{"id":4922,"date":"2016-11-06T16:53:23","date_gmt":"2016-11-06T18:53:23","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=4922"},"modified":"2018-04-30T20:45:41","modified_gmt":"2018-04-30T23:45:41","slug":"jornal-95-a-questao-da-organizacao-revolucionaria-e-o-movimento-anarquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2016\/11\/jornal-95-a-questao-da-organizacao-revolucionaria-e-o-movimento-anarquista\/","title":{"rendered":"Jornal 95: A quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e o movimento anarquista"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: right;\">S\u00e9rgio Lessa<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As teorias acerca da organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria aos revolucion\u00e1rios sofrem sempre um forte impacto dos movimentos de massa, principalmente dos que t\u00eam potencial revolucion\u00e1rio, isto \u00e9, que amea\u00e7am a propriedade privada ou, ao menos, os fundamentos das sociedades em que ocorrem.<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/4.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4923 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/4-300x300.jpg\" alt=\"4\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/4-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/4-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/4.jpg 526w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Lembremos, por exemplo, o impacto das Revolu\u00e7\u00f5es de 1848 ou, ainda, ao final do s\u00e9culo 19, do movimento oper\u00e1rio alem\u00e3o (com a legaliza\u00e7\u00e3o dos sindicatos e dos partidos de base oper\u00e1ria) nas formula\u00e7\u00f5es, tanto anarquistas quando de Marx e Engels, sobre as considera\u00e7\u00f5es acerca da transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Ao entrarmos no s\u00e9culo 20, tanto a vit\u00f3ria dos bolcheviques na R\u00fassia, principalmente depois da Guerra Civil de 1918 a 1921, quanto a derrota da revolu\u00e7\u00e3o na Alemanha, produziram v\u00e1rios e importantes textos sobre a quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Ficaram muito conhecidos e exercem influ\u00eancia at\u00e9 hoje as posi\u00e7\u00f5es de Makhno, da Rosa Luxemburgo, de Lenin e de Trotsky.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">J\u00e1 a partir da d\u00e9cada de 1930, com o fortalecimento das revolu\u00e7\u00f5es camponesas na \u00c1sia (a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa e a Revolu\u00e7\u00e3o Vietnamita s\u00e3o as mais importantes, mas h\u00e1 movimentos significativos na \u00cdndia, no Paquist\u00e3o, nas Filipinas, etc.) novas quest\u00f5es s\u00e3o trazidas pelas necessidades pr\u00e1ticas que surgem para organizar o movimento campon\u00eas naquele continente. Nestas mesmas d\u00e9cadas, ainda maior impacto teve o amadurecimento do stalinismo e de sua concep\u00e7\u00e3o centralista de partido.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com a derrocada da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a cada vez maior integra\u00e7\u00e3o da economia chinesa ao mercado mundial, as teses autonomistas, anarquistas e mesmo sociais-democratas voltam a ganhar for\u00e7a e, ao mesmo tempo, v\u00e1rias reavalia\u00e7\u00f5es e mesmos novas tradu\u00e7\u00f5es dos textos de Lenin v\u00eam \u00e0 tona.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para tornar as coisas ainda mais complicadas, as pr\u00f3prias correntes te\u00f3ricas presentes nesse debate se transformaram, por vezes essencialmente, ao longo dos anos. Assim, por exemplo, o significado de ser um \u201cleninista\u201d para um dirigente do PC Chin\u00eas hoje \u00e9 muito diferente do que era para um Lenin ou para um Trotsky dos anos de 1917-20, do que era para um Kropotkin na d\u00e9cada de 1920 ou para um St\u00e1lin na d\u00e9cada de 1940. Falar, assim, de um campo leninista na quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o tornou-se algo muito impreciso: de que \u201cleninismo\u201d se trata?