{"id":5075,"date":"2017-05-06T09:42:42","date_gmt":"2017-05-06T12:42:42","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5075"},"modified":"2018-05-31T17:55:18","modified_gmt":"2018-05-31T20:55:18","slug":"jornal-99-revolucao-russa-de-fevereiro-as-teses-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/05\/jornal-99-revolucao-russa-de-fevereiro-as-teses-de-abril\/","title":{"rendered":"Jornal 99: Revolu\u00e7\u00e3o Russa: de fevereiro \u00e0s Teses de Abril"},"content":{"rendered":"<p lang=\"pt-BR\">Antes de tudo, uma recomenda\u00e7\u00e3o aos leitores: na leitura de textos de hist\u00f3ria, \u00e9 fundamental ter sempre um mapa \u00e0 m\u00e3o. Com a internet, isso agora se tornou muito simples. H\u00e1 mapas de todas as \u00e9pocas hist\u00f3ricas, n\u00e3o deixem de consult\u00e1-los!<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/revolucao-russa.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-5076 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/revolucao-russa-300x215.jpg\" alt=\"N\" width=\"300\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/revolucao-russa-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/revolucao-russa.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Em agosto de 1914 tem in\u00edcio a I Guerra Mundial. Enfrentavam-se dois blocos capitalistas imperialistas pela disputa do mercado mundial. De um lado estavam os pa\u00edses que se tinham industrializado nos fins do s\u00e9culo XVIII ou come\u00e7o do XIX: Inglaterra, Fran\u00e7a e B\u00e9lgica. Estes pa\u00edses j\u00e1 possu\u00edam s\u00f3lidas bases comerciais na \u00c1frica, Europa e \u00c1sia. A R\u00fassia, pa\u00eds cujos interesses imperialistas coincidiam com os da Fran\u00e7a e Inglaterra, e al\u00e9m disso, tendo sua economia fortemente dependente do capital franc\u00eas, aderiu a este bloco.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O outro bloco imperialista era formado pela Alemanha e o Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro. Estes pa\u00edses, que se industrializaram na segunda metade do s\u00e9culo passado, e partiram por isso atrasados para a conquista de mercados, necessitavam ampliar sua \u00e1rea de influ\u00eancia econ\u00f4mica para continuar a se industrializar.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A entrada da R\u00fassia na guerra \u00e9 o in\u00edcio do fim do imp\u00e9rio czarista. Suas arcaicas estruturas socioecon\u00f4micas n\u00e3o suportar\u00e3o o esfor\u00e7o necess\u00e1rio \u00e0 guerra. A incompet\u00eancia administrativa, a corrup\u00e7\u00e3o, e em menor grau, a pr\u00f3pria degeneresc\u00eancia f\u00edsica da dinastia Romanov contribuir\u00e3o para lan\u00e7ar a R\u00fassia numa profunda crise econ\u00f4mica cuja \u00fanica sa\u00edda hist\u00f3rica se revelou ser a Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A crise econ\u00f4mica, em 1916, havia lan\u00e7ado a popula\u00e7\u00e3o russa \u00e0 fome. Milhares de pessoas morreram no inverno de 1916-1917 &#8212; e o problema do abastecimento se transformou na principal quest\u00e3o para as massas trabalhadoras russas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><a name=\"bookmark4\"><\/a><\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">A Revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">\u201cO dia 23 de fevereiro de 1917 era o Dia Internacional da Mulher. Os c\u00edrculos sociais democratas (isto \u00e9, o Partido Social Democrata, rachado entre mencheviques e bolcheviques) tinham inten\u00e7\u00e3o de comemorar esta data com panfletos, reuni\u00f5es e discursos. N\u00e3o tinha ocorrido a ningu\u00e9m que ela poderia se transformar no primeiro dia da revolu\u00e7\u00e3o. Nenhuma organiza\u00e7\u00e3o tinha convocado greve para aquele dia. Ainda mais, mesmo uma organiza\u00e7\u00e3o bolchevique, das mais militantes &#8212; o Comit\u00ea do Distrito de Vyborg, todos oper\u00e1rios &#8212; estava se opondo a greve\u201d. (Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de L. Trotsky. Obs: Para evitar um n\u00famero excessivo de notas e refer\u00eancias, todos os fatos e &#8220;falas&#8221; foram retirados dessa. Apenas ser\u00e3o citados os que vierem de outras fontes).