{"id":4268,"date":"2015-11-12T14:36:34","date_gmt":"2015-11-12T16:36:34","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4268"},"modified":"2015-11-12T14:50:41","modified_gmt":"2015-11-12T16:50:41","slug":"jornal-84-palestina-nova-revolta-contra-a-ocupacao-israelense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/11\/jornal-84-palestina-nova-revolta-contra-a-ocupacao-israelense\/","title":{"rendered":"Jornal 84: Palestina: nova revolta contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 desse \u00faltimo m\u00eas a escalada de viol\u00eancia de Israel contra palestinos, tampouco se restringe \u00e0 rea\u00e7\u00e3o por pronunciamento ou hasteamento de bandeira em \u00f3rg\u00e3o internacional, como a ONU.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/6.gif\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4271 alignright\" alt=\"6\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/6-219x300.gif\" width=\"219\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa viol\u00eancia remete \u00e0 hist\u00f3ria de um povo que tem sido sistematicamente massacrado e dizimado desde a divis\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>No entanto, o que tem chamado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o nesse \u00faltimo m\u00eas al\u00e9m do insistente confronto desproporcional de Israel \u2013 uma das maiores pot\u00eancias b\u00e9licas do mundo, com produ\u00e7\u00e3o, inclusive, de arma qu\u00edmica \u2013 \u00e9 o n\u00edvel de resist\u00eancia da juventude palestina.<\/p>\n<p>O discurso racista, a quantidade de pris\u00f5es, inclusive, de crian\u00e7as e mesmo o alto n\u00famero de assassinatos cometidos pelo governo e pela repress\u00e3o israelense n\u00e3o calam e nem paralisam as a\u00e7\u00f5es radicalizadas de muitos jovens palestinos, que em \u00faltimo caso, se suicidam, mas n\u00e3o se rendem.<\/p>\n<p>No \u00faltimo Dia de Ira, centenas de jovens palestinos, armados de pedras, facas e coquet\u00e9is molotov reagiram novamente \u00e0s investidas do governo israelense em intensificar as demoli\u00e7\u00f5es de casas palestinas.<\/p>\n<p>Segundo a ONU, mais de 11 mil ordens de demoli\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo executadas por Israel nesse momento e 77% delas s\u00e3o possu\u00eddas ou est\u00e3o em territ\u00f3rio palestino. Demoli\u00e7\u00e3o de casas, hospitais e escolas tem sido uma das formas de Israel tentar varrer cerca de 300 mil palestinos da regi\u00e3o da Cisjord\u00e2nia a fim de sustentar sua invas\u00e3o e ampliar os assentamentos.<\/p>\n<p>Ainda assim, o governo de Israel nesses \u00faltimos dias, com seu poder militar, fechou o acesso palestino para Jerusal\u00e9m Oriental (territ\u00f3rio palestino invadido por Israel), prendeu centenas de pessoas (sem direito a interven\u00e7\u00e3o judicial) e reformou leis para prender e abrir fogo contra \u201ccrian\u00e7as atiradoras de pedras\u201d.<\/p>\n<p>Junte-se a situa\u00e7\u00f5es como essas a alta taxa de desemprego entre a popula\u00e7\u00e3o palestina ativa que \u00e9 de 42% e entre os jovens de 60%. Segundo o Banco Mundial, 39% da popula\u00e7\u00e3o vivem abaixo da linha de pobreza e 80% dependem de doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para o sistema capitalista n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel manter apenas a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho em todas as partes do mundo. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m destruir, matar e exterminar povos para dominar completamente suas riquezas naturais, especialmente quando se trata de g\u00e1s e petr\u00f3leo. Assim \u00e9 esse projeto de expans\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio palestino. Al\u00e9m de sistem\u00e1tico, carrega em si a necessidade de fortalecimento dos Estados Unidos e tamb\u00e9m do capital sionista na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<h2>A fal\u00eancia dos acordos com Israel<\/h2>\n<p>Com isso torna-se sistem\u00e1tico tamb\u00e9m a crescente indigna\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o palestina, que resiste cotidianamente a cada ofensiva israelense.