{"id":4518,"date":"2016-03-18T11:38:38","date_gmt":"2016-03-18T14:38:38","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4518"},"modified":"2018-05-04T21:39:17","modified_gmt":"2018-05-05T00:39:17","slug":"os-estertores-da-demagogia-petista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/03\/os-estertores-da-demagogia-petista\/","title":{"rendered":"Os estertores da demagogia petista"},"content":{"rendered":"<p>Por novos m\u00e9todos, e por mais a\u00e7\u00e3o para os trabalhadorxs!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Karen Carvalho<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Precisamos De Voc\u00ea. Bertolt Brecht<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aprende &#8211; l\u00ea nos olhos,l\u00ea nos olhos &#8211; aprendea ler jornais, aprende:a verdade pensacom tua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fa\u00e7a perguntas sem medon\u00e3o te conven\u00e7as sozinhomas vejas com teus olhos.Se n\u00e3o descobriu por sina verdade n\u00e3o descobriu.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Confere tudo pontopor ponto &#8211; afinalvoc\u00ea faz parte de tudo,tamb\u00e9m vai no barco,&#8221;a\u00ed pagar o pato, vaipegar no leme um dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aponte o dedo, perguntaque \u00e9 isso? Como foiparar a\u00ed? Por que?Voc\u00ea faz parte de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aprende, n\u00e3o perde nadadas discuss\u00f5es, do sil\u00eancio.Esteja sempre aprendendopor n\u00f3s e por voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Voc\u00ea n\u00e3o ser\u00e1 ouvintediante da discuss\u00e3o,n\u00e3o ser\u00e1 cogumelode sombras e bastidores,n\u00e3o ser\u00e1 cen\u00e1riopara nossa a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo da \u201ccondu\u00e7\u00e3o coercitiva\u201d de Lula, na manh\u00e3 da sexta-feira dia 4, orquestrado pela fra\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio que milita para o PSDB, em conluio com a TV Globo e outros abutres midi\u00e1ticos, reacendeu o debate sobre a amea\u00e7a de \u201cgolpe\u201d no Brasil e a necessidade de defender a \u201cdemocracia\u201d contra o perigo da \u201cdireita\u201d. Uma ampla camada de simpatizantes da esquerda atendeu ao chamado e est\u00e1 se posicionando sinceramente contra a persegui\u00e7\u00e3o a Lula (e n\u00e3o apenas os burocratas da CUT, MST e outros movimentos sociais cooptados, que o fazem por profiss\u00e3o). Os atos marcados para o dia 13\/03 e datas pr\u00f3ximas, contra e a favor de Lula e do PT, devem atrair mais gente do que as mini-festa\u00e7\u00f5es melanc\u00f3licas do final de 2015 realizadas por conta do impeachment de Dilma. Todos sabem que o governo Dilma est\u00e1 morto e enterrado, incapaz de qualquer iniciativa pr\u00f3pria, e a verdadeira amea\u00e7a para os advers\u00e1rios do PT \u00e9 a poss\u00edvel volta de Lula em 2018.<\/p>\n<p>Enquanto o requentado Fla-Flu partid\u00e1rio de PT x PSDB mais uma vez toma conta das redes sociais, perdemos desgra\u00e7adamente mais uma oportunidade de discutir a fundo os rumos da esquerda brasileira. Toda a discuss\u00e3o suscitada pelos acontecimentos em torno de Lula \u00e9 uma perda de tempo, uma vez que o \u201cgolpe\u201d j\u00e1 foi dado h\u00e1 muito tempo, pelo menos desde 2002, quando o PT foi eleito para governar para os capitalistas, mas os trabalhadores acreditaram que o o governo lhes seria favor\u00e1vel; a \u201cdemocracia\u201d est\u00e1 sendo solapada diariamente pelo pr\u00f3prio PT na forma da viol\u00eancia policial, da Lei Anti-terrorismo, da repress\u00e3o aos movimentos sociais, da persegui\u00e7\u00e3o a ativistas e militantes, do genoc\u00eddio ind\u00edgena, etc., que mostram o quanto essa democracia favorece apenas uma classe social (e deve ser chamada pelo nome: democracia burguesa); e tudo isso s\u00f3 faz reafirmar que a \u201cdireita\u201d \u00e9 o pr\u00f3prio PT, j\u00e1 que a op\u00e7\u00e3o pela gest\u00e3o do capitalismo n\u00e3o pode significar outra coisa al\u00e9m da continuidade