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O mesmo ocorre com o anarquismo. Se descontarmos o stalinismo, o anarquismo \u00e9 a corrente maior e mais importante do movimento oper\u00e1rio do s\u00e9culo 20. Teve papel important\u00edssimo na organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria em quase todo o mundo, dos Estados Unidos ao Brasil, da Bol\u00edvia \u00e0 Europa. A Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola (1936-39), o \u00faltimo grande levante oper\u00e1rio no cen\u00e1rio europeu, n\u00e3o pode ser contada sem se levar em conta a decisiva participa\u00e7\u00e3o dos anarquistas. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds e n\u00e3o h\u00e1 luta oper\u00e1ria importante, dos EUA \u00e0 Argentina, da R\u00fassia czarista ao Jap\u00e3o, que n\u00e3o conte com a participa\u00e7\u00e3o de anarquistas, n\u00e3o raramente com influ\u00eancia not\u00e1vel.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Do mesmo modo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mencionar a luta contra o stalinismo sem considerar a participa\u00e7\u00e3o significativa dos anarquistas, n\u00e3o apenas no mundo todo, mas tamb\u00e9m no interior da pr\u00f3pria URSS. Desde o primeiro momento, os anarquistas estiveram entre os cr\u00edticos frontais da crescente centraliza\u00e7\u00e3o e burocratiza\u00e7\u00e3o presentes no jovem Estado bolchevique \u2013 e o continuaram pelas d\u00e9cadas vindouras (voltaremos a isto logo abaixo).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com o anarquismo temos um fen\u00f4meno semelhante ao que ocorre com o leninismo: suas concep\u00e7\u00f5es acerca da organiza\u00e7\u00e3o v\u00e3o se alterando, n\u00e3o apenas com o tempo, n\u00e3o apenas com as experi\u00eancias de luta, mas tamb\u00e9m com seus pr\u00f3prios debates internos. Se Kropotkin adere \u00e0 contrarrevolu\u00e7\u00e3o no ano de 1917, muitos anarquistas morreram heroicamente defendendo a revolu\u00e7\u00e3o na Guerra Civil de 1918-21 na R\u00fassia. Bakhunin nunca foi uma unanimidade no campo anarquista e sua import\u00e2ncia, grande no s\u00e9culo 19, tende a diminuir com o tempo. Quando os anarquistas se transformam em dirigentes de massas oper\u00e1rias importantes, criam formas de organiza\u00e7\u00e3o que incorporam, em medida muito significativa, a centralidade imprescind\u00edvel a um movimento mais amplo. Hoje, mesmo a avalia\u00e7\u00e3o dos anarquistas acerca do seu pr\u00f3prio movimento possui diverg\u00eancias da maior import\u00e2ncia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Todas estas ressalvas s\u00e3o da maior import\u00e2ncia porque n\u00e3o h\u00e1 nada mais desencaminhador da discuss\u00e3o pol\u00edtica do que uma simplifica\u00e7\u00e3o de um problema complexo: a rela\u00e7\u00e3o dos anarquistas com a quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o nem \u00e9, nele pr\u00f3prio, um tema simples, nem a avalia\u00e7\u00e3o que, por exemplo, os \u201cleninistas\u201d fazem da mesma d\u00e1 conta da seriedade da quest\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Somos, por isto, obrigados a uma forte restri\u00e7\u00e3o do tema para que o assunto possa ser tratado no espa\u00e7o deste artigo. Nem trataremos da evolu\u00e7\u00e3o dos anarquistas, de suas concep\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o nem das cr\u00edticas que receberam ao longo do s\u00e9culo 20, a n\u00e3o ser muito pontualmente. Nosso objeto ser\u00e1, prioritariamente, as concep\u00e7\u00f5es ditas anarquistas, em geral informais, n\u00e3o sistematizadas, por vezes com simplifica\u00e7\u00f5es deformadoras e esquem\u00e1ticas, que tendem a circular entre n\u00f3s neste momento em que as lutas de classe est\u00e3o ainda sob controle quase integral da burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em momentos em que a luta do proletariado n\u00e3o est\u00e1 em ascens\u00e3o, as teorias tendem tamb\u00e9m a n\u00e3o se desenvolverem. \u00c9 muito do que ocorre em nossos dias. Ser\u00e1 a este universo te\u00f3rico pouco elaborado que tentaremos nos dirigir neste artigo.