{"id":4093,"date":"2015-07-14T01:28:15","date_gmt":"2015-07-14T04:28:15","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4093"},"modified":"2018-05-01T00:42:45","modified_gmt":"2018-05-01T03:42:45","slug":"contrariando-o-plebiscito-tsipras-pactua-austeridade-com-a-troika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/07\/contrariando-o-plebiscito-tsipras-pactua-austeridade-com-a-troika\/","title":{"rendered":"Contrariando o Plebiscito, Tsipras Pactua Austeridade com a Troika"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- @page { margin: 0.79in } P { margin-bottom: 0.08in } H2 { margin-bottom: 0.08in } H2.western { font-family: \"Liberation Sans\", sans-serif; font-size: 14pt; font-style: italic } H2.cjk { font-size: 14pt; font-style: italic } H2.ctl { font-size: 14pt; font-style: italic } --><\/style>\n<p>No Plebiscito, uma maioria expressiva dos eleitores (61%) rejeitou o pacote da Troika e os cortes da austeridade. Um recado de que os trabalhadores est\u00e3o cansados dos planos de ajuste e, o mais importante, t\u00eam disposi\u00e7\u00e3o de enfrentar o imperialismo alem\u00e3o e franc\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/troika.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/troika-300x165.jpg\" alt=\"troika\" width=\"300\" height=\"165\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mas, agora Tsipras e a maioria do Syriza desacatam a decis\u00e3o da consulta popular e fazem algo muito pior com uma proposta que amarra a Gr\u00e9cia com os planos de austeridade pelos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos e com consequ\u00eancias tamb\u00e9m para o futuro!<\/p>\n<p>Podemos dizer que se trata de uma rendi\u00e7\u00e3o do Syriza e de Tsipras perante Troika, demonstrando que a sua pol\u00edtica \u00e9 a de concilia\u00e7\u00e3o com os donos da Europa. Repetem-se as trag\u00e9dias pol\u00edticas do s\u00e9culo XX em que as massas de trabalhadores querem seguir muito mais al\u00e9m do que as dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de 7,2 bilh\u00f5es de euros (R$ 25,7 bi) no curto prazo, agora a Gr\u00e9cia solicita 53,4 bilh\u00f5es de euros (R$ 190,8 bi) e \u201ccomo garantia\u201d um conjunto de medidas econ\u00f4micas. Mas, mesmo com a capitula\u00e7\u00e3o do governo grego n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia de que pacote v\u00e1 ser aceito pela Troika, apenas perspectivas de novas rodadas de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo \u00e9 que Tsipras e o parlamento grego se comprometem com a efetiva\u00e7\u00e3o de medidas dur\u00edssimas e ainda por maior prazo com o amento do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) para 23% (com algumas poucas exce\u00e7\u00f5es), cortes na Previd\u00eancia que v\u00e3o elevar a idade de aposentadoria de 65 para 67 anos, o fim da isen\u00e7\u00e3o de impostos nas Ilhas Gregas o que ir\u00e1 encarecer uma das fontes principais de receitas da Gr\u00e9cia que \u00e9 o turismo. Al\u00e9m disso, acabam com a ajuda social para os mais pobres at\u00e9 2019, cortam sal\u00e1rios do funcionalismo p\u00fablicos, avan\u00e7am nas privatiza\u00e7\u00f5es dos setores el\u00e9tricos, portos e aeroportos e cortam gastos militares.<\/p>\n<p>Como \u00e9 de se esperar (pelo menos os que n\u00e3o confiam nos governos burgueses, sejam eles de direita ou ditos de \u201cesquerda\u201d) os dirigentes do bloco ainda n\u00e3o aceitaram e tentam arrancar mais e mais da Gr\u00e9cia. A carta \u201coficiosa\u201d do ministro alem\u00e3o que circulou nesse fim de semana (fonte: esquerda.net) \u00e9 a express\u00e3o de como o imperialismo reage mesmo com os que querem capitular. Amea\u00e7am excluir a Gr\u00e9cia do Euro e ainda querem uma \u201ccompensa\u00e7\u00e3o e garantia\u201d de 50 bilh\u00f5es de euros em bens.