{"id":4099,"date":"2015-07-18T10:43:28","date_gmt":"2015-07-18T13:43:28","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4099"},"modified":"2018-05-01T00:42:31","modified_gmt":"2018-05-01T03:42:31","slug":"jornal-80-o-que-e-o-desemprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/07\/jornal-80-o-que-e-o-desemprego\/","title":{"rendered":"Jornal 80: O que \u00e9 o desemprego?"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- @page { margin: 0.79in } P { margin-bottom: 0.08in } --><\/style>\n<p>Em nossa sociedade, o desemprego \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o t\u00e3o frequente quanto o Sol nascer a leste. Acompanha a vida de todos os trabalhadores, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 houve \u00e9poca, principalmente nos anos de 1950 e 1960, que muitos trabalhadores ficaram iludidos de que o desemprego estava para desaparecer. Eram anos em que se acreditava nas promessas do Estado de Bem-Estar e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Um enorme n\u00famero de trabalhadores, quase sempre iludidos por suas lideran\u00e7as sindicais e pol\u00edticas, nutriam a certeza de que o desemprego seria logo, logo, coisa do passado. Para eles, a d\u00favida n\u00e3o era se o desemprego estaria desaparecendo, mas se desapareceria pelo modelo da Economia Sovi\u00e9tica ou pelo Estado de Bem-Estar.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/2-300x226.jpg\" alt=\"2\" width=\"300\" height=\"226\" \/><\/a><\/p>\n<h2>A hist\u00f3ria tem a virtude de, logo, colocar as coisas no seu lugar e destruir as ilus\u00f5es, mesmo as mais generosas.<\/h2>\n<p>Com o passar dos anos, o Estado de Bem-Estar foi revelando a sua verdadeira ess\u00eancia: atrav\u00e9s do fordismo, intensificou a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho at\u00e9 um n\u00edvel nunca conhecido antes. Para tornar essa maior explora\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, reprimiu o movimento dos trabalhadores como nunca antes havia ocorrido na hist\u00f3ria das democracias e, ainda, implementou um longo programa pol\u00edtico para atrelar os sindicatos ao Estado. Aumentou a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, n\u00e3o apenas nos pa\u00edses capitalistas mais desenvolvidos, imperialistas, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses subdesenvolvidos atrav\u00e9s das multinacionais (Brasil, M\u00e9xico, Argentina, Ir\u00e3, \u00c1frica do Sul etc.). Como resultado, a burguesia concentrou ainda mais a riqueza em suas m\u00e3os e, o desemprego, foi aumentando no correr dos anos.<\/p>\n<p>As ilus\u00f5es com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tamb\u00e9m n\u00e3o resistiriam \u00e0 hist\u00f3ria. O que parecia, para muitos, a reden\u00e7\u00e3o da humanidade dos males da sociedade de classes, se revelou uma forma diferente de desenvolvimento do capital em pa\u00edses atrasados (como a velha R\u00fassia dos czares). O fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica revelou uma nova forma, que n\u00e3o socialista, da velha explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital. L\u00e1 tamb\u00e9m, o desemprego n\u00e3o foi superado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Com o tempo passam as ilus\u00f5es, mas, tamb\u00e9m, as gera\u00e7\u00f5es se sucedem<\/h2>\n<p>Os que t\u00eam hoje menos de 40 anos de idade, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o viveram essas ilus\u00f5es de que o desemprego estaria com os dias contados. Pelo contr\u00e1rio, convivem com a crise estrutural do capital. A crise estrutural tem sua origem no que o capitalismo tem de maior virtude: sua capacidade em aumentar a produ\u00e7\u00e3o ininterruptamente. Em pouqu\u00edssimas palavras, como a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre maior do que o consumo, os pre\u00e7os tendem a cair abaixo do custo, inviabilizando a acumula\u00e7\u00e3o de capital e lan\u00e7ando a sociedade em uma crise sem fim. A crise estrutural, que se iniciou na metade da d\u00e9cada de 1970, n\u00e3o tem data para terminar. A \u00fanica certeza que ela nos possibilita \u00e9 que, se a situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 ruim, muito pior ser\u00e1 no futuro. Isso, claro, tamb\u00e9m vale para o desemprego: tal como tendem a piorar a viol\u00eancia, as desigualdades sociais, a Educa\u00e7\u00e3o, os servi\u00e7os de sa\u00fade, transporte etc., tamb\u00e9m o desemprego tende a crescer.