{"id":4416,"date":"2016-02-12T21:52:33","date_gmt":"2016-02-12T23:52:33","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4416"},"modified":"2018-05-01T00:40:08","modified_gmt":"2018-05-01T03:40:08","slug":"jornal-86-ha-solucoes-para-as-crises-economicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/02\/jornal-86-ha-solucoes-para-as-crises-economicas\/","title":{"rendered":"Jornal 86: H\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para as crises econ\u00f4micas?"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- p { text-indent: 0.24in; margin-bottom: 0.1in; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: justify; orphans: 2; widows: 2; }p.western { font-family: \"Garamond\",serif; font-size: 11pt; }p.cjk { font-family: \"Garamond\"; font-size: 11pt; }p.ctl { font-family: \"Times New Roman\"; font-size: 11pt; } --><\/style>\n<h1 lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: left;\">N\u00e3o&#8230; e, todavia, h\u00e1 sim!<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">O que h\u00e1 de mais comum em se tratando das crises, digamos, nos \u00faltimos 70 anos, n\u00e3o \u00e9 tanto a sua recorr\u00eancia \u2013 t\u00e3o frequente que \u00e9 quase uma perman\u00eancia \u2013 mas sim as garantias dos governantes (ou dos candidatos por ocasi\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es) de que, finalmente, encontrou-se a sa\u00edda para as mesmas. Sempre um &#8220;milagroso milagre&#8221; q<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/2-300x274.jpg\" alt=\"2\" width=\"300\" height=\"274\" \/><\/a>ue, expresso em um conjunto de medidas econ\u00f4micas, resolveria definitivamente as crises, abrindo um per\u00edodo de prosperidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Alguns ainda se lembrar\u00e3o dos &#8220;cinco dedos&#8221; da campanha do Fernando Henrique \u00e0 Presid\u00eancia: reduzindo-se a presen\u00e7a do Estado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, emprego, sa\u00fade e agricultura, a prosperidade seria alcan\u00e7ada. Ou do &#8220;sem medo de ser feliz&#8221; da campanha do PT. Os mais velhos se lembrar\u00e3o dos programas &#8220;desenvolvimentistas&#8221; da Ditadura Militar (o Milagre Brasileiro) ou mesmo do governo Juscelino Kubitschek \u2013 ou, ainda, das esperan\u00e7as que vieram junto com a &#8220;Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3&#8221; de 1988: imaginava-se que estar\u00edamos entrando em um Estado de Bem-Estar, como o dos pa\u00edses capitalistas mais desenvolvidos! Quantas esperan\u00e7as n\u00e3o despertaram os planos econ\u00f4micos da \u00e9poca da presid\u00eancia de Sarnei, com o congelamento dos pre\u00e7os, com as &#8220;donas de casa&#8221; imaginando assumir o controle dos pre\u00e7os dos produtos dos grandes monop\u00f3lios internacionais!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">N\u00e3o h\u00e1 como se fugir da constata\u00e7\u00e3o: as crises n\u00e3o desaparecem, mas as ilus\u00f5es permanecem. Como se apenas fosse poss\u00edvel conviver com a crise tendo ilus\u00f5es de que ela estaria para terminar. De algum modo, a esperan\u00e7a por melhores dias torna o presente aparentemente menos sofrido, menos dolorido.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\">A raz\u00e3o das crises<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">J\u00e1 tratamos, em artigos anteriores, da raz\u00e3o fundamental das crises no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, mas n\u00e3o custa recordar brevemente: as classes dominantes, por toda a hist\u00f3ria, necessitam do mercado para acumularem suas riquezas. Precisam trocar por ouro e prata, ou por dinheiro, os produtos que extraem do trabalho daqueles que exploram. O mercado, por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel para a reprodu\u00e7\u00e3o das sociedades de classe.