da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais que tudo isso seja muito evidente, existe um setor de simpatizantes da esquerda que fecha os olhos para esses aspectos da realidade e insiste honestamente na necessidade de defender Lula, Dilma e o PT (e \u00e9 com estes que precisamos dialogar, n\u00e3o com os burocratas que o fazem por profiss\u00e3o). Esse debate seria muito f\u00e1cil, por\u00e9m, se se tratasse apenas de mera cegueira ou fanatismo dos devotos incondicionais de Lula. Infelizmente nada \u00e9 t\u00e3o simples, e as amea\u00e7as que pairam por tr\u00e1s da ofensiva contra o PT s\u00e3o bastante reais. O ponto onde discordamos de todos esses companheiros \u00e9 que os perigos que existem por tr\u00e1s da ofensiva contra o PT, por mais que sejam reais e se voltem contra os trabalhadores, n\u00e3o s\u00e3o justificativa para defender Lula e Dilma nem muito menos para apoiar o PT. Ao contr\u00e1rio, os dirigentes petistas s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo crescimento dessas amea\u00e7as. Est\u00e3o sendo atacados pela serpente que eles mesmos agasalharam no peito.<\/p>\n<h2>Para n\u00e3o sermos derrotados mesmo quando vencemos<\/h2>\n<p>A trag\u00e9dia e o dilema da esquerda \u00e9 que, entra governo, sai governo, com crise, sem crise, ela ainda n\u00e3o conseguiu se desvencilhar da seguinte armadilha: uma derrota do PT para a direita tradicional continua aparecendo como se fosse uma derrota da pr\u00f3pria esquerda e dos trabalhadores, mas paradoxalmente, uma vit\u00f3ria do PT n\u00e3o \u00e9 de forma alguma uma vit\u00f3ria da esquerda e dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Uma derrota do PT hoje para a direita tradicional fortalece as ideias e projetos conservadores: aprofundamento do ajuste fiscal, privatiza\u00e7\u00f5es, cortes nos gastos sociais, retirada de direitos, demiss\u00f5es, repress\u00e3o \u00e0s lutas, retrocesso nos direitos humanos, genoc\u00eddio da juventude negra na periferia, genoc\u00eddio ind\u00edgena, ideologia policialesca (\u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d), tratamento das quest\u00f5es sociais como caso de pol\u00edcia, acusa\u00e7\u00e3o de \u201cvitimismo\u201d para descaracterizar as reivindica\u00e7\u00f5es de mulheres, negros e LGBTs (e com isso permitir que tenha livre curso a viol\u00eancia e a opress\u00e3o contra esses setores), uso de ideologias religiosas como justificativa para refor\u00e7ar a opress\u00e3o e barrar avan\u00e7os na liberaliza\u00e7\u00e3o de costumes (proibi\u00e7\u00e3o do aborto, das drogas, etc.), defesa da ditadura militar, etc. Os atuais advers\u00e1rios do PT, que est\u00e3o festejando o espet\u00e1culo da \u201ccondu\u00e7\u00e3o coercitiva\u201d de Lula, defendem exatamente essas ideias e projetos.<\/p>\n<p>Uma vit\u00f3ria do PT, por outro lado, fortalece as seguintes ideias e projetos:\u00a0 aprofundamento do ajuste fiscal, privatiza\u00e7\u00f5es, cortes nos gastos sociais, retirada de direitos, demiss\u00f5es, repress\u00e3o \u00e0s lutas, retrocesso nos direitos humanos, genoc\u00eddio da juventude negra na periferia, genoc\u00eddio ind\u00edgena, ideologia policialesca (\u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d), tratamento das quest\u00f5es sociais como caso de pol\u00edcia, acusa\u00e7\u00e3o de \u201cvitimismo\u201d para descaracterizar as reivindica\u00e7\u00f5es de mulheres, negros e LGBTs (e com isso permitir que tenha livre curso a viol\u00eancia e a opress\u00e3o contra esses setores), uso de ideologias religiosas como justificativa para refor\u00e7ar a opress\u00e3o e barrar avan\u00e7os na liberaliza\u00e7\u00e3o de costumes (proibi\u00e7\u00e3o do aborto, das drogas, etc.), defesa da ditadura militar, etc. Esse \u00e9 exatamente o legado ideol\u00f3gico do PT no governo e do PT como refer\u00eancia da classe trabalhadora brasileira desde o fim da ditadura.