<\/p>\n<h2>O Eurogrupo (ministros de finan\u00e7as dos pa\u00edses da zona do euro) busca submeter \u00e0 Gr\u00e9cia e demais pa\u00edses<\/h2>\n<p>A Zona do Euro n\u00e3o \u00e9 um todo uniforme, em que todos exercem o mesmo papel. Internamente h\u00e1 pa\u00edses que t\u00eam mais poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico e outros que n\u00e3o t\u00eam esses poderes. \u00c9 a velha f\u00f3rmula de pa\u00edses desenvolvidos impondo sobre os subdesenvolvidos a sua pol\u00edtica, ou seja, para uns serem ricos outros necessariamente t\u00eam que \u201cbancar\u201d essa riqueza.<\/p>\n<p>A Zona do Euro s\u00f3 pode sobreviver se houver essa \u201cdivis\u00e3o\u201d entre pa\u00edses ricos e pobres. Os primeiros dependem dos segundos. O capital alem\u00e3o ou franc\u00eas para garantir a sua lucratividade precisa explorar os trabalhadores gregos, ter mercado para que possa vender suas mercadorias e ter for\u00e7a de trabalho mais barata e dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Num contexto de crise estrutural do capital, com um poss\u00edvel momento de agravamento no horizonte (veja-se as quedas de a\u00e7\u00f5es na China), o imperialismo europeu n\u00e3o pode fazer concess\u00f5es (como de fato n\u00e3o tem feito), ainda mais sem enfrentamento consequente, apenas bravatas e negocia\u00e7\u00f5es. O Eurogrupo est\u00e1 muito endurecido, levando a que na pr\u00e1tica se tenha apenas um aperto da austeridade mantendo a recess\u00e3o e o afogamento da economia grega.<\/p>\n<p>Como praticamente todas as economias dos pa\u00edses perif\u00e9ricos da Zona do Euro passam por problemas (rela\u00e7\u00e3o PIB versus D\u00edvida, retirada de direitos, desemprego, aumento da pobreza, etc.) a solu\u00e7\u00e3o grega ser\u00e1 uma refer\u00eancia para todos esses pa\u00edses e, principalmente, para as lutas da classe trabalhadora. Pensar\u00e3o os trabalhadores: se os gregos conseguiram derrubar a Troika n\u00f3s tamb\u00e9m podemos conseguir&#8230;<\/p>\n<p>A finaliza\u00e7\u00e3o desse acordo no clima p\u00f3s-Plebiscito e com a economia grega praticamente paralisada, novos ataques marcar\u00e3o uma retomada das lutas na Gr\u00e9cia, dessa vez se voltando contra o Syriza. Os trabalhadores e o setor mais pauperizado do povo grego n\u00e3o ir\u00e3o aceitar novas doses do mesmo veneno sem lutar. Se era pra aceitar todas ou quase todas as exig\u00eancias da Troika ent\u00e3o por que o Plebiscito?<\/p>\n<h2>A import\u00e2ncia desse tema no contexto atual da Europa e do mundo<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia, embora represente apenas 2% de todo o PIB da Uni\u00e3o Europeia, tem import\u00e2ncia central, sobretudo pol\u00edtica e estrat\u00e9gica, pois \u00e9 apenas a ponta de um iceberg muito maior. Por tr\u00e1s da Gr\u00e9cia est\u00e3o Portugal, Espanha, Irlanda, It\u00e1lia e outros. A situa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia mostra o rumo e as tend\u00eancias que est\u00e3o postas para os demais \u201cprimos pobres\u201d do euro. As negocia\u00e7\u00f5es com Troika s\u00e3o dur\u00edssimas e o que os espera \u00e9 apenas mais austeridade.<\/p>\n<p>Privados do direito b\u00e1sico na soberania de qualquer pa\u00eds de emitir sua moeda e, inclusive, de desvaloriz\u00e1-la para facilitar as suas exporta\u00e7\u00f5es como fazem abertamente os EUA, Alemanha e China, os pa\u00edses perif\u00e9ricos da Europa s\u00e3o postos em condi\u00e7\u00f5es de \u201cigualdade\u201d sem de fato serem, uma vez que h\u00e1 profundas diferen\u00e7as entre a Alemanha e Gr\u00e9cia (bem como outros pa\u00edses).