{"id":4039,"date":"2015-06-21T19:47:25","date_gmt":"2015-06-21T22:47:25","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4039"},"modified":"2015-06-24T19:18:46","modified_gmt":"2015-06-24T22:18:46","slug":"por-uma-central-sindical-e-popular-a-altura-das-necessidades-da-classe-trabalhadora-um-balanco-do-ii-congresso-da-csp-conlutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/06\/por-uma-central-sindical-e-popular-a-altura-das-necessidades-da-classe-trabalhadora-um-balanco-do-ii-congresso-da-csp-conlutas\/","title":{"rendered":"Por uma Central Sindical e Popular \u00e0 altura das necessidades da classe trabalhadora &#8211; Um Balan\u00e7o do II Congresso da CSP-Conlutas"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\nP { margin-bottom: 0.08in; }\n--><\/style>\n<h2>Congresso re\u00fane ativistas em luta<\/h2>\n<p>Entre os dias 04 e 07 de Junho ocorreu, em Sumar\u00e9 \u2013 SP, o II Congresso da Central Sindical e Popular-Conlutas. Essa Central tem nucleado trabalhadorxs combativxs de todo o movimento sindical e popular brasileiro. Presentes cerca de 900 trabalhadorxs que no dia a dia enfrentam a dureza das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, o corte de direitos, constru\u00edram lutas importantes e greves em suas categorias e est\u00e3o desatrelados aos governos e aos patr\u00f5es mantendo a independ\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>No entanto, esse II Congresso apresentou v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es e uma delas foi a limita\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o pol\u00edtica, extremamente necess\u00e1ria, diante da realidade de crise e que exige o fortalecimento dessxs trabalhadorxs na unidade das lutas.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/congresso-csp-conlutas.jpeg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright\" alt=\"congresso-csp-conlutas\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/congresso-csp-conlutas-300x300.jpeg\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as poucas discuss\u00f5es, ficaram limitadas tamb\u00e9m \u00e0s lutas imediatas, que s\u00e3o urgentes e necess\u00e1rias, mas n\u00e3o suficientes para enfrentar o capital. Dessa forma, maiores espa\u00e7os de discuss\u00e3o e debates foram substitu\u00eddos por pain\u00e9is (com a participa\u00e7\u00e3o de PSTU, PSOL e PCB), o que colaborou para que os grupos pouco aprofundassem quest\u00f5es como o enfrentamento necess\u00e1rio ao governo burgu\u00eas, contra o avan\u00e7o do machismo, do racismo, da homofobia intensificados com o avan\u00e7o da direita, a unidade das lutas e com a juventude, o papel da CUT e demais centrais governistas diante do levantar dxs trabalhadorxs, o combate \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o da Central, etc.<\/p>\n<p>Acreditamos ainda que a Central re\u00fane um setor que tem nas lutas uma ferramenta da classe com potencial socialista e deveria ser capaz de impulsionar, a cada encontro, o avan\u00e7o da consci\u00eancia socialista, para que essxs trabalhadorxs munidos de um projeto de derrubada da sociedade capitalista possam estar fortalecidos para construir tamb\u00e9m, em suas locais de milit\u00e2ncia, a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o definitiva dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Contudo, constru\u00edmos e impulsionamos a CSP-Conlutas, desde o seu in\u00edcio, independente de sua dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, pelo seu potencial de luta e de alternativa de organiza\u00e7\u00e3o sindical e popular. Mas, ainda \u00e9 necess\u00e1rio que se consolide como alternativa, de fato, classista, anticapitalista, antigovernista e de base nos movimentos de luta da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Congresso n\u00e3o aprova orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical para enfrentar a crise em sua profundidade<\/h2>\n<p>A crise econ\u00f4mica \u00e9 grave. Para manter seus lucros, os patr\u00f5es est\u00e3o jogando seus efeitos sobre a classe trabalhadora. Retirada de direitos, demiss\u00f5es, aumento da terceiriza\u00e7\u00e3o, f\u00e9rias coletivas e layoff s\u00e3o