{"id":4181,"date":"2015-09-12T05:18:15","date_gmt":"2015-09-12T08:18:15","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4181"},"modified":"2018-05-04T18:49:51","modified_gmt":"2018-05-04T21:49:51","slug":"jornal-82-a-aristocracia-operaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/09\/jornal-82-a-aristocracia-operaria\/","title":{"rendered":"Jornal 82: A Aristocracia oper\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">O desenvolvimento dos modos de produ\u00e7\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m, o desenvolvimento das classes sociais e das suas rela\u00e7\u00f5es. Em Roma, as diferen\u00e7as entre os senhores e escravos eram muito maiores que, por exemplo, nos primeiros imp\u00e9rios escravistas, como a Babil\u00f4nia ou o Egito. Essas diferen\u00e7as respondem por boa parcela dos conflitos pol\u00edticos em toda a Antiguidade. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Semelhante na Idade M\u00e9dia: o desenvolvimento aumenta as diferen\u00e7as entre os senhores feudais e entre os servos. Quando da Revolu\u00e7\u00e3o Inglesa (1642-88) e da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789-1815), essas diferen\u00e7as foram importantes para a evolu\u00e7\u00e3o concreta das lutas de classe.<\/span><\/p>\n<h2 class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/4.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4183 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/4-300x287.jpg\" alt=\"4\" width=\"300\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/4-300x287.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/4.jpg 351w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Com o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, n\u00e3o \u00e9 diferente. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Tanto na burguesia, quanto no proletariado, a diferencia\u00e7\u00e3o interna tende a crescer. Entre os prolet\u00e1rios, cresce seu setor rural, aumenta a dist\u00e2ncia entre os mais especializados e os &#8220;pe\u00f5es&#8221;, suas profiss\u00f5es se diversificam, seus regimes de trabalho n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o pr\u00f3ximos, etc. Entre as mais importantes diferencia\u00e7\u00f5es no seio do proletariado est\u00e1 o surgimento e o desenvolvimento da aristocracia oper\u00e1ria. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Mais-valia relativa e aristocracia oper\u00e1ria<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">O principal fator no surgimento e desenvolvimento da aristocracia oper\u00e1ria \u00e9 o crescimento da import\u00e2ncia da mais-valia relativa na reprodu\u00e7\u00e3o da totalidade do sistema do capital.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A mais-valia corresponde a uma peculiaridade da mercadoria for\u00e7a de trabalho. Apenas ela produz um valor maior do que o seu pr\u00f3prio: a mais-valia. O capital possui apenas dois modos de ampliar a mais-valia, o modo absoluto e o modo relativo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A mais-valia absoluta \u00e9 a mais primitiva: reduz-se o sal\u00e1rio do trabalhador \u2013 ou, o que d\u00e1 no mesmo, amplia-se a jornada de trabalho sob o mesmo sal\u00e1rio. Com isso, a parcela da riqueza produzida pelo trabalhador consumida no pagamento do seu sal\u00e1rio cai, aumentando de modo absoluto a mais-valia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A mais-valia relativa \u00e9 mais desenvolvida e apenas p\u00f4de se generalizar pela economia com a passagem do capitalismo ao seu est\u00e1gio monopolista, a partir de 1870. Ela se caracteriza pela diminui\u00e7\u00e3o da riqueza produzida pelo trabalhador que ser\u00e1 destinada ao sal\u00e1rio ou 1) porque o valor da for\u00e7a de trabalho cai ou, ent\u00e3o, 2) porque o desenvolvimento tecnol\u00f3gico aumenta a quantidade de riqueza que o trabalhador produz, fazendo com que o seu sal\u00e1rio consuma uma parcela decrescente de sua jornada de trabalho. (Caso necessite esclarecimentos sobre essa quest\u00e3o, rogamos que se leia o artigo sobre a mais-valia no Jornal Espa\u00e7o Socialista n. 8.)