<\/p>\n<p>Ocorre que Gr\u00e9cia tamb\u00e9m Portugal, Espanha, Irlanda e at\u00e9 mesmo It\u00e1lia n\u00e3o conseguem concorrer no mercado europeu em condi\u00e7\u00f5es de igualdade com as pot\u00eancias Alemanha e Fran\u00e7a, que possuem um n\u00edvel de tecnologia muito maior. Dessa forma, a Gr\u00e9cia e os demais pa\u00edses citados foram acumulando d\u00e9ficits e tendo que se endividarem, tomando emprestado dos bancos europeus os euros necess\u00e1rios para sustentar seus gastos correntes.<\/p>\n<p>Ao servirem de mercado consumidor para as mercadorias das potencias centrais, ao receber investimentos financeiros para financiar esse consumo e ao mesmo tempo como suprimento de m\u00e3o de obra barata e de livre circula\u00e7\u00e3o, esses pa\u00edses t\u00eam sustentado o crescimento de Alemanha e Fran\u00e7a e seus seguidos super\u00e1vits.<\/p>\n<p>O \u201cproblema grego\u201d \u00e9 de fato um \u201cproblema europeu\u201d e com repercuss\u00e3o na economia capitalista, dado que um desmonte desse bloco (ou pelo menos o seu questionamento) cairia por terra mais uma tentativa de o capital europeu sair de sua crise estrutural.<\/p>\n<h2>Banqueiro e agiota fazem investimentos?<\/h2>\n<p>O discurso \u00e9 sempre o mesmo: adotam-se essas medidas de austeridades para garantir o crescimento econ\u00f4mico, como se pudesse vir com um estalar de dedos. O curioso \u00e9 que essas \u201cmedidas para crescer\u201d s\u00e3o sempre retirando direito dos trabalhadores e aumentando dinheiro para os ricos.<\/p>\n<p>Como sabemos o crescimento das economias capitalistas necessitam de \u201cuma ajuda do Estado\u201d e como esses n\u00e3o t\u00eam dinheiro suficiente precisam aumentar os impostos ou se endividarem. \u00c9 a\u00ed que entram (e entraram) os banqueiros e especuladores. \u00c0 procura de lucro f\u00e1cil emprestam dinheiro ao Estado com juros alt\u00edssimos e com lucro crescente (que n\u00e3o conseguiriam na produ\u00e7\u00e3o) e esse disponibiliza (em forma de cr\u00e9dito, por exemplo) para as empresas (para produzir) e popula\u00e7\u00e3o em geral (para consumir).<\/p>\n<p>Ocorre que no primeiro desiquil\u00edbrio o Estado n\u00e3o pode pagar a d\u00edvida e passa a buscar novos empr\u00e9stimos para pagar o que venceu.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da Gr\u00e9cia. Toda a discuss\u00e3o sobre a d\u00edvida e do pacote de resgate n\u00e3o \u00e9 para investir em emprego, escola, obras p\u00fablicas ou qualquer outra coisa que possa beneficiar o povo grego, pelo contr\u00e1rio, esses novos empr\u00e9stimos nem chegam a entrar na Gr\u00e9cia, pois v\u00e3o direto para os cofres dos bancos credores da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o podemos falar em investimentos desses empr\u00e9stimos financeiros dos bancos europeus na Gr\u00e9cia, pois eram mais um espa\u00e7o de realiza\u00e7\u00e3o do capital para os pa\u00edses dominantes que durante esse tempo incentivaram e sustentaram o crescente endividamento grego. Isso comprova que as transa\u00e7\u00f5es financeiras e os empr\u00e9stimos dos bancos e dos \u00f3rg\u00e3os como o FMI, o Banco Mundial n\u00e3o conseguem resolver os problemas financeiros dos pa\u00edses devedores, pelo contr\u00e1rio, eles s\u00e3o agravados.<\/p>\n<p>Para fazer frente ao crescente servi\u00e7o da D\u00edvida esses Estados j\u00e1 v\u00eam cortando violentamente os investimentos nos servi\u00e7os p\u00fablicos e direitos sociais ao mesmo tempo em que atacam os sal\u00e1rios, direitos e empregos como forma de tentar tornar suas economias mais competitivas no mercado europeu e internacional (via sobrecarga do trabalho direto da extra\u00e7\u00e3o de mais valia-absoluta). Assim, o euro \u00e9 a express\u00e3o monet\u00e1ria de uma domina\u00e7\u00e3o muito maior intra-Europa.