{"id":4118,"date":"2015-07-18T11:20:52","date_gmt":"2015-07-18T14:20:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4118"},"modified":"2015-07-18T11:20:52","modified_gmt":"2015-07-18T14:20:52","slug":"jornal-80-o-orgulho-lgbt-e-os-desafios-da-luta-pela-superacao-do-preconceito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/07\/jornal-80-o-orgulho-lgbt-e-os-desafios-da-luta-pela-superacao-do-preconceito\/","title":{"rendered":"Jornal 80: O Orgulho LGBT e os desafios da luta pela supera\u00e7\u00e3o do preconceito"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n\t\tH2 { margin-bottom: 0.08in }\n\t\tH2.western { font-family: \"Liberation Sans\", sans-serif; font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tH2.cjk { font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tH2.ctl { font-size: 14pt; font-style: italic }\n--><\/style>\n<p>As sociedades de classes t\u00eam como fundamento a explora\u00e7\u00e3o de uma classe social sobre outra. Na sociedade capitalista \u00e9 a burguesia que explora a classe trabalhadora, ou seja, o que os trabalhadores produzem a maior parte vai para as m\u00e3os da burguesia, essa classe social lucra se apropriando do trabalho alheio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/6.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4121 alignright\" alt=\"6\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/6.jpg\" width=\"275\" height=\"183\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/6.jpg 275w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/6-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para essa explora\u00e7\u00e3o ser efetiva essas sociedades possuem normas (legais e morais) para legitimar essa explora\u00e7\u00e3o, fazer com que existam pessoas que se submetam a ela e estejam dispostas a vender a sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Mas, isso ainda \u00e9 pouco. N\u00e3o basta se submeter e vender a for\u00e7a de trabalho, \u00e9 preciso vender o mais barato poss\u00edvel para que a manuten\u00e7\u00e3o de nossas necessidades f\u00edsicas tamb\u00e9m seja com o mais b\u00e1sico poss\u00edvel.<\/p>\n<p>E como o capitalismo consegue isso? Uma das formas \u00e9 estabelecendo diferen\u00e7as entre as pessoas, desqualificando a sua for\u00e7a de trabalho para que, al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o, imponha sobre elas a opress\u00e3o pela cor de pele, de g\u00eanero ou de orienta\u00e7\u00e3o sexual. Essas barbaridades j\u00e1 ocorreram em diversos modelos de sociedade e continuam na capitalista.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos com essas constata\u00e7\u00f5es porque s\u00e3o essenciais para compreendermos que a viol\u00eancia contra as pessoas LGBT decorre da pr\u00f3pria l\u00f3gica de funcionamento da sociedade capitalista.<\/p>\n<h2>A viol\u00eancia contra as pessoas LGBT<\/h2>\n<p>Para prevalecer essa opress\u00e3o a classe dominante dissemina na sociedade ideias preconceituosas e moralistas de modo que elas pare\u00e7am n\u00e3o da classe dominante, mas como algo \u201cnormal e natural\u201d de toda a sociedade.<\/p>\n<p>Quando a burguesia n\u00e3o consegue que as pessoas, passivamente, se conformem e aceitem como natural a diferencia\u00e7\u00e3o, escancara-se uma viol\u00eancia aberta. Os dados s\u00e3o assustadores, pela quantidade e pelas caracter\u00edsticas dessa viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Dados do servi\u00e7o \u201cDisque 100\u201d da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 divulgados pelo Estad\u00e3o \u2013 mostram como essa viol\u00eancia \u00e9 persistente. Em 2011 foram 1159 den\u00fancias de casos ligados \u00e0 homofobia. Em 2014, at\u00e9 o m\u00eas de outubro, foram 6.500 den\u00fancias, aumento de 460%.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se convive s\u00f3 com a viol\u00eancia \u201cmenos letal\u201d. A amea\u00e7a \u00e0 vida das pessoas LGBT \u00e9 outra companhia do cotidiano. O \u201cRelat\u00f3rio Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil\u201d (2014) do Grupo Gay da Bahia (GGB) apresenta dados alarmantes.