{"id":3830,"date":"2015-03-31T08:55:41","date_gmt":"2015-03-31T11:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3830"},"modified":"2015-03-31T08:55:41","modified_gmt":"2015-03-31T11:55:41","slug":"o-pt-colhe-o-que-plantou-as-ervas-daninhas-do-conservadorismo-e-deve-ser-extirpado-junto-com-elas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/03\/o-pt-colhe-o-que-plantou-as-ervas-daninhas-do-conservadorismo-e-deve-ser-extirpado-junto-com-elas\/","title":{"rendered":"O PT colhe o que plantou, as ervas daninhas do conservadorismo, e deve ser extirpado junto com elas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 em curso um crescimento das ideias reacion\u00e1rias no pa\u00eds, cuja maior express\u00e3o s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es pelo impeachment de Dilma, que por enquanto envolvem majoritariamente a pequena burguesia. Mas essa onda n\u00e3o se limita ao movimento pelo impeachment, e compreende tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos que v\u00eam se manifestando j\u00e1 faz algum tempo e v\u00eam ganhando peso, como a defesa da interven\u00e7\u00e3o militar, ou de uma interven\u00e7\u00e3o estadunidense, o \u00f3dio aos pobres e nordestinos, o ressentimento contra os recebedores de bolsa fam\u00edlia, o separatismo das regi\u00f5es ricas, a defesa da pena de morte, da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, o \u201chumor politicamente incorreto\u201d, as agress\u00f5es aos LGBTs, o ass\u00e9dio sexual no transporte p\u00fablico, o crescimento de seitas religiosas fundamentalistas, etc.<br \/>\nA rigor, n\u00e3o h\u00e1 muita novidade na exist\u00eancia de tais fen\u00f4menos. Afinal, como disseram Marx e Engels, \u201cas ideias dominantes s\u00e3o as ideias da classe dominante\u201d. A burguesia precisa permanentemente elaborar ideias e projetos para garantir a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade. Para isso conta com um numeroso e bem pago ex\u00e9rcito de mercen\u00e1rios intelectuais que exercem as fun\u00e7\u00f5es de acad\u00eamicos, jornalistas, roteiristas de TV, l\u00edderes religiosos, etc. Nisso tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 novidade. O que pode variar com o momento hist\u00f3rico, e se apresentar como caracter\u00edstica num determinado momento, \u00e9 o grau de penetra\u00e7\u00e3o das ideias mais radicais de direita, o aumento do seu alcance e audi\u00eancia, que \u00e9 o que vivenciamos na atual situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO que queremos comentar aqui \u00e9 a aus\u00eancia de uma contraposi\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores, que n\u00e3o desenvolvem um conjunto alternativo de ideias e projetos que se oponham \u00e0queles que emanam da classe dominante. Por mais que haja inclusive um aumento do n\u00famero de lutas dos trabalhadores, elas n\u00e3o convergem para um movimento pol\u00edtico da classe. E n\u00e3o h\u00e1 como analisar isso sem estabelecer a responsabilidade das organiza\u00e7\u00f5es que assumem a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores. E no caso do Brasil, esse papel vem sendo ocupado h\u00e1 d\u00e9cadas pelo PT.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A trajet\u00f3ria do PT<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssa onda conservadora que est\u00e1 vindo \u00e0 tona \u00e9 o resultado de 12 anos de governo do PT no Brasil, e indo mais longe, de mais de 30 anos de controle da Articula\u00e7\u00e3o, como corrente do PT e da CUT, sobre os principais organismos de luta dos trabalhadores. O projeto da Articula\u00e7\u00e3o, que venceu as disputas internas e se imp\u00f4s como o projeto do conjunto do PT (e, por extens\u00e3o, da CUT e demais organismos dos movimentos sociais), sempre foi o de conseguir reformas e melhorias no interior do capitalismo. Num primeiro momento de aplica\u00e7\u00e3o desse projeto, na d\u00e9cada de 1980, ainda se fazia refer\u00eancias vagas a um processo de transi\u00e7\u00e3o rumo ao socialismo. As lutas econ\u00f4micas\/sindicais e as lutas sociais em geral eram tratadas como passos cumulativos na dire\u00e7\u00e3o desse socialismo nunca muito bem definido.<br \/>\nCom o tempo, o partido passou a impulsionar cada vez menos as lutas e desviar cada mais as for\u00e7as militantes para a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os no interior do Estado burgu\u00eas, atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es de prefeitos, deputados, etc. As expectativas eram dirigidas para a promessa de que todas as reformas desejadas seriam alcan\u00e7adas quando o partido chegasse \u00e0 presid\u00eancia. Nesse meio tempo entre a cria\u00e7\u00e3o do partido e a chegada ao poder, nos anos de 1989-91, aconteceu a queda do Muro de Berlim, da URSS e dos pa\u00edses ditos &#8220;socialistas&#8221;.