<\/p>\n<p>Mas, o que realmente fez a D\u00edvida de todos esses pa\u00edses, em particular da Gr\u00e9cia, dar um salto foi a opera\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o dos bancos a partir da crise de 2008 que elevou a suas D\u00edvidas a n\u00edveis estratosf\u00e9ricos. No caso da Gr\u00e9cia, ap\u00f3s uma renegocia\u00e7\u00e3o, a D\u00edvida foi reduzida, mas os juros e a recess\u00e3o a fizeram crescer novamente at\u00e9 atingir o absurdo patamar de 177% do PIB grego.<\/p>\n<p>A d\u00edvida total da Gr\u00e9cia hoje \u00e9 de \u20ac 332 bilh\u00f5es, ou cerca de US$ 370 bilh\u00f5es. Quase 80% da d\u00edvida p\u00fablica grega v\u00eam dos fundos de resgate europeus, dos empr\u00e9stimos bilaterais dos pa\u00edses da Zona Euro, dos empr\u00e9stimos do FMI ou est\u00e3o nas m\u00e3os do Banco Central da Europa (BCE). A d\u00edvida grega \u00e9 uma d\u00edvida p\u00fablica adquirida em grande parte para que o Estado grego pudesse pagar os bancos privados.\u00a0(http:\/\/cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Internacional\/O-escandalo-e-roubo-da-divida-grega\/6\/32806)<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o tem sido negociado empr\u00e9stimos com a Troika, mas ao custo de fazer com que a Gr\u00e9cia fique cada vez mais pobre e dependente dos agiotas internacionais, pois quanto mais paga mais deve. A Troika tem praticamente assumido os rumos econ\u00f4micos do pa\u00eds, fiscalizando todos os gastos e investimentos e vetando tudo aquilo que possa comprometer sua fatia do le\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 5 anos atr\u00e1s quando se firmaram os primeiros acordos com a Troika, houve uma depress\u00e3o da economia com a perda de 25% do PIB anual, 25 % da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 desemprega e na juventude esse \u00edndice \u00e9 acima de 50%! A decad\u00eancia social tamb\u00e9m se expressa nos sal\u00e1rios e pens\u00f5es dos aposentados e na queda dos rendimentos dos setores m\u00e9dios da sociedade.<\/p>\n<p>Assim, a rejei\u00e7\u00e3o no Plebiscito do pacote apresentado pela Troika expressou a disposi\u00e7\u00e3o de luta dos trabalhadores e da maior parte do povo Grego que sente que as coisas s\u00f3 ir\u00e3o piorar em uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel.<\/p>\n<h2>N\u00e3o Pagamento da D\u00edvida e Romper Com o Euro! Duas medidas Cruciais para resolver o problema da Gr\u00e9cia e demais pa\u00edses perif\u00e9ricos da Europa<\/h2>\n<p>Conhecemos bem o sistema da d\u00edvida p\u00fablica. L\u00e1 como aqui, quanto mais paga, mais deve. E a maior parte dessa d\u00edvida n\u00e3o significou sequer um leito de hospital ou uma sala de aula. S\u00e3o os banqueiros e os agiotas (para quem os governos da Alemanha e da Fran\u00e7a trabalham efetivamente) procurando valorizar o seu dinheiro e \u00e0 custa dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Para que haja qualquer perspectiva de retomada da economia grega \u00e9 preciso a imediata ruptura dos acordos com a Troika, o N\u00c3O pagamento da D\u00edvida P\u00fablica e a Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema Financeiro sob controle dos trabalhadores. Essa \u00e9 a \u00fanica forma de estancar a sangria da economia grega e ter dinheiro para pagar os sal\u00e1rios, sustentar os servi\u00e7os p\u00fablicos e os investimentos que o pa\u00eds precisa. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso voltar a ter o controle de sua moeda. Tudo isso implica a ruptura com o Euro.