<\/p>\n<p>O leitor n\u00e3o est\u00e1 lendo errado, as conseq\u00fc\u00eancias da vit\u00f3ria ou da derrota do PT s\u00e3o as mesmas. A responsabilidade pelo avan\u00e7o de ideias e projetos conservadores nos \u00faltimos anos \u00e9 do pr\u00f3prio PT. A op\u00e7\u00e3o de governar para a classe dominante foi feita pelo PT e as conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o poderiam ser diferentes. Um governo que acomodou Henrique Meirelles, Sarney, Collor, Renan, Maluf, Cassab,\u00a0 K\u00e1tia Abreu, Joaquim Levy, etc., n\u00e3o poderia resultar em outra coisa. A ilus\u00e3o de que o capitalismo perif\u00e9rico brasileiro poderia proporcionar bem estar para todas as classes sociais, indefinidamente, sem qualquer altera\u00e7\u00e3o profunda na rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo e na estrutura interna autorit\u00e1ria da sociedade e do Estado brasileiro, desabou como um castelo de cartas com a sucess\u00e3o das crises econ\u00f4micas.<\/p>\n<h2>A suposta extin\u00e7\u00e3o da desigualdade social e o retrocesso ideol\u00f3gico<\/h2>\n<p>Melhorias pontuais em favor dos trabalhadores tamb\u00e9m existiram na \u00e9poca do governo Sarney e seu plano cruzado, na \u00e9poca de FHC e seu plano real, ou mesmo na \u00e9poca da ditadura e do \u201cmilagre brasileiro\u201d. Melhorias pontuais e tempor\u00e1rias s\u00e3o parte da hist\u00f3ria do capitalismo e seus ciclos de crise e crescimento. O crit\u00e9rio para apoiar um projeto pol\u00edtico n\u00e3o podem ser a supostas melhorias sociais que o PT trouxe, mas as mudan\u00e7as estruturais. E essas n\u00e3o existiram! Os milh\u00f5es de trabalhadores que \u201csa\u00edram da mis\u00e9ria\u201d nos governos petistas j\u00e1 est\u00e3o voltando, j\u00e1 que n\u00e3o se tratava de um movimento permenente de mudan\u00e7a da hierarquia do capitalismo mundial em favor do Brasil e sua popula\u00e7\u00e3o e sim de um momento conjuntural favor\u00e1vel de crescimento das economias que recebiam exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Esse momento j\u00e1 se esgotou e a margem de manobra do PT foi embora com ele. Sem \u201cmelhorias\u201d a oferecer, o que fica \u00e9 o discurso da meritocracia, o ressentimento pela perda da \u201cprosperidade\u201d, o \u00f3dio e a desconfian\u00e7a contra as classes sociais subalternas.<\/p>\n<p>O resultado final do projeto petista de poder, portanto n\u00e3o poderia ser mais desastroso. Os movimentos sociais foram burocratizados e cooptados pelo Estado. As parcelas mais pauperizadas da classe trabalhadora est\u00e3o entregues ao completo abandono, sem qualquer perspectiva de organiza\u00e7\u00e3o al\u00e9m das fac\u00e7\u00f5es do crime organizado que grassam na periferia, tanto as que usam as armas como as que usam a B\u00edblia como ferramenta de trabalho. As camadas m\u00e9dias est\u00e3o ressentidas com a perda do seu status s\u00f3cio-econ\u00f4mico por conta da crise, e p\u00f5em a culpa no governo do PT e nas esmolas distribu\u00eddas aos mais pobres. Quem se beneficia desse ressentimento \u00e9 a elite quatrocentona, cujo discurso associa facilmente as esmolas dos programas sociais com \u201cvitimismo\u201d, oportunismo dos \u201cvagabundos\u201d, corrup\u00e7\u00e3o, crime e PT, manipulando essas camadas m\u00e9dias toscamente ignorantes e criando assim o clima pol\u00edtico prop\u00edcio e a for\u00e7a necess\u00e1ria para esmagar o PT e de quebra jogar pela janela as poucas conquistas sociais que restarem (o verdadeiro alvo do ataque).<\/p>\n<p>O PT fez os trabalhadores acreditarem que a cidadania poderia ser comprada com cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Quando a orgia consumista se esgota na ressaca do endividamento, vem \u00e0 tona a impossibilidade de combater a desigualdade social no interior do capitalismo. A crise dissipa as ilus\u00f5es de ascens\u00e3o social e exp\u00f5e a aus\u00eancia de projeto de sociedade, que o PT n\u00e3o soube ou n\u00e3o quis construir. O discurso do PT no governo n\u00e3o ia al\u00e9m do refor\u00e7o ao individualismo, \u00e0 meritocracia, ao consumismo. Na aus\u00eancia de um projeto de sociedade, sobram os projetos pessoais estilha\u00e7ados pelos vai vens da conjuntura econ\u00f4mica, buscando desesperadamente uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o nos mais diversos subprodutos ideol\u00f3gicos da bancarrota capitalista. Uma periferia desesperada, sem acreditar que lhe puxaram o tapete da ascens\u00e3o social, e as camadas m\u00e9dias assustadas com os rolezinhos dos pobres no shopping center, ambos convergem para o anseio por solu\u00e7\u00f5es m\u00edsticas e autorit\u00e1rias: s\u00f3 Jesus e a Rota salvam!