<br \/>\nEsses acontecimentos, de import\u00e2ncia hist\u00f3rica transcendente, serviram de base para uma massiva ofensiva ideol\u00f3gica, que decretou mundialmente a derrota do socialismo e a vit\u00f3ria &#8220;definitiva&#8221; do capitalismo, apregoando as ideias de &#8220;fim da hist\u00f3ria&#8221;, &#8220;fim das ideologias&#8221;, &#8220;fim das narrativas&#8221;, &#8220;fim das utopias&#8221;, &#8220;fim do sujeito&#8221;, \u201cfim do proletariado\u201d, \u201cfim do marxismo\u201d, etc. Paralelamente a isso, desenvolveu-se tamb\u00e9m uma ofensiva pol\u00edtica e econ\u00f4mica contra as conquistas dos trabalhadores, tendo como eixos as medidas neoliberais: privatiza\u00e7\u00f5es, desregulamenta\u00e7\u00f5es, abertura comercial, reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, precariza\u00e7\u00e3o, etc. Essa ofensiva serviu de pretexto para que o socialismo, ainda que da maneira vaga e pouco definida como era expresso, fosse removido do programa e do discurso do PT.<br \/>\nNum segundo momento, depois dessa transforma\u00e7\u00e3o em escala mundial, quando finalmente chega \u00e0 presid\u00eancia, o PT j\u00e1 tinha abandonado quaisquer pretens\u00f5es de uma transforma\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, e j\u00e1 buscava se apresentar como o gestor mais habilitado do capitalismo no Brasil. Desse modo, repetia a trajet\u00f3ria dos demais partidos socialdemocratas e stalinistas pelo mundo, convertidos \u00e0 ideia de \u201chumanizar\u201d o capitalismo. Isso \u00e9 imposs\u00edvel, mas segue sendo o horizonte de todos os reformistas, desde o SPD alem\u00e3o de 100 anos atr\u00e1s at\u00e9 o Syriza ou o Podemos<br \/>\nhoje.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Os limites do capitalismo perif\u00e9rico<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor algum tempo, em meados do governo Lula, o projeto de uma gest\u00e3o capitalista que agradasse a todas as classes sociais parecia estar dando certo. Todos os setores da burguesia nacional e internacional operando no Brasil estavam obtendo grandes lucros, e ao mesmo tempo, sobravam migalhas para ampliar medidas assistenciais e outras pol\u00edticas sociais que traziam min\u00fasculas melhorias para os setores mais miser\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o. Esses t\u00edmidos avan\u00e7os, que de resto n\u00e3o alteraram a desigualdade social no pa\u00eds, pois proporcionalmente a burguesia seguiu sempre abocanhando a maior fatia, s\u00e3o amplamente explorados pela propaganda petista como se fossem uma &#8220;grande transforma\u00e7\u00e3o\u201d, que justifica a defesa do governo \u201cde esquerda\u201d ou \u201cprogressista\u201d.<br \/>\nEsse momento em que tudo parecia estar funcionando durou enquanto persistiram as condi\u00e7\u00f5es internacionais favor\u00e1veis do ciclo econ\u00f4mico anterior do capitalismo mundial, em que houve uma alta nos pre\u00e7os das mat\u00e9rias primas. Esse ciclo favoreceu n\u00e3o apenas o Brasil (cujas exporta\u00e7\u00f5es de min\u00e9rio e gr\u00e3os se tornaram a principal fonte de crescimento da economia), mas tamb\u00e9m v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, exportadores de petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e tamb\u00e9m min\u00e9rios, gr\u00e3os, etc. Esse ciclo econ\u00f4mico permitiu que v\u00e1rios governos (que tamb\u00e9m se diziam \u201cde esquerda\u201d, \u201cprogressistas\u201d ou at\u00e9 \u201csocialistas do s\u00e9culo XXI\u201d) fizessem uma pequena guinada em dire\u00e7\u00e3o a mais gastos sociais, sem amea\u00e7ar os lucros da burguesia nacional e imperialista. Esse &#8220;nacionalismo de commodities&#8221; progrediu at\u00e9 a crise mundial de 2008, que come\u00e7ou a estreitar as margens de manobra de tais governos.<br \/>\nNo Brasil, ap\u00f3s a crise de 2008, Lula conseguiu contornar a crise, manter a economia funcionando e eleger sua sucessora, atrav\u00e9s de uma pol\u00edtica de incentivo ao consumo, via endividamento das fam\u00edlias, das empresas e dos governos, incentivos fiscais, empr\u00e9stimos subsidiados, obras p\u00fablicas em favor das grandes empresas, megaeventos esportivos, etc. Entretanto, ao longo do terceiro mandato do PT, o primeiro de Dilma, essas pol\u00edticas foram chegando ao seu limite e perdendo seu efeito sobre a economia. A desacelera\u00e7\u00e3o da economia (impactada tamb\u00e9m pela redu\u00e7\u00e3o da demanda e dos pre\u00e7os das commodities no mercado mundial), a volta da infla\u00e7\u00e3o, o aumento da explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, a degrada\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a revolta com a corrup\u00e7\u00e3o; todos esses elementos combinados levaram a um aumento do descontentamento, expresso nas jornadas de junho de 2013, e numa elei\u00e7\u00e3o presidencial muito apertada em 2014.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O PT acreditou na pr\u00f3pria mentira<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO fundamental em todo esse processo \u00e9 que o PT acreditou na possibilidade de uma gest\u00e3o bem sucedida do capitalismo perif\u00e9rico brasileiro, que lhe permitisse garantir os lucros da burguesia e as medidas assistenciais para os mais pobres indefinidamente, e isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. O ciclo de crescimento mundial anterior se encerrou em 2008, e o ciclo atual apresentou tantas contradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foi capaz de impulsionar o crescimento do pa\u00eds. E mesmo assim, sem atingir os mesmos patamares anteriores, o atual ciclo na verdade j\u00e1 se encontra tamb\u00e9m pr\u00f3ximo do seu fim e de uma nova crise mundial.