<\/p>\n<p>Essas medidas s\u00e3o defensivas do ponto de vista das necessidades imediatas da economia grega e ao mesmo tempo ofensivas no sentido da ruptura com o capital financeiro e com a domina\u00e7\u00e3o das maiores potencias Alemanha e Fran\u00e7a. Mas, \u00e9 preciso ver essas medidas como parte de uma pol\u00edtica para ganhar a consci\u00eancia da classe trabalhadora e avan\u00e7ar para a ruptura n\u00e3o s\u00f3 com a zona do Euro, mas com o pr\u00f3prio capitalismo.<\/p>\n<p>Olhando em perspectiva essas medidas teriam que ser seguidas por outras de car\u00e1ter anticapitalista e socialista uma vez que a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda grega, o dracma, exigiria a expropria\u00e7\u00e3o dos principais ramos da economia sob controle dos trabalhadores a fim de que a produ\u00e7\u00e3o se voltasse para as necessidades sociais e n\u00e3o para o mercado e o lucro. Caso contr\u00e1rio, a desvaloriza\u00e7\u00e3o geral da moeda seria jogada sobre as costas dos trabalhadores redundando no aumento da miserabilidade da mesma forma.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m essas medidas n\u00e3o podem ser vistas como \u201cetapistas\u201d, primeiro essas de \u201cliberta\u00e7\u00e3o nacional\u201d e depois outras radicais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o do poder da burguesia. Essas medidas s\u00f3 ter\u00e3o sentido se forem parte de uma estrat\u00e9gia de ruptura com o capitalismo.<\/p>\n<p>E mesmo essas medidas \u201cimediatas\u201d para serem adotadas significam uma luta de vida ou morte com o imperialismo europeu, por isso \u00e9 fundamental que seja uma luta de todos os trabalhadores dos demais pa\u00edses da Zona do Euro, com a cria\u00e7\u00e3o de formas de organiza\u00e7\u00e3o para internacionalizar a luta, condi\u00e7\u00e3o fundamental para enfrentar o capital.<\/p>\n<h2>Syriza e Tsipras: n\u00e3o d\u00e1 para confiar<\/h2>\n<p>Com esse acordo fica n\u00edtido que nem Tsipras e nem o Syriza, assim como as organiza\u00e7\u00f5es correlatas nos demais pa\u00edses como o Podemos na Espanha e outros, ir\u00e3o impulsionar os trabalhadores nesse caminho. S\u00e3o partidos e dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas que diante dos desafios decisivos de ruptura com o capital e com a burguesia, recuam aceitando \u201cacordos\u201d que na pr\u00e1tica significam dur\u00edssimos ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o se pode ter nenhuma ilus\u00e3o em Tsipras e no Syriza, que ao serem representantes dos setores m\u00e9dios da sociedade e at\u00e9 de alguns setores da burguesia, n\u00e3o ir\u00e3o impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e muito menos a ruptura com o pagamento da D\u00edvida, a Troika e o euro.<\/p>\n<p>Indo de capitula\u00e7\u00e3o em capitula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ajudar a impor aos trabalhadores mesmo que uma vers\u00e3o menos mal dos planos de austeridade, Tsipras ir\u00e1 se desgastando cada vez mais, at\u00e9 o momento em que n\u00e3o ser\u00e1 mais \u00fatil para a burguesia e ser\u00e1 substitu\u00eddo.<\/p>\n<h2>Por uma Sa\u00edda revolucion\u00e1ria dos Trabalhadores para a Gr\u00e9cia e a Europa!<\/h2>\n<p>Somente os trabalhadores podem apontar essa estrat\u00e9gia de ruptura, mas tudo indica que ainda h\u00e1 um caminho a percorrer em termos da sua consci\u00eancia, programa e formas de organiza\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o maior atraso, pois se h\u00e1 uma rejei\u00e7\u00e3o massiva da austeridade, o mesmo n\u00e3o ocorre ainda no campo da gesta\u00e7\u00e3o de alternativas socialistas, embora haja experi\u00eancias de luta e organiza\u00e7\u00e3o independentes em curso. Isso ainda dificulta o oferecimento de uma alternativa em termos pol\u00edtico-sociais e n\u00e3o apenas para os trabalhadores da Gr\u00e9cia mas tamb\u00e9m dos demais pa\u00edses mais pobres da Europa.