{"id":4698,"date":"2016-06-22T13:38:00","date_gmt":"2016-06-22T16:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4698"},"modified":"2018-05-01T00:38:29","modified_gmt":"2018-05-01T03:38:29","slug":"jornal-90-america-latina-a-volta-a-normalidade-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/06\/jornal-90-america-latina-a-volta-a-normalidade-neoliberal\/","title":{"rendered":"Jornal 90: Am\u00e9rica Latina: a volta \u00e0 \u201cnormalidade neoliberal\u201d"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- p { margin-bottom: 0.1in; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: left; orphans: 2; widows: 2; }p.western { font-family: \"Calibri\",serif; font-size: 11pt; }p.cjk { font-family: \"Calibri\"; font-size: 11pt; }p.ctl { font-family: \"Calibri\"; font-size: 11pt; } --><\/style>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Passados 15 anos de governos ditos \u201cprogressistas\u201d ou neopopulistas na Am\u00e9rica Latina, eis que presenciamos o retorno da chamada \u201cnormalidade neoliberal\u201d.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/5.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4699 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/5-243x300.jpg\" alt=\"5\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/5-243x300.jpg 243w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/5.jpg 646w\" sizes=\"(max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios pa\u00edses de grande influ\u00eancia econ\u00f4mica fizeram parte desse processo: Venezuela com Ch\u00e1vez, Argentina com o casal Kirchner, Bol\u00edvia com Evo Morales, Equador com Rafael Correa, Chile com Michelle Bachelet, Brasil com Lula (e depois Dilma), Paraguai com Fernando Lugo, Honduras com Zelaya e Nicar\u00e1gua com Daniel Ortega.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Sobretudo nos in\u00edcios de seus mandatos, esses governos eram vistos (cada qual \u00e0 sua maneira) como supostos agentes de rupturas, alternativos aos governos neoliberais. Foram tomados, ent\u00e3o, como um contraponto aos governos de duas d\u00e9cadas anteriores \u2013 que tinham desferido dur\u00edssimos ataques aos trabalhadores e aos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, contribu\u00eddo para aumentar o desemprego, al\u00e9m de desregulamentar a economia e privatizar os recursos naturais e empresas estatais (muitas vezes com contratos fraudulentos e extremamente prejudiciais para suas popula\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Naquele per\u00edodo, o impulso ao cr\u00e9dito f\u00e1cil e a juros baixos nos EUA e na Europa, o deslocamento de in\u00fameras empresas para a China, \u00cdndia e outras economias faziam com que o crescimento econ\u00f4mico mundial se desse atrav\u00e9s de taxas elevadas. A China crescia de forma muito acelerada.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Fosse a partir de rebeli\u00f5es sociais, ou em preven\u00e7\u00e3o a elas, setores das burocracias de Estado, ligadas ou n\u00e3o, ao movimentos sindicais, aliadas com setores da burguesia interna mais ligados \u00e0s mat\u00e9rias-primas (agroneg\u00f3cio, exportadores de min\u00e9rios etc.), respaldaram-se em setores de massas que, desgastados com tantos anos de ataques neoliberais, vislumbravam a possibilidade de alavancar suas condi\u00e7\u00f5es sociais. Vemos, assim, que foram setores sociais que viam interesses comuns que conduziram, ou apoiaram, a ascens\u00e3o desses governos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">De nossa parte, nunca nutrimos ilus\u00f5es de que os chamados governos chavistas (ou os demais que, de alguma maneira, surgiram em sua esteira) fossem socialistas ou revolucion\u00e1rios, mas governos nacionalistas burgueses (no caso de seus expoentes mais radicalizados, como na Venezuela, Bol\u00edvia e Equador).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Dirigidos por burocracias de Estado e setores m\u00e9dios da sociedade (e aliados a setores da burguesia e pequena burguesia de seus pa\u00edses), esses governos n\u00e3os se propunham a romper, de fato, com os limites do capitalismo, recusando-se de fato a avan\u00e7ar em um poder dos trabalhadores e na expropria\u00e7\u00e3o da burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Devido aos limites colocados pela pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o atual do capitalismo mundializado, apont\u00e1vamos que n\u00e3o seria poss\u00edvel sequer manter projetos emancipadores sem a ruptura com 1) o capitalismo, 2) o mecanismo da d\u00edvida e 3) a ruptura com o imperialismo, num regime de democracia oper\u00e1ria (que nenhum desses governos se propunha).