{"id":4257,"date":"2015-11-12T11:45:28","date_gmt":"2015-11-12T13:45:28","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4257"},"modified":"2015-11-12T11:45:28","modified_gmt":"2015-11-12T13:45:28","slug":"jornal-84-breve-balanco-sobre-a-greve-da-fasubra-do-sinasefe-e-do-conjunto-do-servico-publico-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/11\/jornal-84-breve-balanco-sobre-a-greve-da-fasubra-do-sinasefe-e-do-conjunto-do-servico-publico-federal\/","title":{"rendered":"Jornal 84: Breve balan\u00e7o sobre a greve da FASUBRA, do SINASEFE e do conjunto do Servi\u00e7o P\u00fablico Federal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4260 alignright\" alt=\"2\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2-300x204.jpg\" width=\"300\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A greve mais forte e mais longa da hist\u00f3ria da FASUBRA durou 132 dias e foi um marco na resist\u00eancia de t\u00e9cnico-administrativos contra o ajuste fiscal e o governo Dilma. Apesar do grande peso do governismo na dire\u00e7\u00e3o da categoria. Os ataques \u00e0 universidade p\u00fablica e aos t\u00e9cnico-administrativos e o ajuste fiscal s\u00e3o partes de uma mesma pol\u00edtica para garantir o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica: um existe em fun\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo tendo a for\u00e7a para arrancar uma proposta, ainda que p\u00e9ssima, logo no primeiro m\u00eas de greve (reajuste parcelado em 4 anos), o movimento n\u00e3o conseguiu dobrar o governo para que houvesse uma outra melhor. E mesmo a proposta de reposi\u00e7\u00e3o em dois anos j\u00e1 existia no in\u00edcio da greve, segundo declara\u00e7\u00f5es do ent\u00e3o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Janine Ribeiro.<\/p>\n<p>Assim, precisamos nos perguntar quais os motivos que levaram a greve nacional a n\u00e3o ter mais avan\u00e7os dos que os que estavam j\u00e1 no horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A greve na UFABC e na FASUBRA<\/h2>\n<p>Em primeiro lugar, apesar da for\u00e7a da greve, \u00e9 importante salientar que foi deflagrada em um contexto em que outras categorias n\u00e3o entraram em greve, diferente de 2012. Assim, das greves que se anunciaram eram fortes a da FASUBRA e do INSS. O ANDES teve uma greve fragmentada e fraca em muitas universidades, se esfacelando mesmo antes das outras categorias. Mas, mesmo com poucas categorias entrando em greve era poss\u00edvel construir uma unidade melhor do que a que foi praticada: o discurso da unidade ficou somente na c\u00fapula, sem a presen\u00e7a da base das categorias. Sequer caravanas unificadas \u00e0 Bras\u00edlia foram poss\u00edveis, sendo realizadas caravanas diferentes da FASUBRA, do judici\u00e1rio e do conjunto dos SPFs. As a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram isoladas e houve pouca intera\u00e7\u00e3o entre trabalhadores\/as de diferentes categorias. Mesmo no ABC n\u00e3o conseguimos construir a unidade que gostar\u00edamos. Realizamos um grande ato que foi capa dos principais jornais da regi\u00e3o, mas n\u00e3o conseguimos agregar outros setores como o INSS, tamb\u00e9m em greve. Por fim, houve greves simult\u00e2neas, mas n\u00e3o unificadas. A pol\u00edtica para esta situa\u00e7\u00e3o deveria passar pela consolida\u00e7\u00e3o de comandos regionais de greve, envolvendo as universidades, Previd\u00eancia e outras categorias em luta. Na greve de 2012, t\u00ednhamos o F\u00f3rum Estadual dos SPFs, impulsionado pela CSP-Conlutas, que articulava as a\u00e7\u00f5es regionais. Isso n\u00e3o se repetiu em 2015.