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">O moralismo na quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Marx, Engels, Rosa Luxemburgo e Trotsky, de um lado, e os anarquistas, de outro, na quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o se diferenciaram desde o primeiro momento. Os primeiros tratavam a quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o como uma quest\u00e3o pr\u00e1tica: qual organiza\u00e7\u00e3o era requerida pelas tarefas pol\u00edticas \u00e0 m\u00e3o. Os segundos, revivendo uma tradi\u00e7\u00e3o que vinha dos socialistas ut\u00f3picos, tomavam a organiza\u00e7\u00e3o como a cria\u00e7\u00e3o, no interior da sociedade burguesa, de uma c\u00e9lula da nova sociedade. Para os primeiros, a organiza\u00e7\u00e3o era uma ferramenta pol\u00edtica para destruir a velha sociedade de classes; para os anarquistas, era uma c\u00e9lula da sociedade futura. E, tal como todo embri\u00e3o \u00e9 o fundamento do que ser\u00e1 o organismo quando maduro, essa c\u00e9lula deveria ser portadora das caracter\u00edsticas essenciais da sociedade liberta da opress\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Se a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento pr\u00e1tico da luta imediata, tanto a evolu\u00e7\u00e3o da luta deve conduzir \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es na organiza\u00e7\u00e3o, quanto tamb\u00e9m a vit\u00f3ria dos revolucion\u00e1rios, ao conduzir ao fim da luta de classes, tornaria desnecess\u00e1ria a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios. O partido \u201cleninista\u201d (entre aspas para lembrar da imprecis\u00e3o que o termo adquiriu em nossos dias) deveria desaparecer junto com as classes sociais. Seria, portanto, uma forma de organiza\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, passageira, ainda que da maior import\u00e2ncia para a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Contudo, se a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o germe da futura sociedade liberta, ent\u00e3o ela dever\u00e1 ir se expandindo, suas rela\u00e7\u00f5es libertas devem gradualmente ir superando e substituindo as rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o. Desse modo, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui o car\u00e1ter provis\u00f3rio, passageiro, voltado para o imediato (tal como queriam Lenin e Rosa Luxemburgo, por exemplo), mas \u00e9 pensada como uma estrutura de longo prazo e portadora das novas e libertas caracter\u00edsticas da sociedade futura.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Enquanto para Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburgo e Trotsky a forma da organiza\u00e7\u00e3o, a sele\u00e7\u00e3o dos militantes, a rela\u00e7\u00e3o com o movimento de massas etc. tinha por finalidade primeira acumular revolucionariamente for\u00e7as nas lutas de classe em andamento, para os anarquistas tratava-se de expandir o germe da nova sociedade no interior da sociedade burguesa. Ou seja, para eles, organizar a luta era, imediatamente, tamb\u00e9m organizar a sociedade livre. A forma de se relacionar com o movimento de massas tinha por crit\u00e9rio reproduzir as rela\u00e7\u00f5es de liberdade entre os homens, a sele\u00e7\u00e3o dos membros tinha por crit\u00e9rio, al\u00e9m do pol\u00edtico, a qualidade pessoal, moral e de car\u00e1ter, dos indiv\u00edduos que seriam chamados para compor a nova sociedade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">De um lado, uma ferramenta pol\u00edtica, um instrumento para a luta de classe imediata, de outro lado, o germe pr\u00e1tico e te\u00f3rico, pol\u00edtico e moral de uma nova sociedade liberta da opress\u00e3o. Os pontos de partida n\u00e3o podiam ser mais divergentes e, claro, as diferen\u00e7as te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas se tornaram ainda mais intensas com o avan\u00e7ar dos anos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Por exemplo: um belo agitador oper\u00e1rio, capaz de organizar e mobilizar f\u00e1bricas inteiras para a luta revolucion\u00e1ria, mas um machista empedernido em casa, deve fazer parte do partido revolucion\u00e1rio, ou n\u00e3o? Aos anarquistas, a clara resposta \u00e9 negativa; para Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburgo e Trotsky, a resposta \u00e9 positiva: um belo agitador que se prova leal \u00e0 luta, deveria mesmo subir na estrutura partid\u00e1ria at\u00e9 a dire\u00e7\u00e3o mais geral \u2013 apesar de seu machismo empedernido.