alguns dos ataques da patronal. E o governo Dilma colabora para efetivar o corte direitos (MPs 664 e 665), o ajuste fiscal e as contrarreformas juntamente com o Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Foi diante dessa realidade que se realizou o II Congresso da CSP-Conlutas. Tratava-se de uma oportunidade importante para discutir uma pol\u00edtica e um projeto da Central de enfrentamento a esse cen\u00e1rio, pois a tend\u00eancia \u00e9 que esses efeitos da crise se aprofundem. No entanto, embora tenhamos tido a participa\u00e7\u00e3o de trabalhadorxs de diversos setores e que t\u00eam participado das lutas, o Congresso n\u00e3o alcan\u00e7ou esse objetivo.<\/p>\n<p>O pouco debate pol\u00edtico para reverter essa situa\u00e7\u00e3o e contribuir para uma ofensiva dxs trabalhadorxs contra o governo, o Congresso Nacional e a burguesia tamb\u00e9m se expressa nas pr\u00f3prias resolu\u00e7\u00f5es aprovadas.<\/p>\n<p>A defesa da constru\u00e7\u00e3o da greve geral para o 2\u00ba semestre, por exemplo, sem desconsiderar a sua import\u00e2ncia, como a principal resolu\u00e7\u00e3o do II Congresso, demonstra a falta de uma pol\u00edtica ofensiva no sentido de organizar a unidade e a luta (ocupa\u00e7\u00f5es, bloqueio de rodovias, paralisa\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, portos, aeroportos, etc.) para barrar as demiss\u00f5es, das terceiriza\u00e7\u00f5es, dos cortes de direitos, etc. e enfrentar os desafios que se avizinham pelo momento pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social que j\u00e1 entramos.<\/p>\n<p>Campanha nacional contra o desemprego, a\u00e7\u00f5es contra os ataques aos direitos dxs trabalhadorxs, a impossibilidade de o capitalismo fazer concess\u00f5es, a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva com a intensifica\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o (PL 4330) e desindustrializa\u00e7\u00e3o, um calend\u00e1rio de lutas com datas indicativas e unificadas, etc. foram temas n\u00e3o aprovados em resolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outra resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o aprovada foi a de construirmos um Encontro Nacional de Ativistas de Base para a prepara\u00e7\u00e3o de um plano de luta e de formas unit\u00e1rias de organiza\u00e7\u00e3o da classe e de seus ativistas na luta contra o capital. A crise econ\u00f4mica atinge toda a classe e xs estudantes, as milhares de demiss\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o civil ou metal\u00fargicos, por exemplo, enfraquecem politicamente esses importantes setores do proletariado e t\u00eam consequ\u00eancias imediatas para os demais. \u00c9 sabido que a CUT e as demais centrais governistas n\u00e3o v\u00e3o sair do lado do governo para se colocar ao lado dxs trabalhadorxs. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio que Central se apresente enquanto alternativa pol\u00edtica e organizativa para os setores em luta nessa nova realidade.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o do II Congresso, pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, n\u00e3o considerou e n\u00e3o deu o devido peso para a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de um projeto alternativo para disputar a consci\u00eancia da classe trabalhadora, incorporando setores mais jovens, com debates que contribuam para enfrentar a crise em sua profundidade, enquanto classe, no atual momento, em dire\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a um tipo de atua\u00e7\u00e3o que incorpore a radicalidade desses setores \u00e0 experi\u00eancia do movimento sindical combativo.<\/p>\n<h2>Reverter a pol\u00edtica superestrutural de constru\u00e7\u00e3o da Central imposta pela corrente majorit\u00e1ria<\/h2>\n<p>Desde o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da Central, o seu potencial tem sido amea\u00e7ado pelos m\u00e9todos de constru\u00e7\u00e3o implementados pela corrente majorit\u00e1ria (PSTU). Esses m\u00e9todos expressam uma concep\u00e7\u00e3o de funcionamento das entidades com a qual temos profundo desacordo.