{"id":4179,"date":"2015-09-12T05:10:18","date_gmt":"2015-09-12T08:10:18","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4179"},"modified":"2018-05-01T00:41:44","modified_gmt":"2018-05-01T03:41:44","slug":"jornal-82-imigracao-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/09\/jornal-82-imigracao-na-europa\/","title":{"rendered":"Jornal 82: Imigra\u00e7\u00e3o na Europa"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- p { margin-bottom: 0.1in; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: left; orphans: 2; widows: 2; }p.western { font-family: \"Calibri\",serif; font-size: 11pt; }p.cjk { font-family: \"Calibri\"; font-size: 11pt; }p.ctl { font-family: \"Calibri\"; font-size: 11pt; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); } --><\/style>\n<p lang=\"pt-BR\">Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da II Guerra Mundial, v\u00e1rios pa\u00edses europeus passaram por um intenso processo de reconstru\u00e7\u00e3o de suas economias abaladas pelo conflito. Esse processo de reconstru\u00e7\u00e3o desencadeou o fortalecimento do parque industrial de alguns pa\u00edses, tais como a Alemanha e a Fran\u00e7a. O fortalecimento da industrializa\u00e7\u00e3o em pontos isolados foi um dos principais fatores que ocasionaram o alargamento da imigra\u00e7\u00e3o no continente europeu. Trabalhadores de outras na\u00e7\u00f5es europeias ingressavam nos referidos pa\u00edses em busca de emprego e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, escassas em seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No primeiro momento imigrat\u00f3rio, os trabalhadores advinham da pr\u00f3pria Europa, com destaque os pa\u00edses de Portugal, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia e Espanha. Tais trabalhadores ocupavam postos de trabalho que exigiam pouca qualifica\u00e7\u00e3o, fato que refletia em baixos sal\u00e1rios e v\u00ednculos empregat\u00edcios prec\u00e1rios. Outro fator que podemos destacar \u00e9 a baixa natalidade nos pa\u00edses europeus, que requisitava jovens estrangeiros para suprir a necessidade da m\u00e3o de obra, bem como arrecadar finan\u00e7as por meio de impostos. No decorrer das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 as origens nacionais dos imigrantes v\u00e3o para al\u00e9m do continente europeu, passando a englobar os pa\u00edses que tiveram sua forma\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica capitalista forjadas no processo de coloniza\u00e7\u00e3o. Tais trabalhadores ocupavam postos de trabalho marginalizados e isentos de medidas de seguridade social. Nos referidos momentos da imigra\u00e7\u00e3o, a fixa\u00e7\u00e3o permanente dos imigrantes na Europa era aceita e necess\u00e1ria para o desenvolvimento dos pa\u00edses que os recebiam, pois constitu\u00edam for\u00e7a de trabalho barata e exposta a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Contudo, a conjuntura de crise fez com que alguns pa\u00edses europeus restringissem a entrada de imigrantes em suas fronteiras, podemos citar a Alemanha como exemplo. Em 2007 foi aprovado pelo governo alem\u00e3o um projeto que possui por objetivo dificultar a entrada e perman\u00eancia de imigrantes advindos de na\u00e7\u00f5es fora da zona do euro. Ao contr\u00e1rio do contexto do p\u00f3s Guerra, atualmente, \u00e9 permitida apenas a entrada de trabalhadores qualificados que supram as necessidades econ\u00f4micas do pa\u00eds. Al\u00e9m de impor limites \u00e0 entrada de trabalhadores, o referido projeto visa comprimir a entrada de conjugues, alterando assim os direitos dos estrangeiros, bem como a lei da imigra\u00e7\u00e3o de 2004.