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os casos pr\u00e1ticos s\u00e3o muitos para serem sequer mencionados. Basta lembrar que Lenin, casado com Krupskaya, era apaixonado profundamente por Inessa Armand; Trotsky n\u00e3o vacilou em deixar suas filhas com sua esposa na Sib\u00e9ria ao fugir do ex\u00edlio para a Europa, para militar no movimento revolucion\u00e1rio, etc. Os exemplos de revolucion\u00e1rios importantes para a luta com s\u00e9rias \u201cdeforma\u00e7\u00f5es morais\u201d (como diriam os anarquistas) \u00e9 quase infinito. Sem eles, as revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o teriam sido as mesmas, foram eles os l\u00edderes nos quais as massas trabalhadoras depositaram sua confian\u00e7a em momentos chaves da hist\u00f3ria e, contudo, n\u00e3o servem para compor a organiza\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios, segundo os anarquistas, porque \u201cmoralmente imprest\u00e1veis\u201d para a sociedade que se quer construir.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Pelos crit\u00e9rios ditos anarquistas de nossos dias, um Lenin e um Trotsky \u2013 para n\u00e3o mencionar a Marx \u2013 jamais deveriam, por uma defici\u00eancia moral, pertencer \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. As duas posi\u00e7\u00f5es acerca da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderiam ser mais opostas.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Pol\u00edtica e moral<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">No fundo da quest\u00e3o acerca da fun\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria (\u00e9 um instrumento da luta imediata ou \u00e9 a c\u00e9lula da sociedade futura) est\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o liberal burguesa do que \u00e9 a pol\u00edtica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para Lenin, Trotsky e Rosa Luxemburgo, a pol\u00edtica \u00e9 a express\u00e3o, no Estado, do poder econ\u00f4mico da propriedade privada. Por isso, a luta contra a propriedade privada, contra a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, tem que ser a destrui\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desse poder: a destrui\u00e7\u00e3o do Estado e tudo o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio (a burocracia, o Direito, os instrumentos de viol\u00eancia como a pol\u00edcia, o ex\u00e9rcito etc.). E a luta pr\u00e1tica contra a pol\u00edtica tem que ser, necessariamente, uma luta pol\u00edtica, porque a for\u00e7a se combate com for\u00e7a. A pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, por isso, n\u00e3o \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do comunismo, nem presta para isso. A pol\u00edtica revolucion\u00e1ria tem apenas um \u00fanico e exclusivo papel hist\u00f3rico, a destrui\u00e7\u00e3o da sociedade de classes. Apenas serve para destruir o velho, n\u00e3o serve para construir a nova sociedade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O mesmo vale para a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios: tem serventia para a tomada do poder, instituir a Ditadura do Proletariado e dar in\u00edcio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do Estado e da propriedade privada, mas n\u00e3o serve para se construir a nova sociedade comunista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Por isso, a luta pol\u00edtica nem \u00e9 conduzida por valores morais nem por valores \u00e9ticos. Esses podem ter algum papel nas lutas de classe \u2013 e, com frequ\u00eancia, o t\u00eam \u2013 mas a dire\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica brota exclusivamente das necessidades mais imediatas da luta: o que \u00e9 necess\u00e1rio para se vencer o embate \u00e9 o que deve ser feito na esfera da pol\u00edtica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A descoberta de que a pol\u00edtica possui crit\u00e9rios