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Hoje \u00e9 vis\u00edvel que, apesar de escaramu\u00e7as e enfrentamentos pontuais e parciais desses governos com o imperialismo, n\u00e3o houve uma ruptura, ou mesmo redu\u00e7\u00e3o, da depend\u00eancia estrutural desses pa\u00edses. Consolidou-se a conforma\u00e7\u00e3o a um papel de fornecedor de mat\u00e9rias-primas e alimentos na divis\u00e3o internacional do trabalho, que retoma a sua antiga fun\u00e7\u00e3o da \u00e9poca colonial como produtores de mat\u00e9rias-primas e consumidores de produtos industrializados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo em que houve o boom do valor das mat\u00e9rias-primas e alimentos propiciou as condi\u00e7\u00f5es objetivas para esses governos realizarem projetos sociais e pol\u00edticos (maiores ou menores a depender de cada pa\u00eds) que, mantendo (e at\u00e9 aumentando) a lucratividade do empresariado, permitiu alguma interven\u00e7\u00e3o do Estado no sentido de direcionar parte (sempre muito menor que a do empresariado) para os trabalhadores \u2013 particularmente os setores mais precarizados, como forma de mant\u00ea-los sob controle.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Esses governos puderam se aproveitar de um contexto, at\u00e9 certo ponto excepcional, para realizar algumas reformas que trouxessem avan\u00e7os democr\u00e1ticos m\u00ednimos. Mas, ao n\u00e3o serem estruturados em uma mudan\u00e7a social de fato, agora s\u00e3o pass\u00edveis de questionamento e revers\u00e3o \u00e0 medida em que a burguesia busca retomar de forma direta e mais incisiva a gest\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Venezuela e Bol\u00edvia: o modelo chavista<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">O setor mais avan\u00e7ado desse projeto foi, sem d\u00favida, o chavismo (na Venezuela) que, depois de reaver o controle estatal sobre a gigante do petr\u00f3leo PDVSA, p\u00f4de se apoiar no pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo a 120 d\u00f3lares para realizar um conjunto de reformas e pol\u00edticas sociais na Venezuela que serviram de modelo para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Na Bol\u00edvia, Evo Morales (pressionado pela rebeli\u00e3o dos mineiros e demais setores ind\u00edgenas e populares) avan\u00e7ou para um controle sobre as reservas de g\u00e1s e uma renegocia\u00e7\u00e3o dos contratos. No Chile e no Equador a busca se deu por um maior controle das reservas de cobre.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na Argentina e Brasil, os governos puderam se apoiar na agricultura de exporta\u00e7\u00e3o (agroneg\u00f3cio) e, no caso do Brasil, na exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios. Empresas privadas conseguiram lucrar muito mais. Como a economia estava em crescimento, uma parte ainda que menor dos seus lucros podiam ser utilizadas para realizar programas sociais. Na esteira do crescimento econ\u00f4mico e das pol\u00edticas sociais houve tamb\u00e9m o avan\u00e7o de movimentos raciais, de g\u00eanero, LGBT e outros.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Durante esse per\u00edodo houve golpes (como o que retirou Chaves), mas que acabou sendo revertido pela mobiliza\u00e7\u00e3o popular. No caso de Evo Morales, ocorreram amea\u00e7as de greves de policiais e um constante trabalho da m\u00eddia para criar condi\u00e7\u00f5es para a retirada desses governos (e pelo retorno \u00e0 normalidade neoliberal). Da mesma forma se deu em todos os demais pa\u00edses, mesmo que fossem arremedos do chavismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">O Brasil dentro disso<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o processo se deu de forma diferente, pois foi um dos pa\u00edses em que menos enfrentamentos houve com a burguesia. Ao contr\u00e1rio, a elei\u00e7\u00e3o de Lula em 2002 foi bem aceita, uma vez que sua vit\u00f3ria era entendida como mal menor, frente a possibilidade de uma rebeli\u00e3o social da qual surgiam sintomas. Al\u00e9m disso Lula\/PT se comprometia abertamente com a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura e os interesses maiores do capital com a Carta ao Povo Brasileiro (na verdade \u201cCarta aos Banqueiros\u201d). Mesmo assim, desde 2005 a burguesia passa a colocar limites para o prosseguimento do projeto e, ent\u00e3o, come\u00e7am as den\u00fancias sobre o mensal\u00e3o, em que o PT tem presas todas as suas principais lideran\u00e7as (Jos\u00e9 Dirceu, Geno\u00edno, Palocci etc.). \u00c9 o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o de desgaste, que, al\u00e9m de enfraquecer o governo petista, cria