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O mercado, contudo, apenas pode funcionar em uma situa\u00e7\u00e3o bastante particular: para que os pre\u00e7os sejam compensadores, \u00e9 preciso que a oferta nunca ultrapasse a procura. Desde o aparecimento das classes sociais, com a Revolu\u00e7\u00e3o Neol\u00edtica, h\u00e1 12 mil anos, at\u00e9 a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1776-1830), foi precisamente isto que aconteceu. Como a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o era suficiente para atender as necessidades de todas as pessoas, a procura era sempre maior do que a oferta e os pre\u00e7os tendiam a se manter elevados. As classes dominantes tinham, ent\u00e3o, no mercado um poderoso instrumento para seu enriquecimento e para a manuten\u00e7\u00e3o do seu poder.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As crises, claro, existiam nesse per\u00edodo hist\u00f3rico. Contudo, eram crises causadas por pragas na agricultura, por guerras, por falta de mercadorias ou de mat\u00e9rias-primas, ou de energia e assim por diante. N\u00e3o eram crises provocadas pela produ\u00e7\u00e3o maior do que o consumo, salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1776-1830), esse quadro se alterou profundamente. A produ\u00e7\u00e3o ultrapassou o consumo e a car\u00eancia foi substitu\u00edda pela abund\u00e2ncia. Com isso, pela primeira vez, o mercado deixou de funcionar para a acumula\u00e7\u00e3o da classe dominante: a oferta maior do que a procura derrubou os pre\u00e7os abaixo do custo de produ\u00e7\u00e3o, inviabilizando a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias (lembremos, mercadorias s\u00e3o produtos voltados para o lucro). Desde o final da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial at\u00e9 hoje, h\u00e1 mais anos de crise do que de prosperidade econ\u00f4mica! Sempre, por todos os lugares, a causa fundamental \u00e9 a mesma: falta mercado para tanta produ\u00e7\u00e3o. Com a oferta acima da procura, os pre\u00e7os caem, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 suspensa e o desemprego aumenta. Os bancos aumentam os juros para cobrir os preju\u00edzos causados pelo fato de a ind\u00fastria e a agricultura n\u00e3o conseguirem pagar seus empr\u00e9stimos, a agricultura n\u00e3o suporta os altos juros e quebra, arrastando atr\u00e1s de si o restante das ind\u00fastrias e dos bancos. A din\u00e2mica da crise \u00e9, com poucas altera\u00e7\u00f5es, essencialmente, esta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Esse \u00e9 o ciclo das crises que se repetem no capitalismo desenvolvido: a superprodu\u00e7\u00e3o derruba a produ\u00e7\u00e3o, aumenta o desemprego, derruba o consumo e toda a economia vai \u00e0 bancarrota. A capacidade de produzir acima das necessidades de consumo, que deveria significar mais conforto e menos trabalho para todos, significa, ao contr\u00e1rio, mis\u00e9ria e desemprego para muitos, ou baixos sal\u00e1rios e trabalho ainda mais estafante para os ainda empregados.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\">O controle das crises<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">Sem passarmos do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista ao modo de produ\u00e7\u00e3o comunista (que n\u00e3o precisa de mercado) n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para as crises. Contudo, se n\u00e3o se pode superar as crises, em parte \u00e9 poss\u00edvel control\u00e1-las e o capital desenvolveu v\u00e1rios mecanismos com essa finalidade. Ainda que seja um controle muito limitado, ainda assim, algum controle \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Dois s\u00e3o os mecanismos b\u00e1sicos desse controle. O primeiro deles \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o do consumo, por todos os meios poss\u00edveis. A produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de milhares de produtos id\u00eanticos, de baixo valor, voltados a um mercado de consumo de massas, que inclui parcelas consider\u00e1veis at\u00e9 mesmo dos trabalhadores, deu a impress\u00e3o de ser um mecanismo muito eficaz de controle das crises por v\u00e1rias d\u00e9cadas depois da crise de 1929. O estimulo da produ\u00e7\u00e3o pelo Estado, atrav\u00e9s de pol\u00edticas de constru\u00e7\u00e3o civil, de investimento nos setores b\u00e1sicos, de pol\u00edticas p\u00fablicas que faziam do Estado um &#8220;comprador&#8221;, ou o est\u00edmulo ao cr\u00e9dito barato s\u00e3o medidas que fazem parte desse mecanismo de controle. O recente &#8220;crescimento econ\u00f4mico&#8221; do Brasil, nos anos petistas, foi promovido desta forma. Nesse conjunto de medidas de controle das crises pelo aumento do consumo a produ\u00e7\u00e3o de armas e as guerras ocupam um lugar de grande destaque.