{"id":4322,"date":"2015-12-06T22:44:23","date_gmt":"2015-12-07T00:44:23","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4322"},"modified":"2018-02-08T18:14:54","modified_gmt":"2018-02-08T20:14:54","slug":"jornal-85-violencia-contra-a-mulher-formas-de-enfrentamento-e-politizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2015\/12\/jornal-85-violencia-contra-a-mulher-formas-de-enfrentamento-e-politizacao\/","title":{"rendered":"Jornal 85: Viol\u00eancia contra a mulher: formas de enfrentamento e politiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A opress\u00e3o da mulher n\u00e3o \u00e9 algo recente na hist\u00f3ria da humanidade, ela perdurou por distintos modos de produ\u00e7\u00e3o e est\u00e1 presente na atual sociedade. Uma das formas mais vis\u00edveis da referida opress\u00e3o s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra mulher, que muitas vezes s\u00e3o naturalizadas. A viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o se d\u00e1 somente nas express\u00f5es de agress\u00f5es f\u00edsicas, mas sexual, psicol\u00f3gicas, patrimonial e moral. Partindo desse entendimento se faz necess\u00e1rio discutir \u2013 com homens e mulheres \u2013 quest\u00f5es relacionadas ao g\u00eanero feminino, com \u00eanfase na tentativa da desconstru\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/4.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/4.png\" alt=\"4\" width=\"296\" height=\"202\" \/><\/a><\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Hist\u00f3ria da opress\u00e3o feminina<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A opress\u00e3o da mulher \u00e9 algo que existiu em todas as sociedades, em qualquer momento hist\u00f3rico? Bem, n\u00e3o \u00e9 isso que as pesquisas cient\u00edficas no campo da antropologia, arqueologia e hist\u00f3ria demonstram. De acordo com S\u00e9rgio Lessa (2012), a divis\u00e3o do trabalho na comunidade primitiva, ainda que levasse em considera\u00e7\u00e3o a idade, a for\u00e7a f\u00edsica ou o sexo dos indiv\u00edduos, baseava-se na igualdade e na autonomia destes para a realiza\u00e7\u00e3o de qualquer tarefa\u00a0necess\u00e1ria\u00a0ao desenvolvimento da comunidade. Todos tinham acesso ao que era coletado ou produzido. Sendo assim, a sobreviv\u00eancia de cada indiv\u00edduo estava ligada \u00e0 sobreviv\u00eancia dos demais, constituindo-se um fato necess\u00e1rio para a perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana.\u00a0N\u00e3o havia desigualdade social entre homens e mulheres.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Nesse contexto, as mulheres, por serem capazes de gestar novos seres, tendiam a realizar trabalhos menos perigosos, no \u00e2mbito do ambiente dom\u00e9stico, enquanto os homens se afastavam deste ambiente para ca\u00e7ar, pescar etc. Acrescentamos ainda que a amamenta\u00e7\u00e3o era outro fator que demandava maior presen\u00e7a e perman\u00eancia das mulheres junto \u00e0s crian\u00e7as.\u00a0Neste per\u00edodo os seres humanos mantinham rela\u00e7\u00f5es sexuais livremente, fato que, implicava a contagem da descend\u00eancia pela linhagem feminina.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A mulher na sociedade de classes<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Com o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e a possibilidade de produ\u00e7\u00e3o de excedente surgem as condi\u00e7\u00f5es objetivas de explora\u00e7\u00e3o do ser humano pelo ser humano. A partir deste momento a sociedade se dividiu em classes. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o passou a produzir a riqueza material, enquanto uma minoria se apropriou desta riqueza tornando-a propriedade privada. O surgimento da propriedade privada provocou um reordenamento no \u00e2mbito da reprodu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Enquanto possuidor do controle sobre os instrumentos de trabalho e da riqueza produzida, que progressivamente crescia, o homem da classe dominante imp\u00f4s o reconhecimento de seus descendentes pela linhagem paterna.\u00a0 Essa foi, como assinala\u00a0 Engels,\u00a0 \u201ca\u00a0 grande\u00a0 derrota hist\u00f3rica do sexo feminino em todo o mundo\u201d (ENGELS, 2012, p. 77, grifos\u00a0 do autor). A partir da\u00ed, d\u00e1-se a forma\u00e7\u00e3o da\u00a0fam\u00edlia monog\u00e2mica(1),\u00a0constitu\u00edda pela\u00a0consolida\u00e7\u00e3o do\u00a0patriarcado,\u00a0sistema\u00a0de domina\u00e7\u00e3o\u00a0que\u00a0garante o\u00a0direito\u00a0do\u00a0homem\u00a0de ter os filhos como herdeiros e o controle sobre o corpo e a vida das mulheres. Isso inclui a sua for\u00e7a de trabalho \u2013\u00a0convertendo-a\u00a0em\u00a0servidora, instrumento de\u00a0reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0e\u00a0escrava\u00a0da\u00a0sua \u201clux\u00faria\u201d,\u00a0destituindo-a\u00a0do\u00a0comando\u00a0do\u00a0lar.\u00a0A fam\u00edlia se desloca, ent\u00e3o, do coletivo e se torna um n\u00facleo privado, pois os indiv\u00edduos, agora com interesses antag\u00f4nicos, precisam buscar sua sobreviv\u00eancia individualmente. Desse contexto resultaram as bases materiais e humano-sociais das rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o do homem sobre a mulher.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Com o surgimento da sociedade burguesa, o trabalho feminino n\u00e3o fica restrito ao ambiente dom\u00e9stico. Nas manufaturas, dada a necessidade de for\u00e7a f\u00edsica para operar os meios de trabalho, os homens constitu\u00edam maior n\u00famero entre os trabalhadores. O trabalho feminino era reduzido. Essa situa\u00e7\u00e3o somente se modificou quando se introduziu a maquinaria moderna na produ\u00e7\u00e3o, que proporcionou al\u00e9m de seu ingresso mais efetivo, a explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil. Assim como os homens, elas passam a fazer parte da for\u00e7a de trabalho a ser explorada pelo capitalista, por\u00e9m, com o valor rebaixado em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho masculino.