<\/p>\n<p>A direita tradicional prontamente se apresenta para oferecer as solu\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias contra o \u201ccaos social\u201d. O discurso contra o crime, contra a desordem, contra a baderna, passa a encontrar ampla audi\u00eancia. Da mesma forma, o discurso religioso fundamentalista e moralista, de controle dos corpos, policiamento dos costumes, cerceamento do prazer, tamb\u00e9m soa atraente. Habilidosamente, os ide\u00f3logos da direita fazem desaparecer a diferen\u00e7a entre um protesto social contra a mis\u00e9ria (um bloqueio de avenida) e as a\u00e7\u00f5es individuais provocadas pela mis\u00e9ria (a escalada do crime), de modo que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a baderna generalizada passe a ser o recrudescimento da viol\u00eancia policial. Os trabalhadores, manipulados pelo medo, pela ignor\u00e2ncia e pela falta de projeto e de alternativa, s\u00e3o levados a endossar discursos e projetos pol\u00edticos que se voltam contra sua pr\u00f3pria classe.<\/p>\n<h2>Defender o qu\u00ea, cara p\u00e1lida?<\/h2>\n<p>N\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico que o encarceramento por corrup\u00e7\u00e3o seja o tratamento final dispensado pela elite brasileira aos seus mais aplicados servi\u00e7ais. Nunca ela lucrou tanto como nos governos do PT. Que o digam o agroneg\u00f3cio, as empreiteiras, os bancos e at\u00e9 a m\u00eddia \u201cgolpista\u201d (de 2000 a 2012, o que significa uma d\u00e9cada de PT, o governo federal despejou R$ 5,8 bilh\u00f5es em verbas de publicidade apenas na Globo, de um total de R$ 10,7 bilh\u00f5es \u2013 dados da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia). Mas isso n\u00e3o significa que essa classe social tenha alguma lealdade ao PT. Assim que deixarem de ser eficientes na gest\u00e3o do capitalismo, os \u201ccompanheiros\u201d ser\u00e3o descartados. Agora que est\u00e1 sendo chutado, o PT pateticamente se queixa da ingratid\u00e3o da classe dominante, e quer apelar para que os trabalhadores o defendam. Depois de estar 13 anos no governo, executando o projeto da burguesia, o PT quer nos fazer acreditar que a esquerda precisa defend\u00ea-lo. O PT chama o MST e o MTST para defend\u00ea-lo, depois de favorecer o agroneg\u00f3cio e as empreiteiras, negando qualquer possibilidade de avan\u00e7o na reforma agr\u00e1ria e urbana. A base dos movimentos sociais \u00e9 usada como bucha de canh\u00e3o para defender os mandatos dos burocratas petistas.<\/p>\n<p>\u00c9 essa ent\u00e3o a armadilha em que estamos e que temos que recusar. Defender a continuidade do PT como refer\u00eancia para os trabalhadores significa defender a continuidade desse mesmo projeto fracassado. O fracasso do PT ainda aparece como uma derrota da esquerda e dos trabalhadores, enquanto que a sua vit\u00f3ria concretamente n\u00e3o \u00e9 a nossa vit\u00f3ria, dissemos acima. A explica\u00e7\u00e3o para esse paradoxo \u00e9 que a esquerda n\u00e3o conseguiu construir nenhum outro projeto alternativo, independente e oposto ao PT. A derrota do PT ainda aparece como derrota da esquerda, porque a esquerda tragicamente ainda n\u00e3o conseguiu construir uma outra identidade separada do PT.