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Gabriel Kolko, em seu livro Century of War (S\u00e9culo de guerra), estima que no s\u00e9culo 20 foi investido no complexo industrial militar o dobro do que a humanidade gastou ao redor da ind\u00fastria automobil\u00edstica &#8212; desde estradas at\u00e9 a reforma dos centros urbanos para se adaptarem aos carros, desde a ind\u00fastria do petr\u00f3leo at\u00e9 a fabrica\u00e7\u00e3o de metais e vidros para os carros, desde a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de carros at\u00e9 os mecanismos de controle burocr\u00e1tico que o tr\u00e2nsito requer, desde as oficinas e ferros velhos at\u00e9 os estacionamentos etc. Estima-se que 10% da \u00e1rea dos Estados Unidos esteja ocupada por carros ou pelos equipamentos que ele requer.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Do ponto de vista do capital, a fabrica\u00e7\u00e3o de armamentos tem uma grande vantagem: nem tudo \u00e9 produzido para ser consumido. As armas at\u00f4micas s\u00e3o um excelente exemplo desse fen\u00f4meno: os EUA tinham bombas suficientes para destruir o planeta 66 vezes, a URSS para o fazer 33 vezes!! Se fosse para serem usadas, bastava destruir o mundo uma vez s\u00f3! Para que 99 vezes? Para aumentar o consumo, ainda que seja um consumo dessa ordem de absurdo!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O primeiro mecanismo de controle das crises \u00e9, portanto, o aumento do consumo, chegando ao extremo mesmo de consumirmos o que n\u00e3o necessitamos. J\u00e1 falamos das bombas at\u00f4micas, mas quantos produtos n\u00e3o consumimos no dia a dia que ou sabemos que n\u00e3o fazem bem para nossa sa\u00fade ou sabemos que s\u00e3o completamente dispens\u00e1veis? O que os norte-americanos em um dia jogam fora de hamb\u00farguers que n\u00e3o consumiram inteiramente tem carne suficiente para o consumo de carne de todo o Paraguai por um m\u00eas. Os exemplos s\u00e3o infinitos!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O segundo mecanismo \u00e9 eficiente no curto prazo, n\u00e3o passa, contudo, de uma fic\u00e7\u00e3o, de uma fantasia. \u00c9 o &#8220;aquecimento&#8221; da economia pelo &#8220;cr\u00e9dito barato&#8221;, como dizem os economistas burgueses. Para entender esse mecanismo, precisamos de um pouco de econom\u00eas!<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\">Os 100 reais do seu Joaquim<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">Quando o Banco do Brasil ou a Caixa Econ\u00f4mica Federal \u2013 ou qualquer outro banco \u2013 recebe dinheiro do Banco Central para financiar quem queira comprar geladeiras, carros, casas, TVs etc. o governo apenas imprimiu mais dinheiro. A produ\u00e7\u00e3o continua a mesma, a quantidade de mercadorias continua a mesma, mas a quantidade de dinheiro aumentou.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O dinheiro \u00e9 uma mercadoria como outra qualquer. Seu valor corresponde \u00e0 sua quantidade necess\u00e1ria para comprar as mercadorias. Quando aumenta a oferta de dinheiro no mercado (tal como quando aumenta a oferta de mangas ou bananas), o valor do dinheiro cai e precisa-se de mais dinheiro para comprar o mesmo produto: \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o. Ao o Banco Central passar mais dinheiro aos bancos sem que tenha havido um aumento na produ\u00e7\u00e3o das mercadorias, come\u00e7a um processo de infla\u00e7\u00e3o. O dinheiro come\u00e7a a perder valor.