<\/p>\n<p>Por todos os lugares, por todo o tempo, o desemprego sempre acompanha o capital. As ilus\u00f5es passadas no Estado de Bem-Estar e na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e as ilus\u00f5es presentes de que h\u00e1 sa\u00edda para o desemprego sem superar o capitalismo, n\u00e3o passam disso: ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Sejamos razo\u00e1veis!<\/h2>\n<p>Hoje n\u00e3o podemos sequer confiar nas estat\u00edsticas oficiais. Elas apenas consideram como desempregados os trabalhadores que procuram, mas n\u00e3o encontram empregos. O n\u00famero real de desempregados \u00e9 muito maior, j\u00e1 que uma parte dos desempregados n\u00e3o mais procura emprego, vive de bicos, na informalidade (as atividades semiclandestinas de com\u00e9rcio, etc.) ou, ainda, na ilegalidade (drogas, armas, furtos e roubos etc.). O que podemos ter certeza \u00e9 que a quantidade \u00e9 enorme e tende a crescer.<\/p>\n<p>Caro leitor, raciocine: se, com tanta gente sem emprego, produzimos muito mais do que necessitamos para todos viverem muit\u00edssimo bem, calcule o pouco que ter\u00edamos que trabalhar se todos trabalhassem!<\/p>\n<p>O razo\u00e1vel n\u00e3o seria, nessa circunst\u00e2ncia, diminuir a jornada de trabalho de tal modo que todos pudessem trabalhar? Imagine se, ao inv\u00e9s de 5 ou 6 dias, trabalh\u00e1ssemos 2 ou um dia e meio por semana: a vida n\u00e3o seria, imediatamente, muito melhor para todos? Caso todos tivessem emprego, a viol\u00eancia n\u00e3o diminuiria rapidamente? O transporte n\u00e3o melhoria tendo que transportar muito menos trabalhadores, todos os dias, para o emprego? A vida familiar de todos n\u00e3o teria uma qualidade muito melhor?<\/p>\n<p>No entanto, o que ocorre \u00e9 precisamente o oposto! \u00c9, justamente, o contr\u00e1rio: obrigam-nos a trabalhar ainda mais intensamente para que possam despedir ainda mais gente! A chamada &#8220;reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva&#8221; n\u00e3o \u00e9, precisamente, isso: produzir muito mais, com muito menos trabalhadores?<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de diminuir a jornada de trabalho para todos terem emprego, aumenta-se a intensidade do trabalho de uns para desempregar a outros tantos mais! &#8220;Se isso n\u00e3o \u00e9 uma loucura coletiva, est\u00e1 muito perto de vir\u00e1&#8221;, como diria Patativa do Assar\u00e9, o maior repentista que o nordeste jamais conheceu.<\/p>\n<p>N\u00e3o termina por que n\u00f3s produzimos para enriquecer os capitalistas, n\u00e3o produzimos para atender nossas necessidades. Ou, para dizer o mesmo com outras palavras, vivemos em uma sociedade em que as nossas necessidades s\u00e3o apenas meios para que os burgueses se enrique\u00e7am. Ou, se preferirem: em nossa sociedade, s\u00f3 s\u00e3o atendidas aquelas necessidades humanas cujo atendimento \u00e9 lucrativo. Enfim, porque vivemos no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>O interesse absoluto de todo capitalista \u00e9 aumentar o lucro. Aten\u00e7\u00e3o: aumentar o lucro e, n\u00e3o, mant\u00ea-lo est\u00e1vel. Porque vence a concorr\u00eancia aquele burgu\u00eas que conseguir maior lucro que os outros. Como todos est\u00e3o procurando aumentar seu lucro, quem n\u00e3o consegue aumentar seu lucro, logo vai \u00e0 fal\u00eancia. Aumentar o lucro: esse o interesse absoluto de todo capitalista, sua necessidade primeira.<\/p>\n<p>O lucro, todavia, \u00e9 composto de coisas bastante distintas. H\u00e1 o lucro do banco, que vem da diferen\u00e7a entre os juros que ele paga e os juros que ele cobra. H\u00e1 o lucro do com\u00e9rcio, que vem da diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o pago pelas mercadorias e o pre\u00e7o com que se as vende.