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No entanto, no dia 23 de fevereiro, as mulheres de diferentes ind\u00fastrias t\u00eaxteis entraram em greve exigindo melhorias no abastecimento de g\u00eaneros aliment\u00edcios. Enviaram delegados aos metal\u00fargicos pedindo solidariedade. Kaiurov, um dos l\u00edderes bolchevique em Petrogrado \u00e9 que conta: \u201cCom relut\u00e2ncia, os bolcheviques concordaram com isso, e eles foram seguidos pelos trabalhadores mencheviques e sociais&#8211;revolucion\u00e1rios. Desde que haja uma greve de massas, deve-se chamar todos \u00e0 rua e tomar a lideran\u00e7a. A ideia de sair \u00e0s ruas estava h\u00e1 muito nas cabe\u00e7as dos trabalhadores, s\u00f3 que naquele momento ningu\u00e9m imaginava onde ela ia levar.\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No final do dia 23, cerca de 90 mil trabalhadores estavam em greve. Uma grande massa de grevistas se dirigiu para a Duma Municipal (governo municipal czarista) exigindo p\u00e3o. Algumas bandeiras vermelhas apareceram durante a manifesta\u00e7\u00e3o. Ocorreram alguns encontros entre a pol\u00edcia e os manifestantes, mas nesse primeiro dia o movimento se restringiu a Petrogrado. O dia Internacional da Mulher havia transcorrido com sucesso. Uma manifesta\u00e7\u00e3o que no dia anterior ningu\u00e9m acreditava que fosse ocorrer. E agora, o que seria do dia 24?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O amanhecer do dia 24 encontrou uma Petrogrado em greve. Cont\u00ednuas manifesta\u00e7\u00f5es de grevistas ocorriam na Avenida Nevsky, a principal da capital czarista. Os cossacos (tropas de elite da monarquia russa, que possu\u00edam sua pr\u00f3pria terra e eram propriet\u00e1rias dos seus equipamentos militares e de seus cavalos) constantemente avan\u00e7avam sobre os manifestantes, mas sem maiores viol\u00eancias. \u201cOs cossacos prometeram n\u00e3o atirar, corria de boca em boca.\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Neste segundo dia da revolu\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou a surgir em meio da massa grevista diferen\u00e7as no tratamento com os aparelhos de repress\u00e3o czarista. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia e \u00e0 pol\u00edcia secreta, a popula\u00e7\u00e3o mostrava uma clara hostilidade, e os linchava sempre que a situa\u00e7\u00e3o permitisse. Bem diferente era a atitude da multid\u00e3o frente ao Ex\u00e9rcito e aos cossacos, uma atitude amig\u00e1vel, buscando o apoio, ou ao menos a neutralidade dos cossacos e soldados. Multid\u00f5es de trabalhadores se dirigiam aos quart\u00e9is do ex\u00e9rcito e dos cossacos. No interior dos quart\u00e9is era crescente o descontentamento dos soldados rasos com os oficiais e o regime, e crescia o mal-estar entre eles na medida em que aumentavam os rumores que o regime czarista iria mandar os soldados para a rua reprimir os grevistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Na Duma (o legislativo do czarismo), um fato era contado \u00e0 meia-voz que, verdadeiro ou n\u00e3o, demonstra bem a tens\u00e3o do dia: na Avenida Nevsky a massa revolucion\u00e1ria estava saudando com hurras os cossacos porque impediram um policial de chicotear uma senhora. Naquele dia, os trabalhadores da Erikson tiveram um encontro interessante com os cossacos na Av. Sompsonievsk. Todos os trabalhadores da f\u00e1brica, uns 2.500, foram cercados pelos cossacos durante uma manifesta\u00e7\u00e3o. Os oficiais ordenaram que os cossacos fizessem uma carga sobre os oper\u00e1rios. Os cossacos, alguns sorrindo, alguns piscando para os manifestantes, se limitaram a seguir em fila indiana pelo corredor j\u00e1 aberto nos manifestantes pelos cavalos dos oficiais. Percebendo que outra carga colocaria novamente em contato os cassacos com os trabalhadores, e que estes poderiam aderir aos manifestantes, os oficiais decidem formar uma barreira com os cavalos para impedir que os manifestantes se dirigissem para o centro da cidade, onde se encontrava a massa dos grevistas. \u201cMas nem isso ajudou. Ficando parados, em perfeita disciplina, os cassacos n\u00e3o impediram os trabalhadores de mergulhar sob seus cavalos. A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o escolhe seus caminhos: fez seus primeiros passos para a vit\u00f3ria sob o umbigo de um cavalo cossaco.