{"id":5106,"date":"2017-08-20T17:11:25","date_gmt":"2017-08-20T20:11:25","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5106"},"modified":"2018-05-01T00:36:12","modified_gmt":"2018-05-01T03:36:12","slug":"contra-a-oposicao-da-direita-venezuelana-contra-qualquer-intervencao-imperialista-oposicao-ao-maduro-por-um-poder-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/08\/contra-a-oposicao-da-direita-venezuelana-contra-qualquer-intervencao-imperialista-oposicao-ao-maduro-por-um-poder-operario\/","title":{"rendered":"Contra a oposi\u00e7\u00e3o da direita venezuelana! Contra qualquer interven\u00e7\u00e3o imperialista! Oposi\u00e7\u00e3o ao Maduro! Por um poder oper\u00e1rio!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-5107 alignright\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/venezuela-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/venezuela-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/venezuela.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Os acontecimentos na Venezuela influenciar\u00e3o as pr\u00f3ximas lutas, principalmente na Am\u00e9rica do Sul. E \u00e9 importante entendermos que uma vit\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o burguesa na Venezuela ir\u00e1 fortalecer a direita e os setores do imperialismo estadunidense, defensores de uma pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses.<br \/>\nPodemos dizer que a oposi\u00e7\u00e3o burguesa tem como base social parcela da classe m\u00e9dia, \u00e9 apoiada e financiada por setores da burguesia organizada na Fedec\u00e1maras (federa\u00e7\u00e3o patronal) e pelo imperialismo estadunidense.<br \/>\nJ\u00e1 a vit\u00f3ria de Maduro fortalece os setores reformistas que apoiam o governo e que veem no processo venezuelano o caminho para a constru\u00e7\u00e3o de um poss\u00ed\u00advel \u201cEstado social\u201d, sem nenhuma ruptura com o capitalismo.<br \/>\nPara tanto, Maduro tem apoio entre militares e da chamada \u201cboliburguesia\u201d, setores da burguesia vinculados ou que se beneficiam principalmente de neg\u00f3cios com o Estado. Essa disputa \u00e9, portanto, entre duas fra\u00e7\u00f5es da burguesia para ver quem vai ficar com a riqueza produzida pela classe trabalhadora.<br \/>\nUma outra possibilidade, menos prov\u00e1vel no momento, mas que poderia representar uma verdadeira sa\u00ed\u00adda para a classe trabalhadora seria a vit\u00f3ria de uma luta protagonizada pela classe oper\u00e1ria venezuelana, demais trabalhadores e pelo povo pobre, o que colocaria a luta no patamar anticapitalista juntamente com uma perspectiva socialista.<br \/>\nIsso tudo tem fomentado intensos debates no campo da esquerda, com posi\u00e7\u00f5es a favor e contra Maduro. Para n\u00f3s, o grande desafio na \u201csitua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela\u201d \u00e9 ter uma pol\u00ed\u00adtica que preserve a independ\u00eancia de classe trabalhadora, que enfrente a oposi\u00e7\u00e3o burguesa e o imperialismo e que n\u00e3o capitule ao Maduro, que segue o projeto burgu\u00eas e gerencia o capital. Outros opositores burgueses que devem ser combatidos s\u00e3o os governos lacaios da regi\u00e3o (o argentino e o brasileiro, \u00e0 frente) que se somaram a ofensiva imperialista para derrubar Maduro.<br \/>\nO chavismo entre o discurso anti-imperialista e a pr\u00e1tica<br \/>\nCom todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e limites o chavismo \u00e9 produto das lutas contra o neoliberalismo ocorridas no fim dos anos 90 e in\u00ed\u00adcio dos anos 2000. As rebeli\u00f5es na Argentina, na Bol\u00ed\u00advia e Equador levaram as massas de trabalhadores a romperem com o neoliberalismo ent\u00e3o dominante na regi\u00e3o. Foi nesse processo que Ch\u00e1vez despontou como l\u00edder de massas e opositor da \u201cvelha oligarquia\u201d na Venezuela.