<\/p>\n<h2>O projeto petista e o real significado de luta dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Evidentemente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil nem r\u00e1pido construir um outro projeto semelhante ao que foi o pr\u00f3prio PT na origem. O PT surgiu da coverg\u00eancia de uma s\u00e9rie de lutas sociais que vinham sendo travadas desde o fim da ditadura. Conflu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o do PT: o lento e paciente trabalho de base de ativistas inspirados na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, atuando durante muitos anos nos bairros, nos movimentos de moradia, por melhorias m\u00ednimas como o asfalto de ruas, constu\u00e7\u00e3o de creches, postos de sa\u00fade, escolas, a a\u00e7\u00e3o semelhante entre os trabalhadores sem terra no campo, o movimento contra a carestia, movimento estudantil, movimento pela anistia, a atividade de intelectuais de esquerda, os movimentos de mulheres, de negros e LGBTs, as correntes que vinham da luta armada, as organiza\u00e7\u00f5es trotskystas e a retomada das greves e do sindicalismo combativo. Todas essas for\u00e7as contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o do PT.<\/p>\n<p>Mas na disputa entre projetos pol\u00edticos no interior do partido acabou prevalecendo o projeto dos sindicalistas, de uma atua\u00e7\u00e3o reformista, economicista e imediatista. As tend\u00eancias socialistas e revolucion\u00e1rias foram gradualmente isoladas e por fim expulsas do partido. A partir da d\u00e9cada de 1990, esse projeto suplantou a combatividade, a organiza\u00e7\u00e3o de base e a disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica, buscando transformar o partido numa ferramenta eleitoral para Lula. A vit\u00f3ria desse projeto somente viria em 2002, quando a elite j\u00e1 estava suficientemente convencida da adapta\u00e7\u00e3o do PT. O partido j\u00e1 tinha deixado de ser uma for\u00e7a contra o sistema para ser uma for\u00e7a do sistema.<\/p>\n<p>Se hoje os simpatizantes petistas defendem os governos de Lula e Dilma com o argumento de que esse era \u201co governo poss\u00edvel\u201d, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d contra a burguesia, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 como\u201d impor medidas mais populares e mais hostis ao empresariado, etc., se hoje tudo isso acontece, repetimos, \u00e9 por op\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o do PT. O PT era a dire\u00e7\u00e3o da CUT e a refer\u00eancia para os demais movimentos sociais. Cabia ao PT defender nos organismos da classe uma pol\u00edtica de ofensiva e de mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, dos explorados e oprimidos. Ao contr\u00e1rio, foi a pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o do PT que optou pelo caminho oposto, pela concilia\u00e7\u00e3o de classe, pelo \u201csindicalismo cidad\u00e3o\u201d, pela desmobiliza\u00e7\u00e3o, pelo abandono das lutas, por deixar de lado o m\u00e9todo da a\u00e7\u00e3o direta, pelo esvaziamento das inst\u00e2ncias de base, pelo fim da organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, pela burocratiza\u00e7\u00e3o e fim da democracia nos sindicatos, por deixar de fazer qualquer disputa ideol\u00f3gica e por defender a possibilidade de melhorias no interior do capitalismo.<\/p>\n<p>O PT ressignificou o que \u00e9 a luta dos trabalhadores. Deixou de ser a mudan\u00e7a do capitalismo e passou a ser a busca de acomoda\u00e7\u00e3o no interior do capitalismo. Nada mais al\u00e9m disso pode ser feito pelos trabalhadores e para os trabalhadores. O fracasso do PT leva ao descr\u00e9dito a luta pelo socialismo e todas as demais lutas sociais, contra o racismo, o machismo, a LGBTfobia, etc. Tudo isso passa a ser enxovalhado e ridicularizado, a partir da confus\u00e3o que se faz dessas lutas com o projeto do PT.