<\/p>\n<p>Mas, a sua forma mais importante, porque vem da produ\u00e7\u00e3o de toda a riqueza da sociedade, \u00e9 a mais-valia do oper\u00e1rio da cidade e do campo. A mais-valia \u00e9 a diferen\u00e7a entre a riqueza produzida pelo trabalhador e o que ele recebe como sal\u00e1rio. \u00c9 dessa diferen\u00e7a que o capitalista paga os custos da produ\u00e7\u00e3o e retira a riqueza que vai aumentando seu capital. O sal\u00e1rio, ao contr\u00e1rio, no melhor dos casos, apenas permite ao trabalhador pagar suas despesas para continuar como trabalhador e para, seus filhos, serem tamb\u00e9m trabalhadores.<\/p>\n<p>Quanto maior a quantidade de riqueza que o trabalhador produzir em compara\u00e7\u00e3o ao sal\u00e1rio que recebe, maior a mais-valia. Do mesmo modo, quanto maior a riqueza que uma f\u00e1brica (ou latif\u00fandio) produzir com cada vez menos trabalhadores, menos sal\u00e1rios s\u00e3o pagos: maior a mais-valia do burgu\u00eas. Por isso, a &#8220;lei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista&#8221; inclui o fato de que &#8220;todo capitalista tem interesse absoluto de extrair determinado quantum de trabalho de um n\u00famero menor de trabalhadores&#8221; (Marx, O Capital, &#8220;A lei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista&#8221;).<\/p>\n<p>A tend\u00eancia geral do desenvolvimento do capitalismo, por isso, \u00e9 aumentar cada vez mais a produ\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, empregar cada vez menos trabalhadores, atrav\u00e9s do aumento constante da produtividade de cada trabalhador. Por isso, com o capitalismo, sempre vai haver mais trabalhadores do que empregos. Uma parte importante dos trabalhadores estar\u00e1 permanentemente no desemprego, dando origem ao que Marx chamou de &#8220;ex\u00e9rcito industrial de reserva&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O ex\u00e9rcito industrial de reserva<\/h2>\n<p>Ao capitalista, quanto mais ele produzir com menos trabalhadores, maior seu lucro. Daqui a causa b\u00e1sica do desemprego ser algo permanente no capitalismo, mesmo em per\u00edodos em que o crescimento econ\u00f4mico gera uma maior procura por trabalhadores. O desemprego faz parte da &#8220;lei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista&#8221;. Essa massa de trabalhadores sem emprego, dispostos a qualquer trabalho em troca de qualquer sal\u00e1rio, \u00e9 o que Marx denominou de &#8220;ex\u00e9rcito industrial de reserva&#8221;.<\/p>\n<p>O jovem Engels, ao entrar em contato com Londres no in\u00edcio do s\u00e9culo 19, fez um bel\u00edssimo estudo sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, vida e moradia dos trabalhadores e oper\u00e1rios de ent\u00e3o. A descri\u00e7\u00e3o que ele faz da cidade (h\u00e1 mapas de Londres daqueles anos que nos permitem localizar as ruas e quarteir\u00f5es, bairros e parques que ele menciona) impressiona a todos, ainda hoje, s\u00e9culo e meio depois. O destino daqueles homens e mulheres, velhos (poucos) e crian\u00e7as (muitas) era tentar conseguir vender sua for\u00e7a de trabalho para viver como porcos \u2013 ou, ainda pior, n\u00e3o conseguir emprego e viver pior do que os porcos. Esse destino era j\u00e1 a encarna\u00e7\u00e3o de um dos aspectos da &#8220;lei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista&#8221;: o capitalismo e o desemprego n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos, mas s\u00e3o como que irm\u00e3os siameses. Um n\u00e3o pode viver sem o outro.