{"id":3937,"date":"2015-05-16T19:45:24","date_gmt":"2015-05-16T22:45:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3937"},"modified":"2015-05-16T20:07:53","modified_gmt":"2015-05-16T23:07:53","slug":"somostodasveronica-pelo-fim-da-transfobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/05\/somostodasveronica-pelo-fim-da-transfobia\/","title":{"rendered":"Jornal 78: #SomosTodasVer\u00f4nica! Pelo fim da transfobia!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/5.jpg\"><img decoding=\"async\" style=\"float: left; margin: 3px;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/5.jpg\" \/><\/a><br \/>\nNo dia 10 de abril a travesti Ver\u00f4nica Bolina foi presa por agredir uma mulher de 73 anos em seu apartamento. Algum tempo depois foram divulgadas fotos de Ver\u00f4nica com o rosto deformado, cabelo raspado, seios \u00e0 mostra, cal\u00e7a rasgada e algemada nas m\u00e3os e p\u00e9s. Assim iniciou o levante de diversas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais indignados com tamanha viol\u00eancia.<br \/>\nDevido \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que o caso tomou, pouco depois foi divulgado um depoimento de Ver\u00f4nica informando que n\u00e3o foi torturada e que os policiais agiram de maneira necess\u00e1ria para conseguirem cont\u00ea-la, visto que chegou a morder a orelha de um carcereiro durante a pris\u00e3o.<br \/>\nEssa \u00e9 mais uma forma de press\u00e3o psicol\u00f3gica bem conhecida para amenizar qualquer possibilidade de indiciar os policiais pelo crime cometido e n\u00e3o foi de outra forma. No dia 17 a promotora p\u00fablica Luciana Frugiuele, do Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), que acompanha o caso, informou que Ver\u00f4nica mentiu no \u00e1udio por receber promessas de diminui\u00e7\u00e3o de pena. O caso tamb\u00e9m est\u00e1 sendo acompanhado pelo Centro de Cidadania LGBT \u2013 Arouche, que tamb\u00e9m se posicionou contr\u00e1rio \u00e0s agress\u00f5es policiais.<br \/>\nAqui n\u00e3o trataremos de tornar Ver\u00f4nica inocente ou culpada. Questionar e defender seus direitos n\u00e3o significa inocent\u00e1-la da agress\u00e3o que realizou, mas afirmar que n\u00e3o se justifica a viol\u00eancia que recebeu dos policiais. Tamb\u00e9m precisamos reconhecer que foi mais um caso de transfobia, ou seja, viol\u00eancia aplicada por ser, Ver\u00f4nica, uma travesti, j\u00e1 que essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda muito discriminada e marginalizada.<\/p>\n<h2>Transfobia: da deslegitima\u00e7\u00e3o das identidades T \u00e0 viol\u00eancia contra travestis e transexuais<\/h2>\n<p>O termo transfobia foi designado para definir o preconceito com a identidade de g\u00eanero travesti e transexual. Essa popula\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 compreendida como pass\u00edveis de chacotas e humilha\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sendo compreendidas sequer como pessoas humanas. O sistema capitalista \u00e9 assim. Capaz de impor a parcelas da classe um maior n\u00edvel de opress\u00e3o garantiu \u00e0s travestis um intenso retrocesso em rela\u00e7\u00e3o ao seu reconhecimento social. No in\u00edcio do desenvolvimento da sociedade de classes estas \u201ceram altamente respeitadas. Eram consideradas possuidoras de poderes especiais e eram consultadas sobre assuntos importantes, sendo muitas vezes destacadas nas cerim\u00f4nias religiosas\u201d (Hiro Hokita).<br \/>\nHoje se reserva a essas pessoas a marginalidade e a prostitui\u00e7\u00e3o e, quando poss\u00edvel, um emprego formal precarizado. Na televis\u00e3o e nas m\u00eddias sempre s\u00e3o retratadas como personagens c\u00f4micas, geralmente representadas por atores homens que fazem o papel de modo a ridicularizar essa posi\u00e7\u00e3o. Aos homens transexuais nem isso cabe, \u00e9 ignorada a sua exist\u00eancia e quase nunca s\u00e3o mencionados em qualquer espa\u00e7o.<br \/>\nQuanto ao Estado, apesar de algumas iniciativas, ainda rasteja as possibilidades de garantir os direitos b\u00e1sicos, corroborando ainda mais com a viol\u00eancia multidimensional que sofrem. Pois, al\u00e9m da viol\u00eancia f\u00edsica, moral e psicol\u00f3gica que s\u00e3o submetidas diariamente h\u00e1 tamb\u00e9m a viol\u00eancia estrutural promovida pelo Estado que n\u00e3o proporciona o m\u00ednimo de dignidade para a realiza\u00e7\u00e3o de suas demandas b\u00e1sicas como moradia, emprego, alimenta\u00e7\u00e3o, etc. Muitos pol\u00edticos n\u00e3o t\u00eam interesse em garantir esses direitos b\u00e1sicos, pois efetivam sob diversos discursos transf\u00f3bicos, burgueses e ainda com argumentos religiosos a deslegitima\u00e7\u00e3o dessas identidades, explicitando, inclusive, o descumprimento da laicidade do Estado.<br \/>\nA constata\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia atrav\u00e9s de registros oficiais ainda \u00e9 dif\u00edcil, seja porque a maioria dos casos n\u00e3o \u00e9 registrada, seja por termos meios de coleta de dados ainda ineficientes para garantir n\u00fameros que condizem com a realidade. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s os registros de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o T eram considerados como casos de homofobia! Tamanho desconhecimento sobre esta popula\u00e7\u00e3o, pois ainda se confunde muito identidade de g\u00eanero com orienta\u00e7\u00e3o sexual (Veja quadro abaixo).