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Para entendermos porque a mais-valia relativa e sua generaliza\u00e7\u00e3o pela economia s\u00e3o o ber\u00e7o do nascimento e os principais fatores de desenvolvimento da aristocracia oper\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 preciso mais do que um pouco de hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Um pouco de hist\u00f3ria<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Comparadas a hoje, nos primeiros momentos da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial as cidades que concentravam a ind\u00fastria eram bem menores e a capacidade produtiva, mesmo que muito superior ao de algumas poucas d\u00e9cadas antes, era ainda bastante modesta. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">J\u00e1 nesse momento inicial, o proletariado (1) estava longe de ser homog\u00eaneo: oper\u00e1rios mais especializados recebiam um sal\u00e1rio um pouco maior, suas condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho n\u00e3o eram as mesmas do conjunto da classe, sua instru\u00e7\u00e3o e n\u00edvel cultural n\u00e3o eram os mesmos e assim por diante. Com o desenvolvimento das ind\u00fastrias, essa diferencia\u00e7\u00e3o vai se desenvolvendo. N\u00e3o apenas pelo crescimento da camada de oper\u00e1rios especializados, mas tamb\u00e9m pela crescente industrializa\u00e7\u00e3o de novos ramos da produ\u00e7\u00e3o (mec\u00e2nica, siderurgia, qu\u00edmica, t\u00eaxtil, minera\u00e7\u00e3o, militar, etc.), o que cria novos empregos, novas profiss\u00f5es, etc. O texto de juventude de Engels, A situa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria inglesa, \u00e9 uma bel\u00edssima descri\u00e7\u00e3o desse momento inicial do proletariado.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Com o crescimento industrial, as cidades conheceram um crescimento vertiginoso, o que ampliou a procura pelos bens de primeira necessidade, tornando lucrativa a sua produ\u00e7\u00e3o em escala industrial. A roupa, a comida, o rem\u00e9dio, a casa do trabalhador, se produzidos industrialmente, se tornam muito mais baratos do que produzidos artesanalmente e, com isso, a quantidade da for\u00e7a de trabalho socialmente necess\u00e1ria para a reprodu\u00e7\u00e3o do oper\u00e1rio tamb\u00e9m diminui. Ou seja, um tempo menor de sua jornada de trabalho ser\u00e1 consumido pelo seu sal\u00e1rio, aumentando a mais-valia relativa. (Sobre o &#8220;tempo de trabalho socialmente necess\u00e1rio&#8221;, conferir o artigo sobre mais-valia, no Jornal Espa\u00e7o Socialista n.81)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Veja: a industrializa\u00e7\u00e3o aumenta o mercado consumidor dos bens de primeira necessidade e estimula assim a sua industrializa\u00e7\u00e3o. Com isso:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">&#8211; Cai o valor dos bens de primeira necessidade;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">&#8211; A &#8220;vida&#8221; do trabalhador se torna &#8220;mais barata&#8221; e uma parcela menor da riqueza que ele produz ser\u00e1 consumida para pagar o seu sal\u00e1rio;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">&#8211; Aumenta a mais-valia relativa e, ainda mais, uma nova fonte de mais-valia absoluta \u00e9 acrescida ao sistema do capital com o desenvolvimento das ind\u00fastrias de bens de primeira necessidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Aumenta a lucratividade do capital como um todo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Esse processo ganhou uma nova qualidade com a passagem do capitalismo \u00e0 sua etapa monopolista e imperialista, na crise de 1870.