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Contudo, h\u00e1 um fato que gera a ilus\u00e3o de que seria poss\u00edvel escapar desse desequil\u00edbrio. Se o seu Joaquim tomar emprestado 100 reais do banco e comprar tijolos para sua casa em constru\u00e7\u00e3o, o vendedor dos tijolos vai comprar, com esses mesmos 100 reais, mais argila para sua cer\u00e2mica e, ainda, comida e roupas para sua fam\u00edlia. Os que venderam argila, comida e roupas para o vendedor de tijolos, gastar\u00e3o os mesmo 100 reais para comprarem gasolina, rem\u00e9dios e pagarem uma passagem de avi\u00e3o e, os vendedores desses produtos, por sua vez, gastar\u00e3o esses mesmos 100 reais para comprarem perfumes, sapatos e f\u00f3sforos&#8230; e assim por diante.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Perceba: o Banco Central coloca 100 reais para o banco emprestar e, os mesmos 100 reais movimentam muitas vezes seu valor em mercadorias!! O governo e seus economistas, ent\u00e3o, imaginam: cobram-se impostos nessas compras e vendas todas, de tal modo que esses 100 reais voltam com lucro para o governo e, assim, pode-se evitar a crise! Num mundo perfeito, isso funcionaria. Mas, claro, o mundo n\u00e3o \u00e9 perfeito, ainda mais o mundo do capital!! Esse sonho n\u00e3o passa de fantasia.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\">As &#8220;bolhas&#8221; de consumo<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">Os bancos, percebendo que h\u00e1 dinheiro em excesso na economia e que a moeda perdeu valor, aumentam as taxas de juros. O dinheiro arrecadado pelo governo com o aumento das vendas termina quase todo nos cofres dos bancos. O capital, sabendo que h\u00e1 dinheiro na economia, aumenta a produ\u00e7\u00e3o para que esse dinheiro venha para suas m\u00e3os. Os juros, que j\u00e1 aumentaram, s\u00e3o agora acompanhados pelo crescimento da produ\u00e7\u00e3o. A superprodu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, amea\u00e7a uma nova crise e, os juros altos tornam o perigo ainda maior!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O que o governo faz para administrar a crise que se agravou?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mais do mesmo: emite mais dinheiro e o repassa aos bancos, para que emprestem e &#8220;aque\u00e7am&#8221; a economia. O ciclo se realimenta: a press\u00e3o inflacion\u00e1ria que vem pelo aumento do dinheiro no mercado leva a um novo aumento dos juros. Os juros mais altos elevam o pre\u00e7o das outras mercadorias e, para agravar a situa\u00e7\u00e3o, temos um novo aumento da produ\u00e7\u00e3o industrial impulsionado pelo dinheiro que o governo injetou na economia. O perigo anterior, da superprodu\u00e7\u00e3o, agravado pelos juros elevados, torna-se ainda mais intenso: a superprodu\u00e7\u00e3o torna-se maior, os juros continuam elevados e, agora, temos tamb\u00e9m uma eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e a infla\u00e7\u00e3o tende a se generalizar pela economia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O governo, para enfrentar o agravamento da situa\u00e7\u00e3o, novamente faz mais do mesmo: injeta mais dinheiro na economia e o ciclo se realimenta \u2013 e os bancos v\u00e3o acumulando um capital cada vez maior.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Uma hora a &#8220;corda tem que arrebentar&#8221;, evidentemente. Quando a corda arrebenta, os economistas dizem que estourou uma &#8220;bolha&#8221;: os juros est\u00e3o t\u00e3o elevados e os pre\u00e7os t\u00e3o altos que ningu\u00e9m mais compra, com a queda das vendas a superprodu\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais intensa e os pre\u00e7os despencam, inviabilizando a produ\u00e7\u00e3o, aumentando o desemprego e aprofundando a crise.