3o d\u00e1 para esperar muito pela ado\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de austeridade contra os trabalhadores e pela entrega das estatais que sobraram aos grandes grupos internacionais associados \u00e0 Rede Globo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso indica que o ciclo da experi\u00eancia pol\u00edtica hegemonizado pelo PT se esgota e que se abre um novo campo para o crescimento tamb\u00e9m das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda e dos movimentos sociais anticapitalistas. Encerra-se o fim do ciclo das ilus\u00f5es das massas com o PT, apesar da intensifica\u00e7\u00e3o da ideologia fascista. A pesquisa realizada pelo Lapop aponta que os pa\u00edses que constituem a Am\u00e9rica do Sul apresentam uma clara tend\u00eancia para a direita, pois \u201cAproximadamente 35% se identificam com essa posi\u00e7\u00e3o, enquanto 33% afirmam ser de centro, e outros 32% de direita. O Brasil apresenta percentuais muito pr\u00f3ximos da m\u00e9dia: 31% dos entrevistados se posicionaram ao centro, 35%, de esquerda, e 34%, de direita\u201d (CCSE, 2015). Juntando as posi\u00e7\u00f5es de centro com as posi\u00e7\u00f5es de direita tem-se um percentual de 66% contra 35% para a esquerda. \u00c9 preciso salientar que essa esquerda \u00e9 bastante difusa e n\u00e3o consegue apresentar uma ofensiva socialista \u00e0 altura do momento hist\u00f3rico de crise estrutural do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente a possibilidade de crescimento da extrema direita \u00e9 superior ao crescimento da esquerda combativa, pelo fato de contar com aux\u00edlio dos poderososmeios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Segundo o referido levantamento realizado pelo Lapop (com 50 mil pessoas em 18 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina), no Brasil a extrema direita tem 7,4% de aceita\u00e7\u00e3o e a extrema esquerda goza de 7,6% da simpatia popular (CCSE, 2015, p. 3). O espa\u00e7o est\u00e1 polarizado entre esses dois setores e indica que a ascend\u00eancia da extrema direita pode ser contida; mas que a maioria da popula\u00e7\u00e3o tem tend\u00eancia moderada. Por sua vez, \u00e9 bom lembrar que o fascismo sempre recorreu aos meios de comunica\u00e7\u00e3o para manipular a consci\u00eancia das massas e sempre pegou a esquerda desprevenida, porque a esquerda acaba achando que as institui\u00e7\u00f5es burguesas n\u00e3o est\u00e3o em crise ou que elas se contrap\u00f5em ao fascismo. \u00c9 necess\u00e1rio entender que o capital pode tanto recorrer ao fascismo como \u00e0 democracia. Essas possibilidades est\u00e3o postas quando o capital entra em crise. E a crise econ\u00f4mica nacional e internacional \u00e9 profunda, abrangente e universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso esclarecer que a direita e a extrema direita n\u00e3o poder\u00e3o resolver os problemas existentes, porque o problema n\u00e3o \u00e9 de gest\u00e3o do capital. \u00c9 preciso entender que a pol\u00edtica \u00e9 fundada, e n\u00e3o fundante. O elemento fundante \u00e9 o trabalho. O elemento determinante da economia e de todos os complexos \u00e9 o trabalho. A pol\u00edtica \u00e9 express\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos em jogo.Do mesmo modo, o complexo militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os descaminhos de Dilma revelamo caminho err\u00e1tico da pr\u00f3pria economia pol\u00edtica burguesa e de todo o liberalismo. A queda de popularidade de Dilma \u00e9 produto da crise econ\u00f4mica. A campanha da extrema direita contra Dilma est\u00e1 sendo bem-sucedida porque o problema do governo \u00e9 econ\u00f4mico; se a economia brasileira estivesse bem,o empresariado brasileiro estaria beijando sua m\u00e3o como beijou a m\u00e3o de Lula, mas a economia vai mal e n\u00e3o existe a m\u00ednima possibilidade de ela ser recuperada.Isso abre caminho tanto para os aventureiros de \u00faltima hora quanto para uma ofensiva socialista. \u00c9 preciso reorganizar as massas na perspectiva do trabalho e contra a perspectiva do capital. Existe um amplo campo de atua\u00e7\u00e3o para os revolucion\u00e1rios e para a constitui\u00e7\u00e3o de uma frente contra a Rede Globo e o imperialismo norte-americano e pelo socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se concentrarmos nossos esfor\u00e7os somente nos atuais gestores, seremos levados a imaginar, como faz a consci\u00eancia imediata, que o problema \u00e9 de gest\u00e3o do capital. Para a perspectiva