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito industrial de reserva exerce dois importantes pap\u00e9is na reprodu\u00e7\u00e3o do capital. O primeiro papel \u00e9 diretamente econ\u00f4mico, o segundo ideol\u00f3gico e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O valor da for\u00e7a de trabalho corresponde ao tempo de trabalho socialmente necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o da vida do trabalhador. Mas, o pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho, pode estar acima ou abaixo desse valor de acordo com a lei da oferta e da procura. Se h\u00e1 mais trabalhadores procurando emprego do que vagas oferecidas, o capitalista pode contratar o trabalhador mais habilidoso pelo menor sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por isso, o ex\u00e9rcito industrial de reserva n\u00e3o \u00e9; apenas, uma decorr\u00eancia do fato de que quanto mais se produzir, com uma quantidade menor de trabalhadores, maior a mais-valia. \u00c9 tamb\u00e9m um poderoso instrumento que possibilita ao patr\u00e3o pagar o menor sal\u00e1rio ao melhor trabalhador que conseguir no mercado. Por isso, desde o s\u00e9culo 19, o Estado \u2013 lembremos: o comit\u00ea executivo do conjunto da classe dominante \u2013 toma medidas para administrar o tamanho ideal do ex\u00e9rcito industrial de reserva. Se os desempregados n\u00e3o forem em n\u00famero suficiente, a mais-valia tende a cair porque os sal\u00e1rios tendem a subir; se for em demasia, pode provocar revoltas sociais indesejadas. Atrav\u00e9s do favorecimento ou proibi\u00e7\u00e3o da entrada de trabalhadores estrangeiros, atrav\u00e9s das pol\u00edticas de est\u00edmulo ou de controle do aumento da popula\u00e7\u00e3o, do seguro-desemprego etc., o Estado pode, com alguma efici\u00eancia, controlar a massa de desempregados sempre presente na economia.<\/p>\n<p>A primeira consequ\u00eancia, diz\u00edamos, era diretamente econ\u00f4mica: a presen\u00e7a do ex\u00e9rcito industrial de reserva derruba o sal\u00e1rio e, correspondentemente, aumenta a mais-valia. O desemprego \u00e9 lucrativo ao patr\u00e3o e ao sistema do capital como um todo.<\/p>\n<p>A segunda consequ\u00eancia \u00e9 o reflexo do desemprego na consci\u00eancia, na luta e na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. A persegui\u00e7\u00e3o aos trabalhadores revolucion\u00e1rios \u00e9 muito mais f\u00e1cil, e o poder de press\u00e3o do patr\u00e3o sobre todos os trabalhadores \u00e9 muito mais eficaz, quando h\u00e1 muitos trabalhadores procurando emprego. Por nada, vem o aviso de dispensa. Mas, quando faltam trabalhadores, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Por isso, o poder de rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores varia conforme aumenta ou diminui o ex\u00e9rcito industrial de reserva. Quando faltam trabalhadores e os sal\u00e1rios est\u00e3o subindo \u00e9 mais f\u00e1cil para o movimento dos trabalhadores conseguir pequenas vit\u00f3rias, como redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, melhores sal\u00e1rios, etc. Ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel, em cada empresa, em cada lugar de trabalho, a vit\u00f3ria pontual de pequenas e localizadas lutas. \u00c9, tamb\u00e9m, o momento em que crescem as ilus\u00f5es reformistas, ou seja, a cren\u00e7a de que, de pequenas em pequenas conquistas, chegaremos a nos libertar do capital.<\/p>\n<p>Todavia, quando falta empregos e os trabalhadores \u00e9 que s\u00e3o em demasia (como ocorre durante a crise estrutural), o oposto acontece. A \u00fanica resist\u00eancia poss\u00edvel \u00e9 a do conjunto dos trabalhadores, unidos, contra o capital. Individualmente, ou isoladamente em cada local de trabalho, apenas se pode acatar, como carneiros, o que foi determinado pelo patr\u00e3o. Nesses momentos, aos trabalhadores n\u00e3o restam sen\u00e3o duas alternativas: a completa rendi\u00e7\u00e3o ou a revolta aberta.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que os sindicatos \u2013 em nossos dias e falando em geral, deixando de lado as exce\u00e7\u00f5es \u2013 dominados pela aristocracia oper\u00e1ria, jogam um papel importante de aux\u00edlio \u00e0 burguesia. Sempre que a luta dos trabalhadores amea\u00e7a passar a um confronto aberto contra a explora\u00e7\u00e3o, quase sempre os sindicatos agem para isol\u00e1-las e derrot\u00e1-las. Foi assim na grande greve de 1936, na Fran\u00e7a, nas greves de 1967-68, na Inglaterra e na Fran\u00e7a, na greve de um ano (1984-85) dos mineiros ingleses contra Margaret Thatcher e, entre n\u00f3s, na greve dos Petroleiros de 1995, contra as pol\u00edticas neoliberais do FHC e na greve do funcionalismo p\u00fablico no primeiro governo Lula, contra a reforma da previd\u00eancia. Os exemplos podiam servir para uma longu\u00edssima lista e, provavelmente, a maioria dos leitores conhecer\u00e3o outros exemplos.