\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Isto n\u00e3o significa que os cossacos formassem os setores mais revolucion\u00e1rios do aparelho repressivo czarista. \u00c9 que, com seus privil\u00e9gios (propriedade garantida por lei etc.) eles sentiram mais do que os outros soldados a crise causada pela guerra e pela inefici\u00eancia administrativa da monarquia czarista. Al\u00e9m disso eles estavam cansados de serem mandados de um local para outro para reprimir manifesta\u00e7\u00f5es e queriam voltar para casa para o cultivo dos campos de primavera.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u201cNo entanto, esses epis\u00f3dios ainda eram meros sintomas. O ex\u00e9rcito era ainda o ex\u00e9rcito, estava atado com sua disciplina, e o comando estava nas m\u00e3os da monarquia. A massa dos trabalhadores estava desarmada. Os l\u00edderes n\u00e3o pensavam, ainda, numa crise decisiva. \u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No dia 25, a greve se alastrou ainda mais, atingindo 240 mil oper\u00e1rios. Um bom n\u00famero at\u00e9 mesmo de pequenas ind\u00fastrias aderiu \u00e0 greve. Oradores se dirigiam \u00e0s grandes multid\u00f5es no monumento de Alexandre III quando a pol\u00edcia secreta abriu fogo. A multid\u00e3o respondeu e um oficial e um soldado morrem e v\u00e1rios outros s\u00e3o feridos. Os cassacos, logo ap\u00f3s os policiais abrirem fogo sobre os manifestantes, interv\u00eam a favor dos grevistas, dispersando os policiais montados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Kaiurov conta como, quando um grupo de manifestantes foi disperso pelos chicotes da pol\u00edcia montada sob os olhares de um destacamento cossaco, ele, ao inv\u00e9s de fugir com os outros manifestantes, se dirigiu aos cassacos com o bon\u00e9 nas m\u00e3os: \u201cIrm\u00e3os cossacos, ajudem os trabalhadores na sua luta por pedidos pac\u00edficos; voc\u00eas v\u00eam como os fara\u00f3s (apelido da pol\u00edcia montada) tratam os trabalhadores famintos. Ajudem&#8211;nos. Os cossacos se olharam de uma maneira especial, relata Kaiurov, e n\u00f3s mal est\u00e1vamos fora do caminho quando eles investiram na luta. E alguns momentos ap\u00f3s (&#8230;) a multid\u00e3o estava carregando nos bra\u00e7os um cossaco que tinha matado um inspetor policial com seu sabre\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Um grande papel foi exercido pelas mulheres na melhoria das rela\u00e7\u00f5es entre os soldados e os trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Neste dia, o czar Nicolau II telegrafou para Kabalov, comandante militar de Petrogrado, ordenando-lhe para acabar com as manifesta\u00e7\u00f5es \u201camanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Um levante de massas para ser vitorioso precisa ir acumulando vit\u00f3rias a cada dia que passa. Uma interrup\u00e7\u00e3o na ofensiva revolucion\u00e1ria pode ser fatal. Se no dia 25 a vacila\u00e7\u00e3o de uma parte do ex\u00e9rcito e a ades\u00e3o de uns poucos cossacos tinha jogado a revolu\u00e7\u00e3o para frente, n\u00e3o era, em absoluto, suficiente para garantir uma vit\u00f3ria das massas sobre o czarismo. O dia seguinte seria decisivo. O czar ordenara que o ex\u00e9rcito sa\u00edsse \u00e0s ruas em massa para acabar com a revolu\u00e7\u00e3o. Como as massas reagiriam sob o fogo?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Na noite do dia 24 para 25 centenas de revolucion\u00e1rios foram presos, entre eles cinco membros do Comit\u00ea Bolchevique de Petrogrado, e a lideran\u00e7a dos bolcheviques ficou nas m\u00e3os do comit\u00ea de Vyborg.