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nesta dire\u00e7\u00e3o \u00e9 percept\u00edvel que o processo de imigra\u00e7\u00e3o tomou contornos que tende a se afastar do ocorrido no passado. Se antes os trabalhadores estrangeiros eram aceitos como meio de ocupar postos de trabalhos marginalizados cujos trabalhadores nacionais rejeitavam, hoje s\u00e3o toler\u00e1veis apenas aqueles que possuem uma qualifica\u00e7\u00e3o capaz de colaborar de modo quantitativo e qualitativo com o processo produtivo. Todavia, \u00e9 importante frisar que tais medidas protetivas n\u00e3o eliminam a entrada de imigrantes ilegais destinados a realizar trabalhos prec\u00e1rios sem o alicerce legislativo trabalhista, fato que os deixam \u00e0 merc\u00ea da superexplora\u00e7\u00e3o. Vale ressaltar ainda, que esses indiv\u00edduos s\u00e3o marcados pela clandestinidade, o subemprego, moradias prec\u00e1rias, falta de acesso aos servi\u00e7os estatais e, ainda, s\u00e3o vulner\u00e1veis a ataques xen\u00f3fobos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A maioria dos imigrantes que tentam suplantar as medidas restritivas quando n\u00e3o morrem na travessia, como no incidente de 19 a 20 de Abril no Mar Mediterr\u00e2neo, que dos quase 950 passageiros apenas 28 imigrantes sobreviveram e 24 corpos foram encontrados. Os n\u00fameros s\u00f3 acumulam desde o in\u00edcio de 2015 cerca de 1800 imigrantes j\u00e1 morreram e sete mil foram resgatados (muitos deportados em seguida). Esse n\u00famero \u00e9 30 vezes maior do que o de mortes no mesmo per\u00edodo do ano passado e a tend\u00eancia \u00e9 que ele se multiplique. Em 2014, cerca de 3.300 imigrantes morreram nos barcos e 3.700 foram resgatados. Por\u00e9m, no ritmo em que as mortes est\u00e3o acontecendo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM) calcula que at\u00e9 o fim deste ano cerca de 30 mil imigrantes ir\u00e3o perder suas vidas na travessia. De acordo com a mesma Organiza\u00e7\u00e3o, no intuito de chegar a pa\u00eds mais desenvolvido, morrem cerca de oito imigrantes por dia, advindos principalmente da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio, como a S\u00edria, L\u00edbia e Eritr\u00e9ia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Dentre das medidas utilizadas pela Uni\u00e3o Europeia para impedir a entrada dos imigrantes, podemos citar os planos Trit\u00e3o (na It\u00e1lia) e Poseidon (na Gr\u00e9cia), que ocasionaram no aumento do n\u00famero de n\u00e1ufragos na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo. Tais planos almejam limitar, proteger e controlar as fronteiras e n\u00e3o possui intuito de realizar opera\u00e7\u00f5es de salvamentos e resgate de imigrantes. Em outras palavras, o objetivo desses planos \u00e9 impedir que os imigrantes entrem nesses pa\u00edses.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No curso da crise estrutural do capitalismo, no qual o capital adentra nos seus \u201climites absolutos\u201d, a problem\u00e1tica do desemprego \u00e9 posta de forma cr\u00f4nica, se configurando como estrutural. Diante da conjuntura de crise, M\u00e9sz\u00e1ros (2011) assevera que emerge um novo padr\u00e3o de desemprego que n\u00e3o se circunscreve aos pa\u00edses emergentes, os centrais passam a conviver com o desemprego maci\u00e7o. O n\u00famero alarmante do desemprego entre os pa\u00edses europeus fez com que a conviv\u00eancia com estrangeiros transcendesse o choque cultural. Assim, os imigrantes passaram a ser vistos como os principais respons\u00e1veis pela contra\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho e por esse motivo passam a ser discriminados, e em casos mais extremos s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Tal vis\u00e3o proporciona o alargamento das id\u00e9ias preconceituosas ancoradas na xenofobia por parte dos nacionalistas, que fomentam pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias e coercitivas contra os estrangeiros. As nacionalidades que mais sofre com os ataques dos nacionalistas s\u00e3o asi\u00e1ticos, africanos latinos que geralmente ingressam nos pa\u00edses europeus para se submeterem a subempregos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da II Guerra Mundial, v\u00e1rios pa\u00edses europeus passaram por um intenso processo de reconstru\u00e7\u00e3o de suas economias<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4179"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4179"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4179\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6016,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4179\/revisions\/6016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}