pr\u00f3prios, que a pol\u00edtica n\u00e3o se baseia na moral nem na \u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 de Marx ou de Engels, mas de Maquiavel, o pensador do Renascimento Italiano. Marx e Engels (assim como Lenin, Rosa e Trotsky) apenas incorporaram em suas teorias essa ess\u00eancia da pol\u00edtica: por brotar da propriedade privada, a pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 conduzida nem por valores morais nem por valores \u00e9ticos. Em geral, os anarquistas n\u00e3o concordam com esta mera constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para os anarquistas em geral, a pol\u00edtica ou tem um conte\u00fado moral revolucion\u00e1rio ou \u00e9 contrarrevolucion\u00e1ria. Eles compartilham, nesse particular, com a concep\u00e7\u00e3o burguesa de que a pol\u00edtica \u00e9 a busca do bem comum pela organiza\u00e7\u00e3o da sociedade \u2013 e n\u00e3o a for\u00e7a que brota da riqueza da classe dominante e, por isso, a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios deveria ser o germe da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade liberta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O equ\u00edvoco anarquista est\u00e1 em projetar na pol\u00edtica o que a pol\u00edtica jamais pode ser \u2013 um instrumento para construir a nova sociedade liberta da opress\u00e3o \u2013 e, como consequ\u00eancia, requerem da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica o que ela jamais poder\u00e1 ser, o deposit\u00e1rio dos valores autenticamente humanos e libertos, formada por indiv\u00edduos que encarnam moralmente os valores libert\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u00c9 tamb\u00e9m por esta raz\u00e3o que muitos dos projetos emancipat\u00f3rios de base anarquistas prop\u00f5em comunidades, associa\u00e7\u00f5es, projetos educacionais etc. em que se pretende construir, no interior da sociedade burguesa, um novo homem e uma nova sociedade em escala meramente local. E \u00e9 tamb\u00e9m por isso que algumas varia\u00e7\u00f5es do anarquismo se aproximaram das teses de Henry David Thoreau, Tolstoy e de Gandhi. Em comum a todos eles, a concep\u00e7\u00e3o de que se liberta a humanidade criando entre n\u00f3s pequenas comunidades em que as novas rela\u00e7\u00f5es libertas ser\u00e3o constru\u00eddas sem que, antes, seja preciso destruir o capital.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Teoria revolucion\u00e1ria e anarquismo<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Uma das caracter\u00edsticas do movimento anarquista \u00e9 que sua pr\u00e1tica \u00e9 muito mais significativa para o movimento oper\u00e1rio e revolucion\u00e1rio do que sua produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Se levarmos em considera\u00e7\u00e3o os cl\u00e1ssicos anarquistas, como Bakunin, Makno, Kropotkin, Malatesta etc., o que primeiro chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o ecletismo e a enorme confus\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os principais autores anarquistas, em geral se apropriando de alguns pressupostos do senso comum da ideologia burguesa e em algumas descobertas da ci\u00eancia de seu tempo, com enorme frequ\u00eancia pretendem desenvolver um sistema pr\u00f3prio que seja, ao mesmo tempo, a cr\u00edtica do mundo burgu\u00eas e os fundamentos do mundo liberto. As varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o tantas e as inconsist\u00eancias s\u00e3o tamanhas, que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o aqui sequer para um esbo\u00e7o mais geral do universo te\u00f3rico dos anarquistas. O idealismo e o positivismo s\u00e3o tra\u00e7os muito frequentes.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O fato \u00e9 que o movimento anarquista n\u00e3o conseguiu produzir nenhuma an\u00e1lise sistem\u00e1tica e profunda das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas e das aliena\u00e7\u00f5es que delas brotam. N\u00e3o h\u00e1 contribui\u00e7\u00e3o anarquista importante quando se trata da compreens\u00e3o te\u00f3rica do mundo em que viemos. Nada semelhante a um texto como Imperialismo, etapa superior do capitalismo de Lenin, ou A reprodu\u00e7\u00e3o do capital, de Rosa Luxemburgo ou, ainda, de Para al\u00e9m do capital, de I. M\u00e9sz\u00e1ros \u2013 para n\u00e3o falar de um O Capital, de Marx.