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Al\u00e9m do mais, o dia 25 era domingo e a cidade estava vazia, os trabalhadores n\u00e3o se encontrariam de madrugada nas f\u00e1bricas. De manh\u00e3, a czarina telegrafou ao czar: \u201cA cidade est\u00e1 calma\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No entanto, aos poucos os trabalhadores se encontraram nos sub\u00farbios e aos grupos se dirigiam \u00e0 Avenida Nevsky. Os oper\u00e1rios encontraram as pontes sobre o Rio Neva, que separa os bairros oper\u00e1rios do centro, ocupadas por tropas do ex\u00e9rcito e cruzaram os rios sobre o gelo. O ex\u00e9rcito fez fogo. Muitos trabalhadores s\u00e3o atingidos. O tiroteio sobre os trabalhadores continuou de cima dos telhados e dos balc\u00f5es das casas dos bairros burgueses. Mesmo assim, os trabalhadores n\u00e3o recuaram, e logo que cessavam os tiros, eles voltaram para o centro das ruas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O fuzilamento dos manifestantes fez com que muitos l\u00edderes revolucion\u00e1rios considerassem que era o momento de terminar com a greve. O comit\u00ea Bolchevique de Vyborg discutiu longamente o assunto: isto a doze horas da vit\u00f3ria sobre a monarquia!<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Entre os burgueses monarquistas e liberais, e mesmo entre os comandantes do ex\u00e9rcito, a mesma vacila\u00e7\u00e3o existia: o que fazer? Mesmo recebendo ordens de fazer fogo sobre os manifestantes, alguns regimentos dos cassacos e do ex\u00e9rcito haviam demonstrado simpatias em rela\u00e7\u00e3o aos grevistas. Outro dia de luta poderia fazer com que aumentasse ainda mais essa simpatia, principalmente entre a infantaria. O que seria mais prudente? Reprimir ou atender a algumas das reivindica\u00e7\u00f5es dos grevistas?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os l\u00edderes dos dois lados vacilavam porque ningu\u00e9m sabia qual seria a exata correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no dia seguinte.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O crescimento da manifesta\u00e7\u00e3o, em termos de volume, foi acompanhado pelo crescimento das bandeiras de luta. Ao lado das reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, surgiram com for\u00e7a cada vez maior as bandeiras pedindo o fim da monarquia e do czarismo, o fim da guerra e a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Na manh\u00e3 do dia 27 os oper\u00e1rios se dirigiram \u00e0s f\u00e1bricas e, em reuni\u00f5es, decidiram continuar a luta. Isto equivalia a iniciar uma insurrei\u00e7\u00e3o &#8212; mas ningu\u00e9m havia ainda pronunciado esta palavra. O staff central bolchevique, naqueles dias composto por Shiliapnikov, Molotov e Zalutsky estava completamente sem iniciativa. Como armar os manifestantes para enfrentar o ex\u00e9rcito czarista?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os soldados n\u00e3o queriam combater contra os alem\u00e3es, e muito menos contra os oper\u00e1rios em Petrogrado. Eles odiavam o czarismo pela mis\u00e9ria, pela explora\u00e7\u00e3o e pela guerra em que os havia metido.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">De manh\u00e3, 40 comit\u00eas de f\u00e1bricas se reuniram na casa de Kaiurov. Nem todos eles se pronunciaram pela continuidade do movimento. Foi nesse momento que os grevistas receberam as primeiras not\u00edcias da insurrei\u00e7\u00e3o de alguns regimentos do ex\u00e9rcito e da abertura de algumas pris\u00f5es pol\u00edticas. O regimento Volynski havia fuzilado o comandante e se recusava a sair para reprimir os manifestantes. Acontecimentos semelhantes envolveram outros regimentos e batalh\u00f5es do ex\u00e9rcito. No correr do dia surgiram os primeiros carros de combate com bandeiras vermelhas. No final do dia 27, Petrogrado estava transformada num enorme campo militar: o fogo dos fuzis e metralhadoras enchia a cidade.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A guarni\u00e7\u00e3o czarista em Petrogrado, que de manh\u00e3 contava com 150 mil homens, \u00e0 noite estava se desintegrando.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u201cE imposs\u00edvel dizer quem liderou as primeiras multid\u00f5es para o Pal\u00e1cio Touride\u201d. Mas foi l\u00e1 que surgiu o comando da insurrei\u00e7\u00e3o. Era necess\u00e1rio \u201corganizar o caos\u201d. No final do dia a insurrei\u00e7\u00e3o fez suas primeiras pris\u00f5es de contrarrevolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O desaparecimento do ex\u00e9rcito czarista em Petrogrado, o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o em outras cidades e prov\u00edncias, principalmente em Moscou, e a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o na capital, colocou na ordem do dia a quest\u00e3o do poder. Quem substituiria o czarismo? A burguesia organizou o Comit\u00ea Provis\u00f3rio da Duma, e, os trabalhadores, o Soviet formado por deputados dos soldados e oper\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No dia 2 de mar\u00e7o, o Czar abdica em favor do grande Duke Mikail, que \u00e9 obrigado a renunciar no dia seguinte. Em seu lugar tomou o poder o Governo Provis\u00f3rio, formado pelo Comit\u00ea Revolucion\u00e1rio da Duma, com Kerenski como Ministro da Justi\u00e7a e com o apoio do soviete de Petrogrado.