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Quando a crise se intensifica e o crescimento econ\u00f4mico, mesmo que med\u00edocre, se converte em recess\u00e3o, o governo d\u00e1 uma marcha \u00e0 r\u00e9: desaquece a economia. Reduz o cr\u00e9dito e tenta controlar a infla\u00e7\u00e3o diminuindo a produ\u00e7\u00e3o. Para diminuir a produ\u00e7\u00e3o, aumenta os juros (para alegria do capital financeiro), diminui os investimentos p\u00fablicos, arrocha os sal\u00e1rios e permite que o consumo caia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em meses ou anos, a produ\u00e7\u00e3o em queda se aproxima do consumo da sociedade e a situa\u00e7\u00e3o de superprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 amenizada. Ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel se pensar em um novo &#8220;ciclo de crescimento&#8221;. E tudo come\u00e7a novamente \u2013 para alegria dos grandes capitalistas. Mais cr\u00e9dito, maiores juros e pre\u00e7os, maior produ\u00e7\u00e3o, mais crise e, para enfrenta-la, mais cr\u00e9dito, maiores juros e pre\u00e7os at\u00e9 que, novamente, a corda arrebente e se instaure um novo per\u00edodo de crises.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\">Quase um eterno retorno&#8230; &#8230; n\u00e3o fosse por dois detalhes importantes.<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">As empresas que sobrevivem \u00e0s crises econ\u00f4micas s\u00e3o aquelas que conseguem tirar maior quantidade de riqueza pagando o menor montante de sal\u00e1rios. Cada empresa, por isso, procura adotar tecnologias e t\u00e9cnicas gerenciais que possibilitem ter cada vez menos trabalhadores para uma produ\u00e7\u00e3o cada vez maior. Isso significa que o aumento da produ\u00e7\u00e3o vem sempre acompanhado por uma queda do emprego e, portanto, da diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de consumidores. Ainda que seja poss\u00edvel aumentar o consumo mesmo com menos consumidores (aumento do consumo de cada consumidor), isso tem, evidentemente, um limite. Ao gerar um crescente desemprego na estrutura social, o capitalismo est\u00e1 matando sua v\u00e1lvula de escape que \u00e9 o aumento do consumo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O primeiro detalhe \u00e9 que a tend\u00eancia de longo prazo \u00e9 um aumento da superprodu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o desemprego crescente \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o aumento da produ\u00e7\u00e3o e, sem o aumento da produ\u00e7\u00e3o, as empresas n\u00e3o podem sobreviver \u00e0 crise.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O segundo detalhe est\u00e1 em que, a cada crise, o pequeno \u00e9 engolido pelo grande: isto d\u00e1 origem a um processo de concentra\u00e7\u00e3o da riqueza que faz com que hoje 62 pessoas tenham mais da metade da riqueza de todo o planeta, como noticiado pelo jornal O Estado de S\u00e3o Paulo no dia 21 de janeiro de 2016. Um capital cada vez mais concentrado significa empresas cada vez maiores, com capacidade produtiva cada vez maior e com uma pot\u00eancia para investimentos ainda mais impressionante que no passado. O aumento da capacidade produtiva se faz, assim, de modo mais concentrado e veloz, intensificando a superprodu\u00e7\u00e3o que, por sua vez, derruba os pre\u00e7os, aumenta o desemprego e &#8230; tudo se inicia novamente, s\u00f3 que agora de forma mais violenta e r\u00e1pida porque os capitais e a produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o maiores que das vezes anteriores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Vivemos, nessas semanas em que sai este n\u00famero do Jornal Espa\u00e7o Socialista, um bom exemplo desse fen\u00f4meno: o excesso de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo que somado \u00e0 queda da demanda pela crise chinesa derrubou o pre\u00e7o do barril de mais de 100 para menos de 30 d\u00f3lares. As a\u00e7\u00f5es da Petrobr\u00e1s ca\u00edram de R$ 75 a menos de R$ 5!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O segundo detalhe \u00e9, portanto, que as crises tendem a se tornar cada vez mais agudas e cada vez mais prolongadas&#8230; at\u00e9 chegarmos \u00e0 crise estrutural.