<br \/>\nCh\u00e1vez, coronel do Ex\u00e9rcito, era a principal lideran\u00e7a do Movimento Bolivariano Revolucion\u00e1rio surgido no interior das For\u00e7as Armadas venezuelanas, de cunho nacionalista e defensor de um desenvolvimento nacional. Esse movimento n\u00e3o tem e nunca teve qualquer vi\u00e9s socialista e de ruptura com o capitalismo. Manteve a velha utopia de uma economia nacional independente capitalista em um mundo marcado pela mundializa\u00e7\u00e3o do capital.<br \/>\nFoi eleito Presidente em 1998, como decorr\u00eancia da fal\u00eancia do \u201cpacto de punto fijo\u201d, acordo firmado na d\u00e9cada de 50 entre os dois principais partidos (A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica e o Copei), pelo qual se revezariam no poder. Essa fal\u00eancia havia sido resultado da crise econ\u00f4mica dos anos 80 que aumentou a pobreza, piorou as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe m\u00e9dia e diminui a renda da burguesia.<br \/>\nPor isso, a sua ascens\u00e3o e elei\u00e7\u00e3o teve utilidade, pois conteve uma rebeli\u00e3o social e conseguiu desviar as aspira\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias dos trabalhadores para dentro de um Estado que destinaria parte da renda para a prote\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nApoiando-se na renda do petr\u00f3leo (com a alta do pre\u00e7o chegou pr\u00f3ximo aos U$ 140 no mercado mundial), construiu programas de prote\u00e7\u00e3o social, como o acordo com m\u00e9dicos cubanos e a amplia\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade nas favelas e bairros pobres, programas de moradias populares, acesso da popula\u00e7\u00e3o pobre \u00e0 universidade, etc. Medidas de pol\u00ed\u00adticas p\u00fablicas que foram fundamentais para ganhar apoio popular.<br \/>\nAinda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00ed\u00adticas p\u00fablicas, \u00e9 importante destacar a retomada do controle administrativo da PDVSA (empresa estatal de petr\u00f3leo) das m\u00e3os de gerentes e administradores que ganhavam muito dinheiro e estavam diretamente ligados aos interesses de empresas petrol\u00ed\u00adferas estadunidenses. Isso foi decisivo para aumentar os recursos financeiros do Estado.<br \/>\nO forte discurso \u201ccontra o imp\u00e9rio\u201d, adotado por Ch\u00e1vez, contrastava com a manuten\u00e7\u00e3o de acordos comerciais com os Estados Unidos, com o qual ainda hoje mant\u00e9m rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia. Os neg\u00f3cios petrol\u00edferos com os Estados Unidos envolviam mais de 740 mil barris di\u00e1rios, sendo a Venezuela o terceiro maior exportador do mundo para \u201cterras de Tio Sam\u201d. Ou seja, o discurso \u201ccontra o imp\u00e9rio\u201d n\u00e3o correspondia aos fatos e representava o nacionalismo burgu\u00eas.<br \/>\nN\u00e3o houve pol\u00ed\u00adtica de desenvolvimento de um polo industrial nacional que pudesse fazer frente \u00e0s multinacionais, base fundamental de qualquer projeto nacionalista. As poucas nacionaliza\u00e7\u00f5es foram por press\u00e3o de trabalhadores como o caso da sider\u00fargica SIDOR ou como o da ind\u00fastria de cimento, nacionalizada mediante acordo para aquisi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria e que passou a ser controlada pelo Estado. Assim, a classe trabalhadora continuava a ser explorada, mas pelo Estado.<br \/>\nPortanto, desde o in\u00ed\u00adcio, caracterizamos que o governo Ch\u00e1vez desenvolveria um projeto nacionalista burgu\u00eas, pois mantinha de p\u00e9 todos os mecanismos que caracterizam a depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo estadunidense. Enfim, n\u00e3o se trata de um projeto socialista. O chavismo, no m\u00e1ximo, avan\u00e7ou no aprimoramento da democracia burguesa, para gerir os neg\u00f3cios da burguesia, com a introdu\u00e7\u00e3o de formas de participa\u00e7\u00e3o popular no sistema pol\u00ed\u00adtico venezuelano, hoje j\u00e1 bem desarticulada e controlada. O governo Maduro \u00e9 parte desse mesmo projeto.