{"id":46,"date":"2008-12-13T16:25:16","date_gmt":"2008-12-13T16:25:16","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/46"},"modified":"2018-05-04T21:49:20","modified_gmt":"2018-05-05T00:49:20","slug":"a-fantastica-fabrica-de-chocolates-ou-a-infancia-empacotada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/a-fantastica-fabrica-de-chocolates-ou-a-infancia-empacotada\/","title":{"rendered":"&#8220;A Fant\u00e1stica F\u00e1brica de Chocolates&#8221; ou a inf\u00e2ncia empacotada"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>A FANT\u00c1STICA F\u00c1BRICA DE CHOCOLATES, OU A INF\u00c2NCIA EMPACOTADA<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cA fant\u00e1stica f\u00e1brica de chocolate\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Nome original: Charlie and the Chocolate Factory<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Tim Burton<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Roteiro: Roald Dahl, John August<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, Dadiv Kelly, Helena Bonham Carter, Noah Taylor, Missi Pyle, James Fox, Deep Roy, Christopher Lee, Adam Godley, Franziska Troegner, AnnaSophia Robb, Julia Winter, Jordan Fry, Philip Wiegratz<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: aventura, com\u00e9dia, fam\u00edlia, fantasia<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas raras vezes em que membros do antigo conselho do Duplipensar.net puderam se encontrar pessoalmente, entre milh\u00f5es de assuntos, a conversa invariavelmente vinha a fazer uma parada no t\u00f3pico \u201creminisc\u00eancias de inf\u00e2ncia\u201d. E dentre as reminisc\u00eancias destacadas invariavelmente vinha \u00e0 tona a vers\u00e3o dos anos 70 da \u201cFant\u00e1stica f\u00e1brica de chocolates\u201d. Nesses momentos, este escriba era obrigado a conter-se e desconversar, encabulado, por nunca ter visto o filme. O que \u00e9 injustific\u00e1vel, em face da diferen\u00e7a de idade quase insignificante dentro do grupo. Esse \u201ccl\u00e1ssico da sess\u00e3o da tarde\u201d, o filme da inf\u00e2ncia de muita gente (entre os quais, ao que tudo indica, meus colegas membros do Conselho), constitui mais uma das imperdo\u00e1veis lacunas da cultura cinematogr\u00e1fica deste que vos escreve.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A observa\u00e7\u00e3o mais intrigante guardada dessas conversas era a sagaz conclus\u00e3o, anunciada triunfalmente em tom perempt\u00f3rio: \u201cos oompa-loompas s\u00e3o imigrantes ilegais!\u201d Tal observa\u00e7\u00e3o dos colegas foi guardada para averigua\u00e7\u00e3o, para ser ratificada assim que se pudesse ver o tal filme. Na falta dessa oportunidade, eis que a curiosidade p\u00f4de ser saciada com a nova vers\u00e3o da hist\u00f3ria, apresentada pelo diretor Tim Burton. Na impossibilidade de cotejar este filme com a vers\u00e3o anterior (e muito menos com o livro de onde ambos se originaram), n\u00e3o acrescenta muito repetir aqui o que o conjunto da cr\u00edtica tem dito, que vai na dire\u00e7\u00e3o de que a nova vers\u00e3o \u00e9 mais fiel ao livro. \u00c9 mais produtivo ater-se ao registro pessoal, que leva a endossar a conclus\u00e3o de que sim, de fato, os oompa-loompas s\u00e3o imigrantes ilegais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta linha de interpreta\u00e7\u00e3o, a \u201cFant\u00e1stica f\u00e1brica\u201d de Tim Burton traz algumas li\u00e7\u00f5es interessantes sobre a din\u00e2mica do capitalismo contempor\u00e2neo. Nas primeiras cenas, temos o cen\u00e1rio da Inglaterra dos anos 70, em processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o. As economias dos pa\u00edses centrais do capitalismo deixavam de ter seu centro nas f\u00e1bricas e passavam para os servi\u00e7os. A produ\u00e7\u00e3o como tal era terceirizada geograficamente, ou seja, deslocada para os pa\u00edses perif\u00e9ricos, como os chamados tigres asi\u00e1ticos e os sul-americanos. Em certo momento, Willy Wonka demite seus empregados ingleses, mas curiosamente, a f\u00e1brica continua funcionando.