{"id":5029,"date":"2017-03-12T21:38:37","date_gmt":"2017-03-13T00:38:37","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5029"},"modified":"2018-05-04T18:48:32","modified_gmt":"2018-05-04T21:48:32","slug":"jornal-97-o-impacto-da-revolucao-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/03\/jornal-97-o-impacto-da-revolucao-russa\/","title":{"rendered":"Jornal 97: O impacto da Revolu\u00e7\u00e3o Russa"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rev-russa.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-5030 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rev-russa-300x190.jpg\" alt=\"rev russa\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rev-russa-300x190.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rev-russa.jpg 561w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Entre a Comuna de Paris de 1871 e a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, decorreram 46 anos. Nunca, at\u00e9 ent\u00e3o, a Europa vivera tantos anos seguidos sem uma grande crise que trouxesse explos\u00f5es revolucion\u00e1rias (a Revolu\u00e7\u00e3o de 1905, na R\u00fassia, e a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, que se iniciou em 1911, quase sempre foram considerados eventos que n\u00e3o diziam respeito \u00e0 realidade europeia). Antes da Comuna, crises com explos\u00f5es revolucion\u00e1rias ocorreram nos in\u00edcios das d\u00e9cadas de 1820, 1830, em 1848 tivemos a mais generalizada onda revolucion\u00e1ria que a Europa jamais conheceu (isso, at\u00e9 os nossos dias!).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Ap\u00f3s 46 anos de ordem burguesa e sem revolu\u00e7\u00f5es, a burguesia cantava vit\u00f3rias e alegava que as explos\u00f5es revolucion\u00e1rias haveriam ficado no passado. E os contrarrevolucion\u00e1rios, aparentemente, tinham boas raz\u00f5es para se gabarem. Pois, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1776-1830), os capitalistas europeus vinham acumulando um volume de capital como nunca antes na hist\u00f3ria. E n\u00e3o apenas o volume total do capital se ampliava, como tamb\u00e9m as leis do mercado ainda se encarregavam de fazer com que o grande capitalista engolisse o pequeno. Ou seja, al\u00e9m de aumentar o volume acumulado, o capital tamb\u00e9m se concentrava.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">O capitalismo monopolista<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Com a crise de 1870-71, essa concentra\u00e7\u00e3o ganhou uma nova qualidade. Alguns grandes monop\u00f3lios e cart\u00e9is passaram a dominar a economia: teve assim, origem, a fase monopolista do capitalismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Do ponto de vista econ\u00f4mico, a grande novidade foi que a mais-valia relativa passa a jogar um peso cada vez maior na reprodu\u00e7\u00e3o do capital. J\u00e1 discutimos a mais-valia relativa quando tratamos da aristocracia oper\u00e1ria (Jornal Espa\u00e7o Socialista n. 82) e, por isso, seremos mais que breves: a amplia\u00e7\u00e3o relativa da mais-valia ocorre quando o burgu\u00eas tira do trabalhador maior quantidade de mais-valia por cada centavo que paga de sal\u00e1rio. Esse aumento da quantia da mais-valia pode vir de duas fontes: do aumento do patamar tecnol\u00f3gico e melhoria da ger\u00eancia da for\u00e7a de trabalho ou, ent\u00e3o, da queda do valor da for\u00e7a de trabalho. Do ponto de vista do sistema do capital como um todo, uma muito lucrativa forma de diminuir o valor da for\u00e7a de trabalho \u00e9 industrializar a produ\u00e7\u00e3o dos meios de consumo do trabalhador. Se a roupa, a comida etc. do trabalhador se tornam mais baratos porque agora s\u00e3o produzidos em escala industrial, os capitalistas podem destinar aos sal\u00e1rios uma menor por\u00e7\u00e3o da riqueza produzida, ampliando assim a mais-valia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas h\u00e1 ainda, um outro &#8220;efeito