{"id":4559,"date":"2016-04-04T10:23:54","date_gmt":"2016-04-04T13:23:54","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4559"},"modified":"2018-05-01T00:39:04","modified_gmt":"2018-05-01T03:39:04","slug":"jornal-88-argentina-onda-de-demissoes-e-ataques-mostra-que-a-crise-e-internacional-e-que-o-inimigo-e-um-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/04\/jornal-88-argentina-onda-de-demissoes-e-ataques-mostra-que-a-crise-e-internacional-e-que-o-inimigo-e-um-so\/","title":{"rendered":"Jornal 88: Argentina: onda de demiss\u00f5es e ataques mostra que a crise \u00e9 internacional e que o inimigo \u00e9 um s\u00f3"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\">A classe trabalhadora argentina inicia 2016 sob duros ataques da patronal por meio de seu novo governo. A vit\u00f3ria de Maur\u00edcio Macri (PRO) para a presid\u00eancia do pa\u00eds encerra, ap\u00f3s 12 anos, a chamada Era Kirschner, de ess\u00eancia igualmente patronal. Macri, um representante mais cl\u00e1ssico da direita conservadora, assume para dar continuidade ao projeto da classe dominante, agora sem nenhuma media\u00e7\u00e3o, aplicando o ajuste com m\u00e3os de ferro para fazer as vontades do imperialismo.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/5.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4560 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/5-300x225.jpg\" alt=\"5\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/5-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/5-80x60.jpg 80w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/5.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para dar resposta (do ponto de vista da patronal) ao acirramento da crise econ\u00f4mica mundial e ao mesmo tempo se diferenciar do perfil do governo anterior, Macri se apoia no discurso da efici\u00eancia. Utiliza a defesa de um estado \u201cenxuto\u201d como respaldo para seus duros ataques. A verdade por\u00e9m \u00e9 que seu governo est\u00e1 disposto a jogar quantos trabalhadores for necess\u00e1rio na mis\u00e9ria para satisfazer aos interesses da patronal.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A sarjeta\u00a0\u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o: o\u00a0ajuste mostra do que \u00e9 capaz<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Uma das pe\u0155olas de Macri que ficaram conhecidas no \u00faltimo per\u00edodo foi chamar os funcion\u00e1rios p\u00fablicos de nhoques. O nhoque \u00e9 um prato tradicionalmente servido no dia 29 de cada m\u00eas. A compara\u00e7\u00e3o com os funcion\u00e1rios p\u00fablicos tem o objetivo de classific\u00e1-los como parasitas, que aparecem no trabalho s\u00f3 no dia 29, final de cada m\u00eas, para receber o sal\u00e1rio. A verdade \u00e9 que com esse discurso Macri pulverizou simplesmente mais de 60 mil postos de trabalho. H\u00e1 dados recentes da CTA (Central de Trabalhadores da Argentina) que apontam para mais de 107 mil postos. O funcionalismo p\u00fablico tem grande express\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o desse n\u00famero, sendo cerca de metade dos demitidos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para al\u00e9m das demiss\u00f5es, o pacote do ajuste inclui um tarifa\u00e7o que anunciou elevar a conta de luz em at\u00e9 300%, cortando os subs\u00eddios p\u00fablicos que existiam antes no fornecimento de energia. No entanto, foram registrados aumentos de at\u00e9 700% nas contas de luz. Ap\u00f3s implementar esse grande ataque, o governo Macri anunciou tamb\u00e9m, para mar\u00e7o, o aumento no custo do g\u00e1s, tamb\u00e9m em at\u00e9 300%. A desculpa \u00e9 equilibrar a contas do Estado. Mas o novo \u201cestado enxuto\u201d da patronal na realidade faz a classe trabalhadora argentina sangrar um pouco mais a cada dia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u00c9 preciso lembrar que os ataques, assim como no Brasil, n\u00e3o v\u00eam somente da esfera nacional de governo mas tamb\u00e9m das prov\u00edncias e munic\u00edpios, denunciando o pacto da oposi\u00e7\u00e3o kirchnerista com a agenda do ajuste, j\u00e1 que ainda controlam grande parte dos governos locais. Ao passar o fac\u00e3o no funcionalismo p\u00fablico, nos benef\u00edcios sociais e implementar o tarifa\u00e7o, a pol\u00edtica do governo Macri prova sim a sua efici\u00eancia para fazer a qualquer custo a gest\u00e3o do estado capitalista a contento do capital, mas n\u00e3o para atender \u00e0s necessidades dos trabalhadores.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">O endurecimento e conservadorismo para respaldar os ataques<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">O conservadorismo e o car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico que marca o perfil do novo governo fica bem claro em outra p\u00e9rola recente. Essa saiu da boca do Ministro das Finan\u00e7as do governo, Alfonso Pra-Gay, que disse que um dos objetivos do governo \u00e9 \u201celiminar a gorrdura militante\u201d da administra\u00e7\u00e3o do estado, se referindo \u00e0s demiss\u00f5es dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Al\u00e9m disso, a maior parte das medidas mais pol\u00eamicas tomadas pelo novo governo foi feita durante o recesso de ver\u00e3o dos parlamentares, j\u00e1 que Macri n\u00e3o tem a maioria no Congresso.