<br \/>\nDe resto, \u00e9 preciso assinalar tamb\u00e9m que, no contexto de uma crise estrutural do capital que atravessamos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as crises peri\u00f3dicas do capitalismo tendem a ser mais violentas, e os per\u00edodos de crescimento tendem a ser mais problem\u00e1ticos e limitados, como estamos verificando no atual ciclo.<br \/>\nPara al\u00e9m dos fen\u00f4menos c\u00edclicos da economia capitalista mundial, existem limites do capitalismo perif\u00e9rico brasileiro (limites hist\u00f3ricos que se acentuam num momento de crise estrutural), que restringem as margens de manobra de qualquer governo burgu\u00eas, como o do PT. Nas condi\u00e7\u00f5es do capitalismo imperialista e mundializado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel para nenhum pa\u00eds perif\u00e9rico alcan\u00e7ar algum desenvolvimento econ\u00f4mico sem medidas de ruptura, tais como: n\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, estatiza\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos (petr\u00f3leo, energia, min\u00e9rios, telecomunica\u00e7\u00f5es, alta tecnologia, biodiversidade, \u00e1gua, alimentos, etc.), controle do com\u00e9rcio exterior, etc. O PT jamais tomaria essas medidas, pois optou por ser um partido pr\u00f3 capitalista e a servi\u00e7o dos interesses da burguesia.<br \/>\nAo ser um partido capitalista, o PT ficou ref\u00e9m das flutua\u00e7\u00f5es e crises caracter\u00edsticas desse modo de produ\u00e7\u00e3o. A ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ao partido, a popularidade dos seus dirigentes, seu apelo eleitoral, flutuaram ao sabor das idas e vindas do capitalismo e sua economia, pois o PT n\u00e3o desenvolveu uma \u00e2ncora ou alicerce que lhe permitisse navegar nas instabilidades dos diferentes momentos hist\u00f3ricos. O PT deixou de ter, ou na verdade nunca desenvolveu, um projeto politico bem definido a oferecer aos trabalhadores. Suas promessas ficavam em torno de generalidades sem nenhum conte\u00fado concreto, como &#8220;governo democr\u00e1tico popular&#8221;, defesa da &#8220;justi\u00e7a social&#8221; ou da &#8220;\u00e9tica na pol\u00edtica&#8221;, etc., ou pior, simplesmente &#8220;Lula l\u00e1&#8221;, mas nada disso vinha embalado num &#8220;pacote&#8221; unificado.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O vazio do discurso petista e a despolitiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO PT n\u00e3o tinha um &#8220;slogan&#8221;, uma palavra de ordem unificadora, um discurso, uma utopia, uma ideologia a defender, como o chavismo da Venezuela, que tinha sua \u201crevolu\u00e7\u00e3o bolivariana\u201d e seu \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d (que n\u00e3o era socialista, era puro vazio, mas que todos discutiam e alguns defendiam, e defendem). O PT n\u00e3o elaborou uma narrativa estruturada para orientar sua rela\u00e7\u00e3o com os trabalhadores e disputar sua consci\u00eancia. Ao inv\u00e9s disso, acreditou e apostou na continuidade do crescimento econ\u00f4mico, atrav\u00e9s do modelo do nacionalismo de commodities e depois do crescimento via incentivos. Acreditou que essa prosperidade iria durar para sempre e os trabalhadores lhe seriam gratos para sempre e permaneceriam como eleitores fi\u00e9is do partido.<br \/>\nO resultado \u00e9 que, enquanto esse modelo parecia estar funcionando, os trabalhadores desenvolveram uma consci\u00eancia adequada a essa realidade, pautada no consumismo, no individualismo e na meritocracia. A exist\u00eancia determina a consci\u00eancia, conforme j\u00e1 ensinaram os cl\u00e1ssicos do marxismo. A&#8221;nova classe C&#8221; gestada nos governos do PT, os trabalhadores que tiveram acesso ao consumo (por meio do cr\u00e9dito, sem crescimento real da renda), desenvolveu um modo de pensar caracter\u00edstico, em que o seu &#8220;sucesso&#8221; material \u00e9 explicado pelas suas capacidades e esfor\u00e7o individual, n\u00e3o por processos hist\u00f3ricos e coletivos.<br \/>\nPara que a classe trabalhadora pudesse desenvolver uma outra perspectiva e vis\u00e3o de mundo, seria preciso que fosse educada em um outro projeto pol\u00edtico, pautado em outra perspectiva de classe. A perspectiva dos trabalhadores s\u00f3 pode ser a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, n\u00e3o a sua gest\u00e3o ou aperfei\u00e7oamento. Na aus\u00eancia de uma perspectiva de supera\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia naturalmente retrocede aos limites da sociedade e das rela\u00e7\u00f5es existentes. O debate pol\u00edtico, ao inv\u00e9s de ser travado como debate ideol\u00f3gico em torno de alternativas societais e de classe, se diluiu em debate sobre a gest\u00e3o do Estado. Ou pior, em torno de qual partido \u00e9 o mais ou menos corrupto.