colateral&#8221; muito favor\u00e1vel aos capitalistas: a pr\u00f3pria fabrica\u00e7\u00e3o dos bens de primeira necessidade gera uma nova fonte de mais-valia. Vejam, o capital se acumula tanto ao reduzir o valor da for\u00e7a de trabalho pela industrializa\u00e7\u00e3o dos bens de primeira necessidade, quanto ainda a simples produ\u00e7\u00e3o desses bens gerar uma nova fonte de mais-valia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Isso lan\u00e7ou o sistema do capital em um ciclo de expans\u00e3o, com algumas crises passageiras, que vai durar, desde 1871, at\u00e9 o in\u00edcio da Primeira Grande Guerra (1914-18). Aparentemente, as crises c\u00edclicas e os per\u00edodos revolucion\u00e1rios teriam sido superados. A hist\u00f3ria parecia sorrir \u00e0 burguesia!<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">As bases do reformismo<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Essa apar\u00eancia era ainda mais forte devido ao que ocorria nas lutas de classe. Tamb\u00e9m tratamos desse aspecto no artigo acima e, por isso, novamente, seremos muito breves: a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores no mercado de consumo \u00e9 duplamente interessante ao sistema do capital como um todo (pois, como vimos, amplia a mais-valia relativa e ainda gera novas fontes de mais-valia). Com isso, os trabalhadores e oper\u00e1rios de maior poder aquisitivo (sobre a diferen\u00e7a entre oper\u00e1rios e trabalhadores veja o artigo sobre a Classe M\u00e9dia, no Jornal Espa\u00e7o Socialista n.85) passaram a ter uma coincid\u00eancia de interesses com a burguesia: esse setor dos trabalhadores e a burguesia querem que os produtos de primeira necessidade sejam os mais baratos poss\u00edveis, pois isso amplia a mais-valia relativa e, ao mesmo tempo, amplia tamb\u00e9m o poder aquisitivo dos que recebem maiores sal\u00e1rios. Para manter baixo o valor dessas mercadorias, todavia, \u00e9 imprescind\u00edvel, tamb\u00e9m manter baixo o sal\u00e1rio dos trabalhadores e oper\u00e1rios que as produzem. Ou seja, a uma parte dos assalariados passa a ser interessante manter rebaixado o sal\u00e1rio da outra parte: o movimento da classe oper\u00e1ria e dos trabalhadores conhece a sua primeira grande cis\u00e3o, de um lado a aristocracia oper\u00e1ria, de outro, a maioria da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Essa cis\u00e3o aparecia, tamb\u00e9m, na nova rela\u00e7\u00e3o das economias &#8220;centrais&#8221; com a &#8220;periferia&#8221; do sistema do capital. Como a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e das fontes de mat\u00e9rias-primas na &#8220;periferia&#8221; derrubava os pre\u00e7os dos mercados dos pa\u00edses imperialistas, os partidos e sindicatos, quase sem exce\u00e7\u00e3o, apoiaram as pol\u00edticas imperialistas de suas burguesias, alegando, n\u00e3o sem uma raz\u00e3o imediata, que isso corresponderia aos interesses de suas bases. Opera-se, assim, uma cis\u00e3o entre os trabalhadores e oper\u00e1rios da periferia do sistema e os trabalhadores e oper\u00e1rios do centro do sistema do capital: estes \u00faltimos apoiam a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o dos primeiros por suas respectivas burguesias. Isto, somado \u00e0 cis\u00e3o entre a aristocracia oper\u00e1ria e o restante da classe nos pa\u00edses centrais, vai ampliando a dist\u00e2ncia entre os reformistas e os revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Vejam, o imperialismo j\u00e1 existia desde as Grandes Navega\u00e7\u00f5es do per\u00edodo entre 1450 e 1650. Contudo, essa explora\u00e7\u00e3o j\u00e1 secular ganhou uma nova intensidade com o capitalismo monopolista. N\u00e3o apenas ele necessita de uma quantidade muito maior de mat\u00e9rias-primas a um pre\u00e7o muito mais barato para derrubar ainda mais os pre\u00e7os dos produtos de primeira necessidade, como ainda passa mesmo a produzir alguns produtos industrializados nas antigas col\u00f4nias. Por esses dois motivos investimentos, vultuosos come\u00e7am a ser feitos nos pa\u00edses da periferia na extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, na constru\u00e7\u00e3o de vias de transporte para escoar as mat\u00e9rias-primas aos portos de exporta\u00e7\u00e3o etc., o que possibilita uma direta extra\u00e7\u00e3o de mais-valia dos trabalhadores das antigas col\u00f4nias.