{"id":40,"date":"2008-12-13T16:15:50","date_gmt":"2008-12-13T16:15:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/40"},"modified":"2018-05-04T21:49:49","modified_gmt":"2018-05-05T00:49:49","slug":"a-ilha-nunca-perca-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/a-ilha-nunca-perca-a-esperanca\/","title":{"rendered":"A Ilha: &#8220;Nunca perca a esperan\u00e7a&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>A ILHA: \u201cNUNCA PERCA A ESPERAN\u00c7A\u201d<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cA Ilha\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: The island<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Diretor: Michael Bay<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Caspian Tredwell-Owen, Alex Kurtzman<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Djimon Hounsou, Sean Bean, Steve Buscemi, Michael Clarke Duncan, Ethan Phillips, Brian Stepanek, Noa Tishby, Siobhan Flynn, Troy Blendell, Jamie McBride, Kevin McCorkle, Gery Nickens, Kathleen Rose Perkins<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, thriller<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O diretor Michael Bay representa tudo que h\u00e1 de errado com o cinema de Hollywood. Tiroteios, explos\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es de carros, etc. Personagens rasos, hist\u00f3rias superficiais e sem sentido. Mas o diretor ganhou na loteria, sem trocadilho, quando lhe entregaram o roteiro d\u2019 \u201cA Ilha\u201d. O filme \u00e9 um curioso am\u00e1lgama de diversos temas tradicionais da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O mundo aqui foi assolado por uma \u201ccontamina\u00e7\u00e3o\u201d avassaladora e inexplic\u00e1vel que obriga os sobreviventes a viver num complexo isolado. Uma esp\u00e9cie de arca de No\u00e9 contendo o que sobrou da humanidade. A ilha do t\u00edtulo \u00e9 um local paradis\u00edaco, o \u00fanico restante no planeta livre da contamina\u00e7\u00e3o, para onde s\u00e3o mandados os vencedores de uma loteria, cujos sorteios peri\u00f3dicos mobilizam as expectativas de todos os habitantes do complexo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acontece que a ilha n\u00e3o existe, a loteria \u00e9 uma farsa, o complexo n\u00e3o passa de um criat\u00f3rio onde s\u00e3o cultivados clones de pessoas ricas do mundo real que n\u00e3o querem morrer e pagam por um banco de \u00f3rg\u00e3os vivos para reposi\u00e7\u00e3o (possibilidade de empreendimento comercial nada realista, que o filme tenta fazer passar como plaus\u00edvel). Claro que essas pessoas n\u00e3o sabem que seus clones est\u00e3o ativos e conscientes, pois as leis da \u00e9poca pro\u00edbem clones conscientes. O que torna tudo isso mais um caso de irresponsabilidade e gan\u00e2ncia corporativa de propor\u00e7\u00f5es criminosas. Toda a id\u00e9ia do complexo se baseia na suposi\u00e7\u00e3o (do ponto de vista cient\u00edfico, arbitr\u00e1ria e gratuita) de que os clones precisam ter atividade consciente, vida social e algumas emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito desenvolvidas para que os \u00f3rg\u00e3os a ser aproveitados funcionem devidamente no receptor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">N\u00e3o h\u00e1 problemas em contar o segredo da hist\u00f3ria logo no come\u00e7o da resenha, pois muito antes da narrativa chegar \u00e0 metade tudo isso j\u00e1 \u00e9 revelado. Sendo um filme de Michael Bay, toda a sofistica\u00e7\u00e3o eventualmente esbo\u00e7ada ter\u00e1 que ser fatalmente enterrada por cenas de a\u00e7\u00e3o espetaculares. O diretor n\u00e3o nega suas origens de realizador egresso da publicidade. O estilo de dire\u00e7\u00e3o e principalmente a m\u00fasica-tema principal, com seu tom vago e evocativo, tem tudo de um comercial de TV. Para al\u00e9m de uma simples quest\u00e3o de estilo comercial de est\u00e9tica e de narrativa, chega-se at\u00e9 \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o direta de marcas e logotipos de empresas do nosso mundo real: Puma, Nokia, MSN, Cisco, Reebok, etc.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nada mais apropriado pois do que designar os\u00a0 milion\u00e1rios que encomendaram clones como \u201cpatrocinadores\u201d. O patrocinador do personagem principal, o clone Lincoln six Echo, \u00e9 um sujeitinho aventureiro, conquistador, sem escr\u00fapulos e sem moral, que n\u00e3o se preocupa nem um pouco com o lado humano dos \u201cprodutos\u201d. J\u00e1 o seu clone \u00e9 um idealista que quer salvar sua \u201cra\u00e7a\u201d. Ewan McGregor presta-se bem aos dois pap\u00e9is com seu sorriso amb\u00edguo, que tanto pode expressar simpatia como cafajestice.