<\/p>\n<p>Privilegiam a pouca discuss\u00e3o pol\u00edtica e buscam uma constru\u00e7\u00e3o pela superestrutura. Em junho de 2013 e nos meses que antecederam a Copa do Mundo essa concep\u00e7\u00e3o ficou bem n\u00edtida. Enquanto os movimentos sociais estiveram extremamente radicalizados e as ruas tinham milh\u00f5es de trabalhadores, a CSP-Conlutas perdeu a oportunidade de se colocar como alternativa classista e priorizou os acordos de c\u00fapula com as demais centrais para agendar os \u201cdias de luta nacional\u201d.<\/p>\n<p>No per\u00edodo seguinte, aprofundou essa l\u00f3gica e privilegiou as reuni\u00f5es com o \u201cEspa\u00e7o de Unidade de A\u00e7\u00e3o\u201d que, como era previs\u00edvel, sequer garantiu a unidade de v\u00e1rias categorias nas lutas o que foi vis\u00edvel nesse II Congresso.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se expressa no congresso sindical, que repete as velhas pr\u00e1ticas cutistas, e precisa ser repensada para que se ampliem os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o dxs ativistas, ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio privilegiar a discuss\u00e3o pol\u00edtica na base das categorias para fortalecer os grupos de discuss\u00e3o e permitir que trabalhadorxs expressem suas propostas e contribuam para o debate e para as decis\u00f5es dentro da Central. Nesse II Congresso notamos que essa l\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o da Central ainda permanece e a pr\u00f3pria programa\u00e7\u00e3o atendeu a isso. Deu-se prioridade para as mesas com palestrantes (tempo de fala longo e sem debate), o que imp\u00f5e ao conjunto da milit\u00e2ncia um papel passivo, de expectador e que n\u00e3o privilegia o debate.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas expressas nesses pain\u00e9is demonstram o car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico das din\u00e2micas que atendem a esse tipo de pol\u00edtica. Na apresenta\u00e7\u00e3o sobre Conjuntura, a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, PSTU, exp\u00f4s as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do partido, o que n\u00e3o expressa a diversidade das diferen\u00e7as pol\u00edticas na Central, n\u00e3o contribui para o debate das diverg\u00eancias e nem para necess\u00e1ria s\u00edntese que precisamos para avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Armar os trabalhadores para o enfrentamento, construir a greve geral na base de todas as categorias<\/h2>\n<p>Mesmo sendo a \u00fanica pol\u00edtica votada no Congresso n\u00e3o foi aprovado nenhum calend\u00e1rio de luta com datas indicativas e unit\u00e1rias para a efetiva constru\u00e7\u00e3o da t\u00e3o necess\u00e1ria greve geral. Essa dura tarefa precisa ser constru\u00edda e fortalecida nos locais que atuamos, na base das principais categorias e, inclusive, nos locais onde os sindicatos filiados \u00e0s centrais pelegas n\u00e3o ir\u00e3o construir.<\/p>\n<p>A CSP- Conlutas, atrav\u00e9s da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, tem adotado a pol\u00edtica de manter a ilus\u00e3o nessas centrais, especialmente na CUT, sem fazer a den\u00fancia consequente do papel que fazem a favor do governo e da conten\u00e7\u00e3o e controle do movimento. \u00c9 necess\u00e1rio mantermos a independ\u00eancia pol\u00edtica tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 velha burocracia sindical.<\/p>\n<p>No entanto, entendemos que somos pequenos frente \u00e0s demais centrais, mas n\u00e3o concordamos com a passividade do PSTU quando insiste que somente \u00e9 poss\u00edvel construir a greve geral junto com as demais centrais governistas. Somos o \u00fanico setor capaz de levar \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias as demandas da classe trabalhadora, por mantermos a independ\u00eancia frente aos patr\u00f5es e ao governo.<\/p>\n<p>Portanto, a CSP-Conlutas deve estar na vanguarda desse processo e sem manter ilus\u00f5es nas dire\u00e7\u00f5es governistas. Somente quando a classe trabalhadora, independente das centrais pelegas, se mobilizar \u00e9 que seremos vitoriosos, como o exemplo dos garis do RJ, em 2014, que agiram levando em considera\u00e7\u00e3o as necessidades da categoria e n\u00e3o os privil\u00e9gios e acordos desses dirigentes sindicais.