<\/p>\n<p>Sobre a greve da FASUBRA, achamos correta a pol\u00edtica de unidade com os SPF e fortalecimento da pauta geral (27,3% de reposi\u00e7\u00e3o), mas ao n\u00e3o ser poss\u00edvel o fortalecimento da greve geral do funcionalismo deveria haver um movimento t\u00e1tico para garantir a negocia\u00e7\u00e3o da pauta local. Ao buscarmos o rompimento do corporativismo das dire\u00e7\u00f5es e da base das categorias, for\u00e7ar a pauta geral em nome de uma unidade que n\u00e3o existe \u00e9 tamb\u00e9m n\u00e3o levar adiante as demandas da categoria em luta.<\/p>\n<p>Na UFABC, o saldo \u00e9 positivo, pelas conquistas da greve: mesmo que n\u00e3o sejam imediatas (com exce\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o) joga a contradi\u00e7\u00e3o para a reitoria para que seja aberta uma brecha de encaminhamento das demandas. O maior saldo \u00e9 pol\u00edtico e organizativo: Sa\u00edmos fortalecidos dessa greve, o sindicato tamb\u00e9m e o conjunto de ativistas tem se consolidado no Conselho de Representantes Sindicais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A luta no IFSC e no SINASEFE<\/h2>\n<p>No SINASEFE a greve se desenla\u00e7a \u2013 ainda que com sinais manifestos de esgotamento \u2013 e o seu fim est\u00e1 condicionado, por delibera\u00e7\u00e3o das bases, \u00e0 assinatura do termo de acordo com o Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o, incorporados os pontos em que se tem acordo com a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica (SETEC\/MEC).<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, sobretudo na Se\u00e7\u00e3o Sindical IFSC \u2013 2\u00aa maior Se\u00e7\u00e3o do SINASEFE \u2013 a greve (encerrada em fins de setembro, totalizando 79 dias de paralisa\u00e7\u00e3o) foi uma das maiores e mais fortes de sua hist\u00f3ria e se alastrou por praticamente todos os Campus. Os maiores ganhos tamb\u00e9m se deram na esfera pol\u00edtico-organizativa. Conseguimos avan\u00e7ar de um quadro de intensa desmobiliza\u00e7\u00e3o \u2013 at\u00e9 mesmo para os enfrentamentos institucionais \u2013 para um novo cen\u00e1rio, que se expressou atrav\u00e9s da consolida\u00e7\u00e3o de comandos locais organizados e atuantes; da forma\u00e7\u00e3o de novas lideran\u00e7as; da realiza\u00e7\u00e3o de algumas atividades conjuntas por todo o Estado com outras entidades do funcionalismo p\u00fablico federal, como Sintufsc, AndesUfsc, Assibge, Sintrafesc e Sindprevs\/SC, resgatando \u2013 ainda que temporariamente \u2013 a figura do F\u00f3rum Estadual dos SPFs; da discuss\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o da pauta interna de reivindica\u00e7\u00f5es; da problematiza\u00e7\u00e3o, junto \u00e0 base, da atual diretoria da se\u00e7\u00e3o sindical, bra\u00e7o do governismo no Estado; do fechamento de um acordo de reposi\u00e7\u00e3o de aulas favor\u00e1vel, em rela\u00e7\u00e3o a 2012.<\/p>\n<p>Aos poucos, a t\u00f4nica geral deslocou-se para um posicionamento mais firme na resist\u00eancia contra o plano de ajuste fiscal do Governo Federal, os cortes or\u00e7ament\u00e1rios na Educa\u00e7\u00e3o e ao sistema de d\u00edvida p\u00fablica, muito embora mantivesse seu eixo em torno da pauta financeira.<\/p>\n<p>No entanto, no plano nacional, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as foi desfavor\u00e1vel e a mobiliza\u00e7\u00e3o constru\u00edda esbarrou na postura intransigente do Governo que, desde a instala\u00e7\u00e3o do processo negocial, justificou as reiteradas propostas rebaixadas em nome do ajuste fiscal. N\u00e3o se escondeu, em momento algum, a op\u00e7\u00e3o em colocar a conta da crise nas costas dos trabalhadores, servindo-se de uma t\u00e1tica continu\u00edsta e permanente de vencer no cansa\u00e7o e com \u201cmesas de enrola\u00e7\u00e3o\u201d, tanto na esfera da Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho no Servi\u00e7o P\u00fablico, como na esfera da SETEC.