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Scarlet Johansen acaba eclipsada no papel de interesse rom\u00e2ntico de Lincoln, o que, diga-se de passagem, \u00e9 um desperd\u00edcio. O mercen\u00e1rio Djimon Hounsou sempre faz quest\u00e3o de lembrar suas origens, reencarnando em pap\u00e9is que trazem algo de sua pr\u00f3pria vida. Steve Buscemi faz sempre o mesmo papel, o do sujeito que tem um pouco de canalha, mas ao mesmo tempo \u00e9 um excelente amigo. O shakespereano Sean Bean (o popular chambinho) \u00e9 o \u201cBig Brother\u201d que toma conta do complexo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00c9 com esta competente equipe que Michael Bay arma sua f\u00e1bula. A constru\u00e7\u00e3o que se faz da vida artificial no complexo dos clones funciona como um breve invent\u00e1rio de id\u00e9ias tradicionais da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, revisitadas com relativa compet\u00eancia e surpreendentemente capazes de despertar interesse.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Na sociedade do complexo h\u00e1 muito de \u201c1984\u201d: assepsia, padroniza\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia, controle sobre os sentimentos, proibi\u00e7\u00e3o do sexo. Todas as pequenas instabilidades do indiv\u00edduo(produto) s\u00e3o monitoradas, desde os pesadelos at\u00e9 os sinais metab\u00f3licos detectados no exame autom\u00e1tico das excre\u00e7\u00f5es. Todas as demandas vitais s\u00e3o devidamente administradas. H\u00e1 inclusive atividades f\u00edsicas nas quais os instintos sexuais e a agressividade podem ser sublimados ou dissipados. Como em toda sociedade totalit\u00e1ria retratada nas distopias da fic\u00e7\u00e3o, os clones experimentam tamb\u00e9m a aliena\u00e7\u00e3o no trabalho. Em determinado momento, surge-lhes a inevit\u00e1vel pergunta: \u201cde onde v\u00eam esses tubos? E para onde v\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Quando um indiv\u00edduo precisa ser descartado numa emerg\u00eancia, como ser\u00e1 o caso do \u201cWinston\u201d em quest\u00e3o, o personagem Lincoln six Echo, \u00e9 emitido um \u201calerta de contamina\u00e7\u00e3o\u201d sobre ele, ou seja, tal indiv\u00edduo \u00e9 declarado uma \u201cimpessoa\u201d. O amigo tonto de Lincoln tem algo de Parsons, amigo tonto de Winston no \u201c1984\u201d. Assim como o clone inteligente tem algo de Syme, a respeito de quem Winston tinha certeza de que seria vaporizado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tamb\u00e9m h\u00e1 algo de \u201cAdmir\u00e1vel mundo novo\u201d: os clones s\u00e3o educados por meio das grava\u00e7\u00f5es com as quais suas mentes \u201cinfantis\u201d s\u00e3o bombardeadas durante est\u00e1gio de pr\u00e9-consci\u00eancia. Temos ainda um pouco de \u201cBalde Runner\u201d: criaturas n\u00e3o humanas que tentam parecer humanas a despeito da pouca experi\u00eancia social. \u201cA Ilha\u201d menciona implantes de mem\u00f3ria, como os que eram aplicados nos andr\u00f3ides do cl\u00e1ssico de Ridley Scott, mas n\u00e3o explica como seriam feitos. E finalmente, Michael Bay nos brinda at\u00e9 com um pouco de \u201cMatrix\u201d, pelo menos no que se refere ao visual, como no caso das c\u00e1psulas em que os clones s\u00e3o gestados.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Al\u00e9m da reciclagem da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tradicional, claro que tamb\u00e9m h\u00e1 algumas tiradas c\u00f4micas com o nosso mundo real. O presidente dos Estados Unidos \u00e9 um idiota que s\u00f3 fala bobagens. E o seu clone, congenitamente, \u00e9 um idiota do qual ningu\u00e9m gosta.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Desenvolve-se no roteiro a limitada tentativa de passar a li\u00e7\u00e3o moralista de que o homem n\u00e3o pode brincar de Deus e n\u00e3o pode fabricar clones. Para isso, os clones do filme come\u00e7am a desenvolver mem\u00f3rias que pertencem a seus donos, o que constitui uma fantasia m\u00edstica totalmente sem base concreta. Esse \u00e9 o ponto de partida para que o personagem principal possa se libertar. Mas n\u00e3o ficamos sabendo como se pode explicar, cientificamente, a presen\u00e7a f\u00edsica de mem\u00f3rias de um ser humano no c\u00e9rebro de outro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Esse fen\u00f4meno s\u00f3 acontece porque \u00e9 necess\u00e1rio para que o filme possa defender, \u00e0 sua maneira canhestra a tese peculiar \u00e0 mentalidade religiosa estadunidense difusa de que tudo aquilo que \u00e9 humano (at\u00e9 mesmo um clone) \u00e9 sagrado e deve ter sua dignidade resguardada. \u00c9 claro que as teses e ant\u00edteses a respeito s\u00e3o apenas embrionariamente esbo\u00e7adas, num n\u00edvel em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel concordar nem discordar completamente, por falta de precis\u00e3o. Todas as quest\u00f5es cient\u00edficas, \u00e9ticas, hist\u00f3ricas, sociol\u00f3gicas relevantes e pertinentes s\u00e3o soterradas por toneladas das inevit\u00e1veis cenas de a\u00e7\u00e3o espetaculares.