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">As crises c\u00edclicas e a crise de 1870<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">O constante aumento da produ\u00e7\u00e3o conduz o capitalismo \u00e0s crises c\u00edclicas. Como o capital concentra cada vez mais a riqueza na classe dominante e, ao mesmo tempo, aumenta sempre a produ\u00e7\u00e3o, esta \u00faltima tende a se tornar superior \u00e0 capacidade de consumo da sociedade. Surge a superprodu\u00e7\u00e3o e, com ela, as vendas caem, os estoques n\u00e3o s\u00e3o esgotados, suspende-se a produ\u00e7\u00e3o e, logo, os trabalhadores s\u00e3o demitidos. Com o desemprego crescente, o consumo cai ainda mais, derrubando a produ\u00e7\u00e3o e aumentando as demiss\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Com a interrup\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial, a agricultura quebra (pois n\u00e3o se consomem mais as mat\u00e9rias-primas que ela produz) e os bancos v\u00e3o \u00e0 fal\u00eancia, j\u00e1 que os empr\u00e9stimos n\u00e3o s\u00e3o pagos. A crise se generaliza. Com a produ\u00e7\u00e3o paralisada, aos poucos os estoques s\u00e3o consumidos, a car\u00eancia de mercadorias eleva novamente seus pre\u00e7os e volta a ser lucrativa a sua produ\u00e7\u00e3o. Retoma-se, assim, o ciclo de crescimento da economia. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Com um detalhe importante, contudo: a cada crise, o pequeno \u00e9 engolido pelo m\u00e9dio e, este, \u00e9 engolido pelo grande. Tem lugar uma concentra\u00e7\u00e3o que faz com que o ponto de partida do crescimento da economia ap\u00f3s uma crise seja um capital mais concentrado. De crise em crise, o capital vai se concentrando at\u00e9 que, com a crise de 1870, parcelas inteiras dos mercados nacionais dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados passaram a ser monopolizadas por uma ou por poucas empresas. O capitalismo estava transitando de sua etapa concorrencial, \u00e0 nova etapa, a do capitalismo monopolista e do imperialismo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Essa mudan\u00e7a no interior do capitalismo teve tr\u00eas consequ\u00eancias decisivas para o desenvolvimento da aristocracia oper\u00e1ria:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">1) Aumentou ainda mais a dist\u00e2ncia da parcela mais especializada do proletariado para o conjunto da classe. Suas condi\u00e7\u00f5es de vida, suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e seus sal\u00e1rios melhoravam na medida em que o capitalismo se desenvolvia e sua especializa\u00e7\u00e3o valorizava sua for\u00e7a de trabalho. As primeiras ilus\u00f5es de que o desenvolvimento do capitalismo melhoraria a sorte de todos os assalariados ganharam um enorme impulso. Bernstein(2) , naquela \u00e9poca, argumentava que o desenvolvimento do capitalismo automaticamente levaria \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o cada vez mais generalizada da riqueza e, portanto, ao socialismo. Aliar-se com os setores &#8220;progressistas&#8221; da burguesia e apoiar as pol\u00edticas de desenvolvimento do capitalismo seria, portanto, a correta estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A dist\u00e2ncia entre a aristocracia oper\u00e1ria e o conjunto da classe tamb\u00e9m aumentou porque, num processo descrito por Lenin em Imperialismo, etapa superior do capitalismo, os grandes grupos capitalistas passaram a investir na explora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas e das fontes de energia (carv\u00e3o e, depois, petr\u00f3leo) dos pa\u00edses da \u00c1frica e da \u00c1sia, fazendo surgir um proletariado nessas regi\u00f5es ainda mais miseravelmente pago e com condi\u00e7\u00f5es de trabalho ainda mais penosas que a de seus camaradas europeus. H\u00e1 agora, n\u00e3o apenas a crescente dist\u00e2ncia entre os oper\u00e1rios mais especializados e os &#8220;pe\u00f5es&#8221; no centro do capitalismo, mas tamb\u00e9m entre os prolet\u00e1rios da Europa e os das col\u00f4nias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">2) A segunda consequ\u00eancia \u00e9 que a aristocracia oper\u00e1ria percebe que, quanto menor o sal\u00e1rio dos oper\u00e1rios que produzem os bens de primeira necessidade, mais baratas essas mercadorias e, portanto, maior seu poder de compra. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Em poucas palavras: tanto \u00e0 aristocracia oper\u00e1ria quanto aos burgueses interessa que os trabalhadores que fabricam as roupas, a comida, a moradia, o rem\u00e9dio etc. recebam os mais baixos sal\u00e1rios. Pois, nesse caso, o aumento da mais-valia relativa \u00e9, tamb\u00e9m, o aumento do poder de compra da aristocracia oper\u00e1ria. Surge um interesse econ\u00f4mico comum \u00e0 burguesia e \u00e0 aristocracia oper\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A solidariedade de classe \u00e9, ent\u00e3o, quebrada. Sempre que os oper\u00e1rios envolvidos na produ\u00e7\u00e3o dos bens de primeira necessidade se levantarem por melhores sal\u00e1rios \u2013 ou quando os trabalhadores dos pa\u00edses mais atrasados se revoltarem contra o imperialismo \u2013 a aristocracia oper\u00e1ria percebe que uma vit\u00f3ria dessas lutas levar\u00e1 ao encarecimento das mercadorias que ela consome. Tendem, por isso, a ficar com a burguesia contra os demais trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">3) A terceira consequ\u00eancia \u00e9 n\u00e3o menos grave. A concentra\u00e7\u00e3o do capital em alguns poucos grupos econ\u00f4micos, que passam a dominar a economia de seus pa\u00edses, faz com que o poder pol\u00edtico desses grupos cres\u00e7a enormemente. Com isso, as a\u00e7\u00f5es do Estado passam a ser determinadas pelos interesses de tais grupos econ\u00f4micos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Para nosso estudo da aristocracia oper\u00e1ria, o importante \u00e9 que o capital logo percebeu \u2013 inicialmente pela experi\u00eancia da Alemanha governada por Bismarck (\u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo 19) \u2013 que, se o Estado subsidiasse a Educa\u00e7\u00e3o, o transporte, a sa\u00fade, a alimenta\u00e7\u00e3o, a moradia etc. dos trabalhadores, baratearia ainda mais a for\u00e7a de trabalho, ampliando desse modo a mais-valia relativa. Ampliam-se, ao longo dos anos, os investimentos estatais na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, na sa\u00fade p\u00fablica, no transporte p\u00fablico, etc. porque com isso aumenta a mais-valia relativa do sistema do capital como um todo \u2013 com a consequente ilus\u00e3o de que o Estado estaria se convertendo em representante dos interesses dos trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Resumindo: o capitalismo monopolista e o imperialismo:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Ampliaram a dist\u00e2ncia das condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho da aristocracia oper\u00e1ria das do conjunto da classe;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Aproximaram a aristocracia oper\u00e1ria do capital com a finalidade imediata de desenvolver o capitalismo e de manter baixos os sal\u00e1rios dos prolet\u00e1rios que produzem os bens de primeira necessidade, tanto no interior dos pa\u00edses imperialistas, quanto nas col\u00f4nias da \u00c1frica, \u00c1sia e, depois, das Am\u00e9ricas;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Fizeram com que o Estado passasse a investir em pol\u00edticas p\u00fablicas com a finalidade de tornar ainda mais barata a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e, com isso, ampliar a mais-valia relativa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">As consequ\u00eancias ideol\u00f3gicas logo se fizeram sentir. \u00c0s ilus\u00f5es de que o capitalismo conduziria \u00e0 melhoria da vida de todos \u00e9 acrescida, agora, a ilus\u00e3o de que o Estado teria deixado de ser o comit\u00ea executivo da classe dominante para se converter em um Estado que democraticamente representaria o conjunto da sociedade. O reformismo no seio do movimento oper\u00e1rio se fortalece e passa a ter a maioria nos congressos dos partidos e das organiza\u00e7\u00f5es sindicais. A burocracia sindical e partid\u00e1ria apoia cada vez mais decididamente as teses de que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais seria necess\u00e1ria, pois a evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo &#8220;mostrava&#8221; que o seu desenvolvimento levaria \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e a um Estado cada vez mais representante de todas as classes sociais!