politicista, o problema \u00e9 superado com a substitui\u00e7\u00e3o dos gestores ou das representa\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas do cen\u00e1rio pol\u00edtico, como apregoam a Globo e seus consortes. Essa perspectiva n\u00e3o revela que o problema fundamental da sociedade brasileira est\u00e1 relacionado ao modelo econ\u00f4mico existente e ao processo de organiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o. A causa da crise n\u00e3o \u00e9 a falta de gest\u00e3o do capital. A crise \u00e9 estrutural e faz parte da ess\u00eancia do capital. A crise somente pode ser solucionada pela supera\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso combater o car\u00e1ter err\u00e1tico das duas manifesta\u00e7\u00f5es realizadas, sob o qual, \u201cde um lado os governistas chamam um ato contra as medidas de austeridade que atacam os trabalhadores e em defesa do governo que as aplica; de outro, a direita que quer derrubar o governo \u2018esquerdista\u2019, mas aprova tais medidas\u201d (IASI, 2015). A classe trabalhadora deve ganhar as ruas para combater as pol\u00edticas de austeridade aplicadas pelo governo Dilma, contra o fascismo incitado pela Rede Globo e pela defesa de uma sociedade em que os meios de produ\u00e7\u00e3o e os meios de comunica\u00e7\u00e3o sejam dos trabalhadores e n\u00e3o das classes parasit\u00e1rias. Uma frente socialista contra os banqueiros e pelo n\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica. Uma frente pela socializa\u00e7\u00e3o das riquezas existentes na sociedade brasileira e n\u00e3o para salvar o capital da crise. Umagreve geral que seja pela universaliza\u00e7\u00e3o do trabalho e contra o desemprego. Uma greve geral pela eleva\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora e para que a Petrobr\u00e1s e todos meios de produ\u00e7\u00e3o material e de difus\u00e3o das ideias perten\u00e7am aos trabalhadores e n\u00e3o aos capitalistas ou aos gestores-burocratas do capital.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">COLETIVO CATARSE. <i>Conheci o \u00f3dio em minha frente<\/i>. <a href=\"http:\/\/coletivocatarse.com.br\/home\/conheci-o-odio-vivo-em-minha-frente\/\">http:\/\/coletivocatarse.com.br\/home\/conheci-o-odio-vivo-em-minha-frente\/<\/a> Acesso em: 20 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CORREIO BRASILIENSE. <i>N\u00edvel de endividamento faz brasileiro sacar mais de R$ 1 tri da poupan\u00e7a<\/i>. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/economia\/2014\/09\/05\/internas_economia,445660\/nivel-de-endividamento-faz-brasileiro-sacar-mais-de-r-1-tri-da-poupanca.shtml\">http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/economia\/2014\/09\/05\/internas_economia,445660\/nivel-de-endividamento-faz-brasileiro-sacar-mais-de-r-1-tri-da-poupanca.shtml<\/a>. Acesso em: 21 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DELFINO, Daniel. <i>Ucr\u00e2nia: <\/i>golpe apoiado pelo imperialismo e executado por neonazistas. S\u00e3o Paulo: Espa\u00e7o Socialista, 2014. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: (<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2908\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2908<\/a>). Acesso em: 18 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESPA\u00c7O SOCIALISTA. <i>Gr\u00e9cia, Espanha e a luta por uma alternativa socialista<\/i>. Jornal 76. <a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3765\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3765<\/a>. Acesso em: 18 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_________________. <i>Europa: as origens e o perigo do crescimento da direita<\/i>. Jornal 70. <a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3165\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3165<\/a>. Acesso em: 18 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DI\u00c1RIO DE PERNAMBUCO. <i>Fam\u00edlias endividadas devem segurar gastos para 2015<\/i>. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"http:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia\/economia\/2015\/01\/04\/internas_economia,552392\/familias-endividadas-devem-segurar-gastos-para-2015.shtml\">http:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia\/economia\/2015\/01\/04\/internas_economia,552392\/familias-endividadas-devem-segurar-gastos-para-2015.shtml<\/a>. Acesso em: 21 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FOLHA DE S\u00c3O PAULO. <i>Maioria foi as ruas contra corrup\u00e7\u00e3o diz Datafolha.