{"id":4171,"date":"2015-09-12T04:59:25","date_gmt":"2015-09-12T07:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4171"},"modified":"2015-09-12T05:29:03","modified_gmt":"2015-09-12T08:29:03","slug":"jornal-82-para-responder-a-crise-por-uma-frente-da-esquerda-socialista-e-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/09\/jornal-82-para-responder-a-crise-por-uma-frente-da-esquerda-socialista-e-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Jornal 82: Para responder \u00e0 crise: Por uma frente da esquerda socialista e dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\np { text-indent: 0.24in; margin-bottom: 0.1in; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: justify; }p.western { font-family: \"Garamond\",serif; font-size: 11pt; }p.cjk { font-family: \"Mangal\"; font-size: 11pt; }p.ctl { font-family: \"DejaVu Sans\"; font-size: 12pt; }\n--><\/style>\n<p lang=\"pt-BR\">As ruas foram tomadas novamente pelo verde e amarelo, cores das maiores manifesta\u00e7\u00f5es depois de junho de 2013. Diferente das anteriores em que a pauta era bem difusa, dessa vez girava em torno do Fora Dilma, pelo Impeachment e contra o PT. Mas, qual o car\u00e1ter dessas manifesta\u00e7\u00f5es? E das realizadas no dia 20 de agosto? E a esquerda socialista, quais propostas?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4172 alignright\" style=\"border: 5px solid white;\" alt=\"1\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/1-300x146.jpg\" width=\"300\" height=\"146\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/1-300x146.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/1.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Uma crise pol\u00edtica sem luz no fim do t\u00fanel<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Mesmo com a sinaliza\u00e7\u00e3o de Dilma\/PT e do PMDB do Senado para a burguesia da proposta de \u201cAgenda Brasil\u201d (que apresenta v\u00e1rios ataques contra direitos hist\u00f3ricos da classe trabalhadora), mesmo com o tempo que ganhou do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) para prestar contas do mandato anterior (embora juridicamente seja muito dif\u00edcil uma poss\u00edvel improbidade condenar com impeachment nesse mandato), mesmo com as negocia\u00e7\u00f5es com os empres\u00e1rios da ind\u00fastria, mesmo com as declara\u00e7\u00f5es de banqueiros como o presidente do Bradesco (banco do qual o ministro da fazenda \u00e9 funcion\u00e1rio) e do Ita\u00fa e mesmo com a orienta\u00e7\u00e3o da Globo em manter Dilma no poder, o fato \u00e9 que a crise pol\u00edtica continua e o governo deve seguir a pauta. No entanto, essa crise pode ter intensidade maior ou menor. Express\u00e3o disso \u00e9 a amea\u00e7a de Temer (no momento em que escrev\u00edamos esse texto) em sair da articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A certeza de que essa crise segue tem como base a sua origem: a crise econ\u00f4mica e suas consequ\u00eancias sobre a classe m\u00e9dia, principalmente, a camada superior, com a restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito, a infla\u00e7\u00e3o, etc., sem que haja alguma possibilidade de serem eliminadas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">E possui tamb\u00e9m outro elemento importante: por mais que se fa\u00e7am acordos de c\u00fapula, \u201cpor cima\u201d, com os partidos, isso n\u00e3o possibilita acabar com a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 Dilma e ao PT que existe na classe m\u00e9dia e, tamb\u00e9m, na classe oper\u00e1ria em grandes e pequenas cidades e em regi\u00f5es onde o partido, tradicionalmente, tinha forte influ\u00eancia pol\u00edtica e eleitoral.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 de direita e Os atos seguem esse caminho<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">As manifesta\u00e7\u00f5es do dia 16 reuniram dezenas de milhares de pessoas que expressavam o nacionalismo reacion\u00e1rio at\u00e9 mesmo com a defesa de interven\u00e7\u00e3o militar. Embora muitos participando por acreditar que podem melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida, esses atos tiveram um car\u00e1ter de oposi\u00e7\u00e3o ao governo Dilma, pela direita.