as condi\u00e7\u00f5es para, em algum momento, poder fazer retornar a \u201cnormalidade liberal\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">A crise de 2008: Fim das condi\u00e7\u00f5es materiais para os governos chavistas e afins<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">A partir de 2008, a crise mundial provoca um choque dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, trazendo o recrudescimento da situa\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses. Temos a tentativa de Golpe na Bol\u00edvia contra Evo Morales pela burguesia da regi\u00e3o da Meia Luna e a Greve das Pol\u00edcias contra Rafael Correa. Na Argentina uma rebeli\u00e3o de camponeses dirigida pelos grandes fazendeiros contra o governo de Cristina Kirchner mostrou a disposi\u00e7\u00e3o da direita em realizar movimentos que mobilizassem a classe media como massa de manobra da burguesia. O Golpe em Honduras foi justamente o an\u00fancio de que a burguesia visava parar ali o movimento de expans\u00e3o desses governos de inspira\u00e7\u00e3o chavista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s 2009, a tend\u00eancia de decl\u00ednio das commodities se mant\u00e9m<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">A burguesia mundial e os gestores do capital (os estados nacionais) conseguiram contornar a \u00faltima grande eclos\u00e3o da crise estrutural, que ocorreu em 2008, a partir de uma megaopera\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o dos bancos, fundos de pens\u00f5es e empresas por parte dos principais estados nacionais. Essa megaopera\u00e7\u00e3o significou, segundo alguns analistas, o despejo de mais de 12 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, parte importante que foram incorporados \u00e0s d\u00edvidas dos estados nacionais. Desse modo, responderam com pol\u00edticas antic\u00edclicas, conseguindo naquele momento relan\u00e7ar suas economias.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">As tens\u00f5es seguiram aumentando pois, embora tenha se evitado a completa depress\u00e3o da economia mundial, o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o recuperou mais os patamares anteriores e, portanto, houve uma queda no pre\u00e7o das mat\u00e9rias-primas e alimentos, fazendo com que as condi\u00e7\u00f5es objetivas dos governos chavistas (e os demais, de concilia\u00e7\u00e3o) fossem se esvaindo. Ao mesmo tempo, o aumento da competitividade em n\u00edvel internacional fez com a que soasse o sinal que uma ofensiva burguesa rumo ao retorno \u00e0 \u201cnormalidade neoliberal\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Am\u00e9rica Latina \u2013 Queda Acentuada do Crescimento Econ\u00f4mico<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Logo a seguir, ocorre o Golpe Institucional no Paraguai que derrubou Fernando Lugo (2012). Esse processou conseguiu \u201clegitimidade\u201d por meio de elei\u00e7\u00f5es fraudulentas para implantar medidas antioper\u00e1rias e antipopulares.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">A partir de 2013 vemos um acirramento dessas tend\u00eancias. Os governos da regi\u00e3o n\u00e3o conseguem mais sequer manter seus or\u00e7amentos e passam a acumular d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios e, portanto, a provocar a ruptura do setor que ainda os respaldava (o capital financeiro). No Brasil ocorrem os julgamentos do Mensal\u00e3o em que as lideran\u00e7as petistas s\u00e3o condenadas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Os projetos reformistas, de setores m\u00e9dios (como a burocracias de Estado e das for\u00e7as armadas) que visavam a redistribui\u00e7\u00e3o de uma parte da renda excedente, n\u00e3o alteraram a rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o entre as classes. \u00c0 parte algumas nacionaliza\u00e7\u00f5es, a estrutura social de classes e a absurda desigualdade permaneceram quase as mesmas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Vit\u00f3ria de Macri, derrota de Evo e crise do governo Maduro<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Nesse marco, os \u00faltimos acontecimentos apontam para mudan\u00e7as na Argentina, em que o candidato neoliberal \u201cpuro sangue\u201d \u2013 Mauricio Macri \u2013 venceu as elei\u00e7\u00f5es a j\u00e1 aplica um duro receitu\u00e1rio retr\u00f3grado contra os trabalhadores. No Brasil, vimos for\u00e7as de direita e ultradireita se articularem para depor a presidenta Dilma e avan\u00e7ar na agenda reacion\u00e1ria contra a classe trabalhadora. Na Bol\u00edvia, Evo Morales perdeu o referendo para que pudesse se candidatar novamente e, sem a sua participa\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, aumenta-se a possibilidade de que a direita \u201cpura e dura\u201d possa voltar.