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Essa expans\u00e3o lan\u00e7ou os pa\u00edses imperialistas numa disputa mundial por fontes de mat\u00e9rias-primas e de for\u00e7a de trabalho barata. A consequ\u00eancia mais imediata foi a Partilha da \u00c1frica Negra. Os capitalistas europeus, sem qualquer cerim\u00f4nia, disputaram entre si (com guerras inclusive) o controle do continente africano. Os acordos foram feitos na Europa e o continente foi, literalmente, fatiado entre as grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Alian\u00e7a da aristocracia oper\u00e1ria com os capitalistas<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Foi se desenvolvendo, desta maneira, na segunda metade do s\u00e9culo 19 mas, mais intensamente, nas suas tr\u00eas d\u00e9cadas finais, uma alian\u00e7a do grande capital com aristocracia oper\u00e1ria e setores da pequena burguesia. O movimento dos trabalhadores e o movimento revolucion\u00e1rio v\u00e3o conhecendo uma divis\u00e3o interna que tende a se aprofundar conforme avan\u00e7amos no tempo. De um lado, os partid\u00e1rios de uma alian\u00e7a com a burguesia ao redor de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que amplie a industrializa\u00e7\u00e3o e garanta mercadorias cada vez mais acess\u00edveis \u00e0 aristocracia oper\u00e1ria e seus aliados e, de outro lado, aqueles que defendem a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo pela revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. A aristocracia oper\u00e1ria vai dominando os partidos pol\u00edticos e os sindicatos, os reformistas e os revolucion\u00e1rios v\u00e3o se tornando cada vez mais distintos com o passar do tempo. Depois da Primeira Grande Guerra, em larga medida, n\u00e3o mais conviver\u00e3o nos mesmos partidos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Contudo, nos anos entre 1870 e 1914, as coisas n\u00e3o haviam ainda chegado a tal ponto. Entre a transi\u00e7\u00e3o ao capitalismo monopolista e a Primeira Grande Guerra, a prosperidade econ\u00f4mica vinha sendo acompanhada por uma crescente tend\u00eancia de alian\u00e7a dos partidos e sindicatos dos trabalhadores e oper\u00e1rios com a burguesia e, assim, favorecia a ilus\u00e3o de que revolu\u00e7\u00e3o seria algo do passado, de que, no presente e no futuro, os trabalhadores e oper\u00e1rios atuariam ao lado da burguesia por uma sociedade &#8220;mais justa&#8221;. A realidade parecia dar raz\u00e3o \u00e0s teorias contrarrevolucion\u00e1rias.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A Belle \u00c9poque<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Nesse contexto, te\u00f3ricos e lideran\u00e7as do movimento oper\u00e1rio come\u00e7am a teorizar que, no novo per\u00edodo hist\u00f3rico, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas estaria superada, como ainda seria um empecilho \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ao socialismo. Bernstein, por exemplo, argumentava que a &#8220;racionalidade&#8221; do capital imperialista tornaria imposs\u00edvel uma guerra mundial. Bem poucas semanas antes da eclos\u00e3o da Primeira Guerra, quando crescia o movimento pacifista entre os intelectuais, trabalhadores e prolet\u00e1rios, quando Rosa Luxemburgo e Lenin alertavam cotidianamente para a necessidade de se preparar para converter a guerra imperialista em uma guerra revolucion\u00e1ria, Bernstein pregava que nada disso seria necess\u00e1rio, pois a guerra seria imposs\u00edvel!