<\/p>\n<h2>A crise de alternativa e a desqualifica\u00e7\u00e3o da luta dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Essa op\u00e7\u00e3o foi feita depois da campanha eleitoral de 1989, uma campanha que polarizou enormemente a sociedade e trouxe um sentido de pertencimento e identifica\u00e7\u00e3o para imensas parcelas dos trabalhadores que se engajaram e participaram. A partir dessa campanha a dire\u00e7\u00e3o do partido percebeu que poderia chegar ao governo pela via das elei\u00e7\u00f5es. Mas para al\u00e9m dos aspectos internos da pol\u00edtica brasileira, o que determinou a op\u00e7\u00e3o do PT foi a mudan\u00e7a na conjuntura mundial a partir da queda do Muro de Berlim e da URSS. Como se acreditava que o regime que existia naqueles pa\u00edses era socialista (mas n\u00e3o era), a conclus\u00e3o que se impunha era de que o socialismo tinha fracassado e qualquer tentativa de ultrapassar o capitalismo estaria tamb\u00e9m condenada ao fracasso. Logo, a \u00fanica coisa que restava fazer era tentar administrar o capitalismo de maneira mais \u201chumana\u201d e mais favor\u00e1vel aos trabalhadores. E foi isso que o PT se dedicou a fazer.<\/p>\n<p>Entretanto, nem a URSS e os pa\u00edses que seguiam seu \u201cmodelo\u201d eram socialistas, nem o capitalimo tem condi\u00e7\u00f5es de oferecer um futuro para a humanidade (nem sequer de ser \u201chumanizado\u201d, atenuado, administrado, etc.). Mas a escolha de administrar o capitalismo que foi feita naquele momento tra\u00e7ou um caminho sem volta para o PT, com cujas conseq\u00fc\u00eancias agora arcamos. O abandono da luta direta, da combatividade, da independ\u00eancia de classe, da mobiliza\u00e7\u00e3o, da organiza\u00e7\u00e3o de base, da democracia nos sindicatos e organismos dos movimentos sociais, da disputa de ideologias e projetos de sociedade; tudo isso em prol da transforma\u00e7\u00e3o do PT em instrumento eleitoral vi\u00e1vel para al\u00e7ar os burocratas do partido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de gestores do capitalismo brasileiro, conduz em linha direta n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e degenera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio PT, mas tamb\u00e9m ao crescimento da direita tradicional que hoje amea\u00e7a o PT e os trabalhadores.<\/p>\n<p>Conforme assinalamos acima, n\u00e3o existe vazio ideol\u00f3gico. No v\u00e1cuo do fracasso do projeto petista, prolifera o discurso da ultra-direita e sua defesa oportunista de solu\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias. O retrocesso ideol\u00f3gico est\u00e1 combinado com o retrocesso intelectual. A atividade dos intelectuais de esquerda que contribu\u00edram para a constu\u00e7\u00e3o do PT, construindo conhecimento cient\u00edfico a servi\u00e7o da luta de classes, foi substitu\u00eddo pela atividade de acad\u00eamicos que produzem discursos auto-referenciados, centrados no pr\u00f3prio discurso. A p\u00f3s-modernidade cria uma localiza\u00e7\u00e3o a partir da qual o discurso opressor na pr\u00e1tica n\u00e3o pode ser superado, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 mais rela\u00e7\u00e3o entre o discurso e uma base social concreta. Os nexos que permitem entender as mais variadas formas de explora\u00e7\u00e3o e de opress\u00e3o est\u00e3o sendo desfeitos por um discurso que nega explicitamente a exist\u00eancia de qualquer nexo totalizador de inteligibilidade do real. A crise da alternativa socialista \u00e9 uma crise de alternativa da humanidade.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno com o qual estamos nos deparando agora \u00e9 a conseq\u00fc\u00eancia de uma verdade cruel e dram\u00e1tica: n\u00e3o existe meio termo poss\u00edvel entre capitalismo e socialismo. Ou se opta por um ou pelo outro. Achar que \u00e9 poss\u00edvel optar por um meio termo, como fez o PT, vendendo a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel humanizar o capitalismo, administr\u00e1-lo, atenu\u00e1-lo, etc., e toda essa ladainha que j\u00e1 estamos ouvindo h\u00e1 d\u00e9cadas, leva a um beco sem sa\u00edda. O capitalismo e suas crises levam a um aprofundamento da mis\u00e9ria material e espiritual em todas as suas formas, guerras entre pa\u00edses e guerra social entre as classes, viol\u00eancias de todos os tipos, individualismo, ignor\u00e2ncia, fanatismo, \u00f3dio, etc. \u00c9 nesse caldo nefasto que o Brasil est\u00e1 submergindo depois de 13 anos de governo petista, tudo por conta da op\u00e7\u00e3o equivocada de administrar o capitalismo.