<\/i> Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2015\/03\/1603885-maioria-foi-as-ruas-contra-corrupcao-diz-datafolha.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2015\/03\/1603885-maioria-foi-as-ruas-contra-corrupcao-diz-datafolha.shtml<\/a>. Acesso em: 18 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IASI, Mauro. <i>A adaga dos covardes, ou, O limite da imbecilidade direitista<\/i>. <a href=\"http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2015\/03\/17\/a-adaga-dos-covardes-ou-o-limite-da-imbecilidade-direitista\/\">http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2015\/03\/17\/a-adaga-dos-covardes-ou-o-limite-da-imbecilidade-direitista\/<\/a>. Acesso em: 18 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INFOMONEY. <i>Infla\u00e7\u00e3o vai a 7,5 em 2015 e PIB recuar\u00e1 0,83% diz economista da Anbima<\/i>. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"http:\/\/www.infomoney.com.br\/mercados\/noticia\/3896305\/inflacao-vai-2015-pib-recuara-diz-economista-anbima\">http:\/\/www.infomoney.com.br\/mercados\/noticia\/3896305\/inflacao-vai-2015-pib-recuara-diz-economista-anbima<\/a>. Acesso em: 20 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEMOS, Marcos. <i>Quem financia campanha do impeachment e protesto de caminhoneiros?<\/i> Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"http:\/\/lemosideias.com\/quem-financia-campanha-do-impeachment-e-protesto-de-caminhoneiros\/\">http:\/\/lemosideias.com\/quem-financia-campanha-do-impeachment-e-protesto-de-caminhoneiros\/<\/a> Acesso em: 19 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MACHADO, Rosana Pinheiro. <i>O Reich tropical: a onda fascista no Brasil. Carta Capital, 2014<\/i>. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/o-reich-tropical-a-onda-fascista-no-brasil-2883.html\">http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/o-reich-tropical-a-onda-fascista-no-brasil-2883.html<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MPORTAL. <i>MP abre inqu\u00e9rito contra l\u00edder dos revoltados <\/i>online<i> por preconceito contra nordestinos<\/i>. <a href=\"http:\/\/www.portalmetropole.com\/2015\/03\/mp-abre-inquerito-contra-lider-do.html\">http:\/\/www.portalmetropole.com\/2015\/03\/mp-abre-inquerito-contra-lider-do.html<\/a>. Acesso em: 19 de abril de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REVISTA ECONOMIA BRASILEIRA. <i>Edi\u00e7\u00e3o especial de informe conjuntural.<\/i> Azembro de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SISTEMA FIEGRS.\u00a0<i>Balan\u00e7o 2014 e perspectivas da economia 2015.<\/i>\u00a0Unidade de Estudos Econ\u00f4micos. Dezembro de 2014.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fiergs.org.br\/sites\/default\/files\/Balan%C3%A7o_2014_Completo.pdf\">http:\/\/www.fiergs.org.br\/sites\/default\/files\/Balan%C3%A7o_2014_Completo.pdf<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REVISTA DO FACTORING.\u00a0<i>Juros em alta e custo sob controle engordam lucro de bancos em 2014.<\/i>\u00a0Endere\u00e7o eletr\u00f4nico:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistadofactoring.com\/noticias-da-semana\/juros-em-alta-e-custos-sob-controle-engordam-lucro-de-bancos-em-2014\">http:\/\/www.revistadofactoring.com\/noticias-da-semana\/juros-em-alta-e-custos-sob-controle-engordam-lucro-de-bancos-em-2014<\/a>. Acesso em: 20 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JORNAL ESTAD\u00c3O.\u00a0<i>OCDE piora perspectiva para o Brasil e agora projeta queda do PIB de 0,5 em 2015<\/i>. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico:\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,ocde-piora-perspectiva-para-o-brasil-e-agora-projeta-queda-do-pib-de-0-5-em-2015,1653168\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,ocde-piora-perspectiva-para-o-brasil-e-agora-projeta-queda-do-pib-de-0-5-em-2015,1653168<\/a>\u00a0Acesso em: 20 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UNITEC CONTABIL.\u00a0<i>Brasil n\u00e3o escapar\u00e1 de crise global em 2015, diz tese pol\u00eamica<\/i>. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: http:\/\/site.uniteccontabil.com.br\/arquivonoticias\/19-economico\/253-brasil-nao-escapara-de-crise-global-em-2015-diz-tese-polemica. Acesso em: 20 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOS For\u00e7as Armadas: (<a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/sosffaa\/posts\/1571132603133490:0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt-br.facebook.com\/sosffaa\/posts\/1571132603133490:0<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JORNAL ESTAD\u00c3O.