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Na Venezuela, vemos a crise do governo Maduro, que enfrenta um lockout patronal e uma campanha golpista da m\u00eddia, al\u00e9m de uma Assembleia Nacional em que a oposi\u00e7\u00e3o de direita \u00e9 maioria e est\u00e1 buscando todos os meios para enfraquecimento, desestabiliza\u00e7\u00e3o e deposi\u00e7\u00e3o do governo Maduro.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Contra qualquer Golpe! Nenhuma defesa dos governos de concilia\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Por uma alternativa independente, revolucion\u00e1ria dos trabalhadores!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Isso mostra que esses governos, por seu car\u00e1ter de classe pequeno burocr\u00e1tico-burgu\u00eas, n\u00e3o eram e n\u00e3o s\u00e3o projetos socialistas. Tampouco foram projetos consequentes de enfrentamento ao capital, pois embora tenham feito enfrentamentos parciais ou pontuais com maior ou menor alarde, via de regra, seguiram respeitando os principais pilares da subordina\u00e7\u00e3o de suas economias \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o capitalista, como os pagamentos de d\u00edvidas p\u00fablicas astron\u00f4micas, a manuten\u00e7\u00e3o de modelos econ\u00f4micos pautados na reprimariza\u00e7\u00e3o das economias (com a n\u00e3o-industrializa\u00e7\u00e3o ou mesmo desindustrializa\u00e7\u00e3o), como no caso do Brasil, e a n\u00e3o supera\u00e7\u00e3o das desigualdade real. As pol\u00edticas sociais se mostraram limitadas e pass\u00edveis de cortes ao menor sinal de crise e, a fim e a cabo, a burguesia deteve seu poder econ\u00f4mico (assim como todos os setores que apoiaram o processo de impeachment, que n\u00e3o foram presos, nem julgados). Esses governos tamb\u00e9m mantiveram os meios de comunica\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os da burguesia, que puderam, ent\u00e3o, influenciar e fazer de massa de manobra grande parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o houve uma mudan\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que continuaram funcionando praticamente como antes, permitindo que a burguesia colocasse seus representantes no Congressos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Mas o maior dano foi no campo da consci\u00eancia e refer\u00eancia dos trabalhadores. Como esses setores burocr\u00e1ticos desses governos se coligaram com setores da burguesia interna (e at\u00e9 do imperialismo), n\u00e3o queriam e n\u00e3o podiam mobilizar, nem permitir, a livre organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores sob pena de serem por eles questionados. Contribu\u00edram e provocaram n\u00edtidos retrocessos na consci\u00eancia de classe de luta e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e setores populares, de modo que, hoje, afastam-se das lutas pol\u00edticas ou, em sua maioria, s\u00e3o massa de manobra das oposi\u00e7\u00f5es da direita reacion\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Os setores mais de direita, nessa conjuntura, aproveitam-se do d\u00e9bil quadro da economia (assim como dos casos de corrup\u00e7\u00e3o) para voltar ao poder, seja pela \u201cvia democr\u00e1tica\u201d (elei\u00e7\u00f5es) ou pela via de manobras parlamentares e judiciais ou golpes militares e institucionais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: justify;\">Diante disso, precisamos batalhar pela reconstru\u00e7\u00e3o de uma aut\u00eantica alternativa socialista e revolucion\u00e1ria dos trabalhadores, que tenha, de fato, uma sustenta\u00e7\u00e3o nas lutas contra os ataques da \u201cnormalidade neoliberal\u201d e, ao mesmo tempo, n\u00e3o deposite qualquer esperan\u00e7a na manuten\u00e7\u00e3o, ressurgimento ou reciclagem de projetos conciliadores com o capital, porque \u2013 como cada vez mais se mostra \u2013 sempre levam ao crescimento da direita e extrema direita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 15 anos de governos ditos \u201cprogressistas\u201d ou neopopulistas na Am\u00e9rica Latina, eis que presenciamos o retorno da chamada \u201cnormalidade<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4699,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4698"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4698"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4698\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5990,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4698\/revisions\/5990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}