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A pobreza te\u00f3rica anarquista faz com que sua prega\u00e7\u00e3o tenha, com enorme frequ\u00eancia, um car\u00e1ter quase religioso: as verdades s\u00e3o repetidas como se fossem auto evidentes e a condena\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, na falta de uma compreens\u00e3o mais aprofundada do que se est\u00e1 criticando, adquire uma entona\u00e7\u00e3o moralista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com isto, a concep\u00e7\u00e3o de que a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria \u00e9 a express\u00e3o da moral da nova sociedade liberta se encontra com a pobreza te\u00f3rica: a condena\u00e7\u00e3o do presente tem um acento moralista que justifica e complementa a tese de que a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e9 tamb\u00e9m o germe moral da sociedade liberta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Concep\u00e7\u00e3o moralista da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, ilus\u00e3o com a possibilidade de a pol\u00edtica servir para construir a sociedade liberta e, por fim, pobreza te\u00f3rica que substitui a cr\u00edtica cient\u00edfico-revolucion\u00e1ria, profunda, da sociedade contempor\u00e2nea, por uma prega\u00e7\u00e3o quase moralista e religiosa s\u00e3o tra\u00e7os bastante comuns entre os anarquistas. Mas h\u00e1 que se ter cuidado com tais generaliza\u00e7\u00f5es, pois o anarquismo abarca uma infinidade de varia\u00e7\u00f5es, como j\u00e1 mencionamos, e n\u00e3o h\u00e1 um conjunto de s\u00f3lidos fundamentos que possa ser tomado como t\u00edpico.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A cr\u00edtica anarquista ao stalinismo<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Os anarquistas que ficaram ao lado da Revolu\u00e7\u00e3o Russa (lembremos que Kropotkin foge da R\u00fassia, apoiando Kerensky, ainda em 1917) possuem o enorme m\u00e9rito de estarem entre os primeiros e mais contundentes cr\u00edticos do que, alguns anos depois, viria a se consolidar como stalinismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Como vimos no Jornal Espa\u00e7o Socialista do m\u00eas passado (n\u00ba 94), j\u00e1 a partir de novembro de 1917 v\u00e1rias medidas v\u00e3o sendo tomadas pelos bolcheviques em rela\u00e7\u00e3o ao controle oper\u00e1rio dos meios de produ\u00e7\u00e3o e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o geral da produ\u00e7\u00e3o que, sob a press\u00e3o da Guerra Civil e, depois, da destrui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dela resultante, terminaram se convertendo na base a partir da qual se desenvolveria o stalinismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Longe de ser um processo linear, como vimos no n\u00famero do Jornal acima mencionado, medidas emergenciais de curto prazo terminaram assumindo um car\u00e1ter estrat\u00e9gico na medida em que a revolu\u00e7\u00e3o ficava isolada na R\u00fassia e, tamb\u00e9m, na medida em que a mis\u00e9ria e a extrema car\u00eancia daqueles anos n\u00e3o permitiam a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nessa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poucos te\u00f3ricos marxistas terminaram no brutal equ\u00edvoco te\u00f3rico de converter necessidade em virtude. Preobrashensky, por exemplo, desenvolveu a teoria da acumula\u00e7\u00e3o primitiva socialista. A car\u00eancia e a mis\u00e9ria russas seriam uma etapa de acumula\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo. Portanto, as medidas tomadas pelo Estado para acumular nele o trabalho excedente eram apresentadas como preparat\u00f3rias do socialismo e, n\u00e3o, como um recuo ante ao capital. A crise que era t\u00e3o aguda que fez o dinheiro desaparecer em v\u00e1rias regi\u00f5es da R\u00fassia. As trocas, ent\u00e3o, retornaram ao seu patamar mais primitivo, o das trocas naturais (isto \u00e9, produto troca-se por