\u00a0<i>Montadoras t\u00eam recorde de demiss\u00f5es volunt\u00e1rias e f\u00e9rias coletivas<\/i>\u00a0em 2014. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico:\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/negocios,montadoras-tem-recorde-de-demissoes-voluntarias-e-ferias-coletivas-em-2014,1600341\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/negocios,montadoras-tem-recorde-de-demissoes-voluntarias-e-ferias-coletivas-em-2014,1600341<\/a>. Acesso em: 20 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CCSE \u2013CENTRO DE COMUNICA\u00c7\u00c3O SOCIAL DO EX\u00c9RCITO.\u00a0<i>Sentinela da not\u00edcia: resenha di\u00e1ria de fevereiro de 2015.<\/i>\u00a0http:\/\/www.eb.mil.br\/documents\/18107\/6096051\/resenha+08+Fev+15.pdf\/39a4f01c-ad41-40c3-8f7f-c73057d71631). Acesso em: 21 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIOMUNDO.<i>\u00a0Irm\u00e3os Koch, magnatas do petr\u00f3leo e financiadores da extrema-direita nos EUA, inspiram os \u201cmeninos do golpe\u201d no Brasil.<\/i>\u00a0Endere\u00e7o eletr\u00f4nico:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.viomundo.com.br\/denuncias\/irmaos-koch-magnatas-do-petroleo-e-financiadores-da-extrema-direita-nos-eua-ajudam-a-bancar-os-meninos-do-golpe-no-brasil.html\">http:\/\/www.viomundo.com.br\/denuncias\/irmaos-koch-magnatas-do-petroleo-e-financiadores-da-extrema-direita-nos-eua-ajudam-a-bancar-os-meninos-do-golpe-no-brasil.html<\/a>\u00a0Acesso em: 14 de mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIVAS Ag\u00fcero, Pedro Hubertus.\u00a0<i>Progn\u00f3stico econ\u00f4mico do Brasil\u2013 2014-2015<\/i>. Observatorio de la Econom\u00eda Latinoamericana, N\u00famero 201, 2014. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eumed.net\/cursecon\/ecolat\/br\/14\/prognostico-economico.html\">http:\/\/www.eumed.net\/cursecon\/ecolat\/br\/14\/prognostico-economico.html<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0O Pasok (Movimento socialista pan-hel\u00eanico) foi \u201cFundado em 1974 a partir da jun\u00e7\u00e3o dos grupos de resist\u00eancia que derrubaram a ditadura militar, cujo programa era a luta pela \u2018Independ\u00eancia Nacional, Soberania Popular, Liberta\u00e7\u00e3o Social e Estruturas Democr\u00e1ticas\u2019. Aos poucos tornou seu programa flex\u00edvel, at\u00e9 que nos anos 1990 apoiou a entrada da Gr\u00e9cia na Uni\u00e3o Europeia, e em 2001 na zona do euro, cumprindo todas as obriga\u00e7\u00f5es financeiras assumidas com os bancos e os principais pa\u00edses da regi\u00e3o (Fran\u00e7a e Alemanha, principalmente). Esse papel de coautor na aplica\u00e7\u00e3o das medidas de austeridade fez com que perdesse o apoio popular. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2009 obteve 43% dos votos, e agora em janeiro de 2015, menos de 5%. Em 1981 chegou a ter 48% dos votos. A crise dentro do Pasok \u00e9 t\u00e3o grande que a poucos dias das elei\u00e7\u00f5es de janeiro desse ano um setor importante fundou \u2018um novo Pasok, com o nome de Movimento de Democratas Socialistas, liderados por Giorgos Papandreou, obtendo menos de 3% dos votos\u201d (ESPA\u00c7O SOCIALISTA, Jornal 76, p. 11).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0Acerca do processo de constitui\u00e7\u00e3o do Syriza na Gr\u00e9cia. essa organiza\u00e7\u00e3o se constitui como uma frente que \u201cRe\u00fane treze grupos e partidos maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas, social-democratas e populistas de esquerda. Conhecido como esquerda radical, suas propostas n\u00e3o t\u00eam car\u00e1ter de ruptura com o capital. Com um programa centrado na discuss\u00e3o da quest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e contra os programas de austeridade da Troyka, come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a exatamente quando o descontrole da d\u00edvida e a press\u00e3o das medidas econ\u00f4micas sobre a Gr\u00e9cia levaram a uma s\u00e9rie de cortes de direitos trabalhistas, demiss\u00f5es, pobreza etc. J\u00e1 em 2012 foi a segunda for\u00e7a eleitoral, com 27% dos votos. Liderado por Alexis Tsipras, nas elei\u00e7\u00f5es de janeiro desse ano obteve 37% dos votos, com o b\u00f4nus de 50 cadeiras no parlamento. O partido mais votado alcan\u00e7ou 149 cadeiras de um total de 300\u201d (ESPA\u00c7O SOCIALISTA, Jornal 76, p. 12).