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os 5 dias de fevereiro haviam modificado a R\u00fassia tanto quanto a monarquia czarista a havia impedido de evoluir por s\u00e9culos. Todas as contradi\u00e7\u00f5es que envolviam a sociedade vieram \u00e0 tona e buscaram novas solu\u00e7\u00f5es. O velho regime estava desaparecendo. O que viria em seu lugar? Duas alternativas estavam colocadas historicamente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">De um lado, o bloco formado pela burguesia russa aliada ao capital franc\u00eas e ingl\u00eas, que formava a t\u00edmida oposi\u00e7\u00e3o legal \u00e0 monarquia absolutista. Este bloco apresentava como proposta \u00e0s massas insurrectas um regime liberal burgu\u00eas. Isto equivaleria na R\u00fassia de 1917, a manter o pa\u00eds na guerra contra a Alemanha e a \u00c1ustria-Hungria, a n\u00e3o realizar a reforma agr\u00e1ria e a estimular o crescimento da economia russa com base no capital estrangeiro, fortalecendo a depend\u00eancia russa em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses capitalistas da Europa Ocidental.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Era representado politicamente pelo Partido Cadete, que possu\u00eda fortes liga\u00e7\u00f5es com os monarquistas. Contar\u00e1, em n\u00e3o poucas ocasi\u00f5es com o apoio de Kerenski, embora este fosse formalmente um Social-Revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A burguesia era apoiada \u201ccriticamente\u201d pelos mencheviques, que consideravam que a revolu\u00e7\u00e3o Russa, naquela etapa, era uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa e que, portanto, o poder deveria ficar com a burguesia. Num primeiro momento se colocaram contra a participa\u00e7\u00e3o dos sovietes no poder pol\u00edtico, embora em maio aceitassem participar de um governo de coaliza\u00e7\u00e3o com a burguesia, como veremos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os Sociais-Revolucion\u00e1rios, formavam um partido n\u00e3o marxista que se propunha a unir os intelectuais e os trabalhadores sob a lideran\u00e7a da \u201cRaz\u00e3o Cr\u00edtica\u201d e defendiam os interesses de classe dos camponeses. Apoiavam tamb\u00e9m \u201ccriticamente\u201d o governo burgu\u00eas, e aceitaram participar dele desde o primeiro momento. Possu\u00edam penetra\u00e7\u00e3o no seio das massas camponesas, e tamb\u00e9m no ex\u00e9rcito, formado na sua grande maioria por trabalhadores rurais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Os bolcheviques, at\u00e9 abril, apoiaram \u201ccriticamente\u201d o governo do qual participava Kerenski, com base na mesma argumenta\u00e7\u00e3o dos mencheviques.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A outra alternativa que se apresentava naquele momento hist\u00f3rico para substituir o czarismo era o bloco formado pelos oper\u00e1rios dos grandes centros urbanos, aliados a alguns setores da pequena burguesia urbana, com outros setores dos camponeses m\u00e9dios e pobres (mujiques) e com os soldados e marinheiros.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Na cidade, come\u00e7ando com os grandes centros industriais e depois se estendendo a centros de menor import\u00e2ncia e \u00e1reas rurais, os oper\u00e1rios montavam comit\u00eas em seus locais de trabalho e passavam a disputar o controle das f\u00e1bricas com os patr\u00f5es. O poder da organiza\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea da massa oper\u00e1ria foi tal que esses comit\u00eas decretaram unilateralmente, com a oposi\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es e do governo burgu\u00eas, a jornada de trabalho de 8 horas di\u00e1rias.