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, se\u00e7\u00f5es importantes n\u00e3o aderiram ao movimento, como o Sindscope, no Rio de Janeiro, ou tiraram sua ades\u00e3o tardiamente, como foi o caso da Se\u00e7\u00e3o Sindical em S\u00e3o Paulo. O SINASEFE, diante de um quadro pr\u00e9-greve de baixa mobiliza\u00e7\u00e3o, apostou todas as suas fichas numa greve unificada do funcionalismo p\u00fablico federal, o que acabou por n\u00e3o acontecer e que, em realidade, desde as primeiras reuni\u00f5es do F\u00f3rum Nacional das Entidades do Servi\u00e7o P\u00fablico Federal, j\u00e1 demonstrava que n\u00e3o batia tanto \u00e0s nossas portas com a facilidade que se anunciava principalmente pela Corrente O Trabalho do PT. \u00c0 medida que os dias passaram e as demais categorias n\u00e3o se somaram, se tornou muito dif\u00edcil expandir o movimento no \u00e2mbito do SINASEFE. Dum universo de cerca de 600 unidades dos institutos em todo o pa\u00eds, aproximadamente 260 entraram em greve.<\/p>\n<p>Compusemos um Comando de Greve Nacional que investiu compulsivamente na divulga\u00e7\u00e3o de quadros de greve, buscando se servir meramente dos n\u00fameros como atrativos, mas que promoveu pouca ou quase nenhuma discuss\u00e3o pol\u00edtica na base ou se preocupou em informar com rapidez e qualidade os resultados das negocia\u00e7\u00f5es ou dos encaminhamentos do F\u00f3rum dos SPFs. Os boletins nacionais n\u00e3o trouxeram an\u00e1lises s\u00f3lidas de conjuntura e muitas vezes, dada \u00e0 postura imparcial, deixava as bases de trabalhadores\/as com d\u00favidas e inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Reflex\u00f5es sobre essa luta<\/h2>\n<p>Por fim, a s\u00e9rie de ataques do Governo Federal se desdobra numa amplitude que abarca o conjunto da classe trabalhadora. A desvaloriza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e de seus trabalhadores, os cortes or\u00e7ament\u00e1rios em setores como Educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, a restri\u00e7\u00e3o de acesso aos direitos previdenci\u00e1rios, as terceiriza\u00e7\u00f5es, entre outros, ocorrem num momento em que a crise estrutural do capital se agrava e, como consequ\u00eancia, se lan\u00e7am ofensivas cada mais possantes ao trabalho para garantir taxas escorchantes de lucro.<\/p>\n<p>O compromisso do Governo n\u00e3o \u00e9 com os trabalhadores. A transfer\u00eancia de recursos p\u00fablicos para pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, que abocanha quase metade do Or\u00e7amento anual da uni\u00e3o \u00e9 evid\u00eancia disso e isso, absolutamente, n\u00e3o nos interessa como classe. Assim, faz-se importante e necess\u00e1rio buscar e construir a unidade n\u00e3o s\u00f3 entre os trabalhadores do funcionalismo p\u00fablico, mas com toda a classe, numa perspectiva de greve geral.<\/p>\n<p>Nesse processo, a estrat\u00e9gia deve ser a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo como totalidade. A organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe perpassa pelo resgate da vis\u00e3o do socialismo como alternativa societ\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A greve mais forte e mais longa da hist\u00f3ria da FASUBRA durou 132 dias e foi um marco na resist\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4260,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4257"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4257"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4264,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4257\/revisions\/4264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}