<br \/>\nDe qualquer maneira, \u00e9 muito grave a situa\u00e7\u00e3o. Segundo a Ouvidoria Nacional e o Disque Direitos Humanos (Disque 100) de 2011 a 2014 foram coletadas 7.649 den\u00fancias de viol\u00eancia contra LGBTs, sendo que 16% eram contra travestis e transexuais. Em 2014 esse n\u00famero subiu para 20%, com o aumento de 232 registros de den\u00fancias.<\/p>\n<h2>O reconhecimento das identidades passa pela conquista de direitos!<\/h2>\n<p>No Brasil, pouco ou praticamente nada se avan\u00e7ou para a conquista de direitos T. A come\u00e7ar pelo uso do nome social, visto que em algumas cidades j\u00e1 realizam a troca em documentos, n\u00e3o temos nenhuma Lei Federal que garanta que qualquer travesti ou transexual possa adotar o nome condizente com sua identidade, isso implica em diversos transtornos na vida dessas pessoas, seja na UBS, na conquista de um emprego, na matr\u00edcula escolar, etc. Praticamente em qualquer espa\u00e7o que ocupe corre o risco de constrangimento e\/ou impedimento de usufruir dos servi\u00e7os. Em muitos casos, como o de Ver\u00f4nica, \u00e9 comum essa popula\u00e7\u00e3o ser denunciada por falsidade ideol\u00f3gica!<br \/>\nAl\u00e9m disso, na Sa\u00fade ainda vivem muitas impossibilidades de conseguirem a realiza\u00e7\u00e3o do tratamento hormonal e do procedimento cir\u00fargico de redesigna\u00e7\u00e3o sexual. No Brasil existem poucas cl\u00ednicas especializadas em tratamento para travestis e transexuais. As filas de esperas para realiza\u00e7\u00e3o da cirurgia s\u00e3o gigantescas. O SUS n\u00e3o d\u00e1 conta de realizar toda a demanda, assim muitas pessoas acabam indo fazer essas cirurgias com m\u00e9dicos ilegais que mutilam seus corpos, al\u00e9m de realizarem implante de silicone e tratamento hormonal por conta pr\u00f3pria, o que acarreta em diversos efeitos colaterais, chegando inclusive \u00e0 morte em alguns casos. Mas, mesmo que sigam todo o procedimento legal, sofrem diversos constrangimentos como a obrigatoriedade de acompanhamento psicol\u00f3gico, em que nem sempre temos profissionais qualificados para um atendimento a essa popula\u00e7\u00e3o. Tem ainda a constata\u00e7\u00e3o no CID (C\u00f3digo Internacional de Doen\u00e7as): transtorno de transexualismo, compreendendo, sob o olhar psiqui\u00e1trico, a constru\u00e7\u00e3o de identidade de g\u00eanero como uma doen\u00e7a a ser tratada.<br \/>\nAssim, vemos o quanto ainda estamos engatinhando na defesa do reconhecimento e da dignidade das travestis e de transexuais. A cisnormatividade1 ainda impera e coloca toda essa popula\u00e7\u00e3o \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o e marginalidade. Assim, sob esse rompante moralista e transf\u00f3bico mant\u00e9m-se um setor da classe trabalhadora violentado e silenciado, o que colabora e fortalece o sistema capitalista com trabalhadores\/as ainda mais divididos\/as o que dificulta sua supera\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio avan\u00e7armos tamb\u00e9m nessa luta para a conquista de direitos b\u00e1sicos e buscarmos a organiza\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o em busca da conquista de um sistema social que respeite e garanta a dignidade humana para todas\/os! Pelo fim da transfobia! #somostodasver\u00f4nica!<\/p>\n<h2>O que \u00e9 o que?<\/h2>\n<p>Nesse curto espa\u00e7o n\u00e3o iremos expor todos os elementos sobre as quest\u00f5es de sexualidade e o g\u00eanero, mas que seja um in\u00edcio de compreens\u00e3o acerca dessas nomenclaturas:<br \/>\nSexo: Diz respeito ao \u00f3rg\u00e3o genital e ao corpo que nascemos (com p\u00eanis \u2013 masculino; com vagina \u2013 feminino).<br \/>\nIdentidade de g\u00eanero: Compreende uma constru\u00e7\u00e3o social a partir de constructos que se definem historicamente na sociedade, resvalando na individualidade de cada pessoa. Pode uma pessoa se constituir enquanto homem, mulher ou fugir a esse binarismo, se entendendo enquanto outras possibilidades de ser, ou at\u00e9 se mant\u00eam na transi\u00e7\u00e3o de ambos os g\u00eaneros apresentados. A identidade de g\u00eanero nada tem a ver com o sexo de nascimento, assim pessoas que nascem com p\u00eanis e se constroem como mulheres s\u00e3o travestis e transexuais, j\u00e1 pessoas que nascem com p\u00eanis e se constroem como homens s\u00e3o pessoas cissexuais.<br \/>\nOrienta\u00e7\u00e3o sexual: \u00c9 a forma como a pessoa constr\u00f3i a sua sexualidade e afetividade, sejam homossexual (pessoas que se sentem atra\u00eddas por outras do mesmo g\u00eanero), heterossexual (pessoas que se atraem por outras do g\u00eanero que n\u00e3o \u00e9 o seu), bissexual (pessoas que sentem atra\u00e7\u00e3o por homens e mulheres) e panssexual (pessoas que sentem atra\u00e7\u00e3o por qualquer pessoa independente do g\u00eanero).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 10 de abril a travesti Ver\u00f4nica Bolina foi presa por agredir uma mulher de 73 anos em seu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3926,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3937"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3937"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3937\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3943,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3937\/revisions\/3943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}