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A 2 de abril, a Confer\u00eancia Preparat\u00f3ria dos Comit\u00eas de F\u00e1brica das Ind\u00fastrias de Guerra de Petrogrado proclamou uma constitui\u00e7\u00e3o de F\u00e1brica que dava as seguintes atribui\u00e7\u00f5es aos Comit\u00eas: 1)\u201cTodas as instru\u00e7\u00f5es sobre a organiza\u00e7\u00e3o interna da f\u00e1brica (por exemplo, hor\u00e1rio de trabalho, sal\u00e1rios, contratos e demiss\u00f5es, f\u00e9rias, etc.) dever\u00e3o emanar dos Comit\u00eas de f\u00e1brica\u201d. 2) \u201cO controle de todo o pessoal administrativo (pessoal da administra\u00e7\u00e3o superior, chefes de sec\u00e7\u00e3o ou de oficinas) depende da aprova\u00e7\u00e3o do comit\u00ea de f\u00e1brica, que deve notificar aos oper\u00e1rios suas decis\u00f5es em reuni\u00f5es gerais de toda a f\u00e1brica ou atrav\u00e9s dos comit\u00eas de oficinas.\u201d 3)\u201cO comit\u00ea de f\u00e1brica controla a atividade de dire\u00e7\u00e3o nos terrenos administrativos, econ\u00f4micos e t\u00e9cnicos(&#8230;) Deve-se proporcionar aos representantes dos comit\u00eas de f\u00e1brica, para sua informa\u00e7\u00e3o, todos os documentos oficias da dire\u00e7\u00e3o, as previs\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e de gastos, e lista detalhada de todos os objetos que entram ou saem da f\u00e1brica.\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A posi\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas de f\u00e1bricas se viu ainda mais refor\u00e7ada \u00e0 medida em que alguns patr\u00f5es fugiram da revolu\u00e7\u00e3o e o controle de suas f\u00e1bricas ficava totalmente sob responsabilidade dos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A atitude do governo de Kerenski e dos patr\u00f5es frente aos comit\u00eas foi clara, assim como a posi\u00e7\u00e3o dos mencheviques e sociais-revolucion\u00e1rios: todos foram contra. Fizeram o poss\u00edvel para acabar com os comit\u00eas, ou ent\u00e3o, no caso dos mencheviques e sociais-revolucion\u00e1rios, castrar o que eles tinham de revolucion\u00e1rios, fazendo com que fossem absorvidos na estrutura sindical oficial, agora controlada por eles.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Uma nova frente de luta estava aberta: a luta dos oper\u00e1rios n\u00e3o s\u00f3 para terem a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, mas para modificarem radicalmente as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas no pr\u00f3prio local de trabalho.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Assim, em 1917, o panorama russo no campo das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, havia sofrido importantes modifica\u00e7\u00f5es. Em n\u00e3o raras ocasi\u00f5es os trabalhadores gr\u00e1ficos se recusavam a imprimir qualquer lei, proclama\u00e7\u00e3o, jornal ou panfleto contrarrevolucion\u00e1rios. Nos tel\u00e9grafos, os trabalhadores falsificavam ou mandavam para destinat\u00e1rios incorretos, ou mesmo n\u00e3o mandavam, os telegramas e ordens das for\u00e7as burguesas. Os comit\u00eas formados pelos oper\u00e1rios ferrovi\u00e1rios impediam o transporte de tropas ou abastecimentos que auxiliassem a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, bem como atuavam como o destacamento avan\u00e7ado dos oper\u00e1rios na agita\u00e7\u00e3o junto \u00e0s tropas czaristas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No ex\u00e9rcito, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era muito diferente, gra\u00e7as \u00e0 press\u00e3o dos soldados rasos, o Comit\u00ea Executivo do Soviete de Petrogrado aprovou a Ordem no. 1 estabelecendo que comit\u00eas eletivos deveriam ser formado em todos os regimentos militares, deputados dos soldados deveriam ser eleitos para os sovietes; em todos os atos pol\u00edticos os soldados deveriam se submeter ao soviete e aos seu comit\u00eas, as armas deveriam estar em controle dos comit\u00eas dos regimentos e batalh\u00f5es, e n\u00e3o deveriam, em hip\u00f3tese alguma, serem entregues aos oficiais. Tamb\u00e9m eram abolidos os sinais exteriores de respeito (contin\u00eancia etc.) quando fora de servi\u00e7o, e proibido o tratamento