{"id":4299,"date":"2015-11-27T09:32:17","date_gmt":"2015-11-27T11:32:17","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4299"},"modified":"2018-04-20T12:07:13","modified_gmt":"2018-04-20T15:07:13","slug":"crise-ambiental-em-mariana-mg-samarco-controlada-pela-vale-e-pela-inglesa-bhp-billiton-tem-que-pagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/11\/crise-ambiental-em-mariana-mg-samarco-controlada-pela-vale-e-pela-inglesa-bhp-billiton-tem-que-pagar\/","title":{"rendered":"Crise ambiental em Mariana &#8211; MG: Samarco (controlada pela Vale e pela inglesa BHP Billiton) tem que pagar!"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2064121-1-eng-GB_samarco.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/2064121-1-eng-GB_samarco-300x199.png\" alt=\"2064121-1-eng-GB_samarco\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Comecemos com uma conclus\u00e3o: as dimens\u00f5es da trag\u00e9dia s\u00e3o t\u00e3o colossais e as consequ\u00eancias t\u00e3o graves que se tornou imposs\u00edvel esconder as suas propor\u00e7\u00f5es. Trata-se do maior desastre ambiental da hist\u00f3ria da minera\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Lentamente, da mesma forma que a lama caminhava, fomos conhecendo a gravidade do desastre ocorrido em Mariana-MG. No dia 5\/11 houve o rompimento da barragem do Fund\u00e3o, operada pela mineradora Samarco (controlada pela Vale e pela inglesa BHP Billiton), em Bento Rodrigues, distrito de Mariana.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A princ\u00edpio o acontecimento foi noticiado como um grande vazamento de lama. Governos e empresa, de forma covarde e irrespons\u00e1vel, primeiro se calaram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias e depois, quando era imposs\u00edvel esconder o tamanho da trag\u00e9dia, passaram a dizer que teria sido imposs\u00edvel saber as causas. Mas, segundo o pr\u00f3prio MPF, a empresa j\u00e1 sabia do risco de rompimento das barragens desde 2013.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para se ter ideia da omiss\u00e3o do governo federal (a quem cabe acompanhar e fiscalizar o funcionamento e as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a), no decreto de libera\u00e7\u00e3o do FGTS para as vitimas Dilma classificou como desastre natural, ou seja, como se n\u00e3o houvesse a responsabilidade da empresa e dos governos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">At\u00e9 Os \u201crestos\u201d da produ\u00e7\u00e3o capitalista destr\u00f3i o meio ambiente<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A forma de produzir no capitalismo \u00e9 essencialmente destruidora. Os problemas ambientais que o mundo enfrenta s\u00e3o consequ\u00eancias dessa produ\u00e7\u00e3o. A extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios j\u00e1 \u00e9 bastante danoso para a natureza, mas a \u201csobra\u201d (res\u00edduos das rochas de min\u00e9rio depois que o metal principal \u00e9 extra\u00eddo) \u00e9 ainda pior, pois al\u00e9m de ser inorg\u00e2nica os riscos de acidentes como esses s\u00e3o permanentes.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Vazaram pela barragem rompida 62 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de lama contaminada com res\u00edduos de metais pesados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Uma vez que os metais extra\u00eddos para uso n\u00e3o se encontram \u201cprontos\u201d na natureza, t\u00eam que ser retirados da terra em blocos de rocha contendo diversas outras subst\u00e2ncias n\u00e3o utiliz\u00e1veis.. A lama com res\u00edduos desceu at\u00e9 o rio Gualaxu e chegou at\u00e9 o rio do Carmo, afluente do rio Doce, devastando tudo em seu caminho, chegando at\u00e9 um raio de 50 metros da margem dos rios, indo desaguar no litoral do Esp\u00edrito Santo, 500 quil\u00f4metros adiante (http:\/\/migre.me\/sdXSA).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A lama destruiu vilarejos, fazendas, bosques e tudo o que encontrou pelo caminho. O n\u00famero oficial \u00e9 de 13 mortos e 11 desaparecidos, e mais de 500 desabrigados (http:\/\/migre.me\/sdXUb). As vilas de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo foram convertidas em um deserto de lama. Moradores dizem que o n\u00famero de v\u00edtimas s\u00e3o maiores do que as anunciadas pela empresa e pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O vazamento acabou com toda a vida vegetal e animal no Rio Doce, provavelmente por d\u00e9cadas. Nas palavras do respons\u00e1vel pela Secretaria de Abastecimento, \u201cjogaram a tabela peri\u00f3dica inteira no rio Doce (&#8230;) o rio est\u00e1 morto\u201d (http:\/\/migre.me\/sdXWY). Os metais pesados dilu\u00eddos na lama \u201cpavimentaram\u201d o leito dos rios, aniquilando a flora subaqu\u00e1tica, base da cadeia alimentar dos cursos d\u2019agua, al\u00e9m de ter matado asfixiados e envenenados imediatamente todas as demais formas de vida. Volunt\u00e1rios est\u00e3o se mobilizando para ajudar a medir os impactos ambientais (<a href=\"http:\/\/migre.me\/sdYfo\">http:\/\/migre.me\/sdYfo<\/a>).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Empresa continua cometendo crimes contra a popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A cidade de Governador Valadares, com 245 mil habitantes, ficou mais de uma semana sem fornecimento regular de \u00e1gua. E quando chegaram com tanques com \u00e1gua ela estava impr\u00f3pria para o consumo, com gosto e cheiro de querosene. Os movimentos sociais da regi\u00e3o emitiram uma nota responsabilizando a empresa e pedindo provid\u00eancias (<a href=\"http:\/\/migre.me\/sdYgw\">http:\/\/migre.me\/sdYgw<\/a>).