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A dificuldade de abordar tais temas n\u00e3o \u00e9 gratuita. Os filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e3o se aproximando da \u00e9poca em que o \u201cfuturo\u201d deveria estar acontecendo. A promessa da emancipa\u00e7\u00e3o humana exclusivamente por meio da tecnologia n\u00e3o est\u00e1 se verificando no mundo real, e n\u00e3o se pode crer que possa s\u00ea-lo na fic\u00e7\u00e3o. A data fixada para o \u201cfuturo\u201d em \u201cA Ilha\u201d \u00e9 o ano de 2019, que n\u00e3o est\u00e1 assim t\u00e3o distante de n\u00f3s no tempo. De modo que \u00e9 acess\u00edvel \u00e0 fantasia de qualquer um especular sobre quais inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas estar\u00e3o dispon\u00edveis ou n\u00e3o e em que medida a humanidade estar\u00e1 emancipada ou n\u00e3o. O cientificismo tecnocr\u00e1tico da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o mais convence com facilidade dos seus anos dourados. Est\u00e1 \u201cperdendo a gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas prossigamos na explora\u00e7\u00e3o das possibilidades do complexo. A tentativa fascista de manipular a sociedade ali confinada somente funciona porque os seus prisioneiros clones n\u00e3o t\u00eam contato com os dois extremos naturais da vida humana, o nascimento e a morte, e n\u00e3o tem tempo para refletir sobre eles. N\u00e3o h\u00e1 crian\u00e7as e n\u00e3o h\u00e1 idosos no complexo. N\u00e3o h\u00e1 casais. As mulheres que engravidam (barrigas de aluguel) v\u00e3o para \u201ca ilha\u201d, sendo retiradas do conv\u00edvio. Os novos clones s\u00e3o trazidos com a desculpa de que mais gente est\u00e1 sendo resgatada do mundo exterior. Quando chega a hora dos \u00f3rg\u00e3os serem aproveitados, o clone \u00e9 devidamente sorteado pela loteria e retirado do complexo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">N\u00e3o h\u00e1 pois nascimento e morte, h\u00e1 chegada e sa\u00edda do complexo. Os clones n\u00e3o tem que se preocupar com questionamentos metaf\u00edsicos sobre o sentido da vida. Cabe-lhe levar uma vida parcial de alguns anos de dura\u00e7\u00e3o entre a chegada e a partida. H\u00e1bitos simples, poucas emo\u00e7\u00f5es, baixa densidade, complexidade limitada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lincoln six Echo \u00e9 um dos poucos que come\u00e7am a questionar tudo: por que as roupas tem que ser brancas? Quem arruma tudo nas gavetas? Sua curiosidade s\u00f3 faz crescer \u00e0 medida em que se tornam rotineiros seus encontros com o t\u00e9cnico do subterr\u00e2neo, personagem de Steve Buscemi, que lhe traz bebidas, entre outras raridades \u201cremanescentes\u201d do mundo exterior. Em breve, por conta de seu exemplo, descobre-se que toda uma gera\u00e7\u00e3o de clones ter\u00e1 que ser descartada porque pode apresentar o \u201cdefeito\u201d da curiosidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A curiosidade levar\u00e1 Lincoln a fugir e levar Jordan two Delta consigo. Os dois descobrem no mundo exterior a desconcertante verdade sobre sua exist\u00eancia, enquanto tentam escapar dos mercen\u00e1rios contratados por seus criadores. Desenrolam-se algumas cenas c\u00f4micas baseadas na inadapta\u00e7\u00e3o do casal principal ao cen\u00e1rio urbano do mundo real. E logo tudo se dilui na vala comum dos filmes de a\u00e7\u00e3o. Um roteiro que parte de premissas criativas, ainda que implaus\u00edveis, perde a chance de aprofundar as sugestivas quest\u00f5es que apresenta, amarrando-as na superficialidade filos\u00f3fica. Uma esp\u00e9cie de ditado circula como verdade universal em v\u00e1rios momentos do filme: \u201cuma pessoa faz qualquer coisa para sobreviver\u201d. Isso significa inclusive matar. Isso se aplica tanto a um cientista-empres\u00e1rio como Merrick quanto ao clone fugitivo e seu patrocinador sem car\u00e1ter.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">De maneira bastante improv\u00e1vel, Lincoln resolve as coisas com seu antagonista pelas vias de fato (tente imaginar Winston saindo na porrada com o Grande Irm\u00e3o). Claro que n\u00e3o se pode ir longe demais ao comparar uma obra radicalmente pessimista como o \u201c1984\u201d com um filme de final aberto como o d\u2019 \u201cA Ilha\u201d. O que pensar de uma revoada de alguns milhares de clones de ricos e famosos vagando pelo mundo, expondo a vaidade e a falta de escr\u00fapulos daqueles que querem viver para sempre?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">14\/08\/2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>A ILHA: &ldquo;NUNCA PERCA A ESPERAN&Ccedil;A&rdquo;<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;A Ilha&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6142,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40\/revisions\/6142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}