{"id":4551,"date":"2016-04-04T10:14:44","date_gmt":"2016-04-04T13:14:44","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4551"},"modified":"2016-04-05T20:11:26","modified_gmt":"2016-04-05T23:11:26","slug":"jornal-88-burguesia-precisa-apelar-ao-golpe-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/04\/jornal-88-burguesia-precisa-apelar-ao-golpe-militar\/","title":{"rendered":"Jornal 88: A burguesia precisa apelar ao golpe militar?"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\">Dia 31 de mar\u00e7o completaram 52 anos do golpe militar. Data que n\u00e3o pode ser esquecida. Luta que n\u00e3o pode ser esquecida, at\u00e9 mesmo para enfrentar os novos golpistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Agora, nas mobiliza\u00e7\u00f5es de rua pela derrubada de Dilma h\u00e1 um setor \u2013 minorit\u00e1rio- que defende abertamente a \u201cinterven\u00e7\u00e3o militar\u201d, ou seja, um golpe militar para restringir as liberdades democr\u00e1ticas.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4552 alignright\" alt=\"2\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/2-293x300.jpg\" width=\"293\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/2-293x300.jpg 293w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/2.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/><\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em 1964, era um per\u00edodo em que as burguesias, e sobretudo o imperialismo estadunidense, respondia a qualquer radicaliza\u00e7\u00e3o com o endurecimento do regime pol\u00edtico. Aconteceram golpes no Uruguai, na Argentina, Bol\u00edvia e em outros v\u00e1rios pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas, mesmo diante da atual crise pol\u00edtica, poderia acontecer um golpe militar ou mesmo um civil que acabaria com \u2013 as j\u00e1 poucas- liberdades democr\u00e1ticas?<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">N\u00e3o vai ter golpe!<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Esse debate ressurge de um lado pela presen\u00e7a desse setor da direita nas atuais mobiliza\u00e7\u00f5es e de outro por uma pol\u00edtica do governo e dos governistas em associar o impeachment a um golpe, pois, segundo eles, n\u00e3o houve a pratica de crime de responsabilidade que justifique o processo de afastamento de Dilma do governo<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com dificuldades de fazer a defesa de Dilma pelas suas realiza\u00e7\u00f5es, restou aos governistas e ao pr\u00f3prio governo lan\u00e7ar m\u00e3o do argumento de que se trata de um golpe. Uma forma \u201cindireta\u201d de defesa do mandato de Dilma, pois derrotando o tal golpe Dilma permaneceria no cargo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">N\u00f3s avaliamos que n\u00e3o se trata de golpe, mas de uma disputa entre fra\u00e7\u00f5es do capital que lutam entre si para controlar o Estado e seguir com os planos de explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">E tamb\u00e9m sabemos que nas disputas inter-burguesas lan\u00e7a-se m\u00e3o de todo tipo de manobra, ali\u00e1s, manobras que o PT usou e abusou para fazer aprovar leis no parlamento contra os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel golpe militar \u2013 ou interven\u00e7\u00e3o militar- tamb\u00e9m avaliamos que essa possibilidade n\u00e3o est\u00e1 entre as op\u00e7\u00f5es da burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Primeiro porque nos pa\u00edses com ditaduras militares \u2013 a despeito de terem conseguido derrotar as mobiliza\u00e7\u00f5es sociais e implementar fortes planos de arrocho- houve a unifica\u00e7\u00e3o de amplos setores de oposi\u00e7\u00e3o na resist\u00eancia aos militares, o que muitas vezes criou instabilidades pol\u00edticas que poderia at\u00e9 levar a rupturas da \u201cnormalidade\u201d burguesa.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Segundo que nas \u00faltimas d\u00e9cadas os regimes \u201cdemocr\u00e1tico burgu\u00eas\u201d tem sido muito mais efetivos aos planos do capital. As ilus\u00f5es de que na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o pode mudar o governante com o voto, o isolamento da oposi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e revolucion\u00e1ria s\u00e3o ganhos que o capital n\u00e3o teria em uma ditadura.