{"id":3857,"date":"2015-04-07T01:35:45","date_gmt":"2015-04-07T04:35:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3857"},"modified":"2015-04-07T01:38:10","modified_gmt":"2015-04-07T04:38:10","slug":"jornal-77-militarizacao-da-internet-vigilancia-e-a-organizacao-mundial-da-repressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/04\/jornal-77-militarizacao-da-internet-vigilancia-e-a-organizacao-mundial-da-repressao\/","title":{"rendered":"Jornal 77: Militariza\u00e7\u00e3o da internet, vigil\u00e2ncia e a organiza\u00e7\u00e3o mundial da repress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Thais Menezes<\/p>\n<p>O movimento socialista mundial aprendeu muito com seus cl\u00e1ssicos ao longo da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m deu prosseguimento ao entendimento da sociedade capitalista e de sua complexifica\u00e7\u00e3o. O conceito de crise estrutural do capital, inaugurado por Istv\u00e1n Mesz\u00e1ros, tem grande destaque na medida em que identifica uma mudan\u00e7a de qualidade nas j\u00e1 antigas crises peri\u00f3dicas do capitalismo, que p\u00f3s d\u00e9cada de 70 t\u00eam como resultado um per\u00edodo de crises no qual a tend\u00eancia geral \u00e9 de queda da taxa de lucro. A crise estrutural do capital extrapola o campo econ\u00f4mico, se transforma em uma crise de natureza societal e se concretiza na crise ambiental, energ\u00e9tica, alimentar, cultural, ideol\u00f3gica e pol\u00edtica.<br \/>\nA m\u00e1xima \u201cSocialismo ou Barb\u00e1rie\u201d se torna cada vez mais assertiva. Ao passo que a classe trabalhadora e suas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o avan\u00e7am na velocidade necess\u00e1ria para responder \u00e0s urg\u00eancias da humanidade, a barb\u00e1rie avan\u00e7a. N\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e controle inimagin\u00e1veis e uma situa\u00e7\u00e3o permanente e mundializada de sofrimento \u00e9 o que o capitalismo reserva para a classe trabalhadora.&#8221;<br \/>\nCom o avan\u00e7o das telecomunica\u00e7\u00f5es, a complexifica\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o da internet a luta contra a barb\u00e1rie capitalista ganham tanto mais facilidades quanto como obst\u00e1culos.<br \/>\nJ\u00e1 \u00e9 batido dizer que com a internet temos maior informa\u00e7\u00e3o. E quando se ressalta o ponto negativo disso sempre se fala da &#8220;baixa qualidade&#8221; e da falta de proced\u00eancia de toda informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na rede. Mas, ignora-se o que de pior nos trouxe a era da internet: a vigil\u00e2ncia.<br \/>\nO funcionamento da sociedade capitalista em si, com uma imensa quantidade de produtos dispon\u00edveis em muitas de suas formas, tende a se estender cada vez mais pelos espa\u00e7os virtuais (aplicativos de solicita\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, produtos, propaganda, etc.). Mas, sobretudo, a luta pela manuten\u00e7\u00e3o de poder pela burguesia tende tamb\u00e9m a ocupar o espa\u00e7o da internet com maior intensidade.<br \/>\nDa mesma forma que vemos os espa\u00e7os p\u00fablicos cada vez mais militarizados e vigiados, seria de uma estupidez sem tamanho que a burguesia deixasse o cyberterreno ser utilizado de forma livre. O mundo virtual, como extens\u00e3o do mundo f\u00edsico \u00e9 express\u00e3o tamb\u00e9m material deste e por isso n\u00e3o ficar\u00e1 livre da domina\u00e7\u00e3o burguesa.<\/p>\n<h2>A militariza\u00e7\u00e3o da internet. Para que proibir, se \u00e9 melhor controlar?<\/h2>\n<p>Sim, uma rede entre governos e corpora\u00e7\u00f5es espiona hoje tudo o que fazemos.<br \/>\nNo passado se a espionagem era feita de forma direcionada (grupos espec\u00edficos, potencialmente &#8220;perigosos&#8221;) e somente praticada por alguns pa\u00edses, como os EUA, Inglaterra e R\u00fassia, hoje a situa\u00e7\u00e3o mudou. A tecnologia tem avan\u00e7ado t\u00e3o rapidamente que ficou relativamente barato para os governos investirem na monitora\u00e7\u00e3o e no armazenamento de informa\u00e7\u00e3o em massa. Precisando de alguma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre um grupo espec\u00edfico, basta recorrer aos dossi\u00eas que est\u00e3o sendo acumulados, filtr\u00e1-los e os governos conseguem as informa\u00e7\u00f5es de que precisam[1].