<br \/>\nNa falta de um debate pol\u00edtico sobre projeto de sociedade, o horizonte dos trabalhadores ficou limitado \u00e0s melhorias materiais imediatas. Os trabalhadores passaram a acreditar que, se estavam \u201cchegando l\u00e1\u201d, ou seja, comprando casas do Minha Casa Minha Vida, ou comprando carros com IPI reduzido, ou entrando na faculdade via Prouni, era por seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos, e n\u00e3o por uma virtude do governo de plant\u00e3o. E quando o modelo deixou de funcionar, e fez com que as dificuldades para manter essas \u201cconquistas\u201d come\u00e7assem a aparecer para cada indiv\u00edduo (aumento da explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, combinada com aumento da infla\u00e7\u00e3o e precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos), foi preciso encontrar um culpado. E esse culpado n\u00e3o seria outro sen\u00e3o o PT e os \u201cvagabundos\u201d que vivem \u201c\u00e0s custas do trabalho alheio\u201d, ou seja, da bolsa fam\u00edlia.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A ideologia da prosperidade e a psicologia de massas do fascismo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs trabalhadores das categorias mais organizadas e a pequena burguesia desenvolveram um ressentimento contra os mais pobres, conforme iam sendo convencidos que a riqueza que escapava dos seus dedos ia sustentar de um lado os \u201cvagabundos\u201d recebedores de bolsa fam\u00edlia e de outro lado os corruptos do PT. Nunca tiveram a capacidade de olhar um pouco mais acima e perceber que o grosso da riqueza produzida no pa\u00eds estava sendo desviado para a alta burguesia, os bancos, o agroneg\u00f3cio, as empreiteiras, as montadoras e grandes empresas transnacionais, esses sim os maiores beneficiados pelos governos do PT.<br \/>\nCriou-se uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal em que as classes m\u00e9dias, que envolvem a pequena burguesia, pequenos empres\u00e1rios, pequenos comerciantes, pequenos propriet\u00e1rios, profissionais liberais, aut\u00f4nomos, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, gestores e assalariados de alta renda, colocou-se \u00e0 direita da alta burguesia, defendendo o impeachment e at\u00e9 mesmo o golpe contra um governo que favorece sobremaneira os lucros dos capitalistas. Na esteira das ideias golpistas, floresce tamb\u00e9m todo o besti\u00e1rio da ultradireita, os discursos de \u00f3dio contra negros, nordestinos e LGBTs, as agress\u00f5es, etc. Da mesma forma, converge para esse caldo o fundamentalismo religioso das seitas neopentecostais, caracteristicamente as mais corruptas e ao mesmo tempo as mais agressivas na defesa de valores machistas e LGBTf\u00f3bicos.<br \/>\nReich j\u00e1 estabeleceu no cl\u00e1ssico &#8220;Psicologia de Massas do Fascismo&#8221; a forma como as ideias politicas fascistas, fundamentadas em perspectivas de classe, se enra\u00edzam e germinam no solo f\u00e9rtil das subjetividades adubadas por ressentimento e frustra\u00e7\u00e3o. O impulso vital b\u00e1sico dos indiv\u00edduos, que para Reich, \u00e9 de natureza sexual, desviado para o consumismo pela publicidade e outros est\u00edmulos onipresentes, projeta a sua satisfa\u00e7\u00e3o na aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias e conforto material. Quando a economia entra em decad\u00eancia e essa aquisi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se realiza, a frustra\u00e7\u00e3o se transforma em \u00f3dio irracional.<br \/>\nO fascismo explora esse \u00f3dio latente e desenvolve explica\u00e7\u00f5es simplistas e irracionais para os problemas, fornecendo um inimigo (o PT e os pobres, em seus diversos subgrupos) e a solu\u00e7\u00e3o providencial, uma figura (paterna) investida de plenos poderes e autoridade ilimitada, um f\u00fchrer ou ditador, que ir\u00e1 destruir os inimigos de forma r\u00e1pida e fulminante. Alguns ingredientes dessa receita est\u00e3o presentes no Brasil hoje, e merecem a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Reconstruir um projeto socialista dos trabalhadores<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMas o descontentamento atual n\u00e3o se limita a esses setores m\u00e9dios e direitizados. A classe trabalhadora como um todo, envolvendo tamb\u00e9m os setores mais explorados e mais precarizados, a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 suportando o esgotamento do modelo econ\u00f4mico petista e est\u00e1 sendo chamada a pagar a conta do ajuste. Muitos setores est\u00e3o se colocando em luta. As greves, manifesta\u00e7\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es v\u00eam crescendo ano ap\u00f3s ano desde 2012. Esse ac\u00famulo crescente de movimentos e de lutas, entretanto, ainda n\u00e3o deu um salto de qualidade. E para isso, faz falta um elemento decisivo, a consci\u00eancia, o programa e a organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDissemos acima que o PT ofereceu aos trabalhadores um projeto reformista, que depois se acomodou a uma proposta de gest\u00e3o do capitalismo, e finalmente, se limitou a uma promessa de prosperidade material, n\u00e3o tendo sequer a compet\u00eancia de embalar esse seu projeto em algum tipo de discurso ideol\u00f3gico. Esse projeto se esgotou ao esbarrar nos limites do momento hist\u00f3rico do capitalismo brasileiro e mundial. Est\u00e1 mais do que na hora de construir um outro projeto para os trabalhadores. E esse projeto tem que ter como ponto de partida a supera\u00e7\u00e3o de todos os erros do PT. O projeto dos trabalhadores n\u00e3o pode ser jamais a conviv\u00eancia ou aperfei\u00e7oamento do capitalismo. Muito pelo contr\u00e1rio, deve ser a supera\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o desse modo de produ\u00e7\u00e3o, e a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo socialismo.