<\/p>\n<h2>Por um projeto socialista para o atual momento hist\u00f3rico<\/h2>\n<p>Superar a crise em que o PT afundou a esquerda brasileira s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio do relan\u00e7amento de um projeto socialista. A esquerda precisa superar os limites da atua\u00e7\u00e3o economicista, sindicalista, reformista, imediatista e eleitoralista que caracterizou o PT. \u00c9 preciso construir uma pr\u00e1tica e uma teoria totalizante, que aborde os indiv\u00edduos concretos em suas m\u00faltiplas demandas concretas, sejam eles assalariados de qualquer categoria, moradores da periferia, mulheres, negros, LGBTs, ind\u00edgenas, trabalhadores rurais, estudantes, etc., relacionando todas essas demandas concretas ao capitalismo e oferecendo uma alternativa socialista. Um projeto socialista relan\u00e7ado tem que construir uma nova forma de se relacionar com os trabalhadores, implantando na pr\u00e1tica cotidiana do movimento rela\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica real e viv\u00eancias as mais igualit\u00e1rias e plenas poss\u00edveis. Somente assim pode ser formar uma nova consci\u00eancia socialista para o atual per\u00edodo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Se a esquerda quer sair dessa armadilha e deixar de estar submetida \u00e0 imagem do PT, deixando de sofrer as conseq\u00fc\u00eancias da fal\u00eancia do PT, e criando uma contraposi\u00e7\u00e3o a todos aqueles projetos e ideias nefastos da direita tradicional, \u00e9 preciso criar uma nova identidade. Um novo projeto de esquerda precisa ir al\u00e9m da pr\u00e1tica reformista, economicista e imediatista que caracterizou o PT, \u00e0 qual at\u00e9 mesmo as correntes revolucion\u00e1rias que existiram no interior do partido de alguma forma se submeteram. As ilus\u00f5es reformistas e eleitoreiras reproduzidas pelo PT t\u00eam que ser descartadas. A esquerda tem que apresentar um projeto totalizante que trate o trabalhador n\u00e3o apenas como assalariado, que se interessa apenas por sal\u00e1rios e horas de trabalho, mas como ser em busca de emancipa\u00e7\u00e3o contra todos os aspectos da sua aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os principais projetos criados por fora do PT nas \u00faltimas d\u00e9cadas tamb\u00e9m fracassaram, e \u00e9 preciso que se fa\u00e7a um balan\u00e7o muito s\u00e9rio disso tamb\u00e9m. Se um projeto com a abrang\u00eancia que teve o PT n\u00e3o se cria de uma hora para outra, as principais organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que existem por fora do PT tamb\u00e9m n\u00e3o nasceram ontem e j\u00e1 t\u00eam tempo de estrada suficiente para produzir algo muito melhor do que fizeram.<\/p>\n<p>O PSTU (legalizado como partido h\u00e1 mais de 20 anos, desde 1994) se converteu numa mini-burocracia sindical de esquerda, mais preocupado em acomodar seus dirigentes nos aparatos sindicais em pac\u00edfica conviv\u00eancia com a burocracia cutista e governista do que em revolucionar os organismos dos trabalhadores e organizar a luta. O PSOL (fundado h\u00e1 mais de 10 anos, em 2003) se converteu numa mini-burocracia eleitoral, com um programa vago de cr\u00edticas pontuais \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica do PT (e n\u00e3o ao conjunto do projeto de gest\u00e3o do capitalismo) e defesa abstrata da \u201c\u00e9tica\u201d, tentando reeditar o PT reformista da d\u00e9cada de 1990 e n\u00e3o o das lutas da d\u00e9cada de 1980. O PCO n\u00e3o tem outra fun\u00e7\u00e3o al\u00e9m de atacar o PSTU e as demais correntes da esquerda, e na pr\u00e1tica do movimento funciona como auxiliar do pr\u00f3prio PT e da CUT. O PCB n\u00e3o consegue superar sua heran\u00e7a stalinista.