{"id":4554,"date":"2016-04-04T10:16:19","date_gmt":"2016-04-04T13:16:19","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4554"},"modified":"2016-04-04T10:19:33","modified_gmt":"2016-04-04T13:19:33","slug":"jornal-88-empresa-almaviva-oferece-emprego-e-exploracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/04\/jornal-88-empresa-almaviva-oferece-emprego-e-exploracao\/","title":{"rendered":"Jornal 88: Empresa Almaviva oferece emprego&#8230; e explora\u00e7\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\np { margin-bottom: 0.1in; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: left; }p.western { font-family: \"Liberation Serif\",serif; font-size: 12pt; }p.cjk { font-family: \"DejaVu Sans\"; font-size: 12pt; }p.ctl { font-family: \"Liberation Serif\"; font-size: 12pt; }\n--><\/style>\n<p lang=\"pt-BR\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/3.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4555 alignright\" alt=\"3\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/3-300x112.jpg\" width=\"300\" height=\"112\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/3-300x112.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/3.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Falar sobre o papel da empresa Alma Viva no Brasil \u00e9 falar sobre a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e sobre a falta de alternativas para o Capital oferecer qualidade de vida para a classe trabalhadora e, sobretudo, para a juventude. Em meio \u00e0 crise inexor\u00e1vel que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista vem sofrendo desde a d\u00e9cada de 1970, com sua express\u00e3o mais recente no Brasil em 2008, o Capital busca novas formas de se sustentar, abrindo novos mercados, nichos de explora\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de mais-valia e barateamento da produ\u00e7\u00e3o. A precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, assumindo as mais diversas formas, mais uma vez se coloca como uma dura realidade para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Contrastando com os dados fornecidos pelo governo, o qual \u00e9 gerente dos interesses do Capital, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho mostram claro desgaste nos \u00faltimos anos. Apesar de o \u00edndice de desemprego n\u00e3o demonstrar n\u00fameros t\u00e3o alarmantes, o que vemos \u00e9 um deslocamento das oportunidades de trabalho saindo do setor formal para o setor informal.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Segundo o IBGE, entre outubro de 2008 e fevereiro de 2009, cerca de 18,3% de brasileiros migraram para os subempregos e empregos informais. Isso significa dizer que, durante este per\u00edodo, cerca de 114 mil pessoas buscaram oportunidades em empregos sem carteira assinada, bicos ou tentaram abrir um pequeno neg\u00f3cio.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em 2015, ainda conforme o IBGE, o \u00edndice de trabalhadores aut\u00f4nomos nas principais cidades brasileiras atingiu a marca de 19,5%, o maior \u00edndice dos \u00faltimos oito anos. Esse setor representa uma parcela da sociedade que sobrevive com um rendimento de R$ 1.300 ao m\u00eas, entre altos e baixos, devido \u00e0 instabilidade que essa presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os oferece.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Soma-se a isso a dificuldade que esses trabalhadores possuem em contribuir para a previd\u00eancia social. O que se tem s\u00e3o pessoas que passam a maior parte de suas vidas trabalhando em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, sem direitos trabalhistas e que se aposentam sem receber o devido retorno da sua contribui\u00e7\u00e3o para a sociedade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e o desemprego s\u00e3o elementos essenciais do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. \u00c9 a partir disso que o capital pode curvar a vida das pessoas \u00e0s suas necessidades. Sobre a pena de ter a nossa vida jogada na mis\u00e9ria, sujeitamos-nos a qualquer forma de explora\u00e7\u00e3o e expolia\u00e7\u00e3o do nosso trabalho.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A escassez de empregos formais e as demiss\u00f5es em massa que ocorreram em decorr\u00eancia da crise, empurraram os trabalhadores para o setor de trabalhos aut\u00f4nomos e informais. Essa l\u00f3gica \u00e9 extremamente interessante para o Capital, pois as empresas que oferecem a carteira assinada agora podem explorar de forma cada vez mais direta os trabalhadores, os quais, temendo ser colocados para fora do mercado de trabalho, sujeitam-se a condi\u00e7\u00f5es desumanas de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u00c9 nesse quadro, de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, que a empresa italiana AlmavivA se instaura em Macei\u00f3. Chegando na capital alagoana em 2013 \u2013 a partir de incentivo fiscal dados pela prefeitura de Macei\u00f3 \u00e0s empresas de Call Center e Telemarketing \u2013, a multinacional se expandiu a ponto de contar, ainda no final do ano passado, com tr\u00eas unidades de trabalho que se localizam nos bairros do Salvador Lyra, da Serraria e do Benedito Bentes.