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mas n\u00e3o apenas entre os te\u00f3ricos e intelectuais as ilus\u00f5es com o capital se avolumavam. Tamb\u00e9m no interior dos partidos de base oper\u00e1ria, essa ilus\u00e3o crescia. Por um lado, porque a expans\u00e3o da economia capitalista em sua nova fase imperialista de fato trazia uma melhoria de vida para uma parcela minorit\u00e1ria, mas importante, dos assalariados. Por outro lado, porque, gra\u00e7as \u00e0 &#8220;pacifica\u00e7\u00e3o&#8221; do movimento sindical e dos partidos de esquerda que optavam por se aliar com a burguesia, v\u00e1rios governos capitalistas passaram a legalizar os sindicatos e os partidos. Na Alemanha, na Inglaterra, na Fran\u00e7a etc. os antigos partidos revolucion\u00e1rios v\u00e3o se legalizando, o sufr\u00e1gio caminhava para se tornar universal e um processo de negocia\u00e7\u00e3o agora envolve as principais lideran\u00e7as dos trabalhadores e oper\u00e1rios, de um lado, e dos capitalistas de outro.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Outros teorizavam que a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria teria sa\u00eddo do horizonte porque a pr\u00f3pria burguesia estaria em desaparecimento! O argumento \u00e9 tresloucado, mas de apar\u00eancia verdadeira. A burguesia, reza o argumento, \u00e9 a propriet\u00e1ria dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Contudo, no capitalismo monopolista, as empresas s\u00e3o possu\u00eddas por um infind\u00e1vel n\u00famero de acionistas (possuidores das a\u00e7\u00f5es vendidas nas bolsas de valores) oriundos de todas as classes sociais, inclusive trabalhadores. A dire\u00e7\u00e3o das empresas n\u00e3o estaria mais nas m\u00e3os da burguesia, mas nas m\u00e3os de gerentes e administradores que prestam conta, n\u00e3o a um patr\u00e3o, mas a um conjunto de acionistas. O que era, antes, propriedade de uma \u00fanica pessoa ou fam\u00edlia, \u00e9 agora propriedade de muitas pessoas. A burguesia estaria, assim, se dissolvendo no corpo social e, a propriedade privada, estaria se democratizando. Bastaria avan\u00e7ar um pouco mais esse processo para que a burguesia se dissolvesse na sociedade e, assim, passar\u00edamos todos a ser propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o: o socialismo! Defendiam, por isso, que os trabalhadores deveriam comprar, com suas m\u00edseras poupan\u00e7as, as a\u00e7\u00f5es das empresas de seus patr\u00f5es, para avan\u00e7ar a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo! Claro, os patr\u00f5es n\u00e3o protestaram nem um pouco por essa &#8220;tomada&#8221; pelos trabalhadores de suas propriedades!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Outros, ainda, teorizavam longa e insistentemente que n\u00e3o apenas a burguesia, mas tamb\u00e9m o proletariado estaria desaparecendo. O argumento \u00e9, igualmente, falso, mas tem seu sexy appeal. Diziam que, o proletariado seria aquela classe que n\u00e3o teria nenhuma propriedade a n\u00e3o ser a sua prole. Da\u00ed o nome de proletariado. Mas, com o capitalismo monopolista, os trabalhadores participavam do mercado de consumo, possu\u00edam renda e, por isso, tinham uma condi\u00e7\u00e3o de vida que se aproximaria da classe m\u00e9dia. Argumentavam, com base nisso, que a diferen\u00e7a entre os assalariados e os prolet\u00e1rios, se ainda existisse, estaria desaparecendo rapidamente: todos os assalariados j\u00e1 seriam, ou seriam em breve, membros de uma mesma e \u00fanica classe social, a depender do autor, da classe m\u00e9dia, da classe dos assalariados, da classe dos trabalhadores etc. A revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria teria sa\u00eddo do horizonte porque a classe prolet\u00e1ria j\u00e1 teria desaparecido ou estaria em vias de desaparecer.