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O conte\u00fado desses atos (com faixas \u201ccontra a invas\u00e3o comunista\u201d, \u201cabaixo o comunismo e a esquerda\u201d, etc.) demonstrou tamb\u00e9m, al\u00e9m de seu car\u00e1ter de direta, grande erro de an\u00e1lise e de confus\u00e3o de seus participantes, pois avaliam ainda que PT e Dilma s\u00e3o de esquerda e defendem o comunismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Suas lideran\u00e7as, os oradores dos carros de som, os grupos de direita (Casa da Monarquia, Integralistas, etc.), esses sim, n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas quanto aos objetivos de demarcar suas posi\u00e7\u00f5es e disputar o poder diante da atual crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Neste sentido, os grupos de direita t\u00eam se apoiado no desgaste de Dilma e do PT (por aplicar o programa da direita, mas com menos rapidez) para canalizar essa insatisfa\u00e7\u00e3o para o seu programa. A ampla maioria dos participantes tinha como bandeira pol\u00edtica \u201cFora Dilma\u201d (o impeachment \u00e9 s\u00f3 uma das formas) e \u201cFora PT\u201d (incluindo ataques diretos ao Lula \u2013 \u00fanica hip\u00f3tese do PT ter peso em 2018), com alternativas dentro do leque de direita.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">S\u00e3o v\u00e1rias as propostas apresentadas para uma eventual queda de Dilma: desde desgast\u00e1-la at\u00e9 a proposta de novas elei\u00e7\u00f5es (para isso deveria cair Dilma e Temer); outros defendem a sa\u00edda de Dilma para Temer assumir; h\u00e1 os que defendem a volta dos militares. Enfim, mesmo entre os diversos setores da direita que est\u00e3o fora dos partidos (revoltados online, MBL, etc.) e entre os partidos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre uma sa\u00edda para a crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O fato de trabalhadores assalariados terem participado dessas manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o impede de caracteriz\u00e1-las como de direita, por v\u00e1rias raz\u00f5es, uma delas \u00e9 a quest\u00e3o da consci\u00eancia de classe. Um trabalhador que ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo e defende o golpe militar n\u00e3o nos faz aliado e n\u00e3o nos furtamos em contribuir com esse debate.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No entanto, a maioria participava como \u201ccidad\u00e3o\u201d (na condi\u00e7\u00e3o de eleitor, consumidor, etc., que pode ser de qualquer classe social) sem se reconhecer enquanto classe trabalhadora, mesmo porque a composi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria de classe m\u00e9dia alta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Sem a consci\u00eancia de classe, a parcela assalariada participa desse processo com posi\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias e que fortalecem a direita para desgastar ainda mais ou pressionar o governo a aplicar mais rapidamente os ajustes que somente prejudicam a classe trabalhadora.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A direita n\u00e3o tem como lutar contra a corrup\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">J\u00e1 tratamos de corrup\u00e7\u00e3o, em edi\u00e7\u00e3o anterior, como parte da pr\u00f3pria l\u00f3gica concorrencial do capitalismo. Todo capitalista, ainda mais quando todas as empresas t\u00eam a mesma produtividade (e a mercadoria com valor similar), precisa encontrar formas de ganhar das empresas concorrentes. Essa \u00e9 a base da corrup\u00e7\u00e3o. E acontece tanto nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos quanto nas vendas entre empresas privadas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A ilus\u00e3o da classe m\u00e9dia na exist\u00eancia de um Estado capitalista sem corrup\u00e7\u00e3o tornou-se um excelente mote para setores da direita defender o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es repressivas do Estado (S\u00e9rgio Moro, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Pol\u00edcia Federal) que ser\u00e3o utilizadas contra os trabalhadores, inclusive contra as camadas inferiores da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Defendemos puni\u00e7\u00f5es rigorosas, expropria\u00e7\u00e3o dos bens, etc. a todos os corruptos e corrompidos. Mas, nenhuma institui\u00e7\u00e3o burguesa far\u00e1 isso porque significa negar a sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. O programa da direita contra a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser levado a s\u00e9rio. Somente a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores poder\u00e1 mudar esse rumo.