<br \/>\nA crise, a queda de pre\u00e7os do petr\u00f3leo e o fim dos programas sociais<br \/>\nO petr\u00f3leo \u00e9 a base da economia venezuelana. Tem a maior reserva petrol\u00ed\u00adfera do mundo e sua renda representa 40% das receitas do governo, 96% das exporta\u00e7\u00f5es e 11% do PIB do pa\u00ed\u00ads (este \u00faltimo varia de acordo com os pre\u00e7os no mercado mundial). Renda fundamental para o chavismo, assim como foi para os programas econ\u00f4micos dos governos anteriores.<br \/>\nEm 2014, a combina\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica mundial com o aumento da explora\u00e7\u00e3o do xisto nos Estados Unidos e Canad\u00e1, gerou a queda brusca nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo no mercado mundial. Entre 2008\/2009 o pre\u00e7o do barril era pr\u00f3ximo de US$ 140, em junho de 2014 era U$ 115 o barril e em agosto de 2017 pr\u00f3ximo de U$ 50. Isso foi fundamental para o comprometimento das finan\u00e7as da PDVSA e do Estado.<br \/>\nEm qualquer governo burgu\u00eas, nos momentos de queda da taxa de lucro dos capitalistas, os programas sociais s\u00e3o os primeiros a sofreram cortes. E as medidas de Maduro na gest\u00e3o da crise capitalista produziram os mesmos efeitos. Houve aumento do desemprego, dos v\u00e1rios problemas sociais, da criminalidade e a incapacidade de resolver os problemas de abastecimento, at\u00e9 de produtos b\u00e1sicos. Tudo isso foi decisivo para corroer a base de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00ed\u00adtica de Maduro, processo que j\u00e1 vinha mesmo quando ainda era Ch\u00e1vez quem estava \u00e0 frente do governo.<br \/>\nCom a morte de Ch\u00e1vez em 2013, mesmo com esse desgaste, o chavismo ainda manteve prest\u00ed\u00adgio para garantir a elei\u00e7\u00e3o de Maduro, ainda que com pequena diferen\u00e7a de votos. Mas, a crise econ\u00f4mica mundial continuou e os pre\u00e7os do petr\u00f3leo se mantiveram baixos.<br \/>\nCom o aprofundamento da crise pol\u00ed\u00adtica e econ\u00f4mica, sem perspectivas de as demandas sociais e econ\u00f4micas serem atendidas, mobiliza\u00e7\u00f5es de rua se ampliaram e foram lideradas pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa. Parcela da classe m\u00e9dia, base social da oposi\u00e7\u00e3o burguesa e agora com apoio de alguns setores mais pobres, vai radicalizando as suas a\u00e7\u00f5es e, inclusive, parcelas passam a defender abertamente medidas de for\u00e7a para tirar Maduro do governo.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o se pode deixar de mencionado que, como a corros\u00e3o da base social do chavismo est\u00e1 intimamente ligada aos problemas da economia, o setor da burguesia ligado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de direita passou a realizar v\u00e1rias medidas de sabotagem para agravar ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o e ganh\u00e1-la para a oposi\u00e7\u00e3o ao governo Maduro.<br \/>\nQuem sustenta o governo Maduro?<br \/>\nO controle sobre o petr\u00f3leo e a PDVSA garante os recursos financeiros para o governo de Maduro distribuir de alguma forma partes da riqueza do petr\u00f3leo. Com isso, consegue articular o apoio de uma parte da popula\u00e7\u00e3o mais pobre, das missiones e principalmente das For\u00e7as Armadas.<br \/>\n\u00c9 essa situa\u00e7\u00e3o que garante ao governo de Maduro, mesmo com baixa popularidade e sucessivas a\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, ainda se manter no poder e ter algumas iniciativas pol\u00ed\u00adticas, como foi a convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional Constituinte. Com 8 milh\u00f5es de votantes mesmo boicotada, alvo de muitos questionamentos e com resultado questionado pela oposi\u00e7\u00e3o essa Constituinte pode ser considerada uma cartada de Maduro para manter o poder, sabendo que precisa reestabelecer o respaldo popular<br \/>\nMaduro al\u00e9m de contar com a baixa popularidade, tem contra seu governo o parlamento (dissolvido pela Constituinte) controlado pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa e os empres\u00e1rios da Fedec\u00e1maras.