{"id":4158,"date":"2015-08-15T11:32:13","date_gmt":"2015-08-15T14:32:13","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4158"},"modified":"2015-08-15T11:32:13","modified_gmt":"2015-08-15T14:32:13","slug":"jornal-81-alagoas-e-a-luta-de-professores-para-manter-a-educacao-publica-e-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/08\/jornal-81-alagoas-e-a-luta-de-professores-para-manter-a-educacao-publica-e-de-qualidade\/","title":{"rendered":"Jornal 81: Alagoas e a luta de professores para manter a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\nP { margin-bottom: 0.08in; }\n--><\/style>\n<p>O estado de Alagoas sempre foi carente de Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mesmo no n\u00edvel mais b\u00e1sico. Controlado h\u00e1 d\u00e9cadas pelos usineiros e com uma economia em que prevalece a monocultura da cana de a\u00e7\u00facar, o estado em Alagoas jamais se preocupou com Educa\u00e7\u00e3o, tendo em vista que isso nunca foi do interesse das elites. Para uma elite que exige do trabalhador apenas for\u00e7a f\u00edsica e disposi\u00e7\u00e3o para cortar cana, ler, escrever, desenhar, somar e multiplicar s\u00e3o coisas absolutamente dispens\u00e1veis. Por isso, educar minimamente os filhos dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 uma necessidade dos que comandam o estado que tem 21,8% de analfabetos, o maior \u00edndice do pa\u00eds segundo o Pnad\/IBGE de 2011, bem acima da m\u00e9dia nacional de 8%. Dados do economista C\u00edcero P\u00e9ricles, professor da UFAL, apresentam o \u00edndice de 44%. Um exemplo de como o poder dos usineiros \u00e9 posto \u00e0 frente das necessidades dos trabalhadores \u00e9 o impeachment do governador Muniz Falc\u00e3o em 1957, quando o mesmo tentava taxar o a\u00e7\u00facar e reverter os impostos para a Educa\u00e7\u00e3o.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/alagoas.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4159 alignright\" alt=\"\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/alagoas.jpg\" width=\"258\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/alagoas.jpg 258w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/alagoas-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O estado de Alagoas foi governado nos \u00faltimos 8 anos pelo PSDB de Teo Vilela. Parece sensato imaginar que diante de tal quadro a Educa\u00e7\u00e3o fosse prioridade e que esfor\u00e7os herc\u00faleos seriam feitos no intuito de inverter um panorama alarmante de abandono das escolas p\u00fablicas, viol\u00eancia, falta de professores para v\u00e1rias disciplinas, evas\u00e3o e um \u00edndice ainda maior de analfabetismo funcional. No entanto, toda a gravidade do problema parece n\u00e3o ter sido suficiente para comover o governador Teo Vilela e os deputados alagoanos, pois nesse per\u00edodo os professores n\u00e3o tiveram NENHUM reajuste salarial, v\u00e1rios abandonaram a escola e migraram para outras profiss\u00f5es, centenas de professores foram afastados por doen\u00e7as psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas, S\u00edndrome de Burnout e depress\u00e3o. Nesse mesmo per\u00edodo em que as escolas p\u00fablicas foram sendo abandonadas, as escolas privadas cresceram de forma exponencial, em sua maioria sem a menor estrutura e nem compromisso com a Educa\u00e7\u00e3o. Escolas onde professores t\u00eam o trabalho completamente precarizado e chegam a ganhar at\u00e9 5 reais por aula.<\/p>\n<p>J\u00e1 pr\u00f3ximo do fim do mandato e por press\u00e3o da justi\u00e7a o governo lan\u00e7ou o edital de realiza\u00e7\u00e3o do concurso para professor e funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos administrativos da Educa\u00e7\u00e3o, em 08 de novembro de 2013. O resultado seria homologado em 11 de mar\u00e7o de 2014. Ap\u00f3s alguns meses da homologa\u00e7\u00e3o o governo estadual se mantinha inerte e n\u00e3o nomeava os professores. Somente em Maio, depois de muitas mobiliza\u00e7\u00f5es, os aprovados foram chamados, mas, n\u00e3o todos, apenas os primeiros colocados, num total de 1094. Isso garantiu ao governo a possibilidade de contratar milhares de outros professores como monitores, recebendo 11 reais por aula e descontando sal\u00e1rios nos per\u00edodos de f\u00e9rias. Entre os anos de 2012 e 2014 a SEE (Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o) realizou um total de 17 chamadas para monitores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Novos governos, velhas pr\u00e1ticas<\/p>\n<p>Depois de 8 anos tenebrosos do governo draconiano de Teo Vilela (PSDB), assumiu o poder, em janeiro desse ano, o governador Renan Filho (PMDB), outro leg\u00edtimo filho das elites alagoanas. Foi eleito prometendo revolucionar a Educa\u00e7\u00e3o e nomear os aprovados do cadastro reserva de 2014, que mesmo tendo sido aprovados ainda est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por monitores. Renan Filho logo ao assumir convocou para secret\u00e1rio estadual de Educa\u00e7\u00e3o o ex-prefeito de Arapiraca e para vice-governador Luciano Barbosa, o mesmo que criou o PDV (Programa de Demiss\u00e3o Volunt\u00e1ria) em 1996 quando foi secret\u00e1rio do ent\u00e3o governador Divaldo Suruagy (PSDB).