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Reconhecer o inimigo e n\u00e3o desprezar a direita<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Sabemos que a direita, de fato, n\u00e3o \u00e9 a alternativa. A pr\u00f3pria burguesia brasileira n\u00e3o trabalha com a possibilidade de um endurecimento do regime a ponto de impor um governo fascista, tipo militar ou civil. N\u00e3o \u00e9 a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel porque as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1tico-burguesas ainda conseguem garantir a implementa\u00e7\u00e3o de seu projeto. E tamb\u00e9m, at\u00e9 esse momento, n\u00e3o \u00e9 a pol\u00edtica do imperialismo alimentar golpes militares. Tem sido exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No entanto, como j\u00e1 frisamos, a direita tem acumulado for\u00e7a e precisamos enfrentar, sob pena de arcarmos com o seu crescimento pol\u00edtica. Agora tamb\u00e9m n\u00e3o podemos nos enganar, pois a direita est\u00e1 alojada no governo federal. Joaquim Levy e Katia Abreu s\u00e3o apenas os mais conhecidos. A pr\u00f3pria pol\u00edtica econ\u00f4mica de Dilma \u00e9 o programa que A\u00e9cio e a direita defenderam na elei\u00e7\u00e3o passada.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Hoje a direita n\u00e3o tem nenhuma lideran\u00e7a que consiga unific\u00e1-la (o que aumentaria a sua for\u00e7a), mas isso n\u00e3o significa desconsiderar que suas ideias possuem apoio de massas. As crises colocam em discuss\u00e3o a busca por sa\u00eddas e, se a esquerda n\u00e3o consegue se colocar como alternativa, a direita tamb\u00e9m apresenta as suas propostas. Ent\u00e3o n\u00e3o descartamos a hip\u00f3tese de esses setores conservadores ganharem mais proje\u00e7\u00e3o social, abrindo a possibilidade de a burguesia endurecer o regime, apelar ainda para a repress\u00e3o aos movimentos sociais e assim garantir o aumento da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores para recuperar a lucratividade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Tamb\u00e9m nas crises aumenta o risco do aparecimento de \u201csalvadores da p\u00e1tria\u201d, como foi o caso de Hitler que ganhou for\u00e7a durante a crise de 1929. N\u00e3o \u00e9 o mais prov\u00e1vel, mas existe essa possibilidade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Outra demonstra\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o das ideias da direita tem sido as vota\u00e7\u00f5es no Congresso Nacional. A redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, o avan\u00e7o da terceiriza\u00e7\u00e3o, a \u201cAgenda Brasil\u201d e tantos outros projetos de lei s\u00e3o de interesse do capital e pioram a vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Inegavelmente na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional os setores mais reacion\u00e1rios est\u00e3o com peso pol\u00edtico consider\u00e1vel. Por outro lado, a esquerda revolucion\u00e1ria n\u00e3o tem conseguido se avan\u00e7ar nesse processo, pautar as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e frear os ataques que o capital desfere contra os trabalhadores. Precisamos construir uma sa\u00edda que imponha as reinvindica\u00e7\u00f5es e pautas da classe trabalhadora.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Impeachment?<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Dilma est\u00e1 \u00e0 frente de um governo que tem aplicado um brutal ataque sobre a classe trabalhadora. Entre seus aliados est\u00e3o os maiores inimigos de classe como Katia Abreu e Joaquim Levy, dentre outros. O congresso, como todo parlamento burgu\u00eas, tamb\u00e9m est\u00e1 na trincheira da burguesia atacando os trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Muitos dizem que com A\u00e9cio seria melhor. Pura ilus\u00e3o. Ambos disputam apenas quem vai administrar melhor para o capital. Estar\u00edamos enfrentando o mesmo projeto econ\u00f4mico, pois o programa que Dilma \u00e9 o mesmo defendido pelo PSDB. Enfim, s\u00e3o todos inimigos dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com isso, a primeira conclus\u00e3o que podemos tirar \u00e9 que as nossas for\u00e7as n\u00e3o podem ser direcionadas somente para o gerente imediato e seus planos de cortes de verbas p\u00fablicas e explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m contra o pr\u00f3prio capital.