<br \/>\nO apoio das For\u00e7as Armadas \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o da continuidade de Maduro como presidente. E n\u00e3o \u00e9 porque os militares tenham qualquer apre\u00e7o pela democracia. \u00c9 pela pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com os neg\u00f3cios. Sob o controle militar est\u00e3o 11 minist\u00e9rios, v\u00e1rios cargos em empresas estatais, a emissora de televis\u00e3o, v\u00e1rios bancos, empresa de petr\u00f3leo, montadora de ve\u00ed\u00adculos, dentre outros neg\u00f3cios menores. Diosdado Cabello, militar e segundo na hierarquia chavista, por exemplo, \u00e9 acionista de bancos.<br \/>\nUm corpo armado e leal ao governo tem sido decisivo a Maduro. N\u00e3o por acaso que a Assembleia Constituinte rec\u00e9m empossada recebeu o apoio do alto comando das For\u00e7as Armadas. Se fosse de fato uma Constituinte com \u201cpoderes constitucionais\u201d a rela\u00e7\u00e3o seria o inverso. O objetivo final da Constituinte \u00e9 de fato garantir a perman\u00eancia de Maduro e criar condi\u00e7\u00f5es para a burocracia se manter no poder e garantir os privil\u00e9gios nas m\u00e3os dos correligion\u00e1rios do PSUV e, claro, dos militares.<br \/>\nAs chamadas \u201cMissiones\u201d tamb\u00e9m s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os de sustenta\u00e7\u00e3o de Maduro. S\u00e3o grupos colaterais armados e tamb\u00e9m dirigidos e controlados pelo PSUV. N\u00e3o t\u00eam a mesma for\u00e7a dos militares mas cumprem um papel importante, pois est\u00e3o localizadas em v\u00e1rios bairros populares. O apoio das \u201cMissiones\u201d ao governo tamb\u00e9m se move pelas quest\u00f5es financeiras, j\u00e1 que a maioria delas \u00e9 formada por membros profissionalizados, ou seja, no momento de altas taxas de desemprego ter renda tem sido fundamental.<br \/>\nA outra forma de sustenta\u00e7\u00e3o de Maduro \u00e9 o sindicalismo controlado por seu partido, com uma burocracia que busca desmobilizar a classe trabalhadora, sobretudo os Petroleiros. Assim, os sindicatos e a \u201cCentral Bolivariana Socialista\u201d (controlado pelo PSUV) impedem a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria organizada por reivindica\u00e7\u00f5es da classe como o aumento de sal\u00e1rio, o controle oper\u00e1rio sobre as f\u00e1bricas, etc. Com isso, tamb\u00e9m buscam impedir que a classe trabalhadora se coloque de forma independente na cena pol\u00edtica ultrapassando os limites impostos pelas burocracias do Estado e dos sindicatos.<br \/>\nPortanto, Maduro mantem como sustenta\u00e7\u00e3o de seu governo as For\u00e7as Armadas, as \u201cMissiones\u201d e os sindicatos controlados. Sabe que classe oper\u00e1ria \u00e9 a \u00fanica que pode apresentar um projeto independente que atenda as necessidades da classe trabalhadora de conjunto e que n\u00e3o esteja atrelado aos interesses de Maduro, da burocracia chavista, dos militares e nem da burguesia.<br \/>\nAs medidas antidemocr\u00e1ticas de Maduro<br \/>\nMaduro tem respondido com forte repress\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es convocadas e lideradas pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa, j\u00e1 com v\u00e1rias mortes. Uma repress\u00e3o dirigida diretamente pelas For\u00e7as Armadas e que tem cenas bastante utilizadas pela m\u00ed\u00addia mundial como forma de defesa da \u201cam\u00e1vel\u201d oposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm outro momento tentou retomar as fun\u00e7\u00f5es legislativas transferindo-as para o Judici\u00e1rio, muito alinhado ao governo, mas foi obrigado a recuar.