{"id":4108,"date":"2015-07-18T11:02:56","date_gmt":"2015-07-18T14:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4108"},"modified":"2015-07-18T11:02:56","modified_gmt":"2015-07-18T14:02:56","slug":"jornal-80-por-uma-central-sindical-a-altura-da-classe-trabalhadora-um-balanco-do-congresso-da-csp-conlutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/07\/jornal-80-por-uma-central-sindical-a-altura-da-classe-trabalhadora-um-balanco-do-congresso-da-csp-conlutas\/","title":{"rendered":"Jornal 80: Por uma central sindical \u00e0 altura da classe trabalhadora &#8211; um balan\u00e7o do congresso da CSP-Conlutas"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n--><\/style>\n<p>Entre os dias 04 e 07 de Junho ocorreu, em Sumar\u00e9 \u2013 SP, o II Congresso da Central Sindical e Popular-Conlutas. Por um lado estavam presentes trabalhadorxs que no dia a dia constru\u00edram lutas importantes e greves em suas categorias, por outro o congresso apresentou v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es que precisamos abordar no sentido de avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o da central.<\/p>\n<p>Acreditamos que a Central re\u00fane ainda um setor que tem nas lutas uma ferramenta da classe, capaz de impulsionar o avan\u00e7o dos trabalhadores para uma consci\u00eancia socialista, para um projeto de derrubada da sociedade de classes e constru\u00e7\u00e3o da emancipa\u00e7\u00e3o definitiva. Por isso, constru\u00edmos e impulsionamos a CSP-Conlutas, desde o seu in\u00edcio, independente da l\u00f3gica imposta pela sua dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Mas, ainda \u00e9 necess\u00e1rio que a central consolide como alternativa, de fato, classista, anticapitalista, antigovernista e de base nos movimentos de luta da classe trabalhadora.<\/p>\n<h2>N\u00e3o aprova orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical para enfrentar a crise em sua profundidade<\/h2>\n<p>Foi diante da realidade de agravamento da crise econ\u00f4mica, com o ajuste fiscal, as demiss\u00f5es e a retirada de direitos e alastramento da terceiriza\u00e7\u00e3o que se realizou o Congresso. Tratava-se de uma oportunidade importante para discutir uma pol\u00edtica e um projeto da Central de enfrentamento a esse cen\u00e1rio.. No entanto, o Congresso n\u00e3o alcan\u00e7ou esse objetivo, o que tamb\u00e9m se expressa nas pr\u00f3prias resolu\u00e7\u00f5es aprovadas. Uma l\u00f3gica de limita\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o pol\u00edtica permeou todo o Congresso, limitando as discuss\u00f5es \u00e0s quest\u00f5es imediatas, que s\u00e3o urgentes e necess\u00e1rias, mas n\u00e3o suficientes para enfrentar o capital. Dessa forma, maiores espa\u00e7os de discuss\u00e3o e debates foram substitu\u00eddos por pain\u00e9is (com a participa\u00e7\u00e3o de PSTU, PSOL e PCB), o que colaborou para que os grupos pouco aprofundassem quest\u00f5es importantes.<\/p>\n<p>Faltou uma pol\u00edtica ofensiva no sentido de organizar a unidade e a luta (ocupa\u00e7\u00f5es, bloqueio de rodovias, paralisa\u00e7\u00f5es) para barrar as demiss\u00f5es, as terceiriza\u00e7\u00f5es, os cortes de direitos, e outros ataques. N\u00e3o se aprovou uma campanha nacional contra o desemprego, um Encontro Nacional de Ativistas de Base para a prepara\u00e7\u00e3o de um plano de luta e de formas unit\u00e1rias de organiza\u00e7\u00e3o da classe.<\/p>\n<h2>\u00a0Reverter a pol\u00edtica superestrutural de constru\u00e7\u00e3o imposta pela corrente majorit\u00e1ria<\/h2>\n<p>Desde o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da Central, o seu potencial tem sido amea\u00e7ado pelos m\u00e9todos de constru\u00e7\u00e3o implementados pela corrente majorit\u00e1ria (PSTU), que expressam uma concep\u00e7\u00e3o de funcionamento das entidades com a qual temos profundo desacordo.<\/p>\n<p>Privilegiam a pouca discuss\u00e3o pol\u00edtica e buscam uma constru\u00e7\u00e3o pela superestrutura. Em junho de 2013 e nos meses que antecederam a Copa do Mundo isso ficou bem n\u00edtido. Enquanto os movimentos sociais estiveram extremamente radicalizados e as ruas tinham milh\u00f5es de trabalhadores, a CSP-Conlutas perdeu a oportunidade de se colocar como alternativa classista e priorizou os acordos de c\u00fapula com as demais centrais para agendar os \u201cdias de luta nacional\u201d. No per\u00edodo seguinte, aprofundou essa l\u00f3gica e privilegiou as reuni\u00f5es com o \u201cEspa\u00e7o de Unidade de A\u00e7\u00e3o\u201d que sequer garantiu a unidade de v\u00e1rias categorias nas lutas o que foi vis\u00edvel nesse II Congresso.