desumano do soldado, que segundo o regulamento czarista poderia ser chicoteado pelo seu superior \u00e0 menor falta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Alguns regimentos e batalh\u00f5es aderiram imediatamente \u00e0 Ordem no. 1. Outros levaram um pouco mais de tempo. Mas at\u00e9 o final de 1917 todo o ex\u00e9rcito estava organizado em comit\u00eas que levaram at\u00e9 o fim a destrui\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito czarista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u00c0s for\u00e7as burguesas n\u00e3o restava outro recurso que apelar para o \u201cpatriotismo\u201d dos soldados, explorando o fato da R\u00fassia estar sendo invadida por for\u00e7as alem\u00e3s, para tentar submet\u00ea-los aos oficias burgueses e monarquistas. O per\u00edodo no qual eles conseguiram um certo sucesso nisso, foi o lapso de tempo, entre fevereiro e outubro, em que durou o Governo Provis\u00f3rio.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No campo, a revolu\u00e7\u00e3o demorou um pouco mais de um m\u00eas para se iniciar. Os camponeses se lembravam dos massacres das outras revolu\u00e7\u00f5es e levantes. Desejavam como que se certificar que desta vez eles n\u00e3o seriam decepcionados. Mesmo assim, ainda em mar\u00e7o, grandes propriet\u00e1rios de terras come\u00e7aram a vender suas propriedades para os camponeses ricos (kulaks), pressentido que a tormenta revolucion\u00e1ria estava para se estender ao campo. Muitas dessas vendas eram fict\u00edcias, pois pensavam os nobres que os kulaks n\u00e3o seriam desapropriados e desta forma eles poderiam manter suas propriedades. Foi por isso que ainda em mar\u00e7o in\u00fameros delegados camponeses se dirigiram ao Governo Provis\u00f3rio exigindo que esse proibisse a venda de terras pelos latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Esta lei o Governo Provis\u00f3rio n\u00e3o aprovou. Mas aprovou uma outra, criando Comit\u00eas sobre a Terra para preparar a reforma agr\u00e1ria \u201cordeira\u201d. O objetivo do Governo Provis\u00f3rio com essa medida era evitar que os camponeses se organizassem em sovietes totalmente independentes do Estado, e desta forma, controlar a viol\u00eancia &#8211; que eles pressentiram &#8211; estava prestes a se desencadear sobre o campo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Como decretos n\u00e3o podem paralisar a luta de classes, ainda mais durante uma revolu\u00e7\u00e3o, o m\u00eas de abril se inicia com as primeiras expropria\u00e7\u00f5es dos latifundi\u00e1rios pelos camponeses, que dividiam as terras entre si, bem como todas as propriedades m\u00f3veis que encontravam. Numerosos comit\u00eas formados pelos camponeses proibiram os grandes propriet\u00e1rios de terras de derrubarem suas florestas ou ent\u00e3o entregavam os campos, que o propriet\u00e1rio n\u00e3o tinha cultivado com o receio da revolu\u00e7\u00e3o, para os camponeses sem terra.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">As terras da Igreja e da Monarquia n\u00e3o foram poupadas. Mesmo em locais t\u00e3o distantes, como as estepes siberianas e Vladivostok, a revolu\u00e7\u00e3o fez sentir seus efeitos. Por todo o campo russo &#8212; embora num ritmo mais lento que nas cidades &#8212; sugiram comit\u00eas de camponeses e sovietes que, embora na sua imensa maioria fossem dominados pelo sociais-revolucion\u00e1rios e mencheviques, n\u00e3o podiam se furtar a atender \u00e0 press\u00e3o da massa camponesa que exigia terra. Pois, caso contr\u00e1rio, os camponeses poderiam agir de forma ainda mais radical e fora do controle das for\u00e7as que tendiam ao compromisso com a burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><a name=\"bookmark6\"><\/a><\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Abril, 1917<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Em abril, profundas mudan\u00e7as afetam o processo revolucion\u00e1rio russo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Com a chegada de L\u00eanin, Zinoviev e outros revolucion\u00e1rios russos do exterior se inicia no partido bolchevique a luta contra as concep\u00e7\u00f5es que tendiam a manter a revolu\u00e7\u00e3o nos limites burgueses, at\u00e9 ent\u00e3o