<\/p>\n<p>Essa alternativa \u00e9 mais necess\u00e1ria devido ao fato de que de outro lado a extrema direita tamb\u00e9m se organiza e se apresenta com pseudo-sa\u00eddas xen\u00f3fobas e de ataque frontal aos direitos dos trabalhadores e direitos sociais alcan\u00e7ados nas d\u00e9cadas passadas. Apontar uma sa\u00edda socialista para a Gr\u00e9cia \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m para se enfrentar a extrema direita que cresce em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo. Na Gr\u00e9cia hoje est\u00e3o se realizando experi\u00eancias fundamentais para os trabalhadores de todo mundo.<\/p>\n<p>Assim, uma ruptura com a Troika e o Euro s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis a partir de um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da maioria do povo pobre grego independentes e contra o Syriza e a burguesia grega.<\/p>\n<p>Mas, os avan\u00e7os das experi\u00eancias dos trabalhadores e das vanguardas de luta assim como a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias podem apontar um caminho para a situa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia e dos demais pa\u00edses em crise na Europa.<\/p>\n<p>Somente o avan\u00e7o das lutas, consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e da juventude e a luta pela constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas revolucion\u00e1rias com influ\u00eancia de massas podem levar a um governo socialista revolucion\u00e1rio que tenha a disposi\u00e7\u00e3o de impulsionar uma revolu\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo fazer um amplo chamado a que os trabalhadores e setores oprimidos nos demais pa\u00edses em dificuldades fa\u00e7am o mesmo e juntem-se em uma federa\u00e7\u00e3o de estados revolucion\u00e1rios da Europa que indique um caminho para os demais pa\u00edses rumo ao socialismo.<\/p>\n<h2>De \u00faltima hora&#8230; O que \u00e9 ruim pode ficar pior&#8230;<\/h2>\n<p>Quando est\u00e1vamos fechando essa nota, as negocia\u00e7\u00f5es do governo grego com a Troika e o Eurogrupo ainda n\u00e3o estavam conclu\u00eddas, mas as not\u00edcias indicavam que, incentivados pela capitula\u00e7\u00e3o de Tsipras, iam apertar o cerco com medidas muito duras e ainda avan\u00e7ar sobre a pr\u00f3pria soberania do pa\u00eds. Para iniciar as negocia\u00e7\u00f5es as lideran\u00e7as da Zona do Euro colocaram como condi\u00e7\u00e3o que a Gr\u00e9cia:<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 o fim do dia 15 (quarta-feira) o parlamento grego vote uma lei que garanta a implementa\u00e7\u00e3o das medidas de austeridade que os credores indicaram;<\/p>\n<p>&#8211; O parlamento tem que votar uma legisla\u00e7\u00e3o com aumento de impostos, reforma no sistema de aposentadoria aumentando a idade m\u00ednima para 67 anos e tamb\u00e9m colocar bens no valor de 50 bilh\u00f5es de euros como garantia pelos novos cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>As noticias s\u00e3o de que Tsipras deve aceitar parte das exig\u00eancias, incluindo nas garantias medidas como um plano de privatiza\u00e7\u00f5es e reforma na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista para \u201cflexibilizar\u201d direitos trabalhistas, permitindo, por exemplo, demiss\u00f5es coletivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Plebiscito, uma maioria expressiva dos eleitores (61%) rejeitou o pacote da Troika e os cortes da austeridade. 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