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A mulher na sociedade do capital<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Mesmo a mulher ganhando espa\u00e7o no \u00e2mbito p\u00fablico, ingresso no mercado de trabalho e \u2013 muito posteriormente \u2013 no campo pol\u00edtico, a rela\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o que \u00e9 fruto do patriarcado n\u00e3o foi superada. \u00c9 comum \u00e0s mulheres ocuparem postos de trabalho com remunera\u00e7\u00e3o menor que a do homem, serem v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual, psicol\u00f3gica, e ainda serem privadas de frequentar espa\u00e7os p\u00fablicos apenas por serem mulheres \u2013 por medo de danos a sua integridade f\u00edsica. Tais exemplos demonstram que a l\u00f3gica de inferioridade da mulher em rela\u00e7\u00e3o ao homem est\u00e1 presente nas sociedades de classes, que a mulher \u00e9 relegada a cumprir pap\u00e9is secund\u00e1rios e quando transitam por espa\u00e7os p\u00fablicos \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Atualmente, os notici\u00e1rios trazem in\u00fameras not\u00edcias da opress\u00e3o da mulher na sociedade, s\u00e3o casos de estupros, escraviza\u00e7\u00e3o sexual, viol\u00eancia f\u00edsica e psicologia, degrada\u00e7\u00e3o da moral dentre outros crimes que atacam a humanidade das mulheres, como \u00e9 o caso do recente Projeto de Lei n\u00ba 5069\/2013de autoria do Deputado Eduardo Cunha (PMDB\/RJ) que foi aprovado na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) da C\u00e2mara dos Deputados esse ano, que busca criminalizar ainda mais a mulher e impedir que ela possa decidir sobre o pr\u00f3prio corpo, quando em situa\u00e7\u00f5es de risco de gravidez indesejada. Diante disso, como as mulheres podem enfrentar a opress\u00e3o vivenciada ao longo da hist\u00f3ria humana? Partimos do pressuposto que essa opress\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 superada com uma transforma\u00e7\u00e3o social que elimine a propriedade privada, a explora\u00e7\u00e3o do ser humano pelo ser humano e todas as formas de opress\u00e3o \u2013\u00a0base da sociedade dividida em classes sociais. Contudo, isso n\u00e3o significa que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de tecer lutas imediatas com horizonte de uma radical transforma\u00e7\u00e3o social. Desse modo, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia que tenhamos como objetivo a realiza\u00e7\u00e3o de trabalho de base nos bairros de periferia, nas escolas, nos locais de trabalho que intencione politizar homens e mulheres para desencadearem lutas contra a opress\u00e3o, tendo por foco a desnaturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia vivenciada cotidianamente pelo g\u00eanero feminino.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Partindo desse entendimento, o Espa\u00e7o Socialista em Macei\u00f3 (AL) iniciou um processo de politiza\u00e7\u00e3o de adolescentes e jovens mulheres nas escolas da periferia. A identifica\u00e7\u00e3o das adolescente com o tema: Viol\u00eancia contra a mulher, ocorreu desde a primeira discuss\u00e3o, isto acontece por que essa forma de opress\u00e3o \u00e9 mais sentida nas classes oprimidas. A mulheres jovens da periferia sentem na pele diariamente esta opress\u00e3o, seja ela no tratamento dado pelos colegas na escolas (de inferioriza\u00e7\u00e3o e objetifica\u00e7\u00e3o), pela distin\u00e7\u00e3o feita pela fam\u00edlia entre filhos de sexo masculino e feminino, na responsabiliza\u00e7\u00e3o da gravidez n\u00e3o planejada, na culpabiliza\u00e7\u00e3o da mulher pela viol\u00eancia sofrida ou mesmo no momento em que procuram o primeiro emprego sempre mais precarizado em rela\u00e7\u00e3o ao homem.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Devemos lutar diariamente contra todas as formas de opress\u00e3o e, para isso, temos como tarefas:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Desconstruir a subordina\u00e7\u00e3o do g\u00eanero feminino em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero masculino;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Identificar a opress\u00e3o contra a mulher como pr\u00f3pria das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Nos organizarmos politicamente para o enfrentamento da opress\u00e3o e inferioriza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero feminino.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Notas:<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A monogamia \u00e9 um tipo de organiza\u00e7\u00e3o familiar que historicamente sempre limitou as rela\u00e7\u00f5es sexuais das mulheres a um \u00fanico parceiro como forma de garantir herdeiros leg\u00edtimos para propriedade privada. Mas com rela\u00e7\u00e3o aos homens este tipo de organiza\u00e7\u00e3o familiar \u00e9 mais flex\u00edvel, sendo socialmente aceito o homem ter v\u00e1rias parceiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A opress\u00e3o da mulher n\u00e3o \u00e9 algo recente na hist\u00f3ria da humanidade, ela perdurou por distintos modos de produ\u00e7\u00e3o e<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4324,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,6,14,56],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4322"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4322"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5551,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4322\/revisions\/5551"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}