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que dizia a ofensiva ideol\u00f3gica da burguesia \u201ctriunfante\u201d dos anos 1990 e seus mercen\u00e1rios intelectuais p\u00f3s modernos, a hist\u00f3ria n\u00e3o acabou, nem muito menos o socialismo, o marxismo e a revolu\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria da humanidade continua sendo a hist\u00f3ria da luta de classes. As duas classes fundamentais continuam sendo a burguesia e o proletariado (a pequena burguesia, maioria dos que estiveram nas ruas em 15 de mar\u00e7o, n\u00e3o tem projeto social pr\u00f3prio). O projeto da burguesia \u00e9 a continuidade do capitalismo, e conseq\u00fcentemente, qualquer projeto que n\u00e3o envolva a aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo favorece unicamente uma classe social, a burguesia. O projeto dos trabalhadores, como classe para si, s\u00f3 pode ser a aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1ria uma ruptura radical<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo s\u00f3 pode se dar pela via da revolu\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o das reformas graduais), do fim da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, da destrui\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina do Estado e suas institui\u00e7\u00f5es (e n\u00e3o do seu aperfei\u00e7oamento, por meio da \u201creforma pol\u00edtica\u201d, da \u201c\u00e9tica na pol\u00edtica\u201d, e outras bobagens). As lutas da classe trabalhadora devem convergir para esse projeto. Tudo aquilo que o PT n\u00e3o fez, a constru\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia rumo ao socialismo, deve ser posto em pr\u00e1tica, e o ponto de partida para isso passa necessariamente pelo combate ao governo do PT. O PT \u00e9 o respons\u00e1vel indireto pela dissemina\u00e7\u00e3o das ideias reacion\u00e1rias, e para combat\u00ea-las, n\u00e3o se pode jamais repetir o PT.<br \/>\n\u00c9 preciso organizar os trabalhadores para lutar por suas demandas imediatas. Mas essas lutas v\u00e3o se chocar com elementos cada vez mais centrais do capitalismo brasileiro. A d\u00edvida p\u00fablica (cerca de 40% do or\u00e7amento da uni\u00e3o), a estrutura fundi\u00e1ria, o sistema tribut\u00e1rio regressivo, a infla\u00e7\u00e3o, o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, etc., todos esses elementos constitutivos dessa forma de capitalismo perif\u00e9rico devem ser combatidos. A ordem e a hierarquia das bandeiras de luta, quais as mais centrais para cada momento, pertencem ao terreno da t\u00e1tica, que deve ser ajustada permanentemente. Mas o que n\u00e3o se pode perder de vista \u00e9 a estrat\u00e9gia, que deve buscar a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<br \/>\n\u00c9 preciso colocar novamente em pauta, e no discurso do dia a dia, as ideias de luta de classes, solidariedade de classe, poder dos trabalhadores, fim da propriedade privada, fim do Estado, revolu\u00e7\u00e3o, socialismo. \u00c9 preciso insistir nessas ideias contra o bombardeio cotidiano das ideias reformistas de continuidade ou melhorias no capitalismo, e contra as ideias reacion\u00e1rias da ultra direita, que levam ao aprofundamento da barb\u00e1rie capitalista. Essa disputa ideol\u00f3gica tem que ser feita em todos os espa\u00e7os e organismos de luta, pois n\u00e3o se trata de uma simples disputa por ideias, de uma quest\u00e3o de convencimento pela palavra ou pela prega\u00e7\u00e3o, mas sim de uma disputa pol\u00edtica, que envolve uma totalidade te\u00f3rica e pr\u00e1tica. O convencimento se d\u00e1 pela via da experi\u00eancia material, raz\u00e3o pela qual \u00e9 preciso intervir em todos os processos de luta e disput\u00e1-los para uma ruptura anticapitalista e socialista.<br \/>\nA constru\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia para a revolu\u00e7\u00e3o socialista no Brasil passa tamb\u00e9m pelo balan\u00e7o das tend\u00eancias que tentaram se construir por fora do PT. Afinal, se o Partido dos Trabalhadores adotou uma estrat\u00e9gia de conviv\u00eancia e administra\u00e7\u00e3o do capitalismo, a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o caberia \u00e0s correntes que romperam\/se afastaram do PT, como PSOL, PSTU, PCB (o outro partido legalizado, o PCO, sempre teve como maior preocupa\u00e7\u00e3o o combate ao restante da esquerda, funcionando na pr\u00e1tica como um auxiliar do PT) e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es menores. A oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao PT tinha a tarefa de resgatar o projeto pol\u00edtico dos trabalhadores, recolocando em pauta o socialismo, a revolu\u00e7\u00e3o, a luta de classes, etc., combatendo a burocracia petista e a ideologia burguesa. O debate sobre o motivo pelo qual essas correntes n\u00e3o foram capazes de se apresentar como p\u00f3lo para reconstruir o projeto socialista precisa ser feito, mas excede em muito o escopo deste texto, e deve ser desenvolvido em outro momento.