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 a\u00ed que entram os oompa-loompas. Assim como os rob\u00f4s, que tiram o emprego do pai do protagonista Charlie Bucket, os trabalhadores ilegais, dispon\u00edveis em abund\u00e2ncia devido ao \u00eaxodo dos pa\u00edses miser\u00e1veis, contratados por sal\u00e1rios irris\u00f3rios e desprovidos de direitos, s\u00e3o a nova fonte de mais-valia inesgot\u00e1vel do capitalismo p\u00f3s-moderno. Willy Wonka n\u00e3o transfere sua f\u00e1brica para o Brasil, ele transfere os oompa-loompas para Londres. O pai de Mike TV, professor de geografia, replica que n\u00e3o existe uma Loompal\u00e2ndia, ao que Wonka responde com indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Do ponto de vista do capit\u00e3o de ind\u00fastria, o prot\u00f3tipo do burgu\u00eas cl\u00e1ssico do Capital de Marx, os povos b\u00e1rbaros s\u00e3o todos inferiores e intercambi\u00e1veis, inclusive min\u00fasculos em estatura, pois s\u00f3 existem como fonte de for\u00e7a de trabalho. Willy Wonka n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, um capit\u00e3o de ind\u00fastria cl\u00e1ssico, j\u00e1 que pertence a um per\u00edodo mais \u201cp\u00f3s-moderno\u201d. N\u00e3o sem certa raz\u00e3o, os cr\u00edticos quiseram comparar o Wonka de Johny Depp, com seus efeminados trejeitos e falsetes, a esse peculiar exemplar de aberra\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna, o mais do que exc\u00eantrico soberano de \u201cNeverland\u201d, Michael Jackson. Ao que Depp e Tim Burton replicaram, com ironia, lembrando que Wonka, ao contr\u00e1rio de Jackson, odeia crian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Wonka odeia crian\u00e7as, mas sabe ganhar dinheiro com elas. A promo\u00e7\u00e3o que esconde cinco convites para um tour pela f\u00e1brica em barras de chocolate Wonka \u00e9 um sucesso mundial. As cinco crian\u00e7as escolhidas pelo acaso (ou nem tanto) de comprarem a barra de chocolate premiada ter\u00e3o direito a um passeio pela f\u00e1brica, com um adulto respons\u00e1vel como acompanhante. Em tempos de \u201cBig Brother Brasil\u201d e outros concursos para celebridades instant\u00e2neas, a l\u00f3gica de um concurso ao final do qual uma das crian\u00e7as ser\u00e1 premiada com um presente especial, \u00e9 j\u00e1 algo bastante familiar para audi\u00eancia. Na \u00e9poca do livro e do primeiro filme, esse tipo de evento devia aparecer como uma excitante novidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">No passeio pela f\u00e1brica, o que menos importa \u00e9 o conhecimento do processo real de como se produz chocolate. O que esta f\u00e1bula da produ\u00e7\u00e3o capitalista revela n\u00e3o \u00e9 o segredo da mais-valia, mas o mecanismo de sua oculta\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s da ideologia. O segredo da produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 manter a produ\u00e7\u00e3o em segredo. Na sociedade do espet\u00e1culo, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe. Os produtos surgem prontos nos supermercados. Eles brotam empacotados e reluzentes nas prateleiras, aptos a fornecer todos os prazeres e realizar todos os sonhos. As engrenagens que movem o mundo s\u00e3o as da psicologia e da publicidade, n\u00e3o da engenharia e da mec\u00e2nica. A propaganda n\u00e3o \u00e9 apenas a alma do neg\u00f3cio, \u00e9 o pr\u00f3prio neg\u00f3cio. A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo, querer \u00e9 poder.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A dial\u00e9tica da oculta\u00e7\u00e3o se manifesta na overdose da exibi\u00e7\u00e3o. O chocolate da fant\u00e1stica f\u00e1brica jorra de uma cachoeira, para fluir por um bosque onde tudo \u00e9 comest\u00edvel. Da\u00ed somos conduzidos pelos oompa-loompas para os cen\u00e1rios mais improv\u00e1veis e agraciados com os mais impag\u00e1veis n\u00fameros musicais. Nesta requintada receita cinematogr\u00e1fica junta-se a capacidade tecnol\u00f3gica do cinema atual de realizar as mais insanas fantasias visuais com o talento imaginativo de um diretor bastante peculiar, acrescida da comprovada compet\u00eancia da j\u00e1 tradicional equipe que o cerca; tudo isso a servi\u00e7o das id\u00e9ias cr\u00edticas de um livro vision\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Toda essa exuber\u00e2ncia visual est\u00e1 a servi\u00e7o de um experimento, destinado a provar qual das crian\u00e7as \u00e9 merecedora da heran\u00e7a de Wonka. Nesse experimento fracassam sucessivamente os concorrentes que apresentam as fraquezas morais que o fabulista liter\u00e1rio deseja criticar. Nesse conjunto de fraquezas est\u00e1 um invent\u00e1rio das amea\u00e7as que cercam a inf\u00e2ncia: a gula, o mimo excessivo de pais que satisfazem todas as vontades (pelo menos os que podem pagar por isso), o esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o, a hipnose da televis\u00e3o (bem como videogames ou internet). As crian\u00e7as que apresentam esses defeitos s\u00e3o sucessivamente castigadas pelos meios mais bizarros e exclu\u00eddas da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nessa sele\u00e7\u00e3o do vencedor est\u00e1 a ess\u00eancia do filme, a li\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria pretende ensinar. O vencedor da competi\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente aquele que \u00e9 apresentado logo no come\u00e7o como algu\u00e9m sem nenhuma qualidade especial: nem mais bonito, nem mais inteligente, nem mais habilidoso que qualquer crian\u00e7a. A \u00fanica qualidade de Charlie Bucket \u00e9 a de ser apegado a sua fam\u00edlia. Nesse momento, h\u00e1 um curto-circuito: o filme prop\u00f5e uma abordagem levemente cr\u00edtica da aliena\u00e7\u00e3o mercantilista da sociedade contempor\u00e2nea, ao mesmo tempo em que tenta reabilitar a fam\u00edlia como um pilar para valores morais positivos? H\u00e1 a\u00ed uma contradi\u00e7\u00e3o aparente. Nas d\u00e9cadas em que o livro e o filme original foram concebidos, ser cr\u00edtico era ser contra a fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na virada dos anos 70, a cr\u00edtica \u00e0 fam\u00edlia era uma atitude progressista. A fam\u00edlia era mais uma das institui\u00e7\u00f5es da sociedade burguesa-ocidental-crist\u00e3-patriarcal a ser demolida pelos ventos libert\u00e1rios da contracultura e da revolu\u00e7\u00e3o dos costumes. O p\u00e1trio poder dos pais sobre os filhos era o prot\u00f3tipo de onde derivavam todas as formas de poder autorit\u00e1rio: o do professor, do patr\u00e3o, do padre, do policial, do governante, etc. Estava em voga a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens, assim como a dos jovens, adolescentes e crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos pais. Essa cr\u00edtica guarda ainda hoje algo de sua validade, mas ela precisa ser relativizada e contextualizada. A fam\u00edlia nuclear burguesa permanece um mito a ser desconstru\u00eddo e substitu\u00eddo por rela\u00e7\u00f5es mais aut\u00eanticas, pautadas em compreens\u00e3o e afeto. As crian\u00e7as moralmente degradadas do filme s\u00e3o justamente as v\u00edtimas desse modelo de fam\u00edlia opressivo e asfixiante.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto, onde a fam\u00edlia tradicional opressiva entrou em decomposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi por escolha consciente e emancipada dos seus membros, mas por uma degenera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia. Nos pa\u00edses pobres e nas fam\u00edlias prolet\u00e1rias, como os Buckets do filme, a sobreviv\u00eancia da fam\u00edlia como institui\u00e7\u00e3o \u00e9 em certos casos um fator positivo de estrutura\u00e7\u00e3o que impede a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia de derivarem sem rumo para a ociosidade, a mendic\u00e2ncia, e o crime. A fam\u00edlia, quando estruturada, mant\u00e9m liames b\u00e1sicos do indiv\u00edduo com certas promessas civilizat\u00f3rias, como educa\u00e7\u00e3o e emprego. Quando esses liames se rompem, o indiv\u00edduo n\u00e3o encontra autonomia e sim barb\u00e1rie.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os Buckets do filme s\u00e3o um exemplo de fam\u00edlia estruturada, pois o pequeno Charlie convive n\u00e3o apenas com seus pais, mas tamb\u00e9m com seus av\u00f3s paternos e maternos. \u00c9 claro que se trata de uma f\u00e1bula, que carrega nas cores emocionais, mostrando uma pobreza est\u00f3ica e enobrecedora (e velhinhos ador\u00e1veis e divertidos), mas o que importa \u00e9 o modelo. Ao escolher o vencedor, Willy Wonka escolhe quem teve aquilo que ele pr\u00f3prio n\u00e3o teve, uma fam\u00edlia afetuosa. Como se trata de uma f\u00e1bula, repetimos, tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o para que o fabricante de doces se reconcilie com seu pai dentista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que fica, al\u00e9m do final feliz (e do del\u00edrio visual) \u00e9 um retrato bastante fiel dos perigos que cercam a inf\u00e2ncia na nossa \u00e9poca, t\u00e3o profundos e disseminados quanto o gosto por chocolate e o corol\u00e1rio que o acompanha, as inevit\u00e1veis c\u00e1ries&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">20\/07\/2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">P.S. Finalmente est\u00e1 explicado o misterioso mon\u00f3lito negro de \u201c2001\u201d!<span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial;\"> &lt;br&gt;&lt;br&gt;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>A FANT&Aacute;STICA F&Aacute;BRICA DE CHOCOLATES, OU A INF&Acirc;NCIA EMPACOTADA<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;A fant&aacute;stica f&aacute;brica de chocolate&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6136,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46\/revisions\/6136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}