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Terceiro porque as for\u00e7as burguesas tem o controle completo das institui\u00e7\u00f5es burguesas, como o parlamento, o judici\u00e1rio e os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o prontos a agir ao primeiro chamado.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Claro que a interven\u00e7\u00e3o militar n\u00e3o est\u00e1 superada historicamente pela burguesia. A burguesia n\u00e3o tem escr\u00fapulos em utilizar as formas mais violentas para garantir a sua domina\u00e7\u00e3o e se for preciso utilizar\u00e1 esse recurso.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Uma democracia cada vez mais autorit\u00e1ria<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">O argumento de golpe n\u00e3o passa de uma t\u00e1tica dos governistas para defender um governo indefens\u00e1vel por tantos ataques aos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os ataques mais recentes \u00e0s garantias democr\u00e1ticas na verdade partiram do pr\u00f3prio governo e com o consentimento e votos dos deputados petistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para se ter ideia Dilma acaba de sancionar a \u201clei anti-terrorismo\u201d que abre a possibilidade de criminalizar o movimento social e enquadrar ativistas como terroristas com pesadas penas se houver condena\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a de servi\u00e7os de intelig\u00eancia (espi\u00f5es), as escutas ilegais, infiltrados nos movimentos s\u00e3o outros mecanismos utilizados pelo Estado (sob a tutela de Dilma e do PT) para vigiar os movimento sociais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Esse \u00e9 s\u00f3 um exemplo. A chamada democracia burguesa no Brasil tem se caracterizado pelo autoritarismo e o desrespeito at\u00e9 mesmo a direitos democr\u00e1ticos m\u00ednimos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">For\u00e7as policiais com licen\u00e7a para reprimir as mobiliza\u00e7\u00f5es, os assassinatos de militantes por for\u00e7as de seguran\u00e7a privadas (e sem qualquer investiga\u00e7\u00e3o por parte do Estado), os processos judiciais, os ataques ao direito de greve e de manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do cotidiano daqueles que n\u00e3o aceitam as atuais condi\u00e7\u00f5es de vida e de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Esse tipo de democracia \u00e9 uma caracter\u00edstica dos pa\u00edses perif\u00e9ricos que precisam manter os trabalhadores sob controle para continuar a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Alguns mitos sobre a ditadura<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">A propaganda dos golpistas procura responder a algumas quest\u00f5es que a maioria da popula\u00e7\u00e3o v\u00ea como os principais problemas da pol\u00edtica, como a corrup\u00e7\u00e3o, ajeitar o Brasil, acabar com a viol\u00eancia, etc.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas ser\u00e1 que no per\u00edodo da ditadura esses problemas n\u00e3o existiam? Vejamos alguns:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Corrup\u00e7\u00e3o: Sabidamente a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente uma epidemia no Brasil. Mas, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 novo a corrup\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. E, para a tristeza dos que defendem o golpe, a ditadura coleciona muitos casos de corrup\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>contrabando na pol\u00edcia do ex\u00e9rcito no Rio de Janeiro. O militar envolvido \u2013 inocentado- depois se transformou no principal nome do jogo do bicho;<\/li>\n<li>O delegado Fleury, principal nome das torturas, dava prote\u00e7\u00e3o a um traficante paulista;<\/li>\n<li>Os governadores eram indicados pelos militares (n\u00e3o havia elei\u00e7\u00e3o direta) e entre esses nomeados est\u00e3o nomes como Paulo Maluf em S\u00e3o Paulo, Antonio Carlos Magalh\u00e3es na Bahia;<\/li>\n<li>Regalias (direito a carro, empregadas e outros mordomias) para generais, tudo pago com dinheiro p\u00fablico.