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No famoso testamento pol\u00edtico de Engels, at\u00e9 mesmo o &#8220;primeiro violino&#8221; mostrou-se perme\u00e1vel a tais influ\u00eancias. Verdade que a vers\u00e3o publicada foi censurada pelos editores que exclu\u00edram as passagens em que Engels defendia a necessidade da revolu\u00e7\u00e3o mesmo para a nova fase do capitalismo. Contudo, mesmo levando isso em considera\u00e7\u00e3o, \u00e9 clara a impress\u00e3o que o crescimento do movimento sindical legalizado e da quantidade de votos nas elei\u00e7\u00f5es dos partidos de base oper\u00e1ria teve sobre o \u00faltimo Engels.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As d\u00e9cadas entre a Comuna de Paris e a Revolu\u00e7\u00e3o Russa foram denominadas pelos historiadores burgueses de Belle \u00c9poque, a bela \u00e9poca &#8212; e n\u00e3o sem raz\u00e3o. Pois as mis\u00e9rias e as dores das crises c\u00edclicas e dos per\u00edodos revolucion\u00e1rios pareciam ser coisa do passado. O futuro parecia ser um capitalismo cada vez mais humano e justo, com uma participa\u00e7\u00e3o cada vez mais intensa dos trabalhadores tanto na sociedade, quanto na economia, no governo e na pol\u00edtica. Os desenvolvimentos econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico propiciados pelo capital monopolista seriam a garantia de um futuro brilhante para a humanidade. De mais justi\u00e7a em mais justi\u00e7a, de elei\u00e7\u00e3o em elei\u00e7\u00e3o, um dia dormir\u00edamos no capitalismo para acordar, na manh\u00e3 seguinte, no socialismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Se tudo isso fosse, mesmo, verdade, n\u00e3o seria, de fato, uma bela \u00e9poca?<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A eclos\u00e3o da Primeira Grande Guerra (1914-18)<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">No per\u00edodo logo anterior \u00e0 eclos\u00e3o da guerra, acirrou-se a disputa ideol\u00f3gica pelos &#8220;cora\u00e7\u00e3o e as mentes&#8221; dos trabalhadores. Do lado da burguesia, organiza-se o Partido da Ordem (Marx, em O 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte). Dele faziam parte pensadores influentes e muito reacion\u00e1rios, como, por exemplo, Max Weber (defendia a guerra dizendo que ela purificava a humanidade ao separar os fortes dos fracos!) Outros lamentavam os sofrimentos da guerra, mas a justificavam como necess\u00e1ria para defesa do pa\u00eds e da p\u00e1tria. Outros, ainda, defendiam a guerra com o argumento que geraria empregos e desenvolveria a economia (um argumento muito presente no movimento sindical alem\u00e3o desde o final do s\u00e9culo 19). Outros, como o exemplo de Bernstein logo acima, defendiam que a nova fase do capitalismo tornava imposs\u00edvel um conflito mundial, portanto organizar a resist\u00eancia a ela seria pura futilidade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Do lado revolucion\u00e1rio, poucos, mas importantes te\u00f3ricos e dirigentes (Rosa, Lenin, Liebknecht, Trotsky) defendiam a necessidade de um combate ideol\u00f3gico contra a guerra. Propunham que, caso ela se iniciasse, ao inv\u00e9s de um trabalhador matar o trabalhador do outro pa\u00eds, o oposto deveria ocorrer. Isto \u00e9, os trabalhadores deveriam se unir internacionalmente e empregar suas armas para derrotar a burguesia e fazer a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. Sem a supera\u00e7\u00e3o do capital, sustentavam os revolucion\u00e1rios, a guerra seria inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Dito e feito!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A guerra tem in\u00edcio inesperadamente. A execu\u00e7\u00e3o do Arquiduque Ferdinando da \u00c1ustria por um revolucion\u00e1rio nacionalista s\u00e9rvio \u2013 um evento n\u00e3o previsto por ningu\u00e9m \u2013 foi o estopim. Os partidos revolucion\u00e1rios, que desde o s\u00e9culo 19 se organizavam na II Internacional, haviam, pouco tempo antes, tirado em congresso a estrat\u00e9gia de combater a guerra e, caso ela viesse, defender sua transforma\u00e7\u00e3o numa guerra revolucion\u00e1ria contra a burguesia. Essa resolu\u00e7\u00e3o, contudo, revelou-se mero discurso vazio.