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">As lacunas na organiza\u00e7\u00e3o da classe<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO que cumpre fazer aqui, a despeito de quais tenham sido as falhas na a\u00e7\u00e3o do conjunto da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao PT, cujo debate fica para outro momento, \u00e9 assinalar a gigantesca lacuna que existe na organiza\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia da classe trabalhadora. A realidade material se deteriora, mas n\u00e3o h\u00e1 instrumentos para lutar contra os problemas. Existe uma insatisfa\u00e7\u00e3o amplamente disseminada com as condi\u00e7\u00f5es de vida, a infla\u00e7\u00e3o, os baixos sal\u00e1rios, a explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, o ass\u00e9dio moral, a inefici\u00eancia dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a satura\u00e7\u00e3o das grandes cidades, a viol\u00eancia, a corrup\u00e7\u00e3o, etc. Mas essa insatisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra canais para se manifestar e se organizar em luta. H\u00e1 uma terr\u00edvel aus\u00eancia de organismos de luta, de espa\u00e7os, f\u00f3runs, comit\u00eas, associa\u00e7\u00f5es, coletivos, que sirvam como instrumentos de organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnquanto a burguesia possui o Estado e uma infinidade de institui\u00e7\u00f5es, partidos, m\u00eddia, igrejas, etc., para elaborar sua pol\u00edtica e disputar o controle da sociedade, os trabalhadores n\u00e3o possuem nada. As organiza\u00e7\u00f5es constru\u00eddas pela classe nos anos de combatividade do PT, os sindicatos, centrais sindicais, entidades estudantis e populares, foram invariavelmente aparelhadas pela burocracia governista, e n\u00e3o servem para encaminhar a luta. Nem as centrais sindicais nem os movimentos sociais desenvolvem uma perspectiva independente. Mesmo os setores de oposi\u00e7\u00e3o ao governismo no movimento sindical s\u00e3o incapazes de se apresentar como uma alternativa cr\u00edvel. O desastre da n\u00e3o unifica\u00e7\u00e3o entre Conlutas e Intersindical no Conclat de 2010 cobra seu pre\u00e7o dramaticamente. A prioridade dada pelas correntes de esquerda para a autoconstru\u00e7\u00e3o e a aparatiza\u00e7\u00e3o de entidades deixou os trabalhadores \u00f3rf\u00e3os de organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA luta de classes se acirra, e os trabalhadores entram em campo perdendo o jogo, com jogadores a menos, o juiz e a torcida em favor do advers\u00e1rio. N\u00e3o est\u00e1 garantido que a insatisfa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores resulte em mobiliza\u00e7\u00e3o e luta em um grau suficiente. As lutas em andamento, ainda fragmentadas e baseadas em reivindica\u00e7\u00f5es pontuais por categorias, podem n\u00e3o ser bastantes para alterar a situa\u00e7\u00e3o em favor dos trabalhadores. A maioria a classe pode acabar adotando uma postura de acompanhar passivamente as disputas na superestrutura entre a burocracia petista e a oposi\u00e7\u00e3o burguesa, sendo levada a crer que a queda do PT possa ser um meio de resolver seus problemas, endossando ou consentindo nesse processo por omiss\u00e3o ou absten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara que haja uma mudan\u00e7a na postura da classe, de modo que os trabalhadores se coloquem em cena com uma perspectiva pr\u00f3pria, seria preciso que a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda conseguisse se apresentar como refer\u00eancia, com um programa que contivesse as reivindica\u00e7\u00f5es da classe, em torno do qual os trabalhadores estivessem dispostos a se mobilizar. E um programa n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de palavras de ordem, mas uma compreens\u00e3o totalizante da realidade que explique a rela\u00e7\u00e3o entre as coisas e o que fazer para mudar a realidade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Entendendo o que vem pela frente<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPara a burguesia o que interessa \u00e9 a continuidade dos neg\u00f3cios e a retomada dos lucros. As medidas de austeridade s\u00e3o a sua prioridade. Portanto, para a burguesia, n\u00e3o interessa a instabilidade pol\u00edtica, nem o processo de impeachment, nem muito menos um golpe contra Dilma. O governo do PT j\u00e1 est\u00e1 comprometido com este programa, e quanto mais \u00e9 pressionada, mais Dilma vai \u00e0 direita. Sua primeira declara\u00e7\u00e3o depois dos protestos do dia 15 de mar\u00e7o foi pedir uma tr\u00e9gua para garantir a aprova\u00e7\u00e3o do pacote de ajuste no Congresso. N\u00e3o faz sentido para a burguesia trocar o governo neste momento, depois de apenas 6 meses de eleito. A alta burguesia n\u00e3o est\u00e1 contra o programa do governo, muito pelo contr\u00e1rio. O ajuste de Joaquim \u201cm\u00e3os de tesoura\u201d Levy lhe favorece, a \u201cmiss motosserra\u201d Katia Abreu est\u00e1 no minist\u00e9rio da agricultura, etc.