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se expressa no congresso sindical, que repete as velhas pr\u00e1ticas cutistas, e precisa ser repensada para que se ampliem os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o dxs ativistas, ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio privilegiar a discuss\u00e3o pol\u00edtica na base das categorias para fortalecer os grupos de discuss\u00e3o (e n\u00e3o as mesas com palestrantes, tempo de fala longo e sem debate), e permitir que trabalhadorxs expressem suas propostas e contribuam para o debate e para as decis\u00f5es dentro da Central.<\/p>\n<h2>\u00a0Preparar para o enfrentamento, construir a greve geral na base de todas as categorias<\/h2>\n<p>Mesmo sendo a \u00fanica pol\u00edtica votada no Congresso, n\u00e3o foi aprovado nenhum calend\u00e1rio de luta com datas indicativas e unit\u00e1rias para a efetiva constru\u00e7\u00e3o da t\u00e3o necess\u00e1ria greve geral.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria tem adotado a pol\u00edtica de manter a ilus\u00e3o nas centrais pelegas sem fazer a den\u00fancia consequente do papel que fazem a favor do governo e da conten\u00e7\u00e3o e controle do movimento. \u00c9 necess\u00e1rio mantermos a independ\u00eancia pol\u00edtica tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 velha burocracia sindical.<\/p>\n<p>Entendemos que somos pequenos frente \u00e0s demais centrais, mas n\u00e3o concordamos com a passividade do PSTU quando insiste que somente \u00e9 poss\u00edvel construir a greve geral esperando por elas. Somos um dos \u00fanicos setores capazes de levar \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias as demandas da classe trabalhadora, por mantermos a independ\u00eancia frente aos patr\u00f5es e ao governo. Somente quando a classe trabalhadora se mobilizar de forma independente \u00e9 que seremos vitoriosos, como o exemplo dos garis do RJ, em 2014.<\/p>\n<p>Esperar que essas centrais governistas deem a din\u00e2mica para a constru\u00e7\u00e3o da greve geral \u00e9 ficar na depend\u00eancia de sua pol\u00edtica, que n\u00e3o nos serve. N\u00e3o somos contra a unidade de a\u00e7\u00e3o com essas centrais na tentativa de construir a greve geral, mas contra acordos de c\u00fapula. A unidade efetiva das lutas nas categorias contra todos os ataques do governo e dos patr\u00f5es \u00e9 que possibilita a disputa da consci\u00eancia da classe trabalhadora. Precisamos ganhar a classe para se rebelar contra essas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por esperar e privilegiar os acordos com essas centrais, especialmente a com a CUT, que o II Congresso n\u00e3o aprovou um calend\u00e1rio de lutas para a constru\u00e7\u00e3o da greve geral, para fortalecer as campanhas salariais do segundo semestre.<\/p>\n<h2>O fim das teses e o formato resolu\u00e7\u00f5es com menos debate a mais dispers\u00e3o<\/h2>\n<p>Outro problema presente nesse II Congresso foi o fim das teses, como formato de defesa das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de cada corrente, e a imposi\u00e7\u00e3o de defesas atrav\u00e9s de resolu\u00e7\u00f5es. Com isso tamb\u00e9m se aplica, de uma forma organizativa, a concep\u00e7\u00e3o de se limitar o debate pol\u00edtico. O conte\u00fado das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ficou desprovido de uma l\u00f3gica totalizante, o que dificultou a an\u00e1lise e a compreens\u00e3o das principais pol\u00eamicas.<\/p>\n<p>Isso possibilitou que a corrente majorit\u00e1ria, PSTU, nos momentos finais do Congresso deixasse de votar as propostas de resolu\u00e7\u00e3o com as quais tinha polemizado nos grupos de discuss\u00e3o e passou a incorpor\u00e1-las a fim de evitar o debate. Perguntamos, qual a chance de que sejam cumpridas propostas aprovadas somente para evitar o debate?