<\/p>\n<p>Esperar que essas centrais governistas deem a din\u00e2mica para a constru\u00e7\u00e3o da greve geral \u00e9 ficar na depend\u00eancia de sua pol\u00edtica, que de antem\u00e3o j\u00e1 sabemos n\u00e3o servir aos interesses da classe trabalhadora. N\u00e3o somos contra a unidade de a\u00e7\u00e3o com essas centrais na tentativa de construir a greve geral, mas contra acordos de c\u00fapula. A unidade efetiva das lutas nas categorias contra todos os ataques do governo e dos patr\u00f5es \u00e9 que possibilita a disputa da consci\u00eancia da classe trabalhadora. Precisamos ganhar a classe para se rebelar contra essas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por esperar e privilegiar os acordos com essas centrais, especialmente a com a CUT, que o II Congresso n\u00e3o aprovou um calend\u00e1rio de lutas para a constru\u00e7\u00e3o da greve geral, para fortalecer as campanhas salariais do segundo semestre como de banc\u00e1rios, petroleiros e Correios e para a unidade com as lutas estudantes. A CSP-Conlutas tem que contribuir para que a classe trabalhadora se arme com uma pol\u00edtica de combate aos ataques dos governos, da patronal e da burocracia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que a Central construa campanhas permanentes para desgastar os governos, o Congresso Nacional e os patr\u00f5es e para que trabalhadorxs se reconhe\u00e7am enquanto classe, com trabalho de base, panfletos e m\u00eddias. Acreditamos que, em uma conjuntura em que o socialismo n\u00e3o se apresenta como alternativa \u00e0 classe, \u00e9 necess\u00e1rio que se incida permanentemente sobre a consci\u00eancia dxs trabalhadorxs e da juventude com campanhas que extrapolem as lutas imediatas e corporativas, para oferecer uma vis\u00e3o que seja capaz de ligar as diversas categorias em um \u00fanico prop\u00f3sito de classe. E isso \u00e9 poss\u00edvel favorece o debate, o que vai na contram\u00e3o da l\u00f3gica imposta ao Congresso pela for\u00e7a majorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O fim das teses e o formato resolu\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para menos debate a mais dispers\u00e3o<\/h2>\n<p>Outro problema presente nesse II Congresso foi o fim das teses, como formato de defesa das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de cada corrente, e a imposi\u00e7\u00e3o de defesas atrav\u00e9s de resolu\u00e7\u00f5es. Com isso tamb\u00e9m se aplica, de uma forma organizativa, a concep\u00e7\u00e3o de se limitar o debate pol\u00edtico. O conte\u00fado das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ficou desprovido de uma l\u00f3gica totalizante, o que dificultou a an\u00e1lise e a compreens\u00e3o das principais pol\u00eamicas. As propostas de resolu\u00e7\u00f5es ficaram deslocadas das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e das an\u00e1lises que cada corrente apresentava no Congresso.<\/p>\n<p>Isso possibilitou que a corrente majorit\u00e1ria, PSTU, nos momentos finais do Congresso deixasse de votar as propostas de resolu\u00e7\u00e3o com as quais tinha polemizado nos grupos de discuss\u00e3o e passou a incorpor\u00e1-las a fim de evitar o debate.<\/p>\n<p>Nesse momento, fica a d\u00favida se as resolu\u00e7\u00f5es aprovadas ser\u00e3o encaminhadas e cumpridas pela corrente majorit\u00e1ria para fortalecimento do poder de decis\u00e3o dxs delegadxs participantes do II Congresso ou continuaremos cm o questionamento nas lutas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os n\u00fameros do II Congresso e a dispers\u00e3o<\/h2>\n<p>O Congresso expressou bem as principais lutas do pa\u00eds, com delegados de importantes categorias do setor produtivo e das que encamparam as lutas recentes. No entanto, apesar da expectativa de participa\u00e7\u00e3o de 1800 delegados eleitos pelo pa\u00eds, o plen\u00e1rio foi esvaziado e contou com pouca participa\u00e7\u00e3o nos grupos de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Na contagem realizada no terceiro dia do Congresso pela manh\u00e3, nos 21 grupos de discuss\u00e3o, contamos com cerca de 800 participantes entre delegados e observadores. As plen\u00e1rias tamb\u00e9m reuniram no m\u00e1ximo 900 pessoas. No s\u00e1bado \u00e0 tarde chegamos a propor uma quest\u00e3o de ordem (rejeitada) pela falta de qu\u00f3rum.