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Foi nesse momento que Marx escreveu as important\u00edssimas &#8220;Cr\u00edticas aos programas de Gotha e Erfurt&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Os sindicatos e a colabora\u00e7\u00e3o de classes<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Como as lideran\u00e7as tendem a sair da parcela mais especializada e culta dos oper\u00e1rios, os partidos e sindicatos passaram a expressar mais diretamente os interesses da aristocracia oper\u00e1ria do que do conjunto da classe. Apesar de minorit\u00e1ria no interior da classe, a aristocracia oper\u00e1ria vai fornecendo os membros da burocracia sindical e partid\u00e1ria e, com isso, seu peso pol\u00edtico tende a ser muito maior que o seu n\u00famero. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">O dom\u00ednio dos sindicatos e dos partidos pela aristocracia oper\u00e1ria tem um reflexo na ideologia: o reformismo passa a contar com os meios econ\u00f4micos e pol\u00edticos dos sindicatos e partidos para se desenvolver e se popularizar. A possibilidade de se alcan\u00e7ar uma &#8220;sociedade justa&#8221;, convertendo o capitalismo de reforma em reforma, em um capitalismo de &#8220;face humana&#8221;, \u00e9 agora defendida abertamente por muitas lideran\u00e7as sindicais e partid\u00e1rias. Defendiam ainda que o Estado estava evoluindo para uma institui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que representaria os interesses de toda a sociedade. Engels, Lenin e Rosa Luxemburgo foram os principais opositores ao crescimento do reformismo, \u00e0 legitima\u00e7\u00e3o do Estado e \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de classes. Nesse sentido, Lenin caracterizou com precis\u00e3o a aristocracia oper\u00e1ria ao escrever:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><a name=\"(8)\"><\/a><span lang=\"pt-BR\">Essa camada de oper\u00e1rios aburguesados ou de &#8220;aristocracia oper\u00e1ria&#8221;, inteiramente pequeno-burgueses pelo seu g\u00eanero de vida, pelos seus vencimentos e por toda a sua concep\u00e7\u00e3o do mundo, constitui o [&#8230;] principal apoio social (n\u00e3o militar) da burguesia. Porque s\u00e3o verdadeiros agentes da burguesia no seio do movimento oper\u00e1rio, lugar-tenentes oper\u00e1rios da classe capitalista (labor lieutenants of the capitalist class), verdadeiros ve\u00edculos do reformismo e do chauvinismo. Na guerra civil entre o proletariado e a burguesia colocam-se inevitavelmente, em n\u00famero consider\u00e1vel, ao lado da burguesia, ao lado dos &#8220;versalheses&#8221;<a class=\"western\" href=\"http:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/imperialismo\/notas.htm-%288%29\">http:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/imperialismo\/notas.htm-%288%29<\/a> contra os &#8220;communards&#8221;.(3)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Desde o final do s\u00e9culo 19, a burguesia vai se dando conta de que h\u00e1 um setor do proletariado com o qual &#8220;se pode conversar&#8221; e buscar acordos. Diferente do restante dos trabalhadores, esse setor \u00e9 &#8220;civilizado&#8221;, &#8220;cidad\u00e3o&#8221; e &#8220;respons\u00e1vel&#8221;. A burguesia percebe, ainda mais, que uma alian\u00e7a com a aristocracia oper\u00e1ria enfraqueceria o restante da classe, tornando mais f\u00e1cil o controle de todos os trabalhadores pelo capital.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Assim, j\u00e1 em 1918-22, a aristocracia oper\u00e1ria e sua burocracia foram importantes na derrota da Revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 e no assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. Na gigantesca greve de 1936, na Fran\u00e7a, Maurice Thorez, secret\u00e1rio geral do PCF e um dos principais representantes da aristocracia oper\u00e1ria, se aliou com os capitalistas para desmontar o movimento. &#8220;\u00c9 preciso saber como interromper uma greve&#8221;, declarou. Logo ap\u00f3s a II Guerra Mundial, em 1946, a confian\u00e7a da burguesia na aristocracia oper\u00e1ria na Fran\u00e7a chegou ao ponto de entregar \u00e0s principais centrais sindicais a administra\u00e7\u00e3o do sistema de aposentadoria dos trabalhadores! <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Hoje, n\u00e3o por acaso, nem \u00e9 um fato original, no Brasil, os fundos de pens\u00e3o, t\u00e3o importantes para a especula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o administrados em larga medida pela burocracia que vem da aristocracia oper\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Com