{"id":4811,"date":"2016-09-10T19:06:16","date_gmt":"2016-09-10T22:06:16","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4811"},"modified":"2016-09-10T19:06:16","modified_gmt":"2016-09-10T22:06:16","slug":"jornal-93-os-impactos-da-reforma-da-previdencia-na-categoria-de-professores-do-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/09\/jornal-93-os-impactos-da-reforma-da-previdencia-na-categoria-de-professores-do-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Jornal 93: Os impactos da reforma da previd\u00eancia na categoria de professores do ensino m\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>Os Professores do ensino b\u00e1sico p\u00fablico brasileiro expostos cotidianamente a condi\u00e7\u00f5es de trabalho adversas, cumprindo jornadas de trabalho exaustivas e, no caso das mulheres, com duplas ou triplas jornadas se deparam agora com mais um brutal ataque as suas aposentadorias.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/4.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4812 alignright\" alt=\"4\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/4-246x300.jpg\" width=\"246\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/4-246x300.jpg 246w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/4.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quase cotidianamente sai na m\u00eddia as poss\u00edveis mudan\u00e7as na Previd\u00eancia Social. Essa Reforma j\u00e1 estava prevista praticamente nos mesmos termos pelo governo Dilma, que acenava com cl\u00e1usulas de transi\u00e7\u00e3o para viabilizar sua aprova\u00e7\u00e3o com menor confronto dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>Temer e sua corja d\u00e3o continuidade e ampliam os efeitos dessa Reforma atingindo a todos de imediato. Os objetivos s\u00e3o: unificar (para pior) as regras dos sistemas de previd\u00eancia p\u00fablica e privada; aumentar o tempo de contribui\u00e7\u00e3o e de idade de aposentadorias, sendo 62 ou 63 anos para as mulheres e 65 para os homens; no caso dos professores do ensino p\u00fablico, ampliar as suas contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias de 11% para 14% de seus sal\u00e1rios e acabar com a aposentadoria especial.<\/p>\n<p>As mulheres, o funcionalismo p\u00fablico e, em especial, a categoria de professores, ser\u00e3o diretamente afetados caso se concretize o que se pretende com a 3\u00aa Reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Alega-se um rombo na Previd\u00eancia, um d\u00e9ficit que se aprofunda a cada ano, o fato de a popula\u00e7\u00e3o brasileira estar envelhecendo e, combinado a isso tudo, adicionam a redu\u00e7\u00e3o da taxa de natalidade.<\/p>\n<h1>Os argumentos para a reforma da previd\u00eancia n\u00e3o se sustentam<\/h1>\n<p>As justificativas para uma nova Reforma da Previd\u00eancia s\u00e3o argumentos que n\u00e3o se sustentam. Comecemos pelo o suposto rombo da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores da Receita Federal, a Previd\u00eancia Social \u00e9 parte integrante da Seguridade Social que \u00e9 composta por um trip\u00e9 formado pela Sa\u00fade, Assist\u00eancia Social e Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>De acordo com essa associa\u00e7\u00e3o, a Previd\u00eancia Social em 2010 teve um super\u00e1vit de R$ 58 bilh\u00f5es, e, nos \u00faltimos 5 anos de R$ 100 bilh\u00f5es em cada ano.<\/p>\n<p>Ainda, segundo a Associa\u00e7\u00e3o dos Auditores da Receita, as contribui\u00e7\u00f5es dos trabalhadores v\u00e3o para a Seguridade Social e n\u00e3o exclusivamente para a Previd\u00eancia (veja na \u00edntegra em: http:\/\/migre.me\/uNelf).<\/p>\n<h1>Querem que trabalhemos at\u00e9 a morte<\/h1>\n<p>Pelos novos c\u00e1lculos de aposentadoria, teremos que trabalhar at\u00e9 a morte para termos direito de se aposentar.<\/p>\n<p>Marcelo Caetano, secret\u00e1rio da Previd\u00eancia Social, escolhido por Henrique Meirelles para comandar a reforma previdenci\u00e1ria sempre cita como exemplo positivo a reforma feita na Gr\u00e9cia, que adotou a idade m\u00ednima de 67 anos para a aposentadoria, 12 anos a mais do que temos no Brasil hoje.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, defende o fim da aposentadoria baseada na quantidade de anos trabalhados, o fim da idade diferenciada para as mulheres se aposentarem e a interrup\u00e7\u00e3o de reajuste para os aposentados com base no sal\u00e1rio m\u00ednimo. J\u00e1 recebeu representantes dos grupos financeiros J.P. Morgan, Santander, Gap Asset Management e banco BBM, o que mostra o interesse desses grupos nas aposentadorias dos brasileiros (Veja Revista do Brasil, 21\/08\/2016).<\/p>\n<p>Em 31\/07\/2016, Padilha, ministro da Casa Civil, um dos respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o de propostas para a Reforma da Previd\u00eancia, apresentou a Temer as propostas em defende que quem tem at\u00e9 50 anos dever\u00e3o ser os mais afetados pelas mudan\u00e7as mais dr\u00e1sticas da Reforma. Quem est\u00e1 acima dessa faixa et\u00e1ria dever\u00e1 cumprir um ped\u00e1gio, ou seja, uma regra de transi\u00e7\u00e3o com um per\u00edodo adicional de 50% a mais sobre o tempo que falta para se aposentar.<\/p>\n<p>Para quem tem mais de 50 anos e falte apenas 04 anos para se aposentar ser\u00e3o acrescidos 50%, ou seja, mais 02 anos totalizando 06 anos.