<\/p>\n<p>Desde a Primeira Intifada (1987-1993) passando pela Segunda (2000-2005) e pela escalada de viol\u00eancia entre 2013-2014 milhares de palestinos, principalmente jovens, perderam suas vidas ou t\u00eam que suportar as consequ\u00eancias de acordos n\u00e3o cumpridos, o Muro que separa o seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, as intensas investidas de Israel contra suas moradias e, at\u00e9 mesmo, a proibi\u00e7\u00e3o de circularem livremente com Israel controlando seus passos. Mas, n\u00e3o suportam calados ou parados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da \u201cGuerra das Pedras\u201d ter se tornado o meio de defesa e de ataque da juventude palestina contra os soldados israelenses \u2013 conforme noticiou recentemente o Jornal El Pa\u00eds \u2013 42% dos palestinos consideram a luta armada como a melhor sa\u00edda para a conquista de um Estado Palestino, ou seja, quase metade da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acredita em acordos com o imperialismo e tamb\u00e9m aprovam o uso da viol\u00eancia. Contudo, ainda o que se possui massivamente s\u00e3o armas menos potentes e com pequeno poder de alcance como as facas, que surgiram nos confrontos desse \u00faltimo m\u00eas.<\/p>\n<p>Sendo assim, n\u00e3o \u00e9 sem sustenta\u00e7\u00e3o real que Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, diz abandonar os Acordos de Oslo. Isso significa deixar a atual administra\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinos (manuten\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica, alimenta\u00e7\u00e3o, garantia de sa\u00fade e servi\u00e7os educacionais p\u00fablicos, etc.) ocupados pelas tropas do ex\u00e9rcito de Israel, sob dom\u00ednio do \u201cpoder ocupante\u201d, isto \u00e9, coloca parte dos 80% da popula\u00e7\u00e3o \u2013 que depende de doa\u00e7\u00f5es internacionais recebidas pelo governo palestino \u2013 na linha de confronto e na depend\u00eancia direta de servi\u00e7os p\u00fablicos a cargo do governo israelense.<\/p>\n<p>Com esse discurso de abandono dos Acordos, Abbas procura atacar v\u00e1rias quest\u00f5es: procura pressionar, perante o mundo, o cumprimento de negocia\u00e7\u00f5es e cobrar responsabilidade de Israel; reivindicar a interven\u00e7\u00e3o da ONU; procura enfraquecer o Hamas, principal organiza\u00e7\u00e3o impulsionadora da luta armada entre a popula\u00e7\u00e3o palestina e com o respaldo popular.<\/p>\n<p>Os chamados \u201cAcordos de Oslo\u201d \u2013 sempre muito questionados entre os palestinos foram a raz\u00e3o do fortalecimento do Hamas, contr\u00e1rio a eles \u2013 j\u00e1 duram 22 anos e Israel nunca cumpriu as obriga\u00e7\u00f5es firmadas e nem deu passos para o reconhecimento, pelos israelenses, do Estado de Palestino. Nas mesas de negocia\u00e7\u00f5es t\u00eam prevalecido as \u201cnegocia\u00e7\u00f5es permanentes\u201d, ou seja, enrola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, o que far\u00e1 a burguesia da Autoridade Nacional Palestina sem o poder pol\u00edtico e com a perda de cargos e de altas doa\u00e7\u00f5es internacionais recebidas de pa\u00edses \u00e1rabes e europeus n\u00e3o se pode prever.<\/p>\n<p>Mas, certamente \u00e9 poss\u00edvel entender o que acontece com o povo trabalhador em situa\u00e7\u00f5es como essa. Contra o povo palestino tem se tornado imprescind\u00edvel intensificar as v\u00e1rias formas de opress\u00e3o, repress\u00e3o e de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>E se j\u00e1 n\u00e3o bastasse tudo isso, al\u00e9m das pris\u00f5es de milhares de jovens, Israel tamb\u00e9m alterou a legisla\u00e7\u00e3o para que os franco-atiradores possam abrir fogo contra crian\u00e7as e estabeleceu senten\u00e7a para prender atiradores de pedras, o que encarcerou mais de 150 crian\u00e7as somente em Jerusal\u00e9m Oriental.