<br \/>\nComo extens\u00e3o do mundo f\u00edsico, a internet nunca deixou e nunca deixar\u00e1 de expressar a indigna\u00e7\u00e3o dos trabalhadores com o rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de vida e o endurecimento dos governos, cada vez mais necess\u00e1rios em escala mundial na fase atual do capitalismo. Nos \u00faltimos vinte anos, a internet tem se tornado de certa forma um pesadelo para os poderosos. Em 2008, no Cairo, um ato em defesa da greve dos trabalhadores da ind\u00fastria t\u00eaxtil de Mahalla al-Kobra, organizado pelo Facebook, surpreendeu o governo Mubarak e como resultado gerou o monitoramento, a persegui\u00e7\u00e3o, a pris\u00e3o e at\u00e9 a tortura dos administradores da p\u00e1gina April 6 Youh Movement. O manual &#8220;Como protestar de forma inteligente&#8221;, distribu\u00eddo no in\u00edcio do movimento que derrubou Mubarak, recomendava que n\u00e3o fossem usados o Twitter nem o Facebook para organizar iniciativas contra o governo. Logo depois, foram cortadas a internet e o servi\u00e7o de telefonia m\u00f3vel para tentar conter as mobiliza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9, portanto, \u00e0 toa que o governo norte-americano patrocina iniciativas dentro do universo hacker e nelas se infiltra. Jacob Appelbaum relata a participa\u00e7\u00e3o do Comando de Sistema de Guerra Navais e Especiais, um bra\u00e7o civil da Marinha norte-americana, no Collegiate Cyber Defense Competition, campeonato universit\u00e1rio de ciberdefesa dos Estados Unidos, que envolve estrat\u00e9gias de hacking ofensivo e defensivo. Isso sem entrar no debate dos \u00f3rg\u00e3os internacionais de espionagem.<\/p>\n<h2>Redes Sociais: os clientes s\u00e3o os governos e as empresas; o produto \u00e9 voc\u00ea!<\/h2>\n<p>A militariza\u00e7\u00e3o \u00e9 de grande interesse dos governos e corpora\u00e7\u00f5es e invade tamb\u00e9m nossa vida privada, vigiando as nossas conversas com amigos, fam\u00edlia e pessoas \u00e0s quais somos intimamente ligados, como diz Julian Assange: &#8220;\u00e9 como ter um soldado embaixo da cama&#8221;.<br \/>\nEm vez de se proibir a livre manifesta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pela internet, basta para os governos incentivar o uso das redes e monitor\u00e1-lo, de forma que nunca se percam as r\u00e9deas.<br \/>\nHoje, toda a comunica\u00e7\u00e3o que fazemos por internet ou telefonia celular \u00e9 interceptada por organiza\u00e7\u00f5es militares de intelig\u00eancia. Toda liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica, mensagem de texto (SMS), toda transfer\u00eancia de dados por conex\u00e3o \u00e9 armazenada. Corpora\u00e7\u00f5es norte-americanas como o Facebook, por exemplo, alcan\u00e7aram a capacidade de penetra\u00e7\u00e3o quase que completa em popula\u00e7\u00f5es inteiras de diversos pa\u00edses. O uso das redes sociais \u00e9 fundamental para a forma\u00e7\u00e3o de imensos dossi\u00eas armazenados pelos governos com o ajuda das empresas e contra n\u00f3s, trabalhadores. O Facebook e o Google passam a ser bra\u00e7os auxiliares das ag\u00eancias de espionagem internacionais. Somos como produtos na vitrine para as empresas e governos. Como diz Jacob ApellBaum: a recompensa por fornecer tais informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o cr\u00e9ditos sociais (amizades novas, autoestima, namoros, sexo).