<br \/>\nTodos os acordos para a montagem do governo j\u00e1 foram feitos, os minist\u00e9rios e as verbas j\u00e1 foram loteados, cada fra\u00e7\u00e3o da burguesia j\u00e1 tem sua fatia, etc. A alta burguesia est\u00e1 contemplada no governo, portanto n\u00e3o \u00e9 sua pol\u00edtica nesse momento trocar \u201ccomit\u00ea gestor\u201d dos neg\u00f3cios. Quem est\u00e1 se manifestando contra o governo \u00e9 majoritariamente a pequena burguesia. O impeachment n\u00e3o seria um bom neg\u00f3cio, pois abriria uma acirrada luta pol\u00edtica contra o PT, que n\u00e3o iria entregar facilmente o controle do Estado, do qual dependem os empregos de milhares de burocratas do partido. N\u00e3o interessa abrir essa disputa nesse momento.<br \/>\nPor outro lado, para o PMDB, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 nada que impe\u00e7a um impeachment, pois o partido tem a vice-presid\u00eancia e a presid\u00eancia da C\u00e2mara, de modo que o controle do Estado cairia em suas m\u00e3os. Na verdade, o PMDB n\u00e3o assume o governo agora porque n\u00e3o quer. E n\u00e3o quer porque n\u00e3o lhe interessa nesse momento arcar com o \u00f4nus de aplicar o pacote de ajuste. \u00c9 prefer\u00edvel deixar que Dilma e o PT se queimem com a impopularidade das medidas de austeridade. O PT evidentemente sabe disso, e n\u00e3o afundar\u00e1 sozinho na nau do governo, exigir\u00e1 fidelidade da sua \u201cbase aliada\u201d, como fez o agora ex-ministro Cid Gomes, cumprindo o papel de fazer a crise respingar sobre o Congresso. A austeridade deve ser um programa de Estado, n\u00e3o de um ou outro partido, e o PT busca deixar isso claro. Se cair, arrastar\u00e1 os demais junto. A Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato se estende para os demais partidos do regime.<br \/>\nReafirmamos que o mais prov\u00e1vel no momento \u00e9 a perman\u00eancia do governo do PT. Entretanto, nada garante que isso se n\u00e3o mude. A burguesia n\u00e3o tem fidelidade a nenhum partido. Se a presen\u00e7a do PT no governo se provar ruim para os neg\u00f3cios, o PT cair\u00e1. Al\u00e9m disso, a burguesia n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea e possui setores e segmentos em disputa uns contra os outros, o que pode resultar num curso de a\u00e7\u00e3o err\u00e1tico e oscilante. De qualquer forma, se a crise se prolongar, a pequena burguesia continuar protestando, os esc\u00e2ndalos continuarem se sucedendo, e principalmente, se os trabalhadores se colocarem em luta, a burguesia mudar\u00e1 sua pol\u00edtica. Por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o real de desencadear o processo de impeachment. E nem muito menos h\u00e1 um golpe em andamento, embora haja golpistas pondo as manguinhas de fora.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Em busca de um programa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA constru\u00e7\u00e3o de um programa que contenha uma compreens\u00e3o totalizante da realidade, explicando as tarefas que devem ser cumpridas numa perspectiva de longo prazo (estrat\u00e9gia) e as palavras de ordem para o curto prazo (t\u00e1tica) n\u00e3o \u00e9 nada simples. Ao mesmo tempo em que precisa resgatar os referenciais b\u00e1sicos de luta de classes, revolu\u00e7\u00e3o, socialismo, o programa precisa conter respostas para as quest\u00f5es imediatas com as quais a classe est\u00e1 defrontada, servindo como instrumento de agita\u00e7\u00e3o, e uma estrutura l\u00f3gica que relacione uma coisa com a outra, de modo a desenvolver a a\u00e7\u00e3o de propaganda e a constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o para as a\u00e7\u00f5es de longo prazo.<br \/>\nA base material \u00e9 o esgotamento do modelo econ\u00f4mico. A \u00fanica alternativa capitalista para o relan\u00e7amento da economia s\u00e3o as medidas de austeridade, e mesmo assim sem a garantia de atravessar a pr\u00f3xima crise mundial que se avizinha, e com a certeza de aumentar a insatisfa\u00e7\u00e3o popular. Assim sendo, qualquer que seja o desenlace da crise pol\u00edtica no plano da superestrutura, com a sa\u00edda ou perman\u00eancia de Dilma, um novo governo do PT com Lula ou um eventual governo do PSDB ou do PMDB; o programa dos partidos burgueses \u00e9 o mesmo, a austeridade, e as conseq\u00fc\u00eancias ser\u00e3o as mesmas, a insatisfa\u00e7\u00e3o popular, e portanto, em qualquer caso, a instabilidade vai continuar. As margens mais estritas para a gest\u00e3o da economia levar\u00e3o a um acirramento, uma agudiza\u00e7\u00e3o da luta de classes, que se define exatamente como luta pelo controle do excedente da produ\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, esta crise no in\u00edcio do segundo mandato de Dilma \u00e9 apenas o in\u00edcio de uma nova situa\u00e7\u00e3o de crises, instabilidade e acirramento, que deve se prolongar a curto e m\u00e9dio prazo.