a crise estrutural do sistema do capital, a partir dos anos de 1970, a instabilidade econ\u00f4mica e social torna ainda mais importante o papel da aristocracia oper\u00e1ria no controle do proletariado. Aumenta ainda mais a integra\u00e7\u00e3o da aristocracia oper\u00e1ria, seus sindicatos e partidos, ao Estado e ao grande capital. Em muitos pa\u00edses a aristocracia oper\u00e1ria e sua burocracia t\u00eam sido importantes fiadores das pol\u00edticas neoliberais da &#8220;reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva&#8221;. Os sindicatos e partidos dos trabalhadores v\u00e3o se convertendo em &#8220;c\u00e3es de guarda&#8221; do capital, como disse um pesquisador franc\u00eas. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">No Brasil as coisas n\u00e3o foram diferentes. Foram tardias e mais r\u00e1pidas, apenas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A aristocracia oper\u00e1ria no Brasil<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A industrializa\u00e7\u00e3o que teve lugar a partir da Ditadura Militar, de 1970 at\u00e9 os nossos dias, forneceu as bases para o desenvolvimento da aristocracia oper\u00e1ria no Brasil. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">De in\u00edcio junto \u00e0s ind\u00fastrias de base e pesadas (metalurgia, automobil\u00edstica, siderurgia, petroqu\u00edmica), logo a aristocracia oper\u00e1ria foi se generalizando na medida em que a tecnologia se elevava e a produ\u00e7\u00e3o crescia. O Brasil se &#8220;modernizou&#8221; mantendo o que mais interessa \u00e0 burguesia: uma crescente concentra\u00e7\u00e3o de rendas e a maior lucratividade poss\u00edvel para o capital como um todo. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Em pouco mais de uma d\u00e9cada, um setor dos oper\u00e1rios, os mais especializados, de maior n\u00edvel cultural e informa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, passou a fornecer as lideran\u00e7as que organizaram as lutas contra a Ditadura. Em pouco tempo, entre 1978 e 1981, organizaram uma estrutura sindical paralela que destronou o poder da &#8220;pelegada&#8221; que apoiava os militares. As greves de 1978-9 anunciaram a entrada em nossa hist\u00f3ria de uma nova lideran\u00e7a sindical, que vinha da nova aristocracia oper\u00e1ria e que exigia o que j\u00e1 havia em todos os pa\u00edses imperialistas: a participa\u00e7\u00e3o, no Estado, dos &#8220;trabalhadores&#8221;. O PT surgiu para lutar por essa participa\u00e7\u00e3o no Estado. S\u00f3 assim, argumentavam, seria constru\u00eddo um Brasil justo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Colhemos, hoje, os resultados dessa hist\u00f3ria: os &#8220;representantes dos trabalhadores&#8221;, as lideran\u00e7as da CUT e do PT eram, na verdade, representantes da aristocracia oper\u00e1ria. Pela promo\u00e7\u00e3o das ilus\u00f5es reformistas e pela promo\u00e7\u00e3o ativa da colabora\u00e7\u00e3o de classe, desarmaram o conjunto dos trabalhadores e conseguiram evitar todo o confronto aberto com o capital. As greves dos petroleiros de 1995 e a dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, em 2004, que n\u00e3o nos deixem mentir. Os burocratas do PT e da CUT foram fundamentais para o sucesso da &#8220;reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva&#8221; e do neoliberalismo. Fizeram para isso tudo o que estava ao seu alcance: desde a promo\u00e7\u00e3o do empreendedorismo entre os trabalhadores, at\u00e9 o aberto combate \u00e0s teorias e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">A hist\u00f3ria de como se costurou a alian\u00e7a da aristocracia oper\u00e1ria com o grande capital no Brasil \u00e9, em largu\u00edssima medida, a hist\u00f3ria de como o PT e a CUT, de uma postura mais combativa (mas, nunca, anticapitalista), se converteram em pilares importantes do controle dos trabalhadores pelos patr\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o, agora, para sequer delinear essa hist\u00f3ria. O fundamental \u00e9 a sua li\u00e7\u00e3o: se n\u00e3o formos capazes de identificar nossos inimigos, lutaremos contra fantasmas e n\u00e3o contra as for\u00e7as reais que nos oprimem. Enquanto