dominantes no interior do partido. Essas concep\u00e7\u00f5es, principalmente aquela que afirmava que a revolu\u00e7\u00e3o russa tinha um conte\u00fado essencialmente burgu\u00eas e que, por isso, o papel das for\u00e7as revolucion\u00e1rias consistia em auxiliar a burguesia a se consolidar no poder contra a rea\u00e7\u00e3o monarquista, estavam levando St\u00e1lin e Kamenev a proporem a uni\u00e3o dos bolcheviques com os mencheviques com o objetivo de defenderem a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro. A uma proposta nesse sentido feita pelo l\u00edder menchevique Tseretelli, St\u00e1lin respondeu no dia 30 de mar\u00e7o: \u201cN\u00f3s devemos realizar (a Uni\u00e3o). \u00c9 necess\u00e1rio definir nossa proposta para uma base de uni\u00e3o, (a) uni\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel&#8230;\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Chegando \u00e0 R\u00fassia, L\u00eanin redige as teses (que passar\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria como as Teses de Abril) de que a rep\u00fablica nascida da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro era uma rep\u00fablica burguesa &#8212; e que, portanto, n\u00e3o cabia aos oper\u00e1rios lutarem por ela. A tarefa dos bolcheviques era derrubar o governo imperialista burgu\u00eas de Kerenski e fundar a Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica dos trabalhadores. A principal tarefa moment\u00e2nea dos bolcheviques era explicar \u201cpacientemente\u201d \u00e0s massas quem os mencheviques e os sociais-revolucion\u00e1rios defendiam &#8212; a burguesia &#8212; e n\u00e3o temer ficar, momentaneamente, em minoria. Pelo contr\u00e1rio, estando em minoria era poss\u00edvel, naquele momento hist\u00f3rico particular, explicar \u00e0s massas exaustivamente todas as trai\u00e7\u00f5es que os mencheviques, sociais-revolucion\u00e1rios e o Governo Provis\u00f3rio estavam realizando e, dessa forma, conseguir o apoio das massas oper\u00e1rias e camponesas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A luta no interior do partido bolchevique foi renhida. Os estratos superiores do partido receberam com animosidade e desconfian\u00e7a as opini\u00f5es de L\u00eanin e, quando foram publicadas no Pravda (\u00f3rg\u00e3o bolchevique), receberam uma introdu\u00e7\u00e3o esclarecendo que os editores do jornal (entre eles St\u00e1lin) consideravam as teses inaceit\u00e1veis, pois partiam do pressuposto (falso, para eles) que estava na hora de se lutar por um governo oper\u00e1rio na R\u00fassia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">No entanto, os setores do partido mais pr\u00f3ximo \u00e0 classe oper\u00e1ria, principalmente os comit\u00eas dos distritos oper\u00e1rios, passaram a fazer agita\u00e7\u00e3o das teses entre as massas, principalmente em Moscou e Petrogrado. Na confer\u00eancia do Partido, de Abril, as Teses de L\u00eanin acabaram sendo vitoriosas. Para isso em muito contribuiu o clima pol\u00edtico que vivia a R\u00fassia nos \u201cDias de Abril\u201d&#8230; como veremos no artigo do m\u00eas que vem.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\">Recomenda\u00e7\u00f5es de leitura:<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">A hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o russa, de L. Trotsky: h\u00e1 v\u00e1rios relatos e hist\u00f3rias sobre 1917, a mais importante e que deve ser lida por todos \u00e9 a acima citada. H\u00e1, no Brasil, uma antiga edi\u00e7\u00e3o da Editora Paz e Terra, em tr\u00eas volumes, e uma mais recente da Editora Sundermann, em dois volumes. \u00c9 praticamente a mesma tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de tudo, uma recomenda\u00e7\u00e3o aos leitores: na leitura de textos de hist\u00f3ria, \u00e9 fundamental ter sempre um mapa \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5076,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,6,55,75],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5075"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5075"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5533,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5075\/revisions\/5533"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}