<\/p>\n<p>Toda uma mir\u00edade de organiza\u00e7\u00f5es menores n\u00e3o consegue construir uma alternativa vi\u00e1vel, em parte por estar doutrinariamente presa a f\u00f3rmulas e discursos retirados de cl\u00e1ssicos do marxismo-leninismo-trotskysmo (isso quando n\u00e3o reciclam coisas ainda piores, como os grupos stalinistas e mao\u00edstas que ainda existem), sem a capacidade de fazer uma an\u00e1lise marxista concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta atual. A esquerda se recusa a fazer um balan\u00e7o das experi\u00eancias do s\u00e9culo XX, separar o joio do trigo e empreender um esfor\u00e7o te\u00f3rico e pr\u00e1tico de supera\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos empregados at\u00e9 hoje. No interior da pr\u00f3pria esquerda reina a desorienta\u00e7\u00e3o e a perda de refer\u00eancias de classe e de projeto.<\/p>\n<h2>Ousar lutar, ousar vencer<\/h2>\n<p>A falta de trabalho de base, de disputa ideol\u00f3gica, de enraizamento nas lutas, faz com que a esquerda n\u00e3o tenha base social pr\u00f3pria entre os trabalhadores e n\u00e3o consiga apresentar uma alternativa de projeto pol\u00edtico. Com isso, fica ref\u00e9m de alternativas igualmente superestruturais e igualmente equivocadas: embarcar no Fora Dilma, Fora Todos (que acaba se colocando, mesmo que negue, ao lado da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, como faz o PSTU, os morenistas e parte do PSOL) ou descaradamente defender o PT (como faz o PCO e parte do PSOL). A \u00fanica for\u00e7a capaz de derrotar os projetos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa n\u00e3o ser\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es do Estado, que trabalham para a mesma burguesia, mas a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora! \u00c9 essa organiza\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso construir.<\/p>\n<p>Por falar em trabalhadores, estes tamb\u00e9m sentem as conseq\u00fc\u00eancias da crise. N\u00e3o \u00e9 apenas a burguesia que est\u00e1 enfurecida porque ca\u00edram os seus lucros, nem as camadas m\u00e9dias que se ressentem de que as migalhas antes destinadas aos mais pobres pelo Estado (que na verdade destina as mais gordas fatias do or\u00e7amento aos super ricos atrav\u00e9s do mecanismo da d\u00edvida p\u00fablica) supostamente corroeram o seu padr\u00e3o de\u00a0 vida (sentimento mesquinho e pat\u00e9tico pelo seu grau de ignor\u00e2ncia). Os trabalhadores s\u00e3o os que na verdade sentem de forma mais pesada os efeitos da crise. Demiss\u00f5es, arrocho salarial, infla\u00e7\u00e3o, endividamento, intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, sucateamento das escolas, hospitais, transportes, cortes de verbas, etc. Isso d\u00e1 motivos de sobra para que os trabalhadores se mobilizem.<\/p>\n<p>As lutas j\u00e1 vem ocorrendo. As greves aumentaram constantemente desde o in\u00edcio da d\u00e9cada, e tamb\u00e9m as manifesta\u00e7\u00f5es de rua e outras formas de luta. Mas ainda \u00e9 preciso muito mais do que isso. \u00c9 preciso unificar todas essas lutas e a partir delas apresentar uma alternativa de projeto para os trabalhadores, contra o governo do PT e a oposi\u00e7\u00e3o do PSDB. Para se tornar refer\u00eancia de luta e n\u00e3o se confundir com o oportunismo e o peleguismo do PT, a esquerda precisa retomar os m\u00e9todos radicalizados: ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas e empresas que amea\u00e7arem, demitirem ou fecharem, bloqueio de ruas e avenidas, ocupa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios p\u00fablicos, piquetes radicalizados. Para massificar o apoio \u00e0s propostas da esquerda, \u00e9 preciso construir um movimento de organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho contra os abusos dos chefes e patr\u00f5es, e n\u00e3o apenas meras chapas de oposi\u00e7\u00e3o como tem feito o movimento sindical. \u00c9 preciso relan\u00e7ar na sociedade o debate sobre um projeto anticapitalista e socialista. A esquerda precisa sair da sua condi\u00e7\u00e3o de coadjuvante e das suas disputas internas mesquinhas para ser capaz de enfrentar a ofensiva da oposi\u00e7\u00e3o ao PT e se desvencilhar da armadilha do pr\u00f3prio PT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por novos m\u00e9todos, e por mais a\u00e7\u00e3o para os trabalhadorxs! &nbsp; Karen Carvalho Daniel M. 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