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Depois de apoiarem o desenvolvimento da ind\u00fastria b\u00e9lica, depois de votarem todos os cr\u00e9ditos solicitados pelos governos burgueses para preparar a matan\u00e7a (pois, lembremos, gerava empregos), depois de defenderem a guerra &#8220;caso o pa\u00eds fosse atacado&#8221; \u2013 e o que era &#8220;ser atacado&#8221; nunca ficava claro \u2013 nada mais &#8220;l\u00f3gico&#8221; que apoiassem a guerra. E assim o fizeram, com o argumento de que os trabalhadores e oper\u00e1rios eram majoritariamente favor\u00e1veis \u00e0 guerra e a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra jogaria suas bases para os partidos e sindicatos de direita. O argumento tem l\u00e1 sua ironia: para n\u00e3o perder bases para a direita, se bandeiam para a direita! E, ainda, jogam a culpa dessa trai\u00e7\u00e3o nos trabalhadores e oper\u00e1rios!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Lenin, literalmente desesperado pela trai\u00e7\u00e3o da II Internacional \u00e0 causa da paz, denomina a todos os traidores de &#8220;sociais-patriotas&#8221;. A partir desse ponto, a conviv\u00eancia em um mesmo partido dos sociais-patriotas e dos revolucion\u00e1rios estava no fim.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A II Internacional, ent\u00e3o, desapareceu! O que os partidos que apoiam suas respectivas burguesias poderiam, na guerra, fazer em conjunto, articulados? Rigorosamente nada! Lenin, isolado na Su\u00ed\u00e7a, decide estudar a l\u00f3gica de Hegel para entender O Capital e est\u00e1 convencido de que a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 algo distante e que &#8220;tudo teria que ser iniciado novamente&#8221;, desde a constru\u00e7\u00e3o de partidos e sindicatos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds at\u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o da Internacional e a reconquista do apoio dos trabalhadores e prolet\u00e1rios etc.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Percebam como \u00e9 a hist\u00f3ria: em 1914, a humanidade estava muito pr\u00f3xima de assistir \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo revolucion\u00e1rio mais extenso e mais profundo que jamais conhecemos. Entre 1917 e 1949 (fim da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa) foram 32 anos de revolu\u00e7\u00f5es em todos os continentes que transformaram profundamente o cen\u00e1rio mundial. Contudo, a impress\u00e3o geral naqueles anos, era que um novo per\u00edodo revolucion\u00e1rio estaria h\u00e1 anos luz de dist\u00e2ncia! Essa falsa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas uma ilus\u00e3o vendida pelos ide\u00f3logos da burguesia ou pelos aliados da burguesia, mas era tamb\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o de Lenin (ainda que, claro, as consequ\u00eancias que Lenin dela tirava eram muito diferentes, mesmo antag\u00f4nicas, \u00e0s conclus\u00f5es dos burgueses e seus aliados).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Mesmo que muito resumidamente, vale \u00e0 pena chamar aten\u00e7\u00e3o para que os argumentos que, ent\u00e3o, eram apresentados para justificar a futilidade ou impossibilidade da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria n\u00e3o s\u00e3o, hoje, t\u00e3o estranhos para n\u00f3s. Afirmavam, ent\u00e3o, que a nova qualidade do capitalismo teria tornado imposs\u00edvel a revolu\u00e7\u00e3o porque proletariado e assalariados teriam se fundido numa \u00fanica e mesma classe social (em nossos dias, a classe-que-vive-do-trabalho, as teses do infoproletariado, do precariado etc.). Ou ent\u00e3o, que o pr\u00f3prio desenvolvimento do capitalismo estaria convertendo a sociedade burguesa em