as ilus\u00f5es aos sindicatos e partidos dominados pela aristocracia oper\u00e1ria estiverem presentes entre os trabalhadores e prolet\u00e1rios, as lutas n\u00e3o se voltar\u00e3o contra as verdadeiras causas, da explora\u00e7\u00e3o do proletariado pelo capital, mas apenas contra os efeitos superficiais. Terreno seguro para a derrota revolucion\u00e1ria e para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Por isso, a luta revolucion\u00e1ria contra o capital, no Brasil e no resto do mundo, \u00e9 tamb\u00e9m a luta contra a aristocracia oper\u00e1ria e contra a burocracia sindical e partid\u00e1ria que dela se origina. Isso, se j\u00e1 era verdade na \u00e9poca de Engels, Lenin e Rosa Luxemburgo, \u00e9 ainda mais urgente em nossos dias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Textos recomendados:<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Lenin, V. I. O imperialismo, etapa superior do capitalismo. H\u00e1 v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Lessa, S. Cad\u00ea o proletariado? Instituto Luk\u00e1cs, 2014. Um estudo sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios e da aristocracia oper\u00e1ria no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Marx, K. &#8220;Cr\u00edtica aos programas de Gotha e Erfurt.&#8221; H\u00e1 v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas, uma das melhores \u00e9 da Edi\u00e7\u00f5es Avante, de Portugal, que pode ser conseguida na internet com facilidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Marx, Engels e Lenin tomam o trabalho como a atividade fundante da sociedade e, por essa raz\u00e3o, definem as classes sociais pelo local que ocupam na estrutura produtiva. O que difere o proletariado dos demais assalariados \u00e9 que, pelo seu trabalho na agricultura e nas f\u00e1bricas, converte a natureza nos meios de produ\u00e7\u00e3o e de subsist\u00eancia que s\u00e3o a origem de todo o capital. Os prolet\u00e1rios s\u00e3o a \u00fanica classe que produz o capital, s\u00e3o a \u00fanica classe n\u00e3o parasita no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Tratamos desse tema no Jornal Espa\u00e7o Socialista n. 77.<\/span><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Eduard Bernstein (1850-1932) foi o primeiro te\u00f3rico reformista com uma proposta abrangente e global da pac\u00edfica transforma\u00e7\u00e3o do capitalismo em socialismo. Sua influ\u00eancia se estendeu, no s\u00e9culo passado, por todo o campo socialdemocrata e tamb\u00e9m entre os eurocomunistas. O quanto suas concep\u00e7\u00f5es estavam equivocadas se tornou evidente quando, \u00e0s v\u00e9speras da Primeira Grande Guerra (1914-18), dizia ser desnecess\u00e1rio que os revolucion\u00e1rios se organizassem para evitar o conflito porque a &#8220;racionalidade&#8221; do capital impediria o conflito! Foi de grande ajuda, naquele momento, \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o para a guerra promovida pelo imperialismo.<\/span><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><span lang=\"pt-BR\">Communards e versalheses s\u00e3o refer\u00eancias aos dois lados da Comuna de Paris, os revolucion\u00e1rios (os communards) e os contrarrevolucion\u00e1rios que tinham seu quartel general em Versalhes. Lenin, V. U. (1984) Imperialismo, etapa superior do capitalismo. Obras Escolhidas em Tr\u00eas Tomos, Editorial Progresso, Moscou, p. 585.<\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<style style=\"font-weight: normal;\" type=\"text\/css\"><!-- p { text-indent: 0.24in; margin-bottom: 0.1in; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: justify; orphans: 2; widows: 2; }p.western { font-family: \"Garamond\",serif; font-size: 11pt; }p.cjk { font-family: \"SimSun\"; font-size: 11pt; }p.ctl { font-family: \"Times New Roman\"; font-size: 11pt; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); }a.ctl:link { font-family: \"Times New Roman\"; } --><\/style>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenvolvimento dos modos de produ\u00e7\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m, o desenvolvimento das classes sociais e das suas rela\u00e7\u00f5es. 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