<\/p>\n<p>No ano passado foram 326 mortes de gays, travestis e l\u00e9sbicas no Brasil. Um assassinato a cada 27 horas. Menos do que os ocorridos em 2012, mas 4,1 % a mais do que em rela\u00e7\u00e3o a 2013. Esses dados colocam o Brasil como o pa\u00eds mais violento do mundo e com o maior n\u00famero de crimes motivados pela homo\/transfobia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sabemos que esses dados n\u00e3o expressam com exatid\u00e3o a viol\u00eancia sofrida pelas pessoas LGBT. Delegacias de policias, unidades de atendimento m\u00e9dico (hospitais, etc.) ou outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos muitas vezes n\u00e3o registram muitos casos como parte da viol\u00eancia homof\u00f3bica. Como os casos de assassinatos em que a tipifica\u00e7\u00e3o vai para latroc\u00ednio ou crime contra a vida, retirando a motiva\u00e7\u00e3o homof\u00f3bica.<\/p>\n<p>Para termos uma ideia de que a viol\u00eancia contra as pessoas LGBT \u00e9 fruto desse sistema de explora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u201ccaso exclusivo do Brasil\u201d, os dados da ILGA\/2012 \u2013 uma Associa\u00e7\u00e3o internacional de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transexuais \u2013 mostram que em 78 pa\u00edses pelo mundo afora h\u00e1 homofobia praticada pelo pr\u00f3prio Estado, com legisla\u00e7\u00e3o e consequentemente san\u00e7\u00f5es policiais e jur\u00eddicas contra as pessoas LGBT praticadas diretamente pelo Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os direitos das pessoas LGBT e a luta pelo socialismo<\/h2>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia e da constru\u00e7\u00e3o de uma moral homof\u00f3bica n\u00e3o est\u00e1 na \u201cnatureza humana\u201d, mas na pr\u00f3pria ideologia que alimenta a sociedade capitalista. Como o capitalismo precisa da mercadoria for\u00e7a de trabalho (biologicamente gerada por pessoas do g\u00eanero masculino e feminino) para produzir outras mercadorias \u00e9 fundamental a exist\u00eancia de um padr\u00e3o normativo, ou seja, o \u201cnormal\u201d \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres, capazes de reproduzir essa mercadoria especial, que \u00e9 a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Nesse sentido, entendemos que \u201ca homossexualidade apresenta uma nega\u00e7\u00e3o direta da fun\u00e7\u00e3o social do sexo dentro da sociedade de classes e sua fam\u00edlia patriarcal. A rela\u00e7\u00e3o homossexual n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o do casamento, n\u00e3o gera filhos, n\u00e3o reproduz a for\u00e7a de trabalho. Trata-se de um tipo de rela\u00e7\u00e3o que visa apenas a satisfa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e os la\u00e7os entre eles, sem qualquer \u201cutilidade social\u201d para a classe dominante\u201d (Resolu\u00e7\u00e3o de Confer\u00eancia\/2011 Espa\u00e7o Socialista).<\/p>\n<p>\u00c9 assim que entra a moral burguesa, como os ide\u00f3logos do sistema n\u00e3o podem dizer a verdade, aparecem a moral, os preceitos religiosos e outras tantas barbaridades para incutir na sociedade as ideias homof\u00f3bicas, transf\u00f3bicas e a persegui\u00e7\u00e3o contra as pessoas LGBT.<\/p>\n<p>Desse modo explicamos a exist\u00eancia dessa forma de viol\u00eancia e entendemos que o combate cotidiano contra todas as formas de viol\u00eancia \u00e0s pessoas LGBT deve ser somado \u00e0 luta pelo fim dessa sociedade que a alimenta.<\/p>\n<p>Portanto, construir um car\u00e1ter classista da luta pelas \u201cquest\u00f5es espec\u00edficas\u201d das pessoas LGBT em unidade com as quest\u00f5es mais gerais e a luta estrat\u00e9gica pelo fim do capitalismo s\u00e3o urg\u00eancias para transformar essa realidade opressiva e violenta. Isso tamb\u00e9m quer dizer que \u00e9 necess\u00e1rio ganhar a classe trabalhadora (que reproduz as ideias da classe dominante) para essa luta e, ao mesmo tempo, incorporar nas lutas por direitos, em especial nas campanhas salariais, as reivindica\u00e7\u00f5es das pessoas LGBT de cada categoria.