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\"><\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\">A crise estrutural, que se iniciou na d\u00e9cada de 1970, \u00e9 uma enorme e gigantesca crise na qual a superprodu\u00e7\u00e3o se tornou permanente. Ou seja, mesmo com a crise, a concentra\u00e7\u00e3o de capital e o aumento de sua capacidade produtiva fazem com que a superprodu\u00e7\u00e3o permane\u00e7a. Antes, as crises criavam condi\u00e7\u00f5es para que um novo ciclo de expans\u00e3o econ\u00f4mica tivesse lugar. Hoje, mesmo com algum crescimento econ\u00f4mico, a crise se mant\u00e9m permanente. Novamente, a experi\u00eancia recente do Brasil petista \u00e9 um bom exemplo: o aquecimento da economia pelo cr\u00e9dito gerado pelo Banco Central deu a impress\u00e3o de que uma parte ponder\u00e1vel dos miser\u00e1veis estaria se convertendo em classe m\u00e9dia. Bastou menos de um ano de recess\u00e3o para a maior parte retornar para abaixo da linha da mis\u00e9ria. Imprimir dinheiro para aquecer a economia pelo cr\u00e9dito pode ser um paliativo para o curto prazo, nada mais do que isso&#8230;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em poucas palavras, o &#8220;combate \u00e0 mis\u00e9ria&#8221; requer a mudan\u00e7a da estrutura de produ\u00e7\u00e3o que produz a mis\u00e9ria e a superprodu\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo. Enquanto o modo de produ\u00e7\u00e3o for capitalista ser\u00e3o produzidas mis\u00e9ria e riqueza ao mesmo tempo, pelos mesmos atos, pelos mesmos processos. E as medidas paliativas s\u00e3o, apenas, paliativas: a tend\u00eancia \u00e9 sempre a concentra\u00e7\u00e3o da renda e a crise.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A crise estrutural do capital \u00e9 a evid\u00eancia mais vis\u00edvel de que o modo de produ\u00e7\u00e3o se esgotou. Enquanto perdurar o capitalismo, as contradi\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o deixar\u00e3o de crescer e as desigualdades sociais levar\u00e3o a crescente viol\u00eancia. A democracia vai perdendo sua apar\u00eancia de respeito aos direitos humanos e mostrando sua verdadeira face: \u00e9 a for\u00e7a do capital convertida em for\u00e7a pol\u00edtica. A produ\u00e7\u00e3o do capital crescentemente se converte em destrui\u00e7\u00e3o dos seres humanos (e, o que \u00e9 o mesmo, do planeta).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A humanidade j\u00e1 conheceu, no passado, o esgotamento de tr\u00eas modos de produ\u00e7\u00e3o. O esgotamento do modo de produ\u00e7\u00e3o primitivo abriu a passagem aos modos de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tico e escravista; o modo de produ\u00e7\u00e3o escravista, ao entrar em crise, fundou as bases do modo de produ\u00e7\u00e3o feudal e, este, pela sua &#8220;crise estrutural&#8221;, deu origem \u00e0 Acumula\u00e7\u00e3o Primitiva do Capital, isto \u00e9, \u00e0 origem do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A cada passagem de um modo de produ\u00e7\u00e3o a outro, houve a transi\u00e7\u00e3o de uma forma de trabalho \u00e0 outra: do trabalho de coleta dos tempos primitivos passamos ao trabalho do campon\u00eas do modo de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tico ou do escravo; o trabalho escravo foi substitu\u00eddo pelo trabalho servil da Idade M\u00e9dia e, este, finalmente, deu lugar ao trabalho prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Tamb\u00e9m vivemos momentos de transi\u00e7\u00e3o: o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista se esgotou e lan\u00e7ou a humanidade em uma crise estrutural cuja \u00fanica sa\u00edda \u00e9 a supera\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o por outro, mais avan\u00e7ado. Esse outro modo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o comunismo e, sua forma de trabalho, \u00e9 o trabalho associado.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Essa \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para as crises que, por isso, n\u00e3o t\u00eam \u2013 mas t\u00eam \u2013 solu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o&#8230; e, todavia, h\u00e1 sim! 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