<\/p>\n<p>Quando negociamos com o capital o desemprego de alguns de nossos companheiros de trabalho, negociamos o desemprego futuro de todos os trabalhadores. Dividido, o proletariado n\u00e3o tem qualquer for\u00e7a para resistir ao capital. Na luta de classes, quem pode o mais n\u00e3o pode o menos. Os trabalhadores e o proletariado, unidos, podem destruir o capital, mas, divididos, sob o dom\u00ednio do capital e da aristocracia oper\u00e1ria que \u00e9 sua aliada, n\u00e3o conseguem sequer diminuir o desemprego ou mesmo, for\u00e7ar uma pequena distribui\u00e7\u00e3o da riqueza social.<\/p>\n<p>Portanto, o desemprego: 1) \u00e9 causado pela necessidade absoluta do capital, de ampliar a mais valia pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o com um n\u00famero decrescente de trabalhadores; 2) possui tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de reduzir os sal\u00e1rios; 3) ainda auxilia os patr\u00f5es e seus aliados no movimento sindical e pol\u00edtico a controlar os trabalhadores, a enfraquecer suas lutas e faz com que os trabalhadores e prolet\u00e1rios permane\u00e7am divididos e debilitados, favorecendo a consci\u00eancia &#8220;economicista&#8221; (Lenin), reformista e fortalecendo as lideran\u00e7as que apregoam a colabora\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n<p>Mas, por outro lado, o desemprego tamb\u00e9m tem uma consequ\u00eancia inversa. Em v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria, foi uma das causas importantes da eclos\u00e3o de movimentos revolucion\u00e1rios. Essa possiblidade sempre existe, e amedronta a burguesia e seus aliados, porque o desemprego n\u00e3o deixa aos trabalhadores sen\u00e3o uma possibilidade para se libertar da mis\u00e9ria e da opress\u00e3o: derrubar a totalidade do capital e se libertar da explora\u00e7\u00e3o de classe. O desemprego, nesses momentos, passa a ser uma poderosa vacina contra as ideias reformistas e favorece a divulga\u00e7\u00e3o das ideias revolucion\u00e1rias. Alguns sindicatos e o capital far\u00e3o tudo o que puderem para combater a ideologia revolucion\u00e1ria, mas, j\u00e1 sabemos, isso, tamb\u00e9m, faz parte da luta de classes, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Textos recomendados:<\/h2>\n<p>Engels, F. A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora inglesa. A melhor edi\u00e7\u00e3o \u00e9 da Boitempo, organizada por Jos\u00e9 P. Netto.<\/p>\n<p>Marx, K. &#8220;A lei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista&#8221;, um cap\u00edtulo do Livro I de O Capital. A melhor edi\u00e7\u00e3o \u00e9 da Abril Cultural (depois denominada de Nova Abril). A edi\u00e7\u00e3o mais recente, da Boitempo, est\u00e1 com muitos problemas.<\/p>\n<p>Sobre o fordismo, ainda que n\u00e3o muito recente, o livro de Thomas Gounet, Fordismo e toyotismo na civiliza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel (Boitempo, 1999) continua sendo muito bom para uma introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nossa sociedade, o desemprego \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o t\u00e3o frequente quanto o Sol nascer a leste. Acompanha a vida de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4101,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4099"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4099"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4099\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6020,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4099\/revisions\/6020"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}