<\/p>\n<p>Obviamente reconhecemos que o Movimento LGBT precisa se fortalecer e buscar compreender a sua dinamicidade e entraves, visto que, n\u00e3o existem somente LGBT na classe trabalhadora. Isso produz uma desigualdade dentro do pr\u00f3prio movimento que legitima principalmente os homens gays e brancos de classe m\u00e9dia, apelidados por GGGG. Precisamos superar as contradi\u00e7\u00f5es e reconhecer que necessitamos de um Movimento LGBT que seja, de fato, emancipador e que se comprometa com transforma\u00e7\u00e3o real de nossa sociedade. Que busque a supera\u00e7\u00e3o da sociedade do preconceito e possa fortalecer todos os setores oprimidos (mulheres, negras e negros, classe trabalhadora, etc.), pois h\u00e1 LGBT em todos esses setores. Somente com a articula\u00e7\u00e3o das lutas entre todas (os) \u00e9 que ser\u00e1 poss\u00edvel uma transforma\u00e7\u00e3o de fato dessa sociedade, com a supera\u00e7\u00e3o do preconceito e das desigualdades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Dia 28 de junho: dia do orgulho LGBT<\/h2>\n<p>A regra para n\u00f3s trabalhadores \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, a pobreza, a opress\u00e3o por sermos pretos, pobres, gays, l\u00e9sbicas. A regra \u00e9 a classe trabalhadora ser resignada, aceitar passivamente, ali\u00e1s, \u00e9 por isso que nos dominam.<\/p>\n<p>Mas, como muitos eventos na hist\u00f3ria, h\u00e1 momento em que um fato aparentemente comum transforma-se em algo extraordin\u00e1rio. Como se diz \u00e9 a gota que faltava para transbordar o copo. Assim \u00e9 o dia 28 de junho para o movimento LGBT.<\/p>\n<p>Em Nova Iorque, na d\u00e9cada de 1960, o bar Stonewall Inn era um espa\u00e7o frequentado por gays, l\u00e9sbicas e travestis e onde casais dan\u00e7avam \u00e0 vontade. Diante da persegui\u00e7\u00e3o e da discrimina\u00e7\u00e3o na sociedade estadunidense contra os LGBT, os bares eram o espa\u00e7o ideal e onde podiam se relacionar.<\/p>\n<p>Como em outros bares do g\u00eanero na cidade, Stonewall Inn sofria com as batidas policiais sob os mais variados pretextos, obviamente \u201cnunca era por conta da orienta\u00e7\u00e3o sexual dos frequentadores\u201d. Agress\u00f5es e pris\u00f5es eram comuns.<\/p>\n<p>Mas, na madrugada do dia 28 de junho de 1969 foi diferente. Uma entre tantas outras batidas policiais \u2013 normalmente sob a alega\u00e7\u00e3o de falta de licen\u00e7a para a venda de bebidas alco\u00f3licas \u2013 levou a mais viol\u00eancia e pris\u00f5es. Mas, ao contr\u00e1rio das outras vezes houve resist\u00eancia \u00e0 investida policial. A resist\u00eancia se generalizou, de um lado policiais e de outro uma multid\u00e3o (com apoio dos moradores da Rua Christopher Street,\u00a0onde se localizava o bar) que resistia como podia jogando garrafas de cerveja, cadeiras, etc.<\/p>\n<p>Na noite seguinte a batalha se repetiu e dessa vez refor\u00e7ada por mais pessoas e com reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como o direito \u00e0 liberdade de se expressar, o fim da viol\u00eancia policial, entre outras.<\/p>\n<p>Pela intensidade da resist\u00eancia e pela repercuss\u00e3o dessa luta a prefeitura foi obrigada a recuar e p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>O principal feito da Batalha de Stonewall \u00e9 o resgaste do \u201cOrgulho LGBT\u201d e a certeza de que a conquista de direitos somente pode vir com a luta, com a resist\u00eancia. Por isso Stonewall tornou-se uma refer\u00eancia para o movimento LGBT e para quem luta por uma sociedade em que a liberdade seja plena em todos os seus aspectos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As sociedades de classes t\u00eam como fundamento a explora\u00e7\u00e3o de uma classe social sobre outra. 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