<br \/>\nDepois convocou a Constituinte com a certeza de garantir maioria chavista e com crit\u00e9rios bem antidemocr\u00e1ticos. Do total de 545 constituintes, 364 foram eleitos nos munic\u00ed\u00adpios e os demais 181 foram eleitos por setores (ind\u00ed\u00adgenas, estudantes, etc.). Cada munic\u00ed\u00adpio de at\u00e9 100 mil habitantes elegeria apenas um constituinte e os acima dessa quantidade seriam 2 constituintes. Foram assim violados v\u00e1rios crit\u00e9rios democr\u00e1ticos como a proporcionalidade na representa\u00e7\u00e3o, em que munic\u00edpios maiores tiveram a mesma representa\u00e7\u00e3o que os de popula\u00e7\u00e3o menor. N\u00e3o foi uma Constituinte a partir das lutas, portanto, sua convoca\u00e7\u00e3o \u201cde cima para baixo\u201d atendia aos interesses de Maduro e de seus apoiadores.<br \/>\nE com a possibilidade de candidaturas individuais (cerca de 5 mil candidatos em todo o pa\u00ed\u00ads), com o boicote da oposi\u00e7\u00e3o burguesa e com a ilegalidade dos partidos de oposi\u00e7\u00e3o de esquerda chega a ser \u201cnormal\u201d um partido estruturado e com recursos financeiros, como o PSUV, vencer.<br \/>\nDecretar a ilegalidade de v\u00e1rios partidos de esquerda, inclusive o Partido Comunista um dos mais euf\u00f3ricos apoiadores do chavismo, tamb\u00e9m foi uma das medidas antidemocr\u00e1ticas de Maduro para impedir que setores organizados da classe trabalhadora se manifestassem e que maior parte da popula\u00e7\u00e3o se colocasse em cena como oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao seu governo.<br \/>\nOposi\u00e7\u00e3o burguesa, nunca!<br \/>\nComo j\u00e1 dissemos, a oposi\u00e7\u00e3o mais ativa contra Maduro \u00e9 dirigida pelos setores da direita venezuelana, formada pelas camadas superiores de classe m\u00e9dia e pela burguesia organizada na Fedec\u00e1maras (federa\u00e7\u00e3o patronal). Politicamente se organiza em torno da MUD (Mesa Unidade Democr\u00e1tica) e \u00e9 liderada por Henrique Carilles, candidato derrotado por Maduro nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<br \/>\nConta com o apoio aberto do governo dos Estados Unidos (C\u00e2mara do com\u00e9rcio Estados Unidos-Venezuela, instalada na embaixada em Caracas funciona abertamente como centro de conspira\u00e7\u00e3o), da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos) e da maioria dos pa\u00edses do Mercosul que, liderado pelo governo brasileiro, tem se posicionado a favor das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o. Primeiro, fez uma s\u00e9rie de press\u00f5es e exig\u00eancias ao governo de Maduro para revogar suas decis\u00f5es e depois votou a suspens\u00e3o da Venezuela do bloco, apresentando como fundamento o n\u00e3o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<br \/>\nO governo dos Estados Unidos falar de democracia parece piada. Esse pa\u00ed\u00ads est\u00e1 por tr\u00e1s de praticamente todos os golpes no continente americano. O interesse do governo estadunidense \u00e9 mesmo o petr\u00f3leo venezuelano, principalmente nesse momento em que os pa\u00ed\u00adses da OPEP mant\u00e9m alta a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, jogando para baixo os pre\u00e7os e quase inviabilizando a produ\u00e7\u00e3o de xisto nos Estados Unidos. Dessa forma, ter o controle sobre a produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo venezuelano \u00e9 fundamental para interferir nas decis\u00f5es da OPEP.