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A lama chegou ao litoral do Esp\u00edrito Santo, devendo se espalhar por at\u00e9 9 km mar adentro (<a href=\"http:\/\/migre.me\/sdYk1\">http:\/\/migre.me\/sdYk1<\/a>), comprometendo a vida marinha.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Muitas pessoas e fam\u00edlias vivem nas regi\u00f5es que a lama percorreu tiravam seu sustento do rio e do mar agora contaminados. Agora est\u00e3o sem trabalho, vivendo com ajuda provis\u00f3ria e ainda sem saber sequer onde v\u00e3o morar.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">H\u00e1 ainda o crime ambiental de responsabilidade dos administradores da empresa \u2013e se conhecemos bem o judici\u00e1rio e seus servi\u00e7os prestados aos ricos- teremos processos longos e demorados, sem puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis e as indeniza\u00e7\u00f5es \u2013 se forem concedidas- demorar\u00e3o anos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A Samarco impediu o livre acesso ao local do acidente, nos primeiros dias, de modo que a \u201ccena do crime\u201d ficou sob controle dos pr\u00f3prios criminosos por um amplo lapso de tempo. Num primeiro momento, chegou-se a veicular a hip\u00f3tese absurda de que um abalo s\u00edsmico teria destru\u00eddo a barragem. Um abalo de 2,2 graus na escala Richter \u00e9 praticamente di\u00e1rio na regi\u00e3o, e equivale ao tremor da passagem de um caminh\u00e3o (<a href=\"http:\/\/migre.me\/sdYlr\">http:\/\/migre.me\/sdYlr<\/a>).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Privatiza\u00e7\u00e3o da vale: fraude<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A amea\u00e7a de novos desastres ainda paira no ar, j\u00e1 que outras duas barragens operadas pela Samarco est\u00e3o tamb\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, conforme admitiu a empresa(<a href=\"http:\/\/migre.me\/sdYkz\">http:\/\/migre.me\/sdYkz<\/a>).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mais assustador do que a imensa quantidade de lama t\u00f3xica foi o estrondoso sil\u00eancio da m\u00eddia nacional, que somente aos poucos foi obrigada a divulgar os detalhes do desastre, e o fez devido \u00e0 press\u00e3o das redes sociais, que est\u00e3o erodindo o monop\u00f3lio das corpora\u00e7\u00f5es da informa\u00e7\u00e3o. Por um momento, os atentados terroristas em Paris serviram tamb\u00e9m para ocultar as dimens\u00f5es da trag\u00e9dia no Brasil e momentaneamente tirar o foco dos seus respons\u00e1veis. Mas eles est\u00e3o vindo \u00e0 tona.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A atual Vale S.A. \u00e9 a antiga Companhia Vale do Rio Doce, estatal vendida \u00e0 pre\u00e7o de banana, no auge da chamada \u201cprivataria tucana\u201d, a entrega do patrim\u00f4nio nacional ao capital estrangeiro durante os mandatos de FHC (1994-2002). A privatiza\u00e7\u00e3o da Vale foi um dos maiores crimes cometidos contra o pa\u00eds em todos os tempos. As reservas de min\u00e9rios e o valor total da Vale do Rio Doce foram sub avaliados por uma consultoria estrangeira, a qual, meses depois, participou de um dos cons\u00f3rcios que compraram as a\u00e7\u00f5es! Diversos processos judiciais foram abertos questionando a privatiza\u00e7\u00e3o, mas nenhum deles foi adiante, afinal o Judici\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico e atende ao poder do dinheiro da classe dominante.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A Vale do Rio Doce foi vendida em 1997 por apenas R$ 3,3 bilh\u00f5es, sendo que o seu lucro anual j\u00e1 era muito maior. Apenas no 1\u00ba semestre de 2015 o lucro foi de R$ 5,14 bilh\u00f5es (<a href=\"http:\/\/migre.me\/sdYl8\">http:\/\/migre.me\/sdYl8<\/a>). Em 2009 mudou seu nome para Vale e \u00e9 atualmente uma das maiores mineradoras do mundo, juntamente com a pr\u00f3pria BHP Billiton e a australiana Rio Tinto. Todas se beneficiaram enormemente do \u201cboom\u201d das commodities, o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias primas, em especial para a China, caracter\u00edstico da d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A l\u00f3gica com a qual a Vale opera \u00e9 a de arrancar todo o min\u00e9rio que puder do subsolo, para vender no mercado mundial e obter lucro para seus acionistas, deixando para tr\u00e1s territ\u00f3rios devastados pela contamina\u00e7\u00e3o. O crime ambiental de Mariana \u00e9 resultado da neglig\u00eancia com a quantidade de res\u00edduo irresponsavelmente acumulado e do descaso com a manuten\u00e7\u00e3o das barragens. Um descaso criminoso, que s\u00f3 \u00e9 intelig\u00edvel dentro da l\u00f3gica do lucro a qualquer custo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comecemos com uma conclus\u00e3o: as dimens\u00f5es da trag\u00e9dia s\u00e3o t\u00e3o colossais e as consequ\u00eancias t\u00e3o graves que se tornou imposs\u00edvel<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4301,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4299"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4299"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5897,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4299\/revisions\/5897"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4301"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}