<\/p>\n<h2>Os n\u00fameros do II Congresso, as taxas e a dispers\u00e3o<\/h2>\n<p>O Congresso expressou bem as principais lutas do pa\u00eds, com delegados de importantes categorias do setor produtivo e das que encamparam as lutas recentes. No entanto, apesar da expectativa de participa\u00e7\u00e3o de 1800 delegados eleitos pelo pa\u00eds e ter maior n\u00famero de entidades representadas, cerca de 30% a mais em rela\u00e7\u00e3o ao congresso anterior, o plen\u00e1rio foi esvaziado e reuniu no m\u00e1ximo 900 pessoas, com pouca participa\u00e7\u00e3o nos grupos de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que os Congressos e encontros da CSP-Conlutas tenham independ\u00eancia financeira em rela\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0s empresas. No entanto, as alt\u00edssimas taxas de inscri\u00e7\u00e3o para o congresso, foram proibitivas e fizeram com que as oposi\u00e7\u00f5es e as entidades menores n\u00e3o consigam participar, o que leva a um peso em demasia de depend\u00eancia dos sindicatos. \u00c9 necess\u00e1rio que avancemos para outro tipo de estrutura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Faltaram encaminhamentos contra a burocratiza\u00e7\u00e3o da CSP-Conlutas<\/p>\n<p>A maioria dos membros da Executiva da central \u00e9 composta por liberados (com membros afastados da base) h\u00e1 anos. As reuni\u00f5es da Secretaria Executiva s\u00e3o realizadas durante o dia, de semana, o que impossibilita os poucos que est\u00e3o na base de participarem e at\u00e9 mesmo de ampliar a participa\u00e7\u00e3o de outros membros. Nos sindicatos a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria a renova\u00e7\u00e3o dos dirigentes no movimento. Desde a funda\u00e7\u00e3o da Central os principais dirigentes s\u00e3o os mesmos. Alguns, inclusive, sem qualquer v\u00ednculo trabalhista. Assim, a milit\u00e2ncia se torna na verdade uma profiss\u00e3o, que acaba imprimindo para a luta necessidades estranhas \u00e0s da classe trabalhadora, uma invers\u00e3o prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os \u00faltimos relat\u00f3rios de finan\u00e7as da central mostram que a maior parte dos gastos \u00e9 direcionada para o aparato (sede, liberados, funcion\u00e1rios, etc.) levando \u00e0 paralisia na interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O II Congresso tamb\u00e9m n\u00e3o discutiu um plano de finan\u00e7as com prioridade para as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que fortale\u00e7am as categorias, especialmente com material constante na base.<\/p>\n<h2>Congresso n\u00e3o discute Imposto Sindical<\/h2>\n<p>A estrutura sindical brasileira \u00e9 ainda aquela herdada do per\u00edodo varguista, constru\u00edda para atrelar os sindicatos ao Estado e bem prop\u00edcia para a forma\u00e7\u00e3o de uma burocracia sindical. Um dos pilares da sustenta\u00e7\u00e3o das burocracias sindicais \u00e9 o Imposto Sindical. Como a cobran\u00e7a \u00e9 compuls\u00f3ria, isso quer dizer que se o dirigente sindical ficar o dia inteiro sentado atr\u00e1s de uma mesa ainda haver\u00e1 recursos para a entidade. O imposto sindical fabrica pelegos e burocratas.<\/p>\n<p>Romper com a estrutura sindical passa necessariamente por romper com o Imposto Sindical. De um lado com luta pol\u00edtica exigindo o fim do imposto e, de outro, adotando medidas para que os sindicatos n\u00e3o fiquem esse dinheiro. Mas, novamente a CSP-Conlutas n\u00e3o assumiu com for\u00e7a a luta contra o Imposto Sindical e n\u00e3o aprovou resolu\u00e7\u00f5es nesse sentido.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o posicionamento do Espa\u00e7o Socialista em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Chamamos xs trabalhadorxs a se organizarem conosco dentro da central e combater seus erros, rumo a uma reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical e popular \u00e0 altura dos desafios da classe trabalhadora!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 04 e 07 de Junho ocorreu, em Sumar\u00e9 \u2013 SP, o II Congresso da Central Sindical e<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4108"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4108"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4114,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4108\/revisions\/4114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}