<br \/>\nNo discurso do governo brasileiro, no encontro do Mercosul, foi alegado que as institui\u00e7\u00f5es venezuelanas n\u00e3o funcionam de maneira regular, conforme os princ\u00ed\u00adpios da democracia liberal e que, portanto, Maduro deveria renunciar. Por\u00e9m, ironicamente, as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas burguesas tamb\u00e9m est\u00e3o com graves problemas no Brasil, a governabilidade carece de respaldo popular para, por exemplo, legitimar a Reforma Previdenci\u00e1ria e Temer possui altos \u00edndices de rejei\u00e7\u00e3o e necessita recorrer a mecanismos de compra de votos para escapar de poss\u00ed\u00adveis condena\u00e7\u00f5es como foi o caso do arquivamento da investiga\u00e7\u00e3o contra den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEmbora caracterizemos as medidas de Maduro como antidemocr\u00e1ticas, entendemos tamb\u00e9m que esses governos n\u00e3o t\u00eam legitimidade para impor qualquer puni\u00e7\u00e3o a Venezuela, ainda mais com esse argumento dado que h\u00e1 viola\u00e7\u00f5es di\u00e1rias \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas em todos esses pa\u00ed\u00adses. Entendemos tamb\u00e9m que deve pertencer \u00e0 classe trabalhadora o poder de legitimar e fazer questionamentos ou de ter pol\u00ed\u00adtica para defesa de direitos democr\u00e1ticos.<br \/>\nPortanto, nem o discurso da oposi\u00e7\u00e3o burguesa venezuelana e nem o da alta classe m\u00e9dia mobilizada est\u00e1 vinculado ao que praticam, ou seja, n\u00e3o est\u00e3o preocupadas com a fome, com a falta de alimentos, com os servi\u00e7os p\u00fablicos ou com as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o e muito menos com a democracia, pois historicamente a burguesia venezuelana \u00e9 uma das mais repressivas. E suas lideran\u00e7as historicamente est\u00e3o ligadas \u00e0 oligarquia que sempre se apropriou das riquezas do petr\u00f3leo e explorou os venezuelanos.<br \/>\nO risco do golpe existe?<br \/>\nV\u00e1rios setores trabalham abertamente pela deposi\u00e7\u00e3o de Maduro via golpe. As amea\u00e7as do alto escal\u00e3o de Washington, os apelos e pedidos para os militares derrubarem Maduro e a a\u00e7\u00e3o coordenada de governos da Am\u00e9rica do Sul com san\u00e7\u00f5es, declara\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as demonstram haver entre os opositores propostas de golpes. Mas, h\u00e1 a contradi\u00e7\u00e3o de os militares apoiarem Maduro e suas medidas, al\u00e9m de terem sido parte importante do projeto chavista de poder e, como dissemos, se beneficiam diretamente da riqueza do petr\u00f3leo.<br \/>\nEssas amea\u00e7as de golpes e de interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o por conta de um poss\u00ed\u00advel esgotamento da forma de luta utilizada pela direita at\u00e9 o momento, principalmente porque n\u00e3o conseguiu incorporar nas mobiliza\u00e7\u00f5es a classe trabalhadora e setores mais pobres. At\u00e9 agora, mesmo n\u00e3o apoiando Maduro, a classe trabalhadora n\u00e3o arriscou com esses velhos conhecidos.<br \/>\nEssa \u00e9 a raz\u00e3o de o lockout de 27 de julho (paralisa\u00e7\u00e3o realizada por empres\u00e1rios) organizado pela federa\u00e7\u00e3o patronal (que havia liderado a tentativa de golpe em 2002) n\u00e3o ter tido o resultado esperado. A imprensa e a direita chamaram a paralisa\u00e7\u00e3o de \u201cparo nacional\u201d para confundir com um movimento de trabalhadores. Mas, n\u00e3o foi uma luta da classe trabalhadora e muito menos uma greve geral. Em vez de assembleias e piquetes de trabalhadores para construir a greve, foram as empresas e as lojas (principalmente dos bairros ricos) que fecharam as portas, no site da federa\u00e7\u00e3o patronal havia o chamado de \u201capoio \u00e0 greve\u201d.<br \/>\nA cr\u00ed\u00adtica e a oposi\u00e7\u00e3o que fazemos ao Maduro n\u00e3o nos levam a nos posicionar ao lado da direita e do imperialismo. Ainda que seja pouco prov\u00e1vel uma interven\u00e7\u00e3o militar estadunidense, entendemos que caso ocorra a tarefa principal \u00e9 a derrota do imperialismo, no entanto, afirmamos que nem Maduro, nem militares, nem o setor da burguesia que apoia o governo Maduro ir\u00e3o enfrentar o imperialismo. Somente a classe trabalhadora e o operariado poder\u00e3o fazer o imperialismo, a burguesia venezuelana e Maduro juntamente com a burocracia recuarem.