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Cada passo de sucesso dado pela empresa tem sido celebrado, desde ent\u00e3o, por parlamentares e por parte da grande m\u00eddia local. O atual prefeito, Rui Palmeira (PSDB), com muito louvor, destacou a gera\u00e7\u00e3o de empregos no atual contexto nacional de crise econ\u00f4mica. Um fato importante a ser ressaltado \u00e9 que, dentre todas as cidades onde a AlmaVivA possui sede (em pa\u00edses como a \u00c1frica do Sul, B\u00e9lgica, Brasil, Col\u00f4mbia, Estados Unidos e Tun\u00edsia), Macei\u00f3 \u00e9 a que mais possui trabalhadores empregados pela empresa, contando \u2013 atualmente \u2013 com cerca de 8 mil trabalhadores empregados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Toda essa situa\u00e7\u00e3o, evidentemente, traz profundo entusiasmo \u00e0 ordem pol\u00edtica local. Entre sorrisos e aplausos, em novembro de 2015, a C\u00e2mara Municipal de Macei\u00f3 concedeu t\u00edtulos de Cidad\u00e3o Honor\u00e1rio aos presidente e vice-presidente da empresa AlmavivA no Brasil pelos \u201cbenef\u00edcios trazidos para o desenvolvimento local\u201d. Jovens em sua maioria, as trabalhadoras e trabalhadores contratados pela empresa italiana, no entanto, t\u00eam uma opini\u00e3o diferente sobre a multinacional.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As den\u00fancias feitas por pessoas empregadas pela AlmavivA em Macei\u00f3 tem crescido. De acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, enquanto no ano de 2014 a empresa recebeu 4 den\u00fancias por maus tratos a trabalhadores, no ano de 2015 esse n\u00famero saltou para 37. Desde que a AlmavivA se instalou na cidade, a Justi\u00e7a do Trabalho de Alagoas contabilizou cerca de 300 processos feitos por empregados da empresa.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A lista \u00e9 vasta, as inj\u00farias s\u00e3o profundas: sobrecarga de trabalho, ass\u00e9dio moral, demiss\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio, horas extras n\u00e3o-pagas, falta de atendimento m\u00e9dico, descontos indevidos de sal\u00e1rio, n\u00e3o-registro profissional na Carteira de Trabalho e Previd\u00eancia Social, controle abusivo das idas ao banheiro, press\u00e3o por produtividade, expedientes aos domingos e feriados, pausas muito breve para alimenta\u00e7\u00e3o etc. Essas agress\u00f5es aos trabalhadores, para a felicidade dos cofres da multinacional, s\u00e3o praticadas pelo pre\u00e7o de um sal\u00e1rio m\u00ednimo. O discurso da empresa, todavia, \u00e9 de que ela \u201cvaloriza a integridade e bem-estar de seus colaboradores, segue estritamente a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e n\u00e3o admite comportamentos tidos como impr\u00f3prios dos gestores\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Apesar do cinismo, as feridas gritam: al\u00e9m de todas as acusa\u00e7\u00f5es que a AlmavivA tem recebido de seus pr\u00f3prios trabalhadores em Macei\u00f3, uma m\u00e9dica que atendia os operadores de telemarketing da empresa relatou no ano passado, ao jornal Tribuna Hoje, que as v\u00e1rias enfermidades que aqueles desenvolviam estavam associadas \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A Procuradoria do Trabalho em Alagoas indicou que as doen\u00e7as diagnosticadas com mais frequ\u00eancia s\u00e3o infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria e transtorno mental. Em Sergipe, em junho do ano passado, a trabalhadora B\u00e1rbara Monique Souza morreu ap\u00f3s sofrer convuls\u00f5es e ataque card\u00edaco enquanto trabalhava em uma das unidades da empresa.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Este fardo, carregado pela juventude alagoana, \u00e9 ocasionado pelo funcionamento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista: defende-se, acima de qualquer coisa, o lucro empresarial; impondo-se contra o bem-estar da classe trabalhadora.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Cada uma das neglig\u00eancias, ass\u00e9dios e viol\u00eancias praticadas pela empresa italiana representam maneiras de barateamento dos custos do servi\u00e7o de telemarketing, e de amorda\u00e7amento pol\u00edtico desses jovens trabalhadores. Na medida em que est\u00e3o sob constante amea\u00e7a de demiss\u00e3o e num fren\u00e9tico ritmo de trabalho, os operadores de telemarketing se veem em constante perigo. \u00c9 preciso, pois, combater essas condi\u00e7\u00f5es de emprego!<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p lang=\"pt-BR\">Fim do ass\u00e9dio moral e da press\u00e3o por metas!<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p lang=\"pt-BR\">Por um local de trabalho onde se tenha acesso ao atendimento m\u00e9dico!<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p lang=\"pt-BR\">Chega de descontos e advert\u00eancias por pequenos atrasos!<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p lang=\"pt-BR\">Pela contrata\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios para acabar com a sobrecarga de trabalho!<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p lang=\"pt-BR\">Por maiores pausas para alimenta\u00e7\u00e3o, necessidades fisiol\u00f3gicas e repouso!<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p lang=\"pt-BR\">Por uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p lang=\"pt-BR\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar sobre o papel da empresa Alma Viva no Brasil \u00e9 falar sobre a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e sobre a<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4555,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4554"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4554"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4554\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4557,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4554\/revisions\/4557"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}