<\/p>\n<p>Esse problema pode ser explicado pelo fato de que muitos eleitos n\u00e3o foram ao Congresso, mas tamb\u00e9m pela pr\u00f3pria din\u00e2mica que levava \u00e0 dispers\u00e3o, o que se combina com a limita\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o pol\u00edtica e com a programa\u00e7\u00e3o do Congresso.<\/p>\n<p>Com isso podemos confirmar que o II Congresso teve um maior n\u00famero de entidades representadas, cerca de 30% a mais em rela\u00e7\u00e3o ao congresso anterior, com a presen\u00e7a de novos setores que t\u00eam se aproximado da Central, mas um n\u00famero menor de delegados eleitos.<\/p>\n<p>O fim do Congresso, durante a vota\u00e7\u00e3o das \u00faltimas resolu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o contava com mais de 200 pessoas no plen\u00e1rio e o pr\u00f3prio v\u00eddeo do Congresso teve pouca visualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>As taxas do Congresso<\/h2>\n<p>Mais um problema s\u00e9rio a ser repensado \u00e9 o valor da taxa de inscri\u00e7\u00e3o para o Congresso. \u00c9 certo que os Congressos e encontros da CSP-Conlutas tenham independ\u00eancia financeira em rela\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0s empresas. No entanto, essas taxas, como bem pontuou o CEDES (correntes interna da Central), s\u00e3o proibitivas e fazem com que as oposi\u00e7\u00f5es e as entidades menores n\u00e3o consigam participar, o que leva a um peso em demasia de depend\u00eancia dos sindicatos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que avancemos para um outro tipo de estrutura, que seja mais modesta e que garanta a redu\u00e7\u00e3o das taxas para uma maior participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores de base e de grupos de oposi\u00e7\u00e3o sindical e do movimento popular, setores com mais dificuldades financeiras.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental reverter essa pol\u00edtica superestrutural que contribui para a despolitiza\u00e7\u00e3o das lutas e construir a CSP-Conlutas nas categorias e locais de milit\u00e2ncia para fortalecer a classe trabalhadora. Esse \u00e9 o posicionamento do Bloco Classista Anticapitalista e de Base, de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Chamamos xs trabalhadorxs a se organizarem conosco dentro da central e combater seus erros, rumo a uma reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical e popular \u00e0 altura dos desafios da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Faltaram encaminhamentos contra a burocratiza\u00e7\u00e3o da CSP-Conlutas<\/h2>\n<p>O II Congresso reafirmou que o contato com a realidade das categorias \u00e9 fundamental para a luta pol\u00edtica. No entanto a maioria dos membros da Executiva est\u00e1 liberada (com membros afastados da base) h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Uma demonstra\u00e7\u00e3o de como a Central passa a se organizar levando em considera\u00e7\u00e3o as press\u00f5es do aparato \u00e9 que as reuni\u00f5es da Secretaria Executiva s\u00e3o realizadas durante o dia, de semana, o que impossibilita os poucos que est\u00e3o na base de participarem e at\u00e9 mesmo de ampliar a participa\u00e7\u00e3o de outros membros. Nos sindicatos a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma. As empresas, em geral, nem tem resistido em liberar dirigentes sindicais, pois sabem que ficar\u00e3o longe dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Portanto, trata-se de uma luta pol\u00edtica pela organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na base, contra a patronal e para garantir que os dirigentes sindicais estejam nos locais de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria a renova\u00e7\u00e3o dos dirigentes no movimento. O atual modelo impede que aconte\u00e7am renova\u00e7\u00f5es e que se formem novxs companheirxs. Desde a funda\u00e7\u00e3o da Central os principais dirigentes s\u00e3o os mesmos. Alguns, inclusive, sem qualquer v\u00ednculo trabalhista. Assim, a