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas uma das mais significativas tentativas de se blindar da rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a todos esses ataques foi o recente lan\u00e7amento de um protocolo anti protesto, chamado pelo governo de protocolo de seguran\u00e7a, que pro\u00edbe o trancamento de ruas durante as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas os trabalhadores argentinos j\u00e1 iniciam sua resposta. Organizaram uma paraliza\u00e7\u00e3o de 24 horas e uma grande marcha no dia 24 de fevereiro em defesa do desempregados. Esse foi o primeiro recado dos trabalhadores para Macri e a patronal. A marcha reuniu cerca de 50000 e fechou importantes ruas do centro de Buenos Aires, trancando cruzamentos e paralisando parte dos servi\u00e7os. O Ministerio do Desenvolvimento e Emprego e depois a sede do governo foram pontos de parada. Nas prov\u00edncias, outras paralisa\u00e7\u00f5es e atos aconteceram simultaneamente. O protocolo de Macri n\u00e3o foi capaz de amedrontar os trabalhadores argentinos, que deram sua primeira resposta \u00e0 altura. Essa foi a primeira manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 contra os ataques mas contra o pr\u00f3prio governo, desde que Macri assumiu a presid\u00eancia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com o lan\u00e7amento do amea\u00e7ador protocolo anti protesto, os argentinos nos indicaram o \u00fanico caminho para resolver o problema da repress\u00e3o: enfrent\u00e1-la. Se n\u00e3o podemos recuar frente aos ataques ao emprego aos nossos direitos e ao rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de vida, n\u00e3o podemos igualmente estremecer frente a tentativa de nos calar.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Por mais dif\u00edcil que seja, o pressuposto para a pr\u00f3pria exist\u00eancia da luta dos trabalhadores contra os ataques \u00e9 enfrentar as amea\u00e7as dos governos e da patronal e a sua dura consequ\u00eancia, a repress\u00e3o. A massifica\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o de 24 de fevereiro tornou invi\u00e1vel a aplica\u00e7\u00e3o do protocolo e o uso da repress\u00e3o a um n\u00famero t\u00e3o grande de trabalhadores em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada para o governo. A resposta dos trabalhadores, n\u00e3o abrindo m\u00e3o de sua marcha, impediu que o protocolo se naturalizasse e impusesse o medo. A \u00fanica for\u00e7a que pode fazer frente a repress\u00e3o \u00e9 a for\u00e7a das massas nas ruas. Precisamos avan\u00e7ar!<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">O fim de um ciclo pol\u00edtico denuncia o que est\u00e1 por baixo da superestrutura<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">A vit\u00f3ria de Macri expressa um movimento na superestrutura pol\u00edtica que est\u00e1 presente na Am\u00e9rica Latina de conjunto e que denuncia dificuldades concretas da reprodu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sistema capitalista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A queda no pre\u00e7o geral das mat\u00e9rias-primas e a consequente diminui\u00e7\u00e3o das receitas nas economias perif\u00e9ricas representou o fim de uma conjuntura favor\u00e1vel para os governos dos pa\u00edses que se colocam na economia mundial fundamentalmente como produtores de mat\u00e9rias-primas. Com isso, as contradi\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 forma de reprodu\u00e7\u00e3o do capital se colocam mais \u00e0s claras e com mais for\u00e7a. A disputa entre fra\u00e7\u00f5es da classe dominante se acirra, favorecendo o retorno ao governo de falsas alternativas diferentes e mais conservadoras do que aquelas que ocupavam o governo anteriormente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A volta \u00e0 normalidade neoliberal e conservadora se coloca na Argentina portanto como parte de um todo. A conjuntura vista nos pa\u00edses perif\u00e9ricos tem demonstrado qual a resposta atual da burguesia para um momento de acirramento das contradi\u00e7\u00f5es capitalistas: ou assumem governos da direita conservadora ou as burocracias reformistas se direitizam para responder rapidamente aos interesses dos setores mais influentes da burguesia. O fim desses ciclos pol\u00edticos em que prevaleceram os projetos reformistas, neodesenvolvimentistas ou de cunho \u201cdemocr\u00e1tico-popular\u201d, como se queira chamar, deixa li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Na superestrutura, uma gama de propostas pol\u00edticas que n\u00e3o se propoem uma ruptura revolucion\u00e1ria com o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Na estrutura um sistema com p\u00e9s de barro, incapaz manter a sociedade de p\u00e9 produzindo para satisfazer ao menos as necessidades m\u00ednimas dos trabalhadores. A amea\u00e7a da crise capitalista \u00e9 mundial e o inimigo \u00e9 um s\u00f3, o capital. Para derrot\u00e1-lo \u00e9 obrigat\u00f3rio que derrotemos a patronal por todo o globo. A cada ataque que os patr\u00f5es ousam desferir contra n\u00f3s, precisamos responder \u00e0 altura. Unidade internacional dos trabalhadores contra os ataques da patronal! N\u00e3o recuar frente ao avan\u00e7o da\u00a0repress\u00e3o!\u00a0Avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o das paralisa\u00e7\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es e greves, independentes dos governos e patr\u00f5es! Rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da\u00a0\u00fanica sa\u00edda\u00a0para a crise capitalista:\u00a0a ruptura revolucion\u00e1ria!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classe trabalhadora argentina inicia 2016 sob duros ataques da patronal por meio de seu novo governo. A vit\u00f3ria de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4560,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4559"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4559"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5995,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4559\/revisions\/5995"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}