<br \/>\nIndependente de sermos oposi\u00e7\u00e3o ao Maduro defendemos unidade contra a tentativa de golpe e interven\u00e7\u00e3o militar de qualquer pa\u00ed\u00ads \u00e0 Venezuela. A derrubada de Maduro dever\u00e1 ser pela a\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e dos demais trabalhadores venezuelanos, com suas formas de luta que imponham seu programa com a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia e com o controle oper\u00e1rio sobre a PDVSA para destinar as riquezas provenientes do petr\u00f3leo para atender de fato as necessidades da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o pobre.<br \/>\nPor uma sa\u00ed\u00adda independente<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre lutar contra o imperialismo e a direita e defender Maduro. Apoiar Maduro \u00e9 apoiar um projeto burgu\u00eas que se baseia na explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora venezuelana, se apropriando da riqueza do povo venezuelano em favor dos privil\u00e9gios dos burocratas civis e militares. \u00c9 legitimar a corrup\u00e7\u00e3o e o controle da \u201cboliburguesia\u201d e das For\u00e7as Armadas sobre os trabalhadores.<br \/>\nComo dissemos o chavismo n\u00e3o representa a classe trabalhadora e nem um projeto socialista. \u00c9 uma burocracia ideologicamente ligada ao capitalismo, inclusive com apoio em alguns setores da burguesia venezuelana que obt\u00e9m lucro com a gest\u00e3o de Maduro. H\u00e1 em curso uma disputa entre setores da burguesia e n\u00e3o nos posicionamos na defesa nem de um lado e nem de outro, pois isso significaria estar ao lado da classe inimiga e representaria uma trai\u00e7\u00e3o de classe.<br \/>\nA luta contra o governo Maduro e contra suas medidas deve levar em conta as necessidades e interesses hist\u00f3ricos da classe trabalhadora venezuelana e mesmo a do continente. S\u00e3o fundamentais a den\u00fancia e a cr\u00ed\u00adtica, a partir de uma perspectiva revolucion\u00e1ria, de que Maduro n\u00e3o est\u00e1 comprometido em avan\u00e7ar para um governo anticapitalista e muito menos socialista e isso n\u00e3o significa deixar espa\u00e7o para a direita.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o defendemos o \u201cFora Maduro\u201d como defendem a burguesia e alguns setores de esquerda no Brasil como LIT\/PSTU ou o apoio cr\u00ed\u00adtico \u00e0 direita como CST (PSOL), pois nesse momento o conte\u00fado dessas bandeiras abre espa\u00e7o para a oposi\u00e7\u00e3o burguesa e para os representantes diretos do imperialismo. A derrubada de Maduro pela direita ou pelo imperialismo n\u00e3o representa uma vit\u00f3ria dos trabalhadores.<br \/>\nPortanto, n\u00e3o entendemos que h\u00e1 somente duas vias para a classe trabalhadora venezuelana (ou a fra\u00e7\u00e3o burguesa imperialista ou a fra\u00e7\u00e3o burguesa venezuelana). \u00c9 necess\u00e1ria a unidade da esquerda que luta por uma sa\u00edda independente e anticapitalista para juntamente com a classe trabalhadora e popula\u00e7\u00e3o pobre romper e enfrentar a burguesia e o chavismo, hoje na figura de Maduro, para construir um poder oper\u00e1rio-popular. Essa \u00e9 a \u00fanica via para a supera\u00e7\u00e3o da crise venezuelana sob a \u00f3tica da luta revolucion\u00e1ria e socialista.<br \/>\n&#8211; Contra a oposi\u00e7\u00e3o burguesa na Venezuela! Contra qualquer interven\u00e7\u00e3o imperialista e estrangeira!<br \/>\n&#8211; Nenhuma confian\u00e7a no governo nacionalista-burgu\u00eas de Maduro! Pela organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de forma independente!<br \/>\n&#8211; Contra Constituinte antidemocr\u00e1tica! Pela legaliza\u00e7\u00e3o dos partidos de esquerda! Pelo fortalecimento da luta independente e anticapitalista da classe trabalhadora!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os acontecimentos na Venezuela influenciar\u00e3o as pr\u00f3ximas lutas, principalmente na Am\u00e9rica do Sul. 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