<\/li>\n<\/ul>\n<p lang=\"pt-BR\">Melhorar o Brasil: desemprego, arrocho salarial, retirada de direito s\u00e3o problemas que a classe trabalhadora &#8211; mesmo os \u201cextratos m\u00e9dios ou classe m\u00e9dia\u201d \u2013 enfrenta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Ilude-se quem acha que s\u00e3o problemas \u201cda democracia\u201d. O acumulo da riqueza no capitalismo tem na explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores o seu fundamento. A chamada democracia burguesa ou a ditadura sempre est\u00e3o a servi\u00e7o de essa explora\u00e7\u00e3o se tornar mais eficiente. O \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d foi sustentado no crescimento do endividamento externo, na aus\u00eancia de pol\u00edticas sociais e no arrocho salarial.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O crescimento das favelas, as doen\u00e7as, a falta de saneamento b\u00e1sico eram s\u00f3 alguns dos problemas que os trabalhadores e pobres enfrentavam.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As lutas oper\u00e1rias em fins dos anos 70 e in\u00edcio dos anos 80 foi uma resposta dos oper\u00e1rios ao arrocho salarial e as condi\u00e7\u00f5es de vida que a pol\u00edtica econ\u00f4mica dos militares imp\u00f4s sobre a classe trabalhadora.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Acabar com a crise econ\u00f4mica. A crise econ\u00f4mica de 1982\/1983 (ainda sob governos militares) foi uma das mais graves do pa\u00eds. Desemprego as alturas, infla\u00e7\u00e3o, falta de alimentos nos supermercados. As crises econ\u00f4micas fazem parte da hist\u00f3ria do capitalismo. Governos capitalistas democr\u00e1ticos ou ditatoriais n\u00e3o escapam \u00e0s crises capitalistas que surgem de tempos em tempos surgem e trazem com ela piores condi\u00e7\u00f5es de vida para a classe trabalhadora.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Golpistas s\u00e3o minorit\u00e1rios<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Quando caracterizamos os participantes das mobiliza\u00e7\u00f5es contra Dilma, percebemos que os que defendem o golpe militar s\u00e3o minorit\u00e1rios. Mesmo com o tema em evid\u00eancia est\u00e1 restrito a alguns grupos de direita e fascistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas, como tamb\u00e9m nos deparamos com o crescimento de ideias conservadoras e de direita, temos presenciado v\u00e1rias \u201cousadias\u201d de militantes da direita que passam a provocar e at\u00e9 com tentativas de agress\u00e3o a militantes do movimento social de esquerda, a negros e homossexuais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Por isso \u00e9 importante pensar em algumas medidas de seguran\u00e7a nas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para proteger os militantes e os trabalhadores, vistos como inimigos desses grupos de direita.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A luta pelas conquistas democr\u00e1ticas<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Poder\u00edamos aqui enumerar uns tantos outros exemplos que dizem que com ditadura as coisas melhoram. Como vimos trata-se de mitos e mentiras a servi\u00e7o de dar a uma das for\u00e7as repressivas mais poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">N\u00e3o temos nenhuma ilus\u00e3o na democracia burguesa, pois ela tamb\u00e9m est\u00e1 a servi\u00e7o da domina\u00e7\u00e3o dos capitalistas, de manter a explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No entanto, isso n\u00e3o quer dizer que a democracia burguesa seja igual a ditadura. As condi\u00e7\u00f5es de luta sob um regime ditatorial s\u00e3o muito mais duras, mais dif\u00edceis. \u00c9 ineg\u00e1vel que, reconhecendo os limites da democracia burguesa, quando h\u00e1 liberdades democr\u00e1ticas as condi\u00e7\u00f5es para organizar a luta s\u00e3o menos dif\u00edceis.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Por isso que a luta pelo aprofundamento das liberdades e garantias democr\u00e1ticas \u00e9 um ponto importante do programa dos revolucion\u00e1rios, pois a depender da burguesia e dos seus defensores os direitos democr\u00e1ticos ser\u00e3o cada vez menores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 31 de mar\u00e7o completaram 52 anos do golpe militar. Data que n\u00e3o pode ser esquecida. Luta que n\u00e3o pode<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4552,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4551"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4551"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4572,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4551\/revisions\/4572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}