uma sociedade comunista (hoje, Ant\u00f4nio Negri com o &#8220;trabalho imaterial&#8221;). Ou que, com a expans\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, o capitalismo j\u00e1 n\u00e3o seria o mesmo e, por isso, a velha proposta da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria teria ficado para o passado (em nossos dias, Jean Lojkine, do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Franc\u00eas, com sua tese sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Informacional e Adam Schaff, e a tese da Sociedade Inform\u00e1tica). Ou, tamb\u00e9m, que com a nova conforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a pr\u00f3pria burguesia estaria desaparecendo, sendo por isso desnecess\u00e1rio uma revolu\u00e7\u00e3o para elimin\u00e1-la (atualmente, Negri e Lazzarato, com a tese do Poder Constituinte). A lista comparativa poderia prosseguir longamente&#8230;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Essas ideias e concep\u00e7\u00f5es ganham for\u00e7a quando a revolu\u00e7\u00e3o sai da ordem do dia por um per\u00edodo longo de tempo. Foi assim na Belle \u00c9poque, tem sido bastante parecido em nossos dias.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">O inesperado muda tudo!<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Engels dizia que a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno social. Acontece. Tal como uma tempestade, d\u00e1 para prev\u00ea-la, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer onde e quando cair\u00e1 o primeiro pingo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A expans\u00e3o imperialista que acompanhou a passagem ao capitalismo monopolista intensificou a explora\u00e7\u00e3o das antigas col\u00f4nias e da periferia do sistema, a mis\u00e9ria se aprofundou com grande intensidade e foram destru\u00eddas estruturas produtivas tradicionais (que por vezes, como no caso da China, do Jap\u00e3o e da \u00cdndia, eram milenares). Essas as causas da onda revolucion\u00e1ria que varreria a periferia do sistema do capital entre 1917 e 1949.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Essa vasta onda, pela sua extens\u00e3o no tempo e dispers\u00e3o geogr\u00e1fica, in\u00e9dita na hist\u00f3ria, tem in\u00edcio com uma manifesta\u00e7\u00e3o contra a fome das oper\u00e1rias em algumas poucas ind\u00fastrias em Petrogrado, no dia internacional da mulher! As oper\u00e1rias apenas queriam protestar contra a fome. Talvez entendessem que a causa imediata da fome era a participa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia na Primeira Grande Guerra. E, todavia, estavam fazendo muito mais do que concebiam: estavam iniciando o maior per\u00edodo revolucion\u00e1rio da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em fevereiro, uma manifesta\u00e7\u00e3o das oper\u00e1rias; em outubro, a tomada do poder pelos revolucion\u00e1rios bolcheviques. Em apenas 10 meses, todas as teses contrarrevolucion\u00e1rias foram colocadas no ch\u00e3o, todas foram desmentidas: os prolet\u00e1rios continuavam a classe revolucion\u00e1ria, o desenvolvimento do capitalismo n\u00e3o enterrara a revolu\u00e7\u00e3o, o capitalismo n\u00e3o seria superado por nenhum outro meio que n\u00e3o fosse a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O impacto da Revolu\u00e7\u00e3o de 1917 foi universal: o movimento oper\u00e1rio ganhou um novo impulso praticamente no mundo todo. E o governo dos sovietes (dos conselhos) \u2013 a Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica da R\u00fassia \u2013 faz sua inaugura\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria como o farol a dirigir a esperan\u00e7a de um mundo que superaria as desumanidades do capital.