produto, sem a media\u00e7\u00e3o do dinheiro). Alguns viram, nesse fato, uma prova de que o mercado estava sendo superado porque o dinheiro estava desaparecendo. Outros, como Bukharin, frente ao atraso tecnol\u00f3gico da R\u00fassia, passaram a pregar que o desenvolvimento t\u00e9cnico era a chave para passagem ao socialismo, fazendo da t\u00e9cnica o motor da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Enfim, n\u00e3o foram poucos os que procuravam enxergar na mis\u00e9ria e na car\u00eancia, na centraliza\u00e7\u00e3o ao redor do partido e do Estado, na repress\u00e3o e na pol\u00edtica secreta, etc. etapas necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o do socialismo. A hist\u00f3ria provou o enorme equ\u00edvoco de tais teorias e demonstrou, sem lugar a d\u00favidas que, independente da vontade de seus autores, tais teorias apenas justificaram e, desse modo, legitimaram, os recuos ante o capital. E, acima de tudo, que eram teorias que estavam anos-luz de dist\u00e2ncia da realidade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os anarquistas que ficaram ao lado da revolu\u00e7\u00e3o jamais compartilharam dessas ilus\u00f5es, nem iludiram os trabalhadores russos acerca do car\u00e1ter repressor dessas e outras medidas. O que muitos descobririam apenas d\u00e9cadas depois \u2013 alguns n\u00e3o descobriram at\u00e9 hoje \u2013 de que do processo sovi\u00e9tico n\u00e3o viria o socialismo nem o comunismo, os anarquistas j\u00e1 afirmavam em 1918 e 1919. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se reconhecer o enorme m\u00e9rito, coragem e destemor com que enfrentaram a ditadura que, ent\u00e3o, se estruturava no solo da revolu\u00e7\u00e3o. Nem h\u00e1 como n\u00e3o se admirar da clareza e da vis\u00e3o te\u00f3rica de longo prazo necess\u00e1rias para se perceber que, naquelas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o se avan\u00e7ava rumo ao socialismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">M\u00e9ritos reconhecidos, h\u00e1 tamb\u00e9m que se reconhecer os seus limites. A alternativa proposta pelos anarquistas era polarizada por duas op\u00e7\u00f5es. A primeira, mais ing\u00eanua e primitiva, propunha que os trabalhadores ficassem propriet\u00e1rios das f\u00e1bricas e dos seus locais de trabalho e estabelecem um sistema de trocas naturais (lembrem: sem o dinheiro) entre as unidades produtivas, de tal modo a produzir o necess\u00e1rio a todos. Seria como que uma economia em que as unidades produtivas seriam propriedades privadas dos que nelas trabalhassem, uma sociedade de infinitas pequenas \u201csociedades an\u00f4nimas\u201d. A inviabilidade desse sistema est\u00e1 em que substitui a concorr\u00eancia entre indiv\u00edduos pela concorr\u00eancia entre unidades produtivas e, desse modo, mant\u00e9m-se o mercado e, portanto, o capital.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A segunda op\u00e7\u00e3o, com base em um conhecimento da economia mais avan\u00e7ado e profundo, se baseava na tradi\u00e7\u00e3o anarquista do federalismo: cada localidade, com as unidades produtivas nela instaladas, constituiria uma comunidade e uma federa\u00e7\u00e3o de comunidades cumpriria a fun\u00e7\u00e3o de organizar e coordenar as atividades econ\u00f4micas. Novamente, a concorr\u00eancia se instala entre as comunidades e, por essa via, o mercado e o capital s\u00e3o mantidos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nas duas op\u00e7\u00f5es, a pedra de toque era a autogest\u00e3o: os trabalhadores se encarregariam de organizar e operar o processo produtivo e, portanto, o produto final seria propriedade da coletividade que o produziu. Se essa coletividade seria a unidade produtiva (na primeira op\u00e7\u00e3o) ou a federa\u00e7\u00e3o de comunidades locais (na segunda op\u00e7\u00e3o), era algo sobre o qual n\u00e3o havia concord\u00e2ncia entre eles.