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A segunda \u00e9 que, ao n\u00e3o termos uma alternativa organizada da classe trabalhadora, o impeachment de Dilma trar\u00e1 para o seu lugar Temer, Eduardo Cunha ou at\u00e9 mesmo A\u00e9cio (ou outro maldito qualquer do PSDB) em uma nova elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A troca de Dilma por outro governo burgu\u00eas n\u00e3o vai mudar em nada a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, pelo contr\u00e1rio, ao assumir um governo menos desgastado do que o de Dilma vai haver mais condi\u00e7\u00f5es para aprofundar os ataques sobre os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Assim, a principal batalha pol\u00edtica que se coloca no horizonte \u00e9 ganhar a classe trabalhadora para a luta, para se colocar em marcha contra os planos de austeridade de Dilma e da burguesia e para colocar toda a sua for\u00e7a na ruptura com o capital. Com a classe trabalhadora mobilizada tudo muda, pois poderemos construir uma sa\u00edda que seja, de fato, uma alternativa a esse governo, a esse judici\u00e1rio e a esse parlamento, essa \u201ctr\u00edplice alian\u00e7a\u201d contra os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Por uma frente da esquerda socialista e dos trabalhadores<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Precisamos romper esse cerco e apresentar para a classe trabalhadora as propostas da esquerda para a atual crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Apesar de todos os problemas e dificuldades da atual conjuntura, a crise tamb\u00e9m abre possibilidades para a esquerda revolucion\u00e1ria ser alternativa para a classe.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O desemprego, a aus\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos, a infla\u00e7\u00e3o, etc., s\u00e3o sintomas da crise econ\u00f4mica e um campo f\u00e9rtil tamb\u00e9m para as ideias revolucion\u00e1rias. Precisamos disputar a consci\u00eancia do trabalhador sob pena de perd\u00ea-lo para a direita.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para potencializarmos a interven\u00e7\u00e3o da esquerda pensamos que \u00e9 fundamental a constru\u00e7\u00e3o da unidade da esquerda revolucion\u00e1ria e antigovernista. Essa unidade se colocaria na forma de constru\u00e7\u00e3o de uma Frente da Esquerda e dos Trabalhadores da qual participaria lutadores, ativistas, trabalhadores e todos os grupos e partidos do campo antigovernista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para n\u00f3s, essa frente deve se iniciar com a realiza\u00e7\u00e3o de plen\u00e1rias de base para discuss\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de um programa que responda \u00e0 crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica, a partir das necessidades dos trabalhadores. Esse programa, a nosso modo de ver, deve partir das reivindica\u00e7\u00f5es imediatas (contra o desemprego, aumento de sal\u00e1rios para enfrentar a infla\u00e7\u00e3o, etc.), mas tamb\u00e9m deve tratar da constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa pol\u00edtica para a crise, se opondo ao crescimento da base da direita e disputando a consci\u00eancia dos trabalhadores.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">\u00c9 hora de a esquerda socialista construir a\u00e7\u00f5es de rua<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Reafirmamos que nem no ato do dia 16 e nem do dia 20 os interesses da classe trabalhadora estavam representados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">De um lado os setores de direita que canalizaram a insatisfa\u00e7\u00e3o com Dilma e tem organizado manifesta\u00e7\u00f5es massivas. De outro, ainda que com pauta \u201ccontra a pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d e \u201ccontra o ajuste\u201d (bandeiras bem gen\u00e9ricas), v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es como MST, MTST, CUT, UNE e maioria do PSOL realizaram as manifesta\u00e7\u00f5es do dia 20.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mesmo um setor insistindo que n\u00e3o seria um ato em defesa do governo (por isso em alguns estados foram realizados dois atos), a forte presen\u00e7a da CUT e de militantes do PT que assumem a defesa de Dilma, foi o que realmente apareceu m\u00eddia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Embora os eixos da convoca\u00e7\u00e3o do dia 20, apresentados por Guilherme Boulos (MTST), tenham sido: 1) Contra o ajuste fiscal, que os ricos paguem pela crise; 2) Fora Cunha, n\u00e3o \u00e0s pautas conservadoras e ao ataque aos direitos; 3) A sa\u00edda \u00e9 pela esquerda, com o povo na rua e por Reformas populares e tamb\u00e9m contra Joaquim Levy e a pol\u00edtica econ\u00f4mica, o chamado n\u00e3o se apresenta contra Dilma, que nomeou Levy, tem o partido de Cunha como aliado e aplica toda essa pol\u00edtica contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No mesmo chamado, Guilherme Boulos (ainda que n\u00e3o tenha nenhuma cr\u00edtica a Dilma) criticou os grupos e partidos de esquerda por n\u00e3o mobilizarem as pessoas em torno das suas propostas. Boulos tem raz\u00e3o. A esquerda socialista n\u00e3o acredita que a for\u00e7a das mobiliza\u00e7\u00f5es