<br \/>\nPara auxiliar n\u00e3o s\u00f3 na repress\u00e3o dos governos, mas tamb\u00e9m na manuten\u00e7\u00e3o dos lucros da classe propriet\u00e1ria, o Google funciona tamb\u00e9m formidavelmente. \u00c9 de conhecimento de muitos que o seu uso permite que seja tra\u00e7ado um perfil do usu\u00e1rio, que possibilita que identifiquem com quem nos comunicamos, quais nossos interesses e quais nossas prefer\u00eancias pessoais gerais, incluindo posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sexualidade, etc. Basta notar que as propagandas ofertadas \u00e0 voc\u00ea se alteram e aparecem de forma, cada vez mais, precisa e tenta se adequar aos interesses que manifestamos ao longo do nosso constante uso do sistema de busca. Chegamos ao ponto em que a publicidade n\u00e3o pode mais viver respeitando a privacidade.<br \/>\nSetores dentro do movimento Cypherpunk[2], que dominam bem este terreno, j\u00e1 encaram a internet nos dias de hoje como mais perigosa do que como uma chance de liberta\u00e7\u00e3o. A discuss\u00e3o colocada \u00e9 a da exist\u00eancia de uma fus\u00e3o das estruturas estatais j\u00e1 existentes com a internet, resultando numa poderosa forma de vigil\u00e2ncia para a manuten\u00e7\u00e3o do poder e da cria\u00e7\u00e3o de novas formas de totalitarismo: &#8220;&#8230; engolindo sofregamente todo relacionamento expresso ou comunicado, toda p\u00e1gina lida na internet, todo e-mail enviado e todo pensamento buscado no Google, armazenando esse conhecimento, bilh\u00f5es de intercepta\u00e7\u00f5es por dia, um poder inimagin\u00e1vel, para sempre em enormes dep\u00f3sitos ultrassecretos&#8230;&#8221; (Julian Assange)<\/p>\n<h2>A &#8220;Guerra ao Terror&#8221; e sua utilidade pol\u00edtica<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s o epis\u00f3dio das Torres G\u00eameas, em 2001, uma s\u00e9rie de medidas, j\u00e1 h\u00e1 muito almejadas pelos setores mais influentes da burguesia mundial, saem do papel.<br \/>\nCom a coopera\u00e7\u00e3o de grandes empresas, a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional norte-americana (NSA) se envolveu em um esc\u00e2ndalo ao ser descoberta utilizando-se de vigil\u00e2ncia em massa sem ordem judicial ap\u00f3s o 11 de Setembro. A pr\u00e1tica transgrediu uma lei de 1978, a FISA (Lei de Vigil\u00e2ncia para a Coleta de Intelig\u00eancia Estrangeira).<br \/>\nO Patriot Act, por exemplo, \u00e9 uma lei norte-americana, promulgada por George W. Bush, em resposta aos ataques \u00e0s Torres G\u00eameas, que atua no sentido de &#8220;unir as for\u00e7as da Am\u00e9rica para interceptar e obstruir o terrorismo&#8221;. Al\u00e9m disso, existem as Cartas de Seguran\u00e7a Nacional (NSL), cartas que um \u00f3rgao federal do EUA pode emitir exigindo a entrega de dados. Elas t\u00eam sido emitidas em quantidade crescente, nos \u00faltimos anos, sobretudo ap\u00f3s 2001, para investigar tudo, menos o terrorismo.<br \/>\nEnquanto isso, a repress\u00e3o cotidiana, as invas\u00f5es permanentes e o controle de governos no Oriente M\u00e9dio, al\u00e9m do genoc\u00eddio institucionalizado, seguem sendo pol\u00edticas permanentes do governo dos EUA e que se aprofundam a cada ano. Ataques legais de drones (rob\u00f4s de guerra, monitorados \u00e0 dist\u00e2ncia) j\u00e1 foram inclusive autorizados por Obama, como no escandaloso caso do assassinato do menino Abdulrahman al Awlaki, de 16 anos, no I\u00eamen, filho de Anwar al-Awlaki, membro da Al-Qaeda. A elimina\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia se torna uma dura realidade. E a humanidade segue&#8230;<\/p>\n<h2>Conhecimento e prote\u00e7\u00e3o para os trabalhadores, conte\u00fado livre e criptografia<\/h2>\n<p>O acesso ao patrim\u00f4nio cultural, tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico da humanidade \u00e9 de suma import\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 para termos uma vida menos infeliz ou mais confort\u00e1vel, mas tamb\u00e9m para a luta pela derrocada, do que torna nossas vidas t\u00e3o desconfort\u00e1veis e infelizes, esse sistema de explora\u00e7\u00e3o. O combate ao compartilhamento livre de conte\u00fado existe j\u00e1 h\u00e1 algum tempo e aparece por a\u00ed na tentativa de implanta\u00e7\u00e3o de leis e no discurso \u201cpoliticamente correto\u201d antipirataria. Basta lembrar que os EUA se envolveram em uma grande batalha vitoriosa pela aprova\u00e7\u00e3o do tratado internacional chamado SOPA (Stop Online Piracy Act) e que o debate do ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement) ainda n\u00e3o se fechou na Uni\u00e3o Europeia. Outras amea\u00e7as do tipo continuam a rondar as discuss\u00f5es internacionais.