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A debilidade principal dessa concep\u00e7\u00e3o de autogest\u00e3o \u00e9 que deixa de lado um aspecto essencial da transi\u00e7\u00e3o ao socialismo: sem a supera\u00e7\u00e3o do trabalho prolet\u00e1rio (o trabalho abstrato) pelo trabalho associado n\u00e3o h\u00e1 socialismo poss\u00edvel, e esse \u00faltimo apenas pode existir no reino da abund\u00e2ncia (sobre isso, confira o Jornal Espa\u00e7o Socialista n\u00ba 79 e 87). E essa transi\u00e7\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel se a totalidade do produzido pela totalidade da humanidade for propriedade da totalidade da humanidade: nem o federalismo, nem a propriedade pelos trabalhadores dos locais de trabalho, propostas pelos anarquistas, d\u00e3o conta desse fato essencial.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Considerado no seu todo \u2013 e deixando de lado importantes exce\u00e7\u00f5es \u2013 os anarquistas possuem uma contribui\u00e7\u00e3o maior ao movimento revolucion\u00e1rio nas cr\u00edticas \u00e0 sociedade burguesa e nas cr\u00edticas ao processo sovi\u00e9tico do que no esclarecimento tanto da ess\u00eancia da sociedade burguesa quanto da transi\u00e7\u00e3o ao socialismo. Seu conceito de sociedade liberta \u00e9 muito confuso e com muitas varia\u00e7\u00f5es, a autogest\u00e3o \u00e9 mais uma afirma\u00e7\u00e3o de um desejo do que uma proposta solidamente articulada de uma nova economia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No que diz respeito \u00e0s propostas de organiza\u00e7\u00e3o para a luta revolucion\u00e1ria, os anarquistas pecam, essencialmente, por conceber o partido revolucion\u00e1rio como o germe da sociedade liberta. Ao inv\u00e9s de um instrumento pr\u00e1tico para a luta imediata, o partido deveria ser tamb\u00e9m o deposit\u00e1rio moral das virtudes da nova humanidade que viria com a revolu\u00e7\u00e3o. As organiza\u00e7\u00f5es anarquistas, n\u00e3o raramente, se convertem com isso em pequenos grupos com r\u00edgidas regras morais que se sobrep\u00f5em aos crit\u00e9rios pol\u00edtico-pr\u00e1ticos. E a condu\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica recebe acentos moralistas que s\u00e3o, sem exce\u00e7\u00e3o, desastres pr\u00e1ticos, e, no plano dos valores, terminam considerando a pol\u00edtica como instrumento moral para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade liberta. O que n\u00e3o passa de um grande equ\u00edvoco te\u00f3rico com s\u00e9rias repercuss\u00f5es pr\u00e1ticas, pois ilude os trabalhadores de que a pol\u00edtica seria algo mais do que a for\u00e7a econ\u00f4mica da propriedade privada que se expressa no Estado e, ainda, ilude os trabalhadores de que o partido seria instrumento para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade livre.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Como assinalamos no in\u00edcio, uma avalia\u00e7\u00e3o do conjunto do anarquismo \u00e9 muito dif\u00edcil, pela extens\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o do movimento e, tamb\u00e9m, pelas diferen\u00e7as no seu interior. Contudo, esses s\u00e3o os aspectos da ideologia que, nos parece, t\u00eam de maior influ\u00eancia nas lutas ideol\u00f3gicas dos nossos dias.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Leituras recomendadas<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Os cl\u00e1ssicos anarquistas mais significativos s\u00e3o: de Bakunin, Estatismo e Anarquia; de Kropotkin, O princ\u00edpio anarquista; de Malatesta, Escritos Revolucion\u00e1rios. Sobre a quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, um texto imprescind\u00edvel \u00e9 o de Nestor Makhno, Nossa organiza\u00e7\u00e3o, criticado por Malatesta em Um projeto de organiza\u00e7\u00e3o anarquista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rgio Lessa As teorias acerca da organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria aos revolucion\u00e1rios sofrem sempre um forte impacto dos movimentos de massa, principalmente<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,6,65,75],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4922"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4922"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5555,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4922\/revisions\/5555"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}