{"id":4149,"date":"2015-08-15T11:19:45","date_gmt":"2015-08-15T14:19:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4149"},"modified":"2018-05-01T00:42:24","modified_gmt":"2018-05-01T03:42:24","slug":"jornal-81-a-internacionalizacao-da-luta-da-mulher-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/08\/jornal-81-a-internacionalizacao-da-luta-da-mulher-negra\/","title":{"rendered":"Jornal 81: A internacionaliza\u00e7\u00e3o da luta da mulher negra"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- P { margin-bottom: 0.08in; } --><\/style>\n<p>Poucas coisas podem ser t\u00e3o cru\u00e9is quanto \u00e0 heran\u00e7a deixada pelo patriarcado \u00e0s mulheres negras da classe trabalhadora. Heran\u00e7a que indica um lugar demarcado, subalterno, precarizado. Essa condi\u00e7\u00e3o vem sendo combatida pelos movimentos de mulheres negras, contudo a invisibilidade impede que a sociedade em geral reconhe\u00e7a e valorize essa luta.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulher-negra-trabalhadora.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4150 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulher-negra-trabalhadora-199x300.jpg\" alt=\"mulher negra trabalhadora\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulher-negra-trabalhadora-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulher-negra-trabalhadora.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com as primeiras organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras, formadas nos anos 1980, o movimento organizou importantes a\u00e7\u00f5es e, em 1992, se reuniu na Rep\u00fablica Dominicana, data que deu origem ao Dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha e \u00e0 Rede de Mulheres Afro-latino-americanas, Afro-caribenhas e da Di\u00e1spora. E estipulou-se o dia 25 de julho como o marco internacional da luta e da resist\u00eancia da mulher negra.<\/p>\n<p>Tendo nossas demandas diminu\u00eddas e atacadas pelo racismo e pelo machismo, buscamos combater e dar visibilidade \u00e0s diversas formas de luta promovendo o fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o e do movimento das mulheres negras nos espa\u00e7os p\u00fablicos, a fim de denunciar as condi\u00e7\u00f5es de vida a quais estamos submetidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A limitada e necess\u00e1ria luta por direitos<\/h2>\n<p>No mundo do trabalho, por exemplo, sabemos quais postos est\u00e3o reservados \u00e0 mulher negra. Via de regra, encontra-se em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel de trabalho, o que significa dizer que s\u00e3o assalariadas sem carteira assinada, aut\u00f4nomas, empregadas dom\u00e9sticos ou trabalhadoras familiares n\u00e3o-remuneradas. As formas de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho das mulheres negras s\u00e3o significativamente menos protegidas e sofrem uma dupla discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, a amea\u00e7a da aprova\u00e7\u00e3o da PL 4330\/04 promete piorar ainda mais esse quadro. J\u00e1 temos um quadro, no que se referem aos trabalhadores terceirizados, de baixos sal\u00e1rios, sal\u00e1rios atrasados, maior jornada de trabalho, trabalhos mais pesados e insalubres, maior n\u00famero de acidentes de trabalho, ass\u00e9dios moral e sexual, al\u00e9m de sujei\u00e7\u00e3o di\u00e1ria a outras humilha\u00e7\u00f5es.\u00a0Quando muito,\u00a0s\u00e3o os postos de trabalho em empresas terceirizadas, por\u00e9m, que est\u00e3o reservados \u00e0s mulheres negras, ou seja, uma posi\u00e7\u00e3o subalterna no mercado as exp\u00f5e \u00e0s posi\u00e7\u00f5es com piores rendimentos e mais desvalorizadas socialmente.<\/p>\n<p>Considerando que as mulheres j\u00e1 ganham 30% menos que os homens e j\u00e1 s\u00e3o a maioria das funcion\u00e1rias terceirizadas, vemos que os mecanismos para manter a condi\u00e7\u00e3o subalterna da mulher v\u00eam sendo aprofundados.