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A hist\u00f3ria jamais seria mais a mesma. Exclu\u00eddo o in\u00edcio da crise estrutural do sistema do capital em meados da d\u00e9cada de 1970, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi o evento mais importante do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Seu desdobramento, contudo, foi muito distinto do que o previsto pelos bolcheviques em 1917. Como mostram as atas das reuni\u00f5es do Comit\u00ea Central dos bolcheviques, eles estavam divididos entre duas propostas. A primeira, liderada por Lenin e Trotsky, dizia que era preciso tomar o poder, n\u00e3o para fazer o socialismo na R\u00fassia (o atraso do pa\u00eds n\u00e3o permitiria), mas para incendiar a revolu\u00e7\u00e3o na Europa que, avaliavam, viria com a derrota da Alemanha e o fim da Guerra Mundial. A segunda, liderada por Zinoviev e Kamenev, dizia que a revolu\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o estava madura na Europa e que, por isso, tomar o poder era uma t\u00e1tica suicida: o governo revolucion\u00e1rio seria massacrado, tal como fora a Comuna de Paris, por uma alian\u00e7a da contrarrevolu\u00e7\u00e3o com os camponeses (a ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Hoje, tantas d\u00e9cadas depois, \u00e9 evidente que avalia\u00e7\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es para a revolu\u00e7\u00e3o na Europa de Kamenev e Zinoviev eram mais acertadas que a de Lenin e Trotsky. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m evidente que os bolcheviques deveriam ter tomado o poder naquelas circunst\u00e2ncias, pois faziam parte de uma tend\u00eancia hist\u00f3rica, de uma onda revolucion\u00e1ria, muito maior e mais extensa que a revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A se salientar, que as duas propostas, a de Lenin e Trotsky e a Zinoviev e Kamenev, tinham um ponto em comum: a impossibilidade sequer de se iniciar a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo em um pa\u00eds atrasado como a R\u00fassia sem a ajuda da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Europa. Esta previs\u00e3o foi inteiramente confirmada pela hist\u00f3ria. O que, por sua vez, apenas confirmou a previs\u00e3o dos jovens Marx e Engels, em A ideologia alem\u00e3. Escreveram eles que, para que a revolu\u00e7\u00e3o fosse poss\u00edvel, entre outras coisas era imprescind\u00edvel &#8220;um grande aumento das for\u00e7as produtivas, um grau elevado do seu desenvolvimento (&#8230;) porque sem ele a escassez se generaliza e, portanto, com a car\u00eancia tamb\u00e9m teria de recome\u00e7ar a luta pelo necess\u00e1rio e teria de se produzir de novo toda a velha merda [schei\u00dfe] (&#8230;)&#8221;. (Express\u00e3o Popular,2009, pp. 50-51)<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As consequ\u00eancias e repercuss\u00f5es mundiais da Revolu\u00e7\u00e3o Russa continuaram, sabemos todos, para muito al\u00e9m de 1917 e se estendem at\u00e9 os nossos dias. O fato de n\u00e3o ter podido transitar ao socialismo terminou, hoje, sendo uma sua consequ\u00eancia te\u00f3rica mais importante do que o impulso que deu \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es na primeira metade do s\u00e9culo 20. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa e o per\u00edodo revolucion\u00e1rio que ela inaugurou mudaram profundamente a face do mundo capitalista e novas quest\u00f5es, assim como novas possibilidades revolucion\u00e1rias, nos contemplam desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Nos pr\u00f3ximos artigos comentaremos algumas dessas quest\u00f5es e possibilidade colocadas pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa e seus desdobramentos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Enquanto os pr\u00f3ximos artigos n\u00e3o chegam: Viva a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917! Stalinismo, nunca mais!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a Comuna de Paris de 1871 e a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, decorreram 46 anos. 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