<\/p>\n<p>Pa\u00edses, como a Alemanha, que t\u00eam essa idade m\u00ednima para a aposentadoria (67 anos), os jovens trabalhadores come\u00e7am a trabalhar entre 20 e 25 anos de idade, sendo alguns deles at\u00e9 pr\u00f3ximo dos 30 anos, ap\u00f3s conclu\u00edrem um curso universit\u00e1rio. Realidade bem diversa da nossa, onde come\u00e7amos a trabalhar na adolesc\u00eancia, sendo alguns de n\u00f3s na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a m\u00e9dia de idade, al\u00e9m da qualidade de vida, desses pa\u00edses em que os trabalhadores se aposentam ap\u00f3s os 67 anos, de acordo com o \u00faltimo levantamento da OMS, est\u00e3o muito acima da nossa. Vejam:<\/p>\n<p>Jap\u00e3o: 83,7 anos de m\u00e9dia; Su\u00ed\u00e7a: 83,4 anos; Cingapura: 83,1; Austr\u00e1lia e Espanha: 82,8; It\u00e1lia: 82,7; Isl\u00e2ndia: 82,7; Israel: 82,5; Fran\u00e7a: 82,4; Su\u00e9cia: 82,4; Coreia do Sul: 82,3 e Canad\u00e1: 82,2 anos.<\/p>\n<p>No Brasil, a m\u00e9dia de idade \u00e9 de 75 anos, sendo menor nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. Al\u00e9m disso, a expectativa de vida dos trabalhadores \u00e9 menor do que a m\u00e9dia geral do pa\u00eds que envolve tamb\u00e9m a classe m\u00e9dia e a burguesia que t\u00eam expectativas de vida mais altas e jogam a m\u00e9dia para cima.<\/p>\n<h1>A realidade dos professores no Brasil<\/h1>\n<p>Pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Estado da Administra\u00e7\u00e3o (Consad) entre 2011 e 2012, divulgada em 2014, envolvendo os estados do Espirito do Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Distrito Federal mostra as Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o como o \u00f3rg\u00e3o com maior percentual de servidores p\u00fablicos afastados no Distrito Federal e em Santa Catarina, enquanto que no Rio Grande do Sul a Educa\u00e7\u00e3o aparece como a \u00e1rea com o terceiro maior \u00edndice de afastamento. (Veja: Ag\u00eancia Brasil 15\/10\/15).<\/p>\n<p>Dados publicados, pelo jornal O Estado de S\u00e3o Paulo a partir das estat\u00edsticas oficiais do governo do estado de S\u00e3o Paulo, apresentam 372 licen\u00e7as m\u00e9dicas de professores por dia sendo que, em 2015, foram cerca de 136 mil afastamentos m\u00e9dicos. De um universo de 220 mil docentes da rede o equivalente a 21,8%, ou seja, 48 mil, estiveram em licen\u00e7a m\u00e9dica pelo menos uma vez. Sendo as principais causas de afastamento o transtorno mental e comportamental, respons\u00e1veis por 27,8% dos casos\u00a0(O Estado de S. Paulo, 24 mar\u00e7o 2016). Ainda nessa publica\u00e7\u00e3o, temos os seguintes pareceres:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma categoria que precisa lidar com uma demanda grande de trabalho e muitas vezes trabalha em mais de uma escola. Precisam procurar dois empregos para ter aumento de renda e assim sustentar a fam\u00edlia\u201d, avalia Claudia Roberta Moreno, especialista em psicologia do trabalho da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).\u00a0 A desilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos resultados do trabalho tamb\u00e9m compromete a sa\u00fade. \u201cH\u00e1 um sentimento de impot\u00eancia, de perseguir uma meta que nunca \u00e9 alcan\u00e7ada\u201d, afirma Aparecida N\u00e9ri Souza, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), realizada pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) e coordenada no Brasil pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), publicada em 2014, o professor t\u00edpico brasileiro \u00e9 mulher (71%), tem 39 anos de idade. O que mostra que n\u00f3s professores estaremos entre os mais afetados pela Reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Os professores brasileiros est\u00e3o entre os que passam o maior n\u00famero de horas por semana ensinando: 25 horas semanais, 6 horas a mais do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses da Talis. Essa realidade dos professores reduz e muito a m\u00e9dia de idade dessa categoria.<\/p>\n<p>Se hoje com as regras atuais os professores do ensino b\u00e1sico usufruem muito pouco de suas aposentadorias, imaginem com as novas mudan\u00e7as?<\/p>\n<h1>N\u00e3o podemos trabalhar at\u00e9 a morte! Para reverter isso pensamos ser necess\u00e1rio:<\/h1>\n<p>&#8211; Unificar as Lutas Educacionais com uma Campanha Em Defesa da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica!<\/p>\n<p>&#8211; Unificar os professores das redes de ensino p\u00fablico \u2013 municipais, estaduais e outras \u2013 e demais trabalhadores contra a Reforma da Previd\u00eancia!<\/p>\n<p>&#8211; Construir a Greve Geral Contra os Ataques da patronal e do Governo Temer!<\/p>\n<p>&#8211; Por um Encontro Nacional de Trabalhadores e Ativistas precedido de Plen\u00e1rias Regionais e de Categorias!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Professores do ensino b\u00e1sico p\u00fablico brasileiro expostos cotidianamente a condi\u00e7\u00f5es de trabalho adversas, cumprindo jornadas de trabalho exaustivas e,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4812,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4811"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4811"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4811\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4815,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4811\/revisions\/4815"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}