<\/p>\n<p>As mulheres est\u00e3o mais expostas \u00e0 viol\u00eancia. Estupradas, traficadas, perseguidas pela lei, as mulheres sofrem no corpo atrocidades indescrit\u00edveis. Segundo a ONU, cerca de 120 milh\u00f5es de mulheres jovens em todo o mundo, o equivalente a uma em cada dez, foi v\u00edtima de estupro ou viola\u00e7\u00e3o at\u00e9 os 20 anos. Os relatos do Chile, Bol\u00edvia, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Rep\u00fablica Dominicana, Uruguai, Nicar\u00e1gua, Peru, Guatemala e Argentina mostram, paralelamente, como a ideologia que mant\u00e9m as mulheres em uma condi\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o, exatamente por serem mulheres, impede o cumprimento de compromissos e programas de aten\u00e7\u00e3o e financiamento espec\u00edficos. A mulher negra, em especial, \u00e9 ainda mais inferiorizada sendo consequentemente a maior v\u00edtima da viol\u00eancia. Machismo e racismo se combinam e s\u00e3o necess\u00e1rios na sociedade capitalista. \u00c9 particularmente nas favelas e periferias \u2013 fruto da explora\u00e7\u00e3o intensificada sofrida historicamente pela popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora e que serviu para acumula\u00e7\u00e3o da riqueza das classes dominantes \u2013 que vive a mulher negra. Toda essa carga de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o torna a situa\u00e7\u00e3o mulher negra alarmante e suas demandas ainda mais urgentes.<\/p>\n<p>No Brasil, ano ap\u00f3s ano, foram diminuindo os investimentos em pol\u00edticas p\u00fablicas para as mulheres, at\u00e9 mesmo no combate \u00e0 viol\u00eancia, e cortes no Or\u00e7amento P\u00fablico que aparecem com o nome de \u201ccontingenciamento\u201d. Em nome do ajuste fiscal, para pagamento de uma d\u00edvida que n\u00e3o fizemos, deixa-se de investir em campanhas urgentes como a de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. O resultado s\u00e3o mais assassinatos, estupros e mortes.<\/p>\n<p>O capital mant\u00e9m, de diversas formas, a subordina\u00e7\u00e3o das mulheres e se serve dela historicamente. Apesar de, em momentos de desenvolvimento, parecer que beneficia as mulheres com a maior inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, com a crise e, acima de tudo, com a crise estrutural do capital, s\u00e3o as primeiras a sofrer as consequ\u00eancias na economia com os cortes de direitos e o desemprego \u2013 e como j\u00e1 dito, at\u00e9 mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao combate \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0s verbas p\u00fablicas para sa\u00fade da mulher.<\/p>\n<p>Toda essa situa\u00e7\u00e3o aumenta em n\u00f3s a vontade lutar e romper com esse sistema que nos explora e escraviza!<\/p>\n<p>Por isso, nos apropriamos do 25 de julho para dar visibilidade \u00e0 mulher negra Latino Americana e Caribenha da classe trabalhadora, promover o internacionalismo da luta anticapitalista, nos opor a todo tipo de explora\u00e7\u00e3o e construir uma sociedade em que sejamos \u201csocialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.\u201d Viva a Mulher Negra Latino Americana e Caribenha da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Tereza de Benguela<\/h2>\n<p>No Brasil a lei 12.987, de 2 de junho de 2014, estabelece o 25 de Julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Teresa de Benguela foi uma l\u00edder quilombola que viveu no atual Mato Grosso, durante o s\u00e9culo 18. Foi esposa de Jos\u00e9 Piolho, que liderava o Quilombo do Piolho (ou do Quariter\u00ea), entre o rio Guapor\u00e9 (atual fronteira entre Mato Grosso e Bol\u00edvia) e a atual cidade de Cuiab\u00e1. Teresa se tornou a rainha do quilombo, com a morte de Jos\u00e9 Piolho, e sob sua lideran\u00e7a a comunidade negra e ind\u00edgena resistiu \u00e0 escravid\u00e3o por duas d\u00e9cadas e sobreviveu at\u00e9 1770. Quando o quilombo foi destru\u00eddo pelas for\u00e7as de Luiz Pinto de Souza Coutinho a reduzida popula\u00e7\u00e3o (79 negros e 30 \u00edndios) sobrevivente foi aprisionada.<\/p>\n<p>Tereza \u00e9 um s\u00edmbolo das mulheres negras, \u00edcone da resist\u00eancia e da luta e carrega em si toda a revolta contra o sistema!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas coisas podem ser t\u00e3o cru\u00e9is quanto \u00e0 heran\u00e7a deixada pelo patriarcado \u00e0s mulheres negras da classe trabalhadora. 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