<\/p>\n<p>Esse tem sido o papel do Estado de Israel, junto com outras pot\u00eancias imperialistas, especialmente em per\u00edodos de crise, exterminar povos para manter a superioridade territorial em regi\u00f5es f\u00e9rteis e garantir a apropria\u00e7\u00e3o das riquezas naturais. Portanto, n\u00e3o se poderia criar ilus\u00f5es em acordos com Israel, fadados previamente ao fracasso.<\/p>\n<p>Israel jamais permitiria a exist\u00eancia sequer de dois Estados. Reconhecer o Estado Palestino significaria, para Israel, recuar nas invas\u00f5es, levantar acampamentos e, acima de tudo, abandonar parte do projeto do capital americano para a regi\u00e3o, al\u00e9m de fragilizar todo o discurso religioso que alimenta a consci\u00eancia de um \u201cpovo de Israel\u201d pelo mundo.<\/p>\n<p>Por essa e outras raz\u00f5es que os Acordos de Oslo representam uma ilus\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o palestina, negociando com um inimigo que jamais vai aceitar pacificamente a exist\u00eancia de um Estado Palestino e, muito menos, do povo palestino.<\/p>\n<p>Dessa forma, o \u201cultimato\u201d de Abbas representa, na verdade, uma corda no pesco\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora palestina e dos movimentos de resist\u00eancia para for\u00e7ar uma interven\u00e7\u00e3o da ONU.<\/p>\n<h2>A necessidade urgente de unidade da classe trabalhadora mundial<\/h2>\n<p>Com a crise estrutural do capital n\u00e3o temos outra sa\u00edda a n\u00e3o ser o fortalecimento da luta global e da unidade da classe trabalhadora mundial para enfrentar a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental a unidade da classe trabalhadora palestina e israelense para a resist\u00eancia contra todas as formas de opress\u00e3o, de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho e de explora\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, ou seja, contra todos os ataques do capitalismo em crise no sentido de sua supera\u00e7\u00e3o. A defesa do povo palestino \u00e9 a defesa de um Estado laico, onde convivam os trabalhadores \u00e1rabes e israelenses, no lugar desse Estado racista e excludente! Somente com a dissolu\u00e7\u00e3o do Estado sionista de Israel teremos uma Palestina laica, democr\u00e1tica e multi\u00e9tnica capaz de agregar a classe trabalhadora palestina e israelense num mesmo territ\u00f3rio!<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio que o internacionalismo seja ativo e concreto, j\u00e1 que as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\/explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o mundializadas. Precisamos construir esse internacionalismo no dia a dia, nos locais de trabalho, estudo e moradia. A forma\u00e7\u00e3o de Comit\u00eas, campanhas de apoio e solidariedade em sindicatos, diret\u00f3rios acad\u00eamicos e gr\u00eamios estudantis s\u00e3o fundamentais para fortalecer essa luta.<\/p>\n<p>Pela dissolu\u00e7\u00e3o do Estado de Israel! Por um Estado laico, democr\u00e1tico e que agregue o proletariado multi\u00e9tnico no territ\u00f3rio da Palestina! Por uma confedera\u00e7\u00e3o socialista do Oriente M\u00e9di<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 desse \u00faltimo m\u00eas a escalada de viol\u00eancia de Israel contra palestinos, tampouco se restringe \u00e0 rea\u00e7\u00e3o por pronunciamento<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4271,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4268"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4268"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4274,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4268\/revisions\/4274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}