<br \/>\nA proposta de uma t\u00e1tica para o momento atual exposta abaixo procura dar conta de alguns aspectos:<br \/>\n&#8211; o governo do PT ainda n\u00e3o caiu, ele \u00e9 o governo operante, \u00e9 o seu plano econ\u00f4mico que est\u00e1 em vigor. Este governo \u00e9 inimigo da nossa classe, est\u00e1 enfraquecido, est\u00e1 sendo atacado, e n\u00f3s trabalhadores temos que mostrar nosso descontentamento e tomar a ofensiva. Os trabalhadores est\u00e3o frustrados com o governo e de certa forma manifestam um apoio passivo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se mobilizam para derrubar o governo, nem muito menos para defend\u00ea-lo. Est\u00e3o acompanhando os acontecimentos, \u00e0 espera de uma sa\u00edda que ainda n\u00e3o se apresentou.<br \/>\n&#8211; a pequena burguesia direitizada est\u00e1 tomando a frente e se colocando como porta-voz dos interesses gerais, atrav\u00e9s de um programa protofascista. Por isso n\u00e3o basta dizer apenas &#8220;fora todos&#8221;, \u00e9 preciso delimitar que existe um movimento de direita, com defensores da ditadura e elementos fascistas inclusive, que s\u00e3o tamb\u00e9m nossos inimigos. Somos contra esse movimento pelo impeachment como est\u00e1 colocado e contra suas ideias. Por isso \u201cFora defensores do impeachment!\u201d<br \/>\n&#8211; \u00e9 preciso arrematar que nem Dilma nem a oposi\u00e7\u00e3o burguesa s\u00e3o alternativa. Nem o PT nem o PMDB, o PSDB, o STF, a Rede Globo, a Veja, partidos e organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3 capitalistas nos representam. Por isso \u201cFora todos os exploradores! Unidade da classe trabalhadora!\u201d<br \/>\n&#8211; dada a situa\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o e refer\u00eancia que analisamos acima, \u00e9 preciso reafirmar o m\u00e9todo de luta dos trabalhadores. Para chegar a derrubar os pol\u00edticos da classe exploradora e realizar o \u201cFora todos!\u201d, somente a a\u00e7\u00e3o coletiva e organizada dos trabalhadores. Essa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser decretada, tem que ser constru\u00edda, por isso \u201cConstruir a greve geral!\u201d<br \/>\n&#8211; a luta deve deixar claros quais s\u00e3o os seus objetivos imediatos, os meios para resolver os problemas concretos com os quais os trabalhadores est\u00e3o enfrentados, e que mais tem o poder de mobiliz\u00e1-los. \u00c9 preciso listar as reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas dos trabalhadores, como forma de explicar tamb\u00e9m os objetivos da greve geral defendida antes. Por isso \u00e9 preciso defender um \u201cPlano econ\u00f4mico dos trabalhadores!\u201d<br \/>\n&#8211; n\u00e3o basta apenas negar o existente, \u00e9 preciso realizar a nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o, a afirma\u00e7\u00e3o de uma alternativa, um poder dos trabalhadores. Entretanto, a constru\u00e7\u00e3o dessa alternativa n\u00e3o se improvisa de um momento para o outro nem pode ser proclamada artificialmente. O que se pode indicar s\u00e3o os contornos do tipo de alternativa que precisa ser constru\u00eddo. Por isso, a pol\u00edtica se completa com a defesa de \u201cUm governo revolucion\u00e1rio dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!\u201d<br \/>\nReunidos esses elementos, ter\u00edamos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FORA PSDB E SEU BLOCO, DEFENSORES DO IMPEACHMENT, FORA FASCISTAS E M\u00cdDIA GOLPISTA!<br \/>\nFORA TODOS OS EXPLORADORES! UNIDADE DA CLASSE TRABALHADORA!<br \/>\nPOR UM PLANO ECON\u00d4MICO DOS TRABALHADORES!<br \/>\n* Salario m\u00ednimo do DIEESE!<br \/>\n* Contra a infla\u00e7\u00e3o, abrir as planilhas das empresas!<br \/>\n* Contra os cortes nas pens\u00f5es e seguro desemprego!<br \/>\n* Direitos trabalhistas para todos, contra a terceiriza\u00e7\u00e3o e o PL 4330!<br \/>\n* Redu\u00e7\u00e3o da jornada sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, at\u00e9 que haja emprego para todos!<br \/>\n* Confisco do dinheiro dos sonegadores na Su\u00ed\u00e7a! Taxa\u00e7\u00e3o das grandes fortunas!<br \/>\n* N\u00e3o pagamento da divida e uso desse dinheiro para atender as necessidades dos trabalhadores em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, etc.<br \/>\nPOR UM F\u00d3RUM DE LUTAS ANTIGOVERNISTA E ANTIBUROCR\u00c1TICO!<br \/>\nCONSTRUIR A GREVE GERAL!<br \/>\nDERRUBAR DILMA E QUALQUER GOVERNO BURGUES POR MEIO DA LUTA DOS TRABALHADORES!<br \/>\nPOR UM GOVERNO REVOLUCION\u00c1RIO DOS TRABALHADORES BASEADO EM SUAS ORGANIZA\u00c7\u00d5ES DE LUTA!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em curso um crescimento das ideias reacion\u00e1rias no pa\u00eds, cuja maior express\u00e3o s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es pelo impeachment de Dilma,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3830"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3830"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3832,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3830\/revisions\/3832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}