milit\u00e2ncia se torna na verdade uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse Congresso n\u00e3o adotou medidas concretas e pr\u00e1ticas de controle das libera\u00e7\u00f5es e implementa\u00e7\u00e3o imediata de rod\u00edzio na dire\u00e7\u00e3o da entidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Finan\u00e7as da entidade<\/h2>\n<p>Os \u00faltimos relat\u00f3rios de finan\u00e7as da CSP-Conlutas mostram que a maior parte dos gastos \u00e9 direcionada para o aparato (sede, liberados, funcion\u00e1rios, etc.). Esse comprometimento das finan\u00e7as com o aparato leva \u00e0 paralisia na interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O II Congresso tamb\u00e9m n\u00e3o discutiu um plano de finan\u00e7as com prioridade para as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que fortale\u00e7am as categorias, especialmente com material constante na base. Como j\u00e1 dissemos, a Central precisa se tornar uma refer\u00eancia pol\u00edtica para responder aos desafios do conjunto da classe trabalhadora.<\/p>\n<h2>Congresso n\u00e3o discute Imposto Sindical<\/h2>\n<p>A estrutura sindical brasileira \u00e9 ainda aquela herdada do per\u00edodo varguista, constru\u00edda para atrelar os sindicatos ao Estado e bem prop\u00edcia para a forma\u00e7\u00e3o de uma burocracia sindical. Um dos pilares da sustenta\u00e7\u00e3o das burocracias sindicais \u00e9 o Imposto Sindical, cobrado anualmente no m\u00eas de mar\u00e7o, de forma compuls\u00f3ria, de todos os trabalhadores, no valor de 1 dia de trabalho.<\/p>\n<p>Desse dinheiro 60% fica com o sindicato da categoria e o restante \u00e9 distribu\u00eddo entre minist\u00e9rio do trabalho, federa\u00e7\u00f5es, confedera\u00e7\u00f5es e centrais sindicais.<\/p>\n<p>Como a cobran\u00e7a \u00e9 compuls\u00f3ria, isso quer dizer que se o dirigente sindical ficar o dia inteiro sentado atr\u00e1s de uma mesa ainda haver\u00e1 recursos para a entidade. O imposto sindical fabrica pelegos e burocratas.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse o Imposto Sindical ainda h\u00e1 a Contribui\u00e7\u00e3o Negocial\/Assistencial, normalmente aprovada junto com o diss\u00eddio da categoria. Tamb\u00e9m tem previs\u00e3o na CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas) e o que tem sido discutido \u00e9 o direito de o trabalhador fazer \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, requerer que n\u00e3o se fa\u00e7a o desconto.<\/p>\n<p>Uns sindicatos de esquerda t\u00eam defendido essa cobran\u00e7a alegando que s\u00e3o aprovadas em assembleias da categoria. No entanto, sabemos que muitas assembleias s\u00e3o bem esvaziadas e com isso cai na mesma l\u00f3gica do Imposto Sindical: um recurso que entra na entidade sem nenhum esfor\u00e7o da dire\u00e7\u00e3o sindical e sem aprova\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de conjunto.<\/p>\n<p>Romper com a estrutura sindical passa necessariamente por romper com o Imposto Sindical. De um lado como luta pol\u00edtica exigindo o fim do imposto e, de outro, adotando medidas para que os sindicatos n\u00e3o fiquem com o dinheiro proveniente dessa cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas, novamente a CSP-Conlutas n\u00e3o assumiu com for\u00e7a a luta contra o Imposto Sindical. O Bloco Classista, anticapitalista e de Base (Espa\u00e7o Socialista, MRS e independentes) prop\u00f4s uma resolu\u00e7\u00e3o, que foi rejeitada, para que a Central desse um prazo para os sindicatos fazerem a discuss\u00e3o nas categorias e a partir da\u00ed deixar de receber o dinheiro do Imposto Sindical como parte da constru\u00e7\u00e3o da central. Problema persiste, lesa a classe trabalhadora e continua contaminando a central.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Congresso re\u00fane ativistas em luta Entre os dias 04 e 07 de Junho ocorreu, em Sumar\u00e9 \u2013 SP, o II<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4039"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4039"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4048,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4039\/revisions\/4048"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}