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0Segundo Delfino (2014, p. 1), \u201cA Ucr\u00e2nia foi v\u00edtima de um golpe de Estado, apoiado pelo imperialismo europeu e estadunidense, e executado por mil\u00edcias neonazistas. O golpe foi desencadeado pela decis\u00e3o do ent\u00e3o presidente Viktor Yanukovich, em novembro de 2013, de n\u00e3o assinar um tratado que estava em discuss\u00e3o e assim suspender o processo que estava em curso de integra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE) e voltar a priorizar a rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia. A partir dessa decis\u00e3o, uma onda de protestos de massa varreu o pa\u00eds, em especial a capital, Kiev, com a presen\u00e7a marcante de grupos neonazistas organizados contra a decis\u00e3o do presidente e favor\u00e1veis \u00e0 integra\u00e7\u00e3o \u00e0 UE. Os protestos persistiram com tal intensidade, com a ocupa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios p\u00fablicos e a constru\u00e7\u00e3o de barricadas, que o presidente foi obrigado a deixar o pa\u00eds. Na sequ\u00eancia de sua retirada, forma-se um novo governo, que reativa a Constitui\u00e7\u00e3o de 2004 e marca elei\u00e7\u00f5es para maio deste ano. Apesar de o golpe ser conduzido por mil\u00edcias neonazistas, n\u00e3o houve mudan\u00e7a de regime nem instala\u00e7\u00e3o de uma ditadura fascista, pois a Constitui\u00e7\u00e3o de 2004 formalmente segue a democracia burguesa\u00a0 (isso pode mudar caso a situa\u00e7\u00e3o se encaminhe para um confronto militar com a R\u00fassia pela posse de regi\u00f5es de maioria russa na parte oeste do pa\u00eds, o que permitiria ao governo impor medidas como estado de s\u00edtio, etc.). Mas, apesar da manuten\u00e7\u00e3o formal da democracia burguesa, o sentido pol\u00edtico geral dos acontecimentos favorece o imperialismo, vinculando o pa\u00eds \u00e0 UE e aos Estados Unidos e dando poder a pol\u00edticos liberais, como o ex-boxeador Vitali Klitschko, com uma mentalidade pr\u00f3-Ocidente, ou seja, pr\u00f3-capitalismo. Um tratado com o FMI foi assinado, vinculando o pa\u00eds \u00e0s mesmas pol\u00edticas de \u201causteridade\u201d, eufemismo para devasta\u00e7\u00e3o social, que vitimam a periferia europeia [&#8230;]. A anexa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela UE \u00e9 mais uma onda de choque da queda da URSS, o \u00faltimo efeito retardado da queda do regime burocr\u00e1tico, depois de mais de duas d\u00e9cadas do seu desmoronamento. Como um efeito retardado daquele processo, a crise na Ucr\u00e2nia traz de volta o problema das alternativas societ\u00e1rias, j\u00e1 que a ideologia que moveu o golpe \u00e9 a defesa do livre mercado capitalista, no qual as massas ucranianas depositam suas esperan\u00e7as. Em contrapartida, a alternativa que se apresenta contra o golpe \u00e9 o nacionalismo russo, que \u00e9 mais uma vers\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo. Ou seja, n\u00e3o representa alternativa alguma. Essa alternativa ter\u00e1 de ser reconstru\u00edda, na Ucr\u00e2nia e em qualquer pa\u00eds do mundo, com base na organiza\u00e7\u00e3o e na luta dos trabalhadores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Daniel\/Downloads\/artigo_ascen_direita.docx#_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0Juarez Negr\u00e3o: \u201cOs dados estat\u00edsticos afirmam que um negro brasileiro quando sai de casa tem 150% de chances a mais de sofrer algum tipo de viol\u00eancia. Atualmente no Rio Grande do Sul esse \u00edndice aumenta ainda mais, basta usar uma camisa vermelha com a estampa de Che Guevara. Fui insultado com ofensas racistas, amea\u00e7as de morte e conheci o \u00f3dio vivo em minha frente. Ao que parece, as serpentes sa\u00edram do ninho e querem sangue. Minha sensa\u00e7\u00e3o foi como se estivesse prestes a ser enforcado em pra\u00e7a p\u00fablica aos moldes da KKK. \u00c9 esse tipo de gente que pede o\u00a0<i>impeachment\u00a0<\/i>da presidenta eleita. N\u00e3o passar\u00e3o!\u201d (COLETIVO CATARSE, 2015, p. 1).\u00a0no 30, N. 4, De<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o Parece que nenhum economista da burguesia seria capaz na atualidade de negar que a economia mundial enfrenta uma<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73,21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3827"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3827"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5951,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3827\/revisions\/5951"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}