<br \/>\nQualquer tipo de tentativa dos trabalhadores em conhecer os bastidores da programa\u00e7\u00e3o e do compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o esteja a servi\u00e7o do lucro da patronal ser\u00e1 condenada e se poss\u00edvel criminalizada. O discurso antipirataria, por exemplo, tem aparentemente o objetivo de proteger a ind\u00fastria cultural. Mas, est\u00e1 muito al\u00e9m disso. \u00c9 centralmente para combater o necess\u00e1rio e tentar nos afastar do conhecimento e da autonomia que os sistemas oferecem como o Peer-to-Peer, por exemplo (sistemas e compartilhamento descentralizado, como os torrents) e nos afastar da ideia comunit\u00e1ria que carrega o seu uso e difus\u00e3o e da ideia de cultura como patrim\u00f4nio gratuito da humanidade.<br \/>\nDa mesma forma, a criptografia, prote\u00e7\u00e3o das mensagens por cidad\u00e3os comuns, foi atacada na d\u00e9cada de 1990, mas conseguiu resistir e hoje \u00e9 utilizada por movimentos de hackers pelo mundo todo, inclusive para alcan\u00e7ar e disseminar den\u00fancias de governos e empresas. Como destaque temos o caso do Wikileaks, no projeto Cablegate, que vazou 251.287 comunicados diplom\u00e1ticos provenientes de 274 embaixadas dos EUA pelo mundo, causando o endurecimento contra a criptografia, a persegui\u00e7\u00e3o, pris\u00e3o e at\u00e9 tortura dos envolvidos na den\u00fancia.<br \/>\nUm universo paralelo, mas de muita import\u00e2ncia tanto quanto nosso bom e velho mundo f\u00edsico se desenvolve enquanto continuamos vivendo nossas vidas. \u00c9 um mundo complexo de vigil\u00e2ncia permanente que n\u00e3o podemos ignorar. O capitalismo ainda n\u00e3o foi derrubado, enquanto isso, suas formas de manuten\u00e7\u00e3o se aperfei\u00e7oaram. \u00c9 preciso termos uma atua\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e0 altura dos desafios de hoje, atualizada, que utilize de toda e qualquer ferramenta necess\u00e1ria.<br \/>\nFalar sobre este tema \u00e9 uma alerta de que \u00e9 preciso que tomemos parte desses fatos e desse debate. Esse debate interessa aos hackers, setor policlassista e em sua maioria limitado ao debate da liberdade dentro do capitalismo, mas precisa interessar tamb\u00e9m aos marxistas. Precisamos apreender o que de melhor existe da tecnologia e desenvolver t\u00e9cnicas de sobreviv\u00eancia que auxiliem no avan\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o e defesa dos trabalhadores. Fazemos esse chamado aos camaradas. Avancemos, por todos os campos que pudermos contra a burguesia internacional e suas organiza\u00e7\u00f5es, at\u00e9 sua definitiva derrocada.<\/p>\n<p>[1] Ver &#8220;The Spy Files&#8221;, den\u00fancia do WikiLeaks de dezembro de 2011 em: &lt;http:\/\/eikiLeaks.org\/the-spyfiles.html&gt;.<\/p>\n<p>[2] Movimento que defende a utiliza\u00e7\u00e3o da criptografia e de m\u00e9todos similares para provocar mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas. Criado no in\u00edcio dos anos 1990, atingiu seu auge durante as \u201ccriptoguerras\u201d e ap\u00f3s a censura da internet em 2011, na Primavera \u00c1rabe. Um de seus lemas \u00e9 \u201cprivacidade para os fracos, transpar\u00eancia para os poderosos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thais Menezes O movimento socialista mundial aprendeu muito com seus cl\u00e1ssicos ao longo da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m deu prosseguimento ao<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3857"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3857"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3861,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3857\/revisions\/3861"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}