<\/p>\n<p>Como j\u00e1 era de se esperar a dupla Renan Filho e Luciano Barbosa descumpriu todas promessas de campanha e, ao contr\u00e1rio do que diziam em r\u00e1dio e televis\u00e3o quando eram candidatos a governador e vice, ambos est\u00e3o promovendo o fechamento de escolas estaduais. O que interessa para esse governo e seus apoiadores, os usineiros, \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do poder. Para esses, manter a popula\u00e7\u00e3o que precisa da escola p\u00fablica na ignor\u00e2ncia e promover o rod\u00edzio de contrata\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias \u00e9 fundamental. Por isso vem ocorrendo as contrata\u00e7\u00f5es indevidas de monitores e os ataques sistem\u00e1ticos \u00e0 escola p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em manifesto entregue a 5\u00b0 coordenadoria da Educa\u00e7\u00e3o em 7 de fevereiro desse ano, os aprovados no \u00faltimo concurso que est\u00e3o no cadastro de reserva disseram: \u201cEsse \u00e9 o governo que quer se perpetuar no poder fazendo conchavos com novos nomes no momento para continuar a pol\u00edtica de sucateamento na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Estado de Alagoas. Precisamos lutar contra essa domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica, divulgando a estrat\u00e9gia do governo em colocar trabalhador (monitor) no lugar do professor aprovado e o que est\u00e1 por tr\u00e1s disso. Precisamos compreender a l\u00f3gica do capital e os ataques \u00e0 classe trabalhadora no momento de crise atual do sistema capitalista\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A batalha do trabalho contra o capital na luta pela direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O abandono da Educa\u00e7\u00e3o em Alagoas e a precariza\u00e7\u00e3o da atividade docente e das outras fun\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao funcionamento da escola n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade de Alagoas e nem \u00e9 um produto explicado somente pelas especificidades locais. Os usineiros que comandam o estado s\u00e3o capitalistas, vivem um momento de crise do capital e de crise da exporta\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, t\u00eam no estado e nos seus governantes leais os seus representantes. Ou algu\u00e9m duvida que Renan Filho e Luciano Barbosa sejam eficientes para atender os interesses dos usineiros? O estado precisa garantir a exist\u00eancia de m\u00e3o de obra barata, lac\u00f4nica, acr\u00edtica, amedrontada e analfabeta. A escola at\u00e9 pode existir desde que seja an\u00f3dina, que n\u00e3o tenha professores, que, no m\u00e1ximo, sirva para ensinar aos jovens que eles tiveram oportunidades iguais e que n\u00e3o estudam porque n\u00e3o querem.<\/p>\n<p>A luta dos professores para a nomea\u00e7\u00e3o \u00e9 necessariamente uma batalha do trabalho contra o capital e o estado, \u00e9 uma luta em defesa dos direitos dos jovens pobres de ter acesso \u00e0 ci\u00eancia, \u00e9 contra os milh\u00f5es de reais que v\u00eam do suor do trabalho e deixam de ser investidos em Educa\u00e7\u00e3o para serem repassados religiosamente ao capital financeiro. \u00c9 a luta mais b\u00e1sica, justa e elementar poss\u00edvel, a luta pelo simples e puro direito de estudar e entender o mundo, mas mesmo isso que parece o mais b\u00e1sico e fundamental direito, uma condi\u00e7\u00e3o absolutamente necess\u00e1ria ao desenvolvimento do ser humano, o capital nega aos trabalhadores e aos seus filhos em Alagoas. Em um dos estados mais pobres e com maior concentra\u00e7\u00e3o de renda da federa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo aprender a ler e a somar \u00e9 um privil\u00e9gio para poucos e esses poucos s\u00e3o reconhecidos pela condi\u00e7\u00e3o social e pela cor da pele, s\u00e3o brancos e de classe m\u00e9dia. Aos trabalhadores e aos seus filhos \u00e9 preciso lutar contra esse estado, contra a domina\u00e7\u00e3o das elites locais e contra o capital, porque dentro dos limites do capital n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda poss\u00edvel, o capital nos oferece apenas o discurso c\u00ednico, a sicofanta meritocracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estado de Alagoas sempre foi carente de Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mesmo no n\u00edvel mais b\u00e1sico. Controlado h\u00e1 d\u00e9cadas pelos usineiros<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4159,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4158"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4161,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4158\/revisions\/4161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}