canalizada pelos governistas ou pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa levar\u00e1 a classe trabalhadora \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">H\u00e1 tempos temos reafirmado a necessidade de a esquerda, em oposi\u00e7\u00e3o a esses dois setores, construir um processo de mobiliza\u00e7\u00f5es com as reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas da classe trabalhadora e tamb\u00e9m um Encontro Nacional de Lutadores e Ativistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nesse sentido, achamos extremamente positivo a convoca\u00e7\u00e3o feita pela Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CSP Conlutas de um ato nacional no dia 18 de setembro, em S\u00e3o Paulo, e de um encontro nacional no dia 19, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Agora \u00e9 constru\u00ed-lo em cada local, em cada categoria, escolas, bairros, etc., para que seja, de fato, democr\u00e1tico e de base e possa sair com um programa anticapitalista contra o desemprego, por reforma agr\u00e1ria e urbana, por lutas democr\u00e1ticas, contra a criminaliza\u00e7\u00e3o do movimento social, contra a \u201cAgenda Brasil\u201d, etc. Fortalecer esse encontro \u00e9 uma das primeiras tarefas dessa frente da esquerda socialista e dos trabalhadores.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Os ataques (Agenda Brasil, PPE) aos direitos e as lutas<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Os efeitos da crise chegaram e de forma intensa, com desemprego, arrocho salarial, perdas de direitos e congelamento salarial. E os trabalhadores resistem. S\u00e3o v\u00e1rias categorias em greve.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No funcionalismo federal s\u00e3o os professores e os t\u00e9cnicos das universidades federais, os t\u00e9cnicos dos institutos federais, o judici\u00e1rio federal e os trabalhadores do INSS. A maioria j\u00e1 passa dos 80 dias em greve. Lutam pela recomposi\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nos estados, o funcionalismo do Rio Grande do Sul enfrenta parcelamento de sal\u00e1rios e a tentativa do governo jogar sobre as costas dos trabalhadores a fal\u00eancia do estado. No Rio Grande do Norte os trabalhadores da sa\u00fade estadual est\u00e3o completando 70 dias de greve por reajuste salarial.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nas montadoras a luta \u00e9 contra as demiss\u00f5es. Os trabalhadores da GM, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, resistiram com greve e mobiliza\u00e7\u00e3o de rua e conseguiram, pelo menos, adiar as demiss\u00f5es (transformadas em layoff por 5 meses). Tamb\u00e9m na GM, de S\u00e3o Caetano, foram mais de 490 demitidos. Na Volks, Taubat\u00e9, o processo \u00e9 o mesmo. No ABC, a Mercedes amea\u00e7a alegando que tem \u201cexcesso\u201d de trabalhador e que precisa cortar 2000 postos de trabalho. E quando fech\u00e1vamos essa edi\u00e7\u00e3o a greve se iniciava contra as demiss\u00f5es. Essa situa\u00e7\u00e3o se espalha por outras montadoras e se estende para as autope\u00e7as que tamb\u00e9m demitem ou aproveitam a situa\u00e7\u00e3o para impor a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e redu\u00e7\u00e3o da jornada com o PPE (Plano de Prote\u00e7\u00e3o ao Emprego).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Todos esses ataques aos nossos direitos s\u00e3o parte do ajuste fiscal implementado por Dilma, garantindo a lucratividade das empresas \u00e0 custa da redu\u00e7\u00e3o dos nossos direitos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A tend\u00eancia \u00e9 que esses ataques se aprofundem com a \u201cAgenda Brasil\u201d que, entre outras coisas, vai discutir a implementa\u00e7\u00e3o da idade m\u00ednima para aposentadoria no Regime Geral da Previd\u00eancia e uma nova legisla\u00e7\u00e3o para facilitar a privatiza\u00e7\u00e3o pelas PPP (Parceria P\u00fablica Privada)<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">N\u00e3o nos resta outra alternativa que n\u00e3o seja a luta e a organiza\u00e7\u00e3o. O amplo apoio e solidariedade a essas greves e lutas s\u00e3o fundamentais para a vit\u00f3ria de cada uma delas, que fortalece a classe trabalhadora de conjunto. E essa campanha depende de n\u00f3s, esquerda organizada, pois as dire\u00e7\u